Mostrando postagens com marcador Ana Guimarães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Guimarães. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2010

Não há o que lamentar quando chega o fim do dia





terça-feira, 11 de maio de 2010

Soares da Cunha


Tenho um punhado de netos
Que acho o maior dos baratos:
São lindos quando estão quietos
E sorrindo nos retratos...

domingo, 11 de abril de 2010

Dando uma limpa no armário

Eu adoro a diversidade, a possibilidade de mudanças, mesmo que diante de dois sorvetes de sabores diferentes eu não consiga escolher e fique com um de duas bolas. Acho fantástico poder escolher, e isso desde um simples par de sapatos ao Presidente da República, duas tarefas difíceis, mesmo com tanta discrepância de alternativas. Tenho mania de comprar três vestidos iguais, de cores diferentes, pelo simples prazer de poder escolher depois, entre uma roupa que me deixa bonita, a cor que me cai melhor naquele dia. Para isso preciso também de bolsas, cintos, sandálias, tiaras, brincos, lenços, tudo aquilo que combine ou não, mas sempre é necessário escolher. E escolher toma tempo. É um processo que começa nas vitrines das lojas, nas revistas entregues em domicílio, nas propagandas da televisão. Com o tempo nós sabemos bem aquilo que mais nos agrada, o melhor modelo de calça, blusa, calcinha ou tênis. Aquela fôrma é grande, o outro modelo é pequeno. Determinada marca passa ser a preferida. Assim também acontece nos relacionamentos. No mundo existem milhares de pessoas em exposição: nas ruas, nos escritórios, cinemas, bares, ônibus, danceterias. Olhamos todas, queremos algumas e acabamos ficando com uma. Depois da escolha, levamos para casa. Umas estragam com o tempo, deixam de servir: engordamos, elas encolhem. Outras nós perdemos, emprestamos, não pegamos de volta. Mas aquelas que são preciosas, que nos são caras, exigem um cuidado especial, e mesmo que o tempo (muito tempo) passe, não perdem seu valor. São básicas, nos servem sempre. Rasgam aqui, desfiam dali, mas a gente não "encosta". Não deixa de vestir, não deixa de usar. Se estraga, mandamos consertar. Se suja, mandamos lavar. E elas ficam para sempre, viram relíquia, viram lembrança, viram passado, presente, futuro. Combinam com tudo. Combinam com a gente.


Juliana Morais

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Porque normalmente eu falo demais, mas às vezes de menos

Palavras são as coisas mais sensacionais que existem, são um caminho pra quase tudo. Mas não pra tudo. Onde a palavra silencia, aí sim se encontra o ser humano. E é aí que me encontro. Sem palavras, talvez por tê-las todas mas nenhuma me servir.
.
.
.
.
.
.
.
.

domingo, 11 de outubro de 2009

Cidade Invisível

From: “Lenora Guimarães”
To: “Ana Guimarães”
Date: Sat, 11 Oct 2003 22:43:36 +0000
Subject: Cidade Invisível

Nesta cidade o nascimento é comemorado de um jeito especial - é possível sentir na pele o calor dos ausentes; o perfume preferido que exala da nuca escondida sob os cabelos ou revelada pelo prender dos fios com fitas coloridas; o hálito fresco da hortelã colhida de manhã cedinho e o frescor orvalhado da pele que sedosa toca a face no abraço afetuoso. Presentes são desembrulhados enquanto da folha de seda azul do firmamento saltam estrelas e giram planetas que, freneticamente alguns, lentamente outros (como aqueles de órbitas lentas), vão trazendo lembranças dos anos vividos. E surgem, trazidos em bicos de pássaros, pequenos cartões de onde borboletas coloridas alçam vôos. E é possível escutar estalos de beijos nascidos das pequeninas bocas vermelhas tantas vezes carimbadas amorosamente, ao lado de ramalhetes de flores miúdas que exalam perfumes ainda não nascidos. E é assim, que nesta cidade, os aniversários são comemorados numa grande festa, com os ausentes presentes, vindos em bandos, um, dois ou mais. Eles chegam de mansinho, através das pálpebras entreabertas que sonham rastros de sete luas, vindos de todas as direções. Os doces, com sabor de azuis e rosas são degustados ao som de verdes e dourados. Como os tons das roupas dos anjos pendurados na cabeceira e que a cada vez que se celebra mais um ano acompanham o encontro especial na viagem que se faz à Fonte do Pai. Lá, nutrem-se aniversariante e queridos do que há de mais sublime - o Verdadeiro Alimento que o sustentará por mais um ano. E nesta viagem que se faz leve, leve, sem bagagem, sem sobressaltos, mesmo aquele de corpo murcho e manco não encontra obstáculos. É fluxo a viagem, entre tons e sons - pacificada e feliz.
E é assim que nesta cidade, os encontros de aniversário terminam sempre com a e-in-vocação – voltando-se para o poente (que fica depois da entrada do lado de dentro do peito) – do mantra maior: AMOR.

Gatinha querida. Você não deixa de ser responsável pelas últimas inspirações. Parece que desde as musas distantes, passando pelos amores impossíveis, recria-se o Amor, no desejo da Presença, que na ausência, provoca esta coisa feliz de brincar de Deus e criar, e fazer possível tudo que queremos. TE amo. Mãe.



E-mail enviado pela mamãe exatamente seis anos atrás, quando eu morava na Itália, num dia 11 de outubro, às vésperas do seu aniversário.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Antibiótico + Corticóide

Amigdalite. É isso. Alguém aí sabe qual é a leitura corporal da amigdalite? Porque é sempre ela.
Segunda-feira acordei bem. Aliás, ótima. Ótima, não. Quase ótima, não fosse um mal-estarzinho que identifiquei como restinho de ressaca do domingo. Acordei bem. Ponto. Final de tarde, no escritório, o mal-estarzinho já era uma dorzona pelo corpo todo, moleza, os olhos cheios de areia. É febre, pensei. Saí do escritório, fui pra pós. Fazer trabalho de grupo da pós. Já tinha desmarcado a academia e a corrida por conta do trabalho. Avisei que queria andar logo com aquilo, que eu tava sentindo que tava com febre. Cheguei em casa, pus o termômetro. Febre. Não era um febrão, era só uma febre. Me conheço, baby. Tomei um banho, uma sopa, um antitérmico, e fui dormir.
Terça-feira acordei péssima. Febrão, garganta tampada. Impossível falar, impossível comer, dificílimo engolir qualquer coisa líquida e quente. Tomei um leite morno, um antitérmico, um analgésico, mandei mensagem pro chefe, pro subordinado, pro fiscal, e voltei a dormir. Acordei de novo. Desmarquei o dentista e a fisioterapia. Tirei mais um cochilo. Tomei um banho e fui trabalhar. Voltei a sentir mal. Sentir mal e mal-humorada. Com sede, mas sem conseguir beber água. Com fome, mas sem conseguir comer. E justo eu, que falo tanto, assim, tão calada. Fui ao hospital, quase duas horas esperando pra ser atendida por um otorrino plantonista. As pessoas estão desesperadas com esse tal vírus H1N1, o hospital lotadaço, e eu querendo só uma receitinha da combinação fabulosa de antibiótico + corticóide, que pras minhas amigdalites é tiro e queda. Saí do hospital e fui pra farmácia, atrás dos comprimidinhos mágicos de Clavulim e Prednisona.
Quarta-feira acordei ótima. E amo corticóides, desculpa. Eu sei que o bilhão de efeitos colaterais não é nada fácil, mas o alívio que 40mg ou 80mg desse negocinho me trazem é tão tão tão tão tão grande, que eu já chego na frente do doutor pedindo: antibiótico + corticóide, por favor? Como quem pede pro garçom uma cerveja gelada e uma porção de torresmo. Aí, tá. Trabalhei normal, desmarquei a academia e a corrida de novo, e vim pra casa. Não tem ninguém em casa. Fiz a minha parte do trabalho de grupo da pós. A internet não funciona. A TV também não. O pessoal da assistência técnica vem aqui só amanhã. Beleza, Ana, vai ver um DVD. Vai ler um livro então. Você adora. E tem uma pilha na cabeceira da cama esperando por você. Ok. Vou lá. Mas sabe qual é o problema???? A #&$%*@#% do corticóide não me deixa concentrar!!!!!!!!!!! Eu já sou agitada, mas com esse tal de Prednisona eu fico no estágio constante da bolinha. Agitadésima!!!!!! Fora que esse negócio dá uma fome fenomenal também... Affe!!!
A TV eu nem ligo, não assisto mesmo. Mas eu queria baixar umas músicas, atualizar meu iPod, escrever no blog, ler o blog dos outros, ler meus emails, responder meus emails, ler umas notícias inúteis, ler umas notícias, ver as estréias da semana nos cinemas de Beagá, ver se o Fluminense tá ganhando do Cruzeiro, bater papo no MSN, mandar a minha parte do trabalho de grupo pro resto do pessoal, atualizar o extrato da conta do banco, fazer a arte do cartão de agradecimento pelos presentes de casamento que uma amiga pediu. Sei lá. Eu queria opções. Justo hoje que eu tinha tantas opções. Fondue com vinho, buraco, japonês. Não posso, tô doente, e é melhor ficar quietinha hoje pra sarar direitinho e aproveitar melhor o final de semana. É, melhor. Já liguei pra minha irmã, uma prima, uma tia, dois amigos, uma amiga, um ex paquera, um possível futuro paquera, um aspirante a futuro paquera... E resolvi escrever pra ver se não ligo pra mais ninguém.

29.07.2009

sábado, 11 de julho de 2009

Quanto vale o show?

Esta semana, enfim, foi a audiência do caso do meu vestido que a lavanderia perdeu. É, a lavanderia perdeu o vestido que eu desenhei e mandei fazer pro casamento da minha irmã, já pensando também no casamento de uma grande amiga minha, 5 meses depois. O casamento da amiga era numa sexta, a lavanderia se deu conta do sumiço do vestido na terça, ninguém me ligou, eu fiquei sabendo por acaso na quinta à noite, véspera da sexta em que era o casamento. E mais: sem outra opção de roupa pra ir ao casamento, e sem tempo de providenciar, já que trabalho o dia inteiro com um horário de almoço super corrido. Ou seja: era a perda do vestido mais bacana do mundo, a falta de roupa pra ir ao casamento, a falta de tempo para tomar providência e o transtorno e a frustração que tudo isso traz. Pro juiz, isso tudo valia R$ 1.000,00. Pra mim, valia uns R$ 2.000,00, que dava pra mandar fazer outro vestido igual e ainda sobrava um trocado pra valer pelo dia sem trabalhar e sem almoçar e pelo mau-humor na festa. Pra advogada da lavanderia, devia valer por aí também. Pro dono da lavanderia, não valia nada. E pra evitar mais dor de cabeça, acabei fazendo um acordo de R$ 550,00.

Voltando do Juizado Especial das Relações de Consumo, fui pensando no valor subjetivo das coisas. Não quero fazer propaganda de cartão de crédito, mas o que tem preço pra uns, muitas vezes não tem pra outros, e vice-versa.

Sabe a história do avião da Air France que fazia o vôo AF447 e caiu no mar? Pois é. Imagina quem calcula as indenizações que os familiares das vítimas vão receber! Quanto vale o príncipe descendente de D. Pedro II? Só porque ele era príncipe? E o bebê? E se ele fosse bebê de proveta e tivesse custado caro pros seus pais? E se ele fosse herdeiro de uma fortuna? E se ele fosse filho único de um casal que não pode mais ter filhos? E se ele fosse doador de medula e sua vida valesse por duas? E a vida inteira que ele tinha pela frente? Tinha um casal? Será que era a única chance de dar continuidade a uma família? Será que eles eram responsáveis pelo sustento dos seus pais, idosos? Será que eram voluntários num hospital de caridade e ajudassem a salvar a vida de outras pessoas?E aquele pai de família? Quantas pessoas dependiam dele pra viver? A esposa, os filhos? E aquele outro que não trabalhava, não sustentava ninguém, não era voluntário nem fazia caridade, não era príncipe nem bebê de proveta? Que falta ele faz pra família dele? Que falta ele faz pro mundo? Quanto ele valia?

Quanto custa existir? E quem calcula o preço de não existir mais, pra quem vai e pra quem fica?


quinta-feira, 11 de junho de 2009

O cinza que não é feito de preto no branco

Ela não ia fechar os olhos para não ver e a boca para não dizer. Dos seus olhos fechados desceriam lágrimas, e da sua boca fechada nasceriam sussurros e palavras mudas. Ela queria saber o que dizer, e poder dizer.
Para ela o tempo que fazia era suficiente. Era inquietante. Era incontrolável. O tempo fazia da espera urgência.
Não convinha levantar escândalo de começo, só aos poucos é que o escuro ia ficando claro.
Ela pensava muito nas coisas que aconteciam na sua vida. Planejava muito. Sonhava surpresas. No dia seguinte chovia água fria.
Ela sofria muito mais triste cada um dos acontecimentos que julgava despropositais. Por quê? Para quê? Já? Não entendia o tempo, as pessoas, e não entendê-las a afastava cada vez mais de si mesma.
Agora tentava trilhar o caminho inverso. Trilhava sozinha, com seus próprios pés, os caminhos dos seus sonhos. Tateando aos poucos, tropeçando aos montes. E os dias aconteciam bem diferentes daqueles que ela sempre havia planejado e sonhado.
Talvez ela soubesse de tudo isso antes mesmo de existir, dentro e fora dela.
Na aventura do sonho exposto à correnteza, só recolhia o gosto infinito das respostas que não se encontravam.
Nunca aprendeu a não ser, quando tudo o que precisava era viver. Viver agora, o presente, hoje, antes que passasse. Amanhã é dia de quem não vive, é dia de quem espera. E como é que ela poderia esperar se a vida não deixava de acontecer nem por um segundo?
Ela nunca soube.

Fragmentos de Guimarães Rosa, Mário Quintana, Juliana Morais, Cecília Meireles.