Com um cigarro em riste, parece mais intelectualizada do que de fato é. Não é por isso que fuma. Ela é a prova viva de que as aparências enganam. Quem a viu cruzando a Paulista de chinelo, vestido na altura dos joelhos e mochila preta nas costas viu apenas uma de suas faces.
Quem a viu, carregando sob o braço, como um crente carrega sua bíblia, uma garrafa de X pelos corredores de um alojamento, viu sua face mais sincera.
Ela não finge não se importar, assim como não finge importar-se. É apenas desequilibrada assim mesmo, e não faz questão nenhuma de esconder isso de ninguém. Não é perfeita. Está, na verdade, muito longe de ser isso.
Sofre por motivos que poderia relevar. Não faz amor, faz sexo. Seu sexo é trepar e seu trepar é foder. Ela fode. Fode em todos os sentidos que possam estar atrelados ao termo. Explode e libera das formas mais perversas e controversas toda a revolução que, diariamente, carrega em suas entranhas. Defende como uma leoa quem julga merecedor de sua luta. Ela não finge, apenas é."
Demorei para postar porque não achava o pedaço de papel que continha esse escrito. Certa vez, emprestei um livro (Histórias Extraordinárias, do Poe), ele passou por várias mãos e, ao retornar para as minhas, tinha esse escrito em uma folha solta no meio de suas páginas. Não encontrei o autor, por mais que tenha procurado.
Engraçado que, por mais caricata e fantasiosa, a pessoa descrita nele sou eu, ou melhor, fui eu. Lendo, senti tamanha nostalgia daquela tal juventude, da sensação de que não há nada a perder! A urgência, a febre que, penso, muita gente sente!
Acho muito boa essa nostalgia segura, de quem não está no olho do furacão, dá uma sensação de vida bem vivida, morta de amor, "cheia de som e fúria", mas, há a sobrevivência, algo que ultrapassa as paixões passadas, "as mortes no peito" e os "quilos de medo"... Ai, ai, das coisas que nunca mudam: continuo uma romântica decadentemente patológica!
Já que não parei de citar, transcrevo palavras da Maria Rita Kehl: "Tem gente que entra na juventude como se o mundo fosse continuação do quintal familiar. Vai de cabeça sem medo, sem nem se dar conta de que caminha no escuro."
Pois é, fui dessas!
Simbora!
11 comentários:
Me comovo com sua capacidade de expressar tanto em tão poucas palavras!
Metalinguística pura!
shashiOSAOSAOJihsaih
OK, então,aguardando.
Dou F5 de 5 em 5 minutos...e nada! Quanta ansiedade!
Nossa, Híndira! Que vergonha blaster vc ter achado este texto meu...escrevi isso meio sem refletir direito, nem sei bem se é sobre VOCÊ exatamente...mas certamente é sobre vc TAMBÉM... que bom que vc olha pra esse passado com carinho...todo passado adquire cores novas quando olhados do presente, mas é dificil dizer isso para alguém com uma vida tão colorida como a sua...bjinho!
(Vergonha blaster de me revelar)
Híndira, se meu cardiologista soubesse da existência desse blog, me proibiria categoricamente de ler os textos do dia 10! Seu texto vai molestando meus nervos fazendo com que minha pressão sistólica se digladie com a diastólica!
Tum-tum-tum-tum...posso ouvir as batidas do meu coração assim que cada linha de seu post vai chegando ao conhecimento dele! Uma tarjinha preta ia bem, vc não acha?
Ia comentar alguma coisa. Mas depois de ler todos os comentários, principalmente os do Felipe, me faltou inspiração!
Ah! Só vou dizer que gotei e pronto! Ponto.
O Felipe me deixa com vergonha de comentar...
Parabéns, Híndira. Outro belíssimo texto!
que escrito bom de se achar em um livro!
a nostalgia me mata, a cada dia...
por eu não acreditar que tudo que vem depois é uma continuação do quintal familiar.
Adorei o post. Você sabe se expressar com palavras. Me identifiquei muito.
XOXO
Como já foi dito aí em cima, pela cara Carol, me sinto sem inspiração para postar qualquer coisa à altura, a altura do próprio post e à altura dos comentários do Felipe. O que me resta é relatar que gostaria que fosse eu a descrita desse relato, e em algumas passagens pensei que fosse eu, pra falar a verdade. Pois é, acho que somos românticas distópicas.
Impressiona-me também a forma como a Híndira escreve...e como escreve bem.
O que há de melhor do que se identificar com o que se lê, acho que a leitura tem que ter dessas coisas...
Muito bom mesmo!!!... Também gostei do texto!!!
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