sábado, 27 de fevereiro de 2010

Praia Limpa


Você já ouviu que uma ou outra praia estava imprópria para banho. Tem um site bacana para tirar essa dúvida antes de fechar sua viagem.

O site da qualidade das praias é o http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/mapa_praias/praias.asp

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

sabe?

Sabe quando seus olhos estão pesados e você não consegue levantar pela manhã?
Sabe quando você está sem forças pra discutir, mesmo quando sabe que tem razão?
Sabe quando o mundo vira as costas pra você, e te pisa, e te cospe na cara?
Sabe quando você desiste de seus ideais e esquece seus objetivos?
Sabe quando você deixa de acreditar nas pessoas?
Sabe quando qualquer música te irrita?
Sabe quando você vê seus pais desesperados por encontrá-lo na beira do abismo?
Sabe quando não se tem mais nada e você recebe a maior promessa da sua vida?

Sabe?

Sabe quando essa promessa era mentira?

Sabe?

Sabe o que fazer quando isso acontece?

Sabe o que eu fiz?

Eu me joguei no abismo...

E duvidei da vida...
E duvidei de mim...
E duvidei dos outros..
E duvidei de Deus...

E ele colocou vários anjos no meu caminho, que amenizaram a minha queda...
E me deixaram chorar o tanto que eu precisava pra me libertar...
E me deixaram sofrer o tanto que eu aguentava pra me testar...
E me deixaram me machucar o tanto que eu necessitava pra aprender...

E me re-ergueram nas cinzas quando eu acreditava que já estava no fim.

Sabe?

Sabe quando tudo isso acontece pra você acordar?
Eu acordei... e você?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nós

"E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão?"

Ele adora rock, ela ama axé;
Ele adora gatos, ela ama cachorros;
Ele adora futebol, ela adora corrida;
Ele adora games, ela achou o Atari complicado demais e desistiu;
Ele adora tecnologia, ela adora quando acaba a luz;
Ele adora comédia, ela adora terror;
Ele gosta de sorvete, ela de chocolate;
Ele é fera no Guitar Hero, ela fica tonta com tanto botão pra apertar ao mesmo tempo;
Ele é gastador, ela é avarenta;
Ele é caseiro, ela é baladeira;
Ele come junk food, ela é natureba;
Ele é independente, ela é carente;
Ele escreve muito, ela escreve o básico:

TE AMO!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

quote.



"I accept chaos. I am not sure whether it accepts me. I know some people are terrified of the bomb. But then some people are terrified to be seen carrying a modern screen magazine. Experience teaches us that silence terrifies people the most."

DYLAN, Bob.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eu sou "mazinha", e você?


Certa vez a estimada colega deste blog, Marcela Prado e responsável por postar este texto de hoje, pois eu não tenho internet no moquifo em que eu moro, comentou-me que minha alma é cinza. Concordo com ela. Em partes.

Às vezes meu ânimo está roxo de raiva, vermelho de paixão, preto como meu humor negro, laranja de alegria e por aí vai. Só não tem tons pasteis na minha escala pantone de cores. Porque eu sou daquela “tipa” oito ou oitenta que ou ama muito uma coisa ou odeia. E sou também assim, extremista, com as pessoas e sofro com isso. Já errei feio em meus julgamentos e para fazê-los, em geral, eu bato o olho em fulano e a coisa toda é muito simples: ir ou não ir com a sua fuça. Vou no achismo mesmo ou sigo meu “feeling” – só para ficar mais bonito. Na verdade, a princípio eu mais observo do que falo e isso me dá boas margens de acertos, mas do que ninguém nunca vai poder me me acusar é que eu sou falsa e se eu erro com você, me redimo.

Na minha vida dou preferência para pessoas como eu: temperamentais, geniosas e que mostram logo a que vieram. Prefiro lidar com gente assim . Não gosto de sorrisos amarelos disfarçados com um grande desejo de “foda-se” embutido. Sou capaz de entender que o sujeito não está em um bom momento, está irritado ou chateado e mesmo que ele é chato mesmo. Só que eu não sei lidar com quem é dissimulado, com gente que se faz de boazinha ou de abestalhada.

NINGUÉM é 100% benevolente em tempo integral. Ninguém. E sei distinguir o cidadão que é cortês de quem finge, assim como também sei discernir o sincero do mal educado. Um exemplo: “- Eu só contratei você porque achei que você tinha cara de trouxa como todo japonês! E pelo visto me enganei, né? (...) Mas você tem uma vantagem em trabalhar comigo: você nunca vai encontrar uma pessoa tão transparente como eu!” A ex-patroa teve uma merecida resposta que culminou no inferno que foi o meu ano passado, afinal, minha educação e paciência são proporcionais com quem eu interajo.

Eu, conforme já confessei no começo deste post, tenho minha variação de humores e me permito também amaldiçoar e alimentar sentimentos vingativos com os filhos da puta que cruzam o meu caminho. Falem bem ou falem mal o que me incomoda mesmo é passar incólume, pois nada é mais desagradável do que ser ignorada. Também não puxo o tapete, jogo limpo e dou a corda para se enforcarem sozinhos.

E você? Quando é que você se permite ser má ou mal? Quando não tem ninguém te olhando e pumba? Jura de pés juntos que não foi você e ainda bota a culpa em outrem? Tsc, tsc, tsc... Mostra a sua cara para mim, mostra?


Sandra Sakamoto ( Sakana)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Vale dos Leprosos

Me conduza à sua presença
Me retire ao seu olhar
Me faça parte de você

Me alimente com a sua dor
Me destrua com o seu amor
Me faça desaparecer

Brindemos então ao que restou
A cada inútil e em vão segredo
Ao tempo incerto que passou

Talvez você não possa entender... eu posso voar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O amor é uma glândula (sudorípara)

A mão dela sua, e sua bastante.
Correr atrás de bola também faz suar, lembrou, e continuou:
Comida quente, brincar com o cachorro, andar de trem,
quarto trancado, acertar itinerário, camisa fechada,
escada, churrasco com queijo, andar de metrô, fazer barba,
errar itinerário, camiseta com gola, procurar bar,
bolsa pesada, andar de onibus, achar um telefone,
desviar do cachorro, janelas abertas, ar ligado,
chegar no horário, arroz com purê, manter-se no bar,
mudar o itinerário, estar sem camisa, sair pra fumar,
voltar no horário, perder o trem, duas bolsas pesadas,
pão de queijo e coca-cola, não ir trabalhar, buscar o Rei,
Esperar, e esforçar-se pra que essa espera seja a mais breve,
é suado igual a mão dela, que sua, e sua bastante.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Voltando

Em breve, chego.
Lá não há portão, só uma porta que abre na manha, quase nenhum dos moradores tem chave.
Cachorro não vai latir, só tem um gato insano que quiçá sequer sentiu minha falta.
As malas eu colocarei no chão, demorarei dias e dias para desfazê-las.
Igual ao Robertão só é mesmo a parte do “tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou”.
Mas eu andei, andei muito. Rodei por aí e a bagagem volta mais cheia. Não só cheia de muambas e presentes, minha bagagem volta mais cheia de pessoas e lugares. Igualzinho como sonhei.
E para o lugar que volto, acho que só eu mesmo mudei. Não me sinto mais dali.
Não quero voltar para as coisas que deixei. Quero trazer comigo o que me faz bem. O resto, deixa lá, naquele pedaço da vida que se chama passado, naquele canto da memória que se chama saudade.
Sinto-me daqui, meu sonho feliz de cidade. Aquela realidade não me pertence mais.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Fartura

Estou farto do lirismo descomedido.
Do excesso.
Dos outsiders cools,
Que não são o óleo desse Tietê.

Farto de espantar abelhas no café,
De se espantar com os marimbondos da Brás Leme.
Aliás, eles dominarão, a região Norte.

Estou farto das melhores bandas do mundo,
Dessa última semana,
Com toneladas de "personalidade",
Gramas de musicalidade.

Sem contar os cabelos,
Maquiagens,
Tatuagens e
Falta de pêlos.

Farto de IMAX, 3D, Full HD,
GPS, Ipod, Iphone,
Avatar, Cameron,
Oscar, Ewald Filho.


Quero os riffs de Keith Richards.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O quinto poder

Naquela época eu tinha mudado de emprego, de casa, de bairro, ainda não conhecia muita gente e o contato com os velhos amigos se tornava cada vez mais escasso, por causa da distância e da falta de assunto. Assistir televisão era praticamente a única coisa que eu fazia no meu horário livre e aos fins de semana eu costumava visitar minha mãe, com quem eu reclamava do tédio que eu tinha durante meus horários inúteis dos dias úteis. Meu aniversário logo chegou e minha mãe me deu de presente a assinatura de uma dessas revistas de curiosidades. A idéia não foi ruim, mas a revista me entreteve por apenas dois dias. Pensei então em assinar um jornal pra poder ler todos os dias e talvez alguma outra revista. Tudo isso me manteria, eu esperava, longe do tédio por muito tempo e eu comecei a acordar mais cedo para poder ler o jornal enquanto tomava o café da manhã.

Em poucos dias, os jornais começaram a se acumular em uma pilha no canto da minha pequena sala, aumentando cada dia mais. Havia um velho que frequentemente passava pela minha rua juntando todo tipo de coisas velhas para reciclar, então pensei em dar a pilha de jornais para ele vender, mas ele não quis, disse que jornal dá muito trabalho de carregar e pouco dinheiro. Quase considerei jogar tudo no lixo mesmo, mas um caderno especial sobre reciclagem e aquecimento global me fez logo desistir da idéia. Se eu tivesse um carro, eu mesmo levava para reciclar.

Eu tinha agora duas pilhas de jornais junto com algumas revistas, que se fossem uma pilha só, seria certamente uma pilha mais alta que eu, mas é difícil equilibrar uma pilha de jornais desse tamanho e eu me recusava a me sentir oprimido por um monte de notícias velhas. Ainda era eu que mandava ali, por isso resolvi dar um fim de uma vez por todas naquela situação. Liguei para cancelar minha assinatura do jornal e com o dinheiro que eu ia economizar todo mês poderia pagar as parcelas de um computador. Iria ler todos os jornais que eu quisesse e quando terminasse, não haveria nenhuma pilha de papel.

Os jornais, no entanto, continuaram a vir. A moça me disse que minha assinatura estava cancelada, devia ser algum engano e que nada seria cobrado. Mas eu não me incomodava com a cobrança, eu até pagaria pra não ter mais jornais. Os jornais, no entanto, continuaram a vir. Pensei em acordar cedo pra falar com o entregador, mas ele passou de moto tão depressa que nem me viu.

O computador chegou, mas eu não queria mais saber de notícia nenhuma, eu queria que o mundo explodisse e eu pudesse me ver livre da pilha, que agora eu usava como assento para ficar na frente do computador. Em um site, aprendi a fazer esculturas de papel machê usando os jornais velhos. Eu tinha, porém, mais material do que habilidade. O origami deu ainda menos certo e o máximo que eu consegui fazer foi um chapéu.

Muitos meses depois, eu mal conseguia andar pela casa sem esbarrar em tiras de quadrinhos, políticos corruptos e enchentes no Paraná. Eu também já nem usava mais toalha, me secava com as páginas do suplemento dominical, que, apesar do inconveniente de soltarem tinta, não precisavam ser lavadas depois. E as folhas tinham lá sua utilidade – impedir uma goteira, substituir um vidro quebrado. Melhor ver uma foto da Patagônia do que a rua suja do lado de fora.

E, pensando bem, eu não ia mais precisar do fogão, podia queimar algumas folhas para cozinhar. Quando descobri que em Londres era costume levar comida embrulhada em jornal, me livrei dos pratos também. No inverno, uma boa camada de notícias quentes era melhor que meu cobertor. Os moleques da rua me chamam de louquinho do jornal, mas eu me defendo, jogando bolinhas amassadas de realidade neles. Só jogo as notícias mais cabeludas, que essas doem mais.

Eu sonho com resenhas, notas e gráficos. O Diário marcou uma entrevista comigo, mas eu não entendo, não sei nada sobre escândalos nem tendências. Eu não sou notícia.


Tiago Franco Marques


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Como se fosse treze de fato, no sábado primeiro de Carnaval



Do Recife: calango entre calçadas das Graças. Discussões. Com Conrado sobre os poetas anêmicos, bastardinhos diluidores de Elliot e Emily Dickinson, palavras esdrúxulas que gosto mas que despencam. Esse gosto compartilado: "Fim de feira, periferia afora/a cidade não mora mais em mim/Francisco, Serafim, vamos embora." Com Lucas, as excessivas, cotidianas. Almoços fartos caríssimos entre arrecifes erguidos em conversas entre Cabaré e as Torres, ao lado de Brasília Teimosa. Recife antigo, beija-se demais na Rua da Moeda. As canções em looping de frevo e todas as cores infinitamente reiteradas  combinam. Aqui e ali, o mau gosto de turistas polacos lambuzados com protetor tal molho rosê. E me deliciam as imitações de Conrado no carro. Nem sempre Lili toca flauta. Enquanto isso na sala de justiça. E eu acho é pouco. Cerveja latão por inimagináveis dois reais. Comi ovos de codorna sem excitação. Neste domingo, a perspectiva de Céu ou Lenine. Vi Cleyton desmontado de Wally, e foi bom. Agora quero o sol bonito de Porto sobre insanas camadas de filtro solar, na casa de Sônia onde os aviões passam zunindo a beira dos prédio, à beira mar de Boa Viagem.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Porque normalmente eu falo demais, mas às vezes de menos

Palavras são as coisas mais sensacionais que existem, são um caminho pra quase tudo. Mas não pra tudo. Onde a palavra silencia, aí sim se encontra o ser humano. E é aí que me encontro. Sem palavras, talvez por tê-las todas mas nenhuma me servir.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Correio elegante

--1--
Dedico a ti o primeiro parágrafo não por seres tu meu preferido. Não és. Mas teus lábios mornos que odiavam beijar-me e teus dedos frios que rechaçavam tocar-me me ofereceram quase meio ano de uma liberdade que só experimentarei de novo se um dia encontrar outro tu. Já sabemos que é único o conjunto de 56 pintas, músculos magros, apito, bloco de notas, quepe de piloto e roupa de adolescente que formas com um muro intransponível ao redor. Por isso te escrevo esse recado, o primeiro, como agradecimento.

--2--
Levo-te do lado de fora no pulso esquerdo e do lado de dentro no coração. Tua companhia me enche de tudo o que eu preciso quando preciso, mas sei que a reciprocidade não te é suficiente. Difícil entender porque parece que nossos diálogos estão em algum roteiro escondido atrás dos espelhos. E me recuso a chegar a uma conclusão por minha conta. Me ajudas?

--3--
Nossa sinceridade é mais especial que todas as coincidências que nos aproximam. Queria ter demorado menos entre conhecer-te e te conhecer, mas o passado e o futuro são palavras vazias agora.

--4--
Pela primeira vez, você é a porta e eu sou o muro. Mas, além da maçaneta sem chaves nem trancas, seu olho é mágico. Que ele não se transforme em binóculo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O passado, o futuro, o neutro, o hoje

É que, se deixar, vivo nostalgicamente e, de tanto recordar-me, com agonia, de um passado excepcionalmente bom que não retornará jamais, aprendi que recordar o futuro é mais fácil, pois troco a amargura da saudade do que não volta pela esperança da saudade do que está por vir.

Mas por vezes minha nostalgia me escapa do controle e me toma toda. Ela se me escapa transfigurada em um indizível horror por me desfazer, por dizer adeus. Fim. Próximo.

Contudo, nestes dias atuais de leveza em que me encontro, vivo num estado de quase-neutralidade, não sabendo imprimir ao certo uma classificação ao que se sente e ao que se vive. Os dias, sentimentos, sensações, mostram-se a mim não como bons ou ruins. As coisas apenas... são.

Hoje é, por exemplo, o dia em que ultrapasso o ponto-médio da distância entre o vinte e o trinta. Assim. Sem lamento mas também sem contentamento. Apenas... sendo.

Será isso o que acabo de alcançar o equilíbrio?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

carrego mágoas enormes
nos bolsos do casaco:
esse repetir dores imaginárias
e repetir repetir até acreditar.

sou um viaduto carneosso
não ergo meu corpo do aslfalto.
o peso disfarço
enquanto amarro os sapatos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O amor em doses cavalais

O colostro é um leite riquíssimo em anticorpos que a mãe passa para o filho nos primeiros minutos de vida, mas a alimentação do potro inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame. Expedito, Médico Veterinário, apaixonado pela profissão. Em criança, pegava cachorros e gatos abandonados na rua e sua casa parecia mais um Jardim Zoológico. Dito, como era chamado pelos amigos e parentes, se especializou em égua. Calma, ele se especializou em eqüinos. Até porque sua mulher é uma pessoa boa. Literalmente. Um casal apaixonado, se conheceram de forma casual, num supermercado, ela não alcançava o molho de Tomates Secos no alto da prateleira e ele foi cortês ao ajudá-la, pegou o vidro e entregou para ela, que agradeceu com um sorriso. Conversaram um pouco na fila do caixa, saíram e tomaram alguma coisa e foi amor à primeira vista. Em uma semana já planejavam casar, ter filhos, essas coisas. Diana, Analista de Sistemas, apaixonada pela profissão. Em criança, não pegava animais abandonados na rua, se especializou em números. Tudo para ela é contabilizado. E gostava do número 2, por excelência. Casaram-se no dia 02 de dezembro, às 2h da madrugada, com 2 pares de honra, 2 pessoas celebraram o ritual e apenas os dois foram para a lua-de-mel, é claro. As duas alianças foram compradas no Egito, lindas. Mas ontem ele demorou para chegar em casa, trabalha em fazendas. Amor, você está onde? Estou à caminho, ele disse. Ela ansiosa e com fome ligou novamente. Amor, que demora. Onde você está? Dei uma paradinha no Posto, chego já, ele disse. Mow eu tô com fome, que demora é essa, hein? Ele não conseguiu mais e abriu o jogo: amor, eu perdi a aliança. O queêêê? Como assim? Ela interrogou quase gritando ao telefone. É que eu tive que examinar uma égua na Fazenda de Aldo e tirei a aliança, coloquei numa pasta mas não estou achando, já procurei no carro, na pasta, no carro de Aldo e nada. Diana não acredita na história e quando ele chega ela desaba, invente outra história, porque não deixou a aliança em casa? Ela gritava chorando. Ele pedia calma, meu amor acalme-se, eu pedi pro caseiro procurar e qualquer coisa me ligar. Vou ligar para Aldo, ela disse. Ligou. Pelo papo, parecia que ele havia perdido a aliança lá mesmo. Aldo não achou. O caseiro, seo Antônio, ligou logo em seguida dizendo que achou a aliança perto de uma árvore. Diana vibrou e comemorou com um sexo bem gostoso, sem anticontraceptivos, ela queria ser mãe.

Vídeo didático, parte integrante do conto: http://www.youtube.com/watch?v=r50QfYch_G8&NR=1

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

do caderno das memórias inventadas.

ela acordou desejando de um jeito mais forte hoje.
queria a felicidade e pronto.
pôs-se a pensar nos acontecimentos da vida. mas suas memórias eram as mesmas de sempre, as memórias da menina melancólica. usou música prá retomá-las. nada. usou cores. não. pelo querer demais começou a imaginar desfechos diferentes, curvas prá lá, curvas prá cá... e foi ficando bom assim. mas como fazer prá gravar essas memórias inventadas bem gravadas, bem fincadas, lá no fundo? isso não dava, mas ela fez que sim. e comprou um caderno. todo dia de manhã iria escrever ali uma memória inventada do jeitinho dela. quer dizer, do jeitinho que não era dela. prá ser mais feliz. e ficou feliz assim. hoje.
ah! começou com um balão e uma lebre.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O cabelo mais bonito da escola

Mal me lembro do seu nome, mas me lembro que ela tinha o cabelo mais bonito da escola. Sim, de longe o mais bonito. Era liso, mas não era um liso escorrido, desses sem nenhuma graça, que teimam em imitar passando chapinha. Era um liso charmoso, jeitoso, farto e de uma cor diferente, única.Não era loiro, também não era castanho. Era um dourado escuro, cor de trigo, cor de caramelo, nem sei que nome dar. E nossa, como ele brilhava.
O mundo é mesmo injusto, pensava eu, com meu cabelo rebelde e mal cortado. Como se minhas espinhas e aparelho nos dentes não fossem suficientes. É, não era fácil ter doze anos.
Um dia reparei que o cabelo dela estava com umas falhas, que foram aumentando, aumentando, e, em pouco tempo, ela estava careca. Corriam boatos de doenças incuráveis e outras coisas horríveis que só mesmo crianças ingênuas e malvadas são capazes de inventar.
Já os adultos falavam em problemas emocionais, pais separando, crise nervosa, essas coisas, mas eu carregava comigo a certeza que não era nada disso. Cair justo o cabelo? O que ela tinha de mais bonito? Era inveja, claro, olho gordo dos feios, olho gordo de todo mundo, de todas as meninas da sala, das outras salas, talvez das professoras e, com certeza, meu também. Eu sabia da minha responsabilidade naquilo tudo, mas como evitar? Agora eu sentia culpa e pena da menina careca, apontada e amuada no canto do pátio.
Com o tempo um novo cabelo cresceu, mas nasceu diferente. Nasceu crespo, ralo, quebradiço. Diziam que com o tempo ficaria como era antes, mas isso nunca aconteceu.
É claro que hoje eu acredito mais na hipótese de problemas emocionais, parece mais razoável, mais crível que a força do pensamento, mas esses dias a vi atravessando a rua com seu cabelo sem graça e não pude deixar de ter os mesmo sentimentos descabidos de quinze anos atrás.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

não, eu não podia me enganar assim

ele a questionou sobre o porquê das relações modernas estarem tão superficiais, sobre a vida em comunidade retratada na bíblia, no livro de atos, sobre o desperdício de energia na torre eifel, em paris, sobre os ovos de chocolate vendidos na páscoa e a ilusão hereditária das crianças em acreditar nos coelhinhos e no papai-noel, e de tanto dinheiro gasto com presentes de aniversário, presentes de natal, presentes do dia dos namorados, presentes do dia dos pais e das mães, quando na verdade o que ele queria era um abraço e que ela o olhasse nos olhos, que ela o beijasse e esquecesse por um minuto da escova progressiva que faria no dia seguinte, do sapato alto de cor rosa igual da prostituta da novela e da promessa que ela tinha de pagar em aparecida do norte porque conseguira emagrecer quinze quilos em quinze dias, seguindo o conselho da revista e parasse de criticá-lo por criticar tanto os prazeres proporcionados pelos presentes, pela vontade de ficar bela e por acreditar nos coelhinhos ou na aparecida, mas sabia que na verdade, tudo o que ela fazia era para ele e, para ele, nada disso importava, nem mesmo o beijo, o olho no olho ou os presentes de natal porque o que ele queria era a outra.
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hey boy wont you take me out tonight
I'm not afraid of all the reasons why we shouldn't try

hey boy wont you make me out tonight
I get excited when I think of crawling into your arms

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Matrizes

dó

ré

mi

fá

sol

lá

si

Bach

Celine Dion

Tom Jobim

amarelo

azul

vermelho

verde

laranja

violeta

Picasso

pichação

Portinari

a

b

c

...

x

z

Shakespeare

Harold Robbins

Rubem Alves

segundos

minutos

horas

dias

meses

anos

Gandhi

George Bush

It’s up 2 you.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Do tempo que não sei explicar

Daqueles dias em que era feliz e não sabia.Dos dias sendo maus e bons, porém felizes.Do tempo em que a solidão era uma palavra certa a lacuna enorme que o pai não preencheu, mas ignorou a existência. Do tempo em que ela resolveu ser pai e mãe ao mesmo tempo. E com sucesso desempenhou melhor do que ninguém, não deixou nenhum lugar vazio.Daqueles dias em que brincavam despreocupadamente, com e sem brinquedos, com ou sem amigos e o pouco se tornava muito. Dos bons tempos na fazenda, nos matos, no pomar, no meio dos bichos, nos açudes, no haras e no casarão. Do tempo da escola, do jardim, da professora, dos cadernos coloridos, dos livros, dos gibis e da biblioteca. Dos dias de praia, no sol, na areia, no mar, na Pedra do Jacaré, embaixo dos coqueiros - uma infância difícil, sem regalias, mas não infeliz, intensa é a palavra certa. Do tempo que não sei explicar. De quando ainda menina resolveu crescer, trabalhar e ajudá-la quando via a necessidade bater à porta. Dos dias em que estudar à noite foi horrível.Do tempo que dançar era o que mais fazia, em casa, na rua, na garagem, na balada. Mentia para o pai dizendo que iria a igreja rezar. Do tempo das risadas, das trapalhadas de quatro amigas inseparáveis, as brincadeiras, caiu no poço, do carrinho de rolimã, rouba-bandeira, voleibol, esconde-esconde de madrugada, os passinhos decorados, delas que ensistiam em não crescer - a intensidade boa/feliz da periferia,nos centros culturais, nas rodas de samba-rock/axé/hip-hop e mpb escondida, churrasco na laje; roda de amigos, dos grafites, das festas mais podreiras, dos porres de vinho, das músicas dos djs - essa pra dançar!; das festas na escola de $1,00 ou mulher grátis até 0:00,do não talento para o cachimbo da paz, do subir e descer morros, das vielas e das gargalhadas - quando alguns dizem que todos se perdem, elas acharam o melhor do pior. Daquele dia em que as amigas diziam - beija a mão ou treina no espelho que você aprende a beijar. E treinou só umas duas vezes, beijou ele mais velho 8 anos que nem desconfiou de nada, beijo longo, gosto de quero mais. Do tempo que não sei explicar. Daqueles dias em que gostou do garoto que as amigas achavam feio, que mandava cartas, andava de mãos dadas e beijava devagar. Guardou algumas cartas por anos. Do tempo da escola ruim, uma professora boa, um dia no Masp. Dos dias em que conheceu o amor nos palcos, do ator sem glamour, do cantor sem recursos, do dançarino sem clip, do homem que escrevia cartas,dava flores, dos passeios mais simples, do jeito mais carinhoso e divertido,do noivo e amante sem hora errada. Do último adeus, um abraço de quase cinco minutos,coração batendo rápido, respiração lenta e aquela mão no cabelo. Da grande perda,no dia seguinte.Do tempo em que algo se perdeu, ela amadureceu mais do que deveria, se isolou, afundou no abismo, na escuridão, chorou muito e quase morreu de tanta depressão. Daqueles dias de perdição, de badalação, de porra-louca, dos bate-volta em Santos, Praia Grande, São Vicente e Bertioga; dos finais de semana doidos em Boissucanga e Camburi, das raves em sítio, das paradas e lugares gays, das festas em alto estilo e dos lugares mais ralés, a loucura da noite.Do tempo que eu não sei explicar. Duvidou da existência de Deus várias vezes,e por conta de 3 ocasiões creu, quando Ele se fez presente nos momentos mais dolorosos de toda a vida,preenchendo lágrimas que não caíam. Então conheceu a fé. Do tempo em que resolveu viajar, conhecer a Ponte dos Ingleses,o mar bravo, a praia deslumbrante, a areia grossa, o sotaque arrastado, as raízes que não conhecia, da família grande, do nordeste em que nasceu e não viveu. Do encontro consigo,numa viagem solitária. Do tempo em que não sei explicar. Daqueles dias em que decidiu voar - negou o pedido de casamento, do término do namoro, dos livros, dos museus, da musica, do cursinho, dos professores, dos momentos, da fase estranha, dos olhares dele, da paixão, dos blogs, da poesia,dos livros e do gosto de escrever sem saber. Das vontades não correspondidas, do sentimento guardado, da ausência, do recado deletado, do corredor,das palavras nunca pronunciadas,da ilusão criada e da vontade de esquecer; o refúgio nos braços da mãe, os conselhos bons e palavras de conforto - filha, já houve frustrações piores, se quiser, essa você tira de letra - o que não te mata, ensina a viver! Dos bons dias, da primeira vez no corredor exalando maconha, do curso apaixonante, dos professores incrivéis, das novas amizades,do convite para os 30 - uma surpresa boa,dos vícios malditos, das viagens e do interesse na política/religião/literatura/teatro.Do Natal cansativo, do fim de ano em família - como há muito tempo não acontecia. Do resgate de relações com tios, primos, crianças e padrasto que havia se perdido. O resgate da relação-renovada com o Juninho-irmão-amigo.Daquele dia em que resolveu de última hora mudar de cidade e ficar a 20 minutos do "grito de liberdade", 30 minutos do trabalho, 40 minutos do Masp, 45 minutos da faculdade e 50 minutos de tudo. Do tempo em que não sabe explicar, esse choro, a saudade da mãe e do irmão, a solidão, a situação engraçada a que se mete em aprender a cozinhar,o trabalho maçante, as férias cancelada,as viagens desmarcadas, os livros sendo devorados, o retorno do gato que desapareceu 14 dias e milagrosamente apareceu na antiga residência - no dia em que foi buscar correspondências; do desgosto de acessos a internet, do isolamento, dos amigos poucos, das saídas raras, dessa fase mais "sei lá" de todas.Desse início de 2010 cabuloso, sinistro, solitário, desajustado, despretensioso, diferente - o novo como uma folha em branco,sem palavras, sem borrões, sem cores, sem sol, sem vida,o branco sem o preto. Mas com vontades loucas, devaneios acesos, constante na esperança, anseios de gente, planos bons, desejos enlouquecedores, crença nas diferenças e no amor, e muita fé em Deus.Para breve escrever, dos dias, daqueles dias e do tempo em que era feliz e não sabia. Do tempo que não sei explicar...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Horbal

Sol, muito sol e poucas horas no meu dia. Um ônibus lotado, um assento vago e eu sentei, antes de girar a catraca. Ao meu lado, velhinhos e velhinhas rumo a lugar algum, contabilizando mais alguns anos de vida. Para mim, ali, o tempo não passava. Os livros pesavam sobre meu colo e os pensamentos, em minha cabeça. E ainda era meio-dia.
O ônibus pára. Do ponto, sobe meu avô, sem dificuldades. Fala algo com o motorista e procura um banco para sentar. Eu não queria conversar. Escolher palavras, despertar assuntos, olhar para os olhos de alguém e dizer algo banal, ou não. Não queria nada.Girei a catraca e fui para o outro lado, cercado de jovenzinhos e seus fones estéreos e horas vagas. Ele não me viu. Acho que não viu. Estava tão cansado que pouco sentia culpa por ter sido tão anti-social, por ser vazio e alheio a um pouco de carinho. Os livros já não pesavam mais tanto quanto a culpa que estava ali, adormecida. Os jovenzinhos e seus fones brancos estéreos e olhar distante me incomodavam mais do que o peso do acúmulo dos anos dos corpos daqueles velhinhos que ocupavam a frente do ônibus. Eu nunca quis envelhecer. Fiz um pacto comigo mesmo, de morrer jovem, aos 30 anos. Espero que a natureza respeite e que Deus aceite. Meu avô não parecia comigo, tinha a pele escura, cabelo grisalho e os olhos claros, bonitos. Eu tinha culpa. Culpa e vergonha de não dar um olá. Se ele tivesse me visto, era pior aparecer lá depois. Soaria falso. Se ele não me viu, a conversa seria ridícula, separada por uma catraca e ouvida por um ônibus inteiro. Ah, se eu não tivesse passado a catraca podia sim ter dado um oi, um simples oi, e dormido. Fechar meus olhos e descansar o sono dos justos. Dormi, mas sem justiça, um sono de culpa. No sonho, que realmente parecia sonho, vi meu avô girar a catraca e vir até mim. Sentou ao meu lado, pegou meus livros e colocou em seu colo. Abraçou a minha mão com a sua e ameaçou dizer algo, mas não disse. Olhou-me por alguns segundos e disse: até logo. Acordei, assustado, com a cabeça encostada no vidro. Levantei, era hora de descer. Procurei pelo meu avô, do outro lado do ônibus. Ele já não estava lá. Esta foi a ultima vez que vi meu avô. Hoje, uma grande catraca entre a vida e a morte separa nós dois. O que há do outro lado, eu ainda não sei. Na minha cabeça, ele está cercado por velhinhos e eu aqui, com meus jovenzinhos de fones de ouvido estéreos. Eu, que me recusei a dar um ‘oi’, ouvi um ‘tchau’ que deve durar para sempre até que eu gire esta catraca, antes ou depois dos meus 30 anos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Coisas da Holanda


Com uma bike customizada, ciclista "voa" na ciclovia em frente aos captadores de energia eólica no interior do país.

Dica: alugue um carro em Amsterdã e conheça pequenas cidades próximas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Não adianta só a cidade estar preparada para receber as chuvas...

Lembram dessa frase: "A cidade está preparada para receber as chuvas!".
Pois é a frase dita acima pelo nosso Exmo. Sr. Prefeito dita em 30 de novembro de 2006 nunca soaram tão vazias como nesses útlimos 35 dias. Mas a verdade seja dita, o volume de água que tem caído pelos céus de nossa gloriosa metrópole é muito grande e a prefeitura por si só não é toda ela culpada pela inundação que tem atingido muitos bairros de São Paulo.
Ok, já consigo imaginar agora uma série de leitores indignados e revoltados me chamando de puxa-saco, anti-PT e por aí vai. Mas para esses, peço que leiam até o final.
Vamos lá, esses dias eu estava no meu carro parado no meio do trânsito e o sujeito que estava na minha frente jogava tudo o que se pode imaginar pela janela do seu carro. Imaginem vocês: maços de cigarro, o próprio cigarro, copo plástico, casca de banana, pacote de bolacha e por fim, a gota d'água, uma bela e volumosa escarrada, daquelas que deu pra até ouvir ele puxando do fundo do pulmão (ok, catarro não entope bueiro, mas é beeeeeeem nojento!). Outra cena pitoresca, foi ver um colchão no meio de uma avenida boiando à deriva no que no momento poderia ser chamado de Rio Ricardo Jaffet.
Tudo isso, caro leitor, só para ilustrar que o cidadão que joga esse tipo de coisas na rua NÃO tem o mínimo direito de reclamar da situação que temos presenciado todos esses dias, já aqueles que como eu não fazem nada disso e como muitos de vocês que tambem não devem fazer nada disso, ah, esses sim têm todo o direito de reclamar comigo. Ou seja, faltam investimentos na área de drenagem urbana? SIM! Mas tambem falata muuuuuuuita educação por parte do cidadão paulistano.

ps: esse post está saindo neste horário porque demorei pra chegar em casa devido ao caos da tarde de hoje.
ps2: depois edito esse post e coloco a foto de dois meses da Camilinha, cada dia mais linda, esperta e inteligente!
ps3: já ouviram "God Help the Girl" ? É uma banda legal, dêem um search no youtube e vejam. Dica de uma super amiga minha, eheheheh!

[ ]'s

domingo, 24 de janeiro de 2010

I´m freeeeaaak


Pesando os prós e contras da vida...
Tão confusa que até esqueci de postar aqui...
Tão ansiosa que até esqueci de me acalmar...
Pronnnto...
1
2
3
Respira fundo...
E faz a Sarah Jessica Parker, Bi!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Felicidade

Nem Pequeno Príncipe nem Pollyanna nem Gasparetto.
Felicidade pra mim é isso

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lembrar de coisas antigas é legal.

E os “antigos” lembrarem de coisas de suas épocas é mais legal ainda.

Ontem, no carro, naquele trânsito matinal dos infernos, me levando para a revista antes de irem pescar, meu pai e o nonno começaram a trocar ideias sobre os tempos antigos.

Segue abaixo a história mais hilária que já ouvi da boca do meu velho nonno, um avô típico conservadorzinho italiano.

(Só para situar vocês, estávamos parados em uma rua (Ibitirama, localizada no Largo da Vila Prudente) que costuma ser movimentada (mas que naquele momento não tinha movimento, pois TODOS os carros, ônibus e caminhões estavam parados), em São Paulo.)

Avistando um prédio antigo, o nonno começa...

- Ali, Marina, era um antigo Cinema. Frequentei bastante. Sempre que tinha um dinheirinho vinha assistir a um filme. Pegava o bonde e vinha. Agora o prédio tá abandonado, não tem nada.

- Nem virou Bingo ou Igreja como os outros cinemas antigos, né, papa?! – acrescentou meu pai.

Andando um pouco mais (lentamente, pois estávamos em um trânsito caótico) chegamos na Rua Capitão Pacheco Chaves.

- Atravessando a Paes de Barros tinha outro cinema, o Cine Vila (de Vila Prudente). Era inclinado (estilo stadium), dava para assistir melhor os filmes. Nesse eu vim bastante. – afirmou o nonno.

- Esse virou Igreja, ó Má. – novamente acrescentou meu pai apontando para a atual Igreja nãoseidasquantas.

- Mas uma história engraçada que me lembro, foi a primeira vez que fui a um Cinema. Aqui no Brasil. – contou meu nonninho imigrante da Itália. E continuou: Cheguei aqui em Abril de 1954 e, logo que comecei a trabalhar, falei para meus pais que queria gastar parte do dinheiro do meu primeiro salário no cinema. Sendo assim fui ao Cinema da Praça da Sé. Escolhi uma sessão qualquer lá, comprei amendoim doce e bala de goma. Logo que apagaram as luzes e começou a propaganda, senti alguém mexendo na minha perna e não paravam dos dois lados. Achei que eu ia ser roubado, então fui embora. Quando contei para o pessoal da empresa, adivinha: aquele era um cinema gay!

- HAHAHAHA! – todos riram.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sakanagem!

Eu escrevo em blogs há uns dez anos acho. Desde que lançaram o diário virtual eu aderi a ele para ser mais exata. Nesse tempo conheci pessoas com as quais estabeleci amizades virtuais, outras que conheci cara a cara, tornaram-se colegas de agência, fui insultada, insultei e recebi também alguns poucos convites para participar de blogs coletivos no que declinava prontamente.

Justifico: uma coisa é descarregar toda raiva que você sente, por exemplo, do seu chefe e foda-se quem estiver lendo. Outra bem diferente é escrever com o compromisso de ter algo, no mínimo, interessante para dizer. Pois se algum louco ou vários loucos me convidaram para tanto é porque minhas palavras mal ditas ou malditas chamaram atenção.

Por outro lado, é instigante saber que meus textos rabiscados causam reações diversas nos leitores. As vezes um cisco toma uma grande proporção ou o que era para ser engraçado para mim, acaba se tornando hostil para outros. Então, resolvi encarar este desafio por algumas outras razões mais:

1-) É só uma vez por mês e caso me achem chata ou inconveniente ou ainda escreva algo tremendamente ruim, a probabilidade de se esquecerem do que foi lido é maior.

2-) Eu já ganho a vida escrevendo todos os dias. De uma forma diferente, mas tenho o compromisso com clientes que me pagam para ludibriar ou melhor convencer os consumidores que seu produto é mais vantajoso que o do concorrente.

3-) Testar suas paciências. Me testar. Sei lá.

E para você, você e você que deram busca por termos como: sexo anal, bondage, caralho, xoxota, coisas afins e leu este post até o fim, desculpe-me. Esqueci de me apresentar: sou Sakana e o prazer é todo meu. :P



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

De pão e água viverá você, não eu

É que tem hora que esse rango mal servido cansa
Cansou até o calmo! educadinho do jeito que é...pra você ver
Aí vontade de provar que ruminante e você são coisas diferentes já não cabe
Então vá, desafie o moedor com sonho novo
Aproveite e esfregue na fuça dele que nem todo barranco é morto, torto e tudo igual
E gire, gire a roda da fortuna
Porque o homem aqui não vive só de pão e água não
Venha amor
Venha que tudo é você, tudo tudo é carnaval

domingo, 17 de janeiro de 2010

Vermelho, pare

Eu ando muito rápido. Desço a rua no embalo e vou seguindo, desviando do caminho os postes, os lixeiros, as coisas. No meio do caminho. Contornável.
Mas em uma tal esquina eu sempre paro. Nunca encontro o sinal fechado. Fechado para eles, aberto para mim. Sempre verde para eles. E eu paro.
Olhando para aquela fila quase sem fim, esperando. Estou a vida toda a esperar. Esperando que passem, para atravessar.
Já me ocorreu furar a fila, atravessar correndo.
Doida, espera. E ele me puxa a mão.
Paro e aguardo os carros passarem. A vida passar.
Nesse meio tempo, a vida me passa pela cabeça.
Na minha cabeça, o impulso.
Impulsiva, impulsiona-se na rua a menina impetuosa.
Boba. Balanço a cabeça. Espero.
Espero que passem. O sinal demora. Quando vou?

Ve

sábado, 16 de janeiro de 2010

Texto do dia 16

- Me chupa.

-Ahn!?
Numa mistura de excitação, vergonha, medo e a total noção que aquilo que a mulher de seu melhor amigo pediu, era algo proibido. Maçã, ela somente se torna gostosa se precedida da negativa expressa e a promessa de castigos eternos. Nessa altura o pau já estava duro, molhado, e a imagem mental de sua língua no pequeno sino avermelhado e a promessa da invasão do seu taco numa forma única e sem vacilações, o fizera ter tremores.

Também temores.

Pratos, gargalhadas, nada mais estava fazendo sentido e aquela massa disforme de cores aromatizados com picanha, linguiça e costela. O seu olhar safado contrasta com sua tez angelical e seu marido ali do lado, completo ignorante do pedido de sua adorável esposa, estava alegre, dizia ele que estava com saudades de mim.

- Não posso, uso aparelho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A respeito de outros lugares

por Tiago Marques

Tem uma certa tradição migrante na minha família (e na família de quase todo mundo que eu conheço), pelo menos até onde eu sei da minha família. Tem os bisavós que vieram das Europas, Alemanha, Portugal, Espanha. Minha vó que nasceu na fronteira com o Uruguai, meus pais que saíram do Rio Grande do Sul (junto com uns tios). E daí calhou de eu nascer em Porto Alegre e ir parar em São Bernardo do Campo. Foi uma migração involuntária, mas eu acho que em algum momento um gene adormecido em mim vai despertar e eu vou sentir uma vontade louca, uma necessidade premente de sair por aí, de achar outro caminho, de saber que aqui não dá mais, vou embora, vou seguir o vento, o mar, a estrada. Mas por enquanto eu continuo sendo um inseto no casulo. Viajar é legal, mas sempre dá um certo medo.

(Sempre que eu falo sobre mim – seja num texto ou numa conversa – percebo que vou mudando à medida que vou falando. Pelo menos mudo aquilo que eu penso de mim mesmo. E aí não sou mais o mesmo e já não faz mais o menor sentido falar de mim mesmo, que já sou outro. Acabo falando do que eu era, não do que eu sou).

Nessas minhas viagens esporádicas ao Sul, uma das coisas mais legais é perceber que tudo mudou e tudo continua igual. E vice-versa. Fruki ainda tem gosto de Fruki e eu nem lembrava qual era. Ainda tem casa de madeira aqui. O calor de janeiro continua insuportável, mas sempre tem um vento batendo de algum canto (deve ser o minuano, embora eu não saiba bem o que é esse tal de vento minuano). Mas aqui também tem anúncio de condomínio fechado, com tudo o que você precisa. E a paisagem vai mudando aqui e ali. E as casas de madeira tem microondas e computador e tv a cabo. As mudanças que ocorrem aqui no Sul, pra mim, ocorrem bruscas, por que eu venho de tempos em tempos (do mesmo jeito que vejo de tempos em tempos alguns amigos que parecem que mudaram muito). Mas as coisas mudam aos poucos em qualquer lugar. Se eu me visitasse de tempos em tempos, ia ver muita coisa diferente, eu acho. Mas eu me vejo todo dia, tô sempre junto comigo mesmo. Pra mim eu sou sempre igual, os outros é que mudaram.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

What does gaúcha mean?


Aline liga. A linha ocupada. Do outro lado sóbrio, engravatado, no gabinete bauhaus, agita-se ante o laptop, o fluxo de dados. A rede ameaça prender desvios bancários. Contramão, cowboys de cuecas, gráficos e bolsa nos leds competindo com xanas, rachas, crash, xoxotas. Vida expostas à mira, a um click, clips, clitóris. Encontrara  Aline, gata tri-sexy three weeks ago. Gaúcha? Dedilha, plugado Michaelis. A gravata, a barba, aparados. Os pêlos pubianos: aparato exato. Quer tc comigo? A ex, o cartão, o amante, a criança, o blue eye da loiraça pura safada, peitinhos durinhos (que ele fuma desatento ao censor, a vigilância online). Tudo aqui e lá, jogaria no ar para viver o sonho tropical à brasileira? Ela navegando em um apê barato, expondo-se a downloads, a uploads, streamings estremecendo o já balançado coração por torpedinhos que ele manda de New York. O cenário modelo, o fundo falso do book, empina peitinhos num perpétuo movimento do desejo que não quer calar. Ela escuta no iphone - da Federal Express direto para a Freguesia do Ó - "You break my heart" e "No ordinary love" baladas velhas que denunciam a idade do Romeo. Não se falam, reféns de mensagens vertidas pelo eletrônico de inglês tradutor. BraZil. I love brazilian girls. I love chicas from Ipanema. Yo sé hablar Spanglish. Vc qr tc comigo? Do you...? O dia radiante de quarta as estréias da semana buzinas na avenida, placas 1 e 2 de Sampa (não de Porto Alegre) bloqueadas amarelinhos com seus bloquinhos 28 graus à sombra do Empire State Building, do World Trade Center. Yo sé hablar Spanglish. De repente, o vidro espalhando o seu azul colossal. Diga de libra o signo, o zodíaco, o mapa do dia. What does gaucha mean? O primeiro avião penetra a Torre. 9.11. Aline, gata gaúcha ouve um clique, depois não ouve nada. Seu futuro americano partido em dez mil estilhaços.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eu comecei o ano assim:

Eu comecei o ano assim. Com esta música na cabeça. São onze dias com uma música na cabeça, e ainda bem que é uma música de que eu gosto. E que serve como uma boa inspiração pra viver os dias.

Eu comecei o ano assim. Decidida a não ser feliz o suficiente, mas tanto quanto for possível ser feliz. E ontem uma amiga contou que uma amiga dela estava grávida e que o neném é menina e que vai se chamar Ana. E a minha amiga falou pra sua que ela tem uma amiga que se chama Ana e que é uma pessoa muito feliz, e que tomara que a Ana dela seja assim tão feliz também.

Eu comecei o ano assim. Com grandes amigos que ganhei recentemente, com grandes amigos que estão sempre por perto, com grandes amigos que eu vejo raramente.

Eu comecei o ano assim. Com algumas mudanças e cheia de novidades. Alguns desafios, muita vontade. E sem medo nenhum. De nada. Porque se não der, a gente reinventa. É sempre assim, se a gente quiser.

Eu comecei o ano assim. Dentro do mar prateado e debaixo da lua cheia e do céu estrelado.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Casa: um substantivo ainda abstrato

Perdi a contagem de quantos dias passaram desde que voltei à minha casa. Quando entrei nela disse –Mi casita!, mas suspeito que fui organicamente inclinada a dizê-lo porque estava acompanhada, assim como já sou organicamente programada para acentuar a palavra “orgânicamente” porque os substantivos e seus derivados não me soam mais como palavras distintas, e sim como variações da mesma que, se tem acento proparoxítono, não perde nem quanto a sílaba tônica deixa de ser a antepenúltima. Esdrúxulo, eu sei, mas aqui onde eu moro é assim.

Bem, isso não é totalmente verdade. Estivesse eu sozinha, teria dito o mesmo, mesmo que mentalmente. E então sorriria pensando em como a frase soara vazia. Porque passei um mês dizendo o mesmo da minha outra casa, ainda que, dentro dela, eu escondia a palavra “outra” para não revelar meus costumes pouco monogâmicos. No momento em que pisei ali parecia que nunca tinha saído, e que os treze meses anteriores tinham sido apenas um sonho.

Eu usaria a palavra bigamia, mas estou certa de que magoaria mais de uma amante. Porque eu já me senti assim antes e só não digo que a experiência foi idêntica porque daquela vez eu disse –My home!, e dessa última o sonho foi bem conturbado.

E então uma enchente muito mais forte do que a que periodicamente me converte em desabrigada arrancou a casa muita gente, mas eles se preocupavam mais com sua família que foi arrastada junto. Porque sem uma dessas não há lar. E estamos todos tentando minimizar a necessidade física para que o lar possa ser reconstruído de dentro para fora por quem sabe muito bem onde quer chegar. É claro que paredes, teto e microondas são itens secundários e então olhei os meus iguais e disse –Minha casinha! e pelo menos soube a minha origem, o que dizem ser o primeiro passo para se aproximar do destino.

Aí chegou a hora da separação e a intuição de que dizem um monte de coisa vazia. Ela foi breve e desprendida como sempre. Quando olhei para trás ninguém encontrou meus olhos e eu sorri de novo porque isso de achar que a casa da gente está em algum lugar é mesmo uma tolice, para não dizer perda de tempo, caso a gente insista em sair procurando esse lugar pelo mundo.

Ele não existe e quem diz que o encontrou deveria guardar esse segredo em silêncio, para poupar o resto de nós da crueldade de já ter o mapa rasgando de tanto abrir, virar, fechar, anotar, levar para bem perto dos olhos, dobrar e ainda guardar no bolso de novo, caso ele se torne necessário.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A viagem




É que quando viajo, tiro férias de mim. Não me importo mais a mim, não me preocupo em ser e, enquanto não me preocupo, sou. Quando viajo, experimento da leveza, da incerteza, da sólida realidade mais passageira. Nesta realidade não cabem planos, e por não caberem planos, há somente o instante agora. Há a intensidade, há todas as possibilidades em um dia. No outro, contudo, há a lembrança.

Esperta que sou, fui morar na viagem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Talita

Eu me lembro de vê-la, dia após dia, esperando o ônibus escolar, com sua mãe, na frente de casa. Enquanto eu, ou ia de ônibus municipal ou ia caminhando. Estávamos na oitava série. Nessa época, meu pai já tinha falecido e minha mãe trabalhava tan-to para sustentar as três filhas que esses cuidados de levar, buscar, esperar junto eram raríssimos. Eu tinha que ser independente. Ela usava aquele aparelho ortodôntico parecido com capacete e eu achava vergonhoso. O que hoje sei coragem.

Só no primeiro colegial estudamos juntas. Eu, que tinha sido afastada das minhas amigas de sempre, me enturmei com os roqueiros da sala. Mas era ela quem sentava no fundão. Não trocamos nenhuma palavra nesse ano.

No segundo colegial, continuamos na mesma sala. Os roqueiros que mudaram e eu perdi meus papos sobre Guns ‘n Roses, AC/DC, Bad Religion e Rage Against The Machine. Me enturmei, então, com as gostosas da sala, que eram novas na escola. Já escutaram que sempre entre as gostosas há um patinho feio? Então. Além de gostosas, elas não eram muito inteligentes e sentavam no fundão porque lá era mais fácil colar. No fundão. No meu lado direito, depois de algumas pessoas, estava ela. Voltei a olhá-la como há anos atrás, como uma paisagem enquanto eu ia. Já não usava aparelho ortodôntico. Eu tinha as melhores notas entre todos os alunos da escola e desafiava os professores; eles não entendiam. Nesse ano, minha mãe cansou de ser chamada na escola por causa do meu mau(?) comportamento. Enquanto eu contestava, ela matava aula para praticar esporte. Era amiga dos garotos mais velhos e mais bonitos.

Só nos falamos no ano seguinte, 2004, porque tínhamos uma amiga em comum. Essa amiga sentava-se de frente para o professor, enquanto nos mantínhamos nos mesmos lugares. Dias e palavras depois, nos esperávamos no portão para irmos embora, caminhando. Foi nessas caminhadas que pude conhecê-la. E nas esticadas para almoçar e assistir sessão da tarde ou para compartilhar revistas. Cada dia na casa de uma. E a escola como um mundo a parte para a amizade que contruíamos, muito sem saber o que seria 2005, em relação a nós, como amigas, e nossas vidas.

Nesse ano, fui convidada a participar do Grêmio Estudantil porque era cheia dos discursos reacionários, ganhei dos professores a inscrição para o vestibular de Letras da UNESP (ou UNIFESP, não me lembro) que não prestei e também meu único D, em Literatura porque me recusei a participar de uma apresentação para representantes de um consulado.

O colegial acabou, mas contínuamos, juntas e diferentes, mesmo nos períodos de separação: enquanto eu cursava Informática e estagiava em outras cidades e ela cursava Hotelaria ou, enquanto ela namorava e eu amava e planejava ir, o que ela só soube quando acabou.

Por ela, eu chorei dias seguidos pela possibilidade de vê-la partindo para um país distante. Mesmo sabendo que seria com seu grande amor e que era sua felicidade, porque meu coração queria cuidá-la e por ela, ser cuidado, sempre.

Com ela, aprendi que amizade é além da identificação óbvia de compartilhar os mesmos gostos, porque isso, não fazemos. Nunca fizemos. Nossa identificação é no pensar as mesmas coisas, sonhar. O que importa.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

seis


Seis.
Escrito apenas com quatro letras, mas que nos faz pensar em meia dúzia, não em quatro.
Hoje é dia seis de janeiro de dois mil e dez. Vários números, mas hoje o número que importa é o primeiro, o seis.
Dia de Reis, dia de tirar os enfeites natalinos, encaixotá-los e esperar que dê novembro outra vez.
É também meu dia de escrever no blog.
Pronto, escrevi e não tenho muito a dizer, só que eu gosto do número seis, pois é um número par. Gosto de números pares.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

nem bem fundo.


foi querer subir a escadaria correndo, prá chegar a tempo de mostrar o novo vestido rosa salmão, que lhe afinava a cintura e dava aos seus ares um cheirinho de algodão doce, uma fantasia pueril. ia sorrindo e doida de feliz e de fogo, o coração aos pulos primeiros degraus.

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mas nada,
dava tempo de descrever cheirinho de vestido nada,
logo veio ELA, lhe estapear a cara, lambuzar-lhe de vergonha, passar-lhe a rasteira, jogar-lhe humilhada, escada abaixo. PUTA.
asma.

domingo, 3 de janeiro de 2010

E por falar em metas...


Tomei mais uma decisão para 2010, esse ano me livro dos meus entulhos. É que eu tenho um certo apego por objetos, principalmente por aparelhos eletrônicos. Eu os humanizo. Acho sacanagem trocar a velha tv por uma de lcd, como quem troca a esposa companheira por um pistoleira aproveitadora.

Foi doloroso jogar fora minhas fitas cassetes. E seu eu quisesse ouvi-las um dia? Tive que assumir que nem meus cds eu escuto mais, pra que guardar fitas? E ainda mais do Sampa Crew. Coloquei todas em uma sacola e coloquei na lixeira. Tenho quase certeza que ouvi uma delas pensando alto, “espero que seu hd queime e que você perca todas suas mp3s”.

E no meu criado mudo tem três gavetas, na do meio eu guardo meu walkman, meu diskman, meus celulares antigos, um furador de papel, e outras inutilidades. Por que? Não sei. Tem também aquele abridor de cd, ou melhor, de plastiquinho de cd. Acho que nunca usei.
Mas como faz, como se desprende de vestígios de uma vida assim? O que fazer com os bichos de pelúcia que restaram, ou os souvenris, ou os xerox de cursos que já fiz, as revistas que eu assinei. É sacanagem, é ingratidão, é injustiça, mas vou me livrar, doa a quem doer. E sim, eles sentem dor.

sábado, 2 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

mudança de rota


mais clichê que fazer resoluções para um novo ano ou retrospectiva do ano que termina é reclamar de quem faz isso. clichê por clichê opto por relembrar, planejar e festejar. aliás, fazendo um panorama mental bem rápido, as pessoas que conheço que não gostam destas datas comemorativas são as mais depressivas, chatas, resmungonas, tristes e feias. pior quando a pessoa é tudo isso junto, aí já era, mas quando é só uma coisa ou outra a gente ainda atura, porque né, amigo é pressas coisas.

(abre parênteses) se você é da primeira turma de clichê, continue lendo. se não é, sugiro que sei lá, vá ver um filme ou então sair com os amigos ou se tratar, enfim, get a life (fecha parênteses)

claro que não farei aqui a restrospectiva completa do meu 2009 - que foi ótimo - nem minha lista de planejamento pra este ano que começa hoje. posso dizer com certeza que este foi um dos anos mais intensos destes vinte e oito que vivi, por isso tenho a sensação de ser um ano infindável, tipo, uns quatro anos dentro de um ano só.

foi em 2009 que fiz talvez a melhor coisa que eu já poderia ter feito por mim, a cirurgia refrativa. não só pelo fato de me sentir mais bonito - ;-) - mas por não me sentir dependente (como fui durante 20 anos) de um objeto de plástico e vidro. e mesmo sabendo que daqui uns 10 anos precisarei voltar a usar, quero aproveitar ao máximo o tempo sem eles...

e não é por nada não, mas neste ano mandei muito bem na empresa em que trabalho, recebi aumento e tal, mas..... decidi sair de lá. contraditório? sim, mas este é o plano pra 2010. agora que não tem mais pra onde "subir" na empresa e não tem mais com quem brigar ou então de quem receber elogios pelos trabalhos, vou deixar o jornalismo e fazer biologia ou história ou sociologia ou aulas de violão. tá, essa última parte é mentira.

dos 4 cursos de pós-graduação que comecei desde que me formei, em 2006, terminei o primeiro e único (clap, clap, clap), o de midia, informação e cultura (jornalismo cultural). e, obviamente, este fato está inteiramente ligado à saída da empresa nos próximos meses...

no amor, aquela bagunça de sempre. encontro, desencontro, reencontro. o bom de tudo isso foi a intensidade dos sentimentos. não fui "mais ou menos" em nada, sempre inteiro. e no fim, sei que amei na medida máxima que podia amar. mas...

que mais? saúde: disritima e glicose lá em cima. entretenimento: muitos filmes, muita música, muita festa, muitas viagens e pouco teatro. espiritualidade: eu, deus e só. amizades: nenhuma decepção, aliás, muito pelo contrário. família: muita confusão e no fim, a certeza de que sou amado. e claro, claro, claro, a chegada do meu sobrinho arthur só veio pra dar sentido a tudo, a pessoa que mais amo no mundo!

em resumo é isso. claro que seria muito ridículo dividir as áreas da vida (como eu fiz), mesmo porque a vida é muito mais que isso. no fim - pra ficar mais clichê ainda - se pudesse dar uma nota para o ano, seria 9, porque mesmo sendo bom, quero que 2010 seja um ano de mudança de rota.

bom, este foi o jeito que encontrei pra começar o ano neste blog - aliás o BLOG DAS 30 PESSOAS foi também uma das coisas mais legais pra mim no ano de 2009, um ano feliz. agora vou ali começar o ano na minha vida e espero que você faça o mesmo. um beijo.

ah, esqueci de falar, já que estou cada vez mais careca, mas já que não posso fazer nada a este respeito, quero pelo menos meus 8 quilos perdidos em 2009 de volta!
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