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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quem garante que era barro?

Bosta não é um. Bosta é a. A bosta. Uma bosta. 
Pessoa é um. É o. É a também. É mais que dois. 
É todo mundo. Mas não é bosta.
Bosta não é humana. É pouca. Pouca bosta. Não é igual pessoa. 
Pessoa sim é muita bosta. 
E humana.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DDA e outros déficits

Eu não tirei a outra via do cartão, não experimentei o paletó, não aprendi articoli determinativi, não vi o gol do Marcos Assunção, ainda não sei o que aconteceu com o Silvio Santos, não organizei os livros no acervo, não comprei a passagem, ainda não fui pra casa do Bola e nem almoçei.
É que eu estava pensando em você, pelada.

sábado, 18 de setembro de 2010

Brochura

Fosse eu dono da rítmica
Horas seriam linhas
Alegria seria ponto
Tristeza seria vírgula

O caderno moradia
Choro uma grafia
A saudade/reticiências
De borracha morreria

Aspas e colchetes
o lápis negaria
E escrito gritaria
O eterno rascunho, vida

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Censo e o Senso

O Absurdo me incomoda. O Camus também. Eu li O Estrangeiro e gostei muito, mas perturba. Deu mais vontade do cara e li A Queda. Devia ter parado no gostei com o estrangeiro, eu não sabia o que era perturbar. A queda me horrorizou a ponto de eu ficar uns 20 minutos sentado quando acabei sem saber o que fazer dali pra frente. Mas como eu não tenho vergonha nem coragem escapei do transe e a vida(?) seguiu. Domingo último assisti um programa que citou outra obra dele, O Mito de Sísifo. Gostei do que a mulher dizia o livro abordar e comecei a ler hoje. Faltou essa velha puta dizer que o livro não dizia só aquelas coisas legais e esperançosas das quais ela usou pra conduzir a palestra, sei que faltou também eu lembrar dos murros que o Camus me deu, mas como a minha memória segue o dono, e sendo assim não passa de uma covardona, esqueço sem remorso e culpo a velha. O problema é que com esse último a surra é bem mais pesada, e eu não cheguei nem na metade.
Não bastasse as minhas dúvidas e desânimo, falta de sentido e questionamentos, chega esse cara e reforça tudo isso com lucidez e didática impressionantes. E o pior, não te dá alento. Esperança? não Eduardo, isso não existe. Teu Deus? não existe. Achar sentido no mar de falta de sentidos? pára que é perder tempo, trouxa. É o Absurdo, ele. Aceite e trate de conviver. Mesmo por quê isso não depende de você, quer queira quer não ele vai continuar aí. Assustador. Cogitar a ideia de criar coragem e aceita-lo mais ainda.
Eu sempre tive esperança, sempre. Mesmo quando o breu domina. Acho que é por quê eu deva ter a alma simples, ser uma pessoa simples, sem nada de realmente grande e importante. Deve ser por isso que sempre me dei bem com os trabalhos simples e funcionais que arrumo, sonho bastante (e faço pouco) enquanto me ocupo feliz com algum trampo inútil. Só que de vez em quando contra a minha vontade vem a tomada de consciência (o transe lá de cima), e fode com tudo.
Camus era argelino, seu pai morreu quando ele tinha 1 ano na 1º guerra. Foi morar na casa da vó junto da mãe, irmão mais velho e um tio meio surdo. Se não fosse dois professores ele teria largado os estudos pra trabalhar na oficina com o tio, e assim ajudar sua mãe que lavava pra fora. Quando acaba de se formar a tuberculose não o deixa ser professor. Foi expulso do país pelos ensaios/denúncia que fez abordando a crueldade do governo francês com os árabes. Foi pra França. Sozinho. Mulher e filhos ficaram na Argélia presos por causa da guerra. Um de seus filhos morre em 1960. Ele também, num acidente de carro. Dizem que ele gostava do ambiente da oficina do tio, e das melhores lembranças de lá ele guardava em especial a camaradagem dos operários. E foda-se, é nisso que eu vou me segurar Camus.
E amanhã quando eu tocar a campainha da casa torcendo pra senhora ser rápida por quê tempo é dinheiro, vou perder mais alguns minutos da vida e escutar ela dizer que o filho de 38 anos não tem renda por quê é inválido em consequência da cirurgia que retirou quase o estômago inteiro, e vou continuar ouvindo mesmo sem ter perguntado porra nenhuma pra ela que o INSS cortou o benefício já que ele não usa mais bolsa de colostomia, embora ainda podre.
E vão ficar nós três ali, a senhora esperando o alento, eu sem saber que caralho dizer, e o Absurdo.

domingo, 18 de julho de 2010

Vou te dizer

Que o problema não é acordar cedo, e sim te deixar sozinha na cama.

terça-feira, 18 de maio de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

En français

Mon amour quer champagne, caracu, whiskie/redbull e pitú
O Alfajor do Belchior e o abajur do Jorge Ben Jor
Marselhesa no balé, rebolar doida relembrando o cabaré
Correr pela Champs-Élysées, bêbada, ofegante com um bouquet
Fechos pro soutien, lingerie bordô e quitar seu carnê
Piraquê com petit gateau, ir ao toalete e vomitar no bidê
No arco do triunfo arejar, molhar o maiô pra refrescar
Escargot no bistrô, procurar defeito na Brigitte Bardot
Quer a cor-de-rosa do viver, en français

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quem é o senhor do Bonfim?

Wikipedicamente falando, Jesus Cristo venerado em sua morte.
Padroeiro do coração dos baianos, e também, cidade baiana.
Pouco importa, cuidando de mim.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O amor é uma glândula (sudorípara)

A mão dela sua, e sua bastante.
Correr atrás de bola também faz suar, lembrou, e continuou:
Comida quente, brincar com o cachorro, andar de trem,
quarto trancado, acertar itinerário, camisa fechada,
escada, churrasco com queijo, andar de metrô, fazer barba,
errar itinerário, camiseta com gola, procurar bar,
bolsa pesada, andar de onibus, achar um telefone,
desviar do cachorro, janelas abertas, ar ligado,
chegar no horário, arroz com purê, manter-se no bar,
mudar o itinerário, estar sem camisa, sair pra fumar,
voltar no horário, perder o trem, duas bolsas pesadas,
pão de queijo e coca-cola, não ir trabalhar, buscar o Rei,
Esperar, e esforçar-se pra que essa espera seja a mais breve,
é suado igual a mão dela, que sua, e sua bastante.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

De pão e água viverá você, não eu

É que tem hora que esse rango mal servido cansa
Cansou até o calmo! educadinho do jeito que é...pra você ver
Aí vontade de provar que ruminante e você são coisas diferentes já não cabe
Então vá, desafie o moedor com sonho novo
Aproveite e esfregue na fuça dele que nem todo barranco é morto, torto e tudo igual
E gire, gire a roda da fortuna
Porque o homem aqui não vive só de pão e água não
Venha amor
Venha que tudo é você, tudo tudo é carnaval

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Até que posso, mas não vou não

Podia falar da ansiedade de estar com amigos mais que extraordinários no fim de ano
Posso? posso, mas não vou
Podia falar da alegria que é não ter aula amanhã e assim poder ir com o porco do Eric no forró
Posso mesmo? posso, mas não vou
Podia falar então dá vontade de espremer a Letícia no natal e saber das suas novas
Posso? de verdade? posso, mas não vou também
Podia falar da alegria que foi conhecer Claitão e Rafa esse ano
Ah pronto! posso também? posso, mas nem vou viu
Podia falar do quanto meu Pai é grande, em todos os sentidos
Posso essa também? sério? puta que pariu!, mas não vou não
Podia enfim falar de você, falar pra você
Posso né? lógico que posso, mas não vou também
Eu vou é cantar

LÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Foi a primeira (5º) vez que Zé pôde tolerar

Ninguém tem que se foder. Ô desejo nojento esse de se ter. Uns três meses atrás estava eu e Juca conversando quando Zé chegou. Bêbado, sujo, barbudo e chorando. Zé é mais velho que eu, amigo de infância do Juca. Juca acalmou o Zé.
Zé contou que seria a última vez que veriamos ele naquele estado, dia seguinte estaria internado.
Basta, ele disse. O quinto basta, segundo Juca. Vai na fé Zé, dissemos, e Zé se foi. De moleque nunca entendi o porque de querer que o outro se fodesse.
Hoje entendo, que pena. Coisa fácil é alimentar raiva, preguiça, é perder paciência e julgar de prima.
Na ida pro curso vi o Zé sentado na calçada da padaria.
Bêbado, sujo e barbudo. Não chorava. Já é alguma coisa, ou não.
Zé deve inventar novos prazeres. Invente, Zé. Dê um basta. O sexto basta.
Ninguém tem que se foder, Zé.

domingo, 18 de outubro de 2009

Para com isso aí vai

Sem medalhas. Quem falou que eu quero tanto? seu ouro é diferente do meu. O podium, a prata, o bronze, foda-se. Senhora ideologia sistêmica, só me dê paz. E tempo. E espaço também. Pro mapa encurtar e distância não alcançar. Saúde também quero, e não é pra ti que peço. É pra ter tempo de te ver cair.
E sorrir.

* Para Bola e Miss, com carinho.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De dentro do onibus

Vi uma menina bonita. Gostosa e bonita, andando ao lado dum nerd magrelo de óculos e cabelo tonhoinhóin. Ela ria, com gosto. E ele falava de canto de boca olhando pra calçada, típico dos tímidos. Ela se divertia. Que ela nunca se esqueça disso. Que ela nunca caia no submundo perverso novelístico com ares de revista teen que seduzem jovens e velhas garotas a desejar o pitbull metrossexualizado que na primeira oportunidade e terceiro gole vomitará aos amigos descolados as ligações, as posições, e confundirá orgasmo e não melindres com biscatice. Reunidos num bar com suas respectivas correntes prateadas pra fora das baby-looks e sorrisos orkutados prontos para qualquer click (não)surpresa, diga-se. O nerd não. Malemá vai contar pro melhor amigo, ou pro cachorro, ou nem pra ele mesmo com receio que os pensamentos ao se tornar palavras carreguem o acontecimento junto pra bem longe, onde ele não possa ir. Melhor guardar, pensa. E bem pensado é. Ele vai caminhar do teu lado, como de costume, pensando no que dizer, sabendo que tem que ser algo que você veja graça. Ele te venera, menina bonita.
Ele quer tua gargalhada, e tudo mais.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Apaga a luz e peida comigo


Porque o aparelho digestório
com o tempo falha mesmo.
E se a vida é divisão,
que seja assim sempre,
até a derradeira.

sábado, 18 de julho de 2009

O ópio do povo (e meu também)

Desde bem pequeno eu sempre gostei muito de bola. E ainda hoje é assim, tanto que quando eu estou sonhando acordado com alguma coisa ele sempre é a minha analogia.
Se gostei de uma menina logo estou imaginando ela na arquibancada e eu fazendo gol e apontando pra ela. Presencio uma injustiça e já me vejo ganhando uma copa e usando a visibilidade daquele momento pra meter o couro e derrubar os ''grandes chefes'' feito aquela música bonita do Beirut. E é assim com tudo, cada pequena alegria vivida é uma pedalada na minha cabeça, ir bem numa prova é acertar uma cobrança de falta, presentear alguém e sentir que esse alguém gostou de verdade do que lhe foi dado é um passe pra gol. Quando tá tudo uma bosta eu me imagino na torcida passando mal porque meu time foi campeão. A bola não gosta muito de mim não, já eu não vivo sem ela.

- Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade ?
- Não explicaria, respondeu.
- Daria uma bola para que jogasse.

(Pergunta feita por um jornalista à teóloga alemã Dorothee Solle)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Recado pro dia 02

Queria te falar que nesses dias eu fui atropelado, fiquei preocupado, na obra empoeirado, continuei preocupado, fiz uma entrevista e fiquei no aguardo, nesse meio tempo fui amado, 18:40hs ligaram e estava confirmado, no meio da correria fiquei sabendo que estava endividado, fui costurado, entristeci em pensar no seu atual estado,voltei a ficar preocupado, confirmaram que eu estou empregado, quando a Magali mia na poltrona penso na Jujuba, na Peteca e no Polaco, eu e o tio fechamos o telhado, fiquei bebado os 4 dias do feriado prolongado, e agora às 17:05hs cansado por ter dado uma mão pro tio no trabalho, percebo que estou atrasado pro estágio, mas dá tempo de eu te falar que penso muito em você, e que te amo demais, e que isso é fato, beijo do Dú, seu irmão mais chato.

Trilha sonora Seu pensamento, Adriana Calcanhoto