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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Objetos sentem saudades?

Se objetos sentem saudades, eu não sei. Mas ainda ouço ecoando as risadas nas tardes ensolaradas. Sinto o calor do sol em minhas paredes, quando ainda eram pintadas de amarelo, antes da tinta descascar e antes do mofo tomar conta.
Sinto o aroma das amoras, e das ervas em meu jardim quando ainda eram cuidadas, regadas, amadas, vivas! 
Ainda ouço o cantar dos pássaros e o barulho da rede balançando em meu quintal, a música no ar, e ainda sinto e o cheiro dos churrascos de fim de semana, quando eu era celebrada.
Ainda sinto os gatos arranhando minhas paredes e repousando em meu piso. E ainda ouço as vozes em meu interior -às vezes sérias, às vezes tristes, mas muitas vezes alegres-, quando eu era habitada.
Ainda sinto a movimentação de pessoas, animais e histórias, sob meu teto e minha proteção, quando eu era refúgio.
Ainda sinto a gratidão e o amor de quem eu abrigava e cuidava, quando eu era lar...

Se objetos sentem saudades, eu não sei. Mas posso testemunhar que as casas sentem, e muitas!



segunda-feira, 7 de março de 2016

A mudança

O cheiro do outono chegara mais cedo. O céu e o vento anunciavam sua aparição nos pequenos detalhes. Aos desavisados, coube sentir o embaralhar dos sentidos e lidar com os prejuízos das artimanhas outonais.

Com o passar dos dias que preenchiam as semanas e que se enrolavam nos meses conquistando um efeito de nó de marinheiro nas linhas de fibra de tempo, ela foi se familiarizando com seu novo esquadro. No começo, não conseguia dormir. Seu sono estranhava o novo ambiente e não era possível ter sossego em vigília ou letargia. Os sons e as cores também lhe eram incomuns. Não havia meios de escutar o frágil barulho das folhas das árvores ao entardecer, nem vislumbrar os diferentes tons de rosa e lilás do pôr-do-sol entre os hiatos dos galhos.

Os espaços daquela casa de poucos cômodos, comparados ao que era o seu lar, ecoavam vazios que não eram próprios das casas pequenas, pensava ela. Espaços pequenos deveriam ser aconchegantes e preenchidos facilmente. Aos finais de semana, vagava como as assombrações das histórias de infância, só que em círculos, procurando em espiraladas uma solução àquela inquietude.

Com o costurar do tempo, o estranhamento foi tomando diferentes formas, cores astrais, humores. A casa já não parecia um concreto de fome descomunal, que transformava pequenos espaços em grandes vazios, mas sim um planeta suspenso que, embora diferente do seu antigo lar, era um bom local para se refletir e digerir as brincadeiras doídas da vida.



Foto: Matizes do Tempo - Bárbara Mançanares.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Placas de metrô no seu quarto.




Navegando pelo Blue Bus achei uma notícia sobre colocar mobiliário urbano em casa.

O negocio é o seguinte. A empresa americana Underground Signs vende placas iguais as do metrô de Nova Iorque e voçê ainda pode personalizar.

Já pensou numa estação com seu nome? Dá para colocar na sala, no quarto….

Veja alguns exemplos nas imagens!