terça-feira, 4 de abril de 2017

04 de abril

Mais um dia 4, ainda em tempo resolvi escrever. 

Enquanto vou digitando aumento o volume do som. Por um instante tive a impressão que Cazuza ainda vive nessas ondas sonoras que vieram de encontro ao meu ouvido e por acaso descobri que hoje seria o dia do seu aniversário. 

As matérias de jornais geralmente falam do aniversário da morte dele, relembrando sucessos e histórias. Tudo bem, é o dia que ele partiu e deixou saudades, mas eu tenho certeza que Cazuza viveu e aproveitou melhor o 4 de abril.



De novo o som sobe um pouco e o poeta toma a cena: "Eu sou mais um cara, mas se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não para..."

Não é difícil de enxergar em uma letra dele um momento da sua vida, talvez suas angústias, seus desejos, revolta...Cazuza em geral mostrou o quanto é complicado, difícil e bom viver essa metamorfose. 

O mesmo cara que disse: "para mim é tudo ou nunca mais", também falou que 
"nada nesse mundo é nunca mais, se o sol se põe e alvorada vem".

Uma pessoa que traz tantas verdades escancaradas nas canções e nos seus discursos não pode ter vivido uma vida em vão, de verdades absolutas que não podem ser mudadas ao longo de nossa evolução como seres humanos. E conhecendo a sua biografia, não viveu! 

"Olhe o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com a mão e com os olhos, como fazem os mudos." 

Para uma terça tudo anda muito melancólico, frio e vazio... Fiquei pensando nas coincidências da vida, na influência que um músico tem no nosso humor, nas decisões e indecisões. Agora mesmo suas ideias estão circulando, deixando marcas por onde passam, até onde e quando alguém permitir. 

"Vida louca, vida breve. Já que eu não posso te levar. Quero que você me leve." 

Resolvi, já influenciado pelas canções, que a melhor coisa que posso fazer hoje é tomar uma cerveja em sua homenagem. Talvez, como ele, transformar o tédio em melodia, prosa ou poesia. Estar mais do que vivo, com sede de viver!
Salve Cazuza!