sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Turno da Noite

De Luiz Adriano Lima 


Receber o convite para participar do Blog das 30 Pessoas foi extremamente gratificante. Logo, fiquei extremamente extasiado – e ainda estou –, mas logo me veio a dúvida: sobre o que eu escreveria? E, evidentemente, a resposta mais lógica era aquela em que eu componho um texto no qual eu me apresento, comentando basicamente sobre as coisas das quais eu gosto, quais me satisfazem, que programas me entretêm. Penso, porém, que começar desse modo seria muito limitador e me descrever de modo objetivo seria colocar a mim mesmo como uma figura plana e simples – o que definitivamente nenhuma pessoa é.


Opto por começar de outro modo. Posso, ao longo do tempo que escrever aqui, apresentar várias vertentes minhas e, assim, vocês leitores vão juntando as várias informações e montando a minha personalidade. Tendo
optado por isso, veio-me outra dúvida e essa foi bem mais cortante. Escrever sobre o que eu gosto ou sobre o que não me agrada? Escrever sobre o mais óbvio ou sobre o mais oculto de mim? A solução veio quando eu e o Pedro, um colega de quem gosto muito, conversávamos de madrugada sobre diversos assuntos e eu concluí que aquele momento – aquela conversa à meia-luz – me punha num estado inerte de êxtase.


Há algo nas conversas noturnas que as diferem das conversas que temos ao longo do dia. Nas conversas que ocorrem depois da meia-noite, os interlocutores parecem mais suscetíveis a falar aquilo que realmente desejam, sem amarras sociais ou preocupações com semântica, as quais usualmente estão presentes. Até porque, às três horas da manhã, se conversa apenas com quem realmente se quer conversar – e isso torna qualquer diálogo bem mais intimista e prazeroso. Os tópicos também são mais interessantes: eles parecem consideravelmente mais próximos dos falantes. De madrugada, os assuntos que surgem afloram, vêm de dentro, expõem-se de maneira mais pungente – seja o gosto por arte, por sexo, pela natureza, pela própria vida; tudo isso flui mais facilmente. Talvez esse fluido constante se deva ao sono que se aproxima e à conseqüente necessidade de afugentá-lo. Ou talvez simplesmente aconteça pela diversão que há em conversar no horário em que as outras pessoas dormem (e, portanto, ausentam os seu julgamentos).

Não me restam dúvidas de que são essas conversas que me motivam a entrar no MSN e ficar até tarde acordado. Há outros motivos, evidentemente; mas decerto poder conversar abertamente é o que me instiga – e aposto que instiga a muitas outras pessoas. Não posso terminar esse texto sem agradecer a duas pessoas muitos especiais, que tornam as minhas noites mais interessantes: Pedro e Marcelo. Ambos me aprazem quando dedicam suas madrugadas a conversar comigo e, com cada um, tenho longas conversações, quase intermináveis, sobre diversos assuntos. Não anseio pelo término disso, quero, aliás, que dure muito mais e que conversemos ainda por um longo tempo – seja pessoalmente ou virtualmente. Há definitivamente aqueles que apreciam o dia – eu o aprecio –, mas penso que é o turno da noite que me mais me faz querer viver.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

20 de Outubro

Olá pessoal.

Finalmente chegou meu dia aqui no blog - e também o meu aniversário... 31 aninhos.

Eu pretendia escrever algo bacana aqui, mas já estou um pouco alto... assim, nem vou arriscar.

Mas, aproveito para convidar os companheiros de blog e os leitores à deriva que estiverem em São Paulo na ocasião para comparecer na comemoração, que acontece na sexta, 22 de outubro, na Vila Madalena, em São Paulo.

O bar é o Capital da Villa e a banda é o Comitê do Soul, com muito... soul! Mais informações no site http://www.capitaldavilla.com.br/ ou na arte abaixo, que acabei de produzir:

Arrivederci!


É 15 conto ome e 10 conto muié!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Best of you

Eu assistia esse video quando lançou e me dava uma vontade grande de correr, gritar, insistir e mudar o mundo. Eu acho bem louca a edição, as imagens, assisti o making off na época e mostrou o trampo que os caras tiveram, duzentos nêgos todos de preto, cheios de luzinhas no corpo pra fazer uma cena de 2 segundos. O diretor tinha acabado de perder a mulher por doença, e foi lá e fez um clipe bonito desses. É, o mais legal foi assisti-lo agora e saber que a vontade ainda está aqui, esperando ser provocada, feito agora.

*O vagabundo que postou ele no youtube não deixou liberado pra incorporar em outro site.

domingo, 17 de outubro de 2010

Contemplar



Foi isso que fez um senhor que vi diante da Fonte Gaia, em Siena, cidade italiana na região da Toscana. Eu já tinha visto fotos da fonte em livros, sabia que a encontraria enquanto folheava o guia na viagem de trem, mas não imaginava que ali aprenderia um dos maiores ensinamentos dessa viagem.
Turista deslumbrada, ao encontrar algum dos belos locais que eu desejava conhecer, sacava de imediato minha máquina fotográfica e disparava quantos flahes a bateria e o cartão de memória me permitiam. Estava empenhada justamente nisso quando o velho homem chegou. Parou em frente à fonte, debruçou-se na grade, deu uma espiadela por cima dos ombros, dos dois lados, como que para saber se alguém poderia perturbá-lo naquele grande momento. E então, iniciando o que chamo de ritual de contemplação, não apenas olhou para a fonte, mas a admirou.
Nos seus olhos, que já viram bem mais que os meus, uma mistura de deslumbramento e fascínio. Observaram, creio que pela primeira vez, atentamente a fonte que até então eu só tinha visto pelo visor da câmera. Estavámos, de fato, diante de uma grande obra. Para que tirar fotos (as mesmas que a gente vê desgastadas em livros, sites e guias), se temos a chance de contemplar ao vivo, com esses olhos de ver, a maravilha desenhada e conservada bem diante do nosso nariz?
Não deixei de tirar fotos depois disso, obviamente. Mas antes de enquadrar o monumento, contemplo-o. Enxergo com olhos bem atentos, degusto os detalhes, mesmo quando o mapa me grita o tanto de coisas que ainda tenho de visitar. Destinar as lembranças de tudo que vejo não apenas à memória virtual, mas também a minha própria, sem dúvida, tornaram-se as viagens ainda mais interessantes.

sábado, 16 de outubro de 2010

Adaptação

Home care talvez seja uma das maiores sacanagens do médico empresarial. A transferência do custo e responsabilidade à família é algo brutal.
 
Apesar do convívio familiar contribuir para a melhora. Acredito mais na idéia do fim digno.
 
O que me impressiona é a capacidade de uma pessoa se adaptar: seja a sonda, a cama, a aspiração ou a alimentação líquida.
 
Será que faço bom uso da saúde perfeita que hoje tenho?
 
 
 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fixação

Desde que eu soube que a remota possibilidade de realizar um sonho de consumo não era tão remota assim, recomecei o velho ritual obcecado: reviro pistas, traço metas, arquiteto planos infalíveis, ensaio falas, fantasio panoramas utópicos e me flagro sorrindo como idiota sem ter motivos ou cantarolando Kid Abelha pelos cantos da casa.

Meu lado racional, mesmo sendo sufocado pela euforia, não deixa de me indagar quanto tempo levará até que eu me frustre e volte ao habitual estado de miséria.

Podem começar o bolão.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Pessoa

- Mãe, olha o que eu achei!
- Que isso?
- Uma pessoa, mãe! Parece que nunca viu!
- Eu sei o que é! Eu quero saber o que tá fazendo dentro de casa?
- Ela veio me seguindo, mãe! Posso ficar?
- Tá maluco? Pessoa dentro de casa só dá trabalho.
- Mas mãe, eu cuido direitinho! Será que é homem ou mulher?
- É mulher, não tá vendo... é, hmm... os... com os peitos desse tamanho aí e você não sabe? E ainda por cima é mulher fresca, a gente não tem como cuidar. Óculos escuros, chapinha. bolsa Louis Vuitton. Quem é que tem dinheiro pra manter tudo isso?
- Mas mãe, o José Vitor tem uma pessoa em casa e a mãe dele deixa.
- Aposto que ele achou um mendigo na rua. Esses são fáceis de cuidar, qualquer coisa que ganham, estão felizes. E essa aqui? Vai querer carro importado, blackberry, ipod, acessórios pra combinar com a blusinha. E se ela fica grávida? Já pensou?
- Mas mãe!
- Chega! Pessoa, não! Se quiser, te dou uma tartaruga.
- Tá bom... que saco, nunca posso ter nada que eu quero.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Investigação acerca (do crime) de Eduardo AT

Todas as janelas da casa dão para muros. Ele vive uma vida sem paisagem. 


Barrando a porta da sala de estar, uma mesa balcão com dois computadores. Empilhados: livros, revistas, dvds e cds, desordem de canetas, agendas. Fios entrecruzados à beira de um curto. Imaginam-se horas diante do escritório improvisado. Vida sem visitas. Caos no trabalho e nos dias. Utopia de alguém que insiste em ganhar a vida com escritos e filmes.

Estantes de metais encurvando livros. Burras de carga de um pretenso saber. Pouco mais que a metade com páginas anotadas a lápis, o que pressupõe que nem todas lidas.

Sobre a geladeira um boneco articulado em fuga. Adesivos em desordem. Lâmpada queimada na luminária dupla. Torneira estrangulada para não gotejar segredos martelando insônias na madrugada. Interruptores falhando em luz, impondo escuridão. [Na última gaveta da pia, interruptores e borrachinhas novas para o conserto que por preguiça, falta de tempo ou tédio não realiza.]

No guarda-roupa, calças tamanho 42 em harmonia com outras 48, assim como camisetas M com GG e XL (velhas e novas), o que pressupõe oscilação frequente de peso ou grave doença recente. O predomínio de camisetas pretas com gola V convivendo com outras, de cores diversas, nunca usadas. Luto ou equivocada forma de se fazer atraente. 

No cômoda, suplementos de academia em convivência com apostilas de cursinho. Anotações, rascunhos em papéis, planos de aula, lista de alunos, redações corrigidas, tudo denunciando a segunda profissão, que de mais antiga só perde para a das putas; mas sem igual prazer, igual reconhecimento e remuneração.

No criado mudo, a tristeza de contas por pagar e pequenos recibos com seu nome estampado em solidão, tudo reafirmando o fato de ser solteiro e estar por si.

Numa sacola, dúzias de preservativos tanto gritam dias de intensa promiscuidade ou de absoluta abstinência. Cuecas novíssimas, de marca cara dando indício de relacionamentos recentes, tudo a par de meias confortáveis da algodão, tênis diversos, bonitos, não-gastos, empilhados e que dizem, por isso, que ele precisa andar mais, viajar mais, buscar novos caminhos.

Na janela do banheiro, várias escovas de dente, pastas pela metade, pomadas para toda espécie de praga, alergias. Lâminas de barbear. Pinças. Cotonetes. O nonsense de pentes finos e xampu que  riem de sua cabeça raspada.

Na cozinha, o relógio que antecipa seus costumeiros atrasos, anuncia com seus ponteiros as 2:06 da noite, ao lado de um pinguim exilado que mira do alto a mesa onde pares de pratos comprovam um jantar noturno. O desleixo da mesa  e as panelas ainda quentes no fogão falam de uma noite compartilhada. Mas os cobertores e travesseiros em dois sofás distintos, voltados para tevê berram amizade (e não sexo) nesta noite fria de novembro.

Não há porta-retratos, imagens de santos na casa, poucos bibelôs (que desgosta), mas há um tarô no criado mudo cuspindo arcanos e destinos. Há também um baralho lacrado noutra gaveta, convivendo sem fé com uma bíblia, documentos postos em pastas e pequenos aparelhos eletrônicos, comprimidos para dores, gripe e azia. 

Agora pouco tocou o celular. São trinta e dois números listados na agenda. Seis ligam com frequência. Os torpedos mais recentes são de André, Cinha, Cristiane, Murilo, Matheus P e Lucas. Âncoras com mundo exterior que impedem que afunde em si? Trombetas que anunciam que a vida está lá fora, e se faz melhor nos encontros?

.
Por fim, esse espelho atrás da porta do quarto para ele se ver, para se saber, para se fotografar vezenquando. Espelho que é testemunha ocular do espetáculo monótono dos dias, e que não lhe questiona o certo/errado do viver. Assim, paremos neste espelho, que amplia a ilusão do quarto e de si, já que todos os mínimos indícios do dia  vão dar no sujeito frente à superfície: ele que é dele mesmo a (sua) mais frequente companhia. 


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pra não trocar as pernas

Tranças
Ana Guimarães e Lucas Veríssimo

Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Tesoura


sábado, 9 de outubro de 2010

Meu testamento


Quando eu morrer
(não faça essa cara, já está decidido, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, minha morte é certa),
não chore.
Saiba que morrer me deixará feliz, pois finalmente conquistarei o meu maior sonho: o sossego.

Enquanto eu descanso, eis o que desejo que façam com o que deixarei para trás:

Queime
Tudo o que puder pegar fogo e desaparecer em cinzas.
Isso inclui meu corpo. Primeiro, recicle-o ao máximo. Olhos, sonhos, órgãos, cabelos, cicatrizes, unhas, ideias. Depois, queime o resto sem dó nem lágrima. Não se preocupe em transportar-me até um local específico. Espalhe-me em qualquer sopro de vento a céu aberto, porque de lá eu saberei aonde ir.
Faça dos meus cadernos, cartas, postais e fotos uma fogueira. Proíbo-te de ler o que está escrito neles. Eram meus, e depois de mim devem virar brisa.

Doe
Além dos meus órgãos, as roupas, livros, sapatos, móveis e projetos que nunca saíram do papel, para alguém que fará melhor uso deles do que eu.

Delete
O que eu não tiver deletado ainda. Se, como ocorreu com Santiago, minha morte for anunciada, pule essa etapa, pois eu já a terei cumprido. Não deixe, porém de me avisar, caso você saiba que vou morrer.
Esqueça-se da pena de apagar centenas de imagens do meu Facebook. O mundo tem fotos demais. Também tem tweets demais, por isso delete os meus também.
Meus blogs... Faça o mesmo com eles. Todos eles. Menos esse.

Lembre-se
De não se revoltar se eu morrer uma morte violenta, principalmente se ela tiver sido intencionalmente provocada por outra pessoa. De maneira alguma brade por vingança. Não cogite roubar um olho para substituir o meu ou defender leis mais duras como a pena de morte ou a redução da idade penal. Eu sou contra tudo isso e recuso que sujem meu nome covardemente, quando eu já não mais poderei protestar.
De plantar uma árvore em minha homenagem, em algum lugar onde ela possa crescer e produzir oxigênio por algumas centenas de anos. Eis aí algo mais compatível com o meu nome.
De que não sentirei a mínima falta das vidas que levei nesses pelo menos 28 anos e quatro meses. Sobrevivi aos maus momentos. E aos bons também. A todos eles, menos um, o que finalmente me matará.
De que vivi do jeito que queria viver. Reencarnei durante a mesma vida todas as vidas que consegui. Levei meus defeitos em todas elas, e felizmente deixei alguns pelo caminho. Sabendo que seria imposível me libertar de todos, abracei-os, adotei-os como parte de mim, pessoa imperfeita. Pessoa real.
De mim.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Meu filho é melhor que o seu (por Carol Campregher)



Nestes últimos meses meu filho começou a fazer testes para comerciais. Foi assim: um dia ele foi passear com um amigo (que quando era menor fez figuração para o danoninho) e no meio do passeio o menino tinha um teste. Meu filho acabou fazendo também, a agência gostou e desde então está agenciando ambos.
Ele até já foi sondado outras vezes, mas começavam querendo fazer um book super caro, e sempre acho que as agências faturam mais ali, no book. Cobram um absurdo, e os mostruários são quase todos de crianças horrendas, o que me faz mais ainda acreditar que é um belo golpe. Fora isso, quando pequenininho, meu filho não era muito extrovertido o suficiente para a "profissão", digamos assim.
Mês passado ele passou num teste para fazer um filminho de três minutos para o site da Fiat. Fiquei muito feliz. Ele é primeiro da classe, aprendeu a ler com três anos, não chora para tirar sangue ou tomar injeção, mas quem se importa?

Parece que pra ter brilho tem que ser jogador de futebol ou ator, tem um tchan a mais. Nas conversas sobre filhos parece sempre que a pessoa morre de orgulho da cria, por qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Poderia ficar falando horas das proezas do meu, mas é terrivelmente irritante ficar ouvindo mães se gabarem, principalmente quando o seu é bem melhor (brincadeira). Seu filho é sempre o mais esperto, o mais bonito. E os defeitos se tornam qualidades, mal criado é "tem personalidade" gordo é "fofinho", burro é "engraçadinho" bagunceiro é "divertido", e por aí vai.
A verdade é que as pessoas são em sua maioria feias e chatas. As muito perfeitas são irritantes. Seu filho é/será uma pessoa, logo você já sabe. Conforme-se. Além do mais, a chance de você ter parido um novo Pelé é uma em milhões. Na próxima tente a mega sena acumulada.

Mas voltando ao MEU filho, aqui vai o link do filminho. E em caso de dúvida, ele é a criança MAIS bonita que aparece.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Love Never Dies

Estive em Londres há uns dias e assisti à continuação do Fantasma da Ópera. Pra quem gosta, um prato cheio. Eu, que amo...bem, amei. Principalmente a música tema, com uma letra linda!
Comprei o cd, e fico ouvindo, ouvindo, ouvindo...essas músicas que não saem da cabeça nunca, sabem como? E como eu tenho a teoria de que a gente só consegue tirar uma música da cabeça se conseguir passar pra cabeça de outra pessoa.... Um clássico pra esgoelaaaaaaaar no chuveiro!
Com vocês...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Almoçionante

            Primeiro eu queria me desculpar pelo trocadilho infame, mas é que não conseguir resistir. Faz quase um ano e meio que trabalho em uma repartição pública, neste tempo quase todo sempre fui almoçar sozinho, por opção e por amor a vida. Amor a vida alheia, pois meu humor não é nada que se possa considerar como algo saudável quando estou com fome,e, amor a minha própria vida, pois querer matar alguém, também não é saudável. Pois bem, diferente do que podia imaginar ultimamente, esta minha uma hora de almoço tem me reservado várias emoções e surpresas. Eu demoro cerca de vinte minutos pra almoçar (ta aí uma das causas para minha gastrite permanente) e nos outros quarenta minutos costumo andar pela avenida paulista, seja para dar uma passada em uma livraria, seja para ir a um fucking banco.
            Outro dia eu estava só fazendo o tempo passar mesmo (não abro mão dos meus sessenta minutos) e eis que quando fui passar por uma banca um policial abordou a mim e a outros três estudantes do colégio são luiz “não pode passar, fiquem aí, não pode” , a gente tentou retrucar “ma...mas...o que aconteceu?” , ele retrucou “um problema no banco, agora se afastem”. Bom a gente se afastou conforme o pedido dele, e não demorou mais que alguns segundos para aparecer dois guardas, armados, andando lentamente para trás, por um momento me senti num desses filmes sobre gangsters americanos. Estariam os ladrões lá dentro? Confesso que geralmente (quase sempre) torço pelos bandidos em assaltos a banco. A torcida parece ter dado certo, uns vinte minutos depois a policia liberou a passagem para os pedestres, os ladrões já tinham fugido, de metrô, agora somente um unitário poderia impedi-los.
            Em outro almoço eu estava atravessando a rua, praticamente no mesmo lugar, quando um motoboy caiu da sua moto. O meu sonolento instinto solidário me fez ir até lá ajudar o motoboy. Eu mais uma outra pessoa o ajudamos a levantar, tiramos a moto dele debaixo de um carro e a levamos para a calçada, olhei bem para a moto antes de estender o pezinho (da moto...) e foi aí que me arrependi: o motoboy era corintiano. Bom, depois dessa eu haverei de ir ao céu, porque, se ele realmente existir, tem um lugar especial para quem ajuda corintianos. Na volta desta ação benevolente um carro quebrado na Haddock Lobo, nada de muito estranho né? Um guincho, uma pessoa ao celular tentando resolver... Difícil foi explicar isso ao pai da mulher que teve o carro quebrado e, ainda por cima, contava com a desconfiança de seu genitor: “Pai! Não, não acabou a gasolina!”
            Eu geralmente uso estes quarenta minutos do almoço para fazer hora e a digestão, até porque quando saio com a intenção de fazer várias coisas, geralmente não faço nada. Não sei se sou eu quem produz (mesmo que inconsciente disso) o imponderável ou a região e sua movimentação toda que proporciona isto, mas vem sendo uma emoção almoçar ultimamente.
           Ah, hoje (terça, 05/09/10) fui almoçar e vi uma discussão na lotérica, houve um tiroteio em uma agência de turismo e um repórter quis me entrevistar, mas isto fica para um próximo post.

Vlado Galli

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CURTA - CENA I - Tarde - Vão do MASP.

- Você se parece muito com uma amiga.
- Sério?
- Muito mesmo, principalmente assim de perfil.
- Engraçado, as pessoas dizem isso. Eu tenho um rosto comum.
- Não é comum.
- Que loucura. Estou esperando uma pessoa e ela não chega.
- É péssimo esperar, né?
- Você não gosta?
- Você gosta?
- Normal.
- Eu estava comprando uma casa no Butantã. É uma casa linda, mas no meio da negociação o proprietário alugou. Se ele tivesse vendido, tudo bem. Mas sabe quando você tem certeza de que aquilo será seu?
- Humrum.
- Você mora com seus pais.
- Moro sim.
- Legal né, morar com os pais?
- É muito legal. Você só tem essas duas tattoos?
- Tenho mais uma nas costas.
- Asas?
- Dragão.

_
@cleytoncabral

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

As últimas palavras deste nosso amor

Por Gilberto Amendola

(...) pode ser amor de roupa no varal. Não, não, desculpe, um amor de vento batendo na roupa estendida no varal. Não, não, um amor de flor na janela. Não, não, digo,amor de vaso de flor no parapeito da janela. Melhor, amor de flor no parapeito da janela do oitavo andar. Ou ainda, amor de flor no parapeito da janela do oitavo andar, onde suicidas ganham asas. Ok, que seja, amor de arranha-céu, sem roupa no varal, flor na janela ou seres alados. Pode ser um amor árido. Amor de cactos quando se abraça. Amor de espinho quando passa. Ou prefere amor deserto do Saara? Amor grão de areia dentro da ampulheta. Amor de ponta-cabeça. Oásis de bolso também é amor. Cantil que transborda vodca. Quer um amor ressaca? Amor que descasca. Neve de células mortas sobre o ombro do capataz. Pode ser o amor uma boca cheia de dentes? Meus dentes cheios de fome, minha fome cheia de carne, minha carne cheia de alma, minha alma cheia de nada, meu nada cheio de números, meus números cheios de passado, meu passado cheio de sentido, meus sentidos cheios de razão, minha razão cheia de emoção, minha emoção cheia de lágrimas, minhas lágrimas cheias de riso, meu riso cheio de saudade, minha saudade cheia de você. E o que era você está cheio de trincos. Mas ainda é amor, viu? Amor que se excede. Amor de troncha, de revista velha, de páginas em branco e de rascunhos – o rascunho de um assalto a banco. Amor de ligar os pontos, colorir espaços, dobrar bordas,contornar curvas e beber água da chuva até se afogar. Amor que sabe mergulhar. Conchinhas do mar. Caranguejos. Pérolas. Amor de pedra falsa em pescoço de madame. Colarzinho sem valor. Espelhinho de índio é o meu amor. Amor barato. Promoção de sentimentos, liquidação dos desejos, suaves parcelas. Abaixo do custo é amor. Pague 1,leve2.Tem que ser amor desperdício,amor de torneira aberta na cozinha. Amor que pinga. Amor conta-gotas. Amor tic-tac de relógio atrasado. Pode amor assim? Amor que chega quando ela já foi embora, amor que é sombra (amor que é sobra), lampejo,restinho de perfume na sala. Amor que viaja. Tudo bem, amor que vai de trem, avião, balão de gás. Amor, amém. Esse amor, nosso amor,pode ser amor virtual, só durante o carnaval, cometa Halley no céu de setembro. Tem amor que é seco – e que também é nosso. Ou amor polvilho. Migalha também é amor. Olha quanta formiga marchando sobre os restos desse amor! Não, não, não pise neste amor inseto. Mesmo dedetizado ainda é amor. Ou não? Amor de casa limpa. Poeira embaixo da mesa. Moedas no vão do sofá também são valorosos sinais de amor. Esqueci no bolso da minha calça aquilo que chamava de amor. Joguei na máquina de lavar e esperei. Amor que roda deixa a gente tonto. Antes fosse carrossel, roda -gigante, pula-pula. Só pra rimar: amor é mula. E se você quiser, amor é tanajura.Não,não é da pura, não é da boa, não é daquela
que você mais gosta. É só amor que encaixa. Ah, e se faltar uma peça é o amor que nos resta. Talvez o único, o último, o derradeiro. Talvez, quem sabe, o mais bandoleiro. O tal amor bandido – fugindo de pangaré. Amor que vai a pé, gasta sola de sapato, amor língua de fora. Amor exausto. Cansou de tanto amor? Amor até a tampa. Chega, meu bem, assim balança. A morde vida inteira, dia à toa, brincadeira. Amor de reticência. Antes que você esqueça deste amor que é marca de nascença. Carimbo. Papel timbrado –firma reconhecida feito amor de advogado.Entendi, é amor de papel passado (mal passado). Amor pingando sangue. Amor de derrame.Tanto esforço e o amor foi parar no hospital, paciente terminal. Lindo de ver morrer esse nosso amor. Os desertos da alma nunca são suficientemente secos...

domingo, 3 de outubro de 2010

O despertador


Antes eu achava que o cabo usb era a coisa mais legal criada nos últimos tempos. Super bacana poder descarregar fotos e esquentar o leite pela mesma tecnologia, era o que eu pensava. Agora que eu sou uma pessoa que acorda cedo, muito cedo, muito mais cedo do que eu gostaria, eu mudei de opinião. A coisa mais legal criada nos últimos tempos é o celular com mp3.


Há quem possar dizer que eu estou uns bons anos atrasada de assunto, mas como eu disse, acordar cedo é algo novo na minha vida. Antes eu acordava naturalmente, lá pelas 10 da manhã. E você, que já é mais calejado e acorda cedo faz tempo, pode até não se lembrar, mas até pouco tempo atrás seu despertador era um relógio de corda, que mais parecia um panelaço na sua cabeça, ou no muito aqueles de pilha que tocavam um pipipipi irritante. Ok, tinha o rádio-relógio que podia ligar o o rádio na hora de acordar, mas pense bem, acordar ouvindo Justin Bieber?

Pois é, ai que está o x da questão. Com o celular com mp3 você escolhe com qual música pode acordar, e pra mim, está ai a chave do bom humor. Sério. Escolher a música certa é fundamental pro dia começar bem. E não pense que é tarefa fácil, pois não é qualquer música que serve.


Comecei com aquela música tema do Rock Balboa, achei que me daria um pique legal pra começar o treino, ou melhor, o dia, mas não. Comecei a me sentir muito pressionada, logo assim pela manhça. Troquei por Chove Chuva, do Jorge Ben, porque eu gosto muito daquele introdução, mas não deu certo também. Dava uma vontade de ficar na cama, como se realmente chovesse lá fora, sabe? Então mudei para Mistério do Planeta, dos Novos Bahianos, mas é uma música que me faz pensar, e não, não deu certo ficar refletindo sobre a vida. É preciso pressa, menina!


Foi viajando que eu tive a sacada de colocar Maricotinha, do Caymmi. Olha, poucas músicas no mundo me trazem essa paz. Estou lá, ouvindo uma longa lista de músicas, mas quando toca Maricotinha acontece alguma coisa dentro de mim. É tão simples, tão gostosa.
E lá foi a Maricotinha me acordar todo dia cedo. Até semana passada. Fiquei com medo de começar a pegar birra da música. Quero que ela continue no hall das músicas amadas. Troquei pela versão de Hebbie Jibbie com as Puppini Sister, só porque me lembra o desenho Tico e Teco e me dá vontade de rir.

sábado, 2 de outubro de 2010

Como morrer na internet

Preciso dizer, antes de mais nada, que o texto abaixo foi publicado no meu blog no dia 28 de novembro de 2008, às 13:57. E é justamente nesse momento que você pensa o seguinte: “preguiçoso, esse cara, só escreveu três artigos inéditos no Blog das 30 pessoas e a sua quarta aparição já é uma cópia, assim não dá”.

Te entendo perfeitamente, você tem toda razão e aqui vão as minhas sinceras desculpas públicas: “o próximo será inédito".

Bom, passado esse momento de acusações e defesas públicas, gostaria de salientar que o artigo “Como morrer na internet” me parece bastante pertinente para a vida de todos nós que estamos aqui nesse momento lindo, sugados, dominados, corrompidos e para sempre amaldiçoados pelo monstro do lago Net.

Além do seu conteúdo peculiar e relevante, acredito que no Blog das 30 Pessoas o artigo terá uma exposição muito mais digna do que a familiar, amical e colegial (relativo a colegas, ok, eu sei que ficou tosco) obtidas no Blog do Paulo Pilha.

Obs.: Por uma questão “histórica”, o conteúdo do texto é exatamente o mesmo. Não foi feito qualquer tipo de revisão.


COMO MORRER NA INTERNET

Fulano de Souza criou um perfil no Orkut e em poucos meses abocanhou mais de 400 amigos. Eram colegas de primário, do cursinho de inglês, da aula de natação, familiares distantes, enfim, gente de todos os lugares possíveis e inimagináveis. Empolgado com este novo mundo virtual, criou um MySpace para divulgar suas canções peculiares – uma mistura de rock dos anos 80, com frevo, maracatu “e um tiquinho assim, desse tamaninho assim, de carimbó” (trecho em aspas, utilizado sem permissão, pode ser visto no vídeo “Também Sou Hype – Hermes e Renato”, que está no YouTube).

Muitos europeus se interessaram pelo seu trabalho e ele acumulou vários fãs e amigos, sobretudo na Alemanha e na Finlândia. Alguns videoclipes de suas músicas, produzidos por amigos cineastas, fizeram muito sucesso no YouTube e Fulano de Souza conseguiu agendar uma turnê na Europa, passando por Itália, França, Espanha, Bélgica, Portugal, e como não poderia deixar de faltar, Alemanha e Finlândia.

Acontece que duas semanas antes do embarque ele foi atropelado e morreu a caminho do hospital. Os comentários no MySpace, no YouTube e no Orkut continuaram normalmente porque nenhum de seus familiares ou amigos mais próximos sabiam as senhas do rapaz. E agora? Deixar um scrap no Orkut dele comunicando o triste episódio para que todos os seus amigos vejam? E quem vai acreditar? Quantos vão ver? Fulano de Souza estava morto no Plano Real, mas no Plano Cruzado, ou melhor, no Plano Virtual, estava mais vivo do que nunca – 5 solicitações de amigos pendentes no Orkut e mais 12 novos comentários no MySpace.

Para resolver este problema, Fulano de Souza pode fornecer as suas senhas para um amigão do peito que por sua vez poderá espalhar a notícia da sua morte no MySpace, no Fotolog, no Msn ou em qualquer outro site de relacionamento. Mas Fulano de Souza teria coragem de dar as suas senhas a ele ou a qualquer outra pessoa? E o amigão do peito? Teria ele coragem de fazer esse serviço para depois ficar respondendo mensagens em inglês da Europa de fãs enlouquecidos? E se o amigão do peito morrer antes do Fulano de Souza?

Nunca foi tão difícil morrer na internet como nos dias de hoje, pois nunca tivemos tantos sites de relacionamento. Mas acredite, tenho a solução! Criei um novo serviço na internet chamado MySpaceInHeaven. Funciona da seguinte forma, em 5 etapas:
1. O usuário se cadastra no MySpaceInHeaven com login e senha, como se estivesse criando uma nova conta de e-mail, ou seja, um procedimento muito simples e rápido.

2. Ele então preenche um campo listando 8 e-mails de pessoas da sua confiança. Não é necessário divulgar o nome dessas 8 pessoas.

3. Agora ele fornece login e senha de todos os sites de relacionamento que tem conta (Orkut, Facebook, MySpace, Fotolog, etc) ou deseja informar.

4. O contato com o MySpaceInHeaven por parte de qualquer um dos e-mails cadastrados só pode e deve ser feito quando o usuário morrer. Para tanto, é preciso enviar escaneado por e-mail uma cópia da certidão de óbito do usuário. Somente os 8 e-mails cadastrados podem fornecer a certidão de óbito. Porém, o usuário pode alterar estes e-mails a qualquer momento (enquanto estiver vivo, logicamente).

5. No momento em que o MySpaceInHeaven confirmar a morte do usuário (uma série de medidas são tomadas para garantir que a certidão enviada é de fato verdadeira), o próprio serviço se encarrega de espalhar a triste notícia para todos os sites de relacionamento que o usuário cadastrou na etapa número 3.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

- O MySpaceInHeaven não fornece as senhas do usuário morto para ninguém, nem para os e-mails cadastrados. Estas são automaticamente deletadas após o cumprimento da etapa número 5.

- O MySpaceInHeaven possui um sistema altamente moderno e seguro que só permite a visualização das senhas fornecidas pelo usuário quando a sua certidão de óbito for aprovada. Sendo assim, o usuário não precisa se preocupar, pois os funcionários do MySpaceInHeaven só poderão fuxicá-lo quando ele estiver morto e ainda assim, terão de ser rápidos, pois a senha só fica disponível por 2 horas. Depois de muitos estudos, o MySpaceInHeaven concluiu que 2 horas é um tempo mais do que suficiente para fazer o serviço completo (notificar todos os amigos do usuário pela internet), mesmo que o usuário tenha 10 sites de relacionamento com 5 perfis em cada – o máximo permitido na opção paga (R$2,00). Na opção gratuita, o usuário só pode cadastrar 5 sites de relacionamento com um perfil para cada.

- Os sites de relacionamento cadastrados ficam no ar somente por mais 30 dias úteis, a contar do dia em que a mensagem de óbito foi enviada, sendo depois dessa data automaticamente excluídos. Porém, o usuário pode escolher um site de relacionamento que fique no ar para sempre ou por quantos meses ele desejar. Caso ele queira que outro site de relacionamento fique mais de um mês no ar ou para sempre, ele precisa pagar uma taxa de R$ 1,00 para cada um.

- O MySpaceInHeaven não lê ou responde qualquer mensagem, scrap, depoimento, comentário e ignora todas as cantadas virtuais enviadas para o usuário morto.
- Pagando apenas R$ 3,00 o usuário pode desenvolver junto com o MySpaceInHeaven uma mensagem de óbito personalizada com cores, ilustrações e animações. Na opção gratuita, o MySpaceInHeaven envia um comunicado padronizado, onde troca apenas o nome do usuário.

- Informações sobre missa de sétima dia fornecidas por algum dos 8 e-mails cadastrados só serão aceitas caso enviadas no mesmo e-mail contendo a certidão de óbito escaneada. A opção gratuita não trabalha com informações sobre missa de sétimo dia. É preciso desembolsar R$ 2,00 para ter este serviço. O MyspaceInHeaven não se responsabiliza por qualquer informação referente a missas posteriores a essa data, inclusive de trigésimo dia.

- Se o usuário pagar mais R$ 2,00, ele ainda pode criar um material para memórias póstumas em formato PDF (os seus amigos teriam a opção de imprimir ao receberem por e-mail) que poderá conter suas poesias secretas, esconderijos de artigos valiosos, coleção de gibis, seu diário ou alguns trechos podem ser revelados neste material, enfim, pode ser qualquer coisa, cabe ao usuário definir. (Autor desta idéia – Pedro Arcanjo)

- O MySpaceInHeaven também será muito útil para as pessoas encontrarem mortos. Basta fazer uma rápida busca interna no site. Se o nome citado não for encontrado, significa que a pessoa está viva ainda. (Autora da idéia – minha mãe)

Algum nerd da informática quer comprar o meu produto? Vendo os direitos autorais por apenas R$ 999,99 e fico com 3% dos lucros trimestrais.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

post para uma pessoa imbecil

"e de repente tudo muda. aquela pessoa que eu conheci há pouco tempo e achava interessante na verdade é uma babaca. suas promessas tentadoras, bonitas e mentirosas naufragaram. sua insistência em me manter por perto desde aquele primeiro encontro era apenas uma necessidade de suprir sua carência. idiota. todas aquelas coisas que comprou pra mim eram na verdade uma desculpa pra me comprar. mas não deu certo, né? e agora que você percebeu que não me compra e que não dou a mínima pro seu carrão ou pro seu mega apê ou pra suas empresas, você começa a me desprezar... tsc tsc tsc. é tão triste isso. triste pra mim e triste pra você, que nem merecia um post. mas como eu gosto de registrar as coisas e não sou egoísta (nem tenho sua excentricidade) escolhi este blog (que você lê) pra dizer (o que você já sabe).

você é uma pessoa ESCROTA.

e pra comemorar o fim que se aproxima, te dedico o novo clipe do thunderbird (que você vai odiar) - eu não gosto mais de você!

beijos,"

victor franco

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vida loka vida

A cena é conhecida e se repete inúmeras vezes em álbuns do Orkut. O adolescente segura orgulhosamente uma arma e faz cara de “mau” para a câmera. Sem camisa como os colírios da Capricho, exibe um tanquinho esculpido pela falta de comida na mesa e pelo consumo regular de drogas. A privação dupla (de recursos e de noção) lhes proporciona o que playboyzinhos tentam conquistar desfilando seus Nike Shox na academia.

Antes do clique, o cenário é cuidadosamente preparado. As paredes com tinta descascada nem incomodam. Em primeiro plano, várias cédulas estão dispostas sobre a mesa. Da mesma forma que policiais compõem palavras com a munição apreendida, os moleques desenham “vida loka” com notas meio amarfanhadas de 2, 5 e 10. Uma solidária cédula de 50 é usada na perninha do “k”. Após a postagem na rede social, a legenda “É nóis” completa o momento que permanecerá muito além da vida breve de seus protagonistas.

***

– Porra, você não entende que esse tipo de evento é importante para a minha carreira? Fui promovido no mês passado e não posso perder a oportunidade de mostrar para todos que agora estou em outro nível.
– Eu sei, amor, mas gastar R$ 8 mil num terno de grife com a mensalidade da escola das crianças atrasada não é um contrassenso?
– Se você fosse mais inteligente e tivesse um pouco de visão, saberia que é justamente por causa do futuro delas que às vezes precisamos fazer certos investimentos.
– Acontece que é a burra da casa que precisa mentir a cada ligação do gerente do banco para avisar que o cheque especial tá estourado. Sem falar nas parcelas vencidas do financiamento do carro. Imagine a vergonha se um dia tiver de devolver seu xodó importado para a agência...
– Eles que se atrevam... Nunca vou esquecer a cara dos outros gerentes quando viram nosso carro novo. Eu não sou foda?

***
Bonés nas mãos, os amigos rezam um pai-nosso no cemitério da periferia na hora de se despedir do companheiro. Do outro lado da cidade, o jazigo da família ganha mais um hóspede. Os dois universos distintos aparecem misturados na reportagem sobre o assalto que terminou em tragédia. Três balas no executivo e, minutos depois, 6 azeitonas da polícia mandaram mais um presunto juvenil para o inferno.

Na verdade, os pipocos apenas consumaram mortes que já tinham acontecido há muito tempo. Sem possibilidade de sonhar, o vida loka da favela decidiu buscar atalhos e partir para o “tudo ou nada”. Momentos fugazes de curtição antes de virar mais um número nas estatísticas. “Bandido bom é bandido morto”, respirou aliviada boa parte dos leitores.

***
Casamento destruído, filhos com dinheiro no bolso para compensar a falta de carinho, nenhuma amizade verdadeira na empresa após incontáveis expedientes para ascender na carreira... Um autêntico vida loka em versão corporativa. Valores trocados, escolhas malfeitas. No fundo (ou seria melhor “no raso”?), a mesma busca de aparentar algo que não é.

Tivesse mesmo a tal da visão que cobrava da esposa, teria enxergado que profissionalmente não passava de uma prostituta. Em vez do corpo, alugava seu tempo para a empresa obter lucros obscenos. Quantas foram as vezes que acedeu aos desejos do chefe fingindo prazer? A satisfação que exibia nas reuniões era tão real quanto o sentimento de uma puta chamando o cliente de “amorzinho”. Vida de bunda sonhando com a Caras. “Ninguém vai nos perdoar... nosso crime não compensa.”

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

É privilégio de quem sabe





Ia postar algo totalmente diferente, desisti. Não cabe, não hoje. Lendo agora, o blog que eu adoro, sobre focar no que é importante, mudei. Do vídeo da Elza Soares de semanas atrás, deixo apenas o título, por que chora, é pura melancolia...O preto e branco o "azedume" de Nelson, a música bonita, mas (ainda) soando melancolia. E quero distância, quero ficar bem longeeeee da melancolia. Contraste com o preto e branco, palavras bonitas, ela não sabe, mas acabou de me salvar. Hora de focar no que é importante, este é o último citando a melancolia. Será "regra", para o dia 29. :))

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Wouldn't it be nice?

Não seria legal se nós ficássemos juntos?

Vendo os filmes horríveis que eu escolho e adoro, procurando programas bizarros na tv aberta, rindo dos vídeos do you tube e comendo big x picanha?

Não seria muito legal dizer todos os dias "bom dia" e "boa noite"? Te abraçar e dizer baixinho no seu ouvido "te amo"?

Não seria legal?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Desenhando com a luz

A fotografia tem um efeito muito forte em mim, não sei o motivo, mas mesmo estática, voto nela como um dos mais impressionantes meios de comunicação e arte.

Uma imagem pode revelar segredos, provar, desprovar, inibir, divulgar ou expressar. Posso ficar horas vendo uma boa foto. Gosto também de sair com amigos pela cidade ou pra fora dela com uma câmera nas mãos, registrando detalhes, paisagens, pessoas... eu briso.

Mas, entre todas as possibilidades da fotografia, nenhuma desperta em mim tantos sentimentos quanto a sua versão de testemunha da passagem humana pela Terra. É um sentimento parecido com o que me toma durante a exibição da retrospectiva anual, uma confusão de emoções... as vezes orgulho, as vezes nojo, revolta…

A fotografia desafia o tempo e nos é cruel ao ser capaz de jogar em nossa cara, com um frio realismo, tudo aquilo que somos capazes: vemos atrocidades quando nos achamos bons demais; vemos superações quando nos subestimamos.

Vou fazer um pequeno apanhado, para exemplificar:

A Primeira Fotografia
Ousadia
A Força
Nagasaki
A Garota de Napalm
O Protesto de um Monge
A Força de 1
Intolerância
Power Flower
E continuamos parados...
Almoço na Contrução do Rockfeller Center



domingo, 19 de setembro de 2010

Me importa o tamanho

Peço desculpas a todos os meus colegas blogueiros em adiantado pela barbaridade que confessarei. Mas a verdade, a mais pura verdade, é que eu não leio posts grandes. E entendo como posts grandes qualquer texto mais longo que o comprimento do meu celular (o que não é muito).

Pra mim internet é a terra da rapidez, da efemeridade e da promiscuidade intelectual. Se na vida "concreta" eu encaro sem nenhuma preocupação listas telefônicas literárias como "Guerra e Paz" e "Senhor dos Anéis" sem o menor medo, aqui eu fico no nível dos bilhetes e pronto. É claro, faço exceções, mas só pra confirmar a regra.

Não é por maldade, nem por descaso. É preguiça mesmo.

Foi mal.

=/

sábado, 18 de setembro de 2010

Brochura

Fosse eu dono da rítmica
Horas seriam linhas
Alegria seria ponto
Tristeza seria vírgula

O caderno moradia
Choro uma grafia
A saudade/reticiências
De borracha morreria

Aspas e colchetes
o lápis negaria
E escrito gritaria
O eterno rascunho, vida

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre o que não ganhei de herança ou: sobre o que minha mãe não quis me dar




Sempre admirei a luz da minha mãe. Semelhante à luz que ela deixa entrar quando abre todas as portas e janelas da nossa casa, para que a claridade tome conta de tudo. A mesma claridade quando ela me dá uma solução para qualquer problema, desde o choro do bebê, o cabelo ressecado ou a cólica menstrual. Tem sempre uma resposta para tudo, mesmo que seja a mais rápida e nem sempre cabível à dificuldade.
Talvez essa não seja uma qualidade intrínseca a minha mãe, mas a todas deste universo. E pode ser que pelo fato de ainda não ser mãe, não me encaixo nesse perfil. E estou longe de me orgulhar disso. Desde pequena eu tenho desapontado a minha mãe, por não ter alguns de seus talentos. Estou longe de ter sua mão santa, seja na cozinha ou no manuseio de papéis e fitas. Sempre fiquei embasbacada como ela conseguia fazer qualquer pacote de presente, por mais disforme que fosse o conteúdo. E o resultado sempre era uma obra de arte. Dê uma fita e uma dúzia de enfeites para minha mãe e você verá a mais bela árvore de natal de todos os tempos.
Por isso deve intrigar-lhe o fato de que eu seja sua filha. Eu demorei a aprender a amarrar o cadarço. A primeira vez que fiz arroz, cozinhei meia xícara para cinco pessoas. Eu nem sei regar as plantas direito. Minhas roupas estão sempre encardidas ou furadas, porque (droga, odeio admitir), mal sei dar ponto em roupa. Por isso meu quarto e minha casa, no que depende de mim, está sempre na maior desordem. Talvez, por isso, minha vida quase sempre está em desordem.
Esses tempos presenciei minha mãe arrumar uma mesa de aniversário com três papéis e alguns balões. Em dez minutos de estica, puxa, ajeita e cola, tivemos uma mesa que não só chamava a atenção dos convidados, mas deixava o ambiente com um toque todo especial. E esse sempre foi seu trunfo. Com suas mãos de gênio, ela sabe mostrar que passou por ali. Quando ela ia me visitar, mudava todas as coisas de lugar e eu relutava um pouco em aceitar suas alterações. Pouco depois, eu não conseguia mais deixar nada do jeito anterior.
Hoje percebo que não se trata apenas de eu não ter recebido como herança genética seus dons, mas porque eles nunca tenham sido estimulados como deveriam. E atribuo parte da culpa a minha mãe. De um jeito só seu, sutilmente, ela me fez ao longo da vida trilhar um caminho diferente do dela. Ela me criou, por mais estranho que pareça, para ser uma versão sua às avessas, uma cópia, sim, mas daquelas dessemelhantes. Como um reflexo no espelho, que ergue a mão direita quando levantamos a esquerda.

E se assim for, mãe, eu espero estar te orgulhando.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Chandler

Eu sempre tive muitas dúvidas do que queria fazer, qual profissão seguiria, como faria para ter o ganha pão.
O meu pai fez coro para que eu fosse ferramenteiro, a mais nobre função do chão de fábrica, bem que tentei. Entretanto, graças ao uso de uma inofensiva bermuda, não fiz a prova do Senai da Grob. Passei no vestibulinho da ETE e escolhi o curso que tinha informática no nome. Naquela época queria ser engenheiro, como o clichê dos meninos, queria ser automobilístico. Enjoei dos números e quando chegou a hora de fazer uma faculdade, quis glamour de terno e gravata. Contudo, a barriga no balcão é tão enfadonha e injusta.
Sempre tive dificuldades em explicar para o que faço. Os meus amigos não entendem que chega a mais de 3 anos que atendo um cliente e que entrego é um sistema. A maioria deles acredita no plug in play e que uma vez instalado, já era, pode ir embora.
Algumas das minhas mulheres não acreditavam quando afirmava que naquela madrugada eu ficaria em frente ao computador, tentando colocar algo em funcionamento e que sempre eu não tinha saco de explicar. Na cabeça delas, eu tinha outra e que faria sexo selvagem naquele período.
Pois bem, continuo nessa vida, com uma corajosa que duvidará de mim e mesmo assim quer se casar comigo. Embora ontem, sofreu com a possibilidade que eu tenha que passar alguns dias e algumas noites em Araxá, que me fez prometer que cumprirei todos os meus deveres conjugais. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Supernova

Enquanto ela continuava a correr, podia ouvir ficando mais distantes os berros desolados do menino. Ela perseguia uma estrela. Na verdade, um balão de gás hélio com aquele formato que foi arrastado pelo vento matinal de outono. 

Antes de se movimentar para ir atrás do brinquedo fugitivo, ela cogitou deixar para lá. Mas estava tão triste naqueles dias que temia que o pranto do garoto a sensibilizasse a ponto de ele precisar consolá-la. Trocando uma cena patética pela outra, foi. Apressou o passo desengonçadamente até conseguir agarrar a fita que unia a estrela a um prendedor de roupas. Era o prendedor que impedia o brinquedo de deixar o chão, embora não tenha sido muito útil para evitar que ele fosse levado. 

Voltou a passos lentos e entregou, apática, a estrela para o menino. Ignorou os pulos de felicidade do garoto, mas quase conseguiu sorrir quando ele a beijou no joelho, em forma de agradecimento. "Quase", frisou para si mesma.

Ela se sentou para recuperar o ar. Observou o menino brincar com a estrela até abandoná-la, dois minutos depois, para se entreter com outra coisa. Ela achou a cena metafórica e clichê: ninguém dá valor ao que tem como garantido. Sentiu pena de si, quando lembrou das vezes que foi tratada como aquela estrela. Também foi afetada pela culpa ao recordar as vezes que desamparou outras estrelas, tantas vezes que poderia formar uma pequena constelação de renegados.

O remorso a invadiu de forma tão arrebatadora que ela não reagiu ao ver o garoto desamarrar o prendedor de roupas que segurava o brinquedo. Recobrou os sentidos apenas a tempo de assistir ao balão subir até a copa de uma árvore, topar com alguns galhos e estourar. 

Enquanto a estrela desfigurada caía, ela fechou os olhos e fez um pedido.

.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A noite em que cruzei com Caetano na Lapa


Descendo a Taylor pra acompanhar Jo, que ia ver Céu no Circo Voador, eu cruzei com o Caetano Veloso que vinha sorridente a pé ao lado de um garoto e uma moca muito linda de cabelos curtos. Achei-o bonito com seu sorriso rápido e tênis baixos, e a meia-noite e seu tanto ficou mais estelar. Eu até que quis ir atrás, dizer a ele muito devoto: Caetano, eu gosto você, você é o cara que me ensinou a ser mais livre.  E um tanto ridiculo, para constrangê-lo ou ve-lo rir, diria: Caetano, você é o meu Chico Buarque. Mas não fiz nada disso, eu já tinha vivido uns minutos antes minha porção de estrelas no apê daquela argentina.

*


Meu coração é vadio e eu tenho sede da sede sentado na ladeira onde quase ninguem passa e a luz amarela de postes antigos colabora para dar mais brilho ao noturno celestial deste Rio novo, antiquíssimo.  E eu sou mais feliz depois desse beijo noturno, predestinado em Santa Teresa com seus ateliês abertos. Beijo com trilha  e sem pudor ante a multidao que é samba, reggae e bossa.




*

Porque tudo é interessante demais o tempo todo.

*

[Eu me liguei quase agora do quanto tenho feito por mim. E o fator principal é essa minha entrega um tanto dionisiaca à vida, e ao encontro com pessoas. Queria postar sobre a importância de ter amigos, de revê-los, o prazer resgatado de estar com eles, de rir mais, beber mais, conversar longamente. O prazer de descobrir gente nova, outras amizades, olhos que me ensinam a olhar. E eu tenho uma sorte incrivel, pois nunca são encontros fúteis, ostentação e olhar blazé. É que eu tenho aquela sorte (que me invejam) para gente.  Essa mania cristã de querer só o bem para quem me quer tão bem. E voo.


sábado, 11 de setembro de 2010

Post it

Eu nunca achei que teria um blog. Não tenho Orkut, nem Facebook, nem Twitter, e nem no MSN ando entrando mais. Aí um dia uma amiga minha fez um blog comunitário e me colocou pra escrever lá, assim, quando quisesse. Passei meses sem escrever nada, e ela reclamava que só ela escrevia. Até que um dia escrevi um postzinho à toa, depois outro, e mais outro. Quando vi, já tava lá. Só que o blog não era meu, era nosso, e eu tinha mania de achar que só podia escrever nele só que o que não fosse só meu, e sim o que fosse, assim, mais genérico, sabe? E então eu senti falta de um espaço meu, que não fosse comunitário, onde eu pudesse escrever as coisas minhas, e não genéricas, e pudesse ser eu. Não que no outro eu não pudesse. É que eu não conseguia.
E nessa brincadeira de blog, vim parar aqui, num outro blog comunitário, e me peguei com o mesmo bloqueio. Não consigo escrever aqui coisas que são minhas, só minhas, acabo querendo me concentrar só nas genéricas. O problema é que eu não sou escritora, nem nada que o valha, e não sei escrever nada que não venha de dentro, e que não seja meu. Não sei inventar histórias que não me tenham como personagem, por menor coadjuvante que seja.
Olhando pra trás, vejo que por mais que me esforce, mesmo os assuntos bestas acabam sendo eu. Mas, sabe, adoro chegar aqui todo dia onze e falar de alguma coisa, genérica ou minha.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O dia 9 (parte I)

Vamos fazer um trato? Eu te amo, você me ama, eu cuido de você, você cuida de mim, formamos um time de dois e enfrentamos juntos as noites frias, os olhares feios, os bafômetros surpresa, as brigas de bar e as contas de luz.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Amor



Eis que, vil, furtaste de mim tempo valioso e incompensável.
Amargamente atinge um gosto lenitivo, adocicado.
Porém,
Quando exacerbado se torna, provoca
insensatez e  insânia.


      Lucinha e Júlio se conheceram quando ainda eram crianças. Lucinha se formou em arquitetura, Júlio em direito, se casaram aos 27 anos. A pessoa mais feliz no casamento era Dona Luzia, mãe de Júlio, cuja meta e sonho na vida era brincar com seus netos. Dona Luzia vivia na casa dos dois, sempre a lembrar de seu sonho. Lucinha, que chegava nervosa sempre do trabalho, começou a ver a perspectiva de dar um pé na bunda da sua sogra. Dona Luzia chegou a conclusão de que Lucinha não era a pessoa certa para seu filho e inventou um amante para a mesma.
     Julio, sem culpa e com dolo, colocou estricnina na bebida que Lucinha supostamente beberia. Lucinha fez sua grande obra, um bolo recheado de cianureto. Dona Luzia chegou naquela tarde no lar do casal e pensou em saciar sua fome, devia ter comido em sua casa. Julio ficou sabendo que nunca existira um amante.Os dois tiveram três filhos e estão mais felizes do que nunca.
 
                                         _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Carlos: Eaí Joca como andam as coisas entre você e a sua vizinha?
Joca: Ah cara, acabou, ela comprou uma persiana.
Carlos: Que sacanagem.

                                         _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

@bia1984 Te amo Gui!
@bia1984 Te amo Gui!  Retweeted by guigafonseca and 2 others
@guilordoni - Também te amo, meu docinho!
@guigafonseca - @bia1984  @guilordoni  ????
@bia1984  - @guilordoni burro...
@guigafonseca - @guilordoni Filho da puta!

                                        _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _


    Janete era ascensorista e tinha um amor tido pela mesma como platônico por Mário, do 6º. Andar. Mário todo dia alimentava a paixão de Janete ao deixar seu perfume no elevador. Até que um dia Janete, Mário e Jurandir ficaram presos no elevador. Era a chance de Janete e realmente o amor aconteceu.
    Mário e Jurandir estão juntos até hoje e Janete estava certa, era platônico mesmo.
                                      _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _


Claudia é palmeirense fanática, Carlos corintiano não tanto roxo. Certo dia Carlos pediu para Cláudia se decidir: ou o Palmeiras ou ele.
Cláudia hoje vai ao estádio sozinha e é muito feliz.

                                     _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
    Michelle (43) é escritora, Pierre jornalista, crítico de arte. Pierre (48) se cansou do que ele chamava de pseudo-intelectualidade-movida-a-uma-preguiça-funcional da parte de Michelle e pediu divórcio. Algumas poucas semanas depois estava com Natasha (21), uma loira voluptuosa, estudante de Ed.Fisica, que possuía muita elasticidade e que segundo o próprio Pierre tinha como maior virtude (ou atributo) saber o Kama Sutra de cor, de trás pra frente. Michelle conheceu através de uma amiga Luciano (34), responsável por escrever o horóscopo no jornal em que Pierre trabalhava.
     Depois de cinco meses Pierre se cansou de Natasha, na verdade ela o deixou cansado. Michelle confessadamente sentia falta de Pierre, mas não sabia como terminar com Luciano. Disse então que aquele amor não estava escrito nas estrelas, foi clichê, mas deu certo. Infelizmente pros dois o divórcio saiu rápido, Pierre deu a idéia de se casar de novo, mas Michelle achou por bem desistir desta idéia, não queria ter de se separar de novo.
    

Tão claro como obscuro causa fixação,
embriaguez, leviandade, estupidez.
Fosse óbvio então, tornaria a vida mais fácil.
Estereotipa uma arte e seus atores.
Perverso és e que nos faz sermos,
 patéticos.  



Vlado Galli
                 

sábado, 4 de setembro de 2010

33 motivos para escrever uma crônica

Por Gilberto Amendola

1 - O jeito como ela conta as moedas com a mão espalmada, separando as de dez e cinco centavos, antes de entregá-las ao cobrador de ônibus.
2 - O jeito como ela arruma o cabelo atrás da orelha, como se estivesse usando uma presilha invisível.
3 - O jeito como suspira toda vez que vê uma foto do Ewan McGregor na internet.
4- Aliás, o jeito como usa o teclado do computador, catando milho, usando apenas dois dedos, e se atrapalhando na hora de achar as letras “B” e “Y”.
5 - O jeito como combina cores esdrúxulas e extravagantes. A rainha do “verde limão” em sobreposição ao “azul celeste”.
6 - O fato de sempre, em qualquer circunstância, derrubar molho, creme ou comida na própria roupa. E o jeito que ela fica constrangida com isso.
7 - Ah, o jeito como ela toma sorvete de morango, é claro.
8 - Depois de cada tatuagem, um arrependimento instantâneo. O jeito como ela esconde suas tattoos antigas e as ideias que tem para cobri-las com outras tatuagens (que serão renegadas logo depois de concluídas).
9 - O jeito como ela olha para máquina de doces. O tempo que gasta nisso – e a triste constatação que o Suflair acabou.
10 - O jeito como assiste futebol. Ela tem o repertório mais abrangente de palavrões que eu conheço. O hábito de levantar do sofá a cada perigo de gol – e dizer que odeia o juiz e o atacante do time adversário.
11 - Ela não sabe dançar. O jeito como ela tenta.
12 - Repare nos pés dela. Um sobre o outro, sempre.
13 - O jeito como fala de Buenos Aires e pronuncia a palavra “alfajor”.
14 - O jeito como ela espalha seus post-its na porta da geladeira – onde ela escreve tudo que ela acha que vai esquecer. E esquece.
15 – Sabe o jeito que ela opera um iPhone? Então...
16 - O tempo que ela demora no chuveiro. É que ela fica decifrando os desenhos do azulejo e escrevendo mensagens cifradas com o vapor da água quente no box.
17 - Quando ela encosta a cabeça no vidro do ônibus e parece sonhar com desenhos animados que ainda não existem. O jeito que ela cochila.
18 - O jeito que ela fica depois de chorar. Seus olhos vermelhos.
19 - O desamparo dela.
20 - É como abraçar uma nuvem – mas isso tem mais a ver com o meu jeito do que com o dela.
21 - O jeito como ela presta atenção quando alguém lê um poema perto dela. Sempre é pra ela, mesmo não sendo.
22 - O jeito como dirige. Cheio de ousadia. Mas o melhor é quando faz baliza. Abre um sorriso de brotar coração em estátua de mármore toda vez que acerta de primeira.
23 - A mania de estalar os ossos antes de começar qualquer coisa.
24 - Ah, ela também costuma bater com a caneta nos dentes da frente. Só vendo.
25 - A forma como escreve e-mails, sem abreviações e com quase nenhum erro de português.
26 - Um dia ela me pediu para soletrar Schwarzenegger. E eu não consegui.
27 - O jeito como ela não acredita em Deus, acreditando.
28 - Em como fica empolgada quando conhece uma banda nova e obriga todo mundo a ouvir pelo menos uma música.
29 - O jeito como olha pra mim toda vez que percebe que estou fazendo uma burrada.
30 - Toda vez que ri de uma piada sem graça por educação.
31 - O jeito como quer decorar seu apartamento imaginário.
32- A delicadeza com que, olhando no meus olhos, me disse “não” – que de tão doce e franco parecia um “sim”.
33 - Acho que, principalmente, o jeito que o jeito dela me deixou.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

No olho do furacão

Eu queria ter a honra de nunca ter postado aqui um pseudo-texto, um post tapa buraco, um post preguiçoso ou um post sem tempo, mas não deu. Pensei até em não publicar nada então, deixar meu dia vazio mesmo, mas sei lá, fico com pena.
Pensei em trocar com alguém, mas de última hora não achei ninguém com o texto pronto. O que fazer? E meu texto estava quase pronto no computador que eu deveria ter ligado há um dia atrás, mas mudaram os planos, os horários, os dias, o motorista atrasou, a companhia não quis trocar a passagem, e aqui estou, nem lá, nem cá, em Campinas, voltando de Franca, indo para Poços de Caldas, em uma Lan House cara enquanto meu segundo ônibus não vem.
Segunda-feira eu já tenho que começar a trabalhar e eu nem sei se eu quero mesmo ir, ou se quero pra outra empresa que me mandou um e-mail agora, nesse minuto, nessa lan house, enquanto eu abria o blogspot . Por isso vou colocar esse título, porque é como eu me sinto, no olho do furacão.




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O menino vidente da Bahia

Numa pequena cidade do interior da Bahia, em meados do século XIX, um menino de apenas 11 anos descobriu sem querer, durante um dever de casa da escola, que era dotado de um curioso talento. Ele era capaz de prever para os próximos sete dias, com absoluta precisão, se iria ou não chover.

A notícia se espalhou rapidamente pelo colégio graças a iniciativa do seu melhor amigo, que o fazia postar toda semana, no mural destinado aos estudantes da quarta série, a previsão do tempo para os sete dias seguintes. Os alunos das outras séries também passaram a acompanhar as previsões do mural e o melhor amigo do menino fazia questão de fazer um "c" de certo, como se estivesse corrigindo uma prova, no fim de cada dia. Em questão de três ou quatro meses, um grupo de meteorologistas de Salvador fez questão de conhecer pessoalmente o garoto com o intuito de desvendar quais técnicas ele empregava nas suas previsões. Vale lembrar que os meteorologistas - brasileiros e estrangeiros - mal conseguem prever o tempo para as próximas duas horas, imagine então sete dias.

- Minha professora de português me disse que vocês analisam a temperatura, a pressão atmosférica e a umidade do ar. Mas eu nem sei o que significa pressão atmosférica. Acho que vocês já podem empacotar as suas malas e ir embora desse fim de mundo. Não tenho nada para oferecer a vocês.

- O que você quer dizer com isso? - perguntou um dos meteorologistas.

- Como assim, meu chapa? - retrucou o garoto.

- Você nem olha para o céu para fazer as suas previsões?

- Não. Eu simplesmente sei o que vai acontecer. Me coloque numa sala escura e fechada que eu vou conseguir prever o tempo do mesmo jeito.

- Impressionante - disse outro meteorologista, perplexo com as declarações.

Quando o menino estava com 17 anos, manifestou o seu desejo de fazer uma faculdade de direito. Então o seu pai aconselhou-o a se mudar para o Rio de Janeiro, onde teria um futuro muito mais promissor do que se continuasse a morar na Bahia.

Além de adivinhador, o menino era muito bom aluno e passou sem dificuldade para o melhor curso de direito do Rio. Por mais que ele só tenha demonstrado o seu talento premonitório aos seus amigos mais próximos, a notícia correu pela faculdade, de modo que a situação abaixo se tornou frequente:

- Não precisa se preocupar, meu caro, não vai chover no fim de semana.

- Como você sabe?

- O Gustavinho disse que não vai chover.

- Tá, e daí? Quem é Gustavinho?

- Ele é vidente.

As explicações continuaram em todos os lugares possíveis, no refeitório da universidade, na farmácia, no banco, na praça.

- Ele é vidente, por isso não vai chover.

- É vidente, vai chover.

- Vidente não existe.

- É vidente? Por isso vai chover?

- Exatamente. É vidente que vai chover. Quero dizer, vai chover porque ele é vidente.

Nos meses seguintes, ao invés de dizer que "amanhã não vai chover porque o menino vidente disse que não vai", as pessoas passaram a dizer "é vidente que não vai chover", como uma maneira de simplificar a explicação e como também uma forma implícita de dizer que aquela previsão tinha o respaldo do menino vidente, não era uma opinião de um leigo no assunto meteorológico.

Com o passar dos anos, o termo "é vidente" passou a ser empregado em outras situações como no caso de um filho respondendo para a mãe, "é vidente que eu fiz o dever de casa". Apesar daquela informação não conter o respaldo do menino vidente, o garoto estava dizendo para a mãe que era claro, óbvio, que ele tinha feito o dever de casa.

Esta é a verdadeira origem da palavra "evidente". Além do que, procurei no Google, e não encontrei nada. Melhor esta história do que nenhuma, não acham?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

[mais] uma mensagem de amor



ok, ainda faltam alguns minutos para a meia-noite, então ainda é meu dia aqui no blogão. não sei se falei, mas gosto de escrever sempre no dia da postagem. algumas vezes escrevo na noite anterior, mas raramente programo os posts. eis que pouco depois de acordar e pouco antes de ligar o computador, olhei o celular e havia quatro ligações não atendidas. era minha mãe. liguei e ela avisou que meu sobrinho, o arthur, de 11 meses, estava internado devido a uma alergia a um medicamento erroneamente indicado por uma vagabunda médica. apavorei. twittei sobre o tules e recebi dezenas de mensagens desejando força. dia corrido, cobranças, exigências, prazos. e eu só pensando no tules. chorei. pensei que ia perdê-lo, o que causaria em mim um buraco na alma, nem sei. pensei na possibilidade dele não existir mais entre nós e o mundo se tornou algo mal, feio, sem sentido. trancado no banheiro, percebi que sem ele minha vida até poderia continuar, mas pela metade. pensei em deus, na família, nos amigos. pensei em gente que nem conheço. aí meu coração se acalmou, lavei o rosto e vi que tudo isso era uma viagem. tules é forte e não são cinco dias no hospital que farão dele um menino mais fraco. tules é uma luzinha que acende no meu cérebro sempre que estou mal. tules está todo empipocado e com uns negócios na veia que esqueci o nome, mas ainda assim me abraçou quando cheguei ao hospital. ele olhou fixamente pra mim e se aconchegou no meu ombro, como minha irmã mais nova fazia. ele olhou pra mim com um olhar triste e só então percebi que ele é um humano. um humanozinho, mas ainda assim, um humano. agora eu sei que o tules adoece e fica triste. a luz que acende no meu cérebro quando estou mal é transcendente, mas é humano. então pensei no futuro do tules e nas coisas que vamos fazer juntos. ele vai se orgulhar de muita coisa minha e vai se decepcionar com outras, porque ele é humano e humanos agem assim. e eu fiquei feliz, mesmo com o coração moído. e agora compartilho com o mundo o primeiro registro do tules no papel. uma mensagem que ele escreveu pra mim. e eu vou guardar pra sempre, pois o que está escrito... está escrito. te amo.
.
.
.