domingo, 30 de abril de 2017

síndrome do pensamento pequeno ou vai na fé e tenta a sorte

O dia em que o país parou 100 anos depois da primeira greve geral causou mais dúvidas do que certeza sobre o “sucesso” mencionado pela avaliação quase que unânime da esquerda e sobre a possibilidade de eliminar ou destruir as reformas antitrabalhadores.

Não cito à avaliação da mídia de grande circulação porque é nítido à ausência de compromisso com os fatos e seriedade com a matéria do jornalismo. A Rede Globo se coloca como partido político na sociedade e ultimamente não se dá o trabalho de disfarçar o quanto se lixa ou não se importa com às pautas dos trabalhadores.

Entendo que ver as ruas de São Paulo e demais cidades dos estados silenciosas na parte da manhã e aquele frisson nas redes sociais com a greve causa esperança absurda em quem acredita noutra sociedade ou para quem está de algum modo organizado seja de forma autônoma ou institucionalizada com propósito de defender, garantir ou angariar direitos.

E é aí que quero chegar, na institucionalização da luta.

Não vou fazer resgate histórico mesmo porque não me sinto apropriada de forma criteriosa sobre a questão do sindicalismo e movimento grevista do país. Mas o fato de termos a greve geral somente após 100 anos significa algo ou quer nos dizer algo.

Os sindicatos perderam a essência e objeto da ação de existir que trata da defesa irrestrita do trabalhador e não a mediação de conflitos entre interesses de chefes e empregados. Também estão resignados e acomodados na institucionalização por meio de cargos, alianças com chefes e apoio a partidos políticos o que contribuiu para desmobilização e descrédito de trabalhadores nos sindicatos.

O sindicato que considero com maior relevância de atuação e enfrentamentos sobre direitos é o sindicato dos bancários. Independente de reformas pautadas pelo congresso quando o assunto é demissão ou precariedade do trabalho o sindicato está presente, mesmo com os problemas em torno da mobilização algo comentado durante palestras que participei no ano de 2013 e 2014.

Nota-se o comprometimento quando o sindicato publica nota mencionando a demissão de trabalhadores antigos, mesmo sendo em pouco número em determinado banco que estavam prestes de aposentar. Isso significa enfrentamento da questão e defesa do trabalhador além de atenção com os desdobramentos do que ainda não está concretizada: a terceirização do trabalho.

Outro sindicato de atuação semelhante a bancários é o sindicato de professores, todo ano tem mobilização e greve na educação sendo a pauta principal em torno do reajuste de salário. E demora meses ou semanas para ser atendida. Nenhuma pauta visa às condições de trabalho dos professores ou pelo menos não é citado nos protestos ou discutido de modo mais sério.

Então o sindicato está apenas para reivindicar aumento salarial? E as condições de trabalho? E a saúde dos trabalhadores na educação? E a estrutura? Etc.

Os demais sindicatos de outras categorias estão presentes quando se trata de demissão ou quando pautas como reforma trabalhista antitrabalhador surgem no congresso. Propostas reavivadas de outros séculos por decrépitos e negociadores de direitos sociais. E aí pudera, se os sindicatos não mobilizassem em torno das reformas  trabalhista e previdência era realmente para extinguir a existência e sentido do mesmo.

Temos quase 14 milhões de trabalhadores desempregados e desesperados. Mas os sindicatos apenas se mobilizam em torno daqueles que estão empregados. Não existe uma defesa, olhar para quem precisa trabalhar, pois até agora quem usou e abusou desta necessidade foram os golpistas com intuito de justificar a reforma trabalhista para gerar mais emprego.

A terceirização não gera mais emprego, o que faz é produzir subempregos e subempregados com a vida mais precarizada e principalmente com objetivo final de extinção dos direitos trabalhistas.

No mês passado disse que é fácil ver  trabalhadores da limpeza ou prestação de serviços terceirizados. Hoje reafirmo outra vez. Além de ser uma classe paupérrima e com cor definida para o trabalho braçal reafirmo que continua sendo fácil  seja do ponto de vista dos ricos ou  dos sindicatos/partidos que não fortaleceram outras categorias e julgou de menor proporção ou impacto. 

Estamos acostumados a julgar tudo normal, mas se olhar superficialmente para a história dos direitos trabalhistas nenhuma atividade relacionada ao trabalho deveria ser terceirizada.

A existência dos sindicatos é justificada e se vale de lutar por direito e defesa do trabalho e trabalhadores. Hoje vemos que os sindicatos falharam e permitiram uma brecha ao admitir que fosse terceirizada qualquer atividade. Resultado que permitiu para hoje enfrentarmos uma reforma trabalhista antitrabalhador que sequer deveria existir.

O f#d# é que esta mobilização do dia 28/04/2017 ainda foi parca e desorganizada. Demorar um mês para organizar uma greve geral só demonstra o quanto os sindicatos estão longe das necessidades e urgências de pautas dos trabalhadores.

A França ano passado organizou greve geral em dias e parou o país impedindo retrocessos. O movimento de mulheres Ne Una Menos (Nenhuma a Menos) na Argentina rapidamente promoveu uma greve de forma massiva no país em torno da violência contra as mulheres.

Observando este dois países em torno de questões que nos são pertinentes vejo que não tivemos o sucesso tão comemorado. Sendo realista e pé no chão bora pelo óbvio, somos mais de 206 ou 207 milhões e apenas 35 milhões aderiram a greve e pouco menos foram as ruas.

Então temos uma parcela aí que está indiferente e/ou não aderiu por três motivos ou hipóteses: não reconhece o compromisso dos sindicatos com suas questões; acredita que se trata de movimento partidário; não compreendeu como deveria os efeitos desastrosos da reforma trabalhista na vida.

E aí não importa aprovação de 5% do golpista e reivindicação de diretas já se não há mobilização generalizada a ponto de existir aquele corre e corre com caras assustadas pelo congresso. E aquele tal o que aconteceu?

Algo que somente em 2013 vimos acontecer. Jamais saberemos a proporção de pessoas nas ruas naquele período.  Então não adianta vir com essa conversa fiada de sucesso hein.

Também não se trata de fracasso como dito pelo governo golpista. Trata-se de desorganização afinal porque fazer manifestação em plena sexta-feira com final de semana e feriado seguido. Óbvio que iria dispersar o povo.

O melhor trabalho de base continua sendo atos sucessivos e isso até a direita entendeu, tanto que copiou os passos do MPL em 2013. Entendeu tanto que copiou o movimento.

A luz está nos movimentos sociais, sem esses o ato de 28/04/2017 provavelmente seria um desastre. Considero o MTST com enorme relevância e se trata de movimento que mais cresce, deixa para trás até mesmo MST (diga-se tem sua importância histórica) porque se ajustou as necessidades dos trabalhadores dos centros urbanos com a questão da moradia e ultimamente tem sido frente também noutras questões. Mas aí temo e me pergunto até quando?

Pergunto porque até 2012 outros movimentos de moradia tinham certa relevância de atuação em SP o que se dispersou com a institucionalização, aí entendedores entenderão para não expor de forma ridícula a situação que a esquerda vive.


Então temos o movimento Passe Livre que está atuante mas tem tanto. Ainda não entendeu ou não conseguiu segurar a responsabilidade dos mais de 9/10 anos de mobilização que resultou nas jornadas de 2013. Não conseguiu aliar a sua pauta com as questões de hoje, reformas que afetam nitidamente o transporte e mobilidade de trabalhadores.

Aliás está insuportável ver no cotidiano tantos casos em torno do transporte público, falta de recursos das famílias.Aumento da pobreza, famílias em situação de rua, violência contra crianças e adolescente, violência contra as mulheres e chegamos no movimento de mulheres.

Movimento que nitidamente está sendo disputado em narrativa, representatividade e pautas com objetivo de velar discussões centrais e importantes do próprio movimento de mulheres, pretende também dispersar atenção em torno das reformas antitrabalhadores.

Esta disputa acirrada pela mídia no que diz respeito a pautas mobiliza em torno de questões superficiais e minimizam outras que são fundamentais para as mulheres.

Neste mês tivemos o assassinato da Maria Eduarda no RJ que infelizmente não viralizou nas redes como a vencedora do programa y.

Também temos mães que cotidianamente perdem seus filhos e não se enxergam no movimento feminista, mas no movimento de mães que pouco tem apoio do movimento feminista.

Ah mas essas pautas não são nossas. Ok. Então temos a exploração e abusos entre jovens mulheres que estão distantes da discussão do movimento feminista seja pelo discurso ou indiferença ou pela pobreza ou pela cor. E aí?

E finalmente chegamos no ponto chave da discussão ou na identificação da ausência de pelo menos metade dos 206 ou 207 milhões que não aderiram ao movimento de greve: a população negra.

As reformas antitrabalhadores afetarão de forma exponencial a população negra. Então o movimento negro tem o problema de se preocupar com as reformas e também a urgência de se preocupar com a sua existência, devido o genocídio quase que diário da população negra nas cidades de todo país. Acrescento aqui os indígenas, mas sabendo que em quantidade de ocorrências a população negra enfrenta a questão quase que diariamente.

Daí temos o resultado do descaso de todos, sindicatos, movimentos, partidos e governantes sobre a população negra. O resultado deste descaso está na prisão de 3 manifestantes do MTST no ato de sexta, enquadrados na lei sob a justificativa de associação criminosa e terrorismo.

Em 2013 tivemos um único preso das manifestações de junho de 2013, na ocasião por porte de pinho sol, em seguida por associação ao tráfico e os esforços para liberdade de Rafael Braga foram mínimos por parte da maioria pela simples e ordinária ausência de empatia e entendimento do racismo institucional.

Recentemente condenado há 11 anos no país mais seletivo no âmbito criminal ao conceder delação premiada e prisão domiciliar a ricos que negociam e compram direitos sociais e trabalhistas entendemos duas coisas: não importa quem coloquemos na cadeira da presidência as questões sociais são minimizadas ou reduzidas por empresários que compram mais ou menos a política a depender do partido; a centralidade da pauta está e sempre estará no trabalho mesmo que cada um discuta no seu quadrado (sindicato, movimento, partido).


Aí lembramos que a questão do negro (a) não é central em nada. Os atos e protestos esvaziados quando ocorrem assassinatos da população negra relembram de modo escancarado esta realidade e constatação.

Então a violência institucional da segurança pública está nos corpos negros. E qual o resultado do descaso? Agressão ao estudante de Goiânia, quando policial quebra o cassetete na cabeça do jovem sendo hospitalizado em estado grave. Menos mal, pois se fosse negro estaria morto como milhares.

Pareço cruel ao dizer isso? Não sou ou não quero ser, talvez se tratarmos assim entendam que seja no trabalho com postos terceirizados ou a falta de empatia com questões alheias cedo ou tarde vão atingir o seu corpo branco.

Seja na reprodução reduzida da violência ou crescente subalternização através de reformas desconexas com a realidade os corpos brancos serão atingidos. 

A indiferença mais que justificada com ausência massiva da população negra na adesão de greves e atos é compreensível, pois a vida se torna e é mais importante que qualquer coisa.

Posto isso, teremos sucesso em algum momento daqui anos, quando a população na grande maioria pobre e negra realizarão o seu levante, daí junho ou greve geral vai ser pequena perto do que está por vir.

Então continuem nesta gama de angariar atenção e participantes da classe média; perdure na indiferença e na imbecilidade de querer ocupar somente a paulista com showmício no dia do trabalho enquanto aqueles que sustentam a casta sejam de sindicatos e/ou partidos quiçá o país está longe dali.


O resultado da indiferença e descaso será visto com total espanto outra vez e com certeza não irá agradar os institucionalizados. A sorte é que não vamos esperar por 100 anos para novos atos ou greves de magnitude e impacto né. 


sábado, 22 de abril de 2017

Fora de controle

O homem me estimula com movimentos alvoroçados. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Frente. Frente. Pra trás. Seus olhos me olham desejosos, atentos a cada menor movimento. Minha face fica vermelha, branca, azul, amarela. Fica de todas as cores. Com vigor, agarra uma de minhas partes mais protuberantes e tenta manter o controle. Pra frente. Pra frente. Pra trás. Em vão. Ele não sabe, mas quem o controla sou eu. Penso aqui com meus botões: ele ainda não tomou o cogumelo. Só com o cogumelo que o membro de capuz vermelho cresce. Fica grande. Fica enorme. Indomável. É duro, mas ele não pegou o cogumelo. Assim tudo fica mais difícil. Ele sua. Eu na minha. Ele cansa. Eu nunca canso: sou elétrica. Ele curte. Eu curto. Circuito. Não tem mais jeito. Ele falhou e eu não faço a menor cerimônia em lhe informar isso: Game Over, lhe digo com todas as letras. Frustrado, leva as mãos à cabeça. Pragueja. Comicamente se autoflagela com pequenos cascudos na testa. Burro! Burro! Burro! No fundo eu me divirto com isso. Sou até um pouco sádica, é verdade, a frase-veredito insistindo em piscar na minha fronte. Mas logo volto à tela inicial e ele se encoraja novamente. Não se preocupe, meu bem, você vai superar isso. É só uma fase.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

ENQUANTO CAMINHO...

... lembro de você!
Andando aqui pela órla, às margens, sinto o vento bater em meu rosto!
Olho para os lugares onde nos falamos! Onde rimos muito!
Lembro até daquela menina que ainda não tinha chegado para o compromisso que marcaram! Naquele dia foi a ocasião em que te contei muitos dos meus segredos, até hoje oculto para a maioria (senão todas) das pessoas.

Ah! Como é bom olhar para o céu, contemplar o sol, ainda que indiretamente (senão eu ficaria cego) e lembrar das vezes que pensei "esse sol também brilha sobre a vida e a história dela"!
Falei de você para as nuvens, para as flores! Eu dei teu nome à uma estrela... Lembra disso?!

Essas são ótimas recordações! Do tipo que não morrem nunca dentro da gente!
Sutilmente me lembro de cada uma delas! Como se vivêsse tudo de novo, aqui, bem agora!

Fonte de inspiração! A fonte nunca se esgota. Mas se ficamos um pouco longe, um pouco (senão muito) dessa realidade se perde! Basta ler os textos de quando estive longe. Não foram a mesma coisa que sempre escrevi. Mas hoje, tenho a alegria de, enquanto caminho, reencontrar a direção que me leva prá felicidade de saber o que sempre soube: você sempre existiu!

E nunca morreu aqui dentro de mim! Sempre esteve aqui, embora não mais nas mesmas realidades que vivemos um dia!

Aprendemos à amar, à ser mais gente juntos! Descobrimos nossas fraquezas, limitações... Mais eu do que você!
Você sempre foi muito forte. Até quando não, se fez de forte!
Mas como é bom conhecer a alma de alguém! O coração, o conteúdo, a essência!
Conheço você! E se não fôsse por sua essência, hoje não estaríamos mais tão próximos. Não sei se posso dizer "tão próximos quanto antes." Acho que até mais, pois o amor que não passa pela provação, não é um amor maduro.

E tenho certeza da maturidade desse sentimento que é puro dentro de nós!

Agradeço! Por tudo! Por me ouvir mais uma vez, por me entender mais uma vez, pela chance que mais uma vez você me dá para tentar ser melhor. Sei que, por merecimento, eu não teria mais essa oportunidade. Nem mereceria!

Mas é como a flor, que, sem esperar nada em troca, existe e nos encanta com a bela realidade do seu existir! O amor é simples! O amor é gratuito! Vejo você assim!

Andando por aqui, enquanto caminho, procuro por aquela florzinha... Que não está mais aqui...
Tudo na vida tem um fim... Será?!
É! A física mostra que, tudo que vive, um dia morre. Mas nem os melhores físicos, nem mesmo Einstein, poderiam provar que essa amizade, esse amor um dia vai acabar. Sabe por quê?! Porque o que vem de Deus jamais morre. Jamais acaba. E isso, ultrapassa a barreira do entendimento humano. Ultrapassa o limite do que é normal para a nossa percepção!

Mesmo que o mundo acabe, enfim, dentro de tudo o que cabe em ti, sempre estarei aí, dentro do seu coração! Pretensão?! Orgulho?! Prepotência?! Não! Amor! No mais belo e puro sentido da palavra e do verbo amar! Sem maldade, sem malícia! Apenas amor! Amizade! Companheirismo!

Esse post poderia não terminar nunca! Mas ao contrário daquilo que a física não pode explicar, nesse caso, a teoria que diz que tudo o que começa, um dia termina se mostra verdadeira!

Mas não se preocupe! Estarei sempre aqui, feliz por você simples e maravilhosamente existir em minha vida!

Enquanto caminho, sorrio! Por saber que você habita aqui dentro de mim!
Na minha alma, e no meu coração!
Para sempre!
E eternamente!!!

Publicado originalmente no Blog do Márcio Luís, em 18/12/2009.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um post sem pauta

O dia 19 avança e eu ainda não sei sobre o que escrever. Meu texto sai todo dia 20, só um por mês, mas contrariando minha promessa de ano novo, mais uma vez chego na véspera ainda sem assunto, diante de uma vasta página em branco que sequer tem um número pré-estabelecido de caracteres a serem preenchidos.

Eu não poderia alegar falta de tempo. Se tivesse escrito uma mísera linha por dia teria chegado hoje com um texto razoável para ser publicado. Mas por incrível que pareça, a correria está pesando.

Mal publiquei o texto do mês passado e um escândalo abala a pecuária do país. Não me refiro à lista de empresas que mantêm empregados em regime análogo ao da escravidão. O ministro do trabalho havia barrado a divulgação da lista e eu ainda não tinha notado que boa parte dela é formada por ruralistas.

Me refiro ao papelão dos frigoríficos comprando fiscais. Levei um bom tempo para entender tudo isso. Pessoas chocadas com fiscais comprados no Brasil, com o uso de materiais estranhos na carne ultra processada, para espanto geral a salsicha tinha até carne.

Passado o susto de desconfiar que a mortadela pode não ser algo tão saudável - começo a compreender os coxinhas, esses visionários - começou a discussão sobre a necessidade de tanto alarde por parte da PF. Não é um prato feito no qual estava a famigerada carne, mas a Polícia Federal, que teria tratado um assunto pontual como se fosse um problema generalizado.

Realmente a PF fazer um grande escândalo midiático para algo que poderia ser restrito é inadmissível. Nesse ritmo é provável que logo façam uma condução coercitiva desnecessária, a ser transmitida ao vivo por televisões que misteriosamente já sabiam da ação e acompanharão o coagido em questão de seu apartamento até o aeroporto para o depoimento.

E se o abuso vem da Polícia, quem poderá nos defender? Talvez correr da PF para a PM. Pelo menos essa foi minha primeira ideia, mas no dia seguinte descobri que esse ano a PM já matou mais pessoas que os criminosos. O placar inglório estava 60 x 50. Não é de hoje que eu ouço por aí que os bandidos estão soltos e o cidadão está preso em casa. Vai ver que é isso. Teve até flagra da execução de dois civis desarmados e baleados.

Tanta coisa insana que tudo o que foi divulgado no tradicional primeiro de abril pareceu plausível! Li até que aprovaram a tal lei da terceirização, imagine! Levou uns dias para que eu aceitasse isso como verdade e ainda desconfio que foi uma mentira que, de tanto ser repetida, passou a ser aceita como verdadeira.

Mas chega de problema. Preciso escrever meu texto. Futebol! Brasil é o primeiro país classificado para a copa da Rússia, como nos velhos tempos, e o mundo só fala disso. Porém um olhar mais atencioso denunciou que o destaque para a terra dos czares não era por isso e sim por mais um atentado.

Fiquei tentado. Posso escrever sobre isso. Atentados são a coqueluche do momento, ou seja, matando pessoas sem remédio ou vacina. Não deu tempo. Parece que o senhor laranja resolveu acabar com os atentados bombardeando o mundo. Daí foi tomahawk para um lado, mãe de todas as bombas para o outro, porta-aviões espalhados como quem joga War e para quem até outro dia dizia que o país estava afundando, até que apareceu bastante dinheiro a ser explodido.

No meio de todo esse caos, eis que surge um “Zé da Globo” querendo por em prática a fama de galã para assediar uma funcionária. Fico pensando o que não acontecia há uns trinta anos, sem internet, com o movimento feminista menos articulado e com os tais galãs em alta. Assédios padrão Globo de qualidade.

Minha última cartada. Passar o feriado de páscoa em meio aos ovos, pensando no tema do texto, afinal restava menos de uma semana. Corri para o supermercado e pelo preço fiquei na dúvida se eram ovos de páscoa ou ovas de caviar. “Mas que chocolatinho amargo, hein?”, brinquei com o vendedor, que não entendeu e respondeu mecanicamente “Não, senhor, esse é ao leite, o de chocolate amargo é mais caro.”

Passei o feriado mais perdido que político delatado pela Odebrecht, no que ficou para a história como o maior esquema de caguetagem do mundo. Dá para imaginar dono de empresa dizendo que político pediu ‘ajuda’? Daqui a pouco vai ter candidato à prefeitura de São Paulo dizendo abertamente que vai governar com a ‘ajuda’ do setor privado e será eleito no primeiro turno.

Quer saber? Desisto. Estou travado, sem inspiração, não tenho nada para escrever. E pensar que o sujeito do Acre escreveu não sei quantos livros nas paredes! Eu aqui, sem conseguir um mísero post. Pelo menos entendo o sumiço do rapaz. O mundo anda convidativo para um sumiço. Esse mês não tenho texto, quem sabe no próximo...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não Matarás


Mate a saudade,
Mate a vontade,
Mate a fome, sua e de alguém.
Mate a sede, de água e de viver.

Só não mate a esperança, a sua e de outros,
Porque ela é a última que morre,
Mesmo quando tudo parece já ter morrido e mesmo assim,
Quando se mata uma esperança, se mata uma vida nova.

Não mate!
Transforme.
Lute.
Mude.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Excesso

Você diz que te faço bem...
...Mas é melhor não. Em excesso posso lhe fazer mal. Posso te dar dor de cabeça, vertigem e delírios. Posso lhe trazer uma "bad vibe". Em excesso posso ser abrasivo e te deixar de ressaca. Posso te deixar de mau humor, de estômago embrulhado, dar azia, queimação, má digestão e mal estar. Em excesso posso deprimir. Longe, por conta do excesso, posso te deixar em abstinência. Em excesso posso ser motivo de psicoterapeuta, psicólogo e caso de psiquiatria. Posso ser sua demência de tanta loucura pelo teu vício por mim...  
...em excesso eu posso fazer mal.

sábado, 8 de abril de 2017

Blogs

  Leio no Facebook pequenas postagens que seriam ótimas para um blog. Talvez por causa disso, os blogs estejam diminuindo tanto.

  Dia desses um antigo colega escreveu um diálogo dele com a amiga na beira da piscina; ela pensativa diz: -Nossa eu sou tão pisciana... Ele distraído responde :-Eu também adoro piscina!

  Eu ri, e desejei que tivesse acontecido comigo, pra que eu pudesse escrevê-lo aqui.

  Passo também muito tempo "assistindo blogs", vlogs, no YouTube.

  Muitos dos blogs que eu acompanhava terminaram, outros estão anos sem atualização. Esses dias me dei por vencida e deletei alguns da minha barra de favoritos, ainda assim, eu, vira e mexe volto com saudade num blog antigo, como o Cara de Milho, e acabo horas relendo postagens.

  Vontade de peneirar tudo, transformar em livro e depois ir embora. Não preciso mais garimpar um bom texto, entre lixos, eles agora, também caem no nosso colo.
  

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Sentidos

Gostaria de ver poesia em cada olhar
No jeito de amar, no jeito de ser

Gostaria de ouvir melodia em cada voz
Na paixão mais veloz, por todo o viver

Gostaria de sentir suavidade em cada toque
Que a sensibilidade se evoque, me venha acariciar

Queria provar o sabor da paixão
Me fundir em comunhão com o ser do meu amar

Queria sentir seu perfume em cada canto
Aquele que amo tanto, o hálito de sua pele

Queria sentir tudo isso e muito mais
Pois só você é capaz, para o amor me compele

terça-feira, 4 de abril de 2017

04 de abril

Mais um dia 4, ainda em tempo resolvi escrever. 

Enquanto vou digitando aumento o volume do som. Por um instante tive a impressão que Cazuza ainda vive nessas ondas sonoras que vieram de encontro ao meu ouvido e por acaso descobri que hoje seria o dia do seu aniversário. 

As matérias de jornais geralmente falam do aniversário da morte dele, relembrando sucessos e histórias. Tudo bem, é o dia que ele partiu e deixou saudades, mas eu tenho certeza que Cazuza viveu e aproveitou melhor o 4 de abril.



De novo o som sobe um pouco e o poeta toma a cena: "Eu sou mais um cara, mas se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não para..."

Não é difícil de enxergar em uma letra dele um momento da sua vida, talvez suas angústias, seus desejos, revolta...Cazuza em geral mostrou o quanto é complicado, difícil e bom viver essa metamorfose. 

O mesmo cara que disse: "para mim é tudo ou nunca mais", também falou que 
"nada nesse mundo é nunca mais, se o sol se põe e alvorada vem".

Uma pessoa que traz tantas verdades escancaradas nas canções e nos seus discursos não pode ter vivido uma vida em vão, de verdades absolutas que não podem ser mudadas ao longo de nossa evolução como seres humanos. E conhecendo a sua biografia, não viveu! 

"Olhe o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com a mão e com os olhos, como fazem os mudos." 

Para uma terça tudo anda muito melancólico, frio e vazio... Fiquei pensando nas coincidências da vida, na influência que um músico tem no nosso humor, nas decisões e indecisões. Agora mesmo suas ideias estão circulando, deixando marcas por onde passam, até onde e quando alguém permitir. 

"Vida louca, vida breve. Já que eu não posso te levar. Quero que você me leve." 

Resolvi, já influenciado pelas canções, que a melhor coisa que posso fazer hoje é tomar uma cerveja em sua homenagem. Talvez, como ele, transformar o tédio em melodia, prosa ou poesia. Estar mais do que vivo, com sede de viver!
Salve Cazuza!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

MuDança

MuDança que brota no coração.


~~MovimentAção~~


A ação da mão é reflexo do movimento do coração, causa e consequência da movimentAção.

Coração que pulsa, que vibra, que transborda, que clama por MuDança.

MuDança que floresce na alma.

Alma clama por MuDança.

MuDança vem de dentro pra fora. 

A MuDança vibra conforme a energia que pulsa em cada célula, reflexo intuitivo da necessidade de renovAção.

Ação que flui delicadamente. 

MuDança que cresce intensamente.

Sincronismo entre o pensar, o sentir e o agir, MuDança que floresce de/em mim.




MuDança ~~ muda que dança ~~