domingo, 7 de julho de 2013
Sobre o século
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Eu, Tanásia,
prometo amar e respeitar
na riqueza e na pobreza,
até que a morte nos separe.
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
www.cleytudo.com
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Poemeto
Cartomante hereditário, iniciou seus estudos aos 10 anos de idade, através de sua avó. Aos 14 iniciou seus estudos com os 78 Arcanos do Tarô de Marselha e aos 17 com o Baralho Cigano (Petit Lenormand). Atualmente trabalha com História da Arte, sem no entanto se desligar do Universo simbólico das cartas de jogar. Autor do livro Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
E então sorriu
domingo, 30 de junho de 2013
SÃO JOÃO NAS CAPITÁ
Damas comprimentam os cavalheiros
Ô o balance
Olha a chuva
É mentira
Ô caracor
A grande roda
Balance
O xaxadô
O zig zag
Ô túnel
...
Despedida
Aí o noivo carrega a noiva no colo!!!!!!!
Luiz Gonzaga - Cana, só de Pernambuco
Vou me desacorvardar dizendo não a um coração que fez só desagasalhar quem o abrigou
Profanou, sem se importar e destruiu, sem mais pensar,o essencial de mim.
Me atiçando um fogo em mim...
Mas pode um incêncio alastrar-se ao coração que as labaredas nem vão sequer provocar um só perdão
...Quantas pedras não terá para atirar de novo em mim?Me subestimar, prá quê?
Não vou!
E quando o remorso invadir seu sono, então, meu coração não vai nem sequer se vergar à sua dor
Debelar o incêncio vai ser impossível só porque quem brincou com o fogo foi Você.
Esse é o Cartola e o resto?
sábado, 29 de junho de 2013
Dos filhos deste solo ÉS MÃE GENTIL
Pelo amor de Deus, não me faça passar,
Por onde não preciso, siga o meu exemplo,
Sou trabalhadora, mas infelizmente não fiz faculdade.
Não é como antes, hoje em seus olhos só vejo maldade,
Lembro como se fosse agora, um menino pequeno,
Gordinho e moreno, correndo na rua e jogando bola,
Com os maus elementos que sempre ficava
Na porta da escola, e sua mãe com preocupação,
Não disse em vão, com grande aperto em seu coração.
Você tem família, com os erros dos outros você tem que aprender.
Infelizmente a realidade, estou me preparando para o pior
Se pode ser preso ou pode morrer.
Correndo sorrindo com os olhos cheio de felicidade,
Que decepção mais uma mãe que chora, a chuva se molha,
Abraçando seu filho, vendo ele ir embora.
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Dois poemas do meu Diário Sujo
manchete de muitos
sina de uns tantos:
medo canino de ser
abandonado pela dona.
falta de amor ao jogar
no lixo um recém-nascido.
intervenção urbana ao
jogar fogo num mendigo.
crueldade pra matar
a avó com uma inchada.
espancamento típico
num dia normal, sem parada
JOÃO GOMES.
Finito
o amor virou alienação
flor de obsessão
colhida na primavera
no jardim da desconfiança.
como um pau que rasga o cu
o amor virou um rombo
um buraco na parede
foi como furadeira no gesso
vazou como radioatividade
pulou pra fora como espinha estourada
dormiu no sofá da sala
terminou antes das bodas
ganhou na loto e foi viver no campo
desceu do banco dificultando o beijo
o amor esqueceu de crescer!
faltou dindin pro hormônio
não se consultou no endocrinologista
e foi encontrado por um tira
todo estabacado no chão:
o amor de bullying morreu
por não ter um pingo de atenção
se enterrará hoje à tarde
no cemitério da memória
cromado no quintal do coração.
By: JOÃO GOMES inspirado num final de relacionamento.
25.09.12
Escritor. Colunista do portal pernambucano de literatura Interpoética. Escreve o blog Diário Sujo e foi publicado na antologia GRANJA.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Da Bota vendo os passos do Brasil
terça-feira, 25 de junho de 2013
Dieta dos amores nocivos.
domingo, 23 de junho de 2013
Anda com fé amor..
O ruim é que chego descabelada e fedendo no novo emprego, e ainda estou nos 3 meses de experiência. O bom é que chego com a cabeça oxigenada e rendo muito mais.
O ruim é que fiquei folgada e nunca mais usei salto. O bom é que agora vejo todo dia às 7:30 um mendigo pegando uma goiaba da árvore, sentando na calçada e comendo tranquilamente, mas isso é assunto pra outro post. Resumindo, a pé vejo coisas que não via quando estava puta dentro do carro.
O ruim é que mesmo quando a preguiça é de matar ou chove eu não tenho opção. De ônibus ou de carro levaria mais tempo que a pé. Coisas de São Paulo, que paulista finge que entende só para parecer superior, mas vou contar um segredo: Não entendemos essa cidade. Ouso dizer que nem gostamos dela.
Sou totalmente contra o rodízio de carros em SP, mas não dá mais pra ficar sem ele.
Você lê. E como eu já disse lá em cima, o papo aqui é com você.
sábado, 22 de junho de 2013
Vinte Centavos
O Alexandre já disse tudo isso e de maneira bem mais simpática há dois dias atrás e quem avisa , amigo é!
Eita post grande da peste!
"O gigante acordou" - bradam muitos no meio da multidão. Na verdade, não diria que estivesse dormindo. Eu diria que parte dele jamais dormiu e que outra estava - e ainda está - hipnotizada, reproduzindo como papagaios aquilo que bradam as revistas semanais e as telenovelas noticiosas, também conhecidas como telejornais. Se alguma coisa mudou nisso tudo foi justamente a Verdade da vez, o discurso que esses veículos passaram a produzir e que seus sempre tão passivos leitores passaram a reproduzir. De uma hora para outra, os "vândalos" voltaram a ser "jovens" e as manifestações passaram a ser verdadeiros movimentos democráticos (desde que garantida uma certa ordem), comparadas com o Movimentos dos caras pintadas de 92, como algo que poderia interessar tanto aos usuários dos serviços públicos quanto a classe média, aquela classe conhecida por seu sofrimento.
A multidão então tomou às ruas e o que se viu não foi um apanhado de gente desnorteada diante de uma onda milagrosa de "ausência de causas" - conforme diagnosticou Arnaldo Jabor, do alto de sua ignorância política - mas justamente o contrário, o que se via era um grupo nada homogêneo de pessoas, que se distinguiam justamente pela multiplicidade de causas que estavam jogo.
Alguns completavam a frase da maneira mais literal e diziam que sim, era por mais que vinte centavos que lutavam, lutavam pela gratuidade do transporte que, afinal de contas, é um direito e que, como tal, não deve ser encarado como um bem de mercado qualquer, que segue às leis da oferta e da demanda e as curvas da inflação.Outros - sobretudo após a absurda repressão policial ocorrida na maioria dos Atos - manifestava pela restauração da própria democracia, pelo direito de manifestar a indignação. Manifestava contra a Polícia que mais mata no mundo, que vai a uma manifestação como vai à uma guerra, reprimindo atabalhoadamente quem vê pela frente, em atitudes covardes comparáveis apenas aos anos de chumbo dos quais aparentemente sentem saudades.

Mas não parou por aí. Causas aparentemente antagônicas passaram a andar de mãos dadas no meio do mesmo movimento. A diminuição da maioridade penal foi defendida por um rapaz que manifestava ao meu lado, já que "se já pode transar, já pode ser preso". Outros erguiam cartazes indignados com a tributação que, reclamavam eles, tanto aflige a classe média. E havia os que reclamavam do Bolsa Família e os que queriam a renúncia de Feliciano. E havia os que eram contra a PEC-37 e os que queriam a renúncia de Renán Calheiros. E havia os que defendiam uma manifestação pacífica e os que chamavam estes de covardes. Havia os que cantavam o Hino Nacional e os que chamavam estes de nacionalistas, massa de manobra da mídia e da direita. Quem não reclamou foram os fabricantes de máscara do V de Vingança e de camisetas com inscrições como "Um filho teu não foge à luta" e "Muda Brasil", verdadeiros símbolos de um certo comércio revolucionário que surgia.
Tantas demandas que somente a democracia pode colocar na mesma rua. A pergunta é que fica é o quão praticável é misturar tantas pautas diferentes num mesmo movimento. Agora, com a revogação do aumento da passagem em muitas cidades - certamente um marco histórico - veremos o quão possível é lidar com tantos interesses por vezes conflitantes e o quão além dos vinte centavos conseguiremos chegar
Uma primeira consideração: A presença de partidos políticos e de movimentos sociais protagonizou uma das polêmicas destas manifestações, tendo inclusive as bandeiras queimadas por parte daqueles que consideravam que o movimento era independente de partidos políticos. Entretanto, particularmente creio que a presença de partidos políticos ou de movimentos sociais - com ou sem bandeiras - não descaracteriza o caráter não partidário de uma manifestação. A grande questão não é a presença destes grupos ou de qualquer outro - o partidarismo está intrinsecamente relacionado à ideia de democracia - mas um eventual uso eleitoreiro desta participação, isto é, a transformação da manifestação em um trampolim eleitoral para promover o Partido ou alguns de seus membros.
Uma segunda consideração: Já se tornou lugar-comum âncoras de telejornais chamar as eleições de "festa da democracia", assim com já tem se tornado lugar-comum os discursos do tipo "lugar de protestar é nas urnas", sempre que manifestações como as atuais acontecem. Devo discordar dessas ideias. É inegável que o direito de eleger de forma - supostamente - livre nossos representantes foi um dos maiores ganhos de nossa história. Entretanto, a democracia não se resume ao momento do voto, ela é muito mais que isso. A verdadeira "festa da democracia" é a que estamos acompanhando nos últimos dias, com o povo cobrando quem o representa, seja ele que for, fazendo democracia pelas próprias mãos. Isso é política!
Uma terceira - e última - consideração: E é exatamente por discordar que a democracia se resuma a possibilidade de escolha de pessoas, é que fico com os dois pés atrás quando ouço reivindicações por impeachment de Fulano ou de Beltrano. Acho que esta poderosa ferramenta deva existir e usada em casos específicos, mas não creio que deva ser a primeira coisa a ser reivindicada. Acho que um "Fora Fulano" soa simplista perto de um "Faça isso, Fulano, porque foi para isso que você foi eleito". A política não é - não deve ser - feita de políticos, mas de atitudes. São essas que devem ser trocadas em momentos de insatisfação.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Não é só pelos R$ 0,20...
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Misturar caviar com rapadura?
quarta-feira, 19 de junho de 2013
O avesso do que era antes
Por fim apaguei a luz da sala, que provavelmente ficara ligada desde a noite anterior e fui trabalhar com o mal humor de quem amanhece com todos os seus costumes revirados. A ansiedade por não saber se o telefone vai ou não tocar só passa com as lembranças da noite que, no fim, fez tudo valer a pena. O que vai acontecer, eu não sei... mas que importância isso tem se ele já mudou tudo de qualquer forma?
Nascido em Anápolis - GO, se mudou ainda adolescente para Goiânia - GO onde passou seus últimos 8 anos antes de se mudar para São Paulo - SP.
Administrador especializado em Marketing, Ator, Bailarino, Professor...
Dono de uma vida cheia de profissões recheada de arte e sonhos - realizados ou (ainda) não.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
As metáforas do amor
Amor é como frescobol. Tão leve como brincar.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
sábado, 15 de junho de 2013
O dia em que fui plagiada
sexta-feira, 14 de junho de 2013
O Direito de Passar Livre Pela Cidade
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Persistência
Anticoncepcional
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Feliz dia dos namorados (só para brancos e héteros)
Mas eu já cansei de ver etiquetas em lojas onde está escrito: 59 reais.E você se aproxima e vê ali,embaixo do número,bem pequenininho:em seis parcelas.Ou seja,o preço real não está na vitrine,o que aparece ali é apenas uma opção de pagamento,coisa proibida por lei,mas hoje jurei não falar de leis.
Apenas queria um pouco de consideração do comércio em datas especiais.Quando colocam uma outdoor gigante dizendo:Feliz dia dos namorados!,
por que não podem colocar uma frase embaixo:mas não é para todo mundo.
Até onde sei o dia dos namorados não é para todos.E não falo do solteiros.Falo do preconceito,porque está semana li duas matérias diferentes,mas o assunto era o mesmo.
Nos sites de fofoca saiu que Cauã Reymond estava se separando de Grazy Massafera.Até aí o problema é deles.Ou era.Porque entrou um terceiro no casamento,o anunciante.Duas grandes empresas tem contratos com o casal,então nenhuma separação é tão bem vinda assim,isso mexe com toda a estrutura,inclusive o departamento comercial da emissora que trabalham.
Meses atrás tinha acontecido isso com Angélica e Luciano Huck,que sites garantiram que estavam em crise,mas tinham anunciantes nas costas e tudo foi rapidamente resolvido.
É normal isso,acontece.Mas semana passada saiu em um site que um ator namora outro ator de uma novela.O problema é que os dois estão na mesma emissora,em novelas diferentes.E namoram desde 2011.No começo a emissora não se importou,todos sabiam,porque eles circulavam aos beijos pelos corredores,mas de repente eles decidiram assumir.Compraram alianças e em festas em São Paulo freqüentadas por atores e artistas todos sabem que eles são um casal,verdade seja dita,um casal lindo.
Ao contrário de Luciano Huck e de Cauã,onde a emissora que eles trabalham lembrou aos dois que contratos são para serem respeitados e imagem é tudo,os dois rapazes que namoram foram chamados pela direção,que ficou sabendo da história da aliança e resolveu avisar os rapazes que não podem e não devem mais sair por aí se exibindo e um deles tem que arrumar uma namorada urgente,para não dar `pinta ´.
Conheço o assessor de um deles e cruzei com ele semana passada.Eu sei que essas coisas não se perguntam,mas achei a história tão agressiva,eu não me imagino sendo chamada por uma direção de uma emissora para defender a minha vida pessoal.Isso pra mim cruza todos os limites.
O assessor me contou quase a mesma história.É verdade que um deles foi orientado a assumir um namoro com uma colega da mesma novela,que é lésbica,mas só pediram isso ao rapaz para não confundir o público e não colocar o diretor e autor da novela na parede,porque o telespectador não saberia como lidar com um galã gay,a emissora explicou que assumir que são gays acabaria com duas coisas,seus contratos e sua carreira.
Que porra é essa?Quando é um casal hétero a emissora aplaude,adora e não é só no Brasil,todas as emissoras no mundo tem seus casais 20,brancos,ricos e héteros,loucamente héteros.Esses casais merecem toda a atenção,inclusive melhores contratos e avisos de quando não estão agradando os patrocinadores e se rolar uma tensão doméstica,a emissora se mete,faz de tudo para manter o casal 20 unido.Já o outro casal,dois rapazes,jovens e lindos não merecem mais do que uma bronca e um aviso quase ameaça,pra parar de sair por aí mostrando seu amor ou ficam sem emprego.
Então o dia dos namorados não é para todo mundo.Em nenhuma revista vi esse casal gay falando sobre como vai comemorar a data,mas casais héteros e famosos falam e falam sem parar,contando até intimidades e preferências para festejar esse dia.Vi várias propagandas na televisão e só aparecem casais héteros e brancos.Acho que o dia dos namorados é só para eles.Se é isso mesmo,favor avisar,colocar a plaquinha embaixo:Dia dos namorados
(apenas para brancos e héteros)
Já que é complexo discutir respeito e ética com a propaganda,então pelo menos que assumam que não são todos iguais e que o seu produto deve ser consumido apenas por brancos e héteros.Porque esse preconceito disfarçado,esse racismo diluído junto com a homofobia é pior do que parece.Pra mim isso deveria ser considerado crime,mas aqui o preconceito ainda não recebe a atenção que merece.Tudo bem,espero um dia voltar e escrever sobre estes velhos tempos,onde o dia dos namorados era só para casais héteros,assim como a história que meu pai me contou sobre uma lanchonete americana que não deixava os negros entrarem.As coisas mudaram e a sociedade avançou,quero muito um dia escrever sobre esses tempos terríveis,ignorantes,onde na propaganda de dia dos namorados apenas os brancos e héteros eram aceitos,os outros barrados.Um dia esses comerciais vão envergonhar a todos.
terça-feira, 11 de junho de 2013
O Vinhedo / The Vineyard
Nota: Esta postagem está disponível em dois idiomas. O primeiro em português, o segundo, logo após este, em inglês, escolha sua versão e deixe seu comentário.
Note: This post is available in two idioms. The first one in brazilian portuguese, the second one, right after this, in english, choose your version and leave your comment.
Dizem que beber é bom pra esquecer, mas eu discordo. Eu, hoje, bebi para lembrar.
Beber, não qualquer coisa, mas vinho. Não qualquer vinho, mas o vinho que me lembra você. Desde a escolha até a abertura da garrafa, rotulada como safra de 2011. O ritual de degustação, ler o rótulo e aceitar, já no pequeno gole, ter o poder de aprovar ou reprovar, desde o giro da taça pra ver se as lágrimas são de alegria ou de tristeza e até mesmo o aroma, se é de frutas ou carvalho.
E se não for? Não quero! Precisa harmonizar com meu prato principal. Se não harmoniza, não serve!
E se for um bom vinho? Não interessa! Preciso fazer com que tudo sintonize; os aromas e o que minhas papilas gustativas esperam saborear, e só aquele vinho pode fazê-lo.
E sim, se for esse o vinho, antes mesmo de tocar meus lábios, já materializar-se-a somente pelo perfume você.
Agora tudo faz sentido, bebê-lo realmente me faz lembrar: A garrafa e o nosso toque, a rolha e o nosso olhar, sentir o aroma, assim como sinto o seu, rodeá-lo no copo, assim como rodeio-te por desejo de ter de você, todo seu perfume.
Ah, como é bom! A ansiedade para prová-lo de fato é tão ampla quanto a de te tocá-la. E nesse desejo incandescente de prová-lo, torturando me de propósito para que quando o faça, o sabor seja ainda mais intenso. Faço-lhe cair uma lágrima, assim como a que o vinho deixa na taça. Lágrima essa que expressa tamanha ternura e certa alegria.
Enfim, fecho meus olhos e tomo desta taça o líquido que te traz a mim. Degusto-o assim como degustei-a, como todo meu desejo em chamas e toda minha essência à flor da pele. Não basta sentir, tomá-lo torna-te real.
Por 750 ml, és tu que estás em meus lábios, um beijo e um momento de degustação, outro beijo, esse mais longo permite-me enrolar teu sabor dentro de minha boca, até que desça goela abaixo.
Um suspiro e outro gole e já estou totalmente envolvido em você até acabar e daí por diante, somente a cama vazia pode me abraçar.
E lá se foi você, antes mesmo do vinho, lá se foi você, deixando-me como convite a vontade de tomar-te de novo, em forma de vinho. Não de qualquer vinho, mas o vinho que me busca você.
Encontre mais no livro Rascunhos Vivos
Encontre mais no livro Rascunhos Vivos
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Ponte
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Diane Young
Eu odiava suspense, e suspense era justamente a especialidade dela.
Diane Young ainda estava na fase de poder dizer que tinha “vinte e poucos” (eu, por outro lado, tinha acabado de entrar na parte em que é preciso começar a dizer “quase trinta”). Meu amigo Ezra costumava dizer que aquela garota era o amor da minha vida. Eu tinha minhas dúvidas.
Eu tinha motivos para isso: Diane vivia me perguntando porque eu gostava tanto dos filmes noir dos anos 50, e sempre olhava feio para o meu pôster da Grace Kelly pendurado à cabeceira da cama. Mas ela amava Hitchcock, e não parecia ver problemas na Grace quando ela estava em Janela Indiscreta. Não me entendam mal, hitchcockianos, mas eu realmente odeio suspense.
Aquilo combinava com ela. Diane era o tipo de garota que te deixava o tempo todo na ponta dos pés, tentando adivinhar o próximo passo. Ela passava a mão pelos meus cabelos ruivos e olhava dentro dos meus olhos verdes, e justamente quando eu estava esperando que ela me dissesse o que eu queria ouvir, ela me vinha com um: “Irlandês e orgulhoso, naturalmente”.
A verdade, caro leitor, é que eu tenho a sorte de um membro da família Kennedy. E eu sabia, eu simplesmente sabia, que um dia Diane Young iria embora. Iria achar alguém que gostasse de Hitchcock e a fizesse dizer algo mais romântico do que “irlandês e orgulhoso, naturalmente”. E tem mais: eu nunca estive com ninguém por mais de alguns meses.
“Se Diane Young não te fazer mudar de ideia, você pode pegar uma carona no tempo”, me disse Ezra um dia desses. Acho que eu acabei seguindo esse conselho.
Não sei quem eu sou, mas continuo sendo, mesmo porque nunca fui outra coisa. E ao mesmo tempo já fui de tudo. Vai entender.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
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terça-feira, 4 de junho de 2013
ODE (io!) A MAQUIAGEM
Cartomante hereditário, iniciou seus estudos aos 10 anos de idade, através de sua avó. Aos 14 iniciou seus estudos com os 78 Arcanos do Tarô de Marselha e aos 17 com o Baralho Cigano (Petit Lenormand). Atualmente trabalha com História da Arte, sem no entanto se desligar do Universo simbólico das cartas de jogar. Autor do livro Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta.


