terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Correio elegante
Dedico a ti o primeiro parágrafo não por seres tu meu preferido. Não és. Mas teus lábios mornos que odiavam beijar-me e teus dedos frios que rechaçavam tocar-me me ofereceram quase meio ano de uma liberdade que só experimentarei de novo se um dia encontrar outro tu. Já sabemos que é único o conjunto de 56 pintas, músculos magros, apito, bloco de notas, quepe de piloto e roupa de adolescente que formas com um muro intransponível ao redor. Por isso te escrevo esse recado, o primeiro, como agradecimento.
--2--
Levo-te do lado de fora no pulso esquerdo e do lado de dentro no coração. Tua companhia me enche de tudo o que eu preciso quando preciso, mas sei que a reciprocidade não te é suficiente. Difícil entender porque parece que nossos diálogos estão em algum roteiro escondido atrás dos espelhos. E me recuso a chegar a uma conclusão por minha conta. Me ajudas?
--3--
Nossa sinceridade é mais especial que todas as coincidências que nos aproximam. Queria ter demorado menos entre conhecer-te e te conhecer, mas o passado e o futuro são palavras vazias agora.
--4--
Pela primeira vez, você é a porta e eu sou o muro. Mas, além da maçaneta sem chaves nem trancas, seu olho é mágico. Que ele não se transforme em binóculo.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O passado, o futuro, o neutro, o hoje
Mas por vezes minha nostalgia me escapa do controle e me toma toda. Ela se me escapa transfigurada em um indizível horror por me desfazer, por dizer adeus. Fim. Próximo.
Contudo, nestes dias atuais de leveza em que me encontro, vivo num estado de quase-neutralidade, não sabendo imprimir ao certo uma classificação ao que se sente e ao que se vive. Os dias, sentimentos, sensações, mostram-se a mim não como bons ou ruins. As coisas apenas... são.
Hoje é, por exemplo, o dia em que ultrapasso o ponto-médio da distância entre o vinte e o trinta. Assim. Sem lamento mas também sem contentamento. Apenas... sendo.
Será isso o que acabo de alcançar o equilíbrio?
domingo, 7 de fevereiro de 2010
nos bolsos do casaco:
esse repetir dores imaginárias
e repetir repetir até acreditar.
sou um viaduto carneosso
não ergo meu corpo do aslfalto.
o peso disfarço
enquanto amarro os sapatos.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O amor em doses cavalais
Vídeo didático, parte integrante do conto: http://www.youtube.com/watch?v=r50QfYch_G8&NR=1
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
do caderno das memórias inventadas.
ela acordou desejando de um jeito mais forte hoje.queria a felicidade e pronto.
pôs-se a pensar nos acontecimentos da vida. mas suas memórias eram as mesmas de sempre, as memórias da menina melancólica. usou música prá retomá-las. nada. usou cores. não. pelo querer demais começou a imaginar desfechos diferentes, curvas prá lá, curvas prá cá... e foi ficando bom assim. mas como fazer prá gravar essas memórias inventadas bem gravadas, bem fincadas, lá no fundo? isso não dava, mas ela fez que sim. e comprou um caderno. todo dia de manhã iria escrever ali uma memória inventada do jeitinho dela. quer dizer, do jeitinho que não era dela. prá ser mais feliz. e ficou feliz assim. hoje.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O cabelo mais bonito da escola
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Não sei se é o que vai acontecer, mas é o que eu quero
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
não, eu não podia me enganar assim
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hey boy wont you take me out tonight
I'm not afraid of all the reasons why we shouldn't try
hey boy wont you make me out tonight
I get excited when I think of crawling into your arms
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Matrizes
dó
ré
mi
fá
sol
lá
si
Bach
Celine Dion
Tom Jobim
amarelo
azul
vermelho
verde
laranja
violeta
Picasso
pichação
Portinari
a
b
c
...
x
z
Shakespeare
Harold Robbins
Rubem Alves
segundos
minutos
horas
dias
meses
anos
Gandhi
George Bush
It’s up 2 you.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Do tempo que não sei explicar
Daqueles dias em que era feliz e não sabia.Dos dias sendo maus e bons, porém felizes.Do tempo em que a solidão era uma palavra certa a lacuna enorme que o pai não preencheu, mas ignorou a existência. Do tempo em que ela resolveu ser pai e mãe ao mesmo tempo. E com sucesso desempenhou melhor do que ninguém, não deixou nenhum lugar vazio.Daqueles dias em que brincavam despreocupadamente, com e sem brinquedos, com ou sem amigos e o pouco se tornava muito. Dos bons tempos na fazenda, nos matos, no pomar, no meio dos bichos, nos açudes, no haras e no casarão. Do tempo da escola, do jardim, da professora, dos cadernos coloridos, dos livros, dos gibis e da biblioteca. Dos dias de praia, no sol, na areia, no mar, na Pedra do Jacaré, embaixo dos coqueiros - uma infância difícil, sem regalias, mas não infeliz, intensa é a palavra certa. Do tempo que não sei explicar. De quando ainda menina resolveu crescer, trabalhar e ajudá-la quando via a necessidade bater à porta. Dos dias em que estudar à noite foi horrível.Do tempo que dançar era o que mais fazia, em casa, na rua, na garagem, na balada. Mentia para o pai dizendo que iria a igreja rezar. Do tempo das risadas, das trapalhadas de quatro amigas inseparáveis, as brincadeiras, caiu no poço, do carrinho de rolimã, rouba-bandeira, voleibol, esconde-esconde de madrugada, os passinhos decorados, delas que ensistiam em não crescer - a intensidade boa/feliz da periferia,nos centros culturais, nas rodas de samba-rock/axé/hip-hop e mpb escondida, churrasco na laje; roda de amigos, dos grafites, das festas mais podreiras, dos porres de vinho, das músicas dos djs - essa pra dançar!; das festas na escola de $1,00 ou mulher grátis até 0:00,do não talento para o cachimbo da paz, do subir e descer morros, das vielas e das gargalhadas - quando alguns dizem que todos se perdem, elas acharam o melhor do pior. Daquele dia em que as amigas diziam - beija a mão ou treina no espelho que você aprende a beijar. E treinou só umas duas vezes, beijou ele mais velho 8 anos que nem desconfiou de nada, beijo longo, gosto de quero mais. Do tempo que não sei explicar. Daqueles dias em que gostou do garoto que as amigas achavam feio, que mandava cartas, andava de mãos dadas e beijava devagar. Guardou algumas cartas por anos. Do tempo da escola ruim, uma professora boa, um dia no Masp. Dos dias em que conheceu o amor nos palcos, do ator sem glamour, do cantor sem recursos, do dançarino sem clip, do homem que escrevia cartas,dava flores, dos passeios mais simples, do jeito mais carinhoso e divertido,do noivo e amante sem hora errada. Do último adeus, um abraço de quase cinco minutos,coração batendo rápido, respiração lenta e aquela mão no cabelo. Da grande perda,no dia seguinte.Do tempo em que algo se perdeu, ela amadureceu mais do que deveria, se isolou, afundou no abismo, na escuridão, chorou muito e quase morreu de tanta depressão. Daqueles dias de perdição, de badalação, de porra-louca, dos bate-volta em Santos, Praia Grande, São Vicente e Bertioga; dos finais de semana doidos em Boissucanga e Camburi, das raves em sítio, das paradas e lugares gays, das festas em alto estilo e dos lugares mais ralés, a loucura da noite.Do tempo que eu não sei explicar. Duvidou da existência de Deus várias vezes,e por conta de 3 ocasiões creu, quando Ele se fez presente nos momentos mais dolorosos de toda a vida,preenchendo lágrimas que não caíam. Então conheceu a fé. Do tempo em que resolveu viajar, conhecer a Ponte dos Ingleses,o mar bravo, a praia deslumbrante, a areia grossa, o sotaque arrastado, as raízes que não conhecia, da família grande, do nordeste em que nasceu e não viveu. Do encontro consigo,numa viagem solitária. Do tempo em que não sei explicar. Daqueles dias em que decidiu voar - negou o pedido de casamento, do término do namoro, dos livros, dos museus, da musica, do cursinho, dos professores, dos momentos, da fase estranha, dos olhares dele, da paixão, dos blogs, da poesia,dos livros e do gosto de escrever sem saber. Das vontades não correspondidas, do sentimento guardado, da ausência, do recado deletado, do corredor,das palavras nunca pronunciadas,da ilusão criada e da vontade de esquecer; o refúgio nos braços da mãe, os conselhos bons e palavras de conforto - filha, já houve frustrações piores, se quiser, essa você tira de letra - o que não te mata, ensina a viver! Dos bons dias, da primeira vez no corredor exalando maconha, do curso apaixonante, dos professores incrivéis, das novas amizades,do convite para os 30 - uma surpresa boa,dos vícios malditos, das viagens e do interesse na política/religião/literatura/teatro.Do Natal cansativo, do fim de ano em família - como há muito tempo não acontecia. Do resgate de relações com tios, primos, crianças e padrasto que havia se perdido. O resgate da relação-renovada com o Juninho-irmão-amigo.Daquele dia em que resolveu de última hora mudar de cidade e ficar a 20 minutos do "grito de liberdade", 30 minutos do trabalho, 40 minutos do Masp, 45 minutos da faculdade e 50 minutos de tudo. Do tempo em que não sabe explicar, esse choro, a saudade da mãe e do irmão, a solidão, a situação engraçada a que se mete em aprender a cozinhar,o trabalho maçante, as férias cancelada,as viagens desmarcadas, os livros sendo devorados, o retorno do gato que desapareceu 14 dias e milagrosamente apareceu na antiga residência - no dia em que foi buscar correspondências; do desgosto de acessos a internet, do isolamento, dos amigos poucos, das saídas raras, dessa fase mais "sei lá" de todas.Desse início de 2010 cabuloso, sinistro, solitário, desajustado, despretensioso, diferente - o novo como uma folha em branco,sem palavras, sem borrões, sem cores, sem sol, sem vida,o branco sem o preto. Mas com vontades loucas, devaneios acesos, constante na esperança, anseios de gente, planos bons, desejos enlouquecedores, crença nas diferenças e no amor, e muita fé em Deus.Para breve escrever, dos dias, daqueles dias e do tempo em que era feliz e não sabia. Do tempo que não sei explicar...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Horbal
O ônibus pára. Do ponto, sobe meu avô, sem dificuldades. Fala algo com o motorista e procura um banco para sentar. Eu não queria conversar. Escolher palavras, despertar assuntos, olhar para os olhos de alguém e dizer algo banal, ou não. Não queria nada.Girei a catraca e fui para o outro lado, cercado de jovenzinhos e seus fones estéreos e horas vagas. Ele não me viu. Acho que não viu. Estava tão cansado que pouco sentia culpa por ter sido tão anti-social, por ser vazio e alheio a um pouco de carinho. Os livros já não pesavam mais tanto quanto a culpa que estava ali, adormecida. Os jovenzinhos e seus fones brancos estéreos e olhar distante me incomodavam mais do que o peso do acúmulo dos anos dos corpos daqueles velhinhos que ocupavam a frente do ônibus. Eu nunca quis envelhecer. Fiz um pacto comigo mesmo, de morrer jovem, aos 30 anos. Espero que a natureza respeite e que Deus aceite. Meu avô não parecia comigo, tinha a pele escura, cabelo grisalho e os olhos claros, bonitos. Eu tinha culpa. Culpa e vergonha de não dar um olá. Se ele tivesse me visto, era pior aparecer lá depois. Soaria falso. Se ele não me viu, a conversa seria ridícula, separada por uma catraca e ouvida por um ônibus inteiro. Ah, se eu não tivesse passado a catraca podia sim ter dado um oi, um simples oi, e dormido. Fechar meus olhos e descansar o sono dos justos. Dormi, mas sem justiça, um sono de culpa. No sonho, que realmente parecia sonho, vi meu avô girar a catraca e vir até mim. Sentou ao meu lado, pegou meus livros e colocou em seu colo. Abraçou a minha mão com a sua e ameaçou dizer algo, mas não disse. Olhou-me por alguns segundos e disse: até logo. Acordei, assustado, com a cabeça encostada no vidro. Levantei, era hora de descer. Procurei pelo meu avô, do outro lado do ônibus. Ele já não estava lá. Esta foi a ultima vez que vi meu avô. Hoje, uma grande catraca entre a vida e a morte separa nós dois. O que há do outro lado, eu ainda não sei. Na minha cabeça, ele está cercado por velhinhos e eu aqui, com meus jovenzinhos de fones de ouvido estéreos. Eu, que me recusei a dar um ‘oi’, ouvi um ‘tchau’ que deve durar para sempre até que eu gire esta catraca, antes ou depois dos meus 30 anos.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Coisas da Holanda

terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Não adianta só a cidade estar preparada para receber as chuvas...
domingo, 24 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
Felicidade
Felicidade pra mim é isso
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Lembrar de coisas antigas é legal.
Ontem, no carro, naquele trânsito matinal dos infernos, me levando para a revista antes de irem pescar, meu pai e o nonno começaram a trocar ideias sobre os tempos antigos.
Segue abaixo a história mais hilária que já ouvi da boca do meu velho nonno, um avô típico conservadorzinho italiano.
(Só para situar vocês, estávamos parados em uma rua (Ibitirama, localizada no Largo da Vila Prudente) que costuma ser movimentada (mas que naquele momento não tinha movimento, pois TODOS os carros, ônibus e caminhões estavam parados), em São Paulo.)
Avistando um prédio antigo, o nonno começa...
- Ali, Marina, era um antigo Cinema. Frequentei bastante. Sempre que tinha um dinheirinho vinha assistir a um filme. Pegava o bonde e vinha. Agora o prédio tá abandonado, não tem nada.
- Nem virou Bingo ou Igreja como os outros cinemas antigos, né, papa?! – acrescentou meu pai.
Andando um pouco mais (lentamente, pois estávamos em um trânsito caótico) chegamos na Rua Capitão Pacheco Chaves.
- Atravessando a Paes de Barros tinha outro cinema, o Cine Vila (de Vila Prudente). Era inclinado (estilo stadium), dava para assistir melhor os filmes. Nesse eu vim bastante. – afirmou o nonno.
- Esse virou Igreja, ó Má. – novamente acrescentou meu pai apontando para a atual Igreja nãoseidasquantas.
- Mas uma história engraçada que me lembro, foi a primeira vez que fui a um Cinema. Aqui no Brasil. – contou meu nonninho imigrante da Itália. E continuou: Cheguei aqui em Abril de 1954 e, logo que comecei a trabalhar, falei para meus pais que queria gastar parte do dinheiro do meu primeiro salário no cinema. Sendo assim fui ao Cinema da Praça da Sé. Escolhi uma sessão qualquer lá, comprei amendoim doce e bala de goma. Logo que apagaram as luzes e começou a propaganda, senti alguém mexendo na minha perna e não paravam dos dois lados. Achei que eu ia ser roubado, então fui embora. Quando contei para o pessoal da empresa, adivinha: aquele era um cinema gay!
- HAHAHAHA! – todos riram.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Sakanagem!
Eu escrevo em blogs há uns dez anos acho. Desde que lançaram o diário virtual eu aderi a ele para ser mais exata. Nesse tempo conheci pessoas com as quais estabeleci amizades virtuais, outras que conheci cara a cara, tornaram-se colegas de agência, fui insultada, insultei e recebi também alguns poucos convites para participar de blogs coletivos no que declinava prontamente.
Justifico: uma coisa é descarregar toda raiva que você sente, por exemplo, do seu chefe e foda-se quem estiver lendo. Outra bem diferente é escrever com o compromisso de ter algo, no mínimo, interessante para dizer. Pois se algum louco ou vários loucos me convidaram para tanto é porque minhas palavras mal ditas ou malditas chamaram atenção.
Por outro lado, é instigante saber que meus textos rabiscados causam reações diversas nos leitores. As vezes um cisco toma uma grande proporção ou o que era para ser engraçado para mim, acaba se tornando hostil para outros. Então, resolvi encarar este desafio por algumas outras razões mais:
1-) É só uma vez por mês e caso me achem chata ou inconveniente ou ainda escreva algo tremendamente ruim, a probabilidade de se esquecerem do que foi lido é maior.
2-) Eu já ganho a vida escrevendo todos os dias. De uma forma diferente, mas tenho o compromisso com clientes que me pagam para ludibriar ou melhor convencer os consumidores que seu produto é mais vantajoso que o do concorrente.
3-) Testar suas paciências. Me testar. Sei lá.
E para você, você e você que deram busca por termos como: sexo anal, bondage, caralho, xoxota, coisas afins e leu este post até o fim, desculpe-me. Esqueci de me apresentar: sou Sakana e o prazer é todo meu. :P
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
De pão e água viverá você, não eu
Cansou até o calmo! educadinho do jeito que é...pra você ver
Aí vontade de provar que ruminante e você são coisas diferentes já não cabe
Então vá, desafie o moedor com sonho novo
Aproveite e esfregue na fuça dele que nem todo barranco é morto, torto e tudo igual
E gire, gire a roda da fortuna
Porque o homem aqui não vive só de pão e água não
Venha amor
Venha que tudo é você, tudo tudo é carnaval
domingo, 17 de janeiro de 2010
Vermelho, pare
Mas em uma tal esquina eu sempre paro. Nunca encontro o sinal fechado. Fechado para eles, aberto para mim. Sempre verde para eles. E eu paro.
Olhando para aquela fila quase sem fim, esperando. Estou a vida toda a esperar. Esperando que passem, para atravessar.
Já me ocorreu furar a fila, atravessar correndo.
Doida, espera. E ele me puxa a mão.
Paro e aguardo os carros passarem. A vida passar.
Nesse meio tempo, a vida me passa pela cabeça.
Na minha cabeça, o impulso.
Impulsiva, impulsiona-se na rua a menina impetuosa.
Boba. Balanço a cabeça. Espero.
Espero que passem. O sinal demora. Quando vou?
Ve
sábado, 16 de janeiro de 2010
Texto do dia 16
-Ahn!?
Numa mistura de excitação, vergonha, medo e a total noção que aquilo que a mulher de seu melhor amigo pediu, era algo proibido. Maçã, ela somente se torna gostosa se precedida da negativa expressa e a promessa de castigos eternos. Nessa altura o pau já estava duro, molhado, e a imagem mental de sua língua no pequeno sino avermelhado e a promessa da invasão do seu taco numa forma única e sem vacilações, o fizera ter tremores.
Também temores.
Pratos, gargalhadas, nada mais estava fazendo sentido e aquela massa disforme de cores aromatizados com picanha, linguiça e costela. O seu olhar safado contrasta com sua tez angelical e seu marido ali do lado, completo ignorante do pedido de sua adorável esposa, estava alegre, dizia ele que estava com saudades de mim.
- Não posso, uso aparelho.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A respeito de outros lugares
por Tiago Marques
Tem uma certa tradição migrante na minha família (e na família de quase todo mundo que eu conheço), pelo menos até onde eu sei da minha família. Tem os bisavós que vieram das Europas, Alemanha, Portugal, Espanha. Minha vó que nasceu na fronteira com o Uruguai, meus pais que saíram do Rio Grande do Sul (junto com uns tios). E daí calhou de eu nascer em Porto Alegre e ir parar em São Bernardo do Campo. Foi uma migração involuntária, mas eu acho que em algum momento um gene adormecido em mim vai despertar e eu vou sentir uma vontade louca, uma necessidade premente de sair por aí, de achar outro caminho, de saber que aqui não dá mais, vou embora, vou seguir o vento, o mar, a estrada. Mas por enquanto eu continuo sendo um inseto no casulo. Viajar é legal, mas sempre dá um certo medo.
(Sempre que eu falo sobre mim – seja num texto ou numa conversa – percebo que vou mudando à medida que vou falando. Pelo menos mudo aquilo que eu penso de mim mesmo. E aí não sou mais o mesmo e já não faz mais o menor sentido falar de mim mesmo, que já sou outro. Acabo falando do que eu era, não do que eu sou).
Nessas minhas viagens esporádicas ao Sul, uma das coisas mais legais é perceber que tudo mudou e tudo continua igual. E vice-versa. Fruki ainda tem gosto de Fruki e eu nem lembrava qual era. Ainda tem casa de madeira aqui. O calor de janeiro continua insuportável, mas sempre tem um vento batendo de algum canto (deve ser o minuano, embora eu não saiba bem o que é esse tal de vento minuano). Mas aqui também tem anúncio de condomínio fechado, com tudo o que você precisa. E a paisagem vai mudando aqui e ali. E as casas de madeira tem microondas e computador e tv a cabo. As mudanças que ocorrem aqui no Sul, pra mim, ocorrem bruscas, por que eu venho de tempos em tempos (do mesmo jeito que vejo de tempos em tempos alguns amigos que parecem que mudaram muito). Mas as coisas mudam aos poucos em qualquer lugar. Se eu me visitasse de tempos em tempos, ia ver muita coisa diferente, eu acho. Mas eu me vejo todo dia, tô sempre junto comigo mesmo. Pra mim eu sou sempre igual, os outros é que mudaram.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
What does gaúcha mean?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Eu comecei o ano assim:
Eu comecei o ano assim. Com esta música na cabeça. São onze dias com uma música na cabeça, e ainda bem que é uma música de que eu gosto. E que serve como uma boa inspiração pra viver os dias.
Eu comecei o ano assim. Decidida a não ser feliz o suficiente, mas tanto quanto for possível ser feliz. E ontem uma amiga contou que uma amiga dela estava grávida e que o neném é menina e que vai se chamar Ana. E a minha amiga falou pra sua que ela tem uma amiga que se chama Ana e que é uma pessoa muito feliz, e que tomara que a Ana dela seja assim tão feliz também.
Eu comecei o ano assim. Com grandes amigos que ganhei recentemente, com grandes amigos que estão sempre por perto, com grandes amigos que eu vejo raramente.
Eu comecei o ano assim. Com algumas mudanças e cheia de novidades. Alguns desafios, muita vontade. E sem medo nenhum. De nada. Porque se não der, a gente reinventa. É sempre assim, se a gente quiser.
Eu comecei o ano assim. Dentro do mar prateado e debaixo da lua cheia e do céu estrelado.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Logo mais vai ter um texto aqui.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Casa: um substantivo ainda abstrato
Bem, isso não é totalmente verdade. Estivesse eu sozinha, teria dito o mesmo, mesmo que mentalmente. E então sorriria pensando em como a frase soara vazia. Porque passei um mês dizendo o mesmo da minha outra casa, ainda que, dentro dela, eu escondia a palavra “outra” para não revelar meus costumes pouco monogâmicos. No momento em que pisei ali parecia que nunca tinha saído, e que os treze meses anteriores tinham sido apenas um sonho.
Eu usaria a palavra bigamia, mas estou certa de que magoaria mais de uma amante. Porque eu já me senti assim antes e só não digo que a experiência foi idêntica porque daquela vez eu disse –My home!, e dessa última o sonho foi bem conturbado.
E então uma enchente muito mais forte do que a que periodicamente me converte em desabrigada arrancou a casa muita gente, mas eles se preocupavam mais com sua família que foi arrastada junto. Porque sem uma dessas não há lar. E estamos todos tentando minimizar a necessidade física para que o lar possa ser reconstruído de dentro para fora por quem sabe muito bem onde quer chegar. É claro que paredes, teto e microondas são itens secundários e então olhei os meus iguais e disse –Minha casinha! e pelo menos soube a minha origem, o que dizem ser o primeiro passo para se aproximar do destino.
Aí chegou a hora da separação e a intuição de que dizem um monte de coisa vazia. Ela foi breve e desprendida como sempre. Quando olhei para trás ninguém encontrou meus olhos e eu sorri de novo porque isso de achar que a casa da gente está em algum lugar é mesmo uma tolice, para não dizer perda de tempo, caso a gente insista em sair procurando esse lugar pelo mundo.
Ele não existe e quem diz que o encontrou deveria guardar esse segredo em silêncio, para poupar o resto de nós da crueldade de já ter o mapa rasgando de tanto abrir, virar, fechar, anotar, levar para bem perto dos olhos, dobrar e ainda guardar no bolso de novo, caso ele se torne necessário.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A viagem

É que quando viajo, tiro férias de mim. Não me importo mais a mim, não me preocupo em ser e, enquanto não me preocupo, sou. Quando viajo, experimento da leveza, da incerteza, da sólida realidade mais passageira. Nesta realidade não cabem planos, e por não caberem planos, há somente o instante agora. Há a intensidade, há todas as possibilidades em um dia. No outro, contudo, há a lembrança.
Esperta que sou, fui morar na viagem.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Talita
Só no primeiro colegial estudamos juntas. Eu, que tinha sido afastada das minhas amigas de sempre, me enturmei com os roqueiros da sala. Mas era ela quem sentava no fundão. Não trocamos nenhuma palavra nesse ano.
No segundo colegial, continuamos na mesma sala. Os roqueiros que mudaram e eu perdi meus papos sobre Guns ‘n Roses, AC/DC, Bad Religion e Rage Against The Machine. Me enturmei, então, com as gostosas da sala, que eram novas na escola. Já escutaram que sempre entre as gostosas há um patinho feio? Então. Além de gostosas, elas não eram muito inteligentes e sentavam no fundão porque lá era mais fácil colar. No fundão. No meu lado direito, depois de algumas pessoas, estava ela. Voltei a olhá-la como há anos atrás, como uma paisagem enquanto eu ia. Já não usava aparelho ortodôntico. Eu tinha as melhores notas entre todos os alunos da escola e desafiava os professores; eles não entendiam. Nesse ano, minha mãe cansou de ser chamada na escola por causa do meu mau(?) comportamento. Enquanto eu contestava, ela matava aula para praticar esporte. Era amiga dos garotos mais velhos e mais bonitos.
Só nos falamos no ano seguinte, 2004, porque tínhamos uma amiga em comum. Essa amiga sentava-se de frente para o professor, enquanto nos mantínhamos nos mesmos lugares. Dias e palavras depois, nos esperávamos no portão para irmos embora, caminhando. Foi nessas caminhadas que pude conhecê-la. E nas esticadas para almoçar e assistir sessão da tarde ou para compartilhar revistas. Cada dia na casa de uma. E a escola como um mundo a parte para a amizade que contruíamos, muito sem saber o que seria 2005, em relação a nós, como amigas, e nossas vidas.
Nesse ano, fui convidada a participar do Grêmio Estudantil porque era cheia dos discursos reacionários, ganhei dos professores a inscrição para o vestibular de Letras da UNESP (ou UNIFESP, não me lembro) que não prestei e também meu único D, em Literatura porque me recusei a participar de uma apresentação para representantes de um consulado.
O colegial acabou, mas contínuamos, juntas e diferentes, mesmo nos períodos de separação: enquanto eu cursava Informática e estagiava em outras cidades e ela cursava Hotelaria ou, enquanto ela namorava e eu amava e planejava ir, o que ela só soube quando acabou.
Por ela, eu chorei dias seguidos pela possibilidade de vê-la partindo para um país distante. Mesmo sabendo que seria com seu grande amor e que era sua felicidade, porque meu coração queria cuidá-la e por ela, ser cuidado, sempre.
Com ela, aprendi que amizade é além da identificação óbvia de compartilhar os mesmos gostos, porque isso, não fazemos. Nunca fizemos. Nossa identificação é no pensar as mesmas coisas, sonhar. O que importa.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
seis

Escrito apenas com quatro letras, mas que nos faz pensar em meia dúzia, não em quatro.
Hoje é dia seis de janeiro de dois mil e dez. Vários números, mas hoje o número que importa é o primeiro, o seis.
Dia de Reis, dia de tirar os enfeites natalinos, encaixotá-los e esperar que dê novembro outra vez.
É também meu dia de escrever no blog.
Pronto, escrevi e não tenho muito a dizer, só que eu gosto do número seis, pois é um número par. Gosto de números pares.

