sábado, 21 de junho de 2014

Sobre ver o lado positivo (e nem tanto o negativo) da vida!

Li uma vez, em algum lugar, que devemos procurar ser felizes primeiramente com a gente mesmo.
Agindo assim, a felicidade com o próximo será consequência, não dependendo assim a sua felicidade de terceiros.

E não sei por quê, mas estava lembrando disso hoje.

O quê é preciso para ser feliz?

Depende de cada um!

O quê é importante para mim, pode não ser importante para você e vice-versa!
Vira e mexe lemos textos nas redes sociais e na internet em geral que tendem a nos ensinar os caminhos de uma vida sussa, tranks!

Eu sei de mim.
Precisava aprender a me preocupar menos com tanta coisa, com tanta gente...
E tenho aprendido!

Não é indiferença ao mundo exterior não! Muito pelo contrário!
Mas as coisas e pessoas, em nossa vida, tem sobre nós o poder que damos às mesmas!

Que tal então tentarmos aprender com o Timão sobre aquela filosofia Hakuna Matata?

"Ah, Márcio... Mas o quê as pessoas irão dizer?!"

Nããão, filho! Já tá começando errado!
Pra quê se preocupar com o que os outros pensarão sobre a SUA VIDA? 

Entendeu o ponto?

Às vezes deixamos de viver porque não sei quem pode não gostar, porque o outro, ou a outra reprova isso e aquilo... 

Mas... Peraê: É realmente necessário?

Lógico que pessoas tem uma grande importância no nosso dia-a-dia, em nossa vida, e tudo o mais!
Somos indivíduos, mas vivemos em sociedade, amigos, família.

Não significa, porém, que não precisemos estar com nossos filtros sempre em alerta.

Já parou pra pensar em quem são as pessoas com quem você pode realmente contar no aperto?
Quando o chão sumir debaixo de seus pés?
Porque na hora da felicidade, da brisa, da conta gorda no banco, a coisa mais fácil é ter amigos.

Mas quando você tá no vermelho, quando te falta aquele amigo/ente querido, quando você reprova em algo, aí, meu querido, é que você testa realmente quem são os seus.

De conveniência, o mundo tá cheio.
A vida ensina, e sinceramente, uma hora a gente cansa.

Mas esse cansaço é um cansaço bom!
Quando você manda tudo às favas, você começa o processo de ser você mesmo!
Dane-se o que pensam de você.
Autenticidade.

Já escrevi aqui (ou foi num outro blog, não lembro) que muitas vezes as pessoas nos cobram a autenticidade, de sermos nós mesmos, com nossas atitudes e opiniões, mas quando tomamos isso como verdade, pronto! Nos criticam. Não aceitam nossas verdades e vontades.

Uma frase que adoro: "As pessoas não estão preparadas para as nossas verdades."

Porque nos idealizam.

Certa vez, pensei em postar assim: Tenho uma receita maravilhosa para quem vier a me conhecer, não se decepcionar comigo: Não me idealize!

Mas não adiantaria. Creio que isso faça parte do ser humano. "Ser" humano.

"Nunca pensei que você faria isso comigo" foi uma frase que aboli de minha vida.
Gente... Todos temos nossas fraquezas e, uma vez que tenhamos errado com alguém, por mais que queiramos e tentemos não errar mais... É difícil... 
Pura e simplesmente porque somos humanos, e errar faz parte, quer gostemos ou não.

Claro: isso não é desculpa para sairmos ferrando todo mundo com a desculpa da humanidade.
Mas acho que você entende o quê estou querendo dizer.

Problemas, todos temos.
Saúde, relacionamentos, família, din din e afins.

Mas se olharmos a vida somente para o prisma dos problemas...

Sempre digo à mim mesmo (estou tentando evitar dizer coisas à pessoas nos últimos tempos) que tudo na vida tem dois lados. O positivo e o negativo.
É aquela história clichê (mas real) sobe o copo meio cheio e o meio vazio.

Não é fácil ser otimista nos dias atuais.
Mas a gente vai tentando! 
Exercício diário. E pra quem trabalha com gente, o desafio é dobrado.
Mas e aí... Hein? Hein?

Bora tentar?

Os problemas, as irritações continuarão te rodeando. 
E como eu e você não somos robôs, sentiremos na pele essa emoção!
Mas não podemos deixar que essas coisas, esses sentimentos nos dominem!

Pra mim, confesso que já foi bem mais fácil.
Maaaas, com a idade, a paciência vai acabando!
E pra não me tornar um velho chato, se eu não treinar positivismo hoje, não sei o quê será de mim amanhã!

Bem, acho que já escrevi bastante. Mês que vem eu volto!
Uma dica final: OUÇA MUITA MÚSICA!

Não importa qual ritmo, qual tipo!
Esse é um vício bom que tenho!
Sempre ouvi muita música, desde criança!
Tanto que hoje trabalho em rádio!

E já notou que todos os meus posts terminam com um clipe?
Amo música!

Hoje deixo você com essa banda que JAMAIS deveria ter terminado: The Corrs!
É o tipo de música que eu colocava logo ao acordar, quando tinha só um emprego a noite!

E não esqueça de tentar ver o copo sempre meio cheio!
#TamoJunto na tentativa! ;) 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Diga-me com quem protestas e eu te direi quem és.

Habemus Copa. Querendo ou não, este é um evento que mexe com o mundo. Até os states, que sempre preferiram jogar futebol com as mãos, se renderam e mandaram o maior número de estrangeiros para cá. Somos a pátria de chuteiras e se por um lado isso não é muito legal, por outro está longe de ser nosso pior estereótipo. Com toda essa repercussão, a Copa deve ser acompanhada de perto, por quem gosta e por quem não gosta de futebol, afinal já faz tempo que ela deixou de ser um evento apenas esportivo.

Com o peso político, manifestações são inevitáveis – ao menos onde se tem a pretensão de um estado democrático. Assim, antes do jogo, paulistas tentaram organizar uma manifestação nas ruas. Doce ilusão. Um governador tão democrático que dois dias antes recusou a proposta de catraca livre no metrô, jogando a população contra os grevistas para que apoiasse a demissão dos mesmos, agiu conforme o esperado.

Usando a velha desculpa de conter excessos, a PM atirou duas balas de borracha contra o peito de um jovem que estava parado, desarmado, no meio da rua. Para conter ainda mais o excesso de parar no meio da rua, os policiais (vários) imobilizaram o jovem e, em seguida, jogaram spray de pimenta em seus olhos. 

Em casa, um cidadão classe média vibrava com a ação da polícia. Depois de ser fisgado pelo engodo de que no ano passado as manifestações eram legítimas, mas agora virou bagunça, voltara a entoar o coro de "vagabundo tem mais é que apanhar" – o mesmo que entoava antes das manifestações de julho de 2013.

De repente o nobre cidadão reconhece seu bebê de dezesseis anos, reivindicando direitos em meio à multidão, e não tem dúvidas. Vai às ruas resgatar seu rebento, para delírio dos jornalistas, que ganharam um exemplo prático de como uma família de comercial de margarina deve ser mantida na prática.

Argumentos do filho: "eu quero protestar por uma educação de qualidade". Argumentos do pai: "eu pago sua educação; não é para isso que você foi criado". Em outras palavras poderia ter dito algo como eu pago sua educação para você ser doutrinado a baixar a cabeça diante de injustiças das quais sua situação econômica te livra. Resigne-se."

Resolvido o conflito familiar, foram para casa assistir à abertura. Com os olhos brilhando o pai junta-se ao coro das arquibancadas, gritando como uma forma de apoio psicológico "hey, Dilma, vai tomar no cu!", dando ênfase na última sílaba, pois sabia que precisava mostrar ao filho como é que se faz um protesto com educação. Com a educação de sua escola particular, já que a pública não ensina. Estava protestando em casa, em ordem, entre os seus, não entre a gentinha, os bagunceiros.

Dentro do estádio a torcida festejava. Depois de insultar a presidenta e vaiar a seleção da Croácia (onde já se viu tolerar a existência de adversários), torcia animada até o gol contra de Marcelo. Rapidamente começou a surgir a famosa e vergonhosa “tinha que ser preto”, partindo de brancos tão educados que expressam sem o menor pudor o racismo asqueroso para logo em seguida se indignar ao ser taxada de elite branca.

Para o filósofo Olavo de Carvalho “Quem lança a culpa do xingamento anti-Dilma na "elite branca" deve ser imediatamente processado por incitação ao ódio racial.” Ótimo. Prefiro enfrentar qualquer processo a me juntar ao opressor. Como disse o cartunista Adão Iturrusgarai, os que insultaram Dilma cuspiram no gramado que comeram.

Em ano de Copa e eleição, nunca é demais lembrar que futebol é paixão, irracional e incoerente. Quem ama um time não passa a torcer pelo adversário no meio de uma partida. A ideia televisiva de que ‘determinado time é Brasil na Libertadores’ convence pouco, já que um torcedor que mesmo sem saber porquê detesta a Argentina, prefere ver um time argentino campeão do que torcer pelo time arqui-rival.

O problema é estender essa atitude passional e irracional para a política. Um exemplo prático vem, mais uma vez, da elite branca da abertura da Copa. A sempre retrógrada elite paulista acompanha o estado governado há mais de vinte anos pelo mesmo partido, com problemas de abastecimento de água, problemas de segurança, educação falida, roubos milionários – talvez bilionário – em um transporte público péssimo, mas tende a reeleger o governador. Não querem torcer para o arqui-rival.


domingo, 15 de junho de 2014

Incondicional

Se após um deslize, pequeno ou grande, um dos envolvidos decidiu se colocar em situação de superioridade e concluiu que o outro nem era tão importante assim e que é melhor acabar, não era amizade.

Se terminou porque alguém esqueceu da data de aniversário do outro, não era amizade.

Se durou décadas, mas acabou por que um respeitava, mas não corroborava com ideias e ideais, decidindo tomar outro caminho e despertando a ira e o tripudio do outro, não era amizade.

Se, sentindo-se magoado, alguém decide se afastar, sem ao menos conversar e questionar os motivos que levaram o outro ao erro, não era amizade.

Se um cargo profissional ou político era mais importante, não era amizade.

Se extinguiu-se, juntamente com o dinheiro ou status, não era amizade.

Se alguém vive cometendo os mesmos erros, sempre acreditando que será perdoado, não é amizade.

Se enfraqueceu-se com a distância ou com a mudança de cenário, também não era.

Amigo não é aquele que aguarda o momento em que o outro irá falhar para que ele possa se sentir superior. Não é aquele que depende exclusivamente da presença física ou consentimento do outro. Amigo de verdade não espera e nem exige perfeição.

Minha mãe sempre disse que, se no final de minha vida eu tivesse um amigo de verdade, eu poderia me considerar uma pessoa sortuda. Eu achava exagero, mas agora entendo bem o que ela quis dizer. Amizade não se abala com desculpas, ela procura soluções. E quase ninguém está disposto a se dar o trabalho.

Então, se acabou, era qualquer outra coisa, menos amizade.

sábado, 14 de junho de 2014

Poesia antes de dormir

Onde a poesia se esconde?

A resposta aparece rápida:
- Debaixo da ponte.

Aponte! Grite! Conte!

Anda. De pés descalços. Para onde?

Para onde vai a poesia que se perde em um pensamento?

A poesia está no cinza. Nas cinzas. No asfalto quente da cidade.

A poesia arde como o vermelho.

A poesia escorre no suor do trabalho, nos bueiros e nas bocas de lobos.

A poesia invade!
Mexe e morde. Coça, enrosca.
A poesia na calada da noite (silenciosa como uma cobra).

Que cresça, brote, floresça, brilhe e aqueça!

Que não se esqueça: cometa!
Invente.
Tente.
Não se arrependa.

FAÇA   POESIA!
Falada, escrita, cantada, recitada, piada, imaginada, desenhada, prostrada, amada, rebelde, ignorada, tímida,assanhada.Não importa. FAÇA!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Gauche

Quando era criança, seis ou sete anos, todos os fins de tarde, insistia para a moça que trabalhava em casa me levar até onde ela morava, em um bairro do outro lado da cidade.
Mesma moça essa que, no começo das tardes, fazia eu e minha irmã brincar de "dormir". Quando não era nas cadeiras embaixo da mesa, era numa rede. 
Sem conseguir cair no sono, ficava virado para baixo com os olhos entre as frestas do tramado da rede e a mente longe, muito distante. Quando o corpo era brecado pela inércia, a cabeça disparava mundo afora
Na frente da casa dela, havia obras de casas populares da prefeitura, em um grande terreno no qual brincávamos até cansar.
 Lembro-me do cenário que parecia um imenso campo com centenas de alicerces, que mais tarde viriam ser moradias. Pareciam casinhas do banco imobiliário cortadas ao meio, dispostas regularmente.
Lembro-me também, da sensação de grandeza que aquilo me causava, um campo enorme, sem árvores onde o céu e o horizonte tomavam conta. 
Dizia aos que brincavam comigo:
- Tenho medo do céu. E todos riam.
Medo daquela imensidão. Medo de todos, de repente, nos despregarmos do chão e sair por aí, flutuando no infinito sem mais volta.
Hoje, anos depois, vejo que mais vasto e imenso que o céu, podem ser o nosso coração e nossa mente. Para o bem ou para o mal. Para correr ou para se esconder. Para fugir ou para se enfrentar. Para se enganar ou se chocar.
Mesmo as batalhas mais épicas não são travadas no vasto azul do mar ou no azul cerúleo do firmamento; mas sim dentro de nós.
Caminhar onde os olhos podem ver é sempre mais fácil do que percorrer o terreno fluido e incerto dos horizontes onde apenas o coração pode sentir. A visão, na maioria das vezes, é supérflua e enganadora.
Escolher esse caminho é sempre ser gauche na vida.



"Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."       
Drumonnd

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Hoje não estou

Conheci uma diretora de teatro muito estranha. Levei anos para entender algumas frases que ela dizia.
Uma vez chegou ao ensaio, deu umas ordens e ficou sentada no fundo do teatro. Duas vezes me dirigi a ela que respondeu que ''não estava ali''.
Pensei que era dessas babaquices de gente metida a diva-divina, figura popular do meio teatral, gente cheia de frescuras e chiliques.
Dias depois conversando com ela perguntei porque tinha dito aquilo, que ''não estava ali'' e me respondeu:
-Tenho muitos direitos na vida e esse é um deles, de ''não estar''. Você pode me ver na tua frente, mas se eu não quero, não estou.

Hoje véspera do jogo de abertura da Copa do Mundo, Brasil e Croácia me lembrei dela. Não sei se é culpa dos planetas ou sou assim mesmo, mas  para a Copa ''não estou''. Me dou o direito de ''não estar'' e talvez se o mundo tentasse fazer o mesmo funcionaria melhor, porque passamos por muitas situações que a melhor coisa é ''não estar''. Hoje não estou.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pequenos Frascos, Melhores Perfumes

Nunca tivera recurso financeiro pra ter o que queria. Tinha o essencial e só. Ia para a escola a pé, todos os dias, exceto quando chovia. Mãe nenhuma gosta de ver seu filho doente, ainda mais quando o dinheiro não banca sua hospedagem em casa pra ficar cuidando da febre alheia. Já mocinha, não reparava mais como a escola era longe, o costume e a rotina fizeram-na criar um hábito saudável de caminhar.

Ah, já ia esquecendo. A menina era assim, desajeitada, bagunçada do equilíbrio. Em todos estes anos, nunca a vi completar uma rota para escola sem derrubar uma caneta, um lápis ou por muitas vezes, o kit-escola todo.

Um dia, sem esperar, ganhou da mãe sua primeira mochila. Não era seu décimo oitavo aniversário ainda e o décimo quinto já havia passado havia dois anos, mas naquele dia, comemorou quieta com um sorriso e um brilho de quem realmente estava contente com o presente.

E presente, não estava o pai, era passado há anos. E passado anos, não sentia mais falta. Mas naquele dia da mochila, ela lembrou dele. Não importa, já era tarde e o melhor foi ir dormir.

No outro dia de manhã, acordou cedo como de costume, arrumou-se para a escola, colocou orgulhosa sua mochila na costas, reparou-se bem no espelho como há muito não o fazia, acertou a altura das alças, pegou seu material e saiu. 

Estava tão contente com aquela mochila que no seu habitual caminho para a escola, saltitando de uma felicidade que não lhe cabia dentro do corpo, deixou para trás, apenas as pegadas que sumiam gradualmente conforme se distanciava.

Por fim, houveram três fins. Não pretendo contar nenhum, fechem seu olhos e façam o fim que lhes convierem.

domingo, 8 de junho de 2014

É Difícil!

Difícil não descer do salto, enquanto tem gente metendo o pé na lama.

sábado, 7 de junho de 2014

Lyrica 150mg



A posologia aconselhada para quem sofre de TAG*:  De 350mg a 600mg diários.
Não aconselham para os intolerantes... à galactose – nome completo da lactose?

Declarei-me um ...intolerante ao psiquiatra que adotei, faz anos. E agora? Deixe-me ver...- consultou um aplicativo especial, para médicos, no IPhone 4S, então, seu mais novo computador, pois não entrava mais tecnologia alguma em seu consultório. O restante do espaço era para a pequena livros (lidos, consultados frequentemente?) , ou para uma luminária esguia e sem sentido, um tapete bege e felpudo (coisa de psicólogos!). Na parede,  reproduções de Joan Miró, que o doutor parecia admirar.
Não demorou quase nada. O aparelho, ou foi o aplicativo, não sei, respondeu à minha questão.
Intolerante.  Eu seria vítima daquela famosa enzima faltante em meu corpo? Lactase. Ou também poderia ser chamada de galactase?...Mas eu tinha um metabolismo de viciado. Todo benzodiazepínico que tomava, logo estaria notoriamente tolerado e, ou em palavreado de uso comum: eu era facilmente viciável.
Já passamos por quase toda a classe de tricíclicos, mas você não tolerou os efeitos colaterais. Tive ímpetos de bradar qualquer coisa contra o fato de essa classe ser ultrapassada demais, mas me lembrei de tudo que já passara pelo esôfago. Contive um gesto negativo. E, quando introduzimos os ISRS , surgiram efeitos que não te fizeram bem. Tentei iluminar a memória de meu psiquiatra com fármacos que eu pesquisara, mas ele continuou e enfatizou. O senhor é um caso difícil. Difícil??? O ID tentou aliviar o clima, mas não freou minhas poucas palavras. Difícil são essas porras de drogas!! Exaltado? Isso é porque não são as indústrias farmacêuticas que passam o dia na cama, porque a porra do remédio deixa um monte de lixo na mente, no fígado, no sangue. O doutor já tomou quantos tipos de ISRS, na vida??? E sem contar os inibidores seletivos de dupla receptação. Esses são pra mandar o cara direto para o inferno, sem julgamento. O senhor está se excedendo. Calma. Tome... Tome 30 gotas de Clonazepam, engula 2 cápsulas de Pregabalina que o passarinho verde virá pousar a janela desta porra de consultório, é isso?? O senhor está intolerante, senhor... Tolero gente correta, doutor. E você faz parte da máfia. Essa Indústria é bélica, não química...doutor!!  Saia da minha sala!!! Saio, claro, porque o remédio causou mesmo uma reação adversa. Médico intolerante! Saia, vá embora, porra!!! Vi uma chuva de cápsulas de 150mg de Lyrica passarem perto da minha cabeça e se espatifarem numa das reproduções baratas de Miró.

TAG: Transtorno de ansiedade generalizada.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


- Deixa eu te fotografar por dentro?
- Você vai querer revelar-me?
- Deixa?
- Cê que sabe.
- Não, você que sabe.
- Eu?
- É.
- Então vai. Fico assim sem mexer?
- Pode dançar, eu te paraliso com um clique.
- Já?
- Já estou revelando.
(Cleyton Cabral)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Como um espelho d'água.


Não acredito nisso agora. Embora saiba que é verdade.
Desacreditamos quando a coisa é com a gente, reforçamos o aprendizado quando é com os outros.
Ainda assim, é preciso, e é assim.

Que seja então. Dói, arde, mas cicatriza logo. E sem marcas, por favor.

Como um espelho d'água, sei que minha imagem vai clarear quando as águas serenarem.

domingo, 1 de junho de 2014

em tempos de facebook, quem dá o cartão?

em tempos de facebook, quem dá o cartão? digo, quem, num primeiro contato, entrega o old-fashioned cartão de visitas em uma ocasião não comercial ou que não tenha interesses profissionais? recentemente participei de um evento empresarial e, quando eu entrava em algum stand, vinha um recepcionista com uma maquininha de leitura de código de barras e jogava aquele laser na minha credencial. minutos depois chegava uma mensagem no meu email agradecendo minha visita e solicitando permissão para trocar contatos. quer dizer, nem mesmo nos eventos de negócios, você precisa ter um cartão.

para além das questões profissionais, havia também - talvez até uma geração anterior à minha -, as mensagens nos guardanapos (pelo menos é o que vejo em filmes). após o flerte, a pessoa escrevia qualquer coisa no papel de limpar a boca, como o telefone, e pedia ao garçon para entregar à outra pessoa. 

esta abordagem é uma das mais fofas de que tenho conhecimento e aconteceu comigo dia desses, para minha total surpresa. não era um guardanapo, mas um cartão - lindo, por sinal - entregue pelo garçon. "com licença, senhor, um senhor pediu para eu entregar isso." como já havia rolado pelo menos dois mini-flertes em tal ocasião, fiquei na dúvida de quem poderia ser, mas quando questionei o garçon, ele me disse que "ah, o senhor que entregou já foi embora". 

na época eu namorava, mas na primeira oportunidade fiz o que todo mundo faz quando quer saber mais sobre alguém: google. minha curiosidade apenas aumentou, uma vez que - inocente que às vezes sou, não entendi o motivo da entrega do cartão. seria algo profissional? comentei com meu parceiro da época, que demonstrou surpresa, pois conhecia a pessoa do cartão. depois de uma ofensa puramente ciumenta disfarçada de conselho, ele perguntou o que eu ia fazer e eu disse que ia escrever ou ligar para a pessoa do cartão. não o fiz no mesmo dia, mas no dia seguinte escrevi. não tive nenhuma resposta nos seis meses seguintes.

o mundo é cíclico, as pessoas que precisam ou querem se encontrar acabam se encontrando e foi o que aconteceu depois de todo este tempo. nos encontramos por acaso, não conversamos por um motivo muito besta, mas voltei a escrever porque desta vez era questão de honra. recebo um cartão, escrevo e não tenho resposta? como assim? e em seguida, minutos depois recebi a resposta. 

o que se passou/se passa depois dessa história é muito peculiar e particular. o que me deixa realmente muito feliz é saber que o tempo se encarrega de muita coisa e aquela história boba de que tudo acontece no seu tempo, parece ser verdade. por isso acho que ainda vale a pena fazer o que dá vontade, seguir o desejo e seguir em frente, sempre, mesmo que o que dá vontade seja algo que pareça, à primeira vista, ridículo, como entregar um cartão por meio do garçon...


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mais Uma Para Engrossar o Caldo

Olha a família Coppola aumentando nas telinhas, Gia Coppola estréia o seu longa “Palo Alto” e com seus 27 aninhos Gia engrossa o caldo dessa família recebendo ótimas criticas.

Gia tentou a fotografia, foi trabalhar em um restaurante, mas não teve jeito a telinha chamou, foi chamada para participar de um curta, não aceitou atuar, mas disse que toparia dirigir, depois disso dirigiu o vídeo clipe do primo Robert Schwartzman  ai já viu né.

Na verdade Gia voltou para as telinhas, pois ela é uma das menininhas desse clipe do Nick Cave.



Mas agora ela vêm como poderosa chefona, e tudo indica que vai se dar bem, Palo Alto é baseado em um livro de contos do ator James Franco que também participa do filme como ator, e foi ele que pediu para Gia adaptar os contos, até ajudou a bancar o filme, vendo o trailer não tem como não lembrar da tia da Sofia Coppola, e sem duvida alguma não tem nada de ruim nisso.





Abs
Jeff

quinta-feira, 29 de maio de 2014

não sei

o que fazer nos próximos meses, especialmente em junho e julho estou com dúvidas monstruosas. queria visitar mundos distantes, outros planetas, novas galáxias e sistemas solares mas não existe transporte (público) para lá, mesmo se tivesse é bem provável que minha renda não fosse o bastante para pagar a tarifa. 

qualquer lugar e canto que não tocasse no assunto seleção, delegações chegaram entraram no hotel, granja tá frio, chovendo e ventando pobrezinhos dos jogadores e delegação, gramado importado cresceu com sistema ultra moderno, trave quer dizer gol tem exatos centímetros de um lado para outro, sala de treinamento ultra modernas, taça em são paulo, os melhores de outros tempos e mundiais quando fomos um e as mazelas sociais eram encobertas através da paixão pelo futebol.

meu deus, meus etes e minhas cabriolinhas do céu não quero ouvir e saber nada disso. sequer começou e não estou aguentado estas bestagens.

exceto informações sobre o campeonato brasileiro que minimamente me contempla quando raramente é lançado promoção de dez reais para os jogos - do resto não quero saber - não importa e não me interessa.

afinal se o que acontece fora de campo não é um problema para se preocupar, acredito que o acontece dentro dele também não, ao ponto de me fazer sentar em frente de uma tevê e assistir um jogo sequer ou saber informações sobre os pobrezinhos com milhões de reais e dólares nas contas.

e considerando que todo roubado foi-se ou todo roubado talvez seja compensado através do suposto legado, turismo e eteceteras ainda que aconteça não contemplará quem de fato precisa, reafirmando que não devo me importar com absolutamente nada sobre o assunto.

desanimada? de forma alguma, acredite nunca antes na história da minha vida estive tão animada. pela primeira vez vejo a preocupação popular no que realmente importa. não vejo empolgação, ânimo, alegria da população neste evento.

na verdade não vejo nem o mínimo do mínimo da empolgação, a prova está em ruas não enfeitadas, na falta de gente falando pelos cotovelos, super hiper mega contentes para: chegada dos jogos, fazer dívida  na compra de televisão de tela plana, fazer um churrascão para receber família ou amigos mesmo por que o preço da carne está pela hora da morte o que percebo é muito diferente do que está sendo constantemente divulgado e com isso não quero dizer que estou a favor do cerceamento da liberdade de escolha, usar a fé para fins políticos e econômicos é promover alienação!

não sei se irá mudar em junho ou julho o que sei é que cada vez mais tenho esperanças num futuro bem próximo da conscientização que move sabe, seja atravessando crises e desastres econômicos, se continuar assim, arrisco dizer com pequenas e miúdas esperanças da possibilidade de acontecer um certo baião. 

ps:resta saber onde e quando vou gritar olha a cobra!!! ah é mentira!!! olha a chuvaaaaaa! já passou! olha o baião e a revolução não é mentiraaaaaaaaa!!! :>) ainda não custa sonhar né?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Bill Viola e Karim Aïnouz

desde que eu vi o filme "Praia do futuro", do Karim Aïnouz, sábado passado, constantemente, algumas das cenas retornam na minha parca memória. digo o mesmo sobre algumas das imagens da exposição do videoartista Bill Viola, no Grand Palais, em Paris. Ao contrário de Karim, eu não conhecia nada de Bill Viola. fui levada pelas mãos da minha ruiva Marie. ficamos umas seis horas nos espaços monumentais do Grand Palais, sem sentirmos o tempo passar. na penumbra que os vídeos exigem. as sensações foram tantas, que - mais uma vez - me será impossível dizê-las corretamente.
porém, após ver o filme de Karim, compreendi melhor o que tanto me impressionou no trabalho desse artista até então desconhecido para mim (mundialmente famoso, explico para minha pobre ignorância). e é simples [e Marie já havia me falado]::: de algum modo, o que vemos tem que nos dizer algo. não falo de beleza propriamente dita, embora eu possa dizer que são belas as imagens dos dois trabalhos. nunca estou falando apenas de beleza. nem apenas de emoção. ou de alguma associação com o que penso ou vivo ou desejo. é um pouco disso tudo, mas é primordialmente outra coisa que tem a ver com o arrancar-me da indiferença e instalar a fórceps uma espécie de incômodo que me obriga a pensar a partir do que vi.
foi assim nessas experiências. Bill Viola, primeiro, exige de nós outra relação com o tempo e aceitamos essa exigência quase sem nenhuma resistência. em boa parte dos vídeos quase nada acontece, mas é por este quase nada que permanecemos à espera. em estado de espera. dez, quinze ou trinta e cinco minutos para cada vídeo de cenas aparentemente imóveis. uma conversa entre mãe e filho de uns quatro anos, diante de quatro tvs que reproduziam lentamente o cotidiano de uma mulher, explica bem esse movimento. a criança pergunta por que nada acontece e a mãe responde: “acontece, sim, preste atenção. veja como as imagens mudam lentamente”. essa atenção demanda um outro tempo. e é nesse outro tempo que a vida requer um pensamento sobre a vida e a morte, sobre a passagem do tempo [e as perdas que vêm com ela]. num mundo quase sempre aquático ou subaquático, vemos e intuímos a morte, o além da morte, os encontros quase sempre fugazes; como no vídeo em que dois homens andam paralelamente numa mesma direção e se encontram por meros instantes para logo em seguida se separarem. ou nos véus de imagens, em que de um lado vemos um homem perdido numa floresta e, de outro, uma mulher, até que as imagens se fundem para vermos os dois juntos por poucos instantes, até a separação. ou no resgate de um afogado que dá errado, em que vemos uma mulher em pé, inconsolável, os gestos lentos dos bombeiros, até que a chuva vem e todos se vão. o afogado, então, ascende em direção ao infinito. é também sobre o mistério do além-vida um dos vídeos mais bonitos, o Ascensão de Tristão. nesse mundo, é quase tudo frágil e violento, diante da iminência do que acontece e está para acontecer. e o fato de ser memorável deve-se muito a isso.
o que Praia do futuro faz  não é diferente. o mundo também é aquático ou quase. e também é sobre o tempo e o que acontece no seu decorrer. é sobre afeto e perda - o que se explica e o que não tem explicação. é sobre a fragilidade diante do que ocorre e a violência das nossas decisões. e é sobre o amor. até karim diz que o filme não explica muito. e eu concordo. mas para mim Donato se torna um estrangeiro, tendo em seu país uma família para sustentar e um emprego, por amor a Konrad. e é por amor que seu irmão Airton vai atrás dele muitos anos depois. E é também por amor que Konrad age muito antes de Donato saber fazê-lo.
 jesuscristinho, é bonito demais. dá um nó nas tripas. uma vontade de chorar, embora nada tenha de melodramático. e a música vem no momento exato, mesmo quando parece clichê. e o final ainda nos dá outra imagem sobre o mar. é o mar a névoa da Alemanha, é o que vemos. e como em Bill Viola, fiquei imersa num tanto de emoções, de dizeres, de não dizeres. fiquei pensando que nada precisa ser pela violência. contra os discursos da intransigência, do preconceito, cada vez mais desavergonhados, que a outra via seja a poesia, a imagem. as imagens belas do encontro entre Konrad e Donato - Wagner Moura mais uma vez soberbo -, as cenas de sexo e de nudez infinitamente fortes entre os dois. são imagens não apenas magnificamente fotografadas, mas exigentes, como disse Didi-Huberman na conversa que assisti dele. exigem de nós outra forma de contemplação, outra forma de pensamento. e de maneira simples. muito simples.
.
.
.
como tudo que trava nosso olhar para nos fazer enxergar mais além. 
 
(ps. resolvi fazer algo que não tinha feito antes::: transportei a postagem do meu blog pessoal para cá. queria ocupar meu dia 26, coisa que não tenho conseguido nos últimos meses, mas também queria dizer, ainda aqui, como essas duas experiências recentes foram importantes para mim! prometo uma postagem inédita no próximo mês!). 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Procura-se Desenhista

Eu tô emburrecendo. Profundamente.



Alguém por favor poderia me explicar como tem tanta manifestação, greve, insatisfação, revolta e a Dilma venceria em primeiro turno? Cadê coerência?



E alguém me explica essa noticia?

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-05-20/ministro-do-stf-muda-decisao-e-mantem-suspeitos-da-operacao-lava-jato-presos.html

Eu entendi o seguinte: A PF se mata para conseguir provas e prender uns acusados de lavagem de dinheiro. Como no meio do bando tinha parlamentares, um juiz mandou soltar todo mundo. Dois dias depois ele muda de ideia. Sério, alguém pode desenhar, porque ta difícil.



E apos completar meu álbum de figurinhas da copa comecei a pesquisar sobre os possíveis candidatos que votarei nas próximas eleições. Mais fácil achar agulha no palheiro do que um candidato realmente "ficha limpa", sem nenhum passado negro ou no minimo suspeito.



Ta complicado, gente. Ta bem complicado.

Alguém tem outra saída que não seja o aeroporto?



Saudades de quando eu tive esperança..


quinta-feira, 22 de maio de 2014

A culpa é do PT!

Dedico este texto a todos os pensadores contemporâneos do Brasil, 
sobretudo aqueles que dedicam parte de seu precioso tempo a
manifestar suas angustiantes inquietações nos comentários 
das noticias veiculadas pela internet brasileira


Apresento a seguir pequenos excertos incrivelmente baseados na vida real:

***

***

276 meninas foram sequestradas por um grupo armado na Nigéria em abril e, ainda hoje, 223 permanecem em cativeiro. Enquanto estudiosos do mundo todo tentam entender a questão, John não perde seu tempo com vãs especulações e afirma que a culpa não pode ser de outro que não seja o PT. Sim, o PT que juntamente com o Itamaraty reverencia o grupo armado responsável pelo sequestro e que, por este óbvio motivo, não bota a cara na TV para vir em defesa das meninas nigerianas. A pertinente elucubração de John é tacitamente corroborada pelo pensamento de Wilson, que afirma que o Brasil, por evidente culpa do PT, é muito semelhante à Nigéria, uma vez que em ambos os países o povo é miserável, haja vista a existência de programas assistencialistas como o Bolsa Família, e com a população aculturada, fato inexoravelmente comprovado pelo fato de que o antecessor imediato da atual presidenta é analfabeto.

***


***

A culpa é do PT!
A culpa é do PT!
A culpa é do PT!

Se choveu demais,
Se choveu de menos,
Se não ganhei na Mega,
A culpa é do PT!

Se está calor de mais,
Se está calor de menos,
Se não completei meu álbum,
A culpa é do PT!

Se tem muito mosquito,
Se tem pouco mosquito,
Se o Brasil perder a Copa,
A culpa é do PT!

A culpa é do PT!
A culpa é do PT!
A culpa é do PT!

***

Como é bom viver num país tão simples, onde todas as perguntas já possuem uma única e simples resposta, na ponta da língua de qualquer um!

***

PS.: Há quem diga que este post já foi escrito com outras palavras e pode ser lido aqui.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sempre haverá um amanhã...!

Publicado originalmente aqui.

Eu li sua carta, eu a recebi justamente no outro dia.
Você parece tão feliz, tão engraçado como o tempo se dissolve.
É um prazer tão grande ver você crescer,
E ver como você está espalhando seu amor
Através do ar hoje.

Eu penso no Paraíso, toda vez que te vejo caminhar ali.
E, enquanto você está caminhando,
Eu penso nas crianças em todos os lugares.
Está no seu signo estelar
Você crescer mais forte.
Eu nem consigo acreditar em você,
É tão bom importar-se...

Através do encantamento, para dentro da luz do Sol,
Anjos tocaram seus olhos...
Sua Alteza, elétrica... Tão surpreendente...

É esta sua primeira vida?
Parece como se você tivesse vivido antes ...
Você me ajuda a agüentar,
Você tem um coração como uma porta aberta.
Você canta tão docemente,
Minha Amada adora você.
Ela adora, ela está pensando em você
Agora mesmo, eu sei...

O verão está vindo,
Eu manterei contato, portanto você não está sozinha.
Então, como uma andorinha você voará embora
Como os pássaros têm voado.
Então deixe-me te dizer
O quanto eu te amo.
Eu faria os pássaros canoros cantarem
Para você novamente.

Bem, agora é boa noite!
Anjo querido, leia bem esta carta...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Depois do Rodas, a USP roda!

Quase 5 milhões de reais para trocar o piso de uma praça.
Entrei na USP em 2006. Até então não fazia ideia de como era o ambiente de uma universidade pública tão multifacetada. Tinha ainda a mentalidade que construímos com os exemplos da escola, onde o professor fala e os alunos escutam – os bons alunos escutam quietos e os maus fazendo bagunça.

Começando a estudar as ciências sociais vi que nem toda a bagunça era maléfica. Contestar autoridades muitas vezes é o mínimo que se espera de quem tem senso crítico e pretende fazer alguma coisa contra um padrão insatisfatório.

Assim participei de várias assembleias, manifestações, greves e ocupações. Olhando para trás vejo que nem todas foram necessárias. Talvez tenha me faltado maturidade ou senso crítico, porém muito pior seria frequentar as aulas, alheio ao ambiente universitário e a tudo o que pude aprender participando do movimento estudantil.

Nos últimos quatro anos as principais ações dos estudantes da USP giraram em torno do ex-reitor, João Grandino Rodas. Segundo colocado na preferência da comunidade, Rodas foi escolhido a dedo pelo então governador José Serra, mesmo sendo acusado de improbidade administrativa, entre outras coisas, durante o período em que foi diretor da Faculdade de Direito da USP.

A opinião pública, quando alguma manifestação estudantil vinha à tona, era quase unânime: um bando de vagabundos que queriam fumar maconha em paz, sustentados pelo contribuinte que paga seus impostos.

Não participei ativamente da última ocupação da reitoria, em 2013, mas visitei o prédio. Não gostei do que vi e não concordei com muitas coisas, porém tive a consciência que havia escolhido não participar, portanto não tinha como cobrar nada. Tinha também a certeza de que se a desocupação fosse negociada, muitos dos danos seriam reparados pelos estudantes antes de devolver o prédio, como ocorreu em 2007.

Muito mais cômodo para a opinião pública é esquecer tudo isso e dedicar 100% dos comentários ao ‘vandalismo’ promovido por aqueles que supostamente ‘só queriam fumar maconha em paz’. Melhor não pensar nos reais motivos que levaram à atitude extrema de ocupar a reitoria e somente bradar contra aqueles que estariam desperdiçando o dinheiro público, visto que a universidade é sustentada com o pagamento de impostos.

Acho ótimo que as pessoas se preocupem com o destino de seus impostos. Porém esse é um hábito que deveria ser cotidiano e generalizado, ao invés de se concentrado apenas na oposição da atitude estudantil.

Concordo que até aqui muito pode ser discutido e sobretudo discordado – isso é ótimo, pois é a essência da política. Porém desde o início de 2014, com o fim da gestão de Rodas, vêm à tona problemas gravíssimos, dos quais muitos tiveram origem devido às suas ações.

A USP tem sérios problemas financeiros, o pagamento de professores e funcionários, cujos salários foram elevados acima da capacidade do orçamento para evitar greves e manifestações, consome todo o recurso da Universidade. A compra desnecessária de imóveis e a construção de prédios faraônicos acabaram com as reservas financeiras.

Curiosamente o que surge nos jornais hoje são problemas que os estudantes já indicavam há anos, porém agora ninguém reivindica os direitos dos impostos com os quais a USP é sustentada. A diferença prática é que a reforma da reitoria, que até onde eu saiba não apresentou nenhuma prestação de contas, não chega nem perto do valor do navio de R$23 milhões, comprado pela USP com o dinheiro de cofres públicos e encostado no porto de Santos há seis meses.

Insisto, podemos discordar das ações do movimento estudantil, podemos não nos conformar com o dinheiro de impostos sendo destinados para a reparação de danos ao patrimônio (ainda que este gasto poderia ter sido evitado com uma desocupação negociada). Mas dar toda a atenção para as consequências das manifestações dos estudantes e esquecer completamente os gastos milionários que colocaram a USP em uma crise é dar mais atenção às margens que ao cerne do problema.

Até agora as propostas de solução para a crise giram em torno do corte de verba para bolsas e pesquisas, ou seja, basicamente a política de corte de verbas aplicada na educação brasileira há tanto tempo.

Outro probleminha indicado pelos vagabundos que querem fumar maconha em paz é o campus da USP Leste. Depois de muitas manifestações criminalizadas o campus todo foi interditado devido à contaminação do solo e com direito a uma infestação de piolhos. O que está sendo desperdiçado com isso? O dinheiro dos mesmos impostos daqueles que, dependendo do viés da matéria ficam indignados, outras vezes ficam impassíveis.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lady Gagá

Nunca gostei de pensar na velhice, sempre tive pavor. Sei que é inevitável, o curso da vida, que todo mundo morre. Que não precisa ser idoso, basta estar vivo. Mas sempre pensei que quando se é velho, essa certeza do fim é muito mais iminente. Que encarar gradativamente a perda da própria cognição e coordenação motora, ou observar o corpo se degradando é aterrador. Imagine, então, encarar a constante possibilidade do fim.

Até que esses dias, li que o ser humano começa a envelhecer aos 27, já que o auge de suas capacidades mentais é atingida aos 22, mantendo-se estável por mais 5 anos. E que, em contrapartida, a expectativa de vida está consideravelmente mais longa do que há algumas décadas, sobrando muito mais anos de mediocridade mental pela frente.

Essa notícia, ao invés de me aterrorizar, tranquilizou-me. Concluí que se eu chegar a ficar velha, vou ser mais burra (ainda) e que, se eu tiver sorte, nem me darei conta de me preocupar. Também estarei mais cega, o que possivelmente me fará fazer vista grossa para os efeitos nocivos da gravidade. Pagarei meia entrada, viajarei de graça e terei as melhores vagas de estacionamento à disposição. 

E já que não tenho outra escolha, é isso ou morrer logo, melhor  parar de pensar a respeito. Pronto, parei.

     

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Desejo



Já pensou se existisse um Deus que não realizasse desejos? Que fosse conhecido e respeitado por não realizar pedidos? Que tivesse mantras em louvor a ele, pelos desejos que ele não realizou? Para quem as pessoas rezassem em silêncio sem pedir coisa alguma?


Desejamos tantas coisas. Será que queremos mesmo? Será que sabemos mesmo o que desejamos? E mais, será que, ao alcançarmos o que desejamos, conseguimos sentir satisfação?


A sociedade não existiria sem seres desejantes. Quando uma pessoa não deseja nada dizem que ela está apática, deprimida....



Desejar é diferente de sonhar. Envolve expectativas, fetiches, propagandas, hormônios....



Se todos os desejos fossem realizados, seria o caos, mas vivemos em uma época em que muitos desejos são realizados. Mais do que deuses, temos indústrias de realizar e de produzir desejos.

Procurei na internet para ver se achava esse deus que não realiza desejo nenhum. Não encontrei. Mas lembrei da história que me contaram sobre uma deusa tão poderosa, que deve-se tomar muito cuidado com o que se pedi a ela, pois ela não sabe dize não: Tara Verde.

Não dá pra ser contra o desejo, mas que ao menos possamos refletir mais sobre ele. Cuidar do que desejamos como seres  dentro de um universo, como pessoas em uma sociedade competitiva, como indivíduos.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Não sei o que está acontecendo.....

Poucas  vezes senti o Brasil como sinto hoje. Me dizem que é o cansaço, parece que estão todos exaustos de tudo que acontece.
E o que acontece? Difícil saber, até para achar uma resposta temos que tentar organizar as coisas.

Tem gente que diz que tudo isso é culpa da corrupção, da má administração pública e dos pesados impostos. Pode até ser, mas não é a primeira vez que passamos por isso, desde que eu nasci escuto a mesma ladainha.  Mas agora parece sério, a Copa abriu uma ferida e nem começou. Os estrangeiros nem chegaram e os preços já subiram.

Tenho um amigo jornalista que veio cobrir a Copa e já sabia dos preços, do trânsito, dos impostos, mas ontem falando comigo se disse chocado com o espírito dos brasileiros, a maioria desejando que a Copa exploda. E também está horrorizado com a conexão de internet, me disse que estava na Síria, um país em guerra, a conexão lá nos hotéis é melhor que a daqui. Eu nem tinha lembrado de avisar sobre isso, já estou acostumada com a maioria dos brasileiros a pagar por uma conexão de primeiro mundo e receber uma conexão-migalha, de acordo à vontade do fornecedor.

E meu amigo quer saber  ''o que está acontecendo com os brasileiros?''. Não sei. Não tenho ideia. Talvez a coroa está pesada, acordamos para a vida e percebemos que ser brasileiro é ser nada. Ele disse que sente as pessoas apáticas, apagadas e sem vontade.  Eu até tento argumentar, no primeiro jogo isso desaparece, brasileiro é assim, muda de emoção em segundos.
Não sei o que aconteceu, parece que o país encolheu, ficou do tamanho de uma ilha.

E não posso criticar ninguém porque também me sinto assim, de saco cheio de tudo que acontece aqui.
E alguém disse ao meu amigo  ''quero ver chegar no estádio''. Ele me perguntou se era tão complicado. Falei que sim, vai estar cheio, táxis vão cobrar fortunas, o trânsito vai estar parado.

E ele me perguntou  ''E como os brasileiros aguentam isso?''.

Ah, faz tempo que a gente leva a vida assim em um país parado, cheio, onde tudo custa fortunas e não dá em nada. A Copa é apenas isso, a confirmação de que não saímos do lugar e pelo visto essa possibilidade não existe.

domingo, 11 de maio de 2014

Tô Tentando...

Tá mesmo? Qual seu conceito sobre tentar? Vai tentando... Continue tentando. Tenta ler o texto aqui, tenta?

O verbo "tentar", no meu ponto de vista é o verbo mais passivo que eu conheço. Não há maneira de tentar sem sequer executar algo. Não há como tentar sem um objetivo, um plano ou uma estratégia.

Quem tenta por tentar, está simplesmente adiando a própria evolução.

Observe bem, entre toda a tentativa e a execução, existe o "fazer", a ação.

Não entendeu? Faz um favor então: Coloque uma caneta à sua frente e agora tente pegar a caneta. Simples assim.

Tentou? Pegou?... Se você pegou, você já ultrapassou o limite da tentativa. Mas por alguns milésimos de segundos, você executou e planejou uma estratégia pra alcançar seu objetivo: Pegar a caneta.

Você não percebeu, mas nas dezenas de tentativas bem sucedidas você movimentou braços, dedos e desviou de obstáculos. E é assim que funciona.

Quer mudar a vida? Está tentando?... Está mesmo? Qual o plano? A estratégia?

Tentativa por osmose não funciona!

Leu?

Que bom, mais uma vez você ultrapassou o limite da tentativa! Agora, conte-nos qual o plano que você traçou para chegar até aqui. Aplique para seu dia a dia.

Ficar tentando aí parado não vai te levar a lugar nenhum. Só vai te manter tentando tentar...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Sem Medo do Ladrão.


  Um homem é fiel a seu cão e a seu time de futebol.
  Poucos, pouquíssimos homens conseguem mais que isso.
  Não importa religião, esposa, família, filhos, país.
  O homem tem seu cão e seu time.

  "Enquanto" mulher (sabe se lá os avanços da cirurgia de troca de sexo)
  fica difícil entender, já que mulheres não são fiéis a quase nada.
  Talvez aos filhos, ou a mãe, talvez.

  Nos relacionamentos as mulheres não traem mais por preguiça
  do que por outra razão, e usam isso como arma para ter parceiros bobos na mão.
  Paciência.

  Mulheres gostam de contar vantagem, homens também.
  Aí eu volto pro futebol (desculpe, ritmo de copa)
  Futebol, mulheres, carros, roupas, bolsas, viagens...
  Como é bom mostrar para todos tudo isso de bom.

  Só não entendo o salário.
  Um receio bobo que todo mundo tem de falar do contra cheque.
  Quem tem menos por vergonha, quem tem muito por medo.
  Não sei.
  
 Não se pergunta quanto alguém ganha no mês, posso perguntar tudo,
 menos isso.
 Tabu.

  Se pergunta a pessoa gagueja, disfarça, se acanha.
  Por que dentre tantos, esse é o assunto delicado?

  Saber como vai o seu bolso, me ajuda para acertar
  para onde posso te chamar, para viajar, para comer
  Sem ofender, sem constranger.

  Isso ajudaria muito minhas amizades e convívio social.
  Proponho salário informação inicial em redes sociais.
  Anexe seu holerite.

 figura fonte revistaalfa.abril.com.br 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

- Escrevo contos, poemas, crônicas, roteiros...
- Ah, você é versátil...
- Não, sou ativo.

(Cleyton Cabral)