Mostrando postagens com marcador Carolina Adania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carolina Adania. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Objetos sentem saudades?

Se objetos sentem saudades, eu não sei. Mas ainda ouço ecoando as risadas nas tardes ensolaradas. Sinto o calor do sol em minhas paredes, quando ainda eram pintadas de amarelo, antes da tinta descascar e antes do mofo tomar conta.
Sinto o aroma das amoras, e das ervas em meu jardim quando ainda eram cuidadas, regadas, amadas, vivas! 
Ainda ouço o cantar dos pássaros e o barulho da rede balançando em meu quintal, a música no ar, e ainda sinto e o cheiro dos churrascos de fim de semana, quando eu era celebrada.
Ainda sinto os gatos arranhando minhas paredes e repousando em meu piso. E ainda ouço as vozes em meu interior -às vezes sérias, às vezes tristes, mas muitas vezes alegres-, quando eu era habitada.
Ainda sinto a movimentação de pessoas, animais e histórias, sob meu teto e minha proteção, quando eu era refúgio.
Ainda sinto a gratidão e o amor de quem eu abrigava e cuidava, quando eu era lar...

Se objetos sentem saudades, eu não sei. Mas posso testemunhar que as casas sentem, e muitas!



segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Incoerências pandêmicas

Desde o encerramento das olimpíadas, no último domingo, tenho sentido um vazio interior... Quem me viu revoltada pela realização de um evento dessa magnitude com uma pandemia ainda em curso, não acreditou quando me flagrou em altas madrugadas na frente da TV torcendo em todo e qualquer esporte, comemorando as conquistas dos atletas brasileiros, me irritando com a enxurrada de clichês narrativos olímpicos dos jornalistas, azarando os EUA, me emocionando com vitórias, derrotas e histórias.

A verdade é que a vida de quem se mantém em casa 99% do tempo não é lá muito movimentada ou emocionante, e acompanhar as olimpíadas acabou preenchendo um pouco essa lacuna. 
Trabalho atrasado concorrendo com as competições esportivas, madrugadas dormindo no sofá durante os jogos de vôlei, bafões que deixam qualquer BBB no chinelo.
O slogan da "Despertando o melhor de nós" e os desejos de ferrar os atletas concorrentes.
Os discursos inspiradores, e a falta de consciência social assustadora.

Daqui duas semanas tem mais, com as paralimpíadas.




sexta-feira, 9 de julho de 2021

Sobre parar

Fui ao mercado comprar papel higiênico, pão e legumes para o jantar. Antes de passar no caixa olhei para o lado, vi o freezer e resolvi comprar um picolé de coco. Uma decisão simples, mas que impactou o resto do meu dia. Ao sair do mercado, ao invés de ir para a direita e voltar direto pra casa, preferi ir para a esquerda e atravessar a rua para ir na praça que fica ao lado do mercado, dar uma voltinha, escolher um banco mais afastado e parar. 

Sentei para saborear o picolé enquanto observava o céu, o sol, as árvores, a terra, as folhas caídas, alguns pais e filhos aproveitando a tarde, algumas pessoas passeando com cachorros, conversas calmas, crianças brincando...

Senti alegria, leveza, liberdade e paz.

Em um mundo tão caótico, complicado e acelerado, foi gostoso apenas parar.



quarta-feira, 9 de junho de 2021

"O que eu desejo ainda não tem nome"

Sabe quando você sente o vento lhe tocando, como se lhe beijasse a face delicadamente? Sabe quando se está em um caminho tão prazeroso que lhe faz esquecer por um momento do destino, da direção?

A direção é o vento, para onde ele leva as folhas secas. É o sol, para onde ele irá se por. O destino é onde a estrada levar.

Não lhe vem aquele gostinho na boca? Você fecha os olhos para melhor se concentrar nas sensações, o vento continua brincando com sua pele, sua roupa e seus cabelos, e é possível sentir o calor delicado do sol em seu rosto.

O sabor na boca é de contemplação, você chega a salivar. E sente sede de viver. Uma vida vasta, plena e significativa.

Não há pressa, não há amarras, não há estradas interditadas ou congestionadas. As possibilidades são infinitas, e o que vier será para o bem.


obs: O título é uma citação de Clarice Lispector, em sua obra "Perto do coração selvagem".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Uma visita inconveniente

Em uma madrugada qualquer, somos acordados por miados desesperados em nosso quintal. De relance parecia Sati. Será que ela conseguiu fugir e está tentando voltar?
Não era Sati. Era um macho. 
Um elemento ativo, não feroz, mas nocivo ao bem-estar comum.
Ao menos ao bem-estar de nossos sonos.
Foi recebido com alimento e água. Retribuiu com carícias características dos gatos, ao resvalar seu corpo peludo em nossas pernas. Estaria perdido?
Fizemos um anúncio, procuramos por alguém que o estivesse procurando. 
Ninguém respondeu. 
E ele voltava todas as noites. E, após muitas noites, voltava também todos os dias.
Foi ficando, e ficou.
O que mais me admira em sua personalidade é a audácia. Audácia de chegar chegando, de acordar todo mundo com seus miados, de se aproximar destemido de humanos e gatos, de entrar e ficar. E de sair, se assim desejar. 
Ele sai e não explica onde vai. E a gente fica sem saber se ele vai voltar. 
Mentira, no fundo, sabemos, torcemos pra ele voltar e sempre volta!
E um dia, por descuido ou ousadia, ele gostou de ficar.

O audacioso Macchu Picchu, dormindo confortavelmente no sofá da sala




segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Dia de finados

Diferente do que pode-se supor, o dia de finados não me remete à tristeza, ou sofrimento. Pelo contrário, tenho memórias afetivas muito alegres com o dia de finados.

Mas antes de falar do dia de finados estabelecido no Brasil em 2 de novembro, quero falar sobre a ideia de um dia específico para prestar homenagem aos mortos. 
A parte japonesa da minha família tem influência budista e comemora o dia de finados em outra data, 14 de julho, conhecido por Obon¹. E utilizei o termo "comemora" de propósito, porque é isso mesmo, uma festa! Muita comida gostosa, reunião de todos os parentes, conversas alegres e abraços carinhosos. É isso que me vem à cabeça quando penso em Obon, além dos rituais de acender senkô, oferecer comida e rezar para os antepassados. 
Esta vivência me mostrou uma forma diferente -mais alegre- de lidar com a morte e com os mortos.

Mesmo do lado brasileiro, o dia de finados era divertido. Isso porque minha avó materna mora bem perto de um grande cemitério da Z/L de São Paulo, e, antigamente, a rua de sua casa, assim como um trecho da avenida do cemitério, ficavam fechadas para carros, e abertas para pedestres. Ambas as vias são muitíssimo movimentadas, com trânsito de ônibus, inclusive, mas, ao menos uma vez por ano -no dia de finados- podíamos brincar livremente, sem risco de atropelamento, tão temido por minha avó.
Em minhas memórias, era um cenário quase idílico. Sol, alegria, barracas e vendedores ambulantes de flores, de pintinhos coloridos², brinquedos e muitos cacarecos. Gostava de brincar com as outras crianças de pega-pega, rouba bandeira e descer a rua de patins ou em carrinho de rolimã emprestado. E isso só era possível no dia de finados, quando a rua ficava colorida e ironicamente aberta para a vida. Essas pessoas estava indo ao cemitério visitar os túmulos de pessoas queridas que se foram, mas não me lembro de ver ninguém chorando. 
As crianças têm um mundo particular, e nesse mundo, o dia de finados era de brincadeiras e alegrias.

O tempo passou, eu cresci, e as ruas não são mais restritas aos carros no dia de finados. No entanto, surgiu um novo motivo para eu amar esse dia, o nascimento do meu sobrinho! Continuamos comemorando a vida em dois de novembro!!!  

E você, que lembranças tem do dia de finados? Você ou sua família homenageia os falecidos? De que forma?










1- Obon é uma tradição budista para consagrar os antepassados. O festival Obon é o segundo maior feriado japonês e pode durar 3 dias ou mais, variando em cada região. Nesta época (em julho, no calendário antigo ou agosto, no calendário atual) os espíritos dos ancestrais retornam ao mundo para visitar suas famílias, e os japoneses os recebem acendendo insensos (senkô) e rezando em altares domésticos (hotokesama).

2- Quando criança eu não tinha consciência, mas esses pintinhos coloridos vendidos em feiras sofriam maus tratos, inclusive intoxicação pelas tintas spray utilizadas para deixá-los mais atrativos, e por isso muitos morriam poucos dias após serem comprados. Além de toda questão ética por trás disso, hoje essa prática configura crime de maus-tratos, previsto no artigo 32 da Lei 9.605 de 1998, com pena de 3 meses a 1 ano. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Sutilezas

Eu gosto dos detalhes, das coisas pequenas, tímidas e sutis.
Daquilo que a vida corrida atropela, quase imperceptível.
Perceber o sutil me dá a sensação de ter descoberto um segredo, um tesouro, que estava ali enterrado, sem demarcação.
Quero dividir este tesouro, compartilhando algumas sutilezas da vida, que podem facilmente passar despercebidas.


O aroma da camomila que desabrochou esses dias.
A suavidade do caminhar da minha gata por entre os frascos de cremes e perfumes amontoados na cômoda.
O brilho do sol refletido na teia de aranha sobre a porta. 
O bater asas da pequena borboleta alaranjada que veio visitar o jardim.
O barulhinho da fonte de água das gatas.
A sensação do ar entrando, preenchendo os pulmões, e em seguida saindo pelas narinas.
A leitura de uma história antes de dormir, recordando um hábito da infância.
O vento brincando com os cabelos.
O cheiro de terra molhada após chover.
O gosto delicado da pera.
A voz macia da mãe cantando uma canção de ninar para o bebê. 
A água do chuveiro caindo sobre a cabeça e escorrendo pelo corpo todo.
A folhinha nova que nasceu na samambaia e ainda está toda enroladinha...



Que tesouro você descobriu hoje?






P.S.: Enquanto escrevia este texto me lembrei do filme "O gosto de cereja" (1997), de Abbas Kiarostami. Você já viu? Que filme lindo, delicado e comovente, indico demais!
P.P.S.: Também lembrei de uma cena do filme "Cidade dos anjos" (curiosamente lançado no ano seguinte), na qual Maggie descreve para Seth o sabor de uma pera: "Doce, suculenta, macia ao paladar, granulosa, areia doce dissolvendo na boca".




domingo, 9 de agosto de 2020

Memória olfativa ou Há cheiros que são poesias

O cheiro de bolo quentinho que inunda a casa a tarde, se mistura com o aroma de café recém passado, e me transporta para outro lugar, outro tempo...
Sinto aconchego, um afago na alma,
Um abraço que não vem dos braços, mas das narinas, da memória, da imaginação.
Não é apenas cheiro de bolo caseiro de laranja ainda no forno, é perfume de infância, de uma cozinha de chão de cimento queimado - que antes de ser moda, era uma solucao de baixo custo para casas populares.
De raios solares entre frestas atravessando a janela, permeando a cortina de rendas e fazendo delicados desenhos de sombras enquanto ilumina o cômodo. 
O filtro de barro, a geladeira azul, a cortina de canudilhos e a velha chaleira, apoiada no balcão.
Meus amados avós. 
O chocolate quente e as histórias de ninar que compunham meu ritual noturno.
Carinhos quentes.
O cheiro traz lembranças... Como tudo que é efêmero, impalpável. Não escorre pelas mãos, mas se dissolve no ar, flutua, eleva-se, e vai-se embora.




quinta-feira, 9 de julho de 2020

9 trocas sustentáveis

No mês passado, concluí um curso de extensão sobre Saúde Planetária. O curso me possibilitou ter conhecimento teórico de como as alterações no mundo natural causadas pelas atividades humanas estão mudando a terra, a atmosfera e os oceanos, e como estas mudanças acabam afetando significativamente a nossa saúde.
É um tópico urgente, que busca tratar a questão da sustentabilidade e da vida humana no planeta sob ótica cada vez mais integrativa, transdisciplinar e global.
Hoje quero comentar alguns aspectos, no âmbito individual, que tenho empregado em busca de gerar menor impacto ambiental e que me levaram a fazer o curso. Aproveito também para divulgar o "julho sem plástico", movimento para aumentar nossa conscientização sobre o problema do plástico (sobretudo o descartável), e colocar a mão na massa.
Assim, apresento a vocês nove trocas sustentáveis que fiz nos últimos anos. 

1) Absorvente descartável por coletor menstrual

Já começo com algo "polêmico". Mas a verdade é que, antes de recusar as sacolas plásticas no supermercado e de andar com minha caneca de fibra de coco na bolsa, já ouvia falar dos tantos benefícios de deixar os absorventes descartáveis pra lá e testar o famoso "copinho". Foi uma das melhores decisões da minha vida, e sempre que tenho a oportunidade incentivo as amigas a fazerem essa troca. Além de deixar de gerar todo esse lixo (que não é nem reciclável nem compostável), o coletor menstrual é muito mais confortável e econômico que os absorventes descartáveis, e me propiciou um conhecimento mais íntimo do meu corpo e minha menstruação.

2) Copos descartáveis por canecas reutilizáveis

Acredito que seja uma das primeiras coisas que pensamos quando o assunto é gerar menos lixo. Em casa uso copo de vidro, minha caneca favorita ou minha garrafa de inox. Quando saía (em uma saudosa época pré pandêmica), levava a garrafa de inox ou, quando queria levar algo menor e mais leve, uma caneca de fibra de coco.

3) Sacolas descartáveis por sacolas ecológicas reutilizáveis

Levo sacolas ecológicas sempre que vou ao mercado, feira ou comprar qualquer outra coisa. Apesar de ser poética a cena da sacola plástica dançando ao sabor do vento, no filme "Beleza Americana", as sacolas plásticas podem causar entupimentos nas passagens de água nos bueiros e córregos, contribuindo com a retenção de lixo e inundações. Também são responsáveis pela poluição dos mares e rios, e demoram cerca de 200 anos para se degradarem na natureza.

4) Filtro de papel por filtro de algodão para coar café

Diferente dos plásticos, o filtro de papel é compostável, então seu descarte não é um problema, por assim dizer, mas o quantos recursos são utilizados em sua produção e distribuição? E as embalagens? Quantos filtros de papel uma pessoa que toma café todo dia vai usar em um ano? O de pano é um só e dura até mais que isso. 
E nem entrarei no mérito de discutir as famigeradas cápsulas, dessas eu me recuso a falar! rs

5) Água engarrafada por água da torneira

A água da torneira é tratada e tão potável quanto a água engarrafada. E sem gerar lixo algum. Há também a opção de tomar água filtrada, para os mais desconfiados.

6) Amaciante de roupas por vinagre de álcool

Vi na internet a dica de usar vinagre na lavagem de toalhas, e hoje uso em todas as lavagens. Por mais que pareça que vai ficar com cheiro de vinagre, não fica. As roupas ficam limpas, macias e cheirosas. Deixa as roupas brancas mais claras, é biodegradável e atóxico.

7) Desperdício de alimentos por planejamento e aproveitamento integral dos alimentos

O planejamento é uma parte chatinha, mas é só não comprar mais do que precisa, congelar o que sobrar e utilizar as cascas, talos e raízes para fazer caldos. Eu congelo os caldos em forminhas de gelo, e quando vou cozinhar só acrescento os cubinhos de caldo de legumes (substituo aqueles ultraprocessados cheios de sódio e ingredientes cancerígenos).

8) Esponja de lavar louça por bucha vegetal 

Uma troca que penso no porquê demorei tanto para fazer... tão simples! Você já leu a embalagem da esponja de lavar louças, para saber do que é feita? Basicamente uma mistura de plásticos cuja reciclagem é muito difícil e pouco viável economicamente.  A bucha vegetal é uma planta. Vende na feira. O vendedor até me deu umas sementes, que plantei e as ramas já estão se espalhando pelo quintal.

9) Contas via correios por verões digitais

Por último, algo extremamente fácil, que nem tinha me atinado para esta troca. Apesar de já receber a maioria das minhas contas por e-mail, só solicitei no mês passado o recebimento da conta de luz pela internet. Infelizmente recebemos contas todos os meses, então pense na quantidade de lixo que deixa de ser gerada com uma troca tão banal.

* Bônus: Canudo de plástico por... Não usar canudo

Pra quê comprar canudo de bambu ou de inox, se eu posso encostar minha boca no copo e beber? Salvo casos de pessoas com limitações físicas ou neurológicas, acho o canudo totalmente dispensável.

E sempre dá para ir além

Quando se começa a pensar em sustentabilidade, é um mundo de trocas possíveis! Ainda quero fazer compostagem doméstica, produzir produtos de limpeza naturais e reduzir cada vez mais o consumo de carne, fazer uma hortinha... Este mês iniciei um curso de sustentabilidade em casa com a intenção de ter um estímulo para aplicar novas mudanças em minhas práticas diárias e aprender mais sobre o tema.

Agora eu gostaria de saber de você 

Já fez alguma dessas trocas? Fez alguma que não está listada? Qual vai fazer primeiro? Já tinha ouvido falar em Saúde Planetária?
Claro que não se trata de uma competição, mas de cada um fazendo o que é possível e praticável, dentro de sua realidade, visando um objetivo comum.

Vamos trocar!


Carolina feliz com sua bucha

terça-feira, 9 de junho de 2020

O mar em mim

O mar é mistério, fascínio, beleza, medo, segredo. Inspira histórias, lendas, viagens, aventuras, paixões, despedidas, buscas, poemas, pinturas, músicas...

Seja pelo encanto e violência das ondas bailando e se quebrando nos rochedos, pelos seres ocultos em profundidades por nós jamais alcançadas, por nos afastar e aproximar de nossos irmãos extracontinentais. Seja por seus sons e suas cores... o azul esverdeado, o verde azulado, o branco das espumas, o prateado das sardinhas e o vermelho dos corais... 

Nascemos no mar, viajamos através dele, flutuamos, mergulhamos, observamos as marés, admiramos as vidas marinhas, nos inspiramos e nos afogamos... 

Sabe quando se é criança, e, nas férias, se passa o dia todo no mar, até os dedos se enrugarem e a pele arder? E a noite, já na cama, esperando o sono vir, fecha-se os olhos e é possível sentir o corpo balançando, no ritmo e leveza das ondas do mar? É disso que estou falando.
Uma lembrança doce, de água salgada e cheiro de mar. Já me esqueci quando foi a última vez que coloquei uma concha na orelha para ouvir o som do mar...

Ontem foi o dia mundial dos oceanos, um lembrete para nós contribuirmos com a preservação dos oceanos (e do planeta) através de nossas escolhas e atitudes, inspirados por nossas relações com o mar e suas simbologias.

Qual a sua relação com o mar?


Arte de Estela Miazzi @estelamiazzi

sábado, 9 de maio de 2020

O peito de Carolina

Depois de um dia muito cheio, que incluiu aventuras, caça, comilança, banho de sol, banho de gato, soneca, peripécias, brincadeiras com minha filha, esfregação no chão, na parede, no portão, no muro, nos móveis e nas minhas pessoas preferidas, mais soneca, correria pela casa, mais comilança e mais peripécias, gosto de repousar no peito de Carolina. 

Quando ela se deita, e começa a ler, eu subo em seu tronco (ás vezes delicadamente, ás vezes em um pulo para surpreendê-la- é tão engraçado o gemido que ela faz quando pulo em sua barriga), e me ajeito até encontrar a posição perfeita em seu peito. 

E a posição perfeita é aquela em que posso sentir o calor do seu corpo, a movimentação de seu tórax conforme o ar entra e sai de seus pulmões, e seu cheiro amendoado. Enquanto ela ouve meu ronronar, eu ouço as batidas do seu coração, e isso me acalma, me faz sentir segura e protegida, como se nada pudesse me abalar, enquanto me embalo em seu peito... e, finalmente, adormeço. 

Um sono puro e doce, como o de todos os gatos.


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Poesia na pandemia

Álcool em gel para matar os vírus, álcool destilado para matar o tédio.
Mercado cheio, botijão de gás vazio.
Falta dinheiro, falta ânimo, falta de ar.

Céu limpo, consciência suja.
Coronavírus, mate o presidente.

Fique em casa. E quem não tem casa?
Lave as mãos. E quem não tem água e sabão?

Tempo de solidariedade, de coragem, de recolhimento.
Tempo de repensar hábitos, modelos, prioridades.
Tempo de valorizar a pesquisa, a ciência e a saúde pública

Quando isso vai passar?
Quando essa loucura vai acabar?

Medo de nada mais ser como antes.
Medo de tudo voltar a ser o que era antes.


segunda-feira, 9 de março de 2020

Corra, Carol, corra!

Sou o tipo de pessoa que está sempre se aventurando por novos caminhos. Acredito que estamos aqui é pra viver. Testar as possibilidades de experimentar, criar, aprender, descobrir... a vida é só uma e quero aproveitá-la de diferentes maneiras.

Uma de minhas últimas empreitadas foi a corrida. Na verdade, trata-se de uma revisita a algo que já tenho alguma experiência prévia. E por experiência prévia, quero dizer: Ter participado de uma corrida e caminhada contra o câncer de mama em 2013 com irmã e tias, na qual fui tão despreparada que coloquei o chip de corrida como pulseira (se você nunca viu nem ouviu falar sobre isso, como eu na época, trata-se de um chip descartável que os corredores recebem para cronometrar o tempo de corrida e para isso são colocados nos tênis dos atletas). Além disso, nossa proposta aquele dia era mais recreativa do que competitiva, e sem treino prévio, não aguentei correr o percurso todo, dava uma corridinha, andava um tanto, corria mais um pouquinho, caminhava novamente... O que fez o percurso de 5 km parecer quase interminável rs. 

No fim do ano passado, resolvi voltar a correr, e consultei o professor da academia que frequento para me ajudar em um treino de corrida. Para minha tristeza o plano proposto tinha mais fortalecimento muscular do que corrida em si, incluindo uns exercícios horríveis que dá preguiça só de lembrar. Entendi a necessidade do fortalecimento muscular e, no início, segui o plano com disciplina, mas depois de um tempo (incluindo natal, ano novo, carnaval) acabei fazendo algo mais... flexível, digamos assim.

A princípio, meu interesse era de correr na esteira da academia mesmo, em ambiente controlado, com ar condicionado e tal, mas há um mês atrás, umas amigas do trabalho se inscreveram em uma corrida de rua, me animei para acompanhá-las e lá fomos nós. Estava um pouco receosa de não conseguir completar o trajeto todo correndo, mas ao mesmo tempo, me tranquilizava pensando que "se cansar, caminho por 1 minuto e volto a trotar, já fiz isso uma vez e ninguém morreu nem vai morrer por isso". Passei por uma fase de treino intenso que me causou bolha na sola do pé esquerdo, e por outra de total leniência, beirando o sedentarismo, mas no fim deu tudo certo.

A corrida foi ontem, e a experiência foi incrível! O dia estava claro, porém com nuvens providenciais, que nos pouparam de um sol de rachar, e nos deixaram mais frescas e menos cansadas. Aquele mundaréu de mulheres correndo -em especial minhas parceiras de corrida, do início ao fim, Maria e  Fernanda- me davam pique, energia para continuar correndo, e o Jorge Ben na minha playlist dava o ritmo e a animação necessários. Terminei os 5 km em 45 minutos e com a sensação de que aguentaria mais 1 km. 

Foi totalmente diferente de correr na esteira, é outra experiência. A comoção causada por milhares de atletas reunidas ocupando da cidade de uma forma inusitada... Correr por locais que costumamos passar somente de carro ou transporte coletivo me trouxe outra perspectiva do que é viver a cidade*, que faz um deslocamento de ver a cidade como um local, cenário, para a cidade como algo vivo e dinâmico, do qual somos parte.

Hoje estou com as pernas doendo e com uma vontade enorme de me inscrever em tudo quanto é corrida de rua! 

Crédito da imagem: Iguana Sports

*outros eventos que me trazem essa perspectiva são os atos e manifestações políticas e o carnaval de rua.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

9 lições que devemos aprender com os gatos

Qualquer pessoa que tem a sorte de conviver com gatos sabe o quanto eles são seres incríveis e maravilhosos. Acredito que nós, humanos, temos muito a aprender com essas criaturas e, por isso, hoje compartilho com vocês 9 lições que os gatos têm a nos ensinar:

1. Espreguiçar-se

Os gatos dormem muito, de 12 a 14 horas por dia. Ao acordar eles sempre se espreguiçam bastante, e estão cobertos de razão. Nada melhor do que ao despertar de uma longa noite de sono, espreguiçar-se, esticar os músculos e articulações até o ponto máximo, e em seguida relaxar. É como se você desse ao seu corpo a mensagem para ele se preparar para levantar depois de tanto tempo deitado. O movimento do gato se espreguiçando inspirou um asana na Yoga chamado espreguiçamento do gato (Marjaryasana) que tem vários benefícios e é muito fácil de praticar.

2. Dizer não


Os cães são famosos por sua fidelidade aos humanos. Já os gatos, são fieis a si mesmos. São livres e não se preocupam em sempre agradar e nem se forçam a fazer algo que não desejam. Se quiserem vir quando são chamados, eles virão. Se não quiserem, não estiverem a fim, apenas não virão e caberá a quem chamou lidar com a frustração.

Com os gatos aprendemos a dizer não e aceitar o não. A  valorizar a liberdade de si e do outro, e o livre-arbítrio de cada um.

3. Cair em pé

É muito interessante essa capacidade que os gatos têm de sempre caírem em pé. Tem a ver com o senso de equilíbrio desses animais aliado à suas vértebras maleáveis. Infelizmente nós humanos não temos o mesmo equilíbrio e maleabilidade, mas podemos exercitar essas habilidades no sentido psicológico, buscando ser pessoas mais tolerantes, flexíveis e equilibradas, para saber lidar bem com as quedas que teremos ao longo do nosso percurso.

4.  Ter autenticidade

Uma das coisas que eu mais admiro nos gatos é a autenticidade que eles possuem. É incrível como cada gato tem uma personalidade diferente. Por mais que possam se parecer no padrão da pelagem ou na cor dos olhos, sempre haverá alguma característica singular. Enquanto um é mais carinhoso e ciumento, podemos encontrar outro mais bonzinho e territorialista, outra mais desconfiada e exploradora, as combinações de traços de personalidade e idiossincrasias são infinitas. As pessoas mais interessantes, na minha opinião, são as autênticas, que não tem vergonha de serem quem são e não se importam com o julgamento alheio. 

5. Brincar

Os gatos brincam todos os dias. É uma ótima forma de gastar a energia, socializar com os outros gatos, treinar para caçadas e se divertir. E, diferente de nós humanos, eles não deixam de brincar depois que crescem. A vida adulta é difícil e em muitos momentos nos exige seriedade, mas é importante soltar as amarras e brincar de vez em quando, isso traz alegria e leveza para os dias.


6. Ter curiosidade

"A curiosidade matou o gato". A curiosidade dos gatos é famosíssima, e apesar do caráter negativo do ditado, a curiosidade bem aplicada pode ser muito positiva. A curiosidade nos move para buscar conhecimento e aprender coisas novas. O cientista é, antes de tudo, um curioso.


7. Ter boa higiene pessoal 

Os gatos são muito limpos e asseados. Aprendem desde filhotes a usar a liteira, enterram seus cocôs pra não ficar cheirando mal e tomam banho várias vezes ao dia. Passam horas se lambendo e lambendo uns aos outros. Quem dera se todos os humanos fossem tão limpos quanto os gatos! Nosso olfato agradeceria :).


8. Saber ignorar 



Porque às vezes, o melhor a se fazer é virar as costas e sair lindamente.

Os gatos são mestres em ignorar. Muitas vezes é preciso apelar para o sachê para se ter a atenção dos bichanos. Se formos capazes de aprender essa técnica avançada de desprezo, quantas tretas poderão ser evitadas? Quantas pessoas escrotas deixarão de ter a atenção que nunca mereceram? Quantos cabelos serão poupados (seja de caírem, seja de embranquecerem)? Estou ávida por esse dia!

9. Não julgar antes de conhecer



Finalizo com esta lição porque muitas pessoas dizem que não gostam de gatos, mas nunca conviveram com um. Já possuem uma série de argumentos infundados contra os gatos, que podem vir acompanhados de um medo irracional. Para essas pessoas, gostaria de propor que se permitam conhecer o mundo dos felinos, ao menos um espécime. Vá na casa de algum amigo ou familiar que tenha gato(s) e fique algumas horas observando, interagindo. Depois volte aqui e me responde nos comentários se mudou de opinião.

E você, é gateiro ou cachorreiro? Comente alguma outra lição que você aprendeu com os gatos. 


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O dia em que quebrei os dentes

Em um sábado a tarde muito gostoso e ensolarado, recebi uns amigos em casa. Histórias, risadas, ideias, churrasco e cerveja até a noite. No final da noite acompanhei os amigos até o portão para me despedir. Eles se foram, eu fechei o portão e estava voltando para casa. Do portão até a casa há um longo corredor de cimento, com uma leve inclinação ascendente. Não sei até hoje o porquê (não tinha pressa, nem vontade de ir ao banheiro, nem apostando corrida e muito menos tinha deixado a panela no fogo), mas decidi subir correndo. 
Estava de chinelo, tropecei, e caí. De cara, ou melhor, de boca no chão. Além da boca e do nariz, ralei o joelho. Doeu, mas levantei rapidamente, preocupada em não ter sido flagrada em um momento tão vexatório. Olhei para os lados, nenhuma testemunha. "Ufa", pensei aliviada, quase sorrindo. Resolvi que já tinha sido o suficiente para o dia e fui dormir. 
Naquele horário em que você ainda não sabe se ainda é madrugada ou se já é manhã, acordei com a urgência do xixi. Após me aliviar, lavei as mãos e levei o maior susto ao me deparar, no espelho, com uma cara toda arrebentada! E os dois dentes da frente quebrados!!! DOIS!!! DA FRENTE!!! 
Não podia acreditar. Voltei para a cama e fiquei pensando que eu tinha arrebentado minha cara, que eu tinha que ser cancelada, que 2019 tinha que acabar logo, antes que eu falecesse... Comecei a chorar de arrependimento e humilhação e meu companheiro acordou, preocupado, com o choro. "Que merda será que eu fiz?" foi seu primeiro pensamento. Eu, chorosa, contei o motivo das lágrimas. Ele primeiro ficou aliviado por não ter feito nenhuma merda, em seguida tentou ver meu rosto sem sucesso, pois o quarto estava escuro, mas me abraçou e disse coisas reconfortantes, fui me acalmando e voltamos a dormir.
Ao acordar pela segunda vez, ainda arrependida, porém pragmática, tentei recuperar a história, porque não, eu não consegui me recordar onde eu tinha caído. Depois de um tempo eu lembrei, e fomos no corredor, procurar os pedaços de dentes, mas não achamos nada. Mandei uma mensagem pra minha irmã, que é dentista e agendou consulta para o dia seguinte, uma segunda-feira antevéspera de natal. No dia seguinte já estava com os dentes reconstituídos e com a satisfação de poder passar o natal em família sem precisar cobrir a boca, apesar dos ferimentos. Foi até engraçado ficar com a "janelinha" no dente por um dia (meu companheiro disse que achou bonitinho, coisas de casal), mas foi terrível e não desejo isso pra ninguém legal. 
"Mas porque você não colocou os braços na frente para proteger o rosto?" Você pode me perguntar. Algumas pessoas de fato me perguntaram isso, e a resposta é muito simples, meus amigos: Minha irmã é dentista, não ortopedista!  
Além da janelinha, ganhei lábios
que deixariam Angelina Jolie com inveja




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

A parte boa

2019 foi ~está sendo~ um ano desgraçado de muitas formas.

Para não chorar enquanto escrevo, nem para deprimir ninguém - e o dia chuvoso está ótimo para uma melancolia - pensei em fazer um exercício pessoal de gratidão.

Sem esquecer as lutas, porque elas são diárias; sem esquecer as perdas, porque elas são reais; sem esquecer os crimes, as injustiças, os percalços, os retrocessos; sem esquecer os nossos e os mais oprimidos, quero lembrar algumas coisas boas que aconteceram comigo em 2019. 

Esse fim de semana participei de uma oficina na qual a facilitador fez uma rodada de apresentação na qual perguntava seu nome, sua motivação para fazer a oficina e algo pelo que você é grata. Quando pensei em "pelo que sou grata" hoje, a primeira coisa que me veio à mente foram os gatinhos que moram comigo. Oliver, com sua ternura infinita e suas visitas diárias, abriu nossos corações para receber em nossa casa, esse ano, duas gatinhas que precisavam de um novo lar... Rami-Sati e Nuala. Nem preciso dizer aqui o quanto os animais são generosos, incríveis e maravilhosos, e têm a capacidade de mudar nossas vidas, né? Mas digo mesmo assim porque eles merecem essa exaltação!

Além dos felinos, sou muito grata por meu corpo, que esse ano me levou a lugares as vezes necessários, as vezes belíssimos, e me levou até pessoas queridas. Através do corpo nos conectamos, abraçamos, tocamos, sentimos os cheiros, fazemos carinho e cócegas.
Meu corpo me permite correr, fazer exercícios, brincar com meu sobrinho e dançar, uma das coisas que mais amo! Esse ano não me lembro de ter ficado doente, fora um mal-estar ou outro, causados, na maioria das vezes, pela ingestão de lactose ou álcool (foi mal pelos vacilos, corpo!).

Sou grata pela meditação diária que venho praticando. Hábito muito valioso, que esse ano consegui incorporar em minha rotina, e me proporciona calma, concentração e auto-conhecimento.
E como ninguém vive sozinho, a melhor parte de 2019 são os meus companheiros de vida e de luta. Parceiro, familiares e amigos, sem os quais não suportaria todo peso de um ano tão difícil. "Ninguém solta a mão de ninguém!"

Sou grata por ter conseguido me qualificar no metrado esse ano, e pelo tanto de conhecimento que adquiri através do estudo, de leituras, conversas e sessões de orientação, de outras atividades acadêmicas e também de oficinas livres (como a que mencionei lá em cima), e coisas que vamos ouvindo aqui e ali, testando acolá e passando adiante, porque o maior sentido do conhecimento é esse, o de compartilhar.

Falando em compartilhar, que tal você, que leu tudo isso, não fazer o mesmo exercício e escrever nos comentários a sua parte boa de 2019? Estou curiosa para saber o que aconteceu de bom e pelo que você é grata/grato.




quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Sobre amoras e outras coisas


Nunca fui muito de frutas, mas amo a amoreira daqui de casa.
Ela já estava aqui há 3 anos atrás, quando chegamos, porém pequena, simplesmente um cotoco de árvore magricela, um mero arbusto que foi crescendo em despeito ao nosso não cuidado e à nossa não rega diária. 
Mas cresceu, e esse é o primeiro ano que dá frutas. 
Está carregada já, e todo dia tem mais amoras prontas para serem colhidas, muitas outras ainda verdes, esperando o amadurecimento, e mais um tanto que não pôde me esperar, e se espatifou no chão.
(...)
Que saudades sentirei dessa casa, dessa amoreira, dessa vida que tenho hoje... Se é possível já sentir saudades do que ainda se tem, eu sinto. Mas não deve ser saudades, deve ter outro nome.

Bem vindas, amoras, bem vinda, primavera!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A farsa do escritor

O que acontece quando o escritor se convence de que suas escritas não interessam a mais ninguém?
E quando ele escreve para ninguém ler?
E que ego inflado é esse de quem acha dignas de serem lidas as palavras organiza em um texto?
A quem interessa o que o escritor escreve?
Esqueça, é tudo mentira!
Não se importe, é irrelevante!
Não perca seu tempo, é inútil!
Não procure sentido, é nada.
A vida em forma de letras, e nada mais que isso. 
Angústias frívolas.

Cada vez mais me convenço que a beleza não é do escritor, mas do leitor.
O escritor vem aqui e escreve qualquer coisa.
O leitor interpreta em beleza... a beleza do sofrimento, a beleza de encontrar algo significante em seu interior, mas que seria encontrada de qualquer forma. Foi através das palavras do escritor, mas poderia ter sido do balançar da cortina, ou dos cabelos grisalhos de um transeunte, ou de um sorriso de criança, ou de uma sombra que a árvore faz chão, ou mesmo de um simples ato de inspirar mais profundamente. O que existe, o que é belo e puro e doído, o que importa verdadeiramente está em quem lê (e em quem não lê).
O escritor é uma farsa.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Entre a euforia e o remanso
ele fez sua escolha
e eu sofro, morro
me desfaço
viro pó

Ele me consome
tudo que eu era, some
tudo que resta é a memória
que também sumirá

O tempo nada perdoa
nem a si mesmo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Depois da chuva

Ela escuta chover lá fora
e sente as lágrimas escorrerem pelo rosto.
Ela ouve o vento movimentando as folhagens
e sente um vazio no peito.
Nem amor, nem ódio nem nada.
Nem o próprio coração a bater.
Um vazio irritante.
Ela sente a brisa úmida.
e deseja um sopro de emoção.
Quer sentir-se viva.
Quer sentir.
As lágrimas, por não fazerem mais sentido, secam.
A chuva, por já ter molhado a terra, cessa.
Será que vai florir?