quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Do 29 ao 30

Assim que publiquei o meu post de Janeiro pensei:

Não existe dia 30 de Fevereiro, estou de férias no próximo mês? Mas como a diretoria liberou 3 postagens para o dia 28, então estamos ai.
Pensei logo no povo que nasceu ou se foi no dia 29 de Fevereiro e fui atrás das efemérides que eu tanto gosto, bora lá:

Coisas estranhas:

1ª - Houve uma única vez na história o dia 30 de Fevereiro que foi 30/02/1712.
Até 1712 os Suecos usavam o calendário Juliano ao invés do Gregoriano onde todos os anos múltiplos de 4 são bissextos. Como 1700 havia sido bissexto no calendário Juliano para ajustarem ao recém adotado calendário onde 1700 não seria mais bissexto a Suécia adicionou 2 dias ao ano de 1712.

2ª - O nome “Ano Bissexto” ao contrário do que muitos pensam não é por causa dos dois números “6” que temos nos “366” dias do ano.
A expressão veio lá da Roma Antiga, quando os dias tinham nomes baseados no ciclo lunar. Assim, dia 24 de fevereiro se chamava “antediem sextum calendas martii”, ou seja, “sexto dia antes da lua nova de março”. Antes de ser instituído o 29 de fevereiro, o dia 24 de fevereiro era duplicado de 4 em 4 anos. Portanto, nesses anos ele era chamado de “antediem bis-sextum calendas martii”, algo como “duas vezes o sexto dia antes da lua nova de março”.

3ª - Nos EUA existe o festival do ano bissexto na cidade de Anthony que se auto-proclamou a capital do ano bissexto.

4ª - A mais bizarra de todas:
Você malandrão que curte bancar o turista mochileiro hippie, muito cuidado se inventar de conhecer a Irlanda no mês de Fevereiro especificamente no dia 29 de fevereiro.
Tudo começou no século V, quando uma tal de Santa Brígida reclamou a São Patrício (um respeitado Padre da época) o fato de não achar justo as mulheres terem de esperar pelo pedido de casamento. Depois de muita insistência (mulheres viu!) ela conseguiu, porém para sacanear o padre restringiu o pedido para uma data específica, sim o tal do dia 29 de fevereiro.
O Pior de tudo a tradição pegou e se espalhou pelo Reino Unido, teve época que os homens tinhas até que pagar multas por não aceitarem o pedido, essas multas eram pagas com beijos, vestidos de seda, jóias. Espera ai, isso ainda acontece nos dias de hoje minha gente, não é? Rs

Vamos as efemérides:

Eventos:

1940 – O filme E o Vento Levou ganhou oito prêmios Óscar, sendo que um deles foi para Hattie McDaniel que foi a primeira mulher negra a ser convidada, e a ganhar uma estatueta do Oscar, mas ainda pingou racismo por todos os lados na festa, pois ele ficou isolada de todos os demais participantes, inclusive dos que trabalharam co ela no filme.


Nascimentos:

1860 – Herman Hollerith:  O sobrenome desse féla é familiar não? Sim ele é o culpado por aquele momento em que você recebe o seu hollerith e pensa “Estou sendo roubado”.
1932 – Jaguar: Ele só foi um dos fundadores do Pasquim, saiu de um emprego no Banco do Brasil por incentivo do seu chefe que insistia que ele deveria seguir a carreira humorística, já não fazem chefes como antigamente mesmo.


1976 – Ja Rul:  Ex-Traficante que virou rapper, e vivia de briguinha com o 50 Cent, mas essas não foram as maiores cagadas em sua vida, a maior sem duvida alguma foi ter gravado uma música com a Wanessa Camargo, e ainda ter a pachorra de prometer um álbum com Ivete Sangalo, Dudu Nobre e Chorão.

Falecimentos:

1980 – Gil Elvgren, você pensa que somente brasileiros abreviam o seu nome quando ele é feio? Esse “Gil” ai é de Gilette, pense em um nome bonito da porra.
Certa vez eu conheci uma “Val” o nome da fera era Valquefania, mas voltando ao Gil, ele foi o mais famoso e importante pintor de “Pin Ups Girls” que existiu nessa bagaça.



2012 – Davy Jones, Ele foi ator, mas em um show dos Beatles viu sua verdadeira vocação que era a música, por ironia foi chamado para participar do elenco de um seriado que também teve como maior inspiração os Beatles, onde ele seria o vocalista de uma banda, que por sua vez virou uma banda de verdade (Beatles Salva Mesmo!), mas ele é conhecido e lembrado até hoje por causa dessa série.

Quem são eles?

Hey Hey We're The Monkees



Abraço 
Jeff

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Hora do banho


Quando não sou uma burocrata, uma dona de casa ou alguém que finge estudar coisas "sérias" como filosofia, sou uma antropóloga amadora que se dedica a investigar hábitos humanos que para a maioria das pessoas seriam dignos de pouca atenção. O banho é uma dessas práticas que considero curiosíssimas. Para mim, as pessoas se dividem em quatro categorias básicas de acordo com a hora que tomam banho: há aquelas que tomam banho pela manhã, há aquelas que tomam banho à noite, há aquelas que tomam banho de manhã e à noite e, por fim, há aquelas que nunca tomam banho. Claro que há casos que vão além das minhas categorias, mas essas pessoas devem ser consideradas na sua particularidade.

O que devemos ressaltar é que a personalidade das pessoas segue um padrão dentro de cada uma dessas categorias. As pessoas que tomam banho pela manhã alegam dois motivos principais: o banho as desperta e também as deixa limpas e cheirosas para que possam entrar no mundo público, ou seja, ir à escola, ao trabalho ou a qualquer outra atividade que suponha aproximação de corpos. Já as pessoas que preferem o banho noturno defendem a ideia oposta: é preciso ficar limpo para dormir e ocupar o local mais íntimo que é a própria cama. Além disso, o banho seria um momento relaxante para trazer o sono logo e, considerando que dormir em tese não nos suja, acordaríamos igualmente limpos. A terceira categoria, por sua vez, é composta por pessoas que acreditam que é preciso respeitar a higiene no mundo público e no mundo privado, daí que preferem ficar limpinhas duas vezes ao dia. Confesso que admiro essas pessoas pela disposição que têm! O último grupo é de pessoas que não veem no banho uma utilidade privada ou pública. Até hoje conheci poucas pessoas com esse desprendimento corporal, mas, verdade seja dita, elas não são muito atrativas para o nosso atual padrão civilizatório e higienista. De todo modo, gosto de pensar no quanto o nosso ideal de limpeza é arbitrário e como ele se alterou com o passar dos séculos. Tem dúvida disso? Pense então que na corte elisabetana simplesmente não se tomava banho diário - nem de manhã, nem de noite, nem em hora alguma. O banho só se tornou rotineiro na Europa no século XIX e, ainda assim, a banheira e, mais recentemente, o chuveiro eram considerados artigos bem burgueses.

Se você acha que esse tema é banal demais, engano seu. O banho sempre teve importância, seja religiosa, social ou medicinal. Para os romanos, o banho era um acontecimento público nas termas. Para nós, um acontecimento privado no banheiro. Muita coisa mudou e fomos aos poucos adequando esse hábito de acordo com as nossas necessidades e vontades. Na maioria das vezes, é a tradição familiar que nos faz tomar banho assim ou assado, de manhã ou à noite. Dada a sua importância, o banho pode ser um problema social. Imagine dividir o quarto, a poltrona no ônibus, a fila ou a vida com alguém que não toma banho. A hora do banho também pode ser até mesmo um problema conjugal. Imagine um marido que só toma banho de manhã e sua esposa só toma banho à noite. As horas no banho podem ser também um problema econômico para quem não abre mão do banho quente e longo. O banho pode revelar talentosos cantores... 

Enfim, como se vê, os desdobramentos sobre o tema são numerosos e já é hora do meu banho. Se achou minhas reflexões antropológicas por demais inúteis, só lhe digo uma coisa: vá tomar banho... é um ótimo momento para pensar coisas como essas! 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Escrever com a luz!

Tem praticamente um mês que me bloqueou a escrita. Nem rabiscar poesia estava conseguindo - ou melhor, assim continuo. Mas aí, fui vendo: outras formas de me comunicar, expressar, sentir. E não é que ganhei uma câmera bem na hora? Sou apaixonada com fotografia, essa arte de escrever com a luz me impressiona, mesmo eu não possuindo a menor vocação (ou inteligência) para compreender a direção das luzes e a forma com que ela vai atuar naquele momento que eu tento capturar.







Ps. aproveitando essa vibe fotográfica, dia 25 receberá uma nova pessoa sedenta por escritos! Obrigada a todos do Blog das 30 pessoas pelo espaço, apoio e piadas internas. =)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dois caminhos

Um
Ao dar um passo para a direita, sentiu que deveria ser direto. Quando teve oportunidade, olhou-a nos olhos e convidou: "Vamos sair daqui?". Ela sorriu, deu mais um gole no copo de vodca com suco. Talvez tentando ganhar tempo para inventar uma desculpa. Mas não. "Vamos". A resposta o atingiu com a ferocidade de um sorriso. Saíram já de mãos dadas. E não se desgrudaram mais. Não de uma maneira grudenta, mas estavam sempre juntos, mesmo quando separados. Haviam virado uma entidade, os amigos diziam. Ninguém imaginava mais um sem o outro. Nem eles. Casaram-se, tiveram dois filhos e provaram que o amor poderia ser dividido e multiplicado ao mesmo tempo. Viveram muitos anos e viveram a maior parte desses anos juntos, que pareciam ter sido todo o tempo deles no mundo.

Outro
Acordou com o pé esquerdo. Só poderia ser isso. Mas, às vezes, os caminhos tortos são os mais corretos. Ao menos era no que queria acreditar, numa tentativa de salvar aquela semana. Ou salvar a si mesmo, depois de tantos erros. Parecia ter encontrado alguém que, finalmente, iria erguê-lo. Não, não literalmente. Bom, também. Pois as últimas tentativas de relacionamentos, muitas delas promovidas por amigos e colegas de trabalho, foram desastrosas no mínimo. Ela, não. Aparentemente sã, inteligente, bem-humorada. Tornara-se cínico demais para apostar suas fichas todas em uma pessoa, mas os outros campos da vida estavam estagnados, sem possibilidades de melhoria. Algo precisava dar certo, e logo. No final, não deu. Ela ainda esperava o retorno do ex-namorado, que partira oito anos antes. Estava perdido na vida e sentia que a vida se perdera em algum momento irrecuperável. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uruguai para Brasileiros

Desde novembro estou querendo contar como foi meu casamento e a viagem de lua de mel. 
Esse mês vai ser sobre o Uruguai, ou melhor, sobre a linda Montevideo.
Recomendo levar um pouco de peso uruguaio do Brasil e levar um pouco de real. Não vale a pena levar dólar, a não ser que você já tenha... lá tem uma casa de câmbio a cada esquina e todo mundo aceita real, por isso não vale a pena trocar por dólar. Só recomendo levar um pouco de peso porque aqui a taxa é um pouco melhor do que lá; mas eu só levei real e foi super tranquilo (troquei quando cheguei no aeroporto)...
Para calcular quanto gastar, pense em quanto você gastaria aqui no Brasil para fazer os passeios, refeições e compras que você planeja e coloque um zero a mais. Ou seja, se vocês pretendem gastar 500 reais em tudo levem 5000 pesos.. Não é um bom lugar para compras, o preço de tudo é bem parecido com o Brasil.
Não deixe de ir ao Museu Centenário e de dar uma caminhada na orla, é a coisa mais linda do mundo..  
Prepare-se para comer a melhor comida da sua vida! (sempre peça a porção individual mesmo para duas pessoas, eles são extremamente ignorantes quando o assunto é comida) Não deixe de comer a melhor carne no restaurante Parada Sur na Rua Paraguay. Os Chivitos da cidade velha também são inesquecíveis! Peça o Canadense e saiba o que é felicidade!
Na Avenida 18 de julho, no centro comercial, tem uma fonte dos cadeados onde os casais colocam cadeados com o nome ou a inicial. Como eu sou brega e tonta já levei um daqui... e acredita que não vi ninguem lá vendendo ou gravando? Ah, se fosse no Brasil... diz a lenda que o casal que colocar o cadeado lá eterniza a relação e volta na cidade... Quando você for procure o meu, rs (é impossivel achar, são muitos cadeados!!)
Ficamos hospedados no After Hotel (reservei pelo booking.com) e tiramos a demora no check-in foi ótimo.
Super recomendo para casais ou grupo de amigos que estão sem grana e sem muito tempo para viajar...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sobre a nobre prática de emprestar livros

Epígrafes deixam seu texto mais elegante...
(anônimo, in Manual do Blogueiro)


As estatísticas apontam que 98% dos livros emprestados não são devolvidos. Um dado realmente alarmante  que faz com que eu perca ainda mais a esperança na humanidade. Mas vamos lá, não seremos nós, leitores deste respeitoso veículo de comunicação, que iremos engrossar esta vergonhosa estatística. Se VOCÊ... sim, você mesmo que está me lendo, possui em sua casa algum livro que a princípio não lhe pertence, que a princípio, de repente, ME pertença ou pertença a algum amigo inocente, sugiro que proceda da seguinte forma:  DEVOLVA! Sim, é isso mesmo. Não é tão difícil assim! Se o livro fosse dado, eu ou o outro amigo inocente, teria deixado isso mais claro pra você, quem sabe com uma dedicatória ou um embrulho de presente. Se isso não ficou evidente no momento da "entrega" é porque, mais cedo ou mais tarde, você terá que (me) devolver. E isso também vale pra DVDs, CDs, roupas de baixo... tudo! Vamos incentivar práticas amigavelmente sustentáveis de trocas de materiais!





***

Mas esta foi uma péssima maneira de começar um bem sucedido e bem educado post sobre "a nobre prática de emprestar livros". A ideia deste texto não é desestimular, mas sim incentivar o intercâmbio de livros. E vou explicar por quê!

Acredito que existam ao menos dois tipos de empréstimos de livros. O primeiro, e o mais comum de todos, tem objetivos essencialmente econômicos e coloca aquele que empresta na função de uma espécie de biblioteca pública ambulante. Alguém que deseja ler um livro mas não quer ou não pode comprá-lo pega emprestado com uma boa alma que possui o livro e deseja emprestá-lo. Um mecanismo simples e que costuma funcionar bem (salvo naqueles 98% de casos inconvenientes citados no parágrafo inaugural do post). Entretanto, esta forma extremamente racionalizada de troca cultural peca por ser, como já dito, essencialmente econômica. Ainda que eu economize alguns trocados, pouco estarei me valendo do Outro, daquele que me emprestou. Pouco esterei me valendo de sua experiência enquanto leitor, que pode ser (e invariavelmente é) distinta da minha.

Assim, passo a falar do segundo tipo de troca de livros, daquela que realmente me motivou a escrever estas linhas sob a luz bruxuleante do lampião a gás. Esta segunda forma não tem objetivos econômicos, mas culturais, de ampliação de horizontes. É a saída momentânea de nossa bolha para o encontro com bolhas alheias. Os estudiosos chamam este segundo tipo de troca de "troca cega" ou "exchange blind". Agora o emprestador deixa de ser uma biblioteca pública ambulante e "passa a ser" Ele Mesmo, em toda a sua essência. Alguém escolhe um livro que gostou, que lhe foi importante, que lhe caracteriza enquanto leitor e empresta para um outro Alguém, que faz o mesmo. A escolha é feita por quem empresta e não por quem toma emprestado. Veja bem, aqui não estamos tratando de uma simples e calculada troca de materiais, mas da troca de um pouco do que somos (e isso não tem como devolver). Aqui chegamos a lugares e conhecemos coisas às quais não teríamos acesso no primeiro tipo de troca, às quais provavelmente não chegaríamos sozinhos.

Escrevo isso agora porque recentemente conclui que sou um conservador literário. Ao menos era, até o momento desta brilhante conclusão. Já li uma quantidade razoável de livros, mas conheço relativamente poucos autores. Isso porque, ao me deparar com um autor com a qual me identifico, penso em aproveitar o "achado" e ler a maior quantidade de livros daquele autor, como alguém que diante de uma pepita de ouro, conclui que ela veio de uma mina, onde podem ser encontrados outros tantos exemplares daquela solitária pedra preciosa. E isso se refletia em minha busca por livros emprestados, me fazendo ir atrás apenas daqueles autores com os quais eu já estava familiarizado.



Mas um curioso fenômeno tem ocorrido ultimamente que está me fazendo mudar de postura. Livros de autores variados estão "caindo" em minhas mãos sem serem, efetivamente, por mim solicitados e estão me rendendo adoráveis surpresas, tais como Mário Benedetti, Mário Vargas Llosa, Ismail Kadaré, Marçal Aquino, Herman Melville, Lourenço Mutarelli, entre outros (alguns deles estão ilustrando o post), o que tem me feito perceber que o mundo, ao menos o mundo literário, é bem maior e mais rico do que eu poderia imaginar.

Então, minha proposta vai nesse sentido. Seja lá o que for que você goste de ler, se dê a oportunidade de se impressionar com o novo. Tente um novo gênero, um novo autor, uma nova nacionalidade, um quadrinho de outro estilo! E não gaste dinheiro com isso! Conheça melhor seus amigos através dos livros que eles gostam de ler! Ao menos de vez em quando tente sair dos autores de costume e peça que cada um de seus amigos indique, e se possível lhe empreste, o livro que mais gosta de ler. O pior que pode acontecer é você se dar conta do tipo de gente com quem você anda se relacionando...

Aliás, alguém tem alguma sugestão?




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Descubra quem você é. E seja! De propósito!

Acabo de chegar nos estúdios da rádio onde trabalho.
E é a primeira vez em meses que venho pra cá sem um pingo de luz do sol.
Já havia me esquecido do quanto a cidade é bonita nesse horário.
Horário esse que é o ordinário, e não o extraordinário.
Ouvindo "Inside of love" no repeat, do Nada Surf, vinha eu pra cá pensando que a maioria das coisas em nossas vidas acontece nesse horário "normal"!
Tá bom, vai... Claro que muita gente deixa as coisas, acontecimentos e viagens para o final do ano.
Mas é bem verdade de que há muito mais possibilidades de coisas acontecerem nesse horário no qual podemos dormir um pouquinho mais (graças a Deus) e podemos vir pro trampo sem sermos queimados pelo sol.
Longe de mim ser um vampiro ou coisa que o valha. Mas sempre fui mais fã da noite.
Das sombras. Do silêncio.

Em termos.

Amo música. 
E esse cenário urbano, dessa noite maravilhosa e fresquinha que tô curtindo aqui dentro desse prédio, com esse ar condicionado maravilhoso (tem hífen ou a nova regra cortou?), me faz viajar no Márcio romântico que já fui em outrora.

Sei lá! É uma sensação gostosa!
Percebi há tempos que adoro falar do passado. 
Não! Não é que eu seja apegado!
Mas acho que cada pessoa tem uma característica especial, pela qual faz questão de ser lembrado.

Ou pela qual gosta de se ver no espelho!

Tá certo que ninguém é obrigado a pensar como eu. 
De lembrar de pessoas, momentos e acontecimentos inesquecíveis!

Talvez porque eu tenha esperado demais. 
Tenha corrido mais atrás.

Do alto dos meus 32 anos (a meu ver, muito bem vividos), não mais corro tanto.
Deixo acontecer naturalmente.

E se não acontecer também, que se lasque!
Não fará a mínima diferença em minha vida!

Sou extremamente feliz por onde já cheguei!
E sei que um dia poderei ir ainda mais longe!
Mas sem forçar nada! Simplesmente, acontecerá!

Gosto da ideia de que não sou obrigado a nada por causa da sociedade.
Não é porque todo mundo fez, faz ou fará que tenho de ser do mesmo jeito. 
Cada um é cada um. Viva a individualidade.

Uma das desgraças dos tempos modernos, é termos deixado que nos convencessem de que só seríamos felizes se fizéssemos tudo como robozinhos pré-programados.

Não dá, minha gente.

E se tentamos, vimos que falhou.

O princípio da insanidade, é fazer tudo sempre do mesmo jeito, esperando resultados diferentes.

Muda o disco.
Vai por outro caminho.
Tenta de outro jeito.

E não importa se não quiserem te acompanhar.

Até porque, ao final de tudo, você verá e perceberá que, se dependesse dos outros, muitas vezes, não teria chegado a lugar algum.
Não por maldade de ninguém.
Mas porque somos todos muito limitados.
E muitas vezes acreditamos que, vivendo a vida dos outros, seríamos mais felizes e completos.

Mera ilusão.

Descubra quem você é. E seja! De propósito!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Meu Carnaval, na Europa.

Esse ano o carnaval veio cedo. Droga, deixou meu texto quase anacrônico. Mas tudo bem, antes tarde do que mais tarde.

Não gosto de carnaval. Nunca gostei. Antes da internet (sim, vivi na era anterior ao www e por isso gosto de escrever mais que um tweet) achava que eu era um em um bilhão, mas com as redes sociais reparei que tem mais um punhadinho de gente que me entende. Aliás, acho até que o problema é esse. Não é que eu não goste de carnaval, somente não entendo.

Nunca entendi qual a graça de em pleno fevereiro, ápice do calor infernal, digo, tropical, juntar um monte de gente em um lugar e pular ao som das piores músicas. Agora a desculpa mais comum é dizer que não gosta da música, mas é só para animar. Fico pensando na tristeza de uma sociedade que domina a música há milênios, mas não conseguiu compor um setlist que seja bom e ao mesmo tempo anime, mas tudo bem.

Houve um ano que foi ainda pior. Trabalhei todos os dias, do sábado de carnaval à quarta-feira de cinzas, sem ganhar um centavo de hora extra, já que a data não é um feriado, mas ponto facultativo, e onde eu trabalhava mais-valia pouca era bobagem.

Há uns dois anos eu me cansei. Depois de quase três décadas reclamando anualmente do carnaval, logo eu que, como puderam notar nos parágrafos acima, nem gosto de reclamar, achei melhor aproveitar o feriado e passar uma semana na Europa, me livrar do calor e das músicas ruins, quer dizer, das músicas para animar (animar a quem, cara pálida?).

Uma semana antes já comecei os preparativos, fui até a biblioteca da faculdade, que com todo o mérito leva o nome de Florestan Fernandes, e peguei minha passagem. Tratava-se do livro “As benevolentes”, de Jonathan Littell, que descreve em cerca de 900 páginas o cotidiano de um oficial da SS durante a Segunda Guerra. É difícil ter que lembrar a cada página que a obra é uma ficção. Ainda tenho minhas dúvidas!

A meta era me familiarizar com o livro em alguns dias, ler tudo em uma semana de folga e sair do quarto de volta ao normal.

Como toda viagem tem problemas, quando fui renovar o empréstimo na sexta-feira de carnaval, para de fato passar a semana com o livro, alguém tinha feito reserva. Evidentemente alguém que também não gosta de carnaval e também quis fazer a mesma viagem para a Europa.

Pois bem, o jeito foi mentir para o atendente da biblioteca que eu iria até em casa pegar o livro, assumir o atraso de mais de uma semana e nem pensar no tempo que ficaria impedido de pegar livros depois disso. (se você, que reservou o livro aquele ano, está lendo isso, minhas sinceras desculpas!).

Valeu a pena. As benevolentes é uma leitura obrigatória. Complementa uma centena de aulas de história, geografia, sociologia, filosofia, literatura, etc. O tipo de livro que conforme a leitura avança você diminui o ritmo, na esperança de que ele não termine nunca. Mas termina. Assim como o carnaval, restam as cinzas.

Minha meta foi meio frustrada. Li o livro na semana de folga e retornei ao Brasil ao sair do quarto, mas nunca mais voltei ao normal.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Meu mundo em degradé

Lembro quando meu mundo era mais cor de rosa. Quando eu ainda não tinha responsabilidades, quando ainda nunca tinha sido humilhado ou quando do amor eu só tinha expectativas e nenhuma experiência.
Chega um momento em que as coisas começam a acontecer. Você percebe que quase nada é mesmo para sempre. E isso machuca tanto. Percebe que as pessoas podem ser ainda mais cruéis e que família, nem sempre quer dizer suporte. Acho que foi por essa época que meu mundo entrou na covardia azul. Passei por todos os tons dele. Sempre tão bonito. O azul é sempre tão aconchegante, preenchedor. Mas o azul é depressivo, e isso eu só vim descobrir depois. Talvez por isso quase todo mundo tem um momento muito azul. Ele representou uma fase introspectiva na minha vida, de crescimento. Uma fase de auto-análise importante.
Hoje é tudo amarelo. Forte, expressivo, determinado, exagerado. Parece tão simples, mas poucos tem mesmo coragem de se expor ao amarelo.
__ Você é abusado, garoto! - Me disseram um dia.
__ Porque?
__ Você usa amarelo. - Me responderam.
Estar amarelo incomoda, irrita os outros. Amarelo é outing demais, é descontraído, pretensioso. As pessoas sabem que o amarelo é seguro demais pra voltar a ser azul. Atrai um mau olhado da porra.
O que será que vem depois? Vermelho, com seu poder intimidante? Branco, com sua intenção de descanso?
Só espero ainda viver muita coisa antes de chegar no preto.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O dia 17

Escrevi esse texto há exatos 16 dias. Hoje você que me lê observa em seu calendário de folhinhas arrancadas o dia 17. Eu, ainda o dia 1º. O que me dirá você, que arrancou 16 folhinhas a mais que eu agora, desse dia? É um domingo e aos domingos eu não trabalho. Deve estar chovendo, como em todos os dias de folga em São Paulo. Hoje, o dia 17, seria comemorado o aniversário da minha cachorra, que morreu há uns (?) talvez 5 anos? Eu sou dessas que decoram o aniversário de todo mundo, até mesmo o da cachorra, da cachorra morta. Ainda me lembro do dia em que ganhamos os cachorros, o casal de Cockers, lindos. Samantha e Spike. Lembro dos nomes, da casinha triangular, do dia em que Spike se foi e do dia em que Samantha se foi eu nem lembro pois não estava lá. É provável que no dia desse texto eu nem me lembre dela. Uma pena. É provável que eu esqueça até de quem fui, ou no caso de quem estou sendo, neste dia 1º. Ando me esquecendo de muita coisa. Hoje mesmo me fugiu algo que não poderia ter deixado passar, mesmo tendo balbuciado três ou quatro vezes para dela não me esquecer. Desgarrei, perdida, dos truques e fui para o engodo. Fugi(u)(mos). Para isso, ando metendo post-it em tudo. Tenho medo de colocar meu nome em um deles e grudar no monitor, aquelas coisas de gente velha que dá medo. Essa coisa de memória tem a ver com desgaste, eu ando meio desgastada, mas não é que a memória tá gasta, ela não está gostando de liberar mais de memória suficiente. Hoje, dia 1º, uma fila enorme no metrô e a menina da minha frente me passa pela catraca sem cartão sem bilhete sem nada. Travou com ela e nela o susto. Pediu desculpas sem graça, passou por mim, saiu da fila. Essa coisa da memória tem a ver com o piloto automático. Você tem às vistas tanta putrefação mental que seu cérebro dá uma de entrar em coma e você fica vagando sem saber se tá indo ou tá voltando. Escrevo esse texto com antecedência de 16 dias porque esqueci dois dezessetes anteriores. Estou com medo. Medo de esquecer. Por isso escrevi. Para lembrar. Quem fui no dia 1º, o que é perfeitamente passível de esquecimento. Agora me deu medo de esquecer de ler esse texto programado e, com isso, ficar sem saber quem fui no passado. Para não gastar a memória com coisa pouca, colarei um post-it. Mas como não tenho nem um comigo, balbucio agora que preciso de post-it. Mas se balbuciar você esquece. Talvez esquecer seja o caminho mais insuspeito da memória. Ela esquece pra perder de você uma parte que não te fará falta. Como a falta de 16 dias de vivência não foi capaz de impedir esse texto, feito à base da premonição, feito à base do esquecimento.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A alegria do Carnaval

Com o gosto de guarda-chuva na boca decidi que gostaria de falar sobre o Carnaval, porém, sem o viés ético. Certamente, não falarei que se deveria ter uma clareza dos balanços contábeis das Escolas de Samba e que a governança deveria ser a tônica maior para que o cidadão que curte ou mesmo aquele que assiste pela TV não se sinta cúmplice da máfia do jogo do bicho, do caça-níquel, do bingo ou do cartão. Afinal, os desfiles foram tão ricos que é difícil acreditar em patrocinadores legais.

Depois de muitos anos, acho que devido ao processo de tiozão que vem ocorrendo em minha vida, neste ano, assisti pela TV a alguns desfiles do Rio de Janeiro. Confesso que fui surpreendido pela criatividade dos carros alegóricos e a diferença das baterias, todavia, faltava algo. O Carnaval faz parte do meu imaginário libertino, cresci com as histórias do meu pai sobre como ele barbarizava na década de 70 nos bailes e que o tapa sexo foi assunto do Fantástico. Senti falta da peitola de fora, do cara com pandeiro com a língua de fora enquanto a passista com tudo a mostra mostrava o seu requebrado, que deixavam as donas de casa envergonhadas, os pais empolgados e os filhos com um repertório vasto para os seus banhos demorados.

Gostaria de lançar uma campanha em prol do Carnaval sem vergonha, esqueçamos o Cirque du Soleil, a obrigação que o espírito de vira-lata nos acomete em agradar a gringaiada, vamos exaltar a pélvis nua e ao tapa sexo. Que em 2014, tenhamos um Carnaval com mais pele.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Orelha

Segredo a gente conta ao pé dela.
Quando o sorriso vai de uma à outra, é um bom sinal.
Se a esquerda esquenta, estão falando mal.
Se é a direita que queima, é porque falam bem.
Em tempos de desconfiança, a pulga se esconde ali atrás. 
A gente tem duas, justamente para ouvir mais do que fala. 
Sorte de quem tem cobertor para ela.
A concha junto a ela faz o barulho do mar.
Quando um burro fala, o outro a abaixa.
Na dúvida, deixe a sua em pé.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

LUTAREMOS ...

“Eu te desejo não parar tão cedo, pois toda idade tem prazer e medo.” [Frejat]
Estou dia a dia tentando entender a complexidade que as almas trazem consigo quando nascem! Uma pessoa nasce forte, preparada pra essa vida miseravel, aguenta os trancos e caminha se equilibrando em fios, sempre feliz! E existem outras que nao aguentam nem a primeira perda, que ao menor sinal de perigo e ameaça estão se escondendo debaixo das cobertas, com as janelas fechadas e o som alto pra nao escutar os barulhos infernais que o mundo faz! Ando por ai divertindo gente e tentando ler nos seus olhos as razões pra serem como são! Se muita gente por ai atribui essa responsabilidade de formação aos pais primeiros que não deram base suficiente pra essa pessoa aguentar as grandes barras da vida, eu na minha cabeça quase oca, acredito que cada um carrega dentro de si um dispositivo de força que confere a nós mesmos a escolha de acioná-los ou nao! Ninguem poderá fazer isso por nós, a nossa cota de felicidade e tristeza só nós mesmos podemos preencher! Cada um deve acordar e fazer a própria escolha: HOJE EU ESCOLHO SER FELIZ! Os obstáculos vão surgir aqui e ali a todo momento, e ora vão até nos derrubar, mas devemos repetir pra nós mesmos, como um mantra, a escolha inicial do nosso dia: eu escolho ser feliz apesar de todas as coisas! Se em muitos momentos somos sacaneados pela vida, se perdemos quem amamos e eventualmente o peso parece bem maior do que podemos suportar, eu acrerdito que o troco tenha que vir de cima! Ser feliz e espalhar a felicidade é o melhor jeito de sacanear quem nos fez mal! E não é pagando com a mesma moeda que vamos encontrar forças pra suportar o que a vida tem de ruim, não é devolvendo murro, não é se trancando no quarto, não é sendo uma pessoa ruim que vamos devolver a rasteira da vida! Fazendo isso, estamos apenas dando razão de que a vida é mesmo uma merda e nao vale a pena estar aqui! E se realmente não temos escolha de estar aqui, se nascemos sem consciência e fomos jogados no mundo, então façamos dessa passagem algo positivo, façamos da nossa historia um bom livro para as futuras gerações. Mesmo que tudo isso fique muito no vazio, mesmo que nao tenhamos a certeza do “depois”, mesmo que nada faça sentido na nossa cabeça, eu ficarei feliz se depois que eu me for eu descobrir que tudo o que eu fiz de bom nessa vida proporcionou momentos de felicidade às outras pessoas. E me sentirei uma miserável se alguma das minhas atitudes fizeram pessoas sofrerem e desejarem coisas ruins a si mesmos e aos outros! Então lutarei, e se possível LUTAREMOS, todos os dias para plantarmos frutos bons que alimentem de esperança e AMOR aqueles que desse fruto se alimentarem! Façamos isso, e se o universo nunca nos compensar por isso, não teremos perdido nada, e ainda teremos plantado uma árvore do bem no meio do coração de um monte de gente!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ode ao Rio


Depois de fazer planos de não ficar por aqui durante os festejos, lá estava eu botando o bloco nas ruas do Rio de Janeiro mais uma vez.
Apesar do corpo já não responder da mesma forma que antes aos efeitos do sol de 40º, mais os pulos de alegria e mais as várias cervejinhas geladas, o espírito ainda se alegra com o sentimento contagiante de felicidade. Acho tão legal e democrático ver jovens, crianças e idosos com fantasias e durante os 4 dias serem quem eles quiserem. Alegria única da gente de toda parte, seja do asfalto ou do morro – que foi feito de samba.
Mesmo com todos os problemas, (que ficam em segundo plano nessa época, esperando a quarta-feira de cinzas para voltarem) vejo que realmente não há nada igual nessa cidade, do leme ao pontal e cada vez me apaixono mais.
Mesmo quando toda a folia estiver sumindo no horizonte, sei que ainda terei a lua deserta do arpoador para vagar, quando as meninas do Leblon não olharem mais para mim porque eu uso óculos.
Mesmo quando eu me sinto tão sozinho, posso dar um pulinho ali em ipa e ver ela passar e o mundo inteiro se encher de graça, com o seu doce balanço a caminho do mar. Aí pra casa eu demoro a voltar ainda mais se um samba escutar. “É que o samba pega que nem feitiço e quando me pega eu enguiço, só saio quando acabar.
Eu vou pra Gamboa e de lá vou pra Lapa, aí o bom senso me escapa
- Amor eu não sei como evitar.
Eu subo a colina e pra minha surpresa alguém diz em Santa Tereza, que o dia já vai clarear.”
Na Praça da Play-Boy ou em Niterói,
Na fazenda Chumbada ou no Coez.
Quitungo, Guaporé, nos locais do Jacaré,
Taquara, Furna e Faz-quem-quer.
Barata, Cidade de Deus, Borel e a Gambá,
Marechal, Urucânia, Irajá,
Cosmorana, Guadalupe, Sangue-areia e Pombal,
Vigário Geral, Rocinha e Vidigal.
Coronel, Mutuapira, Itaguaí e Sacy.
Andaraí, Iriri, Salgueiro, Catiri,
Engenho novo, Gramacho, Méier, Inhaúma, Arará,
Vila Aliança, Mineira, Mangueira e a Vintém,
Na Posse e Madureira, Nilópolis, Xerém
Ou em qualquer lugar, eu vou te admirar.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Já que o Papa Bento 16 saiu,também vou sair...

Na véspera do seu casamento uma amiga me disse que não tinha certeza se queria casar ou não.Fiquei sem saber o que dizer,mas sua futura sogra logo disse que isso era normal,todos tem esse momento de indecisão.Achei a explicação da futura sogra muito clara,a minha amiga acabava de perder seu pai e todos os sentimentos estavam misturados.
O casamento não deu certo e o tempo que durou foi um pesadelo,bem mais longo do que a festa de casamento,que se tivesse sido cancelada teria dado uma dor de cabeça momentânea,ao contrário do calvário de minha amiga que durou alguns anos.
Mas ela foi educada como eu,cheia de certezas e frases prontas.Quem nunca escutou:
`quem quer persiste ´, `desistir é para os fracos ´....
Fora a mão de obra que inclui desistir de alguma coisa e do nada passar imagem de maluco,irresponsável,inconseqüente?
Muitos se enrolam,eu mesmo já me enrolei demais,apenas porque tinha vergonha ou não sabia como sair de uma situação.
Parar tudo e dizer `isso aqui não é pra mim ´ exige muito,não é para os fracos.A maioria fica presa a compromissos e convenções sociais.Mas quem pode sentir na pele o que sentimos?Quem pode sentir o nosso desespero em querer sair de alguma coisa?
Ninguém está livre disso,mesmo que não diga nada,o espelho está ali,ele vê quando ficamos parados e pensamos:Tal situação não é pra mim.
Nem o Papa Bento 16 escapou disso.Quase um ser intocável,ele entrou para ser Papa sabendo que só sairia dali morto.A seu favor tinha o conhecimento do sistema,dos bastidores e sua natureza alemã,conhecida pela rigidez e disciplina.
Sem mais nem menos,ele renunciou ao cargo,na pior hora possível.Deixa o Vaticano em um momento de tensão e rachaduras.Difícil saber o que realmente aconteceu ali,vai ser outro mistério da humanidade,por que o Papa renunciou?
O comunicado ao mundo inteiro se limitava a dizer que o Papa Bento 16 não agüentava mais fisicamente o trabalho e não tinha mais condições aos seus 85 anos de comandar uma instituição que exige tanto.
Mas ele sabia de tudo isso quando foi nomeado Papa em um conclave.Sabia e conhecia muito bem o que enfrentaria.Estaria a frente de uma instituição perseguida por sérias acusações de pedofilia,fuga de fiéis,brigas internas pelo Banco do Vaticano,já que essa instituição insiste em se manter a margem das outras e sempre despertou suspeitas de todos os bancos por isso.
Mesmo assim parecia sereno ao chegar ao posto quase sagrado de Papa.Muitos dizem que foi vencido pela modernidade,o ano passado o Vaticano enfrentou um escândalo com o vazamento de documentos pela internet,sobre o Banco do Vaticano e as brigas pelo poder,o que acelerou seu desejo de sair,já que diante de um escândalo desses e com a rapidez da internet,o Vaticano começou a ter problemas em lidar com as informações que vazavam.Durante séculos o único inimigo do Vaticano foi o demônio,lá dentro eles sabem como lidar com a besta,mas com esse novo inimigo,a internet,o Vaticano ficou paralisado.
O Papa Bento 16 fez sua parte e tentou manter tudo sobre controle,carregou no seu discurso medieval e escondeu seu cansaço.Para alguns Bento 16 não tinha ginga para lidar com tanta politicagem e não sabia contornar seus inimigos.
Seja o que for,ele renunciou.Entrelinhas deu a entender que ser Papa não era para ele.Pediu para descer do trem,mesmo sendo pressionado e vendo a situação da instituição,rachada por escândalos e com as mãos sujas de tanto proteger criminosos ao longo da história.
Como mulher penso que ele já vai tarde,como ser humano lamento que a saída dele não inclua ver o Vaticano explodindo,mas nem por isso deixa de me intrigar o que ele fez.Teve seu momento de coragem,não é para qualquer um.Não é um trem tão fácil de descer sem arranhar alguma coisa.Se foi decisão dele,sem terceiros,ou planos de modernização da instituição,Bento 16 tem mais fibra do que parece.
No fim parece interessante a moral da história.É possível sim sair de uma situação que não estamos confortáveis e ao contrário do que nos foi dito,ninguém morre por causa disso e não vamos decepcionar a ninguém que não possa se recuperar disso.Sair de um ponto que nos faz infeliz não altera o mundo,nem muda o curso da história.Bento16 prova isso,saiu em um péssimo momento e nem por isso a Igreja vai cair.Coragem não é ficar,é cortar os laços que nos fazem infelizes.
Nem sempre desejar uma situação ou conhecer ela de longe quer dizer que vamos estar bem ao chegar ali.Bento 16 conhecia tudo e nem por isso se achou lá dentro.É direito dele sair,é um direito de todos nós abandonar um navio que não queremos mais estar.Não tem ninguém que não possa fazer isso,se até um Papa fez,quem não pode?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Égide

"Embora teu coração não conheça o sabor da perfídia, é com esplendor que ostento minha augusta ternura por ti, e impávido, proteger-te-ei de quaisquer vilezas."

Encontre mais no livro Rascunhos Vivos

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Misturar temperos... misturar eu e você!

Um sorriso no rosto. Uma música que ressoa no meu coração e é trilha sonora para as minhas ações mais corriqueiras. Um cheiro delicioso sai da cozinha e espalha-se pela casa. Misturar temperos. Misturar comidas. Misturar desejos. Misturar eu e você. Misturar teus sonhos nos meus, teu corpo no meu. Aqui, onde a poesia mistura-se com as cores da comida e com o cheiro e gosto dos nossos sonhos. Você acorda. Vem em minha direção. Um sorriso faceiro me atinge. E me preenche, me aquece, me inebria... Sem graça paro de cantar. Não essa música que você ouve, mas a música que tocava aqui dentro porque eu ouvi você na sua ausência. Agora tenho você na minha frente, tenho você dentro de mim. Agora somos dois. Somos mistura. Somos doce e amargo, somos claro e escuro, somos palavra e silêncio, somos eu e você, comida perfeita. Silenciosa, saborosa. Comida que esconde o segredo de ser boa porque no fundo da panela há muita doação. Doação onde eu me fiz entrega para sorver no teu beijo o melhor sabor. O teu sabor. O nosso sabor. Sabor de amor-entrega!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Taí

  O ano não começa só depois do carnaval?
  Nos vemos em março.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dá licença, meu senhor


Das sacadas dos sobrados da velha São Salvador, eu via com amor os pontos turísticos que não visito mais. O Pelô e o Mercado são áreas mapeadas por mim. Mas a cidade não acaba aí e ainda guarda muito do adolescente que passava as noites no Campo Grande à procura de sabe-se lá o que.

Hoje, pós-adolescente, ainda me impressionam as casas, as ladeiras e a magia da mesma forma que antes e acredito que sempre. A Bahia, assim como Minas, guarda uma qualidade de Brasil que é das coisas mais bonitas que há. Como uma estrutura fundamental na nossa formação de país, a Bahia tem muito de tudo que sempre é ressaltado da nossa personalidade. O cerne, o viço da nossa maior miséria e maior alegria.

E a magia. Ali você sente quando pisa. A Bahia tem mistério. Essa palavra quase em desuso se desfaz de qualquer clichê das situações em que já foi usada. A Bahia me chamou. Essa viagem surgiu do acaso dos acasos e eu imediatamente respondi a ela, entendendo o chamado. A dor de amor que eu havia de deixar no dia de Iemanjá. O nó na garganta que ficaria no Rio Vermelho. O cortejo que eu precisava receber no Porto da Barra. O aconchego da casinha no Campo Grande. As lembranças que a orla traz: Amaralina, Ondina, Pituba, Piatã, Itapuã, Boca do Rio.  Em todo momento o menino-eu está lá, desde os 13 anos descobrindo tudo sozinho, andando por todos os cantos de manhãzinha e só voltando pra casa (seja ela na Vasco da Gama ou lá longe na Valéria) ao anoitecer.

Entendi seu recado. A força secreta daquela alegria foi lembrança precisa e recuperada. Dá licença, meu senhor pois pra saber seus segredos serei baiano também.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dois acrósticos


I

Fio de vida que em mim se agarra
Rio que corre sem saber onde vai
Entre (várias) virtudes e (muitos) pecados
Estou livre no agora, e no nunca mais

II

De um dia brilhante
Rasgando esse véu de erros sem fim
Escolhemos não sonhar, mas esperar
Até que tudo se acabe assim
Milonga feita para nunca cantar

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sobre asas

As paredes cheias de fotografias

pescoços
braços
peitos
costas
virilhas
pernas
tatuadas.

- Oi, boa tarde.
- Boa tarde, tudo bom?
- Tudo, tô a fim de me riscar e aí vim dar uma sacada.
- Ah, bacana, já tem ideia do desenho?
- Então, pensei num par de asas.
- Tenho vários estilos. Saca essas.
- Hummm. Essas são legais.
- Se arrisca? Você vai voar hein, menina!

Ela riu e fez duas barroquinhas onde termina o sorriso.

- Deite-se aqui, por favor.
- Você tem esse estúdio há quanto tempo?
- Sete anos.
- Bacana, gostei do teu traço. Vi umas fotos no face.
- Hummm. Você já tem algum desenho no corpo?
- Tenho essa frase circulando o braço.
- "Para caber no teu sorriso." Que massa.

Ele riu mostrando o piercing na língua.

- Tá confortável pra você? Pode encostar a cabeça. Quer ouvir algo especial?
- Tem Kings Of Leon aí?
- O que não tem no Youtube?

Riram enquanto ele separava o material. Tinta. Agulhas. Guardanapos.

"Slow night, so long, she's frenching out the flavour She's 17 but i done went and plum forgot it..."

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Senta lá

Conforme envelhecemos, vamos criando a falsa impressão que conhecemos a vida. Que a temos no controle. Aqui, na palma da mão. Já vimos de tudo, e sobre qualquer assunto podemos opinar. Já lemos bons livros, já assistimos aos grandes filmes. Quantas finais de copa do mundo? Já presenciamos namoros, casamentos, divórcios, nascimentos, mortes e carnavais. Sobrevivemos, rimos e choramos tudo que achávamos que tínhamos para chorar. O resto é mais do mesmo.

 Ah, a juventude, tão impulsiva, não é? Não sofra menina. Vai por mim. Ele volta. Ele não volta. Esse presta. Esse não. Ora, como fui tola. Isso passa, quando você menos esperar nem se vai  se lembrar mais. Não chore por quem não vale a pena. Vá com calma. Comigo foi assim. Mas agora não, tenho experiência. Tudo isso já vivi. 

Não mais indecisões, não mais caminhos errados. Isso pode, aquilo não. Simples. Claro que eu sei o que eu quero pra mim. Casar em x anos, ter filhos em n. Dois. Três se sobrar dinheiro. Bichos. Plantas.  Já sei a cor do sofá e a tinta da parede. Guarde os dólares. Uma previdência complementar. Nada mais pode dar errado. E seguimos confiantes, até que chega a hora que alguma coisa maior e inexplicável põe o dedo bem na nossa cara e diz: senta lá.

Só me restou sentar mesmo. E aproveitar.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os ex-amigos

Mês passado eu tentei rever duas amigas que não via há muito tempo. Nenhuma das duas foram namoradas. Eram apenas amigas. A primeira delas, conhecida como Fulana 1, disse que ficou muito feliz com a minha mensagem pelo Facebook e chegou a combinar dia e local para um almoço, mas faltando apenas uma hora para o encontro, desmarcou. Não mandou mais nenhuma mensagem tentando remarcar o encontro e muito provavelmente nunca mais irá falar comigo na vida. Fulana 2 também se empolgou com o meu contato. Trocamos algumas mensagens e foi ela quem sugeriu um encontro. Disse que era melhor conversar ao vivo do que ficar conversando pela internet. Disse a ela quais dias eram melhores pra mim, leu a mensagem e ficou por isso mesmo. Outro dia um amigo do colégio me adicionou no Facebook. Jogávamos futebol juntos. Mandei uma mensagem no facebook logo em seguida: “e aí cara, quanto tempo!! O que anda fazendo da vida?”. Leu e não respondeu.

Por mais que seja um processo natural da vida as pessoas se afastarem, pra mim é muito estranho os afastantes não poderem conversar esporadicamente. E quando o fazem, normalmente é de uma frieza glacial. Vejam que não estou nem falando de marcar um encontro. Estou falando apenas de uma curta conversa - porém sincera e verdadeira - entre duas pessoas que já foram muito próximas na vida, seja por whatsapp ou chat do Facebook. Amigos, namorados, não importa. Aliás, muito me incomoda esse rótulo "ex-namorado". A sociedade decretou que ex-namorado é algo muito ruim e ponto final. Não estou aqui dizendo que ex-namorados tenham que ser amigos do peito e participar do dia-a-dia um do outro. Muito pelo contrário. Tirando raríssimas exceções, isso não é nada saudável.
É importante ficar claro que o ponto central desse texto não é exatamente o fim de um namoro e suas consequências (apesar de que eu também acho muito estranho ver duas pessoas que se amaram loucamente mal conseguirem se cumprimentar anos depois do término e a conversa ser a mais fria possível). Eu me questiono mais com relação à dificuldade que é para muitas pessoas reverem alguém importante do passado, seja namorado, amigo, parente ou até mesmo um bicho de estimação. Fico bastante impressionado quando encontro na rua com alguém que não vejo há séculos e a pessoa responde secamente como se eu fosse um estuprador de parque de diversões. Ou então, dá um sorriso, diz "oi, tudo bem?" e vai embora. Não existe diálogo.

Confesso que eu já me importei mais com isso. Hoje em dia eu diria que estou tentando não ligar muito. Sei que é muito auto-ajuda dizer isso que vou dizer agora, mas é a mais pura verdade: nós só podemos controlar as nossas atitudes, não podemos controlar as atitudes do outro. Continuarei tratando as pessoas que foram importantes na minha vida da melhor forma possível sem esperar nada em troca. Se a pessoa quiser almoçar comigo, conversar por 10 ou 15 minutos, está ótimo. Mas se não quiser, está tudo bem também. É o famoso “jogar conforme a música”.

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre esse assunto. Vocês gostam de reencontrar pessoas importantes do passado? Fazem questão de falar de vez em quando com essas pessoas ou é indiferente?