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sexta-feira, 7 de maio de 2010

E, o fim.

fui-me antes que o início tecesse a si mesmo
você disse e
eu calei que não sabia mudar meu não-estar

e o ínicio já era o fim
como mares
que minhas lágrimas não pingam

os olhos secos
pela poeira do encanto
que liberta-se
do que invadiu
num instante
num piscar de olhos
dos moços anônimos
do tempo
dos seus
que eram meus
e que já não são

e já não são a mesma nota nossas vozes
e não são uma nossas carnes
nossas almas
agora
faltando metade
que é você
e
não sou eu

meu coração
canta adeus porque acabou
eu continuo
e verão
quem não sei e quem não sou
o que
se dá de

mim

inabitada

meu coração
conta a deus que acabou
sem crer
e continua pulsando intenso
enquanto
tento
trans[cre]ver
o fim

o fim imposto
que verso
sem querer
renegando cada linha
que se faz nó na minha mão

sejamos nós atados com a vida que ainda resta
sejamos razoáveis, ao menos

e deixa

a solidão
talvez
já me acostumou
já se acostumou com meu ser só
estado

independência

mas você ainda vai sentar
e esperar o amor que virá
e que não fui eu

meu coração despede-se
despedaça-se
sem sangrar:

adeus amor
meu

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Armas & Rosas

Guns n' Roses, 05/04/2010, Risos de Janeiro.
Realizei um sonho.




domingo, 7 de março de 2010

dois corpos esticados na calçada da grande avenida.

a declaração de amor entre
os passos, as conversas, as risadas abafadas
se perdia dentro deles. era eles.

dois corpos esticados na calçada da grande avenida.

essa é a minha primeira lembrança viva de amor
além de mim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

carrego mágoas enormes
nos bolsos do casaco:
esse repetir dores imaginárias
e repetir repetir até acreditar.

sou um viaduto carneosso
não ergo meu corpo do aslfalto.
o peso disfarço
enquanto amarro os sapatos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Talita

Eu me lembro de vê-la, dia após dia, esperando o ônibus escolar, com sua mãe, na frente de casa. Enquanto eu, ou ia de ônibus municipal ou ia caminhando. Estávamos na oitava série. Nessa época, meu pai já tinha falecido e minha mãe trabalhava tan-to para sustentar as três filhas que esses cuidados de levar, buscar, esperar junto eram raríssimos. Eu tinha que ser independente. Ela usava aquele aparelho ortodôntico parecido com capacete e eu achava vergonhoso. O que hoje sei coragem.

Só no primeiro colegial estudamos juntas. Eu, que tinha sido afastada das minhas amigas de sempre, me enturmei com os roqueiros da sala. Mas era ela quem sentava no fundão. Não trocamos nenhuma palavra nesse ano.

No segundo colegial, continuamos na mesma sala. Os roqueiros que mudaram e eu perdi meus papos sobre Guns ‘n Roses, AC/DC, Bad Religion e Rage Against The Machine. Me enturmei, então, com as gostosas da sala, que eram novas na escola. Já escutaram que sempre entre as gostosas há um patinho feio? Então. Além de gostosas, elas não eram muito inteligentes e sentavam no fundão porque lá era mais fácil colar. No fundão. No meu lado direito, depois de algumas pessoas, estava ela. Voltei a olhá-la como há anos atrás, como uma paisagem enquanto eu ia. Já não usava aparelho ortodôntico. Eu tinha as melhores notas entre todos os alunos da escola e desafiava os professores; eles não entendiam. Nesse ano, minha mãe cansou de ser chamada na escola por causa do meu mau(?) comportamento. Enquanto eu contestava, ela matava aula para praticar esporte. Era amiga dos garotos mais velhos e mais bonitos.

Só nos falamos no ano seguinte, 2004, porque tínhamos uma amiga em comum. Essa amiga sentava-se de frente para o professor, enquanto nos mantínhamos nos mesmos lugares. Dias e palavras depois, nos esperávamos no portão para irmos embora, caminhando. Foi nessas caminhadas que pude conhecê-la. E nas esticadas para almoçar e assistir sessão da tarde ou para compartilhar revistas. Cada dia na casa de uma. E a escola como um mundo a parte para a amizade que contruíamos, muito sem saber o que seria 2005, em relação a nós, como amigas, e nossas vidas.

Nesse ano, fui convidada a participar do Grêmio Estudantil porque era cheia dos discursos reacionários, ganhei dos professores a inscrição para o vestibular de Letras da UNESP (ou UNIFESP, não me lembro) que não prestei e também meu único D, em Literatura porque me recusei a participar de uma apresentação para representantes de um consulado.

O colegial acabou, mas contínuamos, juntas e diferentes, mesmo nos períodos de separação: enquanto eu cursava Informática e estagiava em outras cidades e ela cursava Hotelaria ou, enquanto ela namorava e eu amava e planejava ir, o que ela só soube quando acabou.

Por ela, eu chorei dias seguidos pela possibilidade de vê-la partindo para um país distante. Mesmo sabendo que seria com seu grande amor e que era sua felicidade, porque meu coração queria cuidá-la e por ela, ser cuidado, sempre.

Com ela, aprendi que amizade é além da identificação óbvia de compartilhar os mesmos gostos, porque isso, não fazemos. Nunca fizemos. Nossa identificação é no pensar as mesmas coisas, sonhar. O que importa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sobre você no hospital, ás 20:48.

a palavra não é querer
é precisar

me livrar
desse medo de te perder
de repente
poupar sentimento

- mesmo quando dentro de mim
bagunça aquela
ideia fixa
(a falta de acento
me faz pronunciar rígida
como não fosse rigidez a)
morte

o silêncio você rompe
você tem cheiro de fumaça
desperto
eu sei
cigarros são instantes
away from you
mas digo
eu tenho cheiro de fumaça

agora
emergência
seu traje branco
e as paredes
obrigam a calma

quando me desejam
trágica
- ardentemente trágica

porque não basta o dentro
deve haver lágrimas
muitas
mas para eles
você entende
sempre para eles.

preciso lamber meus filhos
antes que seja tarde, mãe.

(antes que seja tarde,
preciso lambê-los.)

sábado, 7 de novembro de 2009

Angra, meus 23 e sentimentalismos

A intenção era dizer sobre Angra e sua beleza, o mar, os barcos, as pessoas. A intenção era dizer sobre minhas 23 primaveras.
Mas nada, nada dentro de mim consegue ir além da dor dessa perda irreparável.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Janeiro, 25

era dia de
amargar com seu cigarro
com o gosto de na sua boca
nada daquele gosto menta
infância pureza e ou castidade
que freia defende
das pastilhas baratas
vendidas pelos garotos no semáforo
Paulista X Augusta
quando não limpam para
brisas
ou pedem.
no nosso meio-beijo despedida
o não saber se voltará ou esse verbo
esse mesmo verbo
na primeira pessoa do plural do futuro indicativo.

era dia de
desvendar sem mapas
nossos caminhos espalhados pelo corpo
em todos os anos até agora e aqui
nas inúmeras tatuagens
se fosse calor de quase nudez e suores
os trinta graus e mais
meu olhar bem perto
a pele os poros e pêlos
com calma típica interior
que é meu avesso e não deixa de
enquanto citássemos dizendo billy corgan
suffer my desire for you - suffer my desire
ou qualquer verso que fosse
intensidade a nossa.

e era dia de
a noite cair alaranjando
os olhos da cidade adormecendo lentos
entre os barulhos de poetas ama-dores
na mesa com cervejas e
as buzinas alardeando por outros
nosso admitir não querer e ser detalhes
nos meus gestos significando sempre
sempre um demais mesmo quando estátua
e enquanto caminhássemos apressados para
o salto o nosso e estilhaçar-se
na realidade absurda
tentar prender as últimas ilusões
linha frágil entre os trilhos e a plataforma do
consolação, tentar mas não.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Poemas (perfeitos) de Ismar Tirelli Neto que levei para meus dias em Angra.


Angra I

teu sono
que eu levo na esportiva
esse brinquedo de me deixar a sós
com o mar
interpretá-lo

como as confusas placas que vão brotando
pela Avenida Brasil

por muito tempo indo
estávamos voltando


Angra II

disto a baía toda
do arame farpado

as feridas como que
pressentem; minto, sentem

não quero mais nada que não
essa ternura com o que
me traspassa
com todas as letras - perfura sangra e
crucifica, como quê

mas como
Camões
em tempos idos de uniforme
de conchilo em sala de aula
sem dor
não muita

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Futuro

se te sei apenas semente
e já inteiro em nós
meu pensamento
não abandona suposições
como será quando for
visível teu corpo & jeito,
teu saltar pra vida.

*

Sobre o(a) sobrinho(a) que soube recentemente.

terça-feira, 7 de julho de 2009

As estações são bailados de lembranças de um fim pré-suposto

Primavera

porque aquelas tantas flores e cores eram apenas exterior naquela primavera de um ano que não sei mais. dentro de mim era cinza de lembranças do fim pré-sentido. poeira nas fotografias em preto e branco e o antigo que faz-se presente irremediavelmente. o fado mais triste insistia, aqueles tão morte. e as pessoas que dançavam e rodavam e caminhavam pelas ruas eram bossa-nova. você com seu guarda-sol enorme colhendo flores, antes do temporal. sem perceber que era o temporal todos aqueles anúncios de alegria em out-doors invisíveis e aquele nosso amor que parecia tão contrário quando falávamos de fim. porque a vida insistia dessa maneira. um eterno rasgar a pele e sarar após e até no tempo e re-rasgar e nós numa repetição em acreditar. e desde então e agora. essas tantas flores e cores apenas exterior.


Verão

sempre esse mormaço verão me lembrando você. a maneira como penetra no corpo e aquece até o ponto quase desmaio de tantas lembranças. eu acordando sempre suada, o banho frio às 6 da manhã que nunca foi antes de você, mas que durante. e os vestidos leves, as pernas mostrando-se, o nosso cheiro sempre no ar. o meu pitanga e o teu homem. eu chegava no teu pescoço e te cheirava. eu parava de respirar para te cheirar. sempre ofegando, a sensualidade brotava. e depois de amar quando eu abria a janela, nenhum sol. nenhum. as nuvens meio cinzas cobriam tudo. eu não acreditava. era um calor com tristeza e eu não queria acreditar. uma tristeza que aquecia. uma transformação lenta. e era você. ainda é, mas hoje diferente e tão. como se eu estivesse preparada para não me entregar. os pés, os braços por pouco tempo na água morna. o rosto na água fria acordar só. o corpo todo coberto. as partes que não são, eu rabisco. até a indiferença aparecer, mas. depois de tanto tempo e você ainda. ainda no ar. eu desisto. desmaio.


Outono

e o outono insistia. batia portas, derrubava os quadros, estilhaçava as vidraças do que era frágil. o que poderia ser apenas e obviamente anúncio de tempestade ou da estação seguinte inverno ou qualquer qualquer outra coisa passageira era o alarme do adeus inevitável. e desde então e agora. essa ausência dentro. no silêncio e no meio de tudo que restou passado: teu retirar meus cabelos da face e segurar minha saia durante o vendaval e além de todas as coisas e principalmente me segurar porque eu nunca soube se permanecia ou não. tuas tantas mãos. teus tantos você. até o limite sustentável da conveniência. o acender da tristeza. a desfolhação era interna e minha, o resto insistia. as flores folhas e cores presas nos galhos fingindo-se intactas. quando percebi já era cinza o só eu. e desde então e agora essa mesma nuvem pairando. eu assisto essa estação em mim.


Inverno

o inverno sempre como teu abandono. minhas lágrimas caindo como e com a chuva. enquanto nossos corpos deitados na areia. esparramados no pouco que ainda restava do que éramos. e a eterna espera pelo além do presente. aquele mar em revolta nos alcançava como presságio e impossibilidade de fuga. a chuva nos molhando e o mar e minhas lágrimas, por quê chorar o fim que ainda não. minhas lágrimas e você as lambia. você lambia meu corpo inteiro como um passeio. tua saliva me invadindo poro por poro. e você sem discriminar o que era eu ou você ou a natureza daquela conexão absurda. e logo o suor de você me penetrando e toda. toda aquela água lubrificando o sofrimento. tentativa vã para não doer aquele mistério do após. e eu não pude sequer ouvir ofegando. o gozo. o último. meus dentes cravados no teu ombro até ir morrendo lentamente. tantas cicatrizes e tantas invisíveis e internas. o que era líquido e depois foi concretizando-se. do que sobrou chuva e lágrimas nessa estação. a necessidade de sempre guarda-chuva.

domingo, 7 de junho de 2009

comendo .lucas guedes

essa beleza
na visão de mundo
que nos mostra
insistindo
enfático
não é resultado
da transformação
from outside to inside
in-corporação avessa
do que lhe é externo
é de e por dentro apenas
desse teu peito enorme sufocado
para as tantas lentes
óculos câmera
e contatos.