domingo, 30 de junho de 2013

SÃO JOÃO NAS CAPITÁ

Cavalheiros comprimentam as damas
Damas comprimentam os cavalheiros
Ô o balance
Segue a grande roda
Olha a chuva
É mentira
Ô caracor
A grande roda
Balance
O xaxadô
O zig zag
Ô túnel
Cestinha de flor
 ...
Despedida
Aí o noivo carrega a noiva no colo!!!!!!!

Todos os anos ao chegar o mês de Junho lembro das festas juninas, são as festas mais porretas que tem, ainda mais se você for lá para o olho do furacão, basta ir uma vez ao Nordeste na época de São João para querer voltar sempre.

Mas minha história com a festa junina começou muito antes de eu conhecer o São João do nordeste, e essa foi traumática rs

Estava eu com os meus 5 anos de idade quando a escola onde eu estudava inventou de fazer uma festa junina com quadrilha, chamaram todos os nossos pais na escola, e avisaram que iriam escolher os noivos da quadrilha, a Brenda foi a noiva escolhida, pois era a princesinha da sala, e eu e todos os outros moleques da sala queria ser o noivo, pois pelo o que eu me lembre todos falavam que namorava com a Brenda rss.

Agora puxa ai no seu arquivo se nas suas histórias de festa junina houve um noivinho escurinho, houve? É muito antes do Cirilo eu já estava me lascando com a minha Maria Joaquina, e o golpe foi bem dado viu, pois além de perder a noivinha para o meu melhor amigo o Edgar, olha o que aconteceu:






É minha gente, eu tive que selar a união da Brenda com o Edgar, mas vendo essas fotos eu vejo o quanto complicamos as coisas conforme vamos envelhecendo, no dia seguinte o Edgar estava em minha casa para brincar comigo, e brincamos como nada tivesse acontecido.

Quando criança usamos a birra para conseguir o que queremos, e logo em seguida esquecemos, mas tem algo que teimamos em trazer conosco desde sempre, que é o fato de não olhar ao redor, e ver que existe diversas possibilidades que podem ser aproveitadas, e que deixamos passar por uma simples birra.

Essa caipirinha ai, também queria ser noiva, e queria que eu fosse o noivo dela, mas olha a minha cara de felicidade quando fiquei sabendo:




Esse foi o meu primeiro amor de São João, todo mês de junho eu arrumo outra Brenda, e quando da errado eu pulo a fogueira e vou para a cana rs


Luiz Gonzaga - Cana, só de Pernambuco

video

Abraço
Jeff


sábado, 29 de junho de 2013

Dos filhos deste solo ÉS MÃE GENTIL

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e esperança à terra desce, para o caixão, túmulo dos meninos.
Em teu seio, ó liberdade, pátria amada!


E disse o meu filho, não faça mais isso,
Pelo amor de Deus, não me faça passar,
Por onde não preciso, siga o meu exemplo,
Sou trabalhadora, mas infelizmente não fiz faculdade.

Que decepção, meu filho traficante,
Não é como antes, hoje em seus olhos só vejo maldade,
Lembro como se fosse agora, um menino pequeno,
Gordinho e moreno, correndo na rua e jogando bola,

Com o tempo ele foi crescendo e se envolvendo,
Com os maus elementos que sempre ficava
Na porta da escola, e sua mãe com preocupação,
Não disse em vão, com grande aperto em seu coração.

Filho não se afunde na vida bandida, que não tem saída,
Você tem família, com os erros dos outros você tem que aprender.
Infelizmente a realidade, estou me preparando para o pior
Se pode ser preso ou pode morrer.

Ai que saudade, daquele menino
Correndo sorrindo com os olhos cheio de felicidade,
Que decepção mais uma mãe que chora, a chuva se molha,
Abraçando seu filho, vendo ele ir embora.

SALVE, SALVE, PÁTRIA AMADA! O menino agradeci o BERÇO ESPLÊNDIDO!
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.


vou ali, no Vale do Anhangabaú, COPA PRÁ QUEM PÁTRIA AMADA, MÃE GENTIL? pauta desmilitarização da polícia, nunca antes neste país o "berço esplêndido" foi tão para os pobres, pretos, da periferia. se der tempo, se puder, volto e rascunho alguma merda. enquanto isso, escuta o MCdaLESTE.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Dois poemas do meu Diário Sujo

Extra

manchete de muitos
sina de uns tantos:
medo canino de ser
abandonado pela dona.
falta de amor ao jogar
no lixo um recém-nascido.
intervenção urbana ao
jogar fogo num mendigo.
crueldade pra matar
a avó com uma inchada.
espancamento típico
num dia normal, sem parada

JOÃO GOMES.



Finito

o amor virou alienação
flor de obsessão
colhida na primavera
no jardim da desconfiança.
como um pau que rasga o cu
o amor virou um rombo
um buraco na parede
foi como furadeira no gesso
vazou como radioatividade
pulou pra fora como espinha estourada
dormiu no sofá da sala
terminou antes das bodas
ganhou na loto e foi viver no campo
desceu do banco dificultando o beijo
o amor esqueceu de crescer!
faltou dindin pro hormônio
não se consultou no endocrinologista
e foi encontrado por um tira
todo estabacado no chão:
o amor de bullying morreu
por não ter um pingo de atenção
se enterrará hoje à tarde
no cemitério da memória
cromado no quintal do coração.

By: JOÃO GOMES inspirado num final de relacionamento.
25.09.12



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Da Bota vendo os passos do Brasil

Viajar para o exterior não é uma oportunidade de conhecer apenas outras culturas e paisagens. Ir para outro país é quase sempre conhecer melhor o seu próprio país. É assim ao menos para mim. A distância nos faz olhar para o Brasil de outra maneira. Lá fora, acima de todas as nossas particularidades, somos brasileiros e temos de lidar com as imagens que o mundo tem de nós, distorcidas, estereotipadas, boas ou más. As diferenças culturais nos levam às inevitáveis comparações: somos menos formais, somos mais afetivos e, ao mesmo tempo, mais violentos. Somos sobretudo um povo mais complexo, difícil mesmo de entender.

Digo isso porque acabei de voltar de viagem. Tirei férias e fui para a Itália. Depois de juntar algumas economias, quis checar de perto o que restou do velho Império Romano. Passei alguns dias vendo ruínas e me vendo quase afogada no tsunami de turistas. Foi de lá que acompanhei, superficialmente, as manifestações por todo o Brasil. Sem muito acesso à internet, via rapidamente as capas dos jornais e as matérias na televisão italiana. Sem entender direito o que se passava - como ainda não entendo - dava vazão às minhas teorias mais positivas e também mais negativas. Tudo passou pela minha cabeça: da revolução ao golpe. Isso tudo acontecendo e eu estava lá, com a cabeça meio aqui.




Ps. Desculpem-me pelo título infame deste post. Não resisti.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Dieta dos amores nocivos.


Hoje eu começo uma nova dieta. A dieta do esquecimento de um amor. Se a gente faz dieta pra perder peso, por que não uma dieta pra mente levar embora alguém? Você já parou pra pensar quantas coisas a gente engole em nome daquela paixonite que alimenta nossos pensamentos, desejos platônicos e sonhos? Eles demoram dias, meses e se tiver azar, até anos para crescer e permanecer ali. Então, por qual motivo eu espero que vá embora num estalo de dedos?

Sabe essas dietas milagrosas? Desacredito. Você não engorda 12 quilos em um mês. Passa praticamente fome, perde esses 12 quilos em 4 semanas e aí? engorda tudo de novo e ainda mais? Não, não quero isso. 

Prefiro encarar a realidade e ter a paciência de perder ou eliminar aos poucos, com esforço e com o exercício diário do esquecimento. Quero que vá embora de vez, não quero engolir sapos, quero resistir à tentação, quero esvaziar, colocar este peso pra fora, mesmo que o método seja através do choro.

Será que elimino algo até o próximo mês? 

domingo, 23 de junho de 2013

Anda com fé amor..

Consegui voltar para a lista das pessoas que vão trabalhar a pé. São 3 Km na ida e 3 Km na volta.
O ruim é que nunca mais fui na academia, o bom é que acordo duas horas mais tarde.
O ruim é que chego descabelada e fedendo no novo emprego, e ainda estou nos 3 meses de experiência. O bom é que chego com a cabeça oxigenada e rendo muito mais.
O ruim é que fiquei folgada e nunca mais usei salto. O bom é que agora vejo todo dia às 7:30 um mendigo pegando uma goiaba da árvore, sentando na calçada e comendo tranquilamente, mas isso é assunto pra outro post. Resumindo, a pé vejo coisas que não via quando estava puta dentro do carro.
O ruim é que mesmo quando a preguiça é de matar ou chove eu não tenho opção. De ônibus ou de carro levaria mais tempo que a pé. Coisas de São Paulo, que paulista finge que entende só para parecer superior, mas vou contar um segredo: Não entendemos essa cidade. Ouso dizer que nem gostamos dela. 
"Fale por você!" - É mesmo mais bonito dizer só a minha opinião,  ninguém precisa concordar com ela: Eu não gosto de São Paulo. Queria sair daqui, mas sou daquelas que criam raízes, sabe? E eu não quero que elas sejam cortadas tão cedo, muito mais do que eu não quero mais morar aqui. (tenho pai e mãe morando por aqui e só vou me afastar deles quando Deus quiser. Até lá, eles vão ter que me aguentar e eu vou ter que aguentar São Paulo)..
Mas esse post não é sobre mim. É sobre você. Sobre como você vai para o trabalho. Encoxando e sendo encoxado no transporte público? Forever alone no carro, ocupando 4 metros quadrados da sua cidade? De cipó, bicicleta, teletransporte? É sortudo e trabalha em casa e/ou não trabalha? 
Além disso, quanto tempo você perde do seu dia se deslocando? Certeza que não seria mais barato procurar um cafofinho perto do trabalho, só para ficar durante a semana?
Eu vejo um monte de carro entrando em circulação todos os dias (mesmo com aquelas propagandas péssimas - concessionárias melhorem isso aí!) e as avenidas continuam as mesmas..
Sou totalmente contra o rodízio de carros em SP, mas não dá mais pra ficar sem ele. 
Sei que as autoridades poderiam fazer um milhão de coisas, mas as autoridades não lêem o Blog dos 30.
Você lê. E como eu já disse lá em cima, o papo aqui é com você.
Melhore sua vida. Trabalhe perto de casa. Gaste seu tempo com coisas que te façam feliz. Sei que não é fácil, mas se vire. Se planeje. Nossa única obrigação na vida é ser feliz. Eu estou trabalhando nisso, e você?
Senhor Alexandre já resolveu o problema do transporte público no Brasil em 2009, minha gente! O que vocês ainda estão discutindo? Bora votar nele para King Size Senhor das Barcas do Rio de Janeiro!

sábado, 22 de junho de 2013

Vinte Centavos

Em virtude dos acontecimentos recentes, deixaremos de apresentar o post originalmente programado para o dia de hoje. Em 22 de julho, se tudo der certo, voltaremos com nossa programação normal.

As considerações a seguir não devem ser lidas como definitivas. Não é fruto de uma análise sociológica aprofundada e nem deve ser encarada como tal. São reflexões relativamente despretensiosas - na medida em que um texto possa ser despretensioso -, feitas no calor do momento, com a honesta esperança de que sejam reverberadas - contestadas, criticadas, achincalhadas, corroboradas, ressalvadas - nos comentários desta postagem. 

O Alexandre já disse  tudo isso e  de maneira bem  mais simpática há dois dias atrás e quem avisa , amigo é!

Eita post grande da peste!



"O gigante acordou" - bradam muitos no meio da multidão. Na verdade, não diria que estivesse dormindo. Eu diria que parte dele jamais dormiu e que outra estava - e ainda está - hipnotizada, reproduzindo como papagaios aquilo que bradam as revistas semanais e as telenovelas noticiosas, também conhecidas como telejornais. Se alguma coisa mudou nisso tudo foi justamente a Verdade da vez, o discurso que esses veículos passaram a produzir e que seus sempre tão passivos leitores passaram a reproduzir. De uma hora para outra, os "vândalos" voltaram a ser "jovens" e as manifestações passaram a ser verdadeiros movimentos democráticos (desde que garantida uma certa ordem), comparadas com o Movimentos dos caras pintadas de 92, como algo que poderia interessar tanto aos usuários dos serviços públicos quanto a classe média, aquela classe conhecida por seu sofrimento. 

A multidão então tomou às ruas e o que se viu não foi um apanhado de gente desnorteada diante de uma onda milagrosa de "ausência de causas" - conforme diagnosticou Arnaldo Jabor, do alto de sua ignorância política - mas justamente o contrário, o que se via era um grupo nada homogêneo de pessoas, que se distinguiam justamente pela multiplicidade de causas que estavam jogo. 

E por conta disso, dessa multiplicidade de causas, logo ficou claro que o que estava em jogo era muito mais do que vinte centavos. O que mudava, e isso nem sempre fica claro, é a resposta para a seguinte pergunta: "Mas pelo que mais é, então?".  Quem foi às manifestações ou quem a acompanhou pelas ágoras modernas - também conhecidas como redes sociais - pôde perceber a multiplicidade de respostas.

Alguns completavam a frase da maneira mais literal e diziam que sim, era por mais que vinte centavos que lutavam, lutavam pela gratuidade do transporte que, afinal de contas, é um direito e que, como tal, não deve ser encarado como um bem de mercado qualquer, que segue às leis da oferta e da demanda e as curvas da inflação.

Outros - sobretudo após a absurda repressão policial ocorrida na maioria dos Atos - manifestava pela restauração da própria democracia, pelo direito de manifestar a indignação. Manifestava contra a Polícia que mais mata no mundo, que vai a uma manifestação como vai à uma guerra, reprimindo atabalhoadamente quem vê pela frente, em atitudes covardes comparáveis apenas aos anos de chumbo dos quais aparentemente sentem saudades.





Mas não parou por aí. Causas aparentemente antagônicas passaram a andar de mãos dadas no meio do mesmo movimento. A diminuição da maioridade penal foi defendida por um rapaz que manifestava ao meu lado, já que "se já pode transar, já pode ser preso". Outros erguiam cartazes indignados com a tributação que, reclamavam eles, tanto aflige a classe média. E havia os que reclamavam do Bolsa Família e os que queriam a renúncia de Feliciano. E havia os que eram contra a PEC-37 e os que queriam a renúncia de Renán Calheiros. E havia os que defendiam uma manifestação pacífica e os que chamavam estes de covardes. Havia os que cantavam o Hino Nacional e  os que chamavam estes de nacionalistas, massa de manobra da mídia e da direita. Quem não reclamou  foram os fabricantes de máscara do V de Vingança e de camisetas com inscrições como "Um filho teu não foge à luta" e "Muda Brasil", verdadeiros símbolos de um certo comércio revolucionário que surgia.



Tantas demandas que somente a democracia pode colocar na mesma rua. A pergunta é que fica é o quão praticável é misturar tantas pautas diferentes num mesmo movimento. Agora, com a revogação do aumento da passagem em muitas cidades - certamente um marco histórico - veremos o quão possível é lidar com tantos interesses por vezes conflitantes e o quão além dos vinte centavos conseguiremos chegar



"ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS" ou "O POST DENTRO DO POST"

Uma primeira consideração: A presença de partidos políticos e de movimentos sociais protagonizou uma das polêmicas destas manifestações, tendo inclusive as bandeiras queimadas por parte daqueles que consideravam que o movimento era independente de partidos políticos. Entretanto, particularmente creio que a presença de partidos políticos ou de movimentos sociais - com ou sem bandeiras - não descaracteriza o caráter não partidário de uma manifestação. A grande questão não é a presença destes grupos ou de qualquer outro - o partidarismo está intrinsecamente relacionado à ideia de democracia -  mas um eventual uso eleitoreiro desta participação, isto é, a transformação da manifestação em um trampolim eleitoral para promover o Partido ou alguns de seus membros.

Uma segunda consideração: Já se tornou lugar-comum âncoras de telejornais chamar as eleições de "festa da democracia", assim com já tem se tornado lugar-comum os discursos do tipo "lugar de protestar é nas urnas", sempre que manifestações como as atuais acontecem. Devo discordar dessas ideias. É inegável que o direito de eleger de forma - supostamente - livre nossos representantes foi um dos maiores ganhos de nossa história. Entretanto, a democracia não se resume ao momento do voto, ela é muito mais que isso. A verdadeira "festa da democracia" é a que estamos acompanhando nos últimos dias, com o povo cobrando quem o representa, seja ele que for, fazendo democracia pelas próprias mãos. Isso é política!

Uma terceira - e última - consideração: E é exatamente por discordar que a democracia se resuma a possibilidade de escolha de pessoas, é que fico com os dois pés atrás quando ouço reivindicações por impeachment de Fulano ou de Beltrano. Acho que esta poderosa ferramenta deva existir e usada em casos específicos, mas não creio que deva ser a primeira coisa a ser reivindicada.  Acho que um "Fora Fulano" soa simplista perto de um "Faça isso, Fulano, porque foi para isso que você foi eleito". A política não é - não deve ser - feita de políticos, mas de atitudes. São essas que devem ser trocadas em momentos de insatisfação.



"CRÉDITO DAS IMAGENS" ou "PROPAGANDA SAFADA":


A primeira foi retirada da fun page  INDIRETAS CARIOCAS: https://www.facebook.com/IndiretasCariocas
Todas as demais foram retiradas da maravilhosa fun page PIPOCA VERBORRÁGICA: https://www.facebook.com/PipocaVerborragica 
Ambas merecem ser curtidas!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Não é só pelos R$ 0,20...

E mais um post fala sobre as manifestações por todo o país.

Não. Não vou me aprofundar no tema, afinal de contas, as redes sociais e a TV estão aí para melhor informar.
Apenas ressalto que hoje, dia 21, foi o dia escolhido pelos manifestantes de minha cidade para irem às ruas também.

Finalmente o Brasil resolveu tomar uma atitude.

Sim, é verdade. Baderneiros aproveitam para saquear e coisa e tals... Tenso, né?

E desculpe. Mês passado foi tão corrido pra mim que quando vi, o dia 21 já havia passado faziam 02 dias!

E hoje, foi tão corrido quanto, mas não quis deixar de passar aqui e registrar meu oi, minha saudação.

No mês que vem, prometo esforçar-me para um post mais elaborado.

Fica o convite para você me acompanhar no Twitter. Você pode acessar clicando aqui!

Forte abraço à todos!

E que o inverno seja muito bem-vindo!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Misturar caviar com rapadura?

Tomamos as ruas. Finalmente uma manifestação contra o aumento das tarifas ganhou a magnitude merecida e o aumento foi revogado. Devemos comemorar, até pela falta de tradição em reivindicações populares atendidas, porém há ressalvas e incertezas em relação ao futuro desta mobilização, que ultrapassou seu propósito inicial.

1 – Até que ponto é uma vitória conseguir que a tarifa continue cara para um transporte coletivo ainda superlotado, precário e que, considerando a inflação acumulada desde 1994, segue bem acima da correção monetária? As propostas de redução giram em torno de exoneração de impostos ou criação de novas taxas sobre o combustível, porém ninguém aborda o lucro abusivo das empresas de transporte, que de público não tem nada.

2 – O que vem além da tarifa? Em uma sociedade tão heterogênea quanto a brasileira, uma manifestação que reúne milhões de pessoas congrega desde aqueles que haviam sido forçados a pular refeições para arcar com o aumento da passagem, até o apoio (ainda que virtual) de mega empresários que lutam contra a redução dos juros, passando pela classe média que jura acreditar que o problema é o Bolsa Família pago àqueles que, supostamente, não querem trabalhar. A indignação pode ser coletiva, mas a reivindicação é bem mais individual do que parece.

3 – A grande mídia pode ter mudado o discurso, mas os atos vistos como vandalismo continuam tendo proporcionalmente um espaço muito maior. O ódio da população é a expressão do inconformismo, que escorre pelo copo que transbordou com a gota d’água que foi o aumento das passagens. Cansamos de andar no metrô feito sardinha em lata, esperar uma hora no ponto de ônibus para passar horas dentro de um coletivo lotado, também preso no engarrafamento, pagando caro por isso. Não são vinte centavos, são vinte centavos por cada passagem, milhões por dia, que não se refletem em melhoria na qualidade do serviço. Isso para não falar nas outras centenas de absurdos que o brasileiro vivencia diariamente há cinco séculos.

4 – Mas o policial deve coibir excessos e por vezes pode perder o controle também, certo? Sim, mas diferente dos manifestantes, o policial passa por um rigoroso processo seletivo – que visa selecionar os melhores, segundo os critérios da corporação – e, principalmente, um treinamento ostensivo para agir em situações de combate. O que dizer sobre erros institucionais, como usar bombas de gás vencidas em 2010, que traziam o alerta de que o uso após o vencimento pode ser perigoso? Sobre o policial quebrando o vidro da própria viatura? E quanto à ordem dada ao pelotão da tropa de choque, de atacar quando os manifestantes tomavam as ruas pacificamente?

5 – A polícia não agiu com força excepcionalmente desproporcional na quinta-feira que revoltou a população e conquistou o apoio das massas. Esta forma de intervenção policial é cotidiana. A diferença é que fosse a repórter baleada no olho um alvo na periferia, a munição teria sido verdadeira e a repercussão restrita. Todo o policial sabe que o disparo de balas de borracha deve ser feito a uma distância mínima, não podendo ser disparadas contra áreas potencialmente letais. O que vemos são manifestantes feridos nos olhos, pescoço, barriga, etc.

6 – Ver as ruas tomadas pela população é bonito mesmo. Vandalismo não deve ser tolerado nunca – e com isso me refiro somente à maneira hostil com que o estado trata a população –, mas deveríamos ter ressalvas quanto à proibição de partidos. Não sou filiado a nenhum, todavia há menos de duas décadas a sociedade travou lutas duras para que os partidos existissem; alguns deles estiveram presentes nas primeiras manifestações, cuja única diferença era a ausência de apoio da população, mas a truculência da PM já era forte; e coibindo a participação de todos, fornecemos álibi àqueles que não participam por não concordarem com a população nas ruas.

Enfim, as considerações são inúmeras. Resta agora aguardar os próximos passos, que são os mais difíceis. Como definir uma pauta unificada aos manifestantes? Na passeata que tomou os Jardins (bairro nobre da capital) moradores agitavam toalhas brancas em apoio à manifestação, mas as reivindicações dos moradores daqueles prédios podem ser diametralmente opostas às de muitos manifestantes nas ruas, colocá-las no mesmo bojo pode ser uma tentativa de misturar caviar com rapadura, pode até dar certo, mas é no mínimo inusitado.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O avesso do que era antes

Acordei com gosto de café na boca. Achei estranho, já que eu não gosto de café. Aí me lembrei que o gosto tinha vindo de outra boca. Quase me esqueço. Me levantei pra escovar os dentes e a janela do banheiro estava fechada. Janela de banheiro nunca deve ficar fechada. Banheiro é um lugar úmido, precisa de circulação de ar. Abri a janela, mas por conta disso minha toalha não estava seca e tive que pegar outra limpa pra tomar banho. Na cozinha todos os copos sujos de cerveja da noite anterior... e uma caneca, usada pra tomar água. Como eu odeio que peguem minhas canecas pra tomar água. Qual a dificuldade de se lavar um copo?
Por fim apaguei a luz da sala, que provavelmente ficara ligada desde a noite anterior e fui trabalhar com o mal humor de quem amanhece com todos os seus costumes revirados. A ansiedade por não saber se o telefone vai ou não tocar só passa com as lembranças da noite que, no fim, fez tudo valer a pena. O que vai acontecer, eu não sei... mas que importância isso tem se ele já mudou tudo de qualquer forma?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

As metáforas do amor

O Rubem Alves é dono de uma das metáforas que eu mais gosto para definir relacionamentos. Diz ele que existem casamentos (mas podem muito bem ser namoros) do tipo tênis e do tipo frescobol. Os do primeiro tipo são fonte de raiva e ressentimento e terminam mal. Já os do segundo tipo são fonte de alegria, propensos à vida longa. O tênis é um jogo feroz, diz o querido Rubem. E casais que jogam tênis querem apenas derrotar o adversário. Fazer ponto é, basicamente, descobrir o ponto fraco do parceiro, atingi-lo. Perceber o momento exato para cortar. A cortada fatal. O jogo termina na alegria de um e na tristeza de outro. Utilizando-se dos mesmos mecanismos - dois jogadores, duas raquetes, uma bola - o frescobol é a arte de manter a bola sempre no alto. Nenhum dos dois deve perder, não há ninguém derrotado, não há adversários. Ou os dois ganham ou ninguém ganha. O jogo não tem fim, pois não se marca pontos. E quando a bola cai, quem está mais perto dela a pega na areia e a brincadeira recomeça.

Amor é como frescobol. Tão leve como brincar.

sábado, 15 de junho de 2013

O dia em que fui plagiada

É claro que eu iria escrever sobre isso, né?

Há uma semana atrás, soube pelo grupo no Facebook do Blog das 30 pessoas que tive um texto meu  indevidamente reproduzido em um blog aí. Com exceção do título, que foi alterado, o restante do texto foi inteiramente "controlcê-controlvêzado", sem crédito algum. 

No primeiro momento, não posso negar que me senti lisonjeada. Meio Clarice, meio Caio Fernando. Um texto meu foi considerado tão bom que alguém decidiu dizer que era dele. Massa! 

Mas acontece que o plágio é uma coisa feia. Muito feia. É como um furto, já que escrever não é (não deveria ser, pelo menos) uma coisa que brota do nada. A gente se esforça, pensa, esculpe, corrige, até que o produto final saia bonito - pelo menos aos nossos olhos. Então metade de mim ficou emputecida ao saber de um clone bastardo perdido pela rede.

Fiz meu dever de cidadã e denunciei a cópia indevida no Blogger, mas a revolta parou por aí. Eu tenho espelho em casa e não acabei de acordar de um coma. Eu sei que a internet é terra de ninguém. Foi muito bom, no entanto, me aproximar mais do pessoal do Blog das 30 pessoas. Muitos dos meus companheiros de escrita se demonstraram muito solícitos e indignados, o que fez eu me sentir amparada.

No final das contas, achei até legal ser plagiada. Mas isso foi só coisa de marinheira de primeira viagem, eu garanto. Tente me plagiar de novo e você verá do que sou capaz!








sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Direito de Passar Livre Pela Cidade




*A foto acima é de uma repressão policial contra manifestantes, em Istambul-Turquia, no dia 1 de junho, de 2013. O protesto começou na noite de segunda-feira após construtores cortarem árvores do Parque Gezi, uma das poucas áreas verdes da cidade. Os manifestantes são contra a construção de um shopping em formato de quartel otomano, que derrubaria 600 árvores. Com o tempo outras reivindicações foram se agregando as manifestações, que seguem até hoje. Foto: Bulent Kilic/AFP *

O Direito de Passar Livre Pela Cidade

Ah! A cidade....

Os burgos cheio de pessoas, ratos e peste negra.

A cidade como resultado do processo da revolução industrial. As vilas operárias. Os proletários e suas proles espremidos em espaços minúsculos.

As pequenas vilas em pequenos clarões em uma mata, próximas aos rios. Por elas passavam mercadores, mascates, bandeirantes....

As povoações com uma igreja no meio. Moças nas janelas.

Cidade que rima com modernidade. (Rima com liberdade?)

Máquinas.
Os amontoados populacionais.

O lugar das grandes experiências arquitetônicas.
O concreto criando muros, viadutos, pontes.

A cidade como o lugar das trocas. O lugar da diversidade. O lugar das grandes circulações monetárias, mas também da concentração de capital em poucos bolsos.

O lugar da CIVILIZAÇÃO. O lugar da música urbana, do Itamar Assumpção.

O caos. O trânsito. Barulho de britadeiras. As pessoas vivendo empilhadas e andando de elevador, escadas rolantes, trens subterrâneos....

As pessoas meio máquinas, acopladas a alguma estrutura tecnológica. Celulares, fones de ouvido,
carros. (Ainda somos humanos? Que espécie de homo sapiens? Alguém sabe?)
As luzes da cidade. O cheiro do asfalto molhado, quando chove. O verde, o amarelo, o vermelho colorindo as nossas peles na noite. Os helicópteros sobrevoando nossas cabeças.

Zona leste, zona norte, zona sul, zona oeste e outros tipos de zona, para todos os gostos.

Onde tantos migrantes chegam cheios de esperanças e sonhos em busca de leite e mel.

O lugar das contradições. Das desigualdades exacerbadas. Onde milionários e desempregados compartilham o mesmo trânsito às 18hrs.

Lugar onde a natureza foi devastada para a construção de mais prédios, avenidas, estádios e estacionamentos. Um rio foi transformado em esgoto.

O lugar das possibilidades impossíveis.
Dos encontros e desencontros. Das profundas solidões.

Shows, festivais, workshops, exposições, teatros, mostras de cinema, companhias de dança...

A cidade.
O lugar das discussões poderia ser o lugar do consenso? Ou o consenso significa calar a boca, abrir pra reclamar, fechar e saber em silêncio que você não é um dos vencedores. A ordem estabelecida. O poder vigente. As regras. Quem escolheu? Quem decidiu?

Poderia ser diferente. O coração bate resistente e ao mesmo tempo pressionado por uma angústia. Como acreditar que as coisas podem mudar? Que esse jogo de dominador e dominados um dia terá fim e surgirá novas polaridades? Quem está no poder quer manter o controle. A ordem e o progresso. Controlam a polícia. Com balas de borracha não há diálogo, nem negociação.

Poderiam todos usufruir do direito de ir, vir, ficar , morar por onde se queira na cidade?

O direito de passar livre pela cidade, de circular nela e conhecer seus cantos e moradores. O direito de ao circular poder se expressar. Dar significados a lugares, ruas, bares e outros pontos de encontro, e ter o direito de reconhecimento da apropriação desses espaços. Apropriação simbólica, cultural que muitas vezes possuem mais valor para aqueles que nela existem do que para o proprietário que especula.

O direito de ser consultado sobre as intervenções, as mudanças espaciais, assim como o de poder propor, sugerir, planejar, plantar uma horta.

Ser cidadão, morador da cidade, não devia ser simplesmente ter de arcar com suas obrigações de cidadão: trabalhando, pagando impostos, respeitando as regras de trânsito, aguardando que as pessoas saiam do vagão antes de você entrar.

Passar livre pela cidade, por toda ela. Poder ir e vir por milhares de motivos e vontades e não só necessidades. E que esse direito seja de todos e não só daqueles que possuem carro e dinheiro.

Passear em suas praças. Poder descansar debaixo de uma árvore, mesmo estando em uma grande e moderna cidade.

Quem sabe assim podemos resgatar tantos valores que se perderam ou que foram sacrificados para que a cidade pudesse existir. Valores que são mais relacionados com o rural, com o sertanejo: como a solidariedade, o sentimento de comunidade. Quem sabe então poder ser e conviver como seres menos individualistas e competitivos.

- Esse texto não tem fim. Terei que interrompe-lo, assim, abruptamente.-

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Persistência

Antirrugas
Antiqueda
Antiofídico
Antienvelhecimento
Antibiótico
Antiinflamatório
Antivírus
Antiidade
Antídoto
Antítese
Antibomba
Antialérgico
Antiinflacionário
Antissocial
Antimonotonia
Antidepressivo
Antirrábico
Antiabortivo
Antiácido
Antiaéreo
Anticoncepcional
Antigripal, 
Anti-hemorrágico
Antiimperialismo
Antimíssil
Antioxidante
Antissemita
Antiterrorismo
Antitetânico
Anti-histamínico
Anticristo
Antitérmico

A língua mostra e o mundo comprova.
Viver é para os insistentes.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Feliz dia dos namorados (só para brancos e héteros)

A alma da propaganda é a mentira.Tudo bem.Hoje,dia dos namorados,não vou cair nesse abismo do que é mentira ou verdade,ética ou falta dela.As coisas são como são e sorte de quem se adapta rapidamente.
Mas eu já cansei de ver etiquetas em lojas onde está escrito: 59 reais.E você se aproxima e vê ali,embaixo do número,bem pequenininho:em seis parcelas.Ou seja,o preço real não está na vitrine,o que aparece ali é apenas uma opção de pagamento,coisa proibida por lei,mas hoje jurei não falar de leis.
Apenas queria um pouco de consideração do comércio em datas especiais.Quando colocam uma outdoor gigante dizendo:Feliz dia dos namorados!,
por que não podem colocar uma frase embaixo:mas não é para todo mundo.

Até onde sei o dia dos namorados não é para todos.E não falo do solteiros.Falo do preconceito,porque está semana li duas matérias diferentes,mas o assunto era o mesmo.
Nos sites de fofoca saiu que Cauã Reymond estava se separando de Grazy Massafera.Até aí o problema é deles.Ou era.Porque entrou um terceiro no casamento,o anunciante.Duas grandes empresas tem contratos com o casal,então nenhuma separação é tão bem vinda assim,isso mexe com toda a estrutura,inclusive o departamento comercial da emissora que trabalham.
Meses atrás tinha acontecido isso com Angélica e Luciano Huck,que sites garantiram que estavam em crise,mas tinham anunciantes nas costas e tudo foi rapidamente resolvido.

É normal isso,acontece.Mas semana passada saiu em um site que um ator namora outro ator de uma novela.O problema é que os dois estão na mesma emissora,em novelas diferentes.E namoram desde 2011.No começo a emissora não se importou,todos sabiam,porque eles circulavam aos beijos pelos corredores,mas de repente eles decidiram assumir.Compraram alianças e em festas em São Paulo freqüentadas por atores e artistas todos sabem que eles são um casal,verdade seja dita,um casal lindo.
Ao contrário de Luciano Huck e de Cauã,onde a emissora que eles trabalham lembrou aos dois que contratos são para serem respeitados e imagem é tudo,os dois rapazes que namoram foram chamados pela direção,que ficou sabendo da história da aliança e resolveu avisar os rapazes que não podem e não devem mais sair por aí se exibindo e um deles tem que arrumar uma namorada urgente,para não dar `pinta ´.

Conheço o assessor de um deles e cruzei com ele semana passada.Eu sei que essas coisas não se perguntam,mas achei a história tão agressiva,eu não me imagino sendo chamada por uma direção de uma emissora para defender a minha vida pessoal.Isso pra mim cruza todos os limites.
O assessor me contou quase a mesma história.É verdade que um deles foi orientado a assumir um namoro com uma colega da mesma novela,que é lésbica,mas só pediram isso ao rapaz para não confundir o público e não colocar o diretor e autor da novela na parede,porque o telespectador não saberia como lidar com um galã gay,a emissora explicou que assumir que são gays acabaria com duas coisas,seus contratos e sua carreira.

Que porra é essa?Quando é um casal hétero a emissora aplaude,adora e não é só no Brasil,todas as emissoras no mundo tem seus casais 20,brancos,ricos e héteros,loucamente héteros.Esses casais merecem toda a atenção,inclusive melhores contratos e avisos de quando não estão agradando os patrocinadores e se rolar uma tensão doméstica,a emissora se mete,faz de tudo para manter o casal 20 unido.Já o outro casal,dois rapazes,jovens e lindos não merecem mais do que uma bronca e um aviso quase ameaça,pra parar de sair por aí mostrando seu amor ou ficam sem emprego.

Então o dia dos namorados não é para todo mundo.Em nenhuma revista vi esse casal gay falando sobre como vai comemorar a data,mas casais héteros e famosos falam e falam sem parar,contando até intimidades e preferências para festejar esse dia.Vi várias propagandas na televisão e só aparecem casais héteros e brancos.Acho que o dia dos namorados é só para eles.Se é isso mesmo,favor avisar,colocar a plaquinha embaixo:Dia dos namorados
(apenas para brancos e héteros)
 

Já que é complexo discutir respeito e ética com a propaganda,então pelo menos que assumam que não são todos iguais e que o seu produto deve ser consumido apenas por brancos e héteros.Porque esse preconceito disfarçado,esse racismo diluído junto com a homofobia é pior do que parece.Pra mim isso deveria ser considerado crime,mas aqui o preconceito ainda não recebe a atenção que merece.Tudo bem,espero um dia voltar e escrever sobre estes velhos tempos,onde o dia dos namorados era só para casais héteros,assim como a história que meu pai me contou sobre uma lanchonete americana que não deixava os negros entrarem.As coisas mudaram e a sociedade avançou,quero muito um dia escrever sobre esses tempos terríveis,ignorantes,onde na propaganda de dia dos namorados apenas os brancos e héteros eram aceitos,os outros barrados.Um dia esses comerciais vão envergonhar a todos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Vinhedo / The Vineyard

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Dizem que beber é bom pra esquecer, mas eu discordo. Eu, hoje, bebi para lembrar.

Beber, não qualquer coisa, mas vinho. Não qualquer vinho, mas o vinho que me lembra você. Desde a escolha até a abertura da garrafa, rotulada como safra de 2011. O ritual de degustação, ler o rótulo e aceitar, já no pequeno gole, ter o poder de aprovar ou reprovar, desde o giro da taça pra ver se as lágrimas são de alegria ou de tristeza e até mesmo o aroma, se é de frutas ou carvalho.

E se não for? Não quero! Precisa harmonizar com meu prato principal. Se não harmoniza, não serve!

E se for um bom vinho? Não interessa! Preciso fazer com que tudo sintonize; os aromas e o que minhas papilas gustativas esperam saborear, e só aquele vinho pode fazê-lo.

E sim, se for esse o vinho, antes mesmo de tocar meus lábios, já materializar-se-a somente pelo perfume você.

Agora tudo faz sentido, bebê-lo realmente me faz lembrar: A garrafa e o nosso toque, a rolha e o nosso olhar, sentir o aroma, assim como sinto o seu, rodeá-lo no copo, assim como rodeio-te por desejo de ter de você, todo seu perfume.

Ah, como é bom! A ansiedade para prová-lo de fato é tão ampla quanto a de te tocá-la. E nesse desejo incandescente de prová-lo, torturando me de propósito para que quando o faça, o sabor seja ainda mais intenso. Faço-lhe cair uma lágrima, assim como a que o vinho deixa na taça. Lágrima essa que expressa tamanha ternura e certa alegria.

Enfim, fecho meus olhos e tomo desta taça o líquido que te traz a mim. Degusto-o assim como degustei-a, como todo meu desejo em chamas e toda minha essência à flor da pele. Não basta sentir, tomá-lo torna-te real.

Por 750 ml, és tu que estás em meus lábios, um beijo e um momento de degustação, outro beijo, esse mais longo permite-me enrolar teu sabor dentro de minha boca, até que desça goela abaixo.

Um suspiro e outro gole e já estou totalmente envolvido em você até acabar e daí por diante, somente a cama vazia pode me abraçar.

E lá se foi você, antes mesmo do vinho, lá se foi você, deixando-me como convite a vontade de tomar-te de novo, em forma de vinho. Não de qualquer vinho, mas o vinho que me busca você.

Encontre mais no livro Rascunhos Vivos

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People used to say that drinking is good to forget, but I disagree. Today I will drink to remember.

Drink not just any wine, but the wine that reminds me of you. Since the picking up to the opening of the bottle labeled 2011 vintage. The tasting ritual, since reading the label and accepting, feeling the right to approve it or not, since the first sip, since swirling the wine to see if those are tears of joy or sadness, till the aroma, if it is fruity or oak.

And if it’s not the right one? I don’t want! It must harmonize with my main dish. If it doesn´t, it sucks!

And if it was a good wine? Doesn´t matter! Everything must tune like music - the taste and what my taste buds want to savor, and only that one wine can do it.

And if yes, if it was the right wine, before it touch my lips you will materialize just from the aroma of the wine.

Now everything makes sense. Drinking it really reminds me of the bottle and our touch, the cork and our looks. I feel the scent in the glass like I felt yours, swirling the wine like I surround you by the wish to smell it and smell your perfume.

Ah, how good is this! The desire to taste it in fact is as big as desire to touch you. And I’m torturing myself by purpose with this burning wish to taste the wine, till I decide to execute it and make the taste being even more intense. It is a taste that will make a tear fall from your eyes as the tear that wine lets on the glass. Tear that express great tenderness and some happiness also.

In the end I close my eyes and drink from the glass the liquid that brings me you. I taste it as I tasted you and my entire wish burn whole essence in my skin deeply. I don’t just feel it, drinking it turns you so real.

This 750ml is like you on my lips. A kiss and a moment of tasting, another kiss, this one is longer and let me curl your taste inside my mouth until it goes down my throat.

A sigh and another sip and I am already totally into you till the moment it’s over, and since now only an empty bed can hug me.

And there was you, even before the wine, there was you, inviting me to drink you again, like wine. Not any wine, but the wine that brings me you.

Encontre mais no livro Rascunhos Vivos

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ponte

"Quartos de hotel são iguais Dias são iguais Os aviões são iguais Meninos iguais Não há muito o que falar sobre o dia" o que é casa vai desaparecendo de mim. parece uma memória de um lugar estável, imóvel, confortável e seguro de que sinto falta. que preciso estar. mas ao mesmo tempo inatingível por tantos adiamentos que surgiram a cada possibilidade de retorno. casa. mudam-se as salas de estar ou não estar. os chuveiros são duchas fortes ou gotas frias e escassas. chuveiros queimados. calor demais pra banhos quentes. lugares, climas. os quartos são de camas altas ou chão batido com lençóis. dormitórios, conjugados, quarto-sala, quartos amplos de desconhecidos. locais, espaços. os cônjuges são estudantes, amigos, companheiros de trabalho, fodas rápidas, romances rápidos. cores, nomes, gente. hoje eu acordei e não fazia mais sentido me perguntar se eu gostava de onde estava. eu estava e ponto. no banho pensei se isso tudo é medo de criar raiz. não conseguia fechar o box: não era o mesmo problema que tem o da minha casa. e aí essa e outras perguntas foram pelo ralo com a água. alguma insatisfaçáo de também.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Diane Young

Eu odiava suspense, e suspense era justamente a especialidade dela.

Diane Young ainda estava na fase de poder dizer que tinha “vinte e poucos” (eu, por outro lado, tinha acabado de entrar na parte em que é preciso começar a dizer “quase trinta”). Meu amigo Ezra costumava dizer que aquela garota era o amor da minha vida. Eu tinha minhas dúvidas.

Eu tinha motivos para isso: Diane vivia me perguntando porque eu gostava tanto dos filmes noir dos anos 50, e sempre olhava feio para o meu pôster da Grace Kelly pendurado à cabeceira da cama. Mas ela amava Hitchcock, e não parecia ver problemas na Grace quando ela estava em Janela Indiscreta. Não me entendam mal, hitchcockianos, mas eu realmente odeio suspense.

Aquilo combinava com ela. Diane era o tipo de garota que te deixava o tempo todo na ponta dos pés, tentando adivinhar o próximo passo. Ela passava a mão pelos meus cabelos ruivos e olhava dentro dos meus olhos verdes, e justamente quando eu estava esperando que ela me dissesse o que eu queria ouvir, ela me vinha com um: “Irlandês e orgulhoso, naturalmente”.

A verdade, caro leitor, é que eu tenho a sorte de um membro da família Kennedy. E eu sabia, eu simplesmente sabia, que um dia Diane Young iria embora. Iria achar alguém que gostasse de Hitchcock e a fizesse dizer algo mais romântico do que “irlandês e orgulhoso, naturalmente”. E tem mais: eu nunca estive com ninguém por mais de alguns meses.

“Se Diane Young não te fazer mudar de ideia, você pode pegar uma carona no tempo”, me disse Ezra um dia desses. Acho que eu acabei seguindo esse conselho.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quero ir ao parque de diversão com você e andar na roda-gigante e se você tiver medo no trem fantasma fechar os seus olhos e lhe abraçar e comprar maçã do amor ou algodão doce e depois limpar sua boca lambuzada e amarrar os cadarços do seu All Star e fazer uma enorme bola de chiclete e não me importar que você ache graça da minha cara de bobo quando estourar e brincar de médico para sempre ser paciente e cuidar de você e lavar seus cabelos encaracolados e contar os sinais do seu corpo e multiplicar por beijos e somar aos abraços e abrir um vinho para comemorar seu sucesso na firma e comprar passagens para aquela cidade distante onde só nós dois achamos interessante e fazer cachecol com seus braços nos dias de chuva e encontrar com você no café da esquina e falar sobre suas paranoias e convidar você para ir ao teatro em meia hora para começar o espetáculo e você dizer um sim empolgado e entender quando você está de mau humor e fazer amor com você às cinco da manhã e enxugar o suor da sua testa com as costas da mão e lhe dizer o quanto eu amo você me chamar no diminutivo e me tratar no aumentativo e lhe contar meus defeitos e você entendê-los e acariciar as dobrinhas dos meus dedos e expressar um pouco desse louco estranho ansioso adolescente desejo de estar ao seu lado. 

Cleyton Cabral. BsAs, 23.05.13.

terça-feira, 4 de junho de 2013

ODE (io!) A MAQUIAGEM

Que não sejam teus olhos ocultos pelo peso de tinturas,
Nem tuas faces ornadas como a de Colombina;
Não seja teu corpo oculto em formas alheias,
Não seja teu ser silenciado pela aparência das coisas.

Enquanto estiveres com tuas amigas, divirta-se com a sua paleta;
Que tuas unhas, lábios e faces recebam o arco-íris entre risos
E experimentes aquilo que é desconhecido e contumaz.
Contudo, ao meu encontrares, 
Espero ver teus olhos brilhando de desejo;
não de pintura, 
não de tintura,
não de disfarce e farsa.

Espero colorir teus lábios de vermelho 
Com beijos sôfregos e intensos;
E que as cores anteriores não coloram os meus, 
como prova desnecessária da intensidade do encontro.

Que teu corpo avermelhe-se com minhas carícias, 
E o rubor te suba às faces,
Não lá esteja previamente, disfarçando tua beleza e convencendo os incautos.

Que eu seja capaz de ver o que acontece, 
Acompanhar o acender do desejo,
Para além das máscaras e maquiagens que a tua paleta oferece.
Porque, por mais belo que possa parecer,
Maquiagem nenhuma será capaz de me oferecer...
Nem o desejo, nem o prazer.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Antes fosse

Antes fosse uma grande e pulsante vagina. Apenas isso. Bastaria sexo. Bastaria um pau. Algumas coisas a mais, mas bastaria. Adeus, tabus.
Antes fosse uma cabeça. Dona das suas razões. Perdida em seus pensamentos. Tudo muito claro, tudo muito exato. Medindo cada passo, cada palavra.
Antes fosse só um coração. Esse sim, livre, apaixonado. Desses que choram com qualquer canção no rádio.  Desses que compõem.
Acontece que calhou de ser tudo isso misturado. Um empurrando o outro, tolhendo,  confundindo, ligando, desligando, chamando, afastando. Se ao menos houvesse um botão, se ao menos pudesse escolher: vez da razão, vez da paixão, mas não.

domingo, 2 de junho de 2013

6 matérias que deveriam ser obrigatórias no ensino médio



1. Psicologia aplicada aos pais: aqui o aluno vai aprender a dar mais valor aos pais e saber respeitá-los. Entender que se o pai e a mãe pagam o colégio, por mais que sejam intransigentes ou doidos, a criança não pode reclamar muito. Se o aluno está cansado dos pais, que trabalhe duro e pague as contas.

2. (para os alunos do terceiro ano do segundo grau) Estudo da sexualidade dos humanos e dos animais com o intuito de ensinar o aluno a respeitar a preferência sexual dos colegas. Apresentar exemplos de pessoas famosas que são gays.

3. (para os alunos do segundo e terceiro ano do segundo grau) Finanças pessoais. Noções sobre economia, opções de investimentos, a importância de ter uma poupança. Estudo dos principais impostos (renda, sobre serviços, etc)

4. Política. Aqui o aluno aprende as funções de um senador, presidente, deputado, prefeito e vereador. Estudo de casos reais ligados à política do Brasil e o que o aluno pode fazer para ajudar.

5. Administração do tempo. A importância de ter uma vida organizada com metas diárias, semanais e mensais. Mostrar ao aluno que a procrastinação é um terrível mal que precisa ser combatido assim como cocaína, cigarro e estupros.

6. Estudo das religiões. Apresentar uma breve síntese das principais religiões do mundo e mostrar ao aluno que as pessoas que não acreditam em Deus também devem ser respeitadas.