sábado, 1 de janeiro de 2011
ano 30
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Programa SP 2040
Enquanto a prefeitura de Sampa divulga o planejamento para 2040, recheado de letrinhas e palavrinhas que muito me ilude, como:promoção do equilíbrio social, desenvolvimento urbano e sustentável, mobilidade e acessibilidade, melhoria ambiental e oportunidade de negócios. Além do principal, se não mais importante foco, na qualidade de vida dos moradores, com investimentos na Educação e Saúde Pública. Um verdadeiro conto da carochinha, queira Deus e a sorte do universo que eu esteja enganada. Enfim... Lembrei que eu estou: sem plano, sem meta e sem programa para daqui a cinco meses, dirá para 2040, ano que eu nem sei se estarei viva.
Lembrei também de um livro. Uma leitura de anos, do livro emprestado que não devolvi (também lembrei agora) cujo autor, enfatiza a importância do planejamento. Se não, a longo prazo, como nas empresas made in china, made in japão, made in usa, com planejamento para 20,30, 50 anos, pelo menos para uma semana,um mês, seis meses, um ano. Achei graça quando li. Porque sempre fiquei a mercê da sorte, circunstâncias e divino. Muito crente que a qualquer momento a lua se voltaria pro meu rabo, tendo em vista que o meu rabo não nasceu virado pra lua e menos ainda para o sol.
Até que resolvi me testar.
Decidi do nada estabelecer metas curtas e simbólicas, das quais, eram certeza o alcance. A princípio foi bom e acabei por aumentá-las pouco a pouco. Isto me deixou um pouco mais organizada, mas não o suficiente para planejamento a longo prazo. Foi um teste, a cobaia, eu mesma. E confesso, a ideia surgiu a partir da leitura do livro que não devolvi, do autor, idoso, rabudo, bilionário, pão duro, capitalista e empresário famoso.
Ao ler o programa de Sampa senti uma certa necessidade de organizar algumas coisas. Ou estabelecer metas a minha vida. A ser mais centrada no que faço; a ter menos atrasos, em tudo e pra tudo; a ter mais objetivos; a ter mais opções para driblar o tédio; a ter mais vontade de viver e por aí vai...Mas eu bem sei, que essa vontade de organização e planejamento a perder de vista, não funciona comigo.
Estabelecer metas a longo prazo significa ficar amarrada a obrigatoriedade de cumpri-lás. Além de perder a liberdade de mudanças. Ignorar o fato de que estou sujeita a metamorfoses constantes, sujeita a adaptações do tempo, a mudanças de metas e objetivos...Embora, tão teimosa, tenho que admitir, metade do que planejei quando tinha 20 anos ficou para trás.
Matei e ressucitei alguns sonhos, melhorei algumas coisas e não consegui transformar outras. A única certeza - a morte, mais dia menos dia ela virá, queira não queira ela virá, aceite e não aceite ela virá. E a única diferença entre eu e os abastados, cujo rabo nasceu virado para o sistema solar, é o enterro e os vermes, talvez um cemitério ou crematório chique, ou verme mais hábil para devorar a carcaça. No mais, nenhuma diferença, nem melhor e nem pior, iguais.
Portanto, sinto muito, não farei como a prefeitura de Sampa. Nada de programa, com planejamento a perder de vista. Já que corre o risco de ficar no papel ou perdido numa janela "killer" frustrada e amargurada, por não concluir o programa. Continuarei no curto prazo, sonhando sempre muito alto, sem perder de vista, o agora, o já, o instante, porque isto que é vida!
Então, para os próximos quatro dias segue meu programa:
- enfiar o pé na bunda de 2010 e correr para o abraço e encontro de 2011.
- sorrir muito e dar muita risada.
- brincar nas pedras, fazer tudo aquilo que fiz quando visitei a cidade em outubro e + um pouco, sambar na areia e ver o sol se perder no mar.
- abraçar meu amigos e fazer outros amigos.
- ficar extremamente bronzeada, com marca sensual de biquíni.
- voltar com a carinha que Deus deu pra cima, rindo, com sorriso largo...
Para receber bem o ano de 2011.
Feliz Ano Novo!
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Stop Motion - de quadro a quadro
É provável que você já tenha ouvido falar, e mais provável ainda que você já tenha visto alguma animação feita com a técnica chamada Stop Motion. Se você, como um espírito incansável de criança, viu “A Fuga das Galinhas” ou “Wallace e Gromit” ou ainda “O Estranho Mundo de Jack”, já está familiarizado com o assunto.
Stop Motion é uma técnica em que o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, quadro a quadro, e que, quando passados rapidamente, dão a ilusão de movimento.
Na verdade, essa técnica surgiu juntamente com o cinema e foi mais trabalhada quando começaram a surgir as primeiras animações - como é o caso do longa da Disney “Branca de Neve” (1937). Eu me lembro, quando pequenina, que no final da exibição filme + créditos da fita VHS, havia um making off da produção, da montagem quadro a quadro e da escolha da trilha sonora.
Pra matar a saudade, consegui encontrar esse making off no Youtube:
Bom, hoje, com os artifícios high tech que vemos por aí, as animações são digitalizadas, tudo bonitinho, tudo parecendo de verdade. Mas, sempre existem (e ainda bem que existem) os queridos e criativos inovadores. Tim Burton é um deles. Depois da produção do longa “O Estranho Mundo de Jack” (1993), ainda dirigiu “A Noiva Cadáver” (2005). Ambos com o uso de bonecos e cenários reais, quadro a quadro. Imaginem o trabalhão!
Na internet a fora também encontramos provas que o futuro do Stop Motion é brilhante e que não morrerá com o avanço da computação gráfica. A técnica é também utilizada para construção de videoclipes, curtas, propagandas e outros trabalhos audiovisuais que necessitem de impacto e um toque de magia na concretização.
Recentemente conheci um videoclipe que já vi, vi de novo, mais uma vez e viciei! Uma coisa linda. Um trabalho artístico e alto padrão e criatividade. O nome do músico é Oren Lavie, que também dirige o videoclipe. É um israelita que já foi diretor e roteirista e hoje decidiu (para nossa sorte!) compor e cantar. O artista já teve suas músicas carimbadas na trilha sonora do filme “As Crônicas de Nárnia”, mas ficou mais conhecido mesmo através desse clipe, lançado esse ano.
Abaixo:
Um amigo meu, sabendo dessa paixão por Stop Motion, me enviou via twitter (@SimiaoCastro) uma produção graciosa e super bem elaborada. Acredito que foram dias e dias de muito trabalho para concretização desse vídeo. É uma propaganda da marca de câmeras fotográficas Olympus. Para essa produção, foram tiradas 60.000 fotos, reveladas 9.600 e, para a organização em quadro a quadro, mais 1.800 fotografadas novamente. Um abuso da capacidade criadora! Haha
Mas é um vídeo encantador!
Abaixo temos mais três exemplos muito bem trabalhados. O primeiro é uma propaganda da Ebay, que imita o layout do site com folhas de papel desenhadas. O segundo é um projeto do Colégio de Arte e Design e Savannah, todo dirigido por japoneses, que utiliza como base a colagem de Post-It formando desenhos. Já o terceiro é um jogo humano de tétris muito muito inovador!rs
Bom, fico por aqui!
Espero que tenham gostado :)
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Ho ho ho!
Wave of Mutilation
Ouvi muita idiotice, vi como a vida alheia nada representa. Mas quem pode julgar aquele homem? Quem sabe as dores e angustias que o atormentavam? O salto de 40 metros ou mais, veio como um alívio, um analgésico eterno. Anos e anos de alegrias e tristezas, de amores e ódios, se esvaiam pelo concreto cinza da calçada.
Se ele quis assim, que bom que obteve sucesso.
Em sua homenagem deixo uma musica que aprecio, fala sobre suicidas japoneses.
Wave Of Mutilation - Pixies
Cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation
a wave
wave
i've kissed mermaids, rode the el nino
walked the sand with the crustaceans
could find my way to mariana
on a wave of mutilation,
wave of mutilation
wave of mutilation
wave
wave of mutilation
wave
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Amor Incondicional
Super me identifiquei com o cachorrinho. Porque as pessoas não podem nos amar como somos, sem sapatos? Só abanar o rabo quando o dono chega não deveria bastar?
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Reflexão sobre a Vida
Não sei como dizer, mas ler esse livro fez com que eu repensasse a vida e viajasse no tempo, lembrando da época da faculdade. Conheci tantas Macabéas na vida e nunca tinha me dado conta disso antes. Mas me lembrei bem de uma, um rosto que me marcou muito. Curioso, né? Justamente o rosto de uma garota sem rosto. Todo dia ao entrar na sala, eu via a garota sentada, esperando a aula começar. No rosto dela, nem ansiedade nem tédio – um rosto vazio, que não demonstrava nada. Do começo ao fim da aula, aquela mesma expressão, ou melhor, não-expressão. Todos tinham um grupo de colegas, todo mundo encontrava compatibilidade com outra pessoa. Menos ela. Sempre sozinha. Chegava antes de todos e ia embora por último, nunca ouvi a voz dela.
Até poderia descrever essa menina, mas não tem um porquê de fazer isso. Ela pode ser qualquer pessoa que passa por aí na rua, olhando pro nada, físico igual ao de todas as outras garotas que também não têm uma personalidade destacada. Assim como Macabéa, ela não fazia diferença pro mundo. Eu imaginava como era a relação dela com os pais – eles a amavam, lhe davam carinho? Imaginei o que fazia na sua casa – ouvia música, via filmes? Não, eu tinha certeza que não. A arte a sufocaria, ela talvez nem fosse inteligente para compreendê-la. Ela devia escrever poesia, uma letra torta e rimas pobres, devia escrever sobre como se sentia sozinha e como isso um dia mudaria.
Não pude deixar de pensar: será que mudou? Como disse, faz tempo que me graduei, desde então eu nunca mais a vi. Mas ela devia estar por aí, andando com a sua blusa rosa no braço, segurando os seus livros, olhando sempre sem levantar a cabeça. Aí, também tive que me perguntar: será que ter vivido fez diferença pra ela? E também me perguntei: será que fez diferença pra mim? Por que então eu me lembrei dessa garota? Eu até acharia que é porque foi dela que lembrei, mas acho que no fundo tem um motivo mais egoísta. Saber que ela era assim e que é assim até hoje provavelmente me afirma como alguém melhor do que ela – tive amigos, vivi bem, experimentei muitas coisas novas, amei alguém. Nunca fui a pessoa sem sal que ela foi nem deixei de me fazer notar. Hoje tô repensando a vida, buscando validade nas coisas que fiz – e tenho dó dela, que provavelmente nunca poderá repensar a vida que nunca teve.
(Vale esclarecer que, para esse texto, é preciso diferenciar autor do narrador. Tal como Machado de Assis ao compor Dom Casmurro - ele, autor; Bentinho, narrador -, o mesmo processo se aplica aqui)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Desconstruindo Papai Noel
"- Aquele velhinho que fica lá no shopping?"
"- É, ele mesmo!"
"- Não! Ele fede, eca..."
"- Ãh, e você, Bia? Gosta do papai noel?"
"- Não!!! Eu tenho medo dele!"
"- Er... Kati?"
"- Ahhh, não gosto muito não, tia... Uma vez eu puxei a barba dele e vi que era de mentira. Ele ficou brabo e me deu um beliscão!"
"- Poutz! E você, Paulinho? Também não gosta do papai noel?"
"- Eu? Eu adoooro o papai noel!"
"- Ufa, enfim uma criança normal..."
"- Ele me deixou ver o seu saco!"
"- O saco de presentes?"
"- Não! O que fica escondidinho e..."
"- Pshhhhhhhhhhh!"
E enquanto nos preocupamos em encher as nossas mesas com fartura e presentear os nossos entes queridos, certamente muita gente não vai poder sonhar com uma noite de brilhos e de sonhos... Feliz Natal para quem acredita.
Publicitária e aspirante a bióloga, com especialidade em entomologia, meu CID é o 10 N-18, em outras palavras tenho IRC e aguardo pelo duplo-transplante. Tatuada, tenho humor ácido e de gosto duvidoso, pois, apesar de não recomendado, adoro torresmo de boteco.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Viajar é viver e vice versa
domingo, 19 de dezembro de 2010
Não venham
sábado, 18 de dezembro de 2010
Sua culpa Cabral
Ora se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim, dispenso a previsão
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
De repente é dezembro
De repente a Simone urra nas rádios, de repente meu pai surge vestido de Papai Noel, de repente minha cunhada aparece com um panetone. Olho no meu celular e me espanto que de repente tem um 12 depois da data, me apavoro com as pessoas dizendo “fica pro ano que vem” sem ironias, de repente a cidade se enche de luzinhas. De repente eu voltei de uma viagem longa e o ano tá acabando, que brincadeira de mau gosto é essa, e meu preparo psicológico de ver tudo se arrastar para enfim terminar? De repente conto uma história dos tempos da faculdade e reparo, em choque, que não aconteceu há dois anos, mas há seis. De repente entendi mais do que nunca Quintana, de repente eu tenho 25 anos, de repente é aniversário do Gil, de repente minha amiga de infância vai ter filho. De repente, tempo, senti que você está de sacanagem comigo, antes você passava mais suave, camarada. Para de correr assim, me dá tempo pra pensar.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Heineken, TIM e 8.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Prezada Manguaça
Tive uma epifania forçada após meu último fiasco e entendi que já perdeu a graça as patetices que você me leva a fazer. Tampouco há charme em não lembrar, nem vagamente, o que fiz embreagada. Muito embora você renda os assuntos mais divertidos tratados em depoimentos jamais aceitos pelo orkut, já não compensa mais para mim passar o domingo inteiro me contorcendo de ressaca em troca deles. Não quero mais remoer atitudes impensadas e ter que aguentar o olhar de reprovação ou as risadinhas marotas de gente que pensa que a existência delas é menos ridícula que a minha.
Demorou, mas eu estou começando a pegar a ideia de que as pessoas são chatas, a música vai sempre me desagradar e as festas não são mais para mim. E eu me anestesiar até a morte não modificará nenhum dos fatos. Por isso farei igual ao Charlie Harper: vou parar com o álcool. Daqui para frente, só cerveja e vinho.
Não confunda este desabafo com ingratidão. Não te quero mal, só acho que precisamos seguir nossos caminhos: você, corrompendo novas almas e eu, conseguindo fazer o quatro com as pernas. Obrigada pela companhia que me fez até hoje e espero que você não se importe de eu mencionar futuramente alguns de nossos homéricos momentos para provar para os meus netos (ou companheiros de asilo) o quanto tive uma juventude radical.
Att.;
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Passio
A tua hipocondria
Não é hipocrisia
Acho até que você me ama
Dividimos a cama
E a quarentena
Não é o mesmo que ter prazer
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Sobre deuses e monstros
sábado, 11 de dezembro de 2010
Olha o meu tamanho!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Emprestando da amiga
calor no inverno
até calafrios de febre
podem substituir ventiladores
quando faz calor em pleno inverno
e alguém esquece de puxar os fios
do frio
a cidade e todos que conhecemos
não andam se entendendo
nós, ao contrário da cidade,
quase sempre lavamos sozinhos
e com capricho
os cabelos
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Conversa ( Carol Campregher)
