sábado, 1 de janeiro de 2011

ano 30

(post previamente programado às 21h21 do dia 31/12/10 na casa da família. agora eu devo estar me embriagando com cidra cereser. beijos)

poxa, hoje é o primeiro dia do ano e é inevitável fazer aquele balanço do que aconteceu em 2010 e pensar coisas boas pra 2011. mas como pensar em coisas boas se daqui a dez dias eu faço 30 anos? bom, pelo menos não tive a tal crise dos 30, uma vez que vivo em crise desde que nasci.

mas calma, também não vou fazer um balanço destes 30 anos bem mais ou menos vividos. pensei em publicar umas fotos meio que pra exorcizar um pouco do passado chato e comemorar o que foi bom. mas no fundo são apenas algumas fases que talvez só eu lembre do que se trata e que talvez só fazem sentido pra mim.

então fica assim: um bom ano novo pra todos nós. eu toparia outro 2010 - que foi INCRÍVEL - mas que venha o meu ano 30. que venha 2011, esse lindo. e, apesar de não ter feito uma retrospectiva pública, fica aqui um trecho de um email que enviei e enfim, é isso.

(...) eu ia sair agora pra casa da minha mãe, mas começou a passar pequena miss sunshine e resolvi assistir. na verdade estou morrendo de preguiça de sair de casa e enfrentar o monte de gente que deve estar pela paulista. se bem que deu vontade de ver a largada da são silvestre.... hummm.

bom, então vamos ao que interessa, minha mensagem de ano-novo pra vc. não sei se devo pedir desculpas pelas coisas que fiz ou que deixei de fazer, porque no fundo este sou eu e não posso pedir desculpa por ser eu. sendo assim, eu posso dizer que este ano foi bem mágico pra mim. fiz muitas coisas pela primeira vez, repeti outras, deixei de fazer algumas. troquei de emprego, saí de casa, viajei bem menos do que esperava. não fui aceito no rumos itaú, mas fui aprovado no mestrado da unicamp. conheci pessoas novas e ao mesmo tempo tenho a consciência de que muitos antigos amigos se perderam com o tempo.

vi muitos filmes e fui a muitos shows. o que foi aquele mosh do phoenix, eim? e o mika agitando o povo? e o massive attack fazendo um dos melhores show que vi nestes quase 30 anos de vida. isso sem contar os brasileiros. agora mesmo lembrei da rita ribeiro, céu, thiago petit, lulina, bruno morais... ela solo amore... fui pouco ao teatro, mas vi peças maravilhosas. comprei mais de 60 livros e não li nem 10.

claro que ficam alguns assuntos mal resolvidos, né? mas nem quero falar muito sobre isso agora. resolver em 2011? talvez. esquecer? talvez. repetir os mesmos erros? se forem novas tentativas de acertos, por que não?

(...)

nossa, é tanta coisa pra dizer. 2010 foi um dos anos mais (in)tensos que vivi mesmo. é, mas não houve um dia sequer que tudo correu de forma suave, rotineira. aliás, rotina é uma palavra que não existe no dicionário de 2010 e vc sabe bem disso.

muito detalhe que não precisa ser dito agora (talvez pessoalmente) pois as melhores coisas que aconteceram este ano vão ficar mesmo é na memória. é, tou vendo que vou me atrasar pra ceia na casa da minha mãe. agora tá passando a cena da morte do avô da pequena miss sunshine. hilária, amo.

e já começo a ouvir buzinas e gritos lá embaixo. devem ser os atletas da são silvestre. ou então o pessoal chegando pro reveillon da paulista. engraçado, passei anos da minha vida querendo mudar pra cá e quando tem estes eventos eu só penso em sumir.

(...)

agora preciso dar tchau, pois senão vc nem vai ler tudo que escrevo. vamos aos clichês (mas são clichês verdadeiros, ok?) desejo mesmo um 2011 com sucesso, amor, amizade, família, arte, trabalho, deus. desejo muitos abraços e beijos sinceros. muitas parcerias e muito dinheiro. desejo milhas, viagens e novas descobertas.

(...)

pra finalizar mesmo, desejo sua presença sempre que possível, pois é sempre bom estar perto de pessoas amáveis. claro que as brigas e discórdias virão, mas isso a gente deixa pra pensar depois, afinal hoje é sexta-feira e o último dia do ano, ou seja, tempo de brindar e tentar, mais uma vez, ser feliz.

um grande beijo, um grande abraço.

obrigado,



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Programa SP 2040

.
Enquanto a prefeitura de Sampa divulga o planejamento para 2040, recheado de letrinhas e palavrinhas que muito me ilude, como:promoção do equilíbrio social, desenvolvimento urbano e sustentável, mobilidade e acessibilidade, melhoria ambiental e oportunidade de negócios. Além do principal, se não mais importante foco, na qualidade de vida dos moradores, com investimentos na Educação e Saúde Pública. Um verdadeiro conto da carochinha, queira Deus e a sorte do universo que eu esteja enganada. Enfim... Lembrei que eu estou: sem plano, sem meta e sem programa para daqui a cinco meses, dirá para 2040, ano que eu nem sei se estarei viva.

Lembrei também de um livro. Uma leitura de anos, do livro emprestado que não devolvi (também lembrei agora) cujo autor, enfatiza a importância do planejamento. Se não, a longo prazo, como nas empresas made in china, made in japão, made in usa, com planejamento para 20,30, 50 anos, pelo menos para uma semana,um mês, seis meses, um ano. Achei graça quando li. Porque sempre fiquei a mercê da sorte, circunstâncias e divino. Muito crente que a qualquer momento a lua se voltaria pro meu rabo, tendo em vista que o meu rabo não nasceu virado pra lua e menos ainda para o sol.

Até que resolvi me testar.
Decidi do nada estabelecer metas curtas e simbólicas, das quais, eram certeza o alcance. A princípio foi bom e acabei por aumentá-las pouco a pouco. Isto me deixou um pouco mais organizada, mas não o suficiente para planejamento a longo prazo. Foi um teste, a cobaia, eu mesma. E confesso, a ideia surgiu a partir da leitura do livro que não devolvi, do autor, idoso, rabudo, bilionário, pão duro, capitalista e empresário famoso.

Ao ler o programa de Sampa senti uma certa necessidade de organizar algumas coisas. Ou estabelecer metas a minha vida. A ser mais centrada no que faço; a ter menos atrasos, em tudo e pra tudo; a ter mais objetivos; a ter mais opções para driblar o tédio; a ter mais vontade de viver e por aí vai...Mas eu bem sei, que essa vontade de organização e planejamento a perder de vista, não funciona comigo.

Estabelecer metas a longo prazo significa ficar amarrada a obrigatoriedade de cumpri-lás. Além de perder a liberdade de mudanças. Ignorar o fato de que estou sujeita a metamorfoses constantes, sujeita a adaptações do tempo, a mudanças de metas e objetivos...Embora, tão teimosa, tenho que admitir, metade do que planejei quando tinha 20 anos ficou para trás.

Matei e ressucitei alguns sonhos, melhorei algumas coisas e não consegui transformar outras. A única certeza - a morte, mais dia menos dia ela virá, queira não queira ela virá, aceite e não aceite ela virá. E a única diferença entre eu e os abastados, cujo rabo nasceu virado para o sistema solar, é o enterro e os vermes, talvez um cemitério ou crematório chique, ou verme mais hábil para devorar a carcaça. No mais, nenhuma diferença, nem melhor e nem pior, iguais.

Portanto, sinto muito, não farei como a prefeitura de Sampa. Nada de programa, com planejamento a perder de vista. Já que corre o risco de ficar no papel ou perdido numa janela "killer" frustrada e amargurada, por não concluir o programa. Continuarei no curto prazo, sonhando sempre muito alto, sem perder de vista, o agora, o já, o instante, porque isto que é vida!
Então, para os próximos quatro dias segue meu programa:

- enfiar o pé na bunda de 2010 e correr para o abraço e encontro de 2011.
- sorrir muito e dar muita risada.
- brincar nas pedras, fazer tudo aquilo que fiz quando visitei a cidade em outubro e + um pouco, sambar na areia e ver o sol se perder no mar.
- abraçar meu amigos e fazer outros amigos.
- ficar extremamente bronzeada, com marca sensual de biquíni.
- voltar com a carinha que Deus deu pra cima, rindo, com sorriso largo...

Para receber bem o ano de 2011.

Feliz Ano Novo!

.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Stop Motion - de quadro a quadro

É provável que você já tenha ouvido falar, e mais provável ainda que você já tenha visto alguma animação feita com a técnica chamada Stop Motion. Se você, como um espírito incansável de criança, viu “A Fuga das Galinhas” ou “Wallace e Gromit” ou ainda “O Estranho Mundo de Jack”, já está familiarizado com o assunto.

Stop Motion é uma técnica em que o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, quadro a quadro, e que, quando passados rapidamente, dão a ilusão de movimento.

Na verdade, essa técnica surgiu juntamente com o cinema e foi mais trabalhada quando começaram a surgir as primeiras animações - como é o caso do longa da Disney “Branca de Neve” (1937). Eu me lembro, quando pequenina, que no final da exibição filme + créditos da fita VHS, havia um making off da produção, da montagem quadro a quadro e da escolha da trilha sonora.

Pra matar a saudade, consegui encontrar esse making off no Youtube:

Bom, hoje, com os artifícios high tech que vemos por aí, as animações são digitalizadas, tudo bonitinho, tudo parecendo de verdade. Mas, sempre existem (e ainda bem que existem) os queridos e criativos inovadores. Tim Burton é um deles. Depois da produção do longa “O Estranho Mundo de Jack” (1993), ainda dirigiu “A Noiva Cadáver” (2005). Ambos com o uso de bonecos e cenários reais, quadro a quadro. Imaginem o trabalhão!

Na internet a fora também encontramos provas que o futuro do Stop Motion é brilhante e que não morrerá com o avanço da computação gráfica. A técnica é também utilizada para construção de videoclipes, curtas, propagandas e outros trabalhos audiovisuais que necessitem de impacto e um toque de magia na concretização.

Recentemente conheci um videoclipe que já vi, vi de novo, mais uma vez e viciei! Uma coisa linda. Um trabalho artístico e alto padrão e criatividade. O nome do músico é Oren Lavie, que também dirige o videoclipe. É um israelita que já foi diretor e roteirista e hoje decidiu (para nossa sorte!) compor e cantar. O artista já teve suas músicas carimbadas na trilha sonora do filme “As Crônicas de Nárnia”, mas ficou mais conhecido mesmo através desse clipe, lançado esse ano.

Abaixo:

Um amigo meu, sabendo dessa paixão por Stop Motion, me enviou via twitter (@SimiaoCastro) uma produção graciosa e super bem elaborada. Acredito que foram dias e dias de muito trabalho para concretização desse vídeo. É uma propaganda da marca de câmeras fotográficas Olympus. Para essa produção, foram tiradas 60.000 fotos, reveladas 9.600 e, para a organização em quadro a quadro, mais 1.800 fotografadas novamente. Um abuso da capacidade criadora! Haha

Mas é um vídeo encantador!

Abaixo temos mais três exemplos muito bem trabalhados. O primeiro é uma propaganda da Ebay, que imita o layout do site com folhas de papel desenhadas. O segundo é um projeto do Colégio de Arte e Design e Savannah, todo dirigido por japoneses, que utiliza como base a colagem de Post-It formando desenhos. Já o terceiro é um jogo humano de tétris muito muito inovador!rs


Bom, fico por aqui!

Espero que tenham gostado :)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ho ho ho!


Alguns riem ha ha ha, outros he he he. Vez por outra, rola um hi hi hi. Mas e o ho ho ho, pobrezinho? Só uma vez por ano.
Mas poderia ser pior, vai. Hu hu hu é sacanagem.

Wave of Mutilation

A postagem de hoje seria algo relacionado ao Natal, talvez colocasse um dos meus contos de natal sangrento ou sobrenatural. Mas apenas postarei uma homenagem ao cara que resolveu dois dias atrás tirar sua vida, se jogando do ultimo andar no centro da cidade. Passei talvez dois ou três minutos depois do ocorrido, onde as pessoas se aglomeravam nas sacadas e janelas e os transeuntes passavam tapando os olhos, ou riam do que acontecia.

Ouvi muita idiotice, vi como a vida alheia nada representa. Mas quem pode julgar aquele homem? Quem sabe as dores e angustias que o atormentavam? O salto de 40 metros ou mais, veio como um alívio, um analgésico eterno. Anos e anos de alegrias e tristezas, de amores e ódios, se esvaiam pelo concreto cinza da calçada.
Se ele quis assim, que bom que obteve sucesso.

Em sua homenagem deixo uma musica que aprecio, fala sobre suicidas japoneses.



Wave Of Mutilation - Pixies

Cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation
a wave
wave

i've kissed mermaids, rode the el nino
walked the sand with the crustaceans
could find my way to mariana
on a wave of mutilation,
wave of mutilation
wave of mutilation
wave

wave of mutilation
wave

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Amor Incondicional




Super me identifiquei com o cachorrinho. Porque as pessoas não podem nos amar como somos, sem sapatos? Só abanar o rabo quando o dono chega não deveria bastar?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Reflexão sobre a Vida

Esses dias, eu resolvi fazer algo que vinha prometendo a mim há anos: li A Hora da Estrela. Durante toda a minha graduação – isso há muito tempo –, eu ouvia comentários sobre o jeito que a autora escrevia e também sobre como era bom esse livro. Na época, não fiquei interessado, mas prometi pra mim que um dia leria. E foi o que eu fiz semana passada.

Não sei como dizer, mas ler esse livro fez com que eu repensasse a vida e viajasse no tempo, lembrando da época da faculdade. Conheci tantas Macabéas na vida e nunca tinha me dado conta disso antes. Mas me lembrei bem de uma, um rosto que me marcou muito. Curioso, né? Justamente o rosto de uma garota sem rosto. Todo dia ao entrar na sala, eu via a garota sentada, esperando a aula começar. No rosto dela, nem ansiedade nem tédio – um rosto vazio, que não demonstrava nada. Do começo ao fim da aula, aquela mesma expressão, ou melhor, não-expressão. Todos tinham um grupo de colegas, todo mundo encontrava compatibilidade com outra pessoa. Menos ela. Sempre sozinha. Chegava antes de todos e ia embora por último, nunca ouvi a voz dela.

Até poderia descrever essa menina, mas não tem um porquê de fazer isso. Ela pode ser qualquer pessoa que passa por aí na rua, olhando pro nada, físico igual ao de todas as outras garotas que também não têm uma personalidade destacada. Assim como Macabéa, ela não fazia diferença pro mundo. Eu imaginava como era a relação dela com os pais – eles a amavam, lhe davam carinho? Imaginei o que fazia na sua casa – ouvia música, via filmes? Não, eu tinha certeza que não. A arte a sufocaria, ela talvez nem fosse inteligente para compreendê-la. Ela devia escrever poesia, uma letra torta e rimas pobres, devia escrever sobre como se sentia sozinha e como isso um dia mudaria.

Não pude deixar de pensar: será que mudou? Como disse, faz tempo que me graduei, desde então eu nunca mais a vi. Mas ela devia estar por aí, andando com a sua blusa rosa no braço, segurando os seus livros, olhando sempre sem levantar a cabeça. Aí, também tive que me perguntar: será que ter vivido fez diferença pra ela? E também me perguntei: será que fez diferença pra mim? Por que então eu me lembrei dessa garota? Eu até acharia que é porque foi dela que lembrei, mas acho que no fundo tem um motivo mais egoísta. Saber que ela era assim e que é assim até hoje provavelmente me afirma como alguém melhor do que ela – tive amigos, vivi bem, experimentei muitas coisas novas, amei alguém. Nunca fui a pessoa sem sal que ela foi nem deixei de me fazer notar. Hoje tô repensando a vida, buscando validade nas coisas que fiz – e tenho dó dela, que provavelmente nunca poderá repensar a vida que nunca teve.

(Vale esclarecer que, para esse texto, é preciso diferenciar autor do narrador. Tal como Machado de Assis ao compor Dom Casmurro - ele, autor; Bentinho, narrador -, o mesmo processo se aplica aqui)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Desconstruindo Papai Noel

"- Fredinho, você gosta do papai noel?"
"- Aquele velhinho que fica lá no shopping?"
"- É, ele mesmo!"
"- Não! Ele fede, eca..."
"- Ãh, e você, Bia? Gosta do papai noel?"
"- Não!!! Eu tenho medo dele!"
"- Er... Kati?"
"- Ahhh, não gosto muito não, tia... Uma vez eu puxei a barba dele e vi que era de mentira. Ele ficou brabo e me deu um beliscão!"
"- Poutz! E você, Paulinho? Também não gosta do papai noel?"
"- Eu? Eu adoooro o papai noel!"
"- Ufa, enfim uma criança normal..."
"- Ele me deixou ver o seu saco!"
"- O saco de presentes?"
"- Não! O que fica escondidinho e..."
"- Pshhhhhhhhhhh!"

E enquanto nos preocupamos em encher as nossas mesas com fartura e presentear os nossos entes queridos, certamente muita gente não vai poder sonhar com uma noite de brilhos e de sonhos... Feliz Natal para quem acredita.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Viajar é viver e vice versa

Acho que algo que temos em comum nesse coletivo é a paixão por viajar - pelos mais diversos motivos. Então, neste tempo de parar, pensar, reprogramar e renovar (de preferência viajando), resolvi divagar sobre o tema.

Já faz quase 1 ano da minha ultima viagem e me sinto um morto vivo. O que me mantém é a esperança de sair de SP o mais rápido possível, assim que tiver uma chance.

Alguém me disse que viajar não é quando você passa por um lugar, mas quando o lugar passa por você, de uma maneira quase espiritual.

Conheço um lugar assim, um lugar que habita meus sonhos, um lugar que me chama sempre.
Para mim, esse lugar é especial por que ajudou a construir a pessoa que sou hoje, com os contrastes que me apresentou quando comecei a comparar e a entender o que significa qualidade de vida, quebrou minha mente em milhões de pequenos estilhaços e me fez compreender que a realidade é completamente relativa.

Tão relativa que eu me conduzi a uma reeducação de valores. Aqui na Vila Olímpia, na rua, passam milhares de pessoas diariamente. Alguns caminhando na hora do almoço, outros engarrafados no trânsito da noite. A linha de raciocínio que move as pessoas por aqui é o que elas acreditam ser “vencer na vida” Estudaram muito, se sacrificam no trânsito para chegar ao escritório e para voltar para casa, se submetem às humilhações impostas pelos patrões, calculam formas de vender, comprar, produzir, seduzir, arrumar soluções e desculpas, lucrar sempre.

Em tempo – enquanto escrevo este texto, uma menina do atendimento, vermelha, veio à minha mesa perguntar sobre um job que deveria ficar pronto hoje, mas não está. Ela saiu daqui desolada imaginando a reação do cliente. Irônico não? Sempre há alguém mais poderoso querendo foder a vida de alguém.

Pobre de nós, pessoas evoluídas em meio ao progresso. Fico imaginando um amigo meu que mora no interior. Nesta hora ele já deve ter fechado seu pequeno comércio, cuidado da horta e recolhido alguns legumes e temperos para o jantar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Não venham

Sou nascida e criada em Salvador e é com muita dor no coração que venho dizer a qualquer pessoa que deseja conhecer a cidade de todos os santos, encantos e axé: não venha.

Sem querer parecer pedante, nós temos potencial para ser uma das cidades mais bonitas do Brasil (do Rio de Janeiro ninguém ganha, hehehe). Além das belezas naturais (50km de praia), temos construções e bagagem história magníficas (fomos a cidade mais importante do país por 300 anos) e uma cultura particular e deliciosa. O que não temos? Todo o resto.

Quem vier a Salvador hoje não vai se deparar com um lindo mar azul, cultura verdejante e calorosas boas vindas. Vai dar de cara com uma cidade que, literalmente, fede, tem alta densidade de lixo no chão, sistema de transporte público caótico, violência crescente e trata o turista de maneira agressiva e predatória (é mais fácil ganhar na megasena do que ir a um ponto turístico e não ser incomodado por pelo menos uma criatura vestida de baiana, um falso guia e um pivete).

Por essas e outras, recomendo a todos que desejam vir a Salvador nessas férias que guardem seu sonho numa caixinha e esperem. Prometo dar notícias quando as coisas melhorarem. Até lá, dêem preferência a cidades que tenham prefeito, onde não seja normal e cotidiano as pessoas urinarem na rua, onde existam lixeiras públicas e coleta de lixo regular, onde os engarrafamentos não sejam tão intensos e a população saiba tratar o turista de maneira cordial e respeitosa. Por enquanto, não venham.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sua culpa Cabral

Você que prefere o Q.I em detrimento do que tem mais condições
Você que xinga o jornal num dia pra guardar de bolso o troco errado noutro
Você que crucifica o todo pra apontar o erro de um, um só
Você que aceita todas as tribos, desde que seja longe da tua casa
Você que admira a cultura alheia ignorando a nossa
Você que santifica nossa cultura desprezando todo o resto
Você que quer nordestino afogado e Maluf outra vez
Responde, que culpa tem Cabral?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

De repente é dezembro



De repente a Simone urra nas rádios, de repente meu pai surge vestido de Papai Noel, de repente minha cunhada aparece com um panetone. Olho no meu celular e me espanto que de repente tem um 12 depois da data, me apavoro com as pessoas dizendo “fica pro ano que vem” sem ironias, de repente a cidade se enche de luzinhas. De repente eu voltei de uma viagem longa e o ano tá acabando, que brincadeira de mau gosto é essa, e meu preparo psicológico de ver tudo se arrastar para enfim terminar? De repente conto uma história dos tempos da faculdade e reparo, em choque, que não aconteceu há dois anos, mas há seis. De repente entendi mais do que nunca Quintana, de repente eu tenho 25 anos, de repente é aniversário do Gil, de repente minha amiga de infância vai ter filho. De repente, tempo, senti que você está de sacanagem comigo, antes você passava mais suave, camarada. Para de correr assim, me dá tempo pra pensar.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Heineken, TIM e 8.

Lá pelas tantas, depois de dezenas de Heineken a conversa enveredou o óbvio: O SQL Server pode ser tão parrudo que o DB2, basta sabê-lo configurar.
 
O grupo de moças que trabalhavam na IBM tentavam dizer que não, eu também não acredito nisso, mas não podia deixar de ser polêmico. Olhei para o lado e depois para o outro e lancei: "Meninas tenho que ir embora, o meu prazo de validade venceu, contudo gostaria de conversar sobre o Lotus e Outlook numa outra hora, bem você me poderiam dar o número de telefone de você." Pior, funcionou.
 
Como já dizia Nash, foco é tudo. Em tempos da minha sempre crise financeira, a escolha no outro final de semana, foi pela operadora. Claro que tinha que tinha que ser TIM, eu sempre vivo sem grana. Sim, maldita portabilidade, o começo pelo 8 foi a regra inicial de filtro. A sorte é que você é fiel e o seu 8 não foi portado.
 
Próximo dia 8 nos casaremos e mesmo assim prefiro o SQL Server. 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Prezada Manguaça

Venho por meio desta informar que você já não é bem quista na minha vida.

Tive uma epifania forçada após meu último fiasco e entendi que já perdeu a graça as patetices que você me leva a fazer. Tampouco há charme em não lembrar, nem vagamente, o que fiz embreagada. Muito embora você renda os assuntos mais divertidos tratados em depoimentos jamais aceitos pelo orkut, já não compensa mais para mim passar o domingo inteiro me contorcendo de ressaca em troca deles. Não quero mais remoer atitudes impensadas e ter que aguentar o olhar de reprovação ou as risadinhas marotas de gente que pensa que a existência delas é menos ridícula que a minha.

Demorou, mas eu estou começando a pegar a ideia de que as pessoas são chatas,  a música vai sempre me desagradar e as festas não são mais para mim.  E eu me anestesiar até a morte não modificará nenhum dos fatos. Por isso farei igual ao Charlie Harper: vou parar com o álcool. Daqui para frente, só cerveja e vinho.

Não confunda este desabafo com ingratidão. Não te quero mal, só acho que precisamos seguir nossos caminhos: você, corrompendo novas almas e eu, conseguindo fazer o quatro com as pernas. Obrigada pela companhia que me fez até hoje e espero que você não se importe de eu mencionar futuramente alguns de nossos homéricos momentos para provar para os meus netos (ou companheiros de asilo) o quanto tive uma juventude radical.


Att.;
Camila Rufine

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Passio

Te pedi teu amor
Você me deu aspirina
Te pedi um beijo
Você me deu sal de frutas
Procurei teu olhar
Encontrei um colírio
Achei que era delírio meu

A tua hipocondria
Não é hipocrisia
Acho até que você me ama
Dividimos a cama
E a quarentena
Isso não é coisa pequena

Mas tanto cuidado
Tanto temor
Você se protegia tanto
Que acabou me afastando

Eu tentei te dizer
Que deixar de doer
Não é o mesmo que ter prazer
Você não quis me ouvir

Agora eu deixo doer
Não quero analgésico
Nem anestesia
Quero sentir meu coração em pedaços
Sem ponte de safena
Sem curativo
Deixa eu sentir pena de mim
Que às vezes doer não dói tanto assim

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre deuses e monstros

Tem jeito? A gente manda nesse coração cachorro? A gente quer é se ferrar fazendo tudo errado. Tudo que não deve. E sabendo que a gente vai se ferrar depois (por que sei). O caminho melhor é aquele outro. Mas essa pá de cal fica na mão. A gente tem que velar o corpo do amor, entregar o cadáver a Deus, enterrar bem fundo, fazer missa de sétimo dia, chorar até esquecer. Mas lá vai a gente: psicografia, mensagem pro além, chico-xavear o amor defunto, evocá-lo, zumbizar pela cidade. Tem jeito? O cérebro devorado no final. E esse nó no peito. Quem entende? Por que a vida não pode ser simples assim, como era, antes de tudo desbaratar certezas?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Olha o meu tamanho!

Quando a minha irmã mais nova nasceu, eu, então com 3 anos e meio, entrava debaixo da blusa da minha mãe, e dizia que queria voltar pra barriga. Um tempo depois, fui até uma loja de roupas de criança no dia do meu aniversário de 6 anos, e comprei uma blusa exatamente tamanho 6 anos, que ficou enorme, praticamente um vestido (o pessoal aqui em casa nunca foi dos maiores). Mais tarde, quando eu tinha meus 13, 14 anos, queria parecer ter mais - as minhas amigas já eram mulheres feitas com esta idade, e iam a todas as festinhas nos finais de semana, enquanto eu, menina, ficava em casa esperando meus 18. Mas o tempo passa rápido. E a gente não sabe de nada mesmo. Hoje, com quase 30, adoro meus quase 30, como sei que vou adorar os 30 ano que vem. Não queria que eles fossem 35, nem 40, nem 18 ou 25. Adoro quem eu sou e tudo o que vivi nestes quase 30, e também tudo que ainda vou viver nos outros tantos que me esperam.



Daniel, ontem mesmo


Daniel, orgulhoso dos seus 3 anos: "olha o meu tamanho!"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Emprestando da amiga

Ando evitando me desentender com o mundo e por isso meu texto nesse mês é na verdade um poema escrito pela Ana Guadalupe, que eu conheci recentemente e recomendo pra todo mundo. Prometo que em janeiro faço uma retrospectiva (estou selecionando fotos, mas tenho milhares) e um texto que obviamente não será tão bom quanto o que segue:

calor no inverno

até calafrios de febre
podem substituir ventiladores
quando faz calor em pleno inverno
e alguém esquece de puxar os fios
do frio

a cidade e todos que conhecemos
não andam se entendendo
nós, ao contrário da cidade,
quase sempre lavamos sozinhos
e com capricho
os cabelos

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conversa ( Carol Campregher)


As pessoas coversavam, uma diz, conta e outra participa. Na hora, a resposta sem espera, instântanea.
Magicamente simples. Já quando não podem se ver, tudo muda. Quando escrito, bilhetes ou cartas, tem a espera, a elaboração, o cuidado. Uma carta sem espaço para resposta, uma carta longa, caprichada.

Há algum tempo eu lia um livro e pronto. Podia conversar com outra pessoa que leu o mesmo, mas no geral, a leitura
era alguma coisa sua com você mesmo. Não gostou, achou erros de português, achou ótimo, mudou sua vida? Ficava só pra você. Mandar uma carta para a editora ou o escritor? Complicado, incerto e distante.
Já revistas e gibis abrem um cantinho para o leitor, um cantinho para as erratas, ficando um pouco mais interativo, você se sente interferindo um pouquinho.

Então começaram os blogs, você lê, e discute, comentam, participa. E os vlogs, blogs de ideias cantadas, com cara, com voz, ainda com espaço para interfir, elogiar, concordar e chingar . Temos também as respostas em vídeo, em outros vlogs, chats ao vivo, com imagem e som, dito e respondido na hora. Por consequencia menos cartas, blogs menos escritos, mais visuais, com poucos ou quase nenhum comentário, quando não são proíbidos.
Existiria algo mais moderno, mais interativo? Qual será o próximo passo? Enfim, como vamos conversar?



terça-feira, 7 de dezembro de 2010