terça-feira, 30 de julho de 2013

Dos 32 para frente, e dando uma olhada para trás

Hoje foi o meu primeiro dia com os meus novos 32 anos de idade, no primeiro minuto do dia 29/07 comecei a minha retrospectiva, eu estava em um taxi em Recife indo em direção ao aeroporto ao som de David Bowie e Earth Wind and Fire

Aos 15 anos de idade eu já tinha muitos planos para os meus 30 anos, acho que não cumpri a metade, mas aos 30 consigo enxergar perfeitamente o que deixei de colocar nesses planos.

Esqueci de colocar que mesmo estando todos distantes, minha família é a maior herança que eu posso ter nessa vida, e que a cada Eu Te Amo que recebo ou dou para eles me sinto mais forte, e feliz.





Esqueci de colocar que os meus amigos são sim os melhores do mundo, e isso não precisa ser comprovado diariamente.








Esqueci de colocar o quanto é prazeroso fazer algo que você realmente ama fazer, e que as vezes basta isso para curar feridas, ou até mesmo para lhe dar força para ir adiante.




Esqueci de colocar o quanto é bom ter crianças por perto, simplesmente para lhe chamar de tio





Ou para falar que você é um dos amigões dele.



Esqueci também de colocar a importância das referências em minha vida, são peças do meu quebra-cabeça que podem surgir de qualquer lugar como:

Uma música



Um disco



Um escritor



Um casal de amigos



Uma banda



Uma viagem



Um HERÓI



É deixei de colocar muita coisa nesses planos, e mesmo assim tudo o que consegui sem planejar valeu muito mais a pena.

E como é bom não se abalar com os planos não concluídos, e saber que, quem sabe menos das coisas, sabe muito mais do que eu.


Abraço
Jeff

segunda-feira, 29 de julho de 2013

pergunta

sabe o que é zorra total? não? te digo sem medo de errar.  zorra total é a rede esgoto de televisão no encontro fantástico sem novidade e inovação de todo santo domingo, na tentativa sem sucesso e frustrada de convencer, ilustrar o que é hip hop e do que trata, o rap. faz me rir, gargalhar. é a piada mas sem graça do momento. e no estilo Ba Kimbuta, rio: 

HAHA HAHAHA HAHA tem que ter controle emocional, controle sim. 

ô zorra do caralho siga o conselho, continue no encontro fantástico e na programação imbecil de sempre, assunto sem graça a gente vê por aqui. e se copiar é uma arte, vem que tem. em busca da notícia, novidade perfeita atravessei a cidade, quer dizer a mente, sem câmera e repórter, sem salário de emagreça por milhões e seja garoto propaganda da co-pa e cozinha? ô vida de cão e  melhor estádio que hospital? êta mundo bom de acabar.

sigo a arte de transformar a velha notícia em novidade,
a mentira em realidade, o ditamos e os trouxas acreditam 
ou se preferir nada se cria, tudo se copia. e lembra disso?
acordei agora, maldita insônia, síndrome de zumbi e preguiçosa é apelido. por isso farei serviço de branca, porca, escrevo a prestação conforme forças, energia e drama. e se lembrou bem se não amém. reza a lenda que o evento aí é chupinhado, ou se preferir copiado do evento de deus. segundo dizem bem antes existira marcha para deus com católicos e protestantes pelo mundo, mais ou menos, desde 199ebolinha. sincera em dizer que não me recordo, nesse tempo, enquanto marchavam estava nos puleiros da vida assistindo show de malandros, maloqueiros, bandidos (palavras doces do meu pai para descrever o gosto musical da filha) em palanques nos bairros próximos e afastados. e que coisa não, os malignos copiando a deus vê se pode. e nasceu, vingou, criou-se a parada da paz.

e não me diga que acreditou no vídeo, afinal é propaganda e não tinha essa gente toda bonita e uau! gente que fala bem, politizada e blablá. tinha de tudo da ralé ao top, de toda cor, do lixo ao luxo, com roupas coloridas e desbotadas, feia e bonita, desdentada e descabelada, nua e comportada, gay e hétero o bastante para serem machistas e ridículos em agredir qualquer um que cruzasse o caminho. a vantagem de ser vadia, ser da rua te permite isso, fazer parte da história em movimento e hoje com algum conhecimento reles que seja, apontar, sugerir o que a TEVÊ jamais o fará, viver.

e são 12h e 34 minutos, preciso sair.
e por falar nisso por acaso passou por aí um senhor de 47 anos, pedreiro, pai de 6 filhos?
não andou por aí? vou ali e volto já, se souber de algo, se o viu, avisa?

enquanto isso, fica nos lançamentos é para acordar
e parabéns mamãe seu projeto de mulher feliz deu certo.

cheguei mais atrapalhada do que quando sai, às 08h e tralálá.

sendo feliz no projeto da mamãe, sem luxo e sem riqueza, banhada na experiência de cada dia. se dependesse do projeto da vizinhança na época tava  fodida. a conversa no portão era: essa menina não vale nada, tenho dó é dos pais, ela não para em casa enquanto eles só trabalham, só vive na rua, virada de sexta até segunda, anda com esses carinhas sem futuro, dou semanas e alguns meses para aparecer  embuchada. mais uma perdida, vai vendo. e falador passa mal, falador passa mal. passou. 

mais de 100 djs se dividiam para tocar em mais de 16 trios elétricos. os nomes mais cotados mark-mark escreve assim? patife e outros trocentos que não lembro o nome, outros tantos de países no auge. todo ano aumentava o número de participantes, gente que ia na frente, dos lados, atrás dançando enlouquecidamente. cena comum: gente bêbada, gente drogada, gente brisada sem usar nada, gente na adrenalina, gente afobada, gente doida, gente querendo conversar, gente saindo do armário, gente disposta a brigar, causar, gente querendo paz, se fosse agora tenho certeza que gritaria sem vandalismo e uma pluralidade sem fim.

e chutando no escuro arrisco dizer a gestão da época, marta suplicy. na quinta edição participou inclusive de trios e adivinha quem era o  governador? plin plin dou um doce, procure está pensando o quê, aqui não tem referência não meu bem, faça um favor mova os dedos e procura aí. não participei de duas edições apenas, das tantas que tiveram. recordações mil e uma, desde o apanhar na cara de marmanjo por ser mulher e pisar no pé dele, até ver um casal de lésbicas apanhar covardemente de um bando de moleques sem noção. drogas? só não tinha pouco, bêbados aos montes caídos na grama e óbvio a segurança estava por lá. na sexta edição com 150 mil participantes era mais de 300 e não sei quantos policiais. 

a cada ano aumentando o número e com ela a "violência". até o findar da gestão e fim da parada da paz. o engraçado acabou quando pobres passaram a aderir o evento. seguido da desculpa de que a música eletrônica não estava mais no auge e a violência tinha tomado conta, tornando-se incontrolável para a segurança pública conter furtos, assaltos, facadas e quase assassinatos.

mentira te dizem e você escolhe acreditar ou não. quem ia, sabe que tocava desde o eletrônico intensamente até rap, forró, tocava de tudo. afinal começava à tarde por volta das 14h:00 e terminava por volta das 23h e tralalá, isso quando o povo ainda não ficava por lá. 



para quem gosta, tem significado maior, principalmente quando é referência de vida. ela tem, a música tem todo significado na minha vida, independente do ritmo ser mais amado do que outro. como é o caso do rap. sendo bem específica, mais espectadora do que parte. aprendi ao ir para lugares estranhos para conhecer gente estranha. aprendi a valorizar e a curtir sem mãozinha de face, curtir a ponto de fechar os olhos e ó sumir no pensamento. participei desse tempo e não era porquê diziam que o rap estava em baixa, a aposta de que o rap é moda é antiga prá porra. as quermesses continuavam e o meu bairro também e tudo estava lá, sendo acessado no menor passo. todo fim de semana era nois, nos puleiros. palco pequeno, microfone, caixa de som de péssima qualidade é apelido, mal dava para compreender a letra, o que o cara rimava se a voz não fosse forte. os puleiros tinha vantagens por ser grátis e fácil acesso. a prevaricação, burlar apresentar documentos, válido o olhar na minha cara e não pedir rg, sendo menor escutar o: vai passa, você não paga, bate cartão aqui mesmo, mas se o juizado ou mãe aparecer já sabe hein, não te vi, não sei quem é.

daí, vem uns baitolas dizer a tendência, a moda para esse ritmo que pode desaparecer a qualquer momento. quanto mais vivo mais tenho certeza, tolo de quem segue esse caralho de TEVÊ. demoro mas o país na minha rala concepção adquiriu identidade, pelo menos no que diz respeito ao hip hop, rap. não existe aquela coisa de imitar americano ou seu estilo. não compreendo quando estipulam estilo para gostar de, para ouvir rap. a globo é tão tosca na tentativa furreca de se aproximar do pobre, do que é da periferia, que dita ou pelo menos tenta escarrar regra. o estilo está mais ligado a identidade das pessoas: é cabelo, é jeito de andar, é modo de dançar, de falar e não é uma regra. ou tenho que suprimir a lembrança, quando vi quatro caras dançando break no clube da cidade e outras casas. vestidos de terno e gravata, de sapato social, porque pouco tempo antes foram barrados noutro lugar: maloca aqui não! barrados na porta sendo obrigados  a ficar no relento porque deram viagem perdida, obrigados a esperar ônibus rodar para voltar para casa. barrados em vários locais por não vestirem o "estilo", ditado por quem, por zés da égua que na época eram modinhas e imitava estilo americano, onde um cara morria se tivesse andando com tênis de marca em x local e y casa noturna, vi de montão.

para cara de pobre não tem maquiagem meu bem, nem dinheiro que dê jeito então não se assuste se pela camiseta (de pano de chão) te impedirem de entrar nos locais. mas roupa não é nada e não diz quem é quem não é. uma semana depois, lá estavam na estica, para dançar break como quisessem, de gravata, social. não aconteceu uma duas três vezes foram muitas, porque pobre tem cara, tem cor, tem pele desidratada, tem cabelo quebradiço, tem até pó e barro na sola, não tem carro. dizer que a cultura se resume na roupa é o fim. não tem a ver com ter este tênis, aquele carro turbinado. me poupe pelo amor de deus de tanta bestagem globo. a regra do consumo é sua, não transfere para cá não caralho! quer apresentar, lançar, então o faça com quem está na ponta e não com quem nunca escutei falar, a não ser sendo namorado x de y, fulaninha que é atriz. o consumo que se foda!

e louça lavada, banho daqui a pouco. e chegou, virou gestão, mudou prefeito e governador, nasceu a virada cultural. numa dinâmica maior, com outra proposta, cultura para o povo. interessante não é. a união dos ritmos, rock, samba, pagode, eletrônica, reggae, maracatu, entalado o rap. tímido e sem grande visibilidade. conversando sobre a virada deste ano com várias pessoas todas foram certeiras em dizer que o evento é inspirado noutro evento que aconteci na frança. jura? tá engulo se quiser, mas não acredito tá certo? de olho em 150mil ou mais de jovens eleitores que não mais aderiam nada no centro, tínhamos que reverter a ideia da outra gestão não é. imprimindo desta vez, nossa marca burguesa e tratando de impedir que esta sacada genial acabasse, sendo devidamente registrada no calendário da cidade pelo partido y que não cito para que não pareça perseguição ou antecipação política.

com  marca burguesa a probabilidade de pobre aderir é menor. o que nos interessa é o número de participantes conscientes, sem vandalismo, gente educada. afinal a violência tinha se instalado na parada da paz justamente por conta de bebidas, drogas e pobres. a prova maior de que não trata-se de piração, na gestão dos tais, show de rap é vetado em próximas edições da virada. justificado a ausência de rap pela violência no show dos racionais, que diga-se eu estava. dá a entender que rap se resume em racionais e olha que respeito muito os cara. não é, existe uma lista vasta graças as deus de talentos pelo país a fora. e no garimpo escutei rapadura que no estilo de cantar, vestir, dita o que é a cultura hip hop em território nacional, de ponta a ponta, norte, nordeste, sul sudeste e demais regiões.

analisando a tendência, a moda, o que usa, quem diz que esse cabra curte rap meu deus? o rap é o crime entende. e na voz de um preto, favelado, nordestino, vira hino. arrisco dizer, é uma cultura inteira por nascer entre becos, vielas, escadão, ruas de terras, barracos, radio clandestina, gente feia e bonita. compreende porque no burguês não cabe, e se cabe vira estilo americano? principalmente quando nunca viu o fulano em periferia nenhuma, em lugar simples algum e de repente é do rap. oi. vira historinha.

 
 constando no calendário, agenda da cidade,  resta disputar quem organiza melhor. seria tão interessante se ocorresse essa disputa em vários setores, em várias políticas públicas. desconfio que algo consta errado no modo de executar as políticas, pois tudo é tão bonito, bem escrito, no papel. altera-se gestão e olha quem. e não estou elogiando pois a base deste partido está desestruturada a tempos, mas quando me volto para periferia é o único partido citado. é uma merda isso, mas é a verdade, quero mais motivos e maiores para metralhar o pt e encontro vários para metralhar outros partidos pela total ausência.

então será que justifica um global do rock dizer algo do rap, mais necessariamente de um integrante e sinto vontade de mandar tomar no cu sem prazer seu zé!  o fato é que o pt sempre deu mais espaço para o rap, mais do que outros partidos. o diálogo com a periferia é diferente. mas não é motivo para usar o bolsa família como cabo eleitoral. a questão chave sobre esse partido é o racha, abandono e perda da base, totalmente voltado para ações e cargos de poder esqueceu de quem o empoderou, impõe o embrolho de levar o povo na conversinha fiada, de mais diálogo, vou te receber, vou te enrolar. tá fica moscando e ser pobre não significa ser otário hein, que fique claro.

a virada cultural de 2013 teve como estrela o retorno do rap.
evidente pelo show do criolo que dizem não canta rap, porque propõe outros ritmos no disco e me recuso a comentar isso. acho palhaçada. e no aniversário da cidade cantou com emicida e igualmente lotou o espaço com pessoas interessadas em ouvir rap, na lista dos melhores shows da minha vida. de tão bom virou dvd e show num espaço massa demais. só comprova demorou séculos para reconhecerem, o rap tem seu lugar garantido no cenário da musica nacional, e está em processo (muito lento) de descriminalização.

e não se resume nos mais conhecidos atualmente, existe a vanguarda: consciência huamana que dizem está voltando com cd novo e tudo mais, facção central, o eduardo ex-integrante do facção palestrante da fundação casa e outros lugares sinistros, detentos da rap, dexter,  rapper pirata, os malês, os mais "jovens": marechal, quilombrasa e o golpe de curitiba que eu esqueci o nome e outros tantos que ouço com menor frequência, mas com total atenção.

além do retorno dos racionais que vamos combinar é referência, só quem é sabe e não tem jeito, e diga-se eu estava lá. sem poder acreditar na quantidade de pessoas, na multidão que os aguardava, sem acreditar na euforia de todos, no modo como cantavam, erguia as mãos e super extasiada não sabia se assistia ao show no palco ou na platéia. demais!

impressionada também com a quantidade de policias para aquele show. é como se aguardassem a qualquer momento tiros, brigas ou violência. criminalização, imagina é impressão. no dia seguinte, as notícias. a virada ficou marcada pela violência. divulgado mortos, esfaqueados, arrastões e toda confusão quando mais pobres ocuparam o espaço, a virada. apontado que noutras edições não teve confusão. e concordo. não teve confusão, não tinha tanta gente, não tinha rap e pobre, e principalmente tinha policiamento em toda área, coisa que não existiu nesta. quem foi viu o descaso, o abandono e o foda-se da segurança pública para o que estava acontecendo.

sugerido a partir daí o veto a bebidas a criação de tapumes e não sei quantos mil policiais. só faltou vetar o rap e pobres né. o interessante é que quando se trata de gerir segurança pública para evento global em espaço público tudo funciona, até demais. se cabe uma sugestão para próximas distribuir e garantir que eles compareçam aos locais já está de bom tamanho, pode até disponibilizar bases de policiamento e primeiro socorros  para glicoses na veia em principais trechos, palcos. por falar em segurança, por acaso você não viu um senhor de 47 anos, aparentemente magro e alto, pai de 6 filhos e negro? sei que é distante mais ele mora na rocinha viu por aí, viu não? poxa, então tá.

para próxima edição, divulgar mais poesia, incentivo a leitura nos palcos, teatros, não focá-los em regiões afastadas como sescs e outras áreas. teatro de rua é muito bom, sarau tem vários de qualidade sem tamanho. não querem estourar  o orçamento ou ser alvo de críticas que ninguém jamais o fez noutras viradas sugiro a quem já é conhecido apresentar alguém que esteja começando, apadrinhar mesmo e ser menos zoião e doar alguma coisa, pode ser ou é pedir demais? para maior adesão de pessoas de várias regiões que neste dia o transporte seja catraca livre, bora facilitar a vida. hoje comprovei as pessoas saem de casa de regiões afastadas com dinheiro contado.

enfim, mil possibilidades. dentre tantas, uma, mais mulheres cantando rap na virada por favor.tem várias: karol conka a lady do rap além de simpática e com voz bonita é super divertida, tem a flora neguim desse jeito cê me deixa loca, só precisa melhorar o clip no mais, yzalú riqueza total em voz e violão. não resta dúvida a cultura é mais que roupa e tendência, o rap é mais que ritmo, maior que moda e globo não tenta, não inventa, se contenta com a sessão besteirol de sempre, arrombada.
o rap saindo da criminalização quem ocupa o lugar? dou um doce se adivinhar, te falo noutro dia, com menos palavras porque eu tenho mais o fazer da vida, te garanto. como saber onde está amarildo? onde?

sábado, 27 de julho de 2013

Eis

Cada um lida com a vida como quer ou pode ou aguenta. Uns acreditam no psicanalista, outros acreditam na mãe de santo. Uns leem livros de autoajuda, outros leem a Bíblia ou Nietzsche.  Uns vão à missa, outros vão ao culto e outros ainda vão ao puteiro. Uns se viciam em crack, outros se viciam em fluoxetina. Uns creem em deus, outros creem na ciência. Uns idolatram o papa, outros idolatram a Lady Gaga. Uns fazem yoga, outros fazem boxe. Uns andam de carro, outros andam de bicicleta. Uns são conservadores, outros são progressistas. Uns comem carne, outros não comem animais. Uns são heterossexuais, outros são homossexuais e outros ainda são bissexuais. Uns se calam, outros falam demais. Num sábado frio como hoje, eu prefiro achar que todas essas escolhas se equivalem e tenho uma profunda preguiça de dizer qualquer coisa para o mundo.    

egopress*

no ano passado, enrolada em uma crise "institucional" que me ameaçava com sua sombra de dor, tomei algumas resoluções. não é preciso dizer que essas resoluções cumpriam o papel de me colocar de volta num lugar que me fizesse bem. quando se sofre, a sensação é de que o mundo nos foi roubado. eu dizia que não era sofrimento, mas um mal-estar profundo. mal-estar dá trabalho. e nada me aborrece mais do que a sensação de estar dando trabalho para mim mesma. então, antes que tudo virasse um dramalhão, eu resolvi escrever.

estranho isso da escrita. se escrevo em blog, não passo de um bichinho viscoso com o ego inflado ao quadrado. é o que dizem. se escrevesse um romance, seria escritora. e poemas, poeta. eu faço parte da primeira ninhada, ainda que o blog ande cada vez mais capenga. mas também de outra, que tem a ver com a resolução::: a de escrever textos acadêmicos. ou artigos científicos, como se diz normalmente. ou ensaios, como querem os pedantes. ou como fazem os muito sabidos.

não que eu tenha qualquer ilusão. escrevi uma tese que me consumiu cinco meses, além dos quatro anos em que deveria estar supostamente lendo para - a escrita da tese. ela foi bem elogiada e pouco lida. e modéstia às favas, gosto bastante de algumas invencionices que lá estão, o que não me impediu da frustração de vê-la rejeitada por uma editora. fiz uma tentativa de publicá-la em livro que não deu certo e de vez em quando tenho ímpetos de atentar contra minha pessoa (e/ou contra a editora) quando vejo trabalhos muito mais mequetrefes do que o meu publicados com pompa e muita divulgação. não sirvo nem para uma coisa nem para outra, apesar do ser viscoso.

a resolução de escrever tem a ver com o fato de que uma das principais funções do professor universitário hoje é publicar aquilo que seria o resultado de suas pesquisas. não sei se alguém ainda lembra neste tempo da técnica de que a universidade é um lugar de pesquisa. muitas vezes, eu quero crer que não tenho propriamente uma pesquisa, e sim obsessões, paixões, que me fazem derivar de um lugar a outro. assim, eu tiro o peso e em troca tenho o prazer da escrita. 

que escrever artigos científicos é uma coisa meio besta, ninguém duvida. primeiro, escreve-se; geralmente "encolhido" por um tema. depois, ficam-se meses esperando a resposta dos editores da revista para saber se o artigo foi aceito. tipo jogo de gato e rato. de todo modo, às vezes a "coisa" dá certo. minha sorte é que, ao escrever, o que me interessa é o fato de sentir-me extremamente viva, fincada num mundo absurdamente bonito. daí que como resultado da minha resolução tem um texto meu sobre Milton Hatoum publicado aqui. E outro sobre Cristovão Tezza aqui.

E tem mais um texto neste livro da Mercado de Letras, organizado por minha amiga Marinalva (sim, às vezes o jogo de gato e rato é mais fácil,embora o peso da responsabilidade seja bem mais pesado, sobretudo para alguém que é meio obsessiva como eu).

tudo foi regado a coca-cola em noites infindas. e acho que é mais por isso que me deu vontade de partilhar. é bom quando a decisão vira. acontece. 

* "egopress" é o nome de uma das seções do blog de michel laub quando fala de algo relacionado à publicação de seus textos e livros de ficção.

** e de novo, consegui publicar somente no dia 27. Mas hoje foi culpa do fuso horário. Aqui, na mata, ainda são 23h30.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O frio e os calculistas 2

Pois bem. Passaram-se mais de dois anos e resolvo novamente falar sobre a temperatura. Sendo assim, por que não repetir o título? O texto original, o primeiro mas não mais único, vocês podem encontrar aqui.

Após essa pequena introdução travestida de viagem ao passado, vamos aos fatos. O frio novamente chegou. Não sabemos quanto tempo ele vai ficar, mas chegou. É como aquele parente distante, com o qual você não está acostumado, mas que aparece com uma mala debaixo do braço, passa a ocupar seu sofá e que você encontra, inesperadamente, de cueca e meia quando vai tomar seu café da manhã. É uma péssima maneira de acordar e deixa uma sensação de desgraça que dura pelo resto do dia.

As pessoas ficam muito criativas na hora de combater o frio. A tática de um amigo é vestir a roupa de sair por cima do pijama, pra evitar o choque térmico com o tecido frio. É possível que ele lave as mãos de luvas também, mas nunca me ocorreu perguntar. Há também a tática de lavar a louça com luvas. Não é um método 100% garantido, mas reduz em 37,8% o acúmulo de pratos sujos na pia e em 53% os términos de relacionamentos. 

Quem gosta de tomar chá pode dispensar os pires (alguém ainda usa pires, aliás) e cobrir a xícara com a mão. Funciona. Alguns esquentam as roupas no micro-ondas. Deveria haver uma opção no menu do micro-ondas, aliás. "Meias". Ficaria entre "pipoca" e "requentar comida". 

Eu ligo a água quente do chuveiro e espero algum tempo antes de entrar no banho. Sei que devemos dar o exemplo na hora de respeitar os recursos naturais, mas meu instinto de preservação acorda antes da consciência ambiental. 

Mesmo em um país tropical, abençoado por Deus (acabo de perceber que os adeptos de religiões divergentes podem aproveitar para processar Jorge Ben por indiferença ou descaso com suas divindades, mas estou divagando), está crescendo o número de lares com lareiras. Lareira é uma parte interessante da casa. Outro amigo meu costumava dizer que ter uma torradeira é sinal de status. Eu já penso assim a respeito das lareiras. Pessoas com menos condições financeiras não podem dispor de um pedaço da sala pra instalar um buraco que vai até o teto. É contraproducente. E ainda possui um custo elevado de manutenção. Você compra madeira para queimar e se aquecer. Se os ecologistas já não se incomodaram com meu pré-aquecimento do banho, certamente a ideia de quem compra uma árvore só para cremá-la deve ser bastante ofensiva. Uma opção mais econômica é esticar as mãos em frente ao forno ligado. É o mesmo conceito que reunia nossos antepassados em volta das fogueiras, mas com a inclusão da tecnologia. E sem as histórias, só a tevê.

Banheiras e ofurôs são funcionalidades com vida curta no meio da correria que é nossa vida. Claro, no princípio dissemos que vamos usá-los sempre, que foi a melhor ideia que já tivemos. Mas aí a pessoa começa a se preocupar com a conta de água. Ou então passa a achar que demora muito encher tudo aquilo. Hidromassagem é uma curtição, mas enjoa. Deitar-se na banheira tomando vinho, com uma trilha sonora cuidadosamente escolhida e um livro é algo que só funciona em filme e novela. Fora que aquilo não é banho. Quero dizer, você entra sujo na água limpa, que passa a ser suja, e ainda quer ficar limpo. Aí levanta e toma uma chuveirada. E aquele elefante de porcelana branca fica ali, acumulando poeira e zombando dos seus sonhos de grandeza de outrora. 

O frio também aproxima das pessoas. Uma amiga diz que isso acontece com mais frequência no calor, porque usa-se menos roupas e bebe-se mais cerveja, mas eu já acho que as pessoas só querem uma desculpa para se enroscarem debaixo dos lençóis. E no frio. Sim, no frio. Porque o calor não foi feito pra ninguém dormir junto. Meu corpo resolveu que o melhor é acompanhar as tendências. Durante o verão ele hiperaquece e sofro pelo simples fato de estar calçado. No frio minha temperatura corporal deve ter começado a baixar de uns anos pra cá, porque passei a sentir muito incômodo. Dizem que velhos sofrem mais com baixas temperaturas. Se já é assim agora, aos 70 anos vou enfrentar uma Era Glacial particular.

Para terminar, vou revelar um segredo para dormir bem no frio. É só ficar acordado o máximo de tempo possível. Por volta das duas, três da manhã, você vai estar tão cansado que vai simplesmente deitar e pegar no sono. Por sinal, vou colocar essa em prática agora mesmo. 

.: Adriano :. todo feliz por ter um poncho. E nem um pouco preocupado por parecer um mendigo

terça-feira, 23 de julho de 2013

Bye Bye Baby Bye Bye

20 dias sem Você.
É tão estranho. Sinto como se ainda estivéssemos juntos...
Você continua sendo a minha senha do email. Não quero mudar, tenho medo de te esquecer.
Mentira. Eu não esqueci os que vieram antes de você, como te esqueceria? Não quero mudar para não admitir que te perdi.
Você foi meu primeiro zero.
Você era lindo demais pra mim. Completo. Perfeito. Todo meu. 
Lembra de como tremi quando te tirei da concessionária? Não podia acreditar na sorte que estava tendo. Achei que você era demais para mim. 
Que eu não te merecia. Que eu não daria conta.
Acabou dando certo. Nos entendemos. Nunca te bati, nem te bateram. Em 5 anos.
Você foi embora intacto.
Você fez a minha mudança quando saí da casa dos meus pais. Me levou pra casa quando terminei meu namoro. Me levou para o curso quando resolvi mudar de carreira. Me levou para todos os empregos malucos que eu arranjei. Me levou para o hospital quando tive apendicite. Nunca reclamou. Sempre esteve lá. Como um melhor amigo.
Queria te agradecer por ter me protegido naquela manha fria e úmida, há 20 dias atrás, e por todas as outras anteriores. Queria te pedir desculpas por ter te deixado na rua, por não ter cuidado tão bem de você como você cuidou de mim. Eu pensei que você fosse meu. Eu queria que você fosse só meu.
Sinto sua falta. Sempre sentirei.
Obrigada.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pedro e Bianca



Pedro e Bianca é a mais nova série da TV Cultura, de São Paulo. 

Acabei descobrindo a série por acaso e resolvi assistir porque duas coisas me chamaram a atenção logo de cara: a primeira delas é que um dos criadores é nada mais, nada menos que Cao Hamburger, conhecido por ser diretor de ótimos trabalhos como "Castelo Rá-Tim-Bum" (para a própria TV Cultura), "O ano em que meus pais saíram de férias" e "Xingu" (estes para o cinema). A segunda foi o fato da série ser gravada na Escola Estadual Alberto Torres, escola em que minha mãe estudou nos anos 50 e que fica no bairro do Butantã, a uns 10 pontos de ônibus do prédio onde habito.

Pedro (Giovanni Gallo) e Bianca (Heslaine Vieira) são dois irmãos gêmeos, de classe média baixa, que vivem na periferia de São Paulo. Até aí tudo bem. A peculiaridade desta família logo é percebida, no entanto, quando percebemos a total falta de semelhança entre os dois irmãos. Numa possível, porém improvável coincidência genética, Pedro é branco como a mãe (Gorete Milagres) e Bianca é negra como o pai (Thogun Teixeira). Outra idiossincrasia desta família é o fato do pai ter sofrido um acidente em seu trabalho de eletricista e sofrer algumas descargas de eletricidade quando fica nervoso.

Pois é, mas não pensem que Pedro e Bianca é uma série pós moderna cheia de personagens com poderes especiais. Não. A cota de fuga do cotidiano se resume aos dois casos já citados. Todo o resto de Pedro e Bianca é bem palpável, bem humano até. E esse é o maior trunfo, o maior diferencial da série em relação a outras produções semelhantes. A começar pelo fato das cenas serem gravadas numa escola pública, com problemas de escola pública, tendo por figurante os alunos da própria escola e tendo por pauta problemas vividos, de fato, por estudantes de escola pública.

Até mesmo em produções da própria TV Cultura, o tema "escola" quase não aparece. Em "O Mundo da Lua", Lucas Silva e Silva (Luciano Amaral) frequenta uma escola particular e que quase nunca é citada. Em "Castelo Rá-Tim-Bum", Pedro, Biba e Zequinha (Luciano Amaral, Cinthya Rachel e Freddy Allan) apenas se referem "que foram à escola hoje", enquanto Nino (Cássio Scapin), do alto de seus 300 anos, não frequenta escola alguma. Na Rede Globo temos, há quase duas décadas, a novela "Malhação", mas esta está longe, muito longe, de representar a realidade do jovem de periferia. As demandas são definitivamente outras.

Em Pedro e Bianca, temos a dificuldade de conciliar o trabalho com os estudos. Temos as possíveis tensões que podem ocorrer diante da chegada de um estudante que acaba de sair da Fundação Casa. Temos o traficante que tenta tirar vantagem da falta de dinheiro dos estudantes da escola do bairro. Temos retratados problemas que bem poderiam ser os da escola em que estudávamos ou da escola pública ali da esquina.

É isso. Tenho medo de sair contando mais coisas e estragar possíveis surpresas.

Pedro e Bianca é indicado para adolescentes e para interessados em adolescentes (me refiro aos educadores e não aos pedófilos). Como não é lá muito divulgado, acredito - temo - que poucos sequer saibam de sua existência. Então, vamos lá: Pedro e Bianca é exibido pela TV Cultura, aos sábados e domingos, às 14 horas. Para os que não assistem TV, todos os episódios podem ser vistos no site da TV Cultura: http://tvcultura.cmais.com.br/pedroebianca/episodios/exibidos

Para dar uma amostra, segue o primeiro:



É isso.

Um abraço e até 22 de Agosto,

Felipe Lários

domingo, 21 de julho de 2013

O sorriso fez lembrar!

Havia sido um dia daqueles.

O dia no primeiro trabalho havia sido cheio.
Não reclamava, porém! 
Muito pelo contrário, agradecido estava por ter saúde para labutar todos os dias!
Para que pudesse realizar seus sonhos, estava em duas ocupações: Uma de noite, outra de dia.

Naquela noite chuvosa, após um trajeto de sua casa até o centro da cidade, lá estava ele.
Estava feliz, pois descobrira uma nova amiga, super agradável! Adorava estar na presença dela!
Uma menina super comunicativa e sorridente!

Enrolava uns minutos com ela, em frente à Igreja Matriz da cidade, pois seus horários de compromissos coincidiam. Ele pro trabalho, ela pros estudos.

Terminada as formalidades com o famoso "tudo de bom pra você", de ambas as partes, lá ia ele.

Acontece que no caminho, vislumbrou uma figura que o levou à uma viagem, anos atrás!
Uma moça, à época uma menina, e agora uma mulher, cruzou seu olhar com o dele, sorriu e o cumprimentou.

Se viu num  passado distante, num evento no qual participava ,onde a menina em questão aos prantos, chorava copiosamente.
Quanta simpatia! Ela lembrou dele! 

E ele dela, claro!

Que legal!
Quanta lembrança um sorriso pode trazer!

E o mais engraçado, era que ela não havia perdido a jovialidade, típica dos adolescentes.

Começou a pensar... "Qual era mesmo o nome dela?! Carla, talvez?!"

Assentiu que sim, que esse era o nome da moça em questão.
Sorriu, e assim foi pro serviço.

Pensou numa música que o remetesse ao passado, de lembranças boas de serem lembradas, colocou o player no repeat, e começou a digitar o texto que você lê agora!

Pronto.

Agora é só editar o texto, encontrar uma imagem, embutir o vídeo e programar a publicação para o dia 21!



sábado, 20 de julho de 2013

As oito sagradas

Este é um post agendado. Optei por um tema secular, que infelizmente não vai mudar do dia que escrevo até hoje e fico na torcida para que nada que mereça um texto exclusivo aconteça nesses dias.

A recente paralisação das centrais sindicais, realizada dia 11 de julho, não chegou a ter a magnitude desejada por seus organizadores. Foi um vislumbre perto das mesmas ações organizadas na década de 80, em boa parte pelo partido que hoje está no poder. Mas na pauta estava a velha luta pela redução da jornada de trabalho.

A maioria dos trabalhadores brasileiros segue a jornada de oito horas diárias, que costumam ser sagradas, intocáveis. Essa carga foi uma vitória histórica. Em plena revolução industrial, quando funcionários esgotavam suas forças em jornadas de dezoito, por vezes vinte horas diárias, os trabalhadores se organizaram para que, com muita luta, o dia fosse dividido em três partes, sendo um terço dedicado ao descanso, um ao trabalho e um ao lazer.

Parecia um sonho. Quem mal tinha tempo para dormir ganhou tempo até para o lazer, antes coisa de rico. E seguimos com o logro dos operários da época pós-revolução industrial. Mas essa tripartição do dia continua justa?

A atual carga horária foi pensada em uma época em que as pessoas em geral estudavam muito menos do que hoje, já que boa parte da população exerceria funções básicas, que não demandavam grande especialização. As vilas industriais concentravam os empregados ao redor da indústria em que trabalhavam – em alguns lugares isso ainda é bem perceptível, como na região do Brás, em São Paulo – e o tempo gasto de casa ao trabalho era de poucos minutos.

Para quem trabalha não é muito difícil fazer a comparação com a realidade atual. Dormir oito horas por dia é um privilégio que muitos conseguem realizar, quando muito, nos fins de semana. Em grandes cidades é comum passar algumas horas no trânsito ou transporte coletivo para chegar ao trabalho, depois de completar a jornada é hora dos estudos, por vezes um bico para reforçar a renda. Algum imprevisto, problema a ser resolvido ou contratempos eventuais devem ser descontados de nossa cota de sono ou lazer (se é que ainda sobra algum tempinho para isso).

As oito horas de trabalho são completamente sagradas, até mesmo a hora de almoço é separada, fazendo com que muitos permaneçam nove horas diárias no local de trabalho, todo o resto deve ser encaixado no tempo que seria reservado ao descanso ou ao lazer – os estudos sequer tem um tempo “oficial” nessa divisão.

Voltando às grandes indústrias, onde a produção de manufaturas era dominante, alguém teve a brilhante ideia de emendar um feriado que caísse na terça-feira, trabalhando um pouco a mais nos outros dias para compensar a quantidade de manufaturas que deixassem de produzir na segunda-feira.

O curioso é que atualmente estendem essa reposição de horas para setores que não produzem bens materiais, ou seja, lojas permanecem abertas por mais tempo para compensar o dia que ficaram fechadas, escritórios abrem mais cedo, mesmo que isso não reflita em mais clientes atendidos. Já presenciei o absurdo de faxineiras serem obrigadas a compensar as horas de trabalho. Teriam que limpar mais para que o ambiente ficasse limpo por mais tempo?

O domínio do patrão sobre o empregado vai além do tempo, se estendendo também ao espaço. Apesar do trabalho também ter potencial para ser um ambiente de socialização – não fosse o ambiente predatório que muitos lugares insistem em cultivar – em boa parte dos cargos já não é necessário que o funcionário esteja presente fisicamente.

Muitas tarefas podem ser feitas por computador e enviadas online, sendo indiferente se o empregado está na sala ao lado ou deitado em uma rede em Trancoso. Mesmo assim a presença física continua obrigatória, fazendo com que muitos empregados se desloquem diariamente, superlotando vias e coletivos desnecessariamente. Não basta que o serviço seja cumprido, deve haver também a supervisão do chefe, o controle do horário, a relação de posse por parte daquele que comprou a força de trabalho e quer utilizá-la ao máximo.

Como disse no início, essa insanidade não deve mudar em pouco tempo. Infelizmente estamos mais suscetíveis àqueles que têm a coragem de defender a flexibilização das leis trabalhistas. Não basta o direito de usar as oito horas que compram de nosso dia, querem fazer isso com todo o rigor e com leis mais flexíveis (ao patrão).



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sem X no tabuleiro da morte

A MORTE é o primeiro recurso diante da crise. Sem corpo nem véus escuros, ela se apresenta quando parece que não existem saídas para a dor ou o vazio. A morte é a desistência humana para cada instante que deixamos de estar aqui, em presente do agora, prontos a fazer uma escolha e, alheios aos destinos de um passo dado ou de uma frase dita, recuamos diante das consequências: nossos destinos.

Então a morte manda um beijo e um até logo...  e faz um “xizinho” no tabuleiro.

A maioria - a maioria é gente - acha tédio ficar em cima do seu cavalinho, decidindo o que é e o que resulta da sua existência. Deve ser um saco se deparar com a frustração de viver sem sentido, guiados pelo desejo social do “angario” e pelos “modelitos” visuais do momento.  

De fato todos – nenhum de nós escapa – tem sua referência de comportamento, seus deuses, seu cartão de crédito.

Yo mismo, quando descobri minhas próprias asas, confiei na direção do vento e na temperatura da sombra ou da luz para me decidir em algumas situações. O olfato para descobrir os perigos. O olho grande aberto para resolver a bifurcação. A paz para me achar no caminho. E a simplicidade para aceitar ou rejeitar minhas decisões e suas consequências.

Até hoje dá certo – ao menos para mim – desse jeito... porém a vida e os homens pedem mais do que isso.

Quando se pensa na vida, olhando para trás, não temos escolha, sabemos exatamente o porquê de estarmos neste lugar, humano e temporal. Cada exato segundo, sem julgamento, pertence a este nosso corpo, a esta nuestra vida nossa. Aceitar essas condições é essencial para abraçar a morte, lhe dar um beijo e vê-la partir na maior paz.

Somos feitos de escolhas: nossos passos dados, nossas frases ditas.  

[música para continuar lendo] 




Até que um dia chega um filho, não importa os fluxos que nos levaram até eles. Todo feito e todo discurso, cobra um novo sentido e mais, novas consequências. Neles que se tem um reflexo daquilo que fomos quando crianças e neles que vemos nosso espelho de futuro. Qualquer alegria é dupla. Qualquer tristeza é imensa. Toda dor é gigantesca. O amor, infinito.

A morte então vira parceira porque os instantes, todos, são indispensáveis, únicos, esplêndidos e a “gente” vive – com dois ou mais corações – como se não houvesse depois, nem amanhã. Tudo é agora, dádiva.

Então a morte se desvanece; se desfaz em sorrisos e choros. Em brincadeiras. Insônias. Pequenos bocados feito aviõezinhos. Em filas, festas, frestas de sol brilhando no escuro de um quarto. Na pessoa que a partir do começo, aberta as pernas e a vida, caminhará lado a lado até certa despedida. Única despedida que, mesmo que dura ou sombria, não conhece a morte na sua partida.

Padre es hijo... y viceversa.




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quarta-feira, 17 de julho de 2013

View

Maybe I just want to fly
I want to live, I don't want to die
Maybe I just want to breathe
Maybe I just don't believe
Maybe you're the same as me
We see things they'll never see
You and I are gonna live forever
A nossa cabeça é algo complicado de entender, quando eu imaginava em ter a minha casa nunca pensava em decoração, localização ou mesmo tamanho. O que me movia era a possibilidade de andar nu pela casa, sem preocupações.

Depois você descobre que isso não é possível quando se mora no 7o andar com a janela da sua área de serviço em frente a janela do quarto do seu vizinho.

Como sonho é sonho, talvez seja necessário mudar de casa.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Who you gonna call?



Os fantasmas que podem atrapalhar sua vida não são aparições de gente morta vestindo lençol com furos no lugar dos olhos, loucos para puxar seus pés. São, na verdade, espectros hipotéticos de pessoas ou situações que sua mente cria e adora responsabilizar por tudo o que dá de errado.

É a mania de se achar a vítima de uma conspiração internacional. As crises infundadas de ciúme. O pote de sorvete que fica te chamando lá do freezer, no segundo dia de regime. O receio de conviver com alguém que tenha uma orientação religiosa, política ou sexual diferente da sua...

Todos nós temos tendemos a querer jogar nos outros a responsabilidade por nossos fracassos. E nada melhor do que fazer isso com algo ou alguém que não pode se defender, não é mesmo?

O problema é que essas desculpas só são convincentes para aqueles que as inventam. Para os outros que te vêem penando com almas penadas sem ao menos procurar ajuda, você é apenas patético. E se você faz o tipo patético, meu caro, pode começar a aprender a brincadeira do copo, pois seus fantasmas imaginários são os únicos que permanecerão para ouvir suas lamúrias.

domingo, 14 de julho de 2013

Tratado de/ Manifesto de Tordesilhas

(Algodão, uma planta brasileira?)

- Quem descobriu o Brasil foram os ingleses! É. Não foram os portugueses.-"aqueles caras"
-Como assim? Então mentiram para mim na escola e na faculdade? Tá bom, talvez eu não tenha prestado atenção naquelas aulas....-"o sentimento de culpa"
-Quem descobriu foram os índios!-"a vermelha cor de rosa"
-E os holandeses?-"nordestinos"
-Foram os portugueses! As caravelas! Peludos, barbudos, cheios de roupas e coroas. E padres!-"a lembrança da escola"
-Foram os japoneses! Ou chineses! Eu nunca consigo diferencia-los muito bem....os koreanos também....enfim, os índios tem olhos puxados e tal...-"a tentativa"
-Puta como a gente é burro!-"ela"
-E vc acha que alguém sabe? Claro!Os professores universitários sabem..... Ah, tá!-"aqueles caras"
-Os índios.....-"nostálgico"
- A gente não sabe é de nada. As histórias são uma mentira política. Você precisa acreditar em algo para ser controlado -    "pensa que é ateu"

- Não foi descoberto por ninguém, ainda. Ou foi descoberto e escondido e descoberto de novo a muito tempo atrás. Escondido atrás de folhas de bananeiras, protegidos por jiboias e coros de cigarras. - Eu.

-Ainda não foi descoberto. Ainda nem nasceu. Dorme em tantas utopias universais. O Brasil não existe. É uma metafísica. Um aroma. Um desenho abstrato. Uma vontade.- Eu mesma.

- Brasil é uma ideia nazista, fascista, nacionalista, europeia...Racista e homofóbica! O Brasil ainda é uma colônia. O Brasil ainda está no mapa. Em alguma garrafa. Boiando em algum oceano. Em um sonho de uma criança do futuro.- Eu.

- Ah mas o que está por traz da nação? O que você está procurando? O que é puramente brasileiro? Havaianas? Feijoada? Batata, algodão, cravo-da-índia? Poodles, Puggys? Girassóis?-Eu mesma.

-Não importa! Tudo hoje é coca-cola, leite moça, carne de soja, Mac......sei lá. Não sei para o que isso importa efetivamente.....
Digo, isso não dá dinheiro, dá? Nem como literatura, né?-Eu.

-Acho que isso é a coisa mais importante do mundo. A nossa identidade, sem separatismo, nem "sectarismo". Somente o subjetivismo, a idiossincrasia......A história dos indivíduos na galáxia, sem sentimentalismos.....-Eu mesma.

-Tá, mas eu realmente não estou segura do quanto vale a pena falar sobre isso em um blog às 22:58.

Pessoal: meu dia foi ótimo! Eu espero que vocês tenham tido um ótimo domingo. Acordei tarde. Improvisei uma salada de fruta. Fui no mercado. Almocei sopa de bardana. Recebi meus tios. Assisti uma aula de bolo de cenoura. Ouvi música. Ouvi. Abracei. Beijei. Conversei.Dei risada. Comi e bebi! E desisti de postar um texto falando da minha semana de alta gripe.   

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A boneca da Nicarágua


O caminho da ida todos conhecem.O bebê que nasce e cresce,mas e o caminho de volta?
Tenho uma amiga psicóloga que diz ser verdade aquele mito de pais que `cristalizam´ os filhos até os cinco anos.De tanto observar,cuidar,vigiar para que nada aconteça a criança os pais ficam com essa marca no cérebro,depois não conseguem mais fazer a transição a vida adulta dos filhos,eles serão sempre aquelas crianças desprotegidas de cinco anos.

Mas do caminho de volta pouco se fala.Nas últimas semanas eu entrei nele.Do nada,sem aviso prévio,meu pai ficou confinado a uma cama.Eu digo meu pai,mas não reconheço ele ali.O meu pai era alto,grande,independente e saudável.Agora só sei que é meu pai porque a voz é a mesma,mas o corpo não.Frágil,pequeno,magro,delicado,uma sombra do que foi.Parece isso na cama,um desenho,uma sombra.

Esse caminho de volta eu não escutei ninguém falar.Os pais falam dos filhos pequenos que crescem,mas as pessoas não falam dos filhos que viram adultos e são obrigados a assistir os pais se desmanchando como se estivessem feitos de fios que ficaram velhos e vão se rompendo sozinhos.
Pra mim parece a pior coisa da natureza.Tenho um sobrinho e ver ele crescer é uma alegria enorme,mas esse outro lado da natureza eu não conhecia,ver alguém murchando,definhando como se fosse uma flor que chega ao seu fim.
Vi minhas avós passarem por isso,mas desde que eu nasci elas já eram velhinhas,não conheci elas no auge.Meu pai não,eu conheço desde que nasci,sempre foi forte.
Em uma situação assim o passado vira futuro e o presente vira passado.Tudo se mistura,tudo muda de maneira dolorosa.

Os pais lembram dos filhos pequenos quando carregavam eles,mas nós filhos também lembramos quando erámos carregados,e quando se é criança os adultos parecem gigantes,é essa imagem que fica na memória da maioria,eu lembro do meu pai como um homem grande e forte que me carregava,por isso reconhecer como está agora exige de mim muito mais do que puxar as lembranças,mas de segurar minha alma,minha vontade de gritar e chorar todos os dias por ver tanta fragilidade em uma só pessoa.

Ontem meu pai me contou uma história que eu já escutei mil vezes.Ele era jornalista e foi cobrir a guerra na Nicarágua.Quando voltou me viu no aeroporto,esperando por ele,e lembra de mim com cara de sono e um vestidinho jeans com umas flores vermelhas.Não eram flores,eram morangos que minha mãe bordou.
Também lembro bem desse dia,tinha alguma coisa no ar,minha mãe nervosa,todo mundo estranho e me tiraram da minha casa de noite,coisa rara de acontecer.Lembro quando meu pai chegou e me carregou,me deu um presente,uma bolsinha de palha,onde estava bordado:Para Iara da Nicarágua.
Só lembro dessa parte.Mas meu diz que eu olhei para ele frustrada e disse-Cadê a boneca?
Ele prometeu me trazer na próxima viagem.Disso eu lembro,eu adorava bonecas e meu pai tinha me prometido uma `boneca da Nicarágua ´.Eu tinha quase cinco anos,não sabia nem o que era um país,nem uma guerra e muito menos o que era Nicarágua,mas achava que deveria ser uma boneca incrível,porque o nome dela era bonito,`uma boneca da Nicarágua ´.

Nas últimas horas e no relógio que resolveu parar tenho pensado muito nisso.Na rapidez de tudo,na lentidão do nada.Pode ser um calvário de um mês,pode durar dez anos.Mas nenhum filho merece acompanhar.Imagens deveriam ser preservadas,amores conservados e não deveríamos jamais ver alguém que amamos sofrer tanto.
Eu me esforço todos os dias que passo ali para não gravar nada na minha memória.Não quero essas imagens,não reconheço quem está na cama,não foi esse pai que eu aprendi a amar.Se eu soubesse que pelo menos ele vai melhorar,a dor seria menor,mas sei que não,já fui avisada que a descida é um caminho sem volta,o tempo no corpo a gente não cura,a medicina não ajuda em nada.

O que me cerca eu me recuso a deixar na mente.Não sei o dia,nem a hora,nem a década,não tenho a menor idéia de quando meu pai fará sua transição,como filha o máximo que posso fazer é ficar ao lado.Mas já resolvi no coração que não vou lembrar dele assim,não vou ter na memória a imagem de um homem como ele morrendo lentamente em uma cama.

Quando ele voltou da Nicarágua e me trouxe a bolsinha de palha me prometeu trazer a boneca em outra viagem.Semanas depois disso ele foi chamado a Nicarágua novamente e lá fui eu para o aeroporto.Lembro bem quando ele me carregou no colo e disse que ia trazer minha boneca e eu fiquei feliz.
Ele caminhou para o portão de embarque,se virou,se despediu e sumiu no meio daquele monte de gente.Eu fiquei parada ali,com o coração cheio de alegria,porque quando ele voltasse eu ia ter a minha `boneca da Nicarágua ´.
Lembro até da roupa que ele usava esse dia.Agora tatuei essa imagem na alma.O dia que ele mudar de planeta,eu vou lembrar desse momento no aeroporto,vou ficar de novo no mesmo lugar,ali,parada,esperando ele voltar por mim.Porque eu sei que quando ele voltar por mim dessa vez ele vai trazer minha boneca.E eu vou esperar por isso,nem que leve mil anos.Quero ver meu pai de volta,quem eu conheci e finalmente ter minha `boneca da Nicarágua ´.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cada Pingo em Seu "i"

E atendendo ao telefone disse um “Alô” ainda ofegante:
- Alô! – respondeu ríspido e continuou – Foi você quem escreveu aquela carta?
- Ah! Fui eu sim... Você não gostou?
- Não, não gostei! Sinceramente, nunca li uma carta tão sem sentido como aquela! Não havia vírgulas, acentos, pontos ou qualquer coisa que expressasse algum entusiasmo, uma exclamação talvez. Sequer havia dois dedos de parágrafo no início de frase, e se por tratar de início, letra maiúscula era luxo! Aliás, até tentei adivinhar onde ficavam as frases daquele texto enorme cheio de palavras soltas, mas havia tantos erros de gramática que não conseguia pontuar tudo aquilo e ver tantas tragédias gráficas passando por meus olhos. Se aquela carta fosse um espelho, teria se partido com tantas caras horrorizadas que fiz durante a penosa leitura, que por fim, não fez sentido algum. Sua capacidade de expressar em palavras qualquer coisa deve ser no mínimo medíocre. Não sei nem porque eu liguei para você. Não consigo crer que tive coragem de ligar. Mas, já que estamos aqui, o que você tem a me dizer?
E chorando ao telefone, ainda em soluços, manteve se em silêncio por um ou dois minutos quando resolveu responder-lhe:
- Todas as vírgulas e pontos que não foram em sua carta estão aqui. Meu objetivo principal foi fazer com que você me desse uma chance de entregar-lhe. Creio que minha estratégia funcionou. Pois agora tenho você ao telefone pedindo todas as acentuações que lhe é de direito, e eu, estou disposta a entregar-lhe. Com uma única condição: Quero estar ao seu lado quando começar a distribuir as pontuações, pois só eu sei a hora em que eu tenho que colocar exclamações na parte do “EU TE AMO”!
Encontre mais no livro Rascunhos Vivos 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Cálculos

Não sei escolher uma boa centrífuga. Nem tampouco fazer o temível nó de uma gravata. Também nunca acertei todas as “garrafinhas” do boliche. Também não sou bom em fazer contas de cabeça. Sempre fui ruim com cálculos. Às vezes até erro na calculadora (risos tímidos). Mas depois que te conheci, aprendi as operações matemáticas de uma forma diferente. Você me ensinou a somar nossas ideias, você me ensinou a subtrair meus medos de estar ao seu lado, pois você tem o dom de multiplicar emoções e esperanças; sem esquecer de não mais sofrer sozinho, porque você me ensinou que a dor de amar precisa não só ser dividida na cama, mas também no sorriso de manhã cedo com um “bom dia”. Confesso que há dias que me dá vontade de jogar pra cima os números, as operações, os medos...sei que não sou bom e vou errar novamente. Aí vem você e me diz: “errar dá medo, não nego, mas é necessário, para que você permita quebrar essa capa e eu possa entrar e fazer você feliz assim: sem cálculos”.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Três Bebês ( história verídica )

  Fora a neta já adulta, visitar a vó que morava sozinha.

  A vó entre as suas histórias, contava seus tempos de moça, e pegou uma caixa grande meio enferrujada, cheia de fotos soltas, a maioria ainda em branco e preto. Quando moça, era parteira, e tinha de lembrança fotos com os bebês que ajudara a nascer.
  
Uma das fotos era dela segurando três bebês, e essa foto fez a neta perguntar:

  - Vó que foto é essa?
  - Ah! Essa foto é de quando a mulher deu a luz a trigêmeos!
  A neta olhou a foto novamente, e duvidando da lucidez da vó e insistiu:

  -Mas vó... Como trigêmeos, se são dois bebês brancos e um negro?
  Riu a vó, da inocência da neta, apontando para a foto:
  - É que esses dois estão vivos...

domingo, 7 de julho de 2013

Sobre o século

Os textos tem escorrido em pensamentos que passam. Mas esse aqui ficou. De como a gente não pode negar-se ao próprio tempo, época, realidade, local.

Se a palavra desse começo de séc. XXI é projeção, vamos usá-la, dialogar com ela, quentioná-la, transfigurá-la sem esquecer seu significado real. Seja ele bom ou mal.
Não adianta ficar fazendo charme de quem não quer pertencer, como se fosse de outra época, realidade, tempo, local.

As coisas estão no mundo.