terça-feira, 16 de novembro de 2010
Casamento
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Sobre ser 8 ou 80, regida pelas leis de Murphy
domingo, 14 de novembro de 2010
Meu nome é Heryslaine
-Heryslaine. Com H.
Com H. Dizer que meu nome começa com H não explica nem o começo, só complica. Você pode até pensar que minha mãe me odeia pra ter me dado um nome assim, mas na verdade ela é uma pessoa amável. Meu pai é que me deu esse nome, ele sempre foi meio maluco, diz minha mãe. Não me lembro de quantos vezes eu quis trocar de nome durante minha adolescência, mas meu pai fazia uma cara de desolado toda vez que eu tocava no assunto, mesmo de brincadeira. Talvez fosse o fato de ele se chamar João da Silva, não quis que a filha fosse confundida a vida inteira com outra pessoa, com qualquer um. Chamar João da Silva é quase não ter nome. Heryslaine porém é o ápice da identidade. O substantivo mais próprio do mundo. Não posso reclamar que alguém jamais tenha me confundido com outra pessoa. Heryslaine é uma só.
Hoje digo, quase que com orgulho:
-Meu nome é Heryslaine. Mas pode me chamar de Lan.
sábado, 13 de novembro de 2010
Azul e branco
Na verde espessura
Do fundo do mar
Nasce a arquitetura.
Da cal das conchas
Do sumo das algas
Da vida dos polvos
Sobre tentáculos
Do amor dos pólipos
Que estratifica abóbadas
Da ávida mucosa
Das rubras anêmonas
Que argamassa peixes
Da salgada célula
De estranha substância
Que dá peso ao mar.
Concha e cavalo-marinho.
Concha e cavalo-marinho:
Os ágeis sinuosos
Que o raio de luz
Cortando transforma
Em claves de sol
E o amor do infinito
Retifica em hastes
Antenas paralelas
Propícias à eterna
Incursão da música.
Concha e cavalo-marinho.
Azul... Azul...
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Concha...
e cavalo-marinho.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
"A internet é a própria metáfora da transmissão de pensamento. Isto é ficção científica."
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Uma DR com SP
Voltei de olhos fechados diretamente para os seus braços, mas quando cheguei eles estavam cruzados. Seu coração estava congestionado, as regras mudaram, os preços aumentaram. Aqui descobri que sou sem teto e sem chão.
Você não me quer. Mas não posso te deixar. Voltei decidida a tentar de verdade que por fim pudéssemos ficar juntos, voltei com mil planos para nós. Você também tinha planos, as promessas eram inúmeras, você me desenhava oportunidades que eu jamais pensei encontrar justo aqui, e agora. Busquei planos assim longe daqui, perto daqui, em lugares parecidos, em lugares radicalmente diferentes. E até hoje não entendi como foi o processo decisório para que eu assinasse embaixo desse contrato de voltar para ficar contigo.
Mas você não me quer. E me perguntam por que não posso te deixar. É mentira, ninguém perguntou. Não contei pra ninguém que você fez isso comigo. Justo eu, que tão bem te tratei, mesmo que tenha te afastado sem querer querendo mais de uma vez. Tenho vergonha da minha ingenuidade. Eu, que me conhecia tão bem, agora me olho no espelho e não me reconheço.
Não posso fugir de novo. Não quero mais fazer malas. Não, não, não. Não tenho mais planos, só tenho a sua rejeição contínua, incansável, que me contamina o pulmão em cada escapamento furado, me atordoa o ouvido a cada ruído da catraca, que me ferve o sangue a cada insulto opressor.
E eu aqui, agora aqui, ainda aqui, sentada em terra firme, com meu botezinho amarrado no cais, suportando a urgência de fugir rodeada por todo tipo de distração que decida passar perto de mim. Não tenho um pingo de esperança que um dia você volte a me ver como eu era, como eu acredito que ainda posso ser. Agora só espero o tempo passar.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Eu também sei fazer Campanha!
domingo, 7 de novembro de 2010
Nota mental
sábado, 6 de novembro de 2010
Palmeiras não. É Palestra!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Quindim
___
www.cleytudo.blogspot.com
@cleytoncabral
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O enterro de um homem coerente (por Gilberto Amendola)
Por Gilberto Amendola
Morreu um coerente. Um sujeito que teve sempre a mesma certeza - do cordão umbilical até o derradeiro suspiro. Um homem sem esquinas na alma, sem becos obscuros desembocando no esgoto do peito. Morreu um triste.
Os parentes se aproximavam do caixão sem crer. Não havia um sinal de dor, uma marca, um corte ou qualquer outro indício da morte que ali se apresentava. Seu corpo inerte não era diferente daquele que até ontem gozava de boa (eu diria, perfeita) saúde.
Amigos? Uns dois ou três - que eram mais frutos de uma conveniência corporativa (subalternos ou lambe-botas) do que de laços fraternais. O morto, o coerente, não perdia tempo regando a flor errática da amizade, que além de dar trabalho não traz nenhuma garantia de boa colheita.
Se algum amor chorou por ele? Só o da própria mãe - que é compulsório e, que me perdoem as mães, não conta. Uma mãe é capaz de amar o pior canalha. Mas, justiça seja feita, o coerente nunca foi um canalha. Seria demasiado humano para os padrões dele.
O coerente, como se percebe agora, sempre manteve uma distância segura de seus pares. Nunca se envolveu em nada que representasse uma possibilidade de dúvida. Nunca quis saber de alguém que dissesse 'A' - quando acreditava que o correto seria ouvir 'B'. O coerente não alimentava baboseiras. Era uma linha reta em direção ao precipício do entendimento.
Não se tem notícia de lama em seus sapatos; de chicletes em seu cabelo ou cárie em seus dentes - não era muito de comer doces, dizem. Se não era perfeito, ora bolas, que criem uma outra definição para perfeição.
Mas a vida, que não é feita para ser poupada, deu o troco. Por infelicidade, o pobre rapaz morreu cedo, com o bolso cheio de medalhas, honras ao mérito e outras quinquilharias de gente de bem. Não se sabe se foi vítima de alguma doença extravagante e sacana - dessas que só matam pessoas extremamente limpas e educadas.
Não sofreu. Ou, talvez, tenha sofrido. A questão é que o coerente não sabia o que era e o que não era sofrer. Sabia o que era uma gripe ou uma pequena enxaqueca. Agora, sofrimento, ele não sabia não.
Morreu dormindo. Vai saber se algum dia esteve acordado? Mas se foi dormindo. E neste intervalo entre a vida e a morte, o corpo rogou por um sonho. E o que aconteceu? O coerente se viu mergulhado em uma palidez abissal, dando braçadas desconexas no ar. Era pura comédia física. Aliás, o que é a vida se não uma comédia física.
Enfim, foi o sonho possível de um homem coerente. Ele mesmo teria gargalhado se não fosse esteticamente incorreto gargalhar. Vamos dizer que o coerente sorriu ironicamente, tal qual um lorde inglês (melhor assim).
Mas eis que o coerente morreu. O caixão foi fechado. O corpo desceu. Os presentes fizeram aquele ar de tristeza, tudo de praxe, tudo coerente com o sujeito coerente que tinha partido desta para uma melhor.
E todos foram embora daquele cemitério: abraçaram suas mulheres, beijaram seus maridos, usaram seus iPhones, limparam seus pés de barro e pegaram seus carros. Na primeira curva depois do portão já não havia mais nada para ser dito sobre o homem coerente. Todo dia morre um. E ninguém (ou quase ninguém) liga.
Enquanto o esquecimento varria a antessala do pensamento, os vermes, sempre eles, rodeavam o corpo do homem coerente. Aquilo, que se pretendia um banquete, parecia indigesto.
Os vermes não farejaram algo apetitoso, algo suculento, algo que tenha sido embebido na cachaça da vida. Era molho ruim. Comida sem graça. Nem os vermes quiseram petiscar o defunto mais coerente da história.
Acho que o homem coerente nunca vai apodrecer.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Super bactérias, ativar!
Esses dias me perguntaram se eu sabia algo sobre a super bactéria. Respondi que não e que não queria saber. Tá, eu ouvi por alto, vi um link de noticia aqui e ali, mas me recuso a prestar atenção. Já estava cansada do papo de bactérias comuns, agora me inventam uma super?
Desde que eu sou criança eu comemoro meu aniversário na Festa Uai, uma festa que tem todo ano aqui na minha cidade no mês de Agosto. Esse ano falaram que não teria. Como assim? Corte de verbas, disseram. Fiquei puta. Pelo visto outros também ficaram e por fim resolveram fazer a festa por míseros 4 dias. Antes eram 15, mas ok. Como dizem por aqui, melhor pingar do que secar.
Fomos. A família toda. Escolhemos a barraca de sempre, aquela que serve feijão tropeiro, couve, pernil e torresmo. Na hora de servir a tia da barraca me entrega uma marmitex quadrada e talheres de plástico. Pensei que era um erro e afirmei que não tinha pedido para viagem. Normas da vigilância Sanitária, ela me explicou.
Engraçado que a vigilância sanitária parece não ter muita consciência ecológica, né? Antes comíamos em pratos normais, talheres normais, que depois eram lavados e usados por outra pessoa. Esse ano não. Sacos e sacos de lixo de produtos descartáveis. Tudo em nome das bactérias. As temidas.
Eu queria que a agente sanitária responsável me apresentasse um atestado de óbito de alguém de foi infectado por alguma bactéria na festa e morreu ali mesmo, com a cara no tutu de feijão. Só assim faria sentido. Ou radicalizasse geral. Não pode falta de higiene? Então quem comer espetinho de gato que os camelôs vendem na porta da festa está preso. Sem direito a fiança. E mais do que isso, queria que ela se sentasse na minha mesa e me ensinasse como diabos se espeta um torresmo com garfo de plástico.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dois textos em um: Gastronomia Fail + Dakota´s battle
- Além do galeto, vou querer o arroz maluco.
O garçom era muito atencioso e simpático. O local era limpo, bem decorado e bem arquiteturado. Galeto primoroso, no ponto certo, saboroso ao extremo. Na minha mente, pipocavam os seguintes pensamentos: “que delícia”, “porra, bom pra caralho”, “tomara que não chova, quero muito jogar futebol hoje”, “sempre em busca do novo do novo. Do novo”, “por que você cisma com esse conceito publicitário? É muito ruim, cara. Esquece essa merda”, “que tal misturar logo o galeto com a porra do arroz maluco?”.
(Evito ao máximo usar palavrões nos meus textos. Mas como eu tive que relatar os pensamentos que pipocavam na minha mente, que são sempre recheados de palavrões, eu não tive outra escolha.)
Então eu coloquei o arroz maluco no prato e senti um gostinho de indústria, inaceitável para um restaurante daquele nível. Examinei a travessa de arroz e vi que a batata palha era daquela que vem em saquinho, como se fosse Ruffles. Qual é a dificuldade em fazer uma porcaria de uma batata palha verdadeira, no óleo, crocante e saborosa? Me lembrei de um restaurante mexicano que teve a indecência de servir guacamole com Doritos. Pode ser que para muita gente o Doritos ou a batata palha industrializada não seja um problema muito grave. Mas para mim foi tão grave quanto se eu tivesse visto três ratos e uma barata transitando pela galeteria. A propósito, chama-se Galeteria Mormaço e fica no Jardim Botânico.
Então agora vocês já sabem. Podem ir sem susto, a comida é muito boa, só não me peçam o arroz maluco. Tem que ser muito maluco mesmo pra pedir aquele arroz.
Dakota´s battle
Hoje eu sonhei que a Dakota Fanning havia se mudado para a minha casa graças a um sensacional e totalmente impensável namoro do meu pai com a mãe da menina prodígio. Ela se tornou rapidamente a minha irmãzinha querida. Andávamos na Lagoa quase todos os dias, levei-a para conhecer as praias menos badaladas, assistimos os seus filmes preferidos e o meu inglês progredia numa velocidade extraordinária. Então, numa manhã de domingo, ela me deu um abraço apertado e disse que eu era o melhor irmão do mundo. Eu estava tão feliz que não conseguia dizer nada. Mantive os olhos fechados por um bom tempo, envolto no seu abraço apertado. Ao abrir os meus castanhos olhos sem graça e comuns para fitar os seus belos olhinhos azuis, eu vi um armário aberto, um aparelho de som e uma calça pendurada na parede.
Voltei a dormir e sonhei que o meu pai era morto por uma espécie de urso que pulou de uma árvore enorme enquanto passeávamos na sua fazenda. Foi uma cena bastante traumática. O urso era seis vezes maior que um urso convencional, mas ele lutou bravamente. A sua morte custou caro e ele não se desesperou em nenhum momento. Encarou o urso gigante de igual pra igual. Fiquei orgulhoso do meu pai. Não só pelo confronto com o urso, mas principalmente por ter namorado a mãe da Dakota Fanning.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
o dia em que fui atingido por uma bolinha de papel e não morri, obrigado
.
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.
sábado, 30 de outubro de 2010
Quem tem um sonho não cansa
Vladimir Ilitch Ulianov Lênin
Estudante na Escola de Cinema de Munique em 1997, Florian Henckel von Donnersmarck estava em busca de ideias de roteiro para as aulas. Agitado com a falta de inspiração, certa noite ele se deitou no chão de seu quarto ouvindo Beethoven.
Enquanto a mente divagava, lembrou-se de algo a respeito de Lênin. Dizem que o líder comunista evitava ouvir a Appassionata de Beethoven, pois essa peça o emocionava tanto que tinha medo de tornar-se manso demais para implementar seus projetos revolucionários. “Se eu a continuar ouvindo não levarei a cabo a revolução”, teria dito.
De súbito, von Donnersmarck concebeu a trajetória de um homem cuja humanidade seria resgatada por meio da música. Assim nasceu Das Leben der Anderen (A Vida dos Outros), filme que 10 anos depois receberia o Oscar de “melhor filme estrangeiro”.
Revi essa preciosidade nesta semana e pesquisei um pouco sobre a peça de Beethoven. Dividida em três movimentos, dura aproximadamente 23 minutos. O compositor escolheu o tom de fá menor provavelmente porque a tecla mais grave nos pianos da época era um fá. A nota aparece em profusão ao longo da peça, lhe conferindo um matiz sombrio, por vezes interrompido por laivos de arrebatamento que parecem não se consumar.
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, escolhi a peça de Beethoven como trilha sonora. Conhecer o nome do novo presidente exatamente na considerada “noite sagrada” (hallow evening, em inglês) não deve ser mero capricho etimológico dos deuses. Vou resistir à quase inevitável blague que consideraria mais adequado chamar o “Halloween” de “Dia das Bruxas”, a fim de homenagear a provável ocupante da cadeira presidencial. A imbecilidade chegou a níveis tão absurdos durante a campanha que vamos levar um tempo para voltar ao tradicional bom humor verde-amarelo.
Na peça de Beethoven não há pausa entre o segundo e terceiro movimento, exatamente como vai ocorrer no Brasil. A sensação de continuidade será a mesma, a despeito de quem for eleito. O papel de Regina Duarte em 2010 foi desempenhado (canhestramente e sem trocadilho) por Paschoal Piragine e a desilusão parece ter vencido o medo.
Ouvir repetidas vezes a Appassionata aguçou minha mansuetude, proporcionando quase uma verdadeira brochura cívica. Felizmente, descobri uma versão com um delicioso tempero jazzístico. Não é hora de perder a ginga, ainda que ela venha em passos ½ desengonçados como a da violinista Naoko Terai.
Sonhos podem se transformar em pesadelo coletivo, como no caso de Lênin. No entanto, não me faculto ao direito de não participar desse momento ou de deixá-lo passar literalmente em branco. A porção poliana que vive em mim continua se equilibrando como a esperança da canção do João Bosco. Além da música, tomo emprestado do cineasta alemão uma frase que ele encontrou num pacotinho de açúcar e que o acompanhou durante todo o período de concreção de seu sonho: “O caminho do menor esforço só é asfaltado no começo”. Quem vem comigo? o/
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sem título, sem vídeo, sem foto
Os três peludos, boa companhia, nas cores: preto e branco, amarelo e branco, e cinza. Tão tranquilos, calmos, nenhum latido. Fofos.
O desejo do mergulho, a ponto de lavar a alma.
Mergulhei, sem medo, no ininteligível dos seres, o inumano.
A torcida escondida não organizada, assovios. Outra vez, mergulhei, mais uma vez, e voltei. Livre.
Materializado o encontro: água viva dentro e fora, alma tocada. Viva a coragem, vontades.O bem-querer-se, querer-se muito, além, querer-se-bem.
Para C.L,a sincera gratidão, ao ensinar "matéria de salvação"...
O lugar bonito e a sensação gostosa,o prazer contínuo em andar, andar e andar.
Almejada há cerca de 3 anos.E saber que acertei na escolha: pedras, folhas caídas, embelezando as ruas. Indicando, por ali, a primavera. Cores em portas e janelas, predominante: o azul, o amarelo e o vermelho. Branco para o resto.
A simplicidade em cada espaço; igrejas antigas, algumas em reforma, lojas com artigos coloridos, passeio de charretes (a tempos não via, algo assim), a singularidade de cada espaço, resistindo ao tempo.
O som, as cores, luminárias várias, a beleza à noite. Gente indo, vindo, despreocupadamente.Sossego.
A imagem congelada: a hippie de cabelos longos, olhos distantes, boca fina, saia bordada e colorida, blusa de babadinhos com florzinhas amarelas. Tocando saxofone, à esquerda um cão branco com manchas pretas; à direita um velho de veste parecida (colorida e despojada), acompanhando-a, violão.
Prazeroso de ver e ouvir.Ambos sentados na calçada, de fundo a Tabacaria de janelas vermelhas, com lustres bonitos.Sem esquecer do retrato, o desenho do momento no momento - incrível.
A música "calhente", sensual, olhares devoradores, mais um pouco, esse pedaço é arrancado.(ufa!)
Próximo ao Quilombo, aventura por ruas bem estreitas.
O motorista piloto-de-fuga, a serra como montanha russa o friozinho na barriga. (up!) Da janela, mata fechada, o cheiro de chuva, terra molhada, céu nublado.Sem sol, apenas o mormaço.
Subindo, subindo, subindo...
A imensidão, o aberto das costas. Bravo, gigante em cada qued'água. Olhos maravilhados, no infinito, o falso verde e azul no vai e vem.Desaguando quaisquer resquício de doença,tristeza depressão/melancolia. Nenhuma gota, tudo deixado para trás.
Ah, essa existência de Deus...danada de bonita!
A comida agridoce, bastante suco, dos mais variados sabores/gostos. Peixe amargo, considerado o melhor. Salada colorida, paladar agradecido, a vontade de ficar ali.Cadeiras e mesas pra fora, o samba-rock e mpb ao vivo, noite bonita; gente de bom gosto e bom humor,sempre disposta ao diálogo,assuntos diversos. O sotaque, de todo tipo.
O relógio ignorado, a zero hora de qualquer momento. Registro, arquivo, melhor a mente...
Aquela adega estilosa, cheia de gabriela-cravo-e-canela, acalorando corpos. A mulher-aço-nua, logo na entrada.A arte, cacos de vidros colados, garrafas coloridas, doces, o afrodisíacos. Cheiros, vontades, e mais alguma coisa. O mel e maracujá sem cravo, rodadas, vira-vira, confusão, talvez fosse suco (?) de tão doce.O rosto corado, suor no pescoço/corpo todo, literalmente assim, e assim...
A linha azul perdida, Jabaquara. O desembocar de carangueijos e águas vivas, areia grossa cheia de conchas.Forte e canhões, àrvores velhas e pedras. Do alto,visão incrível da cidade. Vento, olhos fechados. Sorriso.
A linda exposição. O cheiro de barro, mesa lotada de pincéis, guaches, tintas ocres, cores, argilas, potes decorados e coloridos. Quadros vários, janelas abertas, toras de árvore pelo meio. Esculturas miletricamente trabalhado a mão. Um depoimento, uma música bonita, o teto com buraco transparente. As cortinas de bolinhas, com cheiro de chuva.
A conversa, a indignação, trejeitos daqueles estranhos (secos), a conclusão: não hastear bandeiras, se os braços não são fortes o suficiente para segurá-las.Ponto final. O casal super mega divertido fazendo mimicas para se fazer entender. A falta do inglês, ainda mais o espanhol, a urgência para o futuro. A gaúcha linda, a carioca engraçada.Em quase todo lugar, ficar louco, nem precisa o trabalho, é de tabela mesmo.Risadas.
Agora percebo, escrito menos da metade do todo.
Se soubesse que era bom assim, teria ido antes.
Prometo dar mais vazão/ATENÇÃO a rica e amiga intuição.
Ando assim óóó, carregando o sol.
O sol que não esteve por lá, a não ser aqui dentro, bem aqui, aqui mesmo, dentro de mim.
Será a tal felicidade? Se não for, é parente bem próximo.
O presente, bem presente.
Ou a entrada festiva e bonita dos 30 anos...
Seja muito bem vinda, NOVA FASE.
Oh delícia de VIDA!
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O desenho da maçã não é uma maçã
Aquela distinção entre filmes para esquecer-se da vida e filmes para refletir, em minha opinião, é muito antipática.
Os primeiros são os chamados de filmes bobos, hollywoodianos, previsíveis, cheios de atores bonitões, um clímax angustiante e, de preferência, um final feliz. Os últimos são os Cult, com mais profundidade do que orçamento, preocupação com a arte fílmica, com cores, fotografia, finais nem sempre felizes ou até final nenhum.
Eu, que fui extremamente afetada pelo filme Irreversível, do francês Gaspar Noé, mas que também sou fã de filmes adolescentes no maior estilo Hannah Montana (é sério!), fico sempre achando que, no meio desses rótulos todos, o que mais importa para mim, como espectadora, é a história.
Tenho uma visão bem infantil nesse aspecto, acredito. Digo bem infantil porque essa visão começou quando eu tinha uns cinco anos e não mudou muito de lá para cá. Você pode considerar meio psicótico, mas, para mim, os personagens existem mesmo. Não é faz-de-conta: eles existem!
A vida deles não é como a nossa vida, que começa na maternidade e termina no cemitério, digamos. A vida deles começa e se encerra na história. Se a história tem uma continuação em que mudou o ator principal, se a história tem elementos completamente inverossímeis, se o roteiro tem buracos, se o produtor alterou a versão do roteirista e o filme terminou do jeito X em vez do jeito Y: não importa, a vida dos personagens é assim.
Para usar um exemplo bem extremo: em Sex and the City 2, tem aquela cena (spoiler, cuidado!) em que as muçulmanas tiram as burcas e mostram suas roupas de marca que estão por baixo. Pode parecer ridícula para muita gente. Eu mesma achei desnecessário. Mas, naquele mundo mesmo, esse detalhe não interfere em nada. Porque o mundo em que a Carrie, a Miranda, a Charlotte e a Samantha vivem é assim: mil coincidências acontecem, elas vivem aventuras incríveis, elas saltam com facilidade de um táxi para um camelo e tudo bem! Como um desenho de uma maçã não é uma maçã, uma história de cinema não é nossa vida. É a vida dos personagens.
Claro que vendo a vida dos personagens, podemos refletir, podemos rir, podemos inclusive fazer análises sócio-político-econômicas, mas é aí que volto para o primeiro parágrafo. Acho antipática essa divisão entre filmes para refletir e filmes para esquecer a vida simplesmente porque eu posso muito bem refletir por dias depois de ver um filme como O Amor é Cego, assim como posso voltar a pensar nos meus problemas bancários depois de ter visto um filme todo cult que, simplesmente, não me afetou.
Já aconteceu de eu não refletir nada numa aula de sociologia, psicologia da comunicação, e refletir muito depois de ver uma moça andando descalça pelas ruas de Mariana (cidade mineira em que atualmente moro). Simplesmente não é o filme que vai me mandar refletir ou não sobre algo: depende do meu estado de espírito, depende se aquela questão abordada me toca, depende como estou no dia. E tem gente que costuma refletir sobre tudo, e tem aqueles que não refletem sobre nada, que dormem em filmes cult pretensamente cheios de sentido.
A propósito: adorei Sex and The City 2 e sou uma grande fã da série. E como é chato ouvir de várias pessoas que as moças são fúteis, que são reflexo dessa nossa sociedade-ocidental-individualista-consumista e que, portanto, o filme é um lixo. Espera, espera! Concordo que elas são fúteis, consumistas e tal (elas não são só isso, tá! Mas ok, concordo e vou calar meu lado fã). Mas desde quando filme tem que retratar as pessoas como elas devem ser?
Os personagens são o que são: não têm a tarefa de ser modelos de comportamento. Se eu rio com a futilidade das moças de Sex and The City, não significa que eu faça apologia dessa futilidade. E muito menos que eu ache que o mundo real deva ser assim. Mais uma vez, esse é o mundo delas.
Se vamos fazer análises sobre o nosso mundo a partir do filme, ótimo; se vamos usar as atitudes das moças para exemplificar nossas idéias, legal, mas não precisamos exigir que o mundo delas seja de outro jeito. Deixemos o mundo dos personagens em paz! Aliás, é muito divertido ler e ver coisas com personagens “erradinhos”.
Tábata Romero Garcia
twitter: @tabataaa
email: tabataaa@gmail.com
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Balançando no bar

Veja só o bar que encontrei em Play del Carmem.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Intimidade
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Amor entre homens
Pois quando ele digitou em seu aparelho os 8 números do telefone do amigo, eram 5 horas e 16 minutos da madrugada de 1º de março. Foi atendido pela caixa postal. Sem motivo, decidiu apagar a mente e acender o coração, exatamente como se houvesse um interruptor para tal. E disse, sem pensar, para aquele receptor de mensagens robótico:
- Po, queria tanto falar contigo neste exato momento, e o máximo que consigo é falar com esta máquina... mas, pensando bem, tudo bem. Tendo estes segundos para ouvir minha própria voz, acho que acabo de descobrir: na verdade, só ia te dizer coisas banais, mesmo. Nada justificadamente importante a uma hora dessas. Aliás, que bom essa vontade de te dizer coisas cada vez mais banais. Quanto maior a banalidade, maior nossa proximidade.
E desligou o telefone. E percebeu que o amor pode ter mais versões do que aquela que aprendera com a novela, nos idos de seus 9 anos de idade.

