Não tenho a certeza de um sábio, tampouco a constância do amanhecer/anoitecer.
Não tenho lápis e papéis mágicos que levem a você umas linhas tortas, escrito: papai, eu te amo. Mas eu sinto, sempre.
Não tenho a forma mais branda para sanar a falta, mas tenho aquela que zela por mim desde o primeiro segundo de vida.
Não tenho ideia do tempo que resta. Não sei o que teu peito sentiu, nem consigo imaginar.
Teus olhos conversaram comigo em segundos cruciais. Minha mente sabia o que viria, meu coração se negava acreditar. Ele me empurrava a te encorajar, enquanto quieta, no silêncio e no escuro eu desabava mais um pouco.
Reaprender com a falta é um começo infortúnio e tolo. Doses diárias de desapego, incertezas, saudades e vontades súbitas de abandonar as horas.
O porto seguro desfez-se num tempo muito curto. Era hora de o barco zarpar? Era hora de eu ouvir adeus?
Das perguntas que estouram constantemente entre meus soluços, fico com a sensação de perda. Só ela acorda e dorme comigo todos os dias.
dcm
*isso estava guardado, selado, embalado pela minha dor, mas resolvi dividir para ir, aos poucos, me dando conta que agora, daqui para frente, assim será.
saudade é algo que não se calcula, não se explica e nem se tira, acostuma-se. Cá estou para aprender a me acostumar.
domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
impressões
Uma folha em branco
Hoje eu sou uma folha de Word, branquinha, branquinha. Olhe-me, você pode me olhar do cabeçalho ao rodapé, nenhum riscado, nada. Uma folhinha branca e virgem. Um documento sem assinaturas, sem impressão digital. Nenhuma imagem, nenhum carimbo. Um palco vazio, um corpo sem linhas, sem regras. Uma presença em negrito, uma alma itálica, um rosto sublinhado (merda: não tem como sublinhar). Eu sou uma folha em branco, sem transparências, sem datashows, nenhum slide, uma palestra sem recepção. Hoje eu sou apenas uma folha de Word.
Risquei seu corpo com minha caneta
Escrevi com minha caneta de tinta branca as palavras mais bonitas. A tinta branca era o meu sêmen e as folhas do diário, seu corpo. Como é bom deixar a poesia de Drummond, Bandeira e canções de Vinicius de Moraes na tua pele. Um banho de poesia saia da minha caneta. Havia beleza em você até trancado a sete chaves. Todos os segredos de liquidificador em teu corpo: pontos, vírgulas e exclamações. Todas as exclamações adolescentes. Todas.
Carta
Recife, 05 de dezembro de 2009.
Olá, como vai? Espero que esteja tudo lindo.
Nunca mais nos vimos, né? Bem que a gente poderia pegar
um cineminha ou sair pra comer algo. Você tomou um chá
de sumiço, hein? É a correria, né?
Beijinhos.
Recife, 05 de dezembro de 2009.
Olá, como vai? Espero que esteja tudo lindo.
Nunca mais nos vimos, né? Bem que a gente poderia pegar
um cineminha ou sair pra comer algo. Você tomou um chá
de sumiço, hein? É a correria, né?
Beijinhos.
Telegrama
Olá, tudo certo? Estou com saudades.
Favor dar sinal de fumaça.
Beijo.
Olá, quero comer você de sobremesa.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
todo dia no ônibus.

sempre naquela curva à direita, ela marcava com o dedo a página do livro e erguia a cabeça, olhando do seu lado direito e sentindo no rosto o vento quente. naquela descida o motorista pirava sempre e ia à toda. ela, sacolejando violentamente, imaginava à cada esquina um acidente, seu corpo sentindo o bruto impacto, a inconsciência, a morte não. dela, ele sentia um medo que não se diz. e depois sorria. sorria boba por ter aquela uma aventura. no fim da descida, depois da curva à esquerda, ela não voltava logo ao livro, e ia olhando as cenas nas ruas, pensando e sentindo tudo como estrangeira, como todo dia. num lance, virava-se prá dentro e sorria prá passageira ao lado. sem sorriso de volta, voltava ao livro.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Minha breve vida futebolística
Eu não me lembro quando deixei de torcer pro Flamengo, mas acho que o Romário ainda estava por lá. Começou a não fazer muito sentido torcer para um time do Rio, comigo tão longe, no interior de Minas. E futebol, poxa, era preciso ser realista, eu não entendo nada de futebol, então pra que torcer?
Foi assim que a camisa que meu pai me deu acabou perdida em algum lugar do armário, e o Flamengo começou a ser só um motivo pra fazer piada. Walter Minhoca, isso é nome de jogador, Pai? Ganhou a Taça Guanabara, quem se importa? Pai, andei pensando, acho que vou torcer pro Vasco. O que você acha?
De fato, acho linda a camisa do Vasco, mas falava só pra fazer um terrorismo com meu pai, pois cara de desapontamento dele era impagável. E segui assim, cada vez mais distante.
...
Em 2007, um curto período que estive em São Paulo, comovida com a alegria dos corinthianos em uma final do campeonato, fiquei com vontade de ter um time novamente. Passava na frente das casas do Tatuapé e estavam enfeitadas, com comidas, bebidas, pessoas animadas. Até telão alugavam. Ah, futebol é bonito, quero torcer também. Mas qual? Flamengo não, muito decadente o futebol carioca (Desculpa, pai). Queria um de São Paulo, já que eu estava lá. Resolvi torcer pro Portuguesa, pois acho que sei lá, tem um certo charme.
Meu amigo Emerson resolveu me ajudar e começou a contar histórias da Lusinha. Lusinha, que Lusinha, Emerson? Marcela, você não sabe que o apelido da Portuguesa é Lusinha? Óbvio que eu não sabia. Ah, deixa pra lá, você não merece ser torcedora. Concordei, melhor deixar pra lá.
...
Cansada de ser deixada de lado nas noites de quarta e nas tardes de domingo, comecei a sonhar com o dia que encontraria um homem que não gostasse de futebol. Não é uma tarefa fácil, mas uma vida sem programas de mesa redonda me parecia muito tentadora.
Conversando com a Letícia, descubro que o namorado dela não gosta. Que sorte, pensei. Mas ela gosta, e agora? Sim, o mundo é injusto.
Mais tarde lembrei que já tido sim um namorado que não gostava de futebol, e não era legal. E se tivéssemos filhos? Quem levaria o menino pra ver os jogos? Quem iria levar no parque pra bater uma bola? Eu não quero que meu filho seja o esquisitão da sala. Só vou ter filhos com quem goste de futebol. Está decidido! E tem outra, ser trocada por futebol é melhor que ser trocada por um jogo de rpg. Acredite.
...
Já esse ano a coisa ficou diferente, né? Como ignorar o Brasileirão? Até minha avô deve estar acompanhando! Você abre o jornal e só se fala disso. E agora eu ainda tenho um namorado flamenguista, trabalho com um garçon flamenguista, é só flamengo, flamengo. É um clima de euforia tão grande, que fico com dó de ser contra. Até incomendei uma camisa nova pro meu pai. E ah, já que até o juiz do jogo de domingo passado era flamengo, quem sou eu pra não ser?
p.s: se você ainda sonha com um homem que não sabe o que é um tiro de meta, fica a dica @adrianosv
Foi assim que a camisa que meu pai me deu acabou perdida em algum lugar do armário, e o Flamengo começou a ser só um motivo pra fazer piada. Walter Minhoca, isso é nome de jogador, Pai? Ganhou a Taça Guanabara, quem se importa? Pai, andei pensando, acho que vou torcer pro Vasco. O que você acha?
De fato, acho linda a camisa do Vasco, mas falava só pra fazer um terrorismo com meu pai, pois cara de desapontamento dele era impagável. E segui assim, cada vez mais distante.
...
Em 2007, um curto período que estive em São Paulo, comovida com a alegria dos corinthianos em uma final do campeonato, fiquei com vontade de ter um time novamente. Passava na frente das casas do Tatuapé e estavam enfeitadas, com comidas, bebidas, pessoas animadas. Até telão alugavam. Ah, futebol é bonito, quero torcer também. Mas qual? Flamengo não, muito decadente o futebol carioca (Desculpa, pai). Queria um de São Paulo, já que eu estava lá. Resolvi torcer pro Portuguesa, pois acho que sei lá, tem um certo charme.
Meu amigo Emerson resolveu me ajudar e começou a contar histórias da Lusinha. Lusinha, que Lusinha, Emerson? Marcela, você não sabe que o apelido da Portuguesa é Lusinha? Óbvio que eu não sabia. Ah, deixa pra lá, você não merece ser torcedora. Concordei, melhor deixar pra lá.
...
Cansada de ser deixada de lado nas noites de quarta e nas tardes de domingo, comecei a sonhar com o dia que encontraria um homem que não gostasse de futebol. Não é uma tarefa fácil, mas uma vida sem programas de mesa redonda me parecia muito tentadora.
Conversando com a Letícia, descubro que o namorado dela não gosta. Que sorte, pensei. Mas ela gosta, e agora? Sim, o mundo é injusto.
Mais tarde lembrei que já tido sim um namorado que não gostava de futebol, e não era legal. E se tivéssemos filhos? Quem levaria o menino pra ver os jogos? Quem iria levar no parque pra bater uma bola? Eu não quero que meu filho seja o esquisitão da sala. Só vou ter filhos com quem goste de futebol. Está decidido! E tem outra, ser trocada por futebol é melhor que ser trocada por um jogo de rpg. Acredite.
...
Já esse ano a coisa ficou diferente, né? Como ignorar o Brasileirão? Até minha avô deve estar acompanhando! Você abre o jornal e só se fala disso. E agora eu ainda tenho um namorado flamenguista, trabalho com um garçon flamenguista, é só flamengo, flamengo. É um clima de euforia tão grande, que fico com dó de ser contra. Até incomendei uma camisa nova pro meu pai. E ah, já que até o juiz do jogo de domingo passado era flamengo, quem sou eu pra não ser?
p.s: se você ainda sonha com um homem que não sabe o que é um tiro de meta, fica a dica @adrianosv
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
hedonista
.
.
Quero que dezembro passe rápido.
Que janeiro passe devagar.
Que fevereiro seja quente, mas com bastante vento.
Que mais fotos sejam tiradas.
Que o trabalho seja menos maçante.
Que os livros fiquem menos na estante.
Que as passatempos e trakinas sejam substituídas por maçãs e bananas.
Que a paciência aumente.
Que a gente dance mais.
E que dance sempre.
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Quero que dezembro passe rápido.
Que janeiro passe devagar.
Que fevereiro seja quente, mas com bastante vento.
Que mais fotos sejam tiradas.
Que o trabalho seja menos maçante.
Que os livros fiquem menos na estante.
Que as passatempos e trakinas sejam substituídas por maçãs e bananas.
Que a paciência aumente.
Que a gente dance mais.
E que dance sempre.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
se ao menos eu estivesse com meu livro o tempo passaria mais rápido
desde o momento em que acordei, percebi que faria tudo errado. o próprio fato de acordar, talvez, teria sido o principal erro naquele domingo, 23 de agosto de 2009, 11h35, 19º com chuva e céu parcialmente nublado na região sudeste do país. e daí que chove? aqui em são paulo só chove. porque as pessoas reclamam tanto da chuva? do trânsito? da poluição? mudem-se daqui os que reclamam. mudem-se ou morram.
segunda. se ao menos eu estivesse com meu livro o tempo passaria mais rápido. já faz horas que acordei mas o relógio insiste em dizer que não, que ainda são 11h59. daqui a um minuto é meio-dia e meio-dia jogado fora, lógico. um otimista me diria, calma, você ainda tem a outra metade do dia pra fazer algo que seja útil. eu responderia por que você não pega a utilidade do meu dia e coloca n... "preencha a lacuna com seu oríficio preferido" (__________).
o último metrô. eu sempre pego o último metrô pois é lá que estão os que mentem. ah querida, fiquei até mais tarde no escritório, sabe como é... fechamento! (anrran...). oi mãe, é que fiquei estudando com a turma depois da aula, sabe como é... fuvest! (sei...). então amado, hoje é terça, dia de rodízio, então aproveitei pra dar uma passada na mamãe, sabe como é... idosa! (ahh tá...).
quarta quarta do mês. a última. sempre.
não é sempre que a gente encontra um ator de cinema na rua. será que ele topa tirar uma foto comigo? um autógrafo, um beijo, quem sabe? melhor não. é quinta-feira de manhã e um ator não gostaria de ser incomodado numa quinta de manhã. e outra: eu não acredito em atores. pra mim, eles estão sempre atuando, seja lá o que estão fazendo, mas estão sempre atuando. mas e nós, não?
a gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? mas a gente nunca conhece. quem escreveu isso? chaplin, caetano veloso, janis joplin, bukowski? que importa? hoje é sexta e sexta não é dia de relativizar o amor.
eu nunca dei a mínima pra você e não devo pedir desculpas por isso. o máximo que posso fazer é agradecer pela tua ausência. não ter você por perto fez com que eu olhasse melhor pra mim. e só pra mim. agora - por favor - pega suas coisas e vá embora. deixe apenas o restinho da minha da tua hipocrisia que é pra eu usar de máscara no próximo baile. e corre pra pegar o trem porque amanhã já é domingo.
se ao menos eu estivesse com meu livro o tempo passaria mais rápido.
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o último metrô. eu sempre pego o último metrô pois é lá que estão os que mentem. ah querida, fiquei até mais tarde no escritório, sabe como é... fechamento! (anrran...). oi mãe, é que fiquei estudando com a turma depois da aula, sabe como é... fuvest! (sei...). então amado, hoje é terça, dia de rodízio, então aproveitei pra dar uma passada na mamãe, sabe como é... idosa! (ahh tá...).
quarta quarta do mês. a última. sempre.
não é sempre que a gente encontra um ator de cinema na rua. será que ele topa tirar uma foto comigo? um autógrafo, um beijo, quem sabe? melhor não. é quinta-feira de manhã e um ator não gostaria de ser incomodado numa quinta de manhã. e outra: eu não acredito em atores. pra mim, eles estão sempre atuando, seja lá o que estão fazendo, mas estão sempre atuando. mas e nós, não?
a gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? mas a gente nunca conhece. quem escreveu isso? chaplin, caetano veloso, janis joplin, bukowski? que importa? hoje é sexta e sexta não é dia de relativizar o amor.
eu nunca dei a mínima pra você e não devo pedir desculpas por isso. o máximo que posso fazer é agradecer pela tua ausência. não ter você por perto fez com que eu olhasse melhor pra mim. e só pra mim. agora - por favor - pega suas coisas e vá embora. deixe apenas o restinho da minha da tua hipocrisia que é pra eu usar de máscara no próximo baile. e corre pra pegar o trem porque amanhã já é domingo.
se ao menos eu estivesse com meu livro o tempo passaria mais rápido.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Inimigos íntimos
“Aquele que luta contra nós fortalece nossos nervos e aprimora nossas qualidades. Nosso antagonista trabalha por nós.”
Edmund Burke
Edmund Burke
“Por que você não olha p/ o espelho e se suicida?”, me recomendou alguém há algum tempo no blog. “Você é fútil e só sabe usar o ctrl c + ctrl v”, disse outro comentarista arguto (sem rimas e trocadilhos, por favor). Para esses franco-atiradores, não importa o assunto abordado no post. Crentes até a medula em certas ideias isoladas de Maquiavel, o que vale é a sensação de alívio após desferir o tiro. O caráter aparentemente transgressor parece catapultar o ato um tanto covarde ao pódio dos feitos intimoratos; a adrenalina de correr riscos de o locatário do espaço revidar o ataque e, assim, notar sua existência, deixa a aventura ainda mais excitante.
O anonimato na blogosfera tem mão dupla. Ao mesmo tempo que preserva a pessoa de ser alvo de contra-ataques diretos, também não permite receber medalhas no peito. A máxima referência conquistada são essas palavras batucadas despretensiosamente, numa espécie de “monumento ao franco-atirador desconhecido”.
Como acontece tanto nas tramas folhetinescas como nos grandes romances, na área de comentários os escrevinhadores falam mais de si mesmos do que do assunto abordado. Ao clicar “publicar”, o post não mais pertence ao blogueiro. Cada leitor vai (re)agir conforme seu repertório de convicções. Quando os belicosos assestam suas armas e regurgitam impropérios, as palavras revelam medos, mágoas e outros sentimentos que geralmente permanecem trancafiados em lugares esconsos da alma. Infelizmente, a catarse verborrágica não tem efeito terapêutico e as neuras continuarão sendo companhia permanente.
Seleciono com cuidado as palavras para não transmitir a ideia falsa de que ajambro essa reflexão para revidar “ataques”. Da mesquinhez e da necessidade de vencer até embates contra os sobrinhos no videogame, quero distância. Sou testemunha de quão bem esses princípios funcionam. Abrir mão de “ter razão” num conflito deixa o caminho livre para recompensas mais duradouras do que vencer a discussão. “Perde-se” a briga, mas a paz preenche o espaço que antes era ocupado por conquistas muitas vezes obtidas às custas de feridas naqueles que ousaram se interpor em nosso caminho.
O psiquiatra suíço Paul Tournier desnuda em caráter definitivo internautas e blogueiros monotônicos: “Combatemos o que sabemos que exerce grande domínio sobre nós. Quanto mais medo tivermos, mais autoritário e arrogante nos mostraremos”. Quanto mais potentes as lentes, mais detalhes são expostos. Contudo, esse tipo de strip-tease só tem valor se provocar empatia e diminuir as distâncias.
O final de ano é a época ideal para esvaziar gavetas, sejam elas físicas ou mentais. Sambistas de uma nota só podem (e devem) enriquecer o discurso em 2010. É tempo de baixar a guarda e abrir as portas do coração. Sei que isso soa piegas, mas a paixão sempre perde intensidade quando submetida às rédeas da razão.
Como nos alerta Nilton Bonder, “o adversário está mais nos próprios impulsos do que no outro”. E o rabino continua: “Já que o inimigo mora do lado de dentro, a ausência de paredes é, ao contrário de uma ameaça, a própria esperança”. Se ele vai ocupar sua cama durante o próximo período, que ao menos proporcione momentos de prazer que só a verdadeira intimidade pode dar.
Inspirados pelo filósofo Zina, a hora é de cair pra dentro, fórmula perfeita para quem deseja brilhar muito no ano que vai nascer. Eu topo. Por que não? =)
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pava
domingo, 29 de novembro de 2009
Ontem lembrei da primeira vez em que te vi
A sensação de sempre. De achar que posso encontrá-lo na multidão. Não que esteja à procura de alguém igual, mas a sensação contínua de qualquer momento fixar os olhos, como à primeira vez em que te vi. Não vai lembrar, tenho certeza disso. E ontem um homem de sua estatura, imitava seus gestos. Colocava às mãos atrás da cabeça, fazendo ar de inquietude ou desdém.Estava de costas, meus olhos fixos nos braços, nas mãos, na cabeça, tentava identificar qualquer detalhe. Estava longe, e de costas, era difícil reparar nos detalhes. Não conseguia tirar os olhos do homem, e pensava será que é ele? Mas o que estaria fazendo aquela hora?Chegando perto, descobri que não era você.
Lembrei de uma noite fria e chuvosa, estava saindo tarde, fora do horário de costume. Olhava da janela, aos poucos cessava o temporal. E descendo as escadas,parou. Ficou de frente para a porta.Sentiu as mãos suar tanto que mal podia segurar o guarda chuva, um frio na espinha, um vai e vem pelo corpo,coração disparado, alguém sentado olhando a chuva passar.Mas tão parecido, que fez com que ficasse parada olhando por alguns segundos praticamente imóvel. Não pode ser ele, estou vendo coisas? Já aconteceu tantas vezes, errante no identificar, eram retratos falsos, fruto de uma saudade sem fim. A certeza que o estava procurando, tentando achá-lo em outros. Então, abriu o guarda-chuva e foi embora. Um pouco nervosa consigo, se perguntava até quando ficaria deste jeito. Já se passava meses desde então e estava na hora de esquecê-lo.E lembrei daquela triste noite. Num corredor, várias pessoas, indo e vindo. De longe coração saltado.Nossa é ele!Sensações diversas, tudo ao mesmo tempo, no mesmo segundo. Depois de tanto tempo, meses e meses a fio.E lá estava, era você, tão real, tão vivo, do mesmo jeito, ainda mais bonito.E triste sensação de nenhuma palavra, nem - oi.? Não sei explicar o que senti, era alegria de rever e tristeza por nada ouvir.Depois daquele dia, percebi a grande ilusão, momento certo para esquecê-lo de uma vez.
Tentou. Forçava flertes na menor oportunidade, tentava se convencer dos detalhes que este ou àquele tinha diferente dele, no esforço de arrancá-lo de seus pensamentos. Não adiantou, não encontrava aquele desejo no olhar, aquela vontade louca de fragmentar o corpo, forçar suspiros, boca entreaberta, seca de alguém que chegasse perto do que foi com você. Doce ilusão, quanto mais tentava, mais se decepcionava. Resolveu fugir. Dando às costas a qualquer informação. ficou triste. chorou. Percebeu que a indiferença trazia (ainda mais) sofrimento, é uma mentira a si mesmo, que é o melhor jeito de esquecê-lo. Grande engano! Grande erro.O bem e a diferença que ele faz em seus dias supera a tristeza, a frustração do desencontro, e mesmo sem tocá-lo, sem tê-lo restando a doce inveja de quem o fez. É embebedação de espírito ansioso, devaneios e anseios de anos? Já perdeu a conta de quantas vezes se pergunta isto. E hoje mais uma vez o procurei, no rapaz encostado na parede com camiseta azul marinho, calça preta, mas este parecia mesmo. Um pouco mais alto é verdade, mas a boca, a sobrancelha e às mãos eram quase idênticas. Se ao menos tivesse o olhar? Mas nada. era muito fulgás.
E ontem à noite em vão tentava dormir, rolando de um lado para o outro da cama, lembrou do primeiro dia. Ele estava atrasado, esbaforido, apresentação rápida, naquela noite feliz. E naquele instante era fechar os olhos que o tocava, o beijava e até sentia suas mãos mexendo no meu cabelo...e sei, havia bastante gente ali, mas para mim, era só eu e você e mesmo se tivesse um muro, um vidro qualquer coisa, conseguiria tocá-lo.Seria uma explicação para tantos olhares.
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ana karla
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Caríssimos e caríssimas, hoje infelizmente não vou dar continuidade à séria série da fórmula 1 pois interrompo esta programção para avisar ao mundo que às 12:15hs deste dia 26/11 veio ao mundo a pequena Camilinha, linda (paizão coruja!), com 3030g e medindo 49cm, medidas de modelo, diga-se de passagem!!




Só pra não passar em branco, seguem umas fotos da viagem de San Francisco do mês passado.
[ ]'s
Valeu galera, espero que curtam as fotos!
O céu sobre a Califórnia:


Ilha de Alcatraz.

As montanhas geladas do Deserto de Nevada.

Golden Gate Bridge ao entradecer.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
História sobre a cegueira
Corria pelo centro de SP, atrasada, quando vi uma cega parada no meio da multidão. Posso ser paulistana mas tenho compaixão, me aproximei e perguntei se ela queria ajuda. Ela simplesmente respondeu:
- Estou bem, só estou ouvindo a música.
Foi então que eu percebi um lindo som de violino. Procurei em volta e vi numa sacada de um prédio antigo um homem tocando. Passava por ali todos os dias, nunca o tinha visto, nem ouvido sua música.
Eu e aquela cega éramos as únicas pessoas no meio daquela multidão que o estávamos "vendo".
Quantas coisas lindas e gostosas a gente deixa de ver/ouvir/sentir/cheirar todos os dias?
Essa é a hora de sentir-se bem
- Estou bem, só estou ouvindo a música.
Foi então que eu percebi um lindo som de violino. Procurei em volta e vi numa sacada de um prédio antigo um homem tocando. Passava por ali todos os dias, nunca o tinha visto, nem ouvido sua música.
Eu e aquela cega éramos as únicas pessoas no meio daquela multidão que o estávamos "vendo".
Quantas coisas lindas e gostosas a gente deixa de ver/ouvir/sentir/cheirar todos os dias?
Essa é a hora de sentir-se bem
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camila marin
domingo, 22 de novembro de 2009
O caso UNIBAN
Uma "brincadeira séria" com o acontecimento. Só porque ele gerou polêmica, foi tratado de forma ridícula e a tal da Geisy, além de ser convidada para posar nua, já apareceu no programa global Casseta & Planeta.
Do blog do ANTONIO PRATA, cronista do Estadão.
11.11.2009 / Seção: Papéis avulsos 12:09:25.
O leitor Eurípedes Paranhos, do Jardim Áustria, São Paulo, pede-me que publique sua carta. Como acredito que esse blog deve ser um espaço de pluralismo e tolerância, aqui vai ela. Cortei apenas palavras de baixo calão e os trechos que incitavam mais diretamente ao apedrejamento de adúlteras e a extirpação de clitóris. O resto, vai como recebi.
A carta chegou anteontem, antes que os jornais publicassem o recuo da UNIBAN da decisão de expulsar a aluna e antes que se soubesse que o Suplicy iria dar uma palestra na supracitada universidade. O leitor Eurípedes deve estar contrariado com os últimos ocorridos. Caso me escreva novamente, prometo publicar aqui suas opiniões.
"O senhor e a senhora, que pagam seus impostos e rezam suas Ave Marias, que estão em dia com o fisco, com Deus e com vossas consciências, devem ter ficado tão estarrecidos quanto eu, diante do caso ocorrido na UNIBAN. Por isso venho a público, prestar meu apoio àquela nobre instituição de ensino, vítima de um linchamento covarde, acuada numa sala de aula por mais de seiscentos jornais, revistas e canais de televisão que, brandindo gravadores, câmeras e celulares, ameaçam violentar o que ela tem de mais sagrado: sua reputação.
Eu já nutria simpatia pela UNIBAN mesmo antes do caso da garota Geisy, quando pouco sabia sobre a universidade. É que gosto de tudo o que acaba em BAN. O Taleban, por exemplo. Comete certos excessos? Sim, comete, mas não se pode negar que acabou com a pornografia, a televisão, o batom, o comunismo e o chiclete, lá no Paquistão. A OBAN: torturava? Torturava. Mas se não fossem eles, queria ver que que os baderneiros tinham feito desse país. Por último, o Bambam, aquele garotinho dos Flintstons, que se veste com pele de leopardo e anda com uma clava, treinando desde cedo para tratar as mulheres como merecem.
E como merece ser tratada a mocinha que vai à universidade com um vestido um palmo abaixo das nádegas?! Ora! Alguém que sobe as rampas mostrando as coxas aos alunos de engenharia quer o que? Quer dar! Quer dar! Onde já se viu, meu senhor, minha senhora?! Um mundo onde as mulheres saem por aí exibindo seus desejos não tardará em se transformar num mundo em que homossexuais do mesmo sexo poderão casar e adotar crianças! Em que a maconha será discriminada! Em que Deus, a Família e a Tradição evaporarão como água na panela.
Alguém tinha que tomar uma atitude, e a UNIBAN tomou, o que não deixa de ser um alívio, num momento crítico de nosso país, quando um nordestino analfabeto e cafona está na presidência da república e corremos o risco de ter uma bugra, ex-empregada doméstica, subindo a rampa do Alvorada - justo nesta hora em que todos os olhos do mundo estão sobre nós, por conta da Copa e das Olimpíadas!
Ainda bem que existem instituições sérias como a UNIBAN, que, como boa universidade, sabe que há o certo, o errado e que isso não se discute. Sabe que cada coisa tem que ser feita em seu devido lugar, e faculdade é lugar de ler, de escrever e, no máximo, acuar uma garota de vinte anos numa sala e ameaçar estuprá-la.
Não que eu concorde que essa tenha sido a melhor saída para ensinar a Geisy a respeitar os bons costumes, mas, veja bem, os jovens cometem seus excessos. Eu, por exemplo, quando tinha meus dezoito anos, ia na avenida do jóquei dar tiro de paintball e jogar ovo podre em travestis. Mas era na avenida do jóquei, não na faculdade, e eles eram travestis, não gente normal, de modo que nem sei porque estou contando isso.
Enfim, vai aqui minha solidariedade à UNIBAN. E saibam todos os que lerem esta carta que o dia em que não houver mais pessoas ou organizações idôneas lutando pela moral e os bons costumes, não hesitarei em tomar as ruas, brandindo minha clava, meu celular ou minha espingarda de paintball, que deve estar em algum lugar, no socavão, atrás das revistas pornográficas e das luzinhas de natal.
Grande abraço,
E. Paranhos"
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Alguns comentários dos leitores superam o inteligentíssimo sarcasmo do cronista:
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Daniela:
Meu Deus do céu! Tô bege. Que pessoa sem noção.
Eu teria vergonha de ser da família desse aí.
Aninha:
Não dá pra lver a sério um cara burro, grosso e preconceituoso como esse, né? Tô passada com tamanha estupidez! Não consegui ler tudo... não carece, nem faz bem ler um troço desses. Então é esse o tipo de gente que simpatiza com a tal UNIBAN??? Tá explicado.
Carolina:
É por conta de textos e opiniões como as citadas acima que eu acredito que ao invés de progredir, nós estamos regredindo! Daqui a pouco voltaremos para o tempo da "Inquisição". E há quem diga que esta é uma opinião arrazoada.
Inconformado:
Esse "Eurípedes" é um burro, ingnorante, racista, machista... deve ser um cérebro idoso e regressado se não parado no tempo, um verdadeiro imbecíl...
Po Prata, você não precisava publicar isso... tu é inteligente, tem muitas informações maravilhosas para colaborar com a cultura e evolução do cidadão, mas desta vez...
Eurípedes vai pra PQP!!!
_____________________________________________________________________________________
Hahaha!
Do blog do ANTONIO PRATA, cronista do Estadão.
11.11.2009 / Seção: Papéis avulsos 12:09:25.
O leitor Eurípedes Paranhos, do Jardim Áustria, São Paulo, pede-me que publique sua carta. Como acredito que esse blog deve ser um espaço de pluralismo e tolerância, aqui vai ela. Cortei apenas palavras de baixo calão e os trechos que incitavam mais diretamente ao apedrejamento de adúlteras e a extirpação de clitóris. O resto, vai como recebi.
A carta chegou anteontem, antes que os jornais publicassem o recuo da UNIBAN da decisão de expulsar a aluna e antes que se soubesse que o Suplicy iria dar uma palestra na supracitada universidade. O leitor Eurípedes deve estar contrariado com os últimos ocorridos. Caso me escreva novamente, prometo publicar aqui suas opiniões.
"O senhor e a senhora, que pagam seus impostos e rezam suas Ave Marias, que estão em dia com o fisco, com Deus e com vossas consciências, devem ter ficado tão estarrecidos quanto eu, diante do caso ocorrido na UNIBAN. Por isso venho a público, prestar meu apoio àquela nobre instituição de ensino, vítima de um linchamento covarde, acuada numa sala de aula por mais de seiscentos jornais, revistas e canais de televisão que, brandindo gravadores, câmeras e celulares, ameaçam violentar o que ela tem de mais sagrado: sua reputação.
Eu já nutria simpatia pela UNIBAN mesmo antes do caso da garota Geisy, quando pouco sabia sobre a universidade. É que gosto de tudo o que acaba em BAN. O Taleban, por exemplo. Comete certos excessos? Sim, comete, mas não se pode negar que acabou com a pornografia, a televisão, o batom, o comunismo e o chiclete, lá no Paquistão. A OBAN: torturava? Torturava. Mas se não fossem eles, queria ver que que os baderneiros tinham feito desse país. Por último, o Bambam, aquele garotinho dos Flintstons, que se veste com pele de leopardo e anda com uma clava, treinando desde cedo para tratar as mulheres como merecem.
E como merece ser tratada a mocinha que vai à universidade com um vestido um palmo abaixo das nádegas?! Ora! Alguém que sobe as rampas mostrando as coxas aos alunos de engenharia quer o que? Quer dar! Quer dar! Onde já se viu, meu senhor, minha senhora?! Um mundo onde as mulheres saem por aí exibindo seus desejos não tardará em se transformar num mundo em que homossexuais do mesmo sexo poderão casar e adotar crianças! Em que a maconha será discriminada! Em que Deus, a Família e a Tradição evaporarão como água na panela.
Alguém tinha que tomar uma atitude, e a UNIBAN tomou, o que não deixa de ser um alívio, num momento crítico de nosso país, quando um nordestino analfabeto e cafona está na presidência da república e corremos o risco de ter uma bugra, ex-empregada doméstica, subindo a rampa do Alvorada - justo nesta hora em que todos os olhos do mundo estão sobre nós, por conta da Copa e das Olimpíadas!
Ainda bem que existem instituições sérias como a UNIBAN, que, como boa universidade, sabe que há o certo, o errado e que isso não se discute. Sabe que cada coisa tem que ser feita em seu devido lugar, e faculdade é lugar de ler, de escrever e, no máximo, acuar uma garota de vinte anos numa sala e ameaçar estuprá-la.
Não que eu concorde que essa tenha sido a melhor saída para ensinar a Geisy a respeitar os bons costumes, mas, veja bem, os jovens cometem seus excessos. Eu, por exemplo, quando tinha meus dezoito anos, ia na avenida do jóquei dar tiro de paintball e jogar ovo podre em travestis. Mas era na avenida do jóquei, não na faculdade, e eles eram travestis, não gente normal, de modo que nem sei porque estou contando isso.
Enfim, vai aqui minha solidariedade à UNIBAN. E saibam todos os que lerem esta carta que o dia em que não houver mais pessoas ou organizações idôneas lutando pela moral e os bons costumes, não hesitarei em tomar as ruas, brandindo minha clava, meu celular ou minha espingarda de paintball, que deve estar em algum lugar, no socavão, atrás das revistas pornográficas e das luzinhas de natal.
Grande abraço,
E. Paranhos"
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Alguns comentários dos leitores superam o inteligentíssimo sarcasmo do cronista:
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Daniela:
Meu Deus do céu! Tô bege. Que pessoa sem noção.
Eu teria vergonha de ser da família desse aí.
Aninha:
Não dá pra lver a sério um cara burro, grosso e preconceituoso como esse, né? Tô passada com tamanha estupidez! Não consegui ler tudo... não carece, nem faz bem ler um troço desses. Então é esse o tipo de gente que simpatiza com a tal UNIBAN??? Tá explicado.
Carolina:
É por conta de textos e opiniões como as citadas acima que eu acredito que ao invés de progredir, nós estamos regredindo! Daqui a pouco voltaremos para o tempo da "Inquisição". E há quem diga que esta é uma opinião arrazoada.
Inconformado:
Esse "Eurípedes" é um burro, ingnorante, racista, machista... deve ser um cérebro idoso e regressado se não parado no tempo, um verdadeiro imbecíl...
Po Prata, você não precisava publicar isso... tu é inteligente, tem muitas informações maravilhosas para colaborar com a cultura e evolução do cidadão, mas desta vez...
Eurípedes vai pra PQP!!!
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Hahaha!
Marcadores:
marina zyrianoff
sábado, 21 de novembro de 2009
estradiol hiperbólico
começo:
Já cansada de buscar aprovação,
Já cansada de buscar aprovação,
meio:
ligou o foda-se no nível mais alto que pôde
fim:
e seguiu.
e seguiu.
Marcadores:
Juliana Cruz
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Falta...
... de criatividade, bloqueio mental, preguiça, frescura... sei lá como chamar isso. Só sei que faltou. Talvez pela ansiedade de ver o dia 20 chegando. O que fazer agora que estou na última hora?
Vou improvisar, deixa eu ver o que tem no maleiro do meu guarda-roupas. (voltei) Peguei alguns objetos que me trouxeram lembranças imediatas e que estavam alí esquecidos. Alguns a mais, outros a menos tempo.

Objeto 1: Livro de Jack Kerouak (Diário de). Cobre um período de 1947 até 1954. Não é só um diário, é uma coletânea de anotações de viagens, ideias, rascunhos e também diário. Não lembro se o comprei, ganhei ou roubei, mas lembro que fiquei um tanto desconfortável em ler coisas que talvez ele não quisesse que ninguém ficasse sabendo, mas com o tempo comecei a delirar e me deixar influenciar até me ver tentando escrever no ritmo do jazz e enquanto tomava franol (só esqueci de ser um Jack Kerouak). Mas valeu. É um dos meus livros prediletos e me trouxe muitas ideias que carrego até hoje.
Obejeto 2: CD Innuendo (Queen - 1991). Foi um dos primeiros albuns completos que escutei dessa banda. O Canto do Cisne do Queen é belo e triste. Da pra sentir o suor e sangue da banda no empenho de fazer um trabalho perfeito. Acho que gosto mais dele do que A Night At the Opera, clássico de 1975, se não me engano. Coloquei ele aqui no player para ouvir e tinha esquecido como é espantoso ouvir Queen, parece que a música deles não foi feita por humanos, mas por anjos ou algo assim.
Objeto 3: Celular ZTE Vivo. Foi o primeiro celular que comprei e durou exatamente um dia. Fui para um sítio comemorar o aniversário de um amigo e alguém teve a grande ideia de me jogar na represa. Nunca mais funcionou, mas não sei porque o guardo até hoje. Ele estava mal guardado e caiu na minha cabeça assim que abri a porta, talvez ele queira me dizer algo... quem sabe que ainda está vivo, será?
Objeto 4: Nikon FM 10 - Analógica, empoeirada e com lente 35~70 mm. Minha grande companheira há muito esquecida. Vou comprar um filme já e fazer umas fotos com ela =D.
Objetos 5 e 6: Dois ingressos de eventos que me trouxeram de volta à vida: Radiohead e Fuerza Bruta. Rapaz, tive que me render ao espetáculo dos argentinos, que me levaram ao transe total. Já Radiohead não preciso nem dizer, ainda hoje sinto os efeitos alucinógenos daquele dia. Sei que o .lucas tava lá também e não vai me deixar mentir.
Abraços!
Vou improvisar, deixa eu ver o que tem no maleiro do meu guarda-roupas. (voltei) Peguei alguns objetos que me trouxeram lembranças imediatas e que estavam alí esquecidos. Alguns a mais, outros a menos tempo.

Objeto 1: Livro de Jack Kerouak (Diário de). Cobre um período de 1947 até 1954. Não é só um diário, é uma coletânea de anotações de viagens, ideias, rascunhos e também diário. Não lembro se o comprei, ganhei ou roubei, mas lembro que fiquei um tanto desconfortável em ler coisas que talvez ele não quisesse que ninguém ficasse sabendo, mas com o tempo comecei a delirar e me deixar influenciar até me ver tentando escrever no ritmo do jazz e enquanto tomava franol (só esqueci de ser um Jack Kerouak). Mas valeu. É um dos meus livros prediletos e me trouxe muitas ideias que carrego até hoje.
Obejeto 2: CD Innuendo (Queen - 1991). Foi um dos primeiros albuns completos que escutei dessa banda. O Canto do Cisne do Queen é belo e triste. Da pra sentir o suor e sangue da banda no empenho de fazer um trabalho perfeito. Acho que gosto mais dele do que A Night At the Opera, clássico de 1975, se não me engano. Coloquei ele aqui no player para ouvir e tinha esquecido como é espantoso ouvir Queen, parece que a música deles não foi feita por humanos, mas por anjos ou algo assim.
Objeto 3: Celular ZTE Vivo. Foi o primeiro celular que comprei e durou exatamente um dia. Fui para um sítio comemorar o aniversário de um amigo e alguém teve a grande ideia de me jogar na represa. Nunca mais funcionou, mas não sei porque o guardo até hoje. Ele estava mal guardado e caiu na minha cabeça assim que abri a porta, talvez ele queira me dizer algo... quem sabe que ainda está vivo, será?
Objeto 4: Nikon FM 10 - Analógica, empoeirada e com lente 35~70 mm. Minha grande companheira há muito esquecida. Vou comprar um filme já e fazer umas fotos com ela =D.
Objetos 5 e 6: Dois ingressos de eventos que me trouxeram de volta à vida: Radiohead e Fuerza Bruta. Rapaz, tive que me render ao espetáculo dos argentinos, que me levaram ao transe total. Já Radiohead não preciso nem dizer, ainda hoje sinto os efeitos alucinógenos daquele dia. Sei que o .lucas tava lá também e não vai me deixar mentir.
Abraços!
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Foi a primeira (5º) vez que Zé pôde tolerar
Ninguém tem que se foder. Ô desejo nojento esse de se ter. Uns três meses atrás estava eu e Juca conversando quando Zé chegou. Bêbado, sujo, barbudo e chorando. Zé é mais velho que eu, amigo de infância do Juca. Juca acalmou o Zé.
Zé contou que seria a última vez que veriamos ele naquele estado, dia seguinte estaria internado.
Basta, ele disse. O quinto basta, segundo Juca. Vai na fé Zé, dissemos, e Zé se foi. De moleque nunca entendi o porque de querer que o outro se fodesse.
Hoje entendo, que pena. Coisa fácil é alimentar raiva, preguiça, é perder paciência e julgar de prima.
Na ida pro curso vi o Zé sentado na calçada da padaria.
Bêbado, sujo e barbudo. Não chorava. Já é alguma coisa, ou não.
Zé deve inventar novos prazeres. Invente, Zé. Dê um basta. O sexto basta.
Ninguém tem que se foder, Zé.
Zé contou que seria a última vez que veriamos ele naquele estado, dia seguinte estaria internado.
Basta, ele disse. O quinto basta, segundo Juca. Vai na fé Zé, dissemos, e Zé se foi. De moleque nunca entendi o porque de querer que o outro se fodesse.
Hoje entendo, que pena. Coisa fácil é alimentar raiva, preguiça, é perder paciência e julgar de prima.
Na ida pro curso vi o Zé sentado na calçada da padaria.
Bêbado, sujo e barbudo. Não chorava. Já é alguma coisa, ou não.
Zé deve inventar novos prazeres. Invente, Zé. Dê um basta. O sexto basta.
Ninguém tem que se foder, Zé.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Semelhanças entre as máquinas e o amor
Acreditei recentemente que uma conspiração tecnológica estava a me assombrar. Pifou tanta coisa de uma só vez, foi tamanho o piti coletivo das minhas máquinas que levei a sério o que disse a 21: a tecnologia é a ruína da sociedade. E arruinados estamos nós, mortais, cada vez mais dependentes dela.
Você sabe que a máquina – qualquer uma delas - há de estragar um dia, mas, inexplicavelmente, você confia dados, relatórios, monografias, nomes e telefones, projetos de vida e textos únicos, escritos em momentos de inspiração da madrugada, àquela memória impalpável que um dia pode simplesmente ter uma pane e acusar: empty. Você sabe, mas mesmo assim compra, grava, usa, porque você é vencido pelas facilidades da vida moderna.
Assim é mesmo com o amor. Você sabe, ah, sabe, que um dia o relacionamento vai estragar e pode não demorar muito para você se encontrar com os olhos vermelhos diante de um bolo de fotos. Mesmo assim, tendo ciência de que o amor terá um fim, que a chama da vela não inflamará eternamente, você se deixa envolver. Quem há de negar a possibilidade de sentir o coração na boca com uma tímida cruzada de olhares? De ser surpreendido na cozinha, sendo puxado para dançar um tango, no meio das panelas no fogo? De ouvir eu te amo numa tarde qualquer de mormaço?
Um dia o amor, como disse Paulo Mendes Campos, acaba. É típico do amor acabar. Mas você insiste. Pela boa pessoa que o outro é, e que você é, você resolve dar mais uma chance. Tem conserto. Precisa apenas de uma formatação. Passaremos por cima.
Mas não. Depois que uma máquina quebra, ela jamais há de ser a mesma. Seja pela técnica que não dá conta (as máquinas são imprevisíveis e geniosas), seja pelo medo de quebrar de novo. Depois que volta do conserto você fica com medo de usar, de ligar, vai que dá pau de novo? Dá pra confiar? E você se vê com o aparelho lá, encostado num canto. Uma relação apática como a de um casal assistindo à televisão depois de um dia de trabalho árduo. Foi-se os tempos em que as mães exibiam os eletrodomésticos presentes de casamento. Hoje tudo é descartável.
Nas máquinas ou no amor, não confie na garantia. Muitas vezes não há argumento. Não há nada que podemos fazer, meu senhor. A escolha foi sua, você sabia, todas podem estragar. Confiar é estar sujeito a tudo. Às intempéries climáticas, ao desgaste do tempo. As máquinas, se pudessem, pediriam garantia por terem sido trocadas por uma outra aparelhagem mais moderna. Pediriam para serem devolvidas às fábricas, que lhe tirassem todas as peças. Melhor isso que observar o dono se divertindo com a outra, a recém-chegada. Mas não há o que podemos fazer, prezado. Assim é mesmo com o amor. Apaixonar-se é estar sujeito à possível ação do tempo, ou à presença de um outro.
Mas por que ser tão pessimista? A tecnologia também facilita os relacionamentos! As possibilidades de contato são ampliadas, as fronteiras não existem. E o reverso da medalha é que quanto mais envolvido, mais dependente você estará quando a máquina quebra. Mais angustiante se torna a espera de não saber o que acontece com o mundo e com aqueles entrelaçados nas suas redes. E, como são várias as possibilidades de se manter contato, várias são as possibilidades de ser ignorado. Ao final, você se sente como el coronel de Marquez, que no tiene quién le escriba.
Há pessoas que resistem à dependência das máquinas. À rapidez, à fluidez, à superficialidade das tecnologias. E há pessoas que resistem ao amor. Ao receio do começo e à consequente melancolia do inevitável fim. Estranha civilização essa de máquinas descartáveis e amores apressados. Melhor seria um tempo de amor sem pressa, que aguarda em silêncio. Sem se afobar.
Você sabe que a máquina – qualquer uma delas - há de estragar um dia, mas, inexplicavelmente, você confia dados, relatórios, monografias, nomes e telefones, projetos de vida e textos únicos, escritos em momentos de inspiração da madrugada, àquela memória impalpável que um dia pode simplesmente ter uma pane e acusar: empty. Você sabe, mas mesmo assim compra, grava, usa, porque você é vencido pelas facilidades da vida moderna.
Assim é mesmo com o amor. Você sabe, ah, sabe, que um dia o relacionamento vai estragar e pode não demorar muito para você se encontrar com os olhos vermelhos diante de um bolo de fotos. Mesmo assim, tendo ciência de que o amor terá um fim, que a chama da vela não inflamará eternamente, você se deixa envolver. Quem há de negar a possibilidade de sentir o coração na boca com uma tímida cruzada de olhares? De ser surpreendido na cozinha, sendo puxado para dançar um tango, no meio das panelas no fogo? De ouvir eu te amo numa tarde qualquer de mormaço?
Um dia o amor, como disse Paulo Mendes Campos, acaba. É típico do amor acabar. Mas você insiste. Pela boa pessoa que o outro é, e que você é, você resolve dar mais uma chance. Tem conserto. Precisa apenas de uma formatação. Passaremos por cima.
Mas não. Depois que uma máquina quebra, ela jamais há de ser a mesma. Seja pela técnica que não dá conta (as máquinas são imprevisíveis e geniosas), seja pelo medo de quebrar de novo. Depois que volta do conserto você fica com medo de usar, de ligar, vai que dá pau de novo? Dá pra confiar? E você se vê com o aparelho lá, encostado num canto. Uma relação apática como a de um casal assistindo à televisão depois de um dia de trabalho árduo. Foi-se os tempos em que as mães exibiam os eletrodomésticos presentes de casamento. Hoje tudo é descartável.
Nas máquinas ou no amor, não confie na garantia. Muitas vezes não há argumento. Não há nada que podemos fazer, meu senhor. A escolha foi sua, você sabia, todas podem estragar. Confiar é estar sujeito a tudo. Às intempéries climáticas, ao desgaste do tempo. As máquinas, se pudessem, pediriam garantia por terem sido trocadas por uma outra aparelhagem mais moderna. Pediriam para serem devolvidas às fábricas, que lhe tirassem todas as peças. Melhor isso que observar o dono se divertindo com a outra, a recém-chegada. Mas não há o que podemos fazer, prezado. Assim é mesmo com o amor. Apaixonar-se é estar sujeito à possível ação do tempo, ou à presença de um outro.
Mas por que ser tão pessimista? A tecnologia também facilita os relacionamentos! As possibilidades de contato são ampliadas, as fronteiras não existem. E o reverso da medalha é que quanto mais envolvido, mais dependente você estará quando a máquina quebra. Mais angustiante se torna a espera de não saber o que acontece com o mundo e com aqueles entrelaçados nas suas redes. E, como são várias as possibilidades de se manter contato, várias são as possibilidades de ser ignorado. Ao final, você se sente como el coronel de Marquez, que no tiene quién le escriba.
Há pessoas que resistem à dependência das máquinas. À rapidez, à fluidez, à superficialidade das tecnologias. E há pessoas que resistem ao amor. Ao receio do começo e à consequente melancolia do inevitável fim. Estranha civilização essa de máquinas descartáveis e amores apressados. Melhor seria um tempo de amor sem pressa, que aguarda em silêncio. Sem se afobar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Electrical Storm
Car alarm won't let ya back to sleepEsqueça One, Stay ou With or Without. A melhor música desse fim de semana é Electrical Storm. Não sou músico, aliás, nem de Rock Band (um péssimo baterista). Tão menos sou fã de U2. Acho Bono pedante, tenho a impressão que ele não peida para não afetar a camada de ozônio, sem contar, essa história de megashows, dá impressão de impotência sexual, no caso em epígrafe, musical. Acho que esta é a minha I'm like a bird, embora, não tenho 1/1000 do talento de Nick Hornby para defendê-la.
You're kept awake dreaming someone else's dream
Coffee is cold, but it'll get you through
Compromise, that's nothing new to you.
Tudo começou num sábado quente que passava pelo Parque Dom Pedro com a visão a partir do São Vito e a convicção de que Sol e SP não têm muito a ver. São Paulo gosta do cinza, da garoa, o Sol a desfigura como o choro à maquiagem. Comecei a ouvir um CD que não lembro de ter montado, em São Bernardo, com Beatles e uma sequência absurda de grandes músicas (sim e não merece comentários, pois, Beatles, né!?) e Coldplay, chato, apenas Trouble me interessou. Quando começou U2, fui passando até chegar em Electrical Storm. Já estava perdido nos meus pensamentos com o clichê de Cinza+SP (referência que está um pouquinho depois do caput desse parágrafo).
Arrebatou, Repeat!
O fraseado de guitarra me fez a selecionar o repeat, a cada término, um novo repeat. Tratava-se ouvir uma música como se deve, cada nuance, som, separadamente e descobrir suas brincadeiras. Lembrou-me a vez que ouvi Dosed pela primeira vez. Aliás, acho The Edge parecido com Frusciante. Sim, a guitarra dessa música é bem boa.
O nome da música. Gosto de nomes fortes, sou capaz de comprar livros, filmes ou CD só pelo título. A última vez que fiz isso foi a compra do Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios. Talvez, seja por isso que eu gosto de Smiths, mesmo as músicas não me agradando tanto, embora, seus nomes valham uma ouvida.
Contudo, faltava o vídeo, a melhor música do fim de semana tem que ter bom clipe. Nesse quesito a surpresa foi por demais boa. A direção do clipe é de Anton Corbjin, nada mais e nada menos que o cara de Control, que manja uma ou duas coisas de música. Lógico: preto e branco. Não lógico: O protagonista do clipe não é Bono.
Mesmo assim, não me tornei fã de U2. Quando eles vierem ao Morumbi, não tem a mínima chance, não serei a próxima Katilce. Aliás, não acredito em shows, ainda mais que mais uma vez perdi a chance de ver os meus heroes: Sonic Youth.
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
A boca da donzela
Um dia a donzela sonhou uma boca. Não que não soubesse sonhar um corpo inteiro; acontece que naquele dia quis sonhar somente uma boca. Não uma comum -- pois bocas comuns existiam aos milhares -- a sua boca haveria de ser especial; boca nunca sonhada.
Elaborou o contorno: nem muito fina, nem carnuda demais e, por levar seus sonhos a sério, não quis ir além dos limites da imaginação fazendo outra boca que não fosse vermelha. Tendo definido a cor, achou que a boca deveria ser doce. Para princesa era loucura imaginar uma boca sem gosto.
Nas primeiras noites ficou totalmente satisfeita com a boca sonhada; boca esta que por vezes parecia sorrir-lhe flutuando segura no vazio. Com o tempo, porém, irritou-se um pouco com aquela boca ali perdida no nada. “Que triste!”, bradou a princesa, “uma boca ser tão sozinha!” E olhando a boca, não demorou a perceber que aquela era uma boca de homem e que precisava urgentemente de um rosto.
Sonhar um rosto de homem não era coisa difícil; tantos homens que iam e vinham o tempo todo. Contudo, da mesma forma que na boca, a princesa quis se esmerar no rosto que sonhava.
“Tem que ser um rosto sincero, com olhos redondos e meigos para combinar com a boca; sobrancelha baixa, para dar ao rosto certo mistério, um certo atrevimento...” No nariz, parou uma semana. E como era difícil sonhar um nariz! Pois, em narizes, pouco reparava. Assim, tendo estabelecido o nariz, vieram fáceis a testa, as maçãs, o queixo. E o cabelo? Negro? Louro? Vermelho? E a cor da pele, qual seria?
Gastou mais uma semana para sonhá-la. Nem branca, nem negra, um meio termo: clareava no inverno para combinar com a neve e escurecia no verão, para combinar com a terra. E por não saber para que servia, estabeleceu que os fios da barba cresceriam lentamente, dando tempo de se optar.
Surpreendeu-se a princesa com a cabeça sonhada. Cabeça que custara a ela todas as noites de um mês inteiro. A cabeça era um sonho, porém depois de concluída pedia urgentemente um corpo.
- Cruz credo! - tremeu a princesa, se alguém sonhasse o mesmo sonho acharia com certeza que havia decapitado o pobre rapaz.
Foi assim que na mesma lentidão, a cabeça cobrou o corpo que a princesa foi sonhando.
Sendo insuficientes as noites, a princesa foi penetrando cada vez mais os dias, passando mais tempo no sonho do que na vida.
Assim de repente, ela foi tomando consciência das diferenças que havia entre aquele corpo e o seu: o ombro largo, para que servia? Talvez para suportar o peso das armaduras que o homem teimava em usar para fazer guerra. O tórax largo seria para as medalhas? Os braços musculosos, para levar donzelas? Longos, para atirar do arco, as flechas? E as pernas? Que razões teriam para serem tão cumpridas senão para se adaptarem à sela de cavalgar? Por mais sonhar essas coisas, mais descobria que o homem era definitivamente um ser estranho e que estranhamente lhe agradava.
Mas nenhum homem a agradava tanto quanto este feito inteirinho de sonho. Por esta razão: a de não concluí-lo, adiava o despertar, demorando-se nos detalhes mais fúteis, como o contar e recontar inúmeras vezes os dedos para ele sonhados.
Os pais já a haviam repreendido, dizendo que sonho demais era quase tão ruim quanto a realidade, mas ela nada ouvia, pois já sonhava acordada.
Sonhava um outono, quando percebeu que o moço não sorria. Achou que fosse a falta de dentes e sonhou-os brancos, perfeitos e bem escovados. Mas mesmo assim o cavaleiro não lhe sorriu. Notou que, desde o início não lhe fizera nem um gesto, nem uma palavra dissera. Nada. Achou que era pura timidez, pois ela o havia sonhado primeiramente nu para depois pôr-lhe as roupas. Porém, tanto tempo transcorrido, começou a temer que fosse surdo, ou mudo, ou pior: não gostasse dela nem um pouco. Que a odiasse por ela tê-lo moldado inteiramente conforme a sua vontade. Que o quisera bom demais, bravo demais -- demasiado: augusto em cada detalhe.
Então, tomou coragem e esticou o dedo tocando-o. Era quente, pulsante, vivo -- um homem, não uma estátua! -- Ela, então, fechou o punho e bateu em seu joelho ordenando: - Fale!
Mas ele não falou. Ela então se afastou cheia de horror, pois compreendera que o fizera perfeito. Perfeito demais. Esquecera somente de lhe dar uma alma. Existiria uma alma perfeita?
Mas não era isso, era pior. E seu grito soou terrível.
- Sou eu que não sou perfeita.
E, gritando, desejou que jamais tivesse feito seu corpo, sua cabeça... e que sua boca, ora, que a sua boca fosse igual a qualquer boca. Uma boca qualquer, que pudesse beijá-la com amor.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Luz
Eu podia falar hoje sobre como é difícil pra mim pedir demissão. Sobre como eu brinco que é igual a terminar namoro: a gente sabe o que a gente quer, sabe que é melhor pra gente, mas com medo de magoar o outro, a gente enrola, adia, discute a relação, diz que vai pensar, pede um tempo, enrola de novo, vai, volta, vem, termina, e no fim das contas, depois de tudo terminado e algumas lágrimas derramadas, tem certeza de que era isso mesmo.
Eu podia falar hoje sobre o que o horóscopo, em que eu não acredito, me disse: É natural confundir-se com as pessoas, achando que elas são isso ou aquilo quando na verdade tudo era apenas fachada. É natural confundir-se, porém não é natural insistir na confusão depois de ter sido desmascarada.
Eu podia falar hoje sobre o que o horóscopo, em que eu não acredito, me disse: É natural confundir-se com as pessoas, achando que elas são isso ou aquilo quando na verdade tudo era apenas fachada. É natural confundir-se, porém não é natural insistir na confusão depois de ter sido desmascarada.
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Mas não. Hoje eu quero falar de luz.
..
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“Mal colocas dentro dela a lamparina e já se projetam imagens das mais coloridas na parede branca! E mesmo que todas não sejam mais do que efêmeros fantasmas, elas nos fazem felizes enquanto permanecemos ali, acordados, e como crianças nos maravilhamos com suas aparições maravilhosas.”
.Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther
terça-feira, 10 de novembro de 2009
"Pode ser gorda! Pode ser feia! Só não pode ser gorda e feia!"
Dava pra ouvir o funk de longe. Logo veio a primeira lata de cerveja.
-Onde guardo as minhas coisas?
-Ali.
-Escuta, ele está dormindo, não vai conseguir dirigir. Eu também estou bêbada. Melhor deixar para irmos amanhã.
-Que é isso? Loló? Passa!
Bafora um, dois, três. Largooooouuuuuuu...
-Qual seu nome?
Não importa.
Estica 3 carreiras. Enrola a nota de 50 reais.
Vão falar que você não é nada. Vão falar que você não tem calça. Vão falar que você não é nada. Vão falar que você não é nada.
-A música não é assim!
Não importa.
Sol, somente só. Assim vou lhe chamar, assim você vai ser...
Água, muita água. Água de beber, camará.
Pega mata come, carcará...
-Meu nome é Claudionor! Isso! Não, a cachaça eu não dou!
Era uma cabeça de Garfield que usava na cabeça.
Ombro, joelho e pé. Joelho e pé.
-Qual seu nome?
Não importa.
-É que a cabeça, a gente vai usar pra agitar a torcida na hora do jogo.
-Ah, então você é desses que usa a cabeça?
Não importa.
Uma dose. Duas doses. Três doses.
Um limão. Meio limão.
-O que é isso?
-Chama-se Amnésia.
-Amnésia não faz jus ao nome. É mais fraco que Disco Voador.
Dá dois, dá três.
-Não deixa molhar, cacilds! É só pra garrafa encher de ar, se molhar não dá pra fumar... Molhou! Putz...
Não importa.
-Aquelas são as Três Marias, tá vendo?
-Bora colher cogumelo?
Perfume de estrume.
Perfume de Mulher.
-A cena do tango é formidável!
-Eles exibem esse trecho em treinamento de empresa.
-E se eu não voltar mais?
-Meio quadrado dá barato?
Não importa.
Bateria. Batuque. Bateria. Batuque.
-E aê? Ele não veio esse ano, você viu? Mas, tem um sósia dele, vou te apresentar, você também vai gostar muito...
-Você não vai me pegar, afinal?
Não importa.
-Não tô conseguindo dormir.
-Mas, o coração? E o coração? Disparado?
-Peraí. Olha só! É o Fred Mercury Prateado!
-Se eu não namorasse, você ficaria comigo?
Não importa.
Bandeiras. Bandeiras. Bandeiras.
-A cerveja aqui é R$1,80 a garrafa.
-É nosso!
-Qual o seu nome?
-Onde guardo as minhas coisas?
-Ali.
-Escuta, ele está dormindo, não vai conseguir dirigir. Eu também estou bêbada. Melhor deixar para irmos amanhã.
-Que é isso? Loló? Passa!
Bafora um, dois, três. Largooooouuuuuuu...
-Qual seu nome?
Não importa.
Estica 3 carreiras. Enrola a nota de 50 reais.
Vão falar que você não é nada. Vão falar que você não tem calça. Vão falar que você não é nada. Vão falar que você não é nada.
-A música não é assim!
Não importa.
Sol, somente só. Assim vou lhe chamar, assim você vai ser...
Água, muita água. Água de beber, camará.
Pega mata come, carcará...
-Meu nome é Claudionor! Isso! Não, a cachaça eu não dou!
Era uma cabeça de Garfield que usava na cabeça.
Ombro, joelho e pé. Joelho e pé.
-Qual seu nome?
Não importa.
-É que a cabeça, a gente vai usar pra agitar a torcida na hora do jogo.
-Ah, então você é desses que usa a cabeça?
Não importa.
Uma dose. Duas doses. Três doses.
Um limão. Meio limão.
-O que é isso?
-Chama-se Amnésia.
-Amnésia não faz jus ao nome. É mais fraco que Disco Voador.
Dá dois, dá três.
-Não deixa molhar, cacilds! É só pra garrafa encher de ar, se molhar não dá pra fumar... Molhou! Putz...
Não importa.
-Aquelas são as Três Marias, tá vendo?
-Bora colher cogumelo?
Perfume de estrume.
Perfume de Mulher.
-A cena do tango é formidável!
-Eles exibem esse trecho em treinamento de empresa.
-E se eu não voltar mais?
-Meio quadrado dá barato?
Não importa.
Bateria. Batuque. Bateria. Batuque.
-E aê? Ele não veio esse ano, você viu? Mas, tem um sósia dele, vou te apresentar, você também vai gostar muito...
-Você não vai me pegar, afinal?
Não importa.
-Não tô conseguindo dormir.
-Mas, o coração? E o coração? Disparado?
-Peraí. Olha só! É o Fred Mercury Prateado!
-Se eu não namorasse, você ficaria comigo?
Não importa.
Bandeiras. Bandeiras. Bandeiras.
-A cerveja aqui é R$1,80 a garrafa.
-É nosso!
-Qual o seu nome?
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Híndira Barros
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O que aprendi no último ano
A resiliência depende do otimismo. Sempre comprar uma caixa extra de suco. Bolachas são amigas. Muito cuidado ao ficar pedindo para viver de brisa, porque a ventania pode vir mais forte do que você pode suportar. Um pouquinho de corante na água faz o arroz ficar com cara de comida de restaurante. Se a Espanha não ganhar o próximo Mundial, com o time que tem, não ganha nunca mais. Algumas pessoas sempre te julgarão pela imagem que criaram de você, não importa o quanto você exija que elas escutem as suas palavras. Libertar-se dessa gente é das tarefas mais difíceis da vida. Mas não impossível. Um uniforme pode fazer um menino virar homem. Frases que rimam continuam sendo a minha perdição. É possível passar mais de um mês sem chocolate. Mas não faz muito sentido. Naqueles dois segundos que te levam para enfiar as pernas embaixo da coberta são os que revelam realmente se o dia foi bom ou não para você. Visitar Portugal é ir ao Brasil pela metade. Não é metade do caminho até o Brasil. É estar no Brasil, mas não estar no Brasil. O mundo velho tem igrejas demais (estou falando contigo, Itália). Mas ainda vale a pena entrar em todas só para ver se alguma delas tem um toque diferente. A tolerância cresce de acordo com o nível de solidão. O segundo semestre do ano, na Espanha, é sempre melhor, porque as estações, assim como os humanos, relutam em lidar com o próprio fim. Então o inverno engole a primavera, mas o verão engole o outono. Não há como definir a Espanha. Touros e castanholas são como o biquíni e o carnaval. O jornalismo espanhol não é perfeito, mas tende a ser menos criminoso com o idioma. A regra do “olhou pra mim, é meu amigo”, nascida no Canadá, não é universal. Não tenho a mínima vontade de morar em Barcelona. Ainda não terminei de fugir, mas já comecei a incluir nos planos as fugas que não exigem deslocamento físico. Torcer para time pequeno é tão bom quanto torcer para o Maior do Mundo. O galego é o idioma mais fascinante que já conheci. Vai ser difícil largar o vício do “vale” e evitar os olhares estranhos. O termo “low cost” vai mudar o mundo e, como sempre, isso é bom e horrível ao mesmo tempo. Há 367 dias não tomo Guaraná ou como pão de queijo feito por alguém que não seja eu. Esse recorde perdurará por mais 27 dias, quando começará a contagem regressiva para tomar Estrella Galicia e comer tortilla.
domingo, 8 de novembro de 2009
a hora do sim, o descuido do não

tem dias que, como vinícius, eu fico pensando na vida
e, há saída?
vejo uma grande contradição
não tem encontro sem separação
não tem manhã sem anoitecer
há de se acabar pra poder renascer
tem dias que, como vinícius, eu fico pensando na vida
e, há medida?
vejo uma vaga extensão
não tem escolha sem negação
não tem retorno, só compensação
sei lá, sei lá
a vida é uma grande ilusão?
sei lá, sei lá
a vida tem sempre razão?
sábado, 7 de novembro de 2009
Angra, meus 23 e sentimentalismos
A intenção era dizer sobre Angra e sua beleza, o mar, os barcos, as pessoas. A intenção era dizer sobre minhas 23 primaveras.
Mas nada, nada dentro de mim consegue ir além da dor dessa perda irreparável.
Mas nada, nada dentro de mim consegue ir além da dor dessa perda irreparável.
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Lubi
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Tempo nublado no céu da boca
- Você tem dois caminhos: ir ou ir. Não me venha com atalhos, com covardia dizendo que por ali tem lobo mau, sim? - Deixou aquela presença densa na avenida movimentada e seguiu sem olhar para trás. De costas parecia ser maior ainda, sua sombra abraçava a cidade, engolia transeuntes e todas as gentes que tinham sempre algo a vender: pipoca, algodão doce, corpos, pó, pedras. Felipa costuma ser firme com suas meninas logo na primeira aula prática. Corpos âmbar infantis com roupas de idade maior quase sem roupa na luz néon da Augusta. Clara fora adestrada para só dizer “sim” – Sim – disse com a voz miúda qual seu corpinho. O vento de fora era frio e sem céu, o vento de dentro estava cheio de estrelas. O corpo magro, os cabelos dourados e o rosto de boneca da novata incomodavam as mais experientes. - Olha só garota, este quilômetro é nosso, chegamos aqui primeiro. – A tristeza da menina contrastava com o strass da roupa, com o glitter da bolsa de mão e com a sombra viva azul de seus olhos. Ela tinha o céu acima dos olhos e tudo que ela queria era ser vento, sair dali assobiando, passeando por todas as brechas, janelas e nunca mais voltar. A esperança de Clara cabia dentro daquela bolsinha.quarta-feira, 4 de novembro de 2009
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