sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Use com moderação

Quando era pequena minha mãe dizia-Seja educada com os outros e eles serão com você .
Fui educada demais, o que abriu espaço para ser sacaneada .Sim, porque muitas vezes mergulhamos na educação ,ficamos com vergonha de colocar limites aos outros e as pessoas passam por cima .
Adoraria ver meu passado e pensar que fui vítima .Mas não posso fazer isso .No meu rosto estava escrito -Trouxa !
Fui trouxa sim, meu ego me empurrava a ser uma menina boazinha, a não cair na boca de Matilde, então eu era um doce de mel .Passei por cima de mim tantas vezes que morro de vergonha de lembrar .
Tive azar, na minha vida cruzei com mais lobos do que cordeiros .Apanhei tanto que parei de dar razão a minha mãe .
Continuo educada,mas desenvolvi um sistema de merecimento .Que façam por merecer, já que eu também levei meus tapas .
Entendi que eu sou minha responsabilidade .Se existe Deus não me mandou com etiqueta de -Seja educada com os todos .
Cheguei aqui sem etiquetas, livre para ser o melhor que eu puder para mim mesma.
Hoje estou atenta ao meu espaço físico, emocional e moral .Não aceito mais que cruzem ele como se eu não existisse .Não aceito mais escutar coisas que me magoam ou me tiram do sério .
As pessoas atravessam como se você não tivesse opinião ou sua orelha fosse pinico.
Minha mãe fica chateada as vezes e me diz -Não precisa ser tão dura com fulano ou beltrano.
Mas logo respondo -Mas ele não foi mole comigo! Por que dar o que não recebi?
Ah, santa educação ! Minha mãe que tenha paciência .A educação que me deu serviu para que os outros me usassem como tapete.
Fazer o que ? Tive que me livrar da santa educação antes de que ela se livrasse de mim. É a lei da vida . Educação pode ser uma coisa ótima,mas neste planeta use com moderação .

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Depois das 10

Gosto quando, já de noitinha, chegas com teus passos pesados que assustam a vizinha;
Gosto da tua falsa cara de surpresa ao ver minha falsa cara de surpresa;
E da implicância que tens porque eu vejo novela,
e faço o jantar ouvindo Tetê Espíndola,
e tenho descaso com meu gato,
e esqueço de comprar frutas;
Gosto de sentir, ao mesmo tempo, tua barba e tuas mãos em mim;
Gosto do jeito que apagas o cigarro
e do jeito que danças;
Gosto da louça suja que fica para a manhã,
dos anúncios que inventas enquanto tomamos banho,
dos projetos que não fazemos;
E gosto tanto dos minutos que ficamos em silêncio, abraçados na cama.
Mas, no escuro, sei que pensas em outro cara.

Por isso, e só por hoje, vamos trepar de luz acesa?

domingo, 7 de agosto de 2011

Alvos Móveis





Assisto pouquíssimo telejornal. Não gosto.


Mesmo assim, andei vendo várias reportagens sobre a faixa de pedestres.

Ser quase atropelada infelizmente faz parte do meu dia a dia.

E você pode por aqui, escolher entre diversos modos:

Ser atropelado na faixa.
com o sinal aberto
com o sinal fechado
por um carro
por um carro 4x4
por um carro 4x4 com uma loira
por um carro 4x4 com uma loira falando no celular
por um ônibus
;caminhão
;moto
;bicicleta
;carrocinha
por outro pedestre
pela maldita bolsa enorme do outro pedestre
por um trem
pelo metrô
pela polícia
por uma ambulância
por um carrinho de bebê
por uma criança
por um cachorro
por uma pomba (sim, quase levei um pombada na testa anteontem.)

E ainda deve ter mais maneiras que estou prestes a descobrir.





Vem Cá... Eu Te Conheço?

     Você já parou pra pensar em quantas pessoas realmente conhece nessas redes sociais da vida?  Dia desses, me mandaram um desses memes, no Facebook, e, entre as perguntas a serem respondidas, tava lá:  quantos contatos daqui você conhece “de verdade”?  Parei, cocei a cabeça, pensei, cocei mais uma vez, e respondi que, “achava”, que era mais da metade.  Porque ali, no meio de todos  aqueles rostinhos, tem gente que só travei contato virtualmente.  O que, há um tempo “atrás”, era algo praticamente inconcebível, hoje é mais pura realidade.  Existem pessoas que conhecemos só através da tela do computador.  Fato.

     Pensei muito nisso depois de ter assistido, na última sexta,    a  um  documentário chamado Catfish.  Não vou revelar muita coisa porque penso que ele, realmente, merece ser assistido, mas confesso que fiquei mexido depois de conferí-lo.  O filme conta a história de Nev, um fotógrafo de Nova York que, através do Face, conhece Abby, uma menininha que pinta quadros, numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos.  O contato se inicia pela admiração mútua do trabalho um do outro e toma um caminho inusitado:  Nev acaba, por tabela, ficando próximo de Angela, mãe da garota e de seus irmãos, especialmente Megan, a irmã mais velha, com quem começa um “ardente” romance virtual.  Com o decorrer do filme, porém, fica evidente que nem tudo é o que aparenta ser. Nev, o irmão e um amigo decidem tirar a limpo essa história e começam a juntar os pedaços de um imenso quebra-cabeça, partindo atrás da verdadeira identidade de Abby e dos seus familiares.

     Nesses anos todos navegando por aí, confesso que já me envolvi emocionalmente com algumas pessoas pela internet.  Quem não, que atire a primeira pedra.  Tá, foi tudo muito soft, no campo da brincadeira, coisa e talz.  Mas confessso que já esbarrei com algumas Abbys, Angelas e Megans.  Gente que inventa uma vida que não tem, cria um rosto que não é o seu - e o mais assustador é que, quase sempre, esses rostos têm donos, ou seja, eles roubam fotos em perfis de sites de relacionamentos -, criando uma teia de mentirinha onde, acreditem se quiser, tem gente que acaba por se envolver.

     Pra quem gosta do gênero, fica a dica.  Catfish é um ótimo filme - documentário, thriller, drama, ainda não sei como definí-lo -, que entrou fácil para a lista dos meus preferidos.  Em tempos de Facebook e afins, bacana ver um filme que faça esse tipo de reflexão.  Uma reflexão que, confesso, me assustou.  A mim, pelo menos, que sou do tempo em que fazíamos amigos na escola, no campinho de futebol ou no cursinho de Inglês.

sábado, 6 de agosto de 2011

O animal dentro de nós, deixe-o viver e morrer.

63333343Mês passado, em uma básica divagação sobre o tédio das minhas próprias férias, recebi alguns comentários no meu post aqui no blog sobre como ler o que eu escrevi esclarecia um pouco sobre a geração da qual faço parte. Lembro-me bem de terem dito: “seu universo não é o meu, e por isso gosto de te ler”. O mais curioso é que agora, de novo no dia 03, quando finalmente consegui a inspiração para elaborar meu texto para o blog, que deve ser publicado em três dias, é justamente esse assunto que me vem a cabeça. Sou uma pessoa muito inquieta, e muito analítica, e talvez nasça daí minha obsessão estranha por decifrar minha própria geração (e, no caminho, decifrar a mim mesmo). A título de mais um capítulo nessa viagem, acho que cabe aqui uma pequena história e uma observação retirada da discografia de uma das mais proeminentes artistas pop dos últimos anos e, talvez até, a dona da música que melhor defina esse meu objeto de observação.

Se você me perguntasse alguns meses atrás sobre Kesha Rose Sebert, conhecida pelo nome de palco Ke$ha, jamais ouviria esses elogios saindo da minha boca. A verdade é que eu tive um problema sério com a americana de 24 anos, uma mistura meio estranha de falta de sorte (meu caminho nunca cruzou com o do seu melhor single, “Animal”) e preconceito pelo simples fato da canção que a lançou no mercado, “Tik Tok”, ser um tipo de pop pouco digerível que colava o estilo de uma cantora francesa alternativa e ainda tinha a harmonia parecida com um hit de Kylie Minogue, de quem tenho sido fã há tempos. Acontece que, num desses casos raros e deliciosos de boas surpresas, ouvir a discografia de Ke$ha, composta por dois álbuns até agora (Animal e Cannibal), é tirar um raio-x curioso, de música bem composta e cantada, da minha geração. Sem colocar o envolvimento emocional de fã recém-formado, é inegável que canções como “Your Love Is My Drug”, “Hungover” e “C U Next Tuesday” tem muito mérito compositivo.

Mas enfim, propaganda feita, vamos ao que interessa. Agora de pouco, ouvindo de novo o setlist do Cannibal e pensando no show da cantora que ocorre no final de Setembro em São Paulo (e ao qual este que vos fala estará orgulhosamente presente, eu espero), uma interessante dicotomia posta lado a lado me fez pensar. Propositalmente (como eu aposto) ou não, a jornada do ouvinte por essa fatia do álbum vai da seguinte maneira. “The Harold Song”, a quinta faixa, é a típica canção do adolescente apaixonado por quem não deseja estar. É um sentimento platônico comum a qualquer geração, o de um namoro terminado ou de um que nunca foi, mas que em qualquer caso faz o refrão entoar, em seu final, um clichê e ressonante “eu daria tudo para não estar dormindo sozinho”. A noção de que o amor é doloroso é uma descoberta tipicamente jovem. E essa minha geração tende a deixá-la muito latente. A faixa seguinte é “Crazy Beautiful Life”, e uma rápida olhada nas letras de Ke$ha é o bastante para descobrir que se trata de uma chamada intensa, talvez um pouco exagerada, mas na verdade bem honesta, para o fato de que em meio a divertida e apaixonante vida que os mais velhos tendem a chamar de “vã” da nossa geração, a verdadeira luta ainda é por algo real e certo. Sem meias palavras, pelo amor. Ou pelo menos pelo que a gente ache que é o amor.

Isso é uma pílula pra começar a saber o quanto Ke$ha entende essa geração, e o quanto faz sentido para ela se apoiar nas músicas de uma garota que construiu para si uma imagem meio suja, um tipo de glamour sem intenção, animalesco. Nos moldes de Gaga, que surgiu antes dela, Ke$ha não quer ser a perfeita popstar das capas de revistas. Ela quer ser aquela que vai servir de apoio, de identificação, para uma geração que encontra tudo isso na música pop. E isso não é só reconfortante, mas é também muito bonito. Nada mais emocionante, afinal, do que ouvir alguém cantar “estou apaixonada pelo que somos, não pelo que deveríamos ser” enquanto o resto do mundo está tentando te fazer mudar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

11º MANDAMENTO - Não esquecer você.

Disse o Padre, ao coroinha, na sacristia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

AMORTECIDO (por Gilberto Amendola)

(por Gilberto Amendola)


tanto choveu
que a lagoa secou
tanto se quis
que nunca chegou
tanto doeu
que agora parou

fui amortecido na queda
pelo colchão macio do esquecimento

não me lembro o que quebrou
nem qual fratura me expôs
aos olhos de tanta gente

sou um fantoche de mola
no seu presente de grego

surpresa!

vou-me embora daqui
vou me fazer feliz
se não morrer
vai ser por um triz

o amor é um continente
gelado
sou mais o verão
desligue esse ar-condicionado.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Adesivo da Família

A primeira vez que vi um desses adesivos da família, ou melhor, a primeira vez que entendi do que se tratava, achei loucura. Como alguém poderia se expor de tal forma? Parecia a minha mãe nos tempos do orkut. Chocada.

Pensava que era entregar o ouro nas mãos de assaltantes. Ei, por favor, sequestre meu filho. Ou no caso daqueles que é só uma mulherzinha: Por favor finja bater no meu carro e me estupre.Depois achei que era exagero meu. Law and Order SVU demais. Certeza. Bem que eu falava pra minha amiga Lorena, que adora, que aquilo não fazia bem pra alma.

O curioso foi ver depois esses adesivos em um episódio do Dexter, na temporada do Trinity, o serial killer que sequestrava menininhos. Um deles ele sequestra depois de colher informações nesses adesivos da família. Bem, eu não era tão insana assim. O risco existe. Pelo menos na minha cabeça e do roteirista do Dexter.

Depois a tia da banca de revista me disse que viu uma matéria na Ana Maria Braga, e meu pai também leu uma matéria do Estadão, disse que falavam que era um convite ao sequestro. Viu? Viu? Muito perigoso.

Adesivo vai, adesivo vem, até que já não achava tão arriscado assim. Eu moro em uma cidade no interior de Minas, acho que não temos muitos assassinos em série por aqui, não é mesmo? E é bonitinho, gosto da valorização da família quando muitos apontam o contrário.

Gosto de ficar no trânsito olhando aqueles bonequinhos e imaginando a vida daquelas pessoas. Gosto dos que tem a figura dos avós, acho fofo. E corajoso aquele com quatro filhos, hoje em dia, com o preço que está uma escola? E aquele casal mais sete cachorrinhos enfileirados? Espero que sejam da raça pinscher. Vejo a figura de uma mãe e duas crianças, esses aos montes, e fico pensando na separação. Será que as crianças sofreram? Crio toda uma novela ali, enquanto não abre o sinal.

Agora, o adesivo da família mais legal que eu vi foi esses dias no shopping. Achei tão bacana, tão peito aberto, que resolvi tirar uma foto pelo celular e publicar aqui. Não é bonito?


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Justiça ateísta

Aluguei um filme ruim. Até começou bem, mas do meio pro fim era um delírio completo. Sinédoque tem ótimos atores, produção impecável, mas o diretor Charlie Kaufman errou feio na mão. Em vez de duas colheres de açúcar na caipirinha, Charlie colocou sete e disse "pode tomar, está gostoso". Gostoso uma ova. Ficou horrível. Não quero mais. Tanto que nem vi até o fim. Dormi no sofá.

O meu sono foi tão profundo que quando eu acordei a locadora já havia fechado. Teria que pagar duas diárias por aquela maluquice. Mas tudo bem, acontece. Confesso que não tenho muita paciência para baixar filmes e seriados no pirate bay pra ver no computador. Às vezes eu faço isso, mas só às vezes. Vi toda a primeira temporada de Mad Men desse jeito. Mas ao começar a segunda, perdi a peciência com aquela rotina episódio 1, legenda 1, episódio 2, legenda 2, etc. Entrei numa Saraiva e comprei a segunda e a terceira temporada. Fiquei feliz com a compra. Na própria loja eu li que a série era inapropriada para menores de 16 anos e que continha cenas com drogas lícitas. Caiprinha, whysky, cerveja. Mas que coisa. Eu era um usuário de drogas lícitas.

Ao ver os filhos de Don Draper aparecendo frequentemente no início da segunda temporada, me lembrei da classificação de 16 anos. As crianças, que devem ter no máximo 8, podem assistir o trabalho que elas mesmas fizeram? É ou não é inapropriado? E o que dizer das cenas bizarras de adultério. O Don Draper trai a esposa no seu carro com uma periguete, chega em casa, lava as mãos (e a boca!) na pia da cozinha e vai falar com os filhos pequeninos. Pode isso, Arnaldo? Estes atores mirins, seus colegas de escola, também mirins, porém menos talentosos, não ficarão traumatizados com uma coisa dessas? E se não bastasse toda essa sacanagem ou puta falta de sacanagem, o DVD não vem com legendas em inglês, somente português e espanhol. É assim que os realizadores querem que as pessoas deixem de ver de graça na internet? Tinha que ter making of, legendas em alemão, russo, espanhol argentino, bastidores. Ok, não precisa disso tudo. Mas não ter as legendas em inglês é frustrante.

A primeira coisa que eu fiz naquele domingão de sol foi devolver o filme surrealista. A locadora fica bem perto da minha casa. No meio do caminho, andando distraído pela calçada, me deparo com um papel rosa. Estava dobrado. Me aproximei e vi que era uma nota de dez reais. Peguei a nota, olhei em volta, esperei mais uns dez segundos para ver se o dono não aparecia e segui em frente sem colocar a nota na carteira. Entrei na locadora e perguntei quanto ia custar as duas diárias.

- São 10 reais.

Depois de tudo que eu passei com aquele filme bizarro, pensei em justiça divina. Mas como eu não acredito em Deus, aquilo lá foi justiça ateísta mesmo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

love is a looping game ( by lucas guedes)


só quem chorou por alguém no chão de uma cozinha ou quem morreu cem vezes por amor pode entender a amy. ainda não passei por nenhuma das situações, por isso não entendo, mas é só isso que pensei quando soube de sua morte há poucos dias.

difícil lembrar a primeira vez que ouvi amy. acostumado a garimpar bandas novas na internet e a ler revistas internacionais, me deparei com uma tal nova musa do soul, uma nova billie holliday, uma nova diva. e nem precisei escutar duas vezes pra ter certeza disso. uma cantora diferente das que estavam alcançando as paradas de sucesso, uma artista sem pré-fabricação, sem molde. a voz um tanto debochada e composições de letras fortes me chamaram a atenção. as confusões em que se metia também. cheguei a publicar algo no meu blog em 2007, mas sem me aprofundar. era uma paixão que surgia e crescia, contagiando também aqueles que me rodeavam. não foi à toa que no sábado, dia de sua morte, recebi ligações, mensagens no celular e pela internet de amigos e familiares me contando sobre o ocorrido. senti muito, a ponto de me desligar por umas horas do mundo. foram horas de silêncio, no chão do meu quarto, pensando em sua contribuição para música, mas também em sua vida.

pensei nas letras, na sinceridade, na coragem que essa mulher tinha ao escrever, por exemplo, que chorava por um cara no chão da cozinha ou então que foi pra rehab e o homem disse que ela estava apenas depressiva ou pior, admite que seu amado voltou pra outra mulher enquanto ele morria centenas de vezes! como não se emocionar ou não se identificar, ainda mais acompanhando sua história e sabendo que ela não fazia tipo. não compunha músicas pensando apenas na vendagem dos discos, mas em expressar suas dores, ideias, palavras.

aí lembro da minha ida à londres e da minha decepção ao saber que ela estava internada. percorri vários lugares que ela visitava, seu tatuador, as lojas e pubs de camdem e me sinto feliz por saber que estava compartilhando ao menos os espaços que ela frequentava e, assim, me senti bem. e lembro então do show, naquele momento marcante que só eu e ela sabemos porque chorei tanto do início ao fim de uma música. e penso que é isso mesmo, amy não morreu cedo, não foi prodígio, nada disso. ela viveu muito. viveu tanto, tão intensamente... que morreu.

apesar de nunca ter chorado por ninguém no chão de uma cozinha, me vi sentado no quarto, encostado na parede, com um copo de vinho de uma festa do dia anterior, esperando minhas lágrimas secarem sozinhas por causa da morte da maior cantora da minha geração, amy winehouse.

domingo, 31 de julho de 2011

Leitura Desarmônica de Poucas Horas de Férias


Texto que deveria ser postado no dia 11 desse mês
Mas ele e minhas férias não existiam ainda



abraços
Dexter
irmão e drogas
queijo
mamão
saudade
porta do banheiro quebrada Micróbio do Samba
Helena Bonham Carter
cardigan Thiago Renata
Mari
mullets
chicória saudade
abstinência {nem ligo}
alavanca Esses Moços Matrix
Cucurrucucu Paloma
promessa

sábado, 30 de julho de 2011


Quero
Tuas palavras no meu papel
Teus sussurros no meu sonhar
Tuas mãos nos meus cabelos
Teus beijos atrás dos joelhos
Teus braços me aprisionando
Teu cheiro me consumindo
Teu corpo me alimentando
Tua alma me penetrando...

Lai Paiva

sexta-feira, 29 de julho de 2011

"A memória da gente é safada: elimina o amargo, a peneira só deixa passar o doce."

Alguém comentou e eu concordei. A combinação de: vinho-quente, depressão, frescura no rabo, insônia maldita e tpm das bravas é péssima. Fiquei me perguntando que porra é essa? Retiro, porque relendo, nem eu entendi. Peço desculpas. Em agosto tento de novo ok. Mas sem vinho, sem depressão, sem calça jeans, sem tpm e blá blá blá e de preferência sóbria. Aceito o conselho: se beber não escreva.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Atenção senhores passageiros, dêem boas-vindas à insegurança

O que vou falar hoje é tão pessoal, mas tão!, que não sei se cabe pra todo mundo. Mentira, cabe sim e eu tenho certeza. Se você acha que não cabe, leia de novo, do começo ao fim. E procure uma brecha pra encaixar isso na vida. Fará toda diferença.

Há alguns meses vivi um drama. Uma decepção, na verdade. Não é fácil esperar demais das pessoas e não receber nem uma flor em troca. Enfim, isso tinha que acabar e é bem verdade que acabou, antes mesmo do próprio fim, eu diria.

Essa não é uma história de superação. Nem um post de auto-ajuda. Mas é pra mostrar como é possível que uma atitude ou outra te eleve do degrau-escória pro degrau-oi-sou-linda-deixa-eu-ser-feliz-e-não-canse-minha-beleza.

Bom, depois dessa crise – que por sinal foi uma das maiores da minha vida – eu percebi uma coisa em mim: tenho preguiça de sofrer. Ou melhor, MORRO de preguiça de sofrer. Meu sofrimento durou, sério, 2 semanas, exatamente. Quando me dei conta de que aquele chororô todo não ia me tirar do lugar tampouco mudar o que já tinha acontecido. Sai fora. E eu saí.

E tive uma experiência redentora. O maior problema de você encarar uma crise é não saber contorná-la. Crise todo mundo tem, momento ruim, igualmente. É bem aquela história de ficar sem reclamar. Se você não contorna a situação desagradável, ela vira um carma! Uma nuvem escura e sombria! Uma fumaça! Um caos! Um infeeeerno! (ufa.)

Às vezes, uma fase que parece ser a pior das piores, se você transformá-la, pode ser bastante digna. A crise é uma ocasião do crescimento. A crise é inesperada. Ninguém espera que um dia vá sofrer. Ninguém passa a vida pensando que tudo de maravilhoso que se teve um dia pode desmoronar e, bingo, tensões e mais tensões e mais confusões e choros e dramas e o mundo caiu, cataploft.

A gente passa a vida toda desejando estabilidade e segurança. Claro que isso é bom, e até necessário eu diria. Mas a estabilidade nos leva à acomodação. Deixamos tudo no piloto automático quando está estável, e às vezes é necessária uma turbulência para nos tirar o chão e nos devolver o ar próprio.

O avião. Todos viajando calmamente, como se não estivessem a trocentos metros do chão, planando naquele céuzão imenso e desafiando loucamente a lei da gravidade. E uma segurança que todos possuem: nada parece que vai acontecer.

De repente, uma turbulência. E os passageiros se dão conta de que, sim!, essa não é uma situação tão plena assim, nem tampouco segura. Um cachoalhão, ou uma crise, que te tira a estabilidade e te faz pensar em milhões de coisas para que não se agrave mais. A turbulência passa, e você fica mais esperto.

E é dessa maneira que se cresce. Às vezes é preciso desejar a insegurança de um momento, para que a turbulência, o cachoalhão, o pontapé, agitem seu mundo e te traga uma nova maneira de enxergar a vida. Não se acomode, gere suas instabilidades. Elas não são confortáveis, mas são necessárias.

E se durante o vôo você se encontrar em queda livre, não se desespere! Leve seu assento, ele é flutuável. Eu nunca ouvi falar de ninguém que morreu de crise.




























Pronta pra mais uma viagem.



~ Agradecimento especial para Pamella Martelli, meu porto seguro (e inseguro!)

Foto por: JGI/Jamie Grill

twitter: @tabataaa
fiz um tumblr! vê lá a bobagem: Pop She Bop

terça-feira, 26 de julho de 2011

dos deslocamentos

no mês passado, o dia 26 passou em branco. fiquei desolada quando me dei conta. havia encerrado um momento importante do meu trabalho na universidade que eu resolvi considerar como o fim de um ciclo. estava exausta. talvez daí o "branco".
 
desde então, percorri longas distâncias. e ainda agora estou bem longe de casa. há um modo mais simples de dizê-lo: saí de férias. mas se o digo de modo tão grave é porque estas distâncias são também interiores. dizem respeito também às decisões. deslocamento é uma palavra bonita, não? e também misteriosa. nem sempre percebemos, mas tem a ver com desapropriação, com não-lugar. é um desarranjo nos dias e, por consequência, uma perturbação no corpo. 
 
e só traz consequências interiores se, junto com o deslocamento, acatarmos essa desapropriação, essa perturbação com desejo. em palavras mais simples, não adianta viajar se for para continuar vivendo como se estivesse no aconchego da casa, querendo as mesmas comodidades. é preciso deixar-se perturbar. abrir espaço para o inesperado, para a surpresa, mesmo que nem sempre seja boa. talvez esta seja a busca mais necessária::: em cada lugar, acatar o que há de vir com voracidade.
 
a imagem,  então, ainda é a mesma do dia 26 de maio: a do desejo. porque tenho cá para mim que sem desejo só resta a imobilidade; o oposto do deslocamento. sem desejo não há como querer fazer do até então desconhecido algo conhecido.
.
. 

domingo, 24 de julho de 2011

Mudanças Expressas

Há muitos anos eu li que a vida tem o péssimo hábito de nos surpreender. E é um hábito do qual ela não parece ser capaz de se desfazer, devo dizer. Digo isso porque essa frase não é recente na minha vida e ela sempre fez sentido.

Um dos nossos problemas é o de querer ter controle. Modificar as coisas para que se encaixem no que desejamos. Não funciona assim e eu percebi isso pelo comentário de uma mulher que não tinha tido nenhum contato com psicologia até que resolveu fazer terapia, tempos atrás. Na época eu já estava na faculdade há dois anos, mas nunca havia parado muito pra pensar no que se realiza numa sessão de atendimento. "Estou fazendo terapia porque não dá pra mudar os outros". Isso foi de uma simplicidade tão complexa que parei pra pensar. As surpresas vêm de onde menos esperamos, mas elas vêm. Eis aí outra certeza.

Quem me conhece sabe que uma idiossincrasia minha é a do meu relógio que funciona pela metade. O mostrador digital nunca me deixou na mão, mas os ponteiros costumam ficar parados e andam só quando estou, sei lá, perto de uma área com intensa atividade eletromagnética. Ou onde será a próxima janela da ilha de Lost. Enfim. Na sexta-feira eu fui a uma relojoaria perto do trabalho e resolvi trocar a bateria dele. Achei que aquele seria um dia de grandes acontecimentos e quis coroar fazendo meu relógio funcionar como um relógio. E qual não foi minha surpresa quando percebi, na mesma noite, que os ponteiros estavam parados de novo?

É. Só podemos aceitar a mudança mesmo. E/ou mudar nosso pensamento sobre ela.

sábado, 23 de julho de 2011

So hard


Tão fácil colocar a culpa em alguma coisa.
É o trabalho que odeio,
Não arrumo outro emprego porque estou gorda,
Não emagreço porque não tenho tempo para malhar,
Não tenho tempo porque só trabalho,
Vivo atrás de trabalho porque nunca tenho dinheiro,
Nunca tenho dinheiro então não me arrumo
Não me arrumo porque me odeio...

Aí você muda de trabalho, emagrece, ganha mais dinheiro, se arruma...

E descobre que não era nada disso que fazia sua vida uma merda.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Título em branco

Como não tenho parado muito pra escrever, nem pra pensar muito, e também tô quase sempre com sono, o que bloqueia todos os meus pensamentos, vou prestar-lhes um grande favor: farei vocês voltarem à infância! Fechem os olhos. Imaginem-se no meio do comercial da Faber Castel com a música do Toquinho. Imaginem que estão com uma folha qualquer de papel em branco nas mãos e que têm o poder de fazer qualquer coisa que quiserem. Só que em vez de desenhar castelos, luvas e guarda-chuvas, vocês vão formar palavras, e com elas, textos. E em vez do papel vocês tem uma linda tela com um espaço branco e um teclado.
Vocês têm o poder de transformar essa tela em uma janela para o seu mundo, onde qualquer pessoa pode entrar e ver tudo que você quiser mostrar. Não é fascinante?? Então, criem! Deixem a imaginação fluir! Imaginem no lugar deste post a história que vocês quiserem, uma poesia, uma crônica. Deixem-se ousar, sem o pudor de quem conversa cara a cara.
Ah, ok. Vocês já fazem isso. Então esqueçam e me deixem dormir.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

novo mundo

Mudou a cara, as roupas e as falas.
Varreu a casa, limpou os armários, trocou a cama e as cortinas.
Trocou de emprego, de amigos e caminhos.
Mudou a alimentação, o gosto musical, o nome e os hábitos.

Não dorme mais à noite.
Não bebe, não fuma e não fala mais palavrão.
Não tem mais amores nem história.
E nem mais nada que te lembre nesse mundo aqui por perto.

domingo, 17 de julho de 2011

A meninona da novela

Acontece dia sim dia não. A pessoa olha pra mim, fica quieta alguns segundos, vira a cabeça um pouco de lado e solta:

- Nossa, você é a cara da menininha da novela!


Todo mundo me falava e eu não acreditava, que bobagem. Quando a menininha fazia crueldades na novela das 8 (às quais eu nem assistia), vinha alguém contando o que ela tinha feito. Hoje ela fala com sotaque caipira e as comparações continuam (até porque meu linguajar sulista destoa um pouco na selva de pedra).

Minha irmã fez a montagem e eu dei o braço a torcer. Só fico chateada com uma coisa. Se eu tivesse ficado famosa antes dela, a comparação seria contrária (e mais certa!). Quem é a minha cara é ela!

E aí, Klara Castanho, é ou não é verdade?



*Para Paula Fernandes, que também se diverte com a comparação com a sua homônima.

Early Adopter

Tenho a sensação de sempre estar atrasado, somente nesse final de semana iniciei o acompanhamento ao Lost. Somente após aos 30 penso ir à Dineylândia, comprar muamba em Miami, somente depois de meses que os meus amigos começaram a inventar de tomar cervejas gourmets de frescos, comprei a minha primeira alemã, no final do ano passado começar a usar Wii, a loucura dos sedãs japoneses invandiu a minha mente, os grupos de compras fazem parte dos meus spams, Harry Potter somente zerei no mês passado e assistirei o novo, com uma semana de atraso e pela primeira vez irei no IMAX 3D, smartphone com Android somente agora...Definitivamente não sou um early adopter.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Entre o prego e as chuteiras

Há mais de dez anos eu soube que alguém se referiu a mim como “aquela que tinha tudo para dar certo, mas bateu na trave”. Senti-me ofendida, pois além de não curtir muito futebol, eu não concordava com aquela opinião.”Bati na trave, só que a partida ainda não acabou”, respondi, enquanto fingi descaso.

Após os tantos tropeços que sucederam aquela profecia maldita, a metáfora da trave se tornou meu mantra da lamentação. Quantos gols perdidos... e nem foi por corpo mole. Bom, não sempre. Antes eu nem chutava, por medo do erro e das vaias. Hoje chuto desesperadamente. A minha mira, entretanto, não é das melhores.

Eu ainda não abandonei a camisa, mas minhas articulações já estão bem gastas e eu posso ouvir os berros histéricos do meu técnico interior me ameaçando. É hora de acertar, para variar. Espero desta vez ouvir um grito de gol ao invés do habitual “uhhhh!” lamentoso da torcida.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Onde mora a felicidade

Conta ela uma história de uma terra que aos nossos ouvidos parece muito distante. Uma terra quase de fantasia. E narra tudo com um saudosismo estampado no rosto que em momento algum é escondido pelas marcas que o tempo deixou.

Terra essa que pode ficar em algum lugar entre Minas e Amazonas, entre Pasárgada e Macondo. Terra em que os campos iam até onde a vista se perdia e o povoada era cercado de uma floresta grande e carregada de mistérios e bichos que careciam de nomes e eram batizados de forma arbitrária entre ela e seus irmãos.

Insiste ela em dizer que comia melado todo dia e todo o tipo de comida preparada em gordura de porco com farinha e que ainda sim tinha saúde de ferro e que não existia nessa época as doenças que existem hoje.

Diversão era desbravar o mato, nadar nos açudes – era uma exímia nadadora – e dia feliz era quando fazia frio e sua mãe dava a ela e a suas irmãs canequinhas de leite com melado de cana. Nesses dias, mal dormiam ansiosos para verem o efeito do frio sobre as canequinhas de ferro deixadas no sereno ao lado do poço para que pudesse virar um picolé. Isso sim era ser feliz.

Conta ainda história de onças que tinham suas patas decepadas por invadirem as casas feitas de palha, no meio da noite, para comerem as crianças recém nascidas e de cobras que no silêncio da madrugada, rastejavam sem nenhum sibilar e mamava na teta das mulheres que ainda amamentavam seus filhos.

Havia ainda, narrativa de longos passeios em cavalos até o entardecer nos campos ao redor do sítio que causava a ira de seu pai. Aventuras dentro da mata com animais que grudavam nas roupas e jamais soltavam; histórias de lobisomens que amedrontava todas as crianças da vizinhança.

Triste apenas, conta com lágrimas nos olhos, sobre seu irmão preferido que, em sonho, veio se despedir dela com um beijo gélido e molhado e dizer que agora estava tudo bem e que não a queria triste, antes mesmo de receber a notícia na manhã seguinte, de sua morte por afogamento no mar.

Nessa terra, povoada de magias e perigos, faz nosso pensamento ir longe para tentar achar onde ela se situa. Todo encantamento que lá existia é fácil perceber no brilho dos olhos de uma criança mesmo que tenham se passado mais de 50 anos.

Mesmo com os questionamentos de dúvida e as nossas caras de descrença ela continua a contar essas e muitas outras, sempre jurando e atestando a veracidade de cada uma delas. Todas, ela conta e lembra com enorme saudade, ainda mais quando na presença de sua irmã que voltou a ser criança, mesmo num corpo de velha.

Essa terra na qual mora a felicidade, eu ainda não encontrei, mas feliz sou eu de escutar essas e outras tantas histórias, podendo olhar nos olhos dela e viajar nesse mundo que se perdeu no tempo e no espaço.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Passado e presente que envergonham

Quando escrevo olho para dentro.Mas as vezes o que vem de fora agita o mar interno.Sempre repito um mantra- Não se surpreenda mais com o horror do mundo! Tento repetir isso todos os dias .Mas o mundo sempre me surpreende.Alguém  disse - Não perca nunca essa capacidade de se surpreender. Na verdade não me surpreendo tanto, apenas me horroriza o que acontece.
Palavras tem peso. Um budista disse  ` São como pregos, depois de martelados você pode tirar ,mas a marca fica ´ . Se falar tem peso, imagine escrever! Peso dobrado.
Li uma entrevista de um comediante, fazendo uma piada sobre estupro. Chamam isso de liberdade, de quebrar todos os muros da hipocrisia e coragem de não ser politicamente correto.
Desde quando a dor alheia seria hipócrita ? Desde quando fazer piada com isso seria um sinal de liberdade de expressão ?
Existem dores na alma humana que por respeito não se mencionam.As pessoas não tem tanta coisa em comum, a única coisa que nos une é que todos temos uma alma e ela tem seus lugares reservados e que exigem respeito.
Foi além de uma piada infeliz porque o Brasil é um dos países com o maior número de violência sexual contra mulheres e crianças.Qualquer coisa que possa parecer um incentivo a isso deve ser punido.
Esse comediante pertence a elite rica e branca .Parece que ainda estamos nesse Brasil dos coronéis. Como aquela história de meninos ricos entediados colocando fogo em índios e espancando mendigos.A ignorância, a prepotência da classe economicamente superior. Qual a diferença hoje ? Eles se vestem de comediantes,mas no fundo ainda carregam o mesmo pensamento, fazem piadas com o que realmente acreditam. Fazem as leis e ainda são a pior parte da história deste país, os filhos dos coronéis,que escolhiam as escravas para serem estupradas e espancadas.Essa mentalidade de  `coronéis podem tudo ´ ainda nos persegue .Atrasa o país, atrasa a todos .Quando aceitamos uma piada assim aceitamos continuar presos a ignorância, aceitamos repetir um passado que deveria nos envergonhar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

paranapiacaba

Erros de Interpretação Sonora


Vou contar quatro passagens da minha vida, e quem tiver uma parecida, eu

apreciaria muito escutar!


Primeira:


Quando eu era bem pequena, na década de 80, a Xuxa estava em alta. Eu era

reversiva naquela época, e assim como minha cor favorita não era rosa, na hora de

brincar de casinha eu brincava de vampiros (até começar a novela vamp, e virar

modinha) eu ouvia Mara Maravilha e não Xuxa.
Como não tinha dinheiro para os LP´s meu pai emprestou de alguém do serviço, e

gravou para mim 3 fitas da Mara, que eu ouvi exaustivamente, e ainda cantarolo

hoje. Também, claro não tive o encarte com as letras, e aprendi ouvindo.
Naquela época eu gostava muito de comer espiga de milho cozido, e depois de comer

todos os grãos, sugava a água salgada e quentinha que ficava no sabugo.A Mara

cantava uma música em que parte dizia " para agente começar tudo denovo" e por anos

eu cantei "para gente comer sabugo denovo"
Fazia muito mais sentido para mim assim.



Segunda:


Na mesma época, no interior algumas crianças amigas minhas cantavam o sucesso dos

engenheiros do hawaí : "Era um garoto que como eu, amava os bichos e os Rolling

Stones" Ecológico pacas! Eu reparei por que sabia quem eram os Beatles, mas para

eles era assim, e os rolling stones eles cantavam sem nem sequer saber quem eram.

Terceira:


Alguns anos depois, na minha adolescência, achei um cd do cidade negra, banda que

ainda gosto, o cd achei sem encarte nem capinha, mas nos anos 90 cd era caro, e

fiquei com ele para mim. Tem uma música chamada "Downtdown" que tem um trecho que

diz: "Que na Jamaica em Montego Bay, numa favela ele viu nascer um rei" Claro que

mais uma vez sem o encarte, eu nunca ia cantar montego bay, e eu escutava e

cantava: "Que na Jamaica tem um monte de preto, numa favela ele viu nascer um rei".

Não faz muito tempo que parei pra pensar que a música podia ser um pouco racista, e

fui ver que eu estava cantando abobrinhas.

Quarta:

Já na minha fase adulta, no começo dela, faz uns dez anos, viajei com uma amiga

minha para praia, e sabe aquela famosa música :"Amar é um deserto E seus temores"?

ela cantava: "Amarelo deserto e seus temores".Pois bem! O deserto é amarelo.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

QUERO ME COMER

   Alcatraz, Fuga Impossível é um filme, do finalzinho dos anos 70, estrelado  por Clint Eastwood, que conta a história verídica de Frank Morris, um sujeito que conseguiu meter o pé daquela que, talvez, tenha sido a  prisão de segurança máxima mais conhecida do mundo e que nunca mais foi visto.

      Pra quem tá lendo essas primeiras linhas e já tá apostando que o meu texto é sobre cinema, quebrou a cara feio.  Comecei falando do filme porque, ultimamente, tenho pensado muito nele.  Tudo porque voltei para a academia.  E toda vez que eu tô lá, me matando no crucifixo inverso, me  vem à cabeça a  história do Morris e toda a sua aventura para fugir daquele lugar.

     Tá, eu odeio academia.  Mas se odeio, porque tô malhando, então?  Explico:  eu  fui uma criança muito, muiiiito franzina.  Magrelo mesmo.  E como na  minha geração existia o pensamento que criança saudável era criança rechonchuda, toda a comida e vitamina que me puseram pra dentro, um dia, fez efeito.  Daí, já viu.  O molequinho puro osso se transformou no adolescente fofinho que não quis se tornar o adulto fofão e que, portanto, tratou de brigar com a balança.  Ok, eu venci a disputa (acho).  Perdi todos os quilos extras e, desde então, nunca mais voltei a engordar.  Acontece que prum cara de 1,70m (descobri na avaliação que, na verdade, é 1,68m, mas nem fodendo eu dou o braço a torcer) com menos de 60 kg, um corpinho mais definido não caía nada mal.  E lá foi o Marcelo pro "Projeto Verão Intenso", prometendo que  a estação mais quente do ano é minha, vou abalar corações e pegar geral; mulher, homem, cachorro e bananeira.  Respirei fundo, criei coragem e procurei a academia mais próxima.  Fiz matrícula, avaliação e parti pra primeira aula.  E enquanto sujava as calças fazendo o tal crucifixo inverso, me imaginei o próprio Clint, traçando planos mil pra me mandar dali e refugiar na biblioteca mais próxima.

     Lembrei de todas as situações vexaminosas que passei das outras vezes que malhei.  Já morri levantando “pesinho-de-mulé”, já fiquei preso no Leg Press, já fui pego pelo professor roubando na série, mas o grande ápice foi quando, um dia, esperando minha vez num aparelho, fui abordado por um rapaz, perguntando se eu queria revezar.  Revezar soou muito gay, de cara.  O que não é exatamente ruim pra quem que pegar mulher, homem, cachorro e bananeira.  Revezei, né?  O pior mesmo foi ter que vê-lo se requebrando diante do espelho, enquanto eu punha os bofes pra fora, se olhando e desejando, mordendo os beicinhos como quem diz “EU ME AMO, EU ME AMO, EU QUERO ME COMER!”. Saí de lá antes que ele me comesse e fui afogar as minhas mágoas  lendo Tolstoi e tomando Milk Shake, jurando que, só morto, pisava novamente num lugar daqueles.

     Paguei a língua, né?  Tô eu aí, mais uma vez, tentando dar um tapa no corpitcho.  E, dessa vez, juro que não desisto, mesmo levantando “pesinho-de-mulé”, mesmo ficando preso no Leg Press e - OH, CÉUS - tendo que encarar os EU ME COMIA que encontrar pela frente. 

     Ah, se eu fui pra academia hoje?  Bem, hoje não, né?  Sabecumé, tinha o post do Blog das 30 Pessoas pra escrever.  Mas amanhã, eu juro, tô lá...  Firme.  E forte.

  


     
       Eu acho.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Geração tédio.

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Deixa eu ser sincero um pouco: no momento é perto da uma da manhã do domingo, dia 03, e enquanto o Lady Antebellum estoura no meu headphone (a música do momento é “Our Kind of Love”, se é que interessa para alguém), eu paro minha atividade usual de falar besteira no Twitter para me lembrar que tenho apenas três dias para escrever para o Blog das 30 Pessoas. Os leitores me perdoem, por favor, mas vou decobedecer a regra dos meus últimos dois posts aqui no blog e não vou falar sobre cultura. Sem recepções calorosas e lutas pela liberdade de expressão, como fiz com o clipe “Judas”, da artista pop Lady Gaga (aliás, “Edge of Glory”, o sucessor do mesmo entre os singles do novo álbum, causou polêmica, veja só, por não ter causado polêmica nenhuma!). Sem dicas pseudo-intelectuais de contos de papas da ficção científica cuja visão classuda do fim do mundo coube bem ao tema do mês.

Não conheço a rotina de todo o pessoal aqui do blog, mas imagino que uma boa parte de vocês já trabalhe, e uma outra parte continue estudando (no meio desses, num daqueles desenhos de “conjuntos” da matemática do Ensino Médio, os que fazem as duas coisas, pobres coitados). Bom, eu não trabalho. Então o que eu vou dizer aqui vai soar a coisa mais fútil do mundo para muitos de vocês, mas faz parte do que eu tenho observado dentro da minha geração, na minha realidade. Aos 16, 17, 18 anos, nós somos a geração do tédio. Um tédio que talvez faça de nós, também, a geração que mais busca saber das coisas, se aprofundar no que realmente nos interessa e buscar nosso próprio caminho por aí. Além da geração do tédio, somos a geração da nerdice, se é que sou autorizado a usar essa palavra por aqui. Tomo a mim mesmo como exemplo. Talvez você me ache alienado, mas eu não assisto ao Jornal Nacional, e quase tudo da minha consciência de política brasileira não vem do Estado de São Paulo. Vem do CQC. Mas isso é mérito para outra discussão. A questão é: eu nao sei de muita coisa. Mas eu sei muito do que eu tenho vontade de saber.

Talvez seja o bem (alguns diriam, o mal) da globalização, do acesso fácil a informação, da liberdade de expressão e circulação que acontece na Internet. É fácil você se tornar um especialista, com um pouco de curiosidade e uma certa habilidade em lidar com as ferramentes online. Mas ainda é preciso querer. E, observando por aí, estando no Twitter todos os dias e conhecendo gente com quem eu posso discutir tudo o que eu mais gosto e sei (leia-se música, cinema, literatura popular e cultura em geral), e ainda ganhar amigos no processo, eu não tenho mais vergonha de pertencer a minha geração. Dizem que os melhores não estão a frente do seu tempo. Eles estão no tempo certo, e o resto do mundo está um passo atrás.

E que assim seja, por hoje. Pode ser que eu esteja falando um monte de besteiras. Ainda no Lady Antebellum (“When You Got a Good Thing” é a que fecha a produção desse texto, tendo passado por todo o tracklist do segundo álbum da banda, Need You Now, altamente recomendado para os amantes e não-amantes do country). Passada já a primeira hora do domingo. E a segunda-feira, para mim, não vai ser segunda-feira. O doce, doce sabor do tédio.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A senhorita Misunderstood e o DJ (por Gilberto Amendola)

Caio tem medo de sangue. Não podia ser médico. Caio tem medo de altura. Não podia ser bombeiro(nem piloto de avião).Caio nãoé bom com números. Não podia ser engenheiro.Caio tem escrúpulos. Não podia ser político. Caio não é engraçado. Não podia ser stand-up comedy. Caio virou DJ. E estava satisfeito com sua escolha profissional.

Aliás,o próprio Caio tinha pudores em chamar seu ofício de profissão. Era, digamos, uma diversão remunerada. Algo que ele havia aprendido sem esforço, meio bêbado
e pulando de festa em festa (quase como frequentar uma faculdade de jornalismo). Ser DJ desobrigava-o de crescer. Atrás das picapes, poderia esticar sua juventude até uns 40, 45, 50 anos.

Como DJ seu único compromisso era manter a pista acesa e, vez por outra, questionar-se sobre a apelação que era tocar uma sequência de The Strokes, Arctic
Monkeys e The Killers.“Sou o ‘Datena’ do Indie Rock’”, pensava.

Para aplacar sua angústia – e agradar uns dois ou três amigos ‘especialistas’,encaixava uma faixa obscura da PJ Harvey entre Mr. Brigtside e Flourescent Adolescent.
Esfriava a pista, mas dava uma dignidade à sua arte.

Caio gostava especialmente dos fins de noite. Naquela hora em que a pista ficava praticamente vazia – parcamente ocupada por zumbis desesperados. Gente que ainda ansiava por um beijo ou por um último ‘teco’ antes do dia romper o fino plástico da madrugada.

Nessa hora, escolhia músicas que só ele queria ouvir. Sem se importar se iria ‘funcionar’. Num sábado do último mês de abril, Caio tocou Misunderstood, do Wilco (uma das sua bandas favoritas). Sempre fechava os olhos e cantava ‘pra dentro’ os versos: “You know you're just a mama's boy/ Positively unemployed/So misunderstood/So misunderstood” (Você sabe que é simplesmente um filhinho da mamãe/ Positivamente desempregado/ Tão mal compreendido/ Tão mal compreendido).

Mas antes que a música atingisse a parte que, segundo Caio, havia sido baseada em sua própria vida,uma garota ruiva (cabelo curtinho, olhos que variavam entre o
Castanho claro e o verde e uma tatuagem de estrela no ombro) postou-se em frente ao toca disco. No momento em que o cantor (Jeff Tweedy) perguntou, pela segunda
vez consecutiva, “do you still love rock and roll?” (Você ainda ama o rock and roll?),ela atirou-se para cima da aparelhagem e arrancou o disco da picape. Mordeu
o vinil. Arrancou um belo pedaço e foi retirada, sem nenhuma delicadeza, pelos seguranças da casa.

Caio lamentou o disco perdido, mas,desde aquela noite, não conseguiu mais tirar a tal ruiva da cabeça.Tinha uma sensação de que ela poderia aparecer a qualquer momento – e protagonizar um novo ataque de fúria.Torcia por isso. Queria entender o que havia acontecido, que pavio ele havia acendido ao tocar aquela música antiga
do Wilco (e o que aquela música, que ele também amava, representava para ela). Talvez ele estivesse apaixonado por uma garota maluca (que tinha visto por cerca de 30
segundos, no máximo). Talvez.

Caio virou um DJ esquisito. Insistia em Misunderstood várias vezes na mesma noite (só que agora usando um CD Player).Nãodemoroutrêssemanasparaqueeleperdesseas
Noites de sábado –e fosse encostado nas terças-feiras.

Mesmo ‘positivamente desempregado’, Caio continuava satisfeito com sua profissão. E dedicava às noites de terça, que batizou de ‘Senhorita Misunderstood’, para aquela musa surreal.

Contra todos os prognósticos, a noite do Caio virou um sucesso.
Terça passada, quando ele tocou A MÚSICA, uma ruiva apareceu no meio da pista e mostrou, desafiadora, a língua roxa de vinho tinto (e o dedo médio da canhota). Caio apertou o ‘repeat’ do CD Player e foi pra pista...

domingo, 3 de julho de 2011

Domingo

Envelheci e não aprendi a gostar de café. Quer dizer, acho que não gosto, porque as pessoas tomam xícaras e mais xícaras, enquanto eu malemá tomo uma, só pra despertar. Coloco na xícara e volto depois, quando já esfriou, para horror dos amantes da bebida. E nem é por sensibilidade nos dentes, só não gosto mesmo.

Envelheci e não aprendi a comer chocolate meio amargo. Que merda é aquela? Bom é chocolate ao leite, chocolate branco, chocolate belga. Doce. Doce. Quando eu como um chocolate eu quero comer algo que supra essa necessidade de glicose e não algo que amargue minha boca. Pior que chocolate meio amargo, só chocolate com menta.

Envelheci e não aprendi a gostar de sapatos. Principalmente com salto, o menor que for. Não aprendi a usar, nunca quis e continuo não querendo. Salto só pode ser invenção de um homem. Um homem mau. Uso sapatilhas, e já está de bom tamanho, mãe. Melhor que trabalhar de Bamba, mas às vezes, na sexta, eu ainda vou.

É, eu sou mais ou menos a mesma pessoa. Com algumas estampas do Mickey a menos, mas a mesma pessoa. A única coisa que eu sinto que realmente mudou nos últimos anos é minha relação com o domingo. Sabe como eu sei que é a idade? Lembrei daquela música tosca dos Titãs que fez sucesso lá por 94, 95. Eu achava a música maior nada a ver, e Topa ou Não Topa era super legal. Hoje eu ainda não gosto da música, mas entendo.

O domingo é o pior dia da semana, de longe. Domingo é um dia que eu quero fazer tudo, mas não faço nada. É incrível. Eu já acordo tensa. Fico o dia inteiro querendo fazer coisas,olho pro relógio, três, seis, nove. Fico pensando que estou perdendo tempo, que o tempo está passando, logo vou estar velha e não vou ter aproveitado a vida, e essas coisas, essas neuras. Decido sair por ai, andar no mato, soltar pipa, pescar, acampar, sei lá,tomar um simples sorvete que seja, mas tem alguma coisa que me puxa, que me segura, que acelera o relógio e faz com que eu não dê conta de fazer absolutamente nada.
São 22h e 37 min agora. Eu não tomei banho ainda, não jantei, nem arrumar a cama eu arrumei e obviamente não postei, ainda, porque domingo é isso, domingo é derrota. Eu odeio domingo. E ele já passou.

sábado, 2 de julho de 2011

O mistério do livro do senhor da barba branca

Eu estava prestes a cometer um grande erro. Tinha duzentos neurônios e trinta reais e noventa centavos a perder. Tomei coragem, respirei fundo e levei o produto até o caixa como se eu fosse um urso polar caminhando sobre o gelo fino. Não queria que nenhum cliente me pegasse no flagra.
- Tem certeza que você vai levar esse livro?
Um senhor de barba branca, camisa social e cabelo ralo penteado para trás fez a mesma pergunta que eu havia feito a mim mesmo minutos antes.
- Não - respondi. - Mas fiquei curioso. Acho que vou levar sim.
- Tá bom. Você que sabe - ele respondeu, colocando a tal coisa numa sacola.
Antes que você me chame de iletrado, saiba que as duas formas são possíveis. Tanto o “você que sabe” como o “você quem sabe” são aceitos pela língua portuguesa. Mas voltando à nossa historinha enfadonha, uma coisa é certa: eu não precisava ter comprado aquele livro. Bastava a leitura de no máximo dez páginas, em pé, em frente à bancada dos livros mais vendidos. Depois eu sairia de lá com o novo do Paul Auster debaixo do braço e o dono da livraria ficaria orgulhoso de mim, do Brasil, do mundo e dos pássaros. Ele poderia pensar que após a compra do Auster, ou então de um Scott Fitzgerald, os pássaros teriam um bom motivo para continuar a voar, cantar e defecar livremente na porta de entrada do seu estabelecimento.
Alguns anos depois, em consideração ao senhor da barba branca, passei longe das salas de cinema que exibiam o filme inspirado no livro. Devo dizer no entanto que gostei do que vi nos cartazes de divulgação. Normalmente só tem o nome do filme, os nomes dos atores principais e o dia da estreia. Mas dessa vez, além das informações básicas, a produção optou por frases bacaninhas que a meu ver ajudaram a vender o filme:
- Seu namorado quer ver? Então mostre pra ele.
- Vá com seu namorado, suas amigas ou sozinha. Só não vá com preconceitos.
- A história de uma garota de família. Até a cena 2.