sábado, 27 de agosto de 2011
Maconha na Holanda
quatro minutos
neste meio tempo também li um livro de Barthes. O neutro. E li Zero, do Loyola Brandão. E também Eles eram muitos cavalos, do Rufatto. De todos, é verdade que só sinto vontade falar de O neutro.
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continuo depois de hoje.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Quem foi? Quem foi?

Eu sou o mal que se esconde nos corações dos homens. E gosto de escrever quase tanto quanto gosto de referências obscuras.
Há alguns anos, me chamavam de "Imperador" e isso não tem nada a ver com o outro Adriano, o que joga futebol, conhece a lei do impedimento e sabe a distância que a bola deve ficar do gol na hora do pênalti. Aliás, odeio futebol. Mas não, não sou viado.
Tive um outro blog, em que eu assinava como "Nabucodonosor". Eu adorava esse nome e adorava aquele blog também. Tenho um puta carinho por ele. Pena que perdi quase tudo do que escrevi lá. Tinha umas paradas legais. E até consegui muitas coisas boas por causa dele. Alguns amigos, uns momentos muito bacanas.
Não gosto de me descrever. É pretensão querer dizer aos outros o que pensar de você. Mas tem umas informações que são imprescindíveis e que você não vai perceber de imediato. 1 - Eu sou ácido. 2 - Sou cítrico. 3 - Se pingar na pele, eu mancho. 4 - Bom humor é fundamental. 5 - Eu tomo banhos. No plural.
Acho que é isso. Dá uma lida aí. Você provavelmente vai gostar de algumas coisas, em outras vai me achar meio arrogante, mas garanto que vai sair daqui com algo mais do que quando chegou.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
All ending are beginnings
Amo ler. Livros, blogs, folhetos de mercado, panfleto de cartomante, rótulo de shampoo..
Tapem as orelhas dos meus outros livros, mas "As cinco pessoas que você encontra no céu" de Mitch Albom é meu preferido.
É sobre Eddie, um mecânico que viveu uma vida que ele considerava insignificante, sempre trabalhando em um parque de diversões, numa rotina sem sonhos ele se sentia um fracassado.
Ele morre no dia do seu aniversário de 83 anos tentando salvar uma garotinha que ficou presa num brinquedo do parque.
Ao acordar no céu encontra cinco pessoas que mostram como ele foi importante.
Logo no começo do livro esquecemos da garotinha, porque simplesmente não importa mais se Eddie a salvou ou não. Ele teve toda uma vida incrível e influenciou muito essas cinco pessoas.
Às vezes me sinto imprestável e inútil, como se tudo fosse uma grande perda de tempo. Nessas horas lembro de Eddie, lembro que tenho cinco pessoas me esperando no céu, querendo dizer o quanto são gratas por eu ter existido e mudado a vida delas, ansiosas para me ensinar tudo aquilo que eu ainda não entendo.
Eddie me faz lembrar que mudamos o destino dos outros em pequenas coisas, mesmo sem saber.
É a teoria do caos vista pelo lado bom.
Recomendadíssimo.
domingo, 21 de agosto de 2011
Domingo à noite é depressivo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Um cigarro, um carinho
"Não se levanta ninguém a pondo pra baixo"
Edi, Centralrockbar.
Ora se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim, dispenso a previsão
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Uns 30, 40 vagões de anos de distância
Perguntei ao homem sentado na estação de trem como se chegava a tal local. Humildemente, ele me passou a informação como se pedisse desculpas. "Não tem placa aqui, né? A gente desce perdido". Puxamos conversa mutuamente. O homem negro, de cabelos grisalhos, perguntou para onde eu ia. "São Paulo". Os olhos pequenos nostalgearam: morei lá. E quase como se não precisasse perguntar, ele completou: ali perto da estação Santa Cruz.
Encontrar um homem em uma estação de trem de Osasco, para quem eu justamente pedi informação, que morava perto de onde eu morava hoje era uma coincidência que não deveria surpreender. Mas surpreendeu. "Foi na década de 70, 80", os olhos se perderam na imensidão das palavras. "Eu andava de carrinho de rolimã na rua Loefgren”. E riu.
A Loef, apelido que lhe dei, é uma descida. É a descida que eu desço todo dia para chegar em casa. Imaginei o homem em versão miniatura descendo a rua toda pilotando o carrinho. Rindo. Difícil imaginar. A minha Loef é cheia de semáforos e carros desembestados.
Como moro numa travessa da Loefgren, falei o nome da minha rua, ele falou a dele e descobrimos que não fomos vizinhos por uns 30, 40 anos. Ele então me fez descobrir que onde eu moro hoje funcionava uma tecelaria, e que a lavanderia bem em frente ao meu prédio era da família de um tal de Marcos, que perdeu os movimentos acidentado em uma moto na rua debaixo. O homem se surpreendeu que a Lavanderia Mirassol ainda existisse. Depois, contou-me que na esquina em frente morava um tal de Rodolfo, homem grande (personalidade indefinida), “que nem sei se existe mais”, e os olhos se perderam de novo na imensidão.
“Tempos outros”, comentei, imaginando que a vizinhança toda deve ter se mobilizado com o acidente do Marcos, devaneando ainda que as crianças da rua deviam se reunir todas as tardes para brincar de rolimã. “Hoje eu não sei nem o nome dos meus vizinhos, não sei quem mora no apartamento do lado”, continuei.
O homem falou ainda um pouco mais, mas pouco, o calo no coração meio que pedindo arrego. Suspirou baixo bem umas três vezes enquanto conversávamos. O trem chegou, nos dispomos em frente a portas vizinhas, mas separadas por vagões distintos. “É, velhos tempos. Bons tempos” e entrou. O homem nunca mais vi. Me deixou com nostalgia de uma São Paulo que jamais conheci.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
terça-feira, 16 de agosto de 2011
lha do Medo
Fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos sonhos, como a dos amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados Unidos.Quando Machado de Assis escreveu o texto acima, jamais imaginou que os USA deixariam de ser um triple A e que a Europa teriam milhões de jovens que acordaram devido a impraticabilidade dos seus sonhos. Que o suor do seu trabalho e aquelas milhares de horas gastas em estudo não é garantia de nada, que terão lidar com o incerto e com o inseguro. Pior, não há como aqui o refúgio dos concursos públicos da inamovibilidade e a garantia do emprego eterno.
Well, agora os selvagens agora são eles.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Aula de probabilidade
sábado, 13 de agosto de 2011
Enfermo
Hoje fez um dia lindo no Rio de Janeiro. Um sábado de sol reluzente e céu bem azul. Me disseram pois não vi. Passei a tarde toda num hospital.
Fui apenas refazer um exame de sangue que tinha feito na quarta-feira para confirmar os efeitos da picada daquele mosquitinho sacana que voa por aí fantasiado de branco e preto.
Entre a minha chegada e todas as outras etapas passaram se quatro horas e meia.
A maior parte do tempo passei sentado, lendo Um estranho no ninho e escutando um tipo de bingo de nomes narrados por um computador com sotaque lusitano.
As cenas foram todas tristes; Várias senhoras precisando de atendimento, pessoas que foram assaltadas e agredidas, gente com dor e várias outras querendo atenção para suas enfermidades.
Durante a espera, o seu nome é chamado várias vezes numa tela com a indicação de onde você precisa ir. Você fala com várias pessoas e nenhuma delas toca em você, inclusive o médico que escuta os seus sintomas olhando para a tela do computador e digitando tudo sem parar.
Em horas como essa você fica frágil com a situação e triste com de tudo o que vê. Sem o peso dos 28 anos eu penso alto:
- Eu só queria minha mãe.
Mas nessas horas também você se sente humano ao extremo, se coloca no patamar de todas as outras pessoas independente de qualquer coisa. A dor e a doença nivelam.
Ao sair do hospital ainda escuto uma das atendentes dizer que é uma afronta trazer Copa do mundo e Olimpíadas para o Brasil na situação que a saúde se encontra. Eu concordo e saio.
Nessa hora o sol do dia bonito no Rio se foi, mas lá de dentro, entre sangue, tubos e agulhas, eu imaginei a praia, o mar, as ondas e pensei que tudo poderia ser pior.
Ao voltar para meu livro leio “a imaginação é capaz de atravessar qualquer prisão”.
Tchau sábado 13.
Bem-vindo Agosto.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Use com moderação
Fui educada demais, o que abriu espaço para ser sacaneada .Sim, porque muitas vezes mergulhamos na educação ,ficamos com vergonha de colocar limites aos outros e as pessoas passam por cima .
Adoraria ver meu passado e pensar que fui vítima .Mas não posso fazer isso .No meu rosto estava escrito -Trouxa !
Fui trouxa sim, meu ego me empurrava a ser uma menina boazinha, a não cair na boca de Matilde, então eu era um doce de mel .Passei por cima de mim tantas vezes que morro de vergonha de lembrar .
Tive azar, na minha vida cruzei com mais lobos do que cordeiros .Apanhei tanto que parei de dar razão a minha mãe .
Continuo educada,mas desenvolvi um sistema de merecimento .Que façam por merecer, já que eu também levei meus tapas .
Entendi que eu sou minha responsabilidade .Se existe Deus não me mandou com etiqueta de -Seja educada com os todos .
Cheguei aqui sem etiquetas, livre para ser o melhor que eu puder para mim mesma.
Hoje estou atenta ao meu espaço físico, emocional e moral .Não aceito mais que cruzem ele como se eu não existisse .Não aceito mais escutar coisas que me magoam ou me tiram do sério .
As pessoas atravessam como se você não tivesse opinião ou sua orelha fosse pinico.
Minha mãe fica chateada as vezes e me diz -Não precisa ser tão dura com fulano ou beltrano.
Mas logo respondo -Mas ele não foi mole comigo! Por que dar o que não recebi?
Ah, santa educação ! Minha mãe que tenha paciência .A educação que me deu serviu para que os outros me usassem como tapete.
Fazer o que ? Tive que me livrar da santa educação antes de que ela se livrasse de mim. É a lei da vida . Educação pode ser uma coisa ótima,mas neste planeta use com moderação .
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Depois das 10
Gosto da tua falsa cara de surpresa ao ver minha falsa cara de surpresa;E da implicância que tens porque eu vejo novela,
e faço o jantar ouvindo Tetê Espíndola,
e tenho descaso com meu gato,
e esqueço de comprar frutas;
Gosto de sentir, ao mesmo tempo, tua barba e tuas mãos em mim;
Gosto do jeito que apagas o cigarro
e do jeito que danças;
Gosto da louça suja que fica para a manhã,
dos anúncios que inventas enquanto tomamos banho,
dos projetos que não fazemos;
E gosto tanto dos minutos que ficamos em silêncio, abraçados na cama.
Mas, no escuro, sei que pensas em outro cara.
Por isso, e só por hoje, vamos trepar de luz acesa?
domingo, 7 de agosto de 2011
Alvos Móveis
Vem Cá... Eu Te Conheço?
Nesses anos todos navegando por aí, confesso que já me envolvi emocionalmente com algumas pessoas pela internet. Quem não, que atire a primeira pedra. Tá, foi tudo muito soft, no campo da brincadeira, coisa e talz. Mas confessso que já esbarrei com algumas Abbys, Angelas e Megans. Gente que inventa uma vida que não tem, cria um rosto que não é o seu - e o mais assustador é que, quase sempre, esses rostos têm donos, ou seja, eles roubam fotos em perfis de sites de relacionamentos -, criando uma teia de mentirinha onde, acreditem se quiser, tem gente que acaba por se envolver.
Pra quem gosta do gênero, fica a dica. Catfish é um ótimo filme - documentário, thriller, drama, ainda não sei como definí-lo -, que entrou fácil para a lista dos meus preferidos. Em tempos de Facebook e afins, bacana ver um filme que faça esse tipo de reflexão. Uma reflexão que, confesso, me assustou. A mim, pelo menos, que sou do tempo em que fazíamos amigos na escola, no campinho de futebol ou no cursinho de Inglês.
sábado, 6 de agosto de 2011
O animal dentro de nós, deixe-o viver e morrer.
Mês passado, em uma básica divagação sobre o tédio das minhas próprias férias, recebi alguns comentários no meu post aqui no blog sobre como ler o que eu escrevi esclarecia um pouco sobre a geração da qual faço parte. Lembro-me bem de terem dito: “seu universo não é o meu, e por isso gosto de te ler”. O mais curioso é que agora, de novo no dia 03, quando finalmente consegui a inspiração para elaborar meu texto para o blog, que deve ser publicado em três dias, é justamente esse assunto que me vem a cabeça. Sou uma pessoa muito inquieta, e muito analítica, e talvez nasça daí minha obsessão estranha por decifrar minha própria geração (e, no caminho, decifrar a mim mesmo). A título de mais um capítulo nessa viagem, acho que cabe aqui uma pequena história e uma observação retirada da discografia de uma das mais proeminentes artistas pop dos últimos anos e, talvez até, a dona da música que melhor defina esse meu objeto de observação.
Se você me perguntasse alguns meses atrás sobre Kesha Rose Sebert, conhecida pelo nome de palco Ke$ha, jamais ouviria esses elogios saindo da minha boca. A verdade é que eu tive um problema sério com a americana de 24 anos, uma mistura meio estranha de falta de sorte (meu caminho nunca cruzou com o do seu melhor single, “Animal”) e preconceito pelo simples fato da canção que a lançou no mercado, “Tik Tok”, ser um tipo de pop pouco digerível que colava o estilo de uma cantora francesa alternativa e ainda tinha a harmonia parecida com um hit de Kylie Minogue, de quem tenho sido fã há tempos. Acontece que, num desses casos raros e deliciosos de boas surpresas, ouvir a discografia de Ke$ha, composta por dois álbuns até agora (Animal e Cannibal), é tirar um raio-x curioso, de música bem composta e cantada, da minha geração. Sem colocar o envolvimento emocional de fã recém-formado, é inegável que canções como “Your Love Is My Drug”, “Hungover” e “C U Next Tuesday” tem muito mérito compositivo.
Mas enfim, propaganda feita, vamos ao que interessa. Agora de pouco, ouvindo de novo o setlist do Cannibal e pensando no show da cantora que ocorre no final de Setembro em São Paulo (e ao qual este que vos fala estará orgulhosamente presente, eu espero), uma interessante dicotomia posta lado a lado me fez pensar. Propositalmente (como eu aposto) ou não, a jornada do ouvinte por essa fatia do álbum vai da seguinte maneira. “The Harold Song”, a quinta faixa, é a típica canção do adolescente apaixonado por quem não deseja estar. É um sentimento platônico comum a qualquer geração, o de um namoro terminado ou de um que nunca foi, mas que em qualquer caso faz o refrão entoar, em seu final, um clichê e ressonante “eu daria tudo para não estar dormindo sozinho”. A noção de que o amor é doloroso é uma descoberta tipicamente jovem. E essa minha geração tende a deixá-la muito latente. A faixa seguinte é “Crazy Beautiful Life”, e uma rápida olhada nas letras de Ke$ha é o bastante para descobrir que se trata de uma chamada intensa, talvez um pouco exagerada, mas na verdade bem honesta, para o fato de que em meio a divertida e apaixonante vida que os mais velhos tendem a chamar de “vã” da nossa geração, a verdadeira luta ainda é por algo real e certo. Sem meias palavras, pelo amor. Ou pelo menos pelo que a gente ache que é o amor.
Isso é uma pílula pra começar a saber o quanto Ke$ha entende essa geração, e o quanto faz sentido para ela se apoiar nas músicas de uma garota que construiu para si uma imagem meio suja, um tipo de glamour sem intenção, animalesco. Nos moldes de Gaga, que surgiu antes dela, Ke$ha não quer ser a perfeita popstar das capas de revistas. Ela quer ser aquela que vai servir de apoio, de identificação, para uma geração que encontra tudo isso na música pop. E isso não é só reconfortante, mas é também muito bonito. Nada mais emocionante, afinal, do que ouvir alguém cantar “estou apaixonada pelo que somos, não pelo que deveríamos ser” enquanto o resto do mundo está tentando te fazer mudar.
Não sei quem eu sou, mas continuo sendo, mesmo porque nunca fui outra coisa. E ao mesmo tempo já fui de tudo. Vai entender.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
11º MANDAMENTO - Não esquecer você.
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
www.cleytudo.com
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
AMORTECIDO (por Gilberto Amendola)
tanto choveu
que a lagoa secou
tanto se quis
que nunca chegou
tanto doeu
que agora parou
fui amortecido na queda
pelo colchão macio do esquecimento
não me lembro o que quebrou
nem qual fratura me expôs
aos olhos de tanta gente
sou um fantoche de mola
no seu presente de grego
surpresa!
vou-me embora daqui
vou me fazer feliz
se não morrer
vai ser por um triz
o amor é um continente
gelado
sou mais o verão
desligue esse ar-condicionado.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Adesivo da Família
Pensava que era entregar o ouro nas mãos de assaltantes. Ei, por favor, sequestre meu filho. Ou no caso daqueles que é só uma mulherzinha: Por favor finja bater no meu carro e me estupre.Depois achei que era exagero meu. Law and Order SVU demais. Certeza. Bem que eu falava pra minha amiga Lorena, que adora, que aquilo não fazia bem pra alma.
O curioso foi ver depois esses adesivos em um episódio do Dexter, na temporada do Trinity, o serial killer que sequestrava menininhos. Um deles ele sequestra depois de colher informações nesses adesivos da família. Bem, eu não era tão insana assim. O risco existe. Pelo menos na minha cabeça e do roteirista do Dexter.
Depois a tia da banca de revista me disse que viu uma matéria na Ana Maria Braga, e meu pai também leu uma matéria do Estadão, disse que falavam que era um convite ao sequestro. Viu? Viu? Muito perigoso.
Adesivo vai, adesivo vem, até que já não achava tão arriscado assim. Eu moro em uma cidade no interior de Minas, acho que não temos muitos assassinos em série por aqui, não é mesmo? E é bonitinho, gosto da valorização da família quando muitos apontam o contrário.
Gosto de ficar no trânsito olhando aqueles bonequinhos e imaginando a vida daquelas pessoas. Gosto dos que tem a figura dos avós, acho fofo. E corajoso aquele com quatro filhos, hoje em dia, com o preço que está uma escola? E aquele casal mais sete cachorrinhos enfileirados? Espero que sejam da raça pinscher. Vejo a figura de uma mãe e duas crianças, esses aos montes, e fico pensando na separação. Será que as crianças sofreram? Crio toda uma novela ali, enquanto não abre o sinal.
Agora, o adesivo da família mais legal que eu vi foi esses dias no shopping. Achei tão bacana, tão peito aberto, que resolvi tirar uma foto pelo celular e publicar aqui. Não é bonito?
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Justiça ateísta
O meu sono foi tão profundo que quando eu acordei a locadora já havia fechado. Teria que pagar duas diárias por aquela maluquice. Mas tudo bem, acontece. Confesso que não tenho muita paciência para baixar filmes e seriados no pirate bay pra ver no computador. Às vezes eu faço isso, mas só às vezes. Vi toda a primeira temporada de Mad Men desse jeito. Mas ao começar a segunda, perdi a peciência com aquela rotina episódio 1, legenda 1, episódio 2, legenda 2, etc. Entrei numa Saraiva e comprei a segunda e a terceira temporada. Fiquei feliz com a compra. Na própria loja eu li que a série era inapropriada para menores de 16 anos e que continha cenas com drogas lícitas. Caiprinha, whysky, cerveja. Mas que coisa. Eu era um usuário de drogas lícitas.
Ao ver os filhos de Don Draper aparecendo frequentemente no início da segunda temporada, me lembrei da classificação de 16 anos. As crianças, que devem ter no máximo 8, podem assistir o trabalho que elas mesmas fizeram? É ou não é inapropriado? E o que dizer das cenas bizarras de adultério. O Don Draper trai a esposa no seu carro com uma periguete, chega em casa, lava as mãos (e a boca!) na pia da cozinha e vai falar com os filhos pequeninos. Pode isso, Arnaldo? Estes atores mirins, seus colegas de escola, também mirins, porém menos talentosos, não ficarão traumatizados com uma coisa dessas? E se não bastasse toda essa sacanagem ou puta falta de sacanagem, o DVD não vem com legendas em inglês, somente português e espanhol. É assim que os realizadores querem que as pessoas deixem de ver de graça na internet? Tinha que ter making of, legendas em alemão, russo, espanhol argentino, bastidores. Ok, não precisa disso tudo. Mas não ter as legendas em inglês é frustrante.
A primeira coisa que eu fiz naquele domingão de sol foi devolver o filme surrealista. A locadora fica bem perto da minha casa. No meio do caminho, andando distraído pela calçada, me deparo com um papel rosa. Estava dobrado. Me aproximei e vi que era uma nota de dez reais. Peguei a nota, olhei em volta, esperei mais uns dez segundos para ver se o dono não aparecia e segui em frente sem colocar a nota na carteira. Entrei na locadora e perguntei quanto ia custar as duas diárias.
- São 10 reais.
Depois de tudo que eu passei com aquele filme bizarro, pensei em justiça divina. Mas como eu não acredito em Deus, aquilo lá foi justiça ateísta mesmo.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
love is a looping game ( by lucas guedes)
difícil lembrar a primeira vez que ouvi amy. acostumado a garimpar bandas novas na internet e a ler revistas internacionais, me deparei com uma tal nova musa do soul, uma nova billie holliday, uma nova diva. e nem precisei escutar duas vezes pra ter certeza disso. uma cantora diferente das que estavam alcançando as paradas de sucesso, uma artista sem pré-fabricação, sem molde. a voz um tanto debochada e composições de letras fortes me chamaram a atenção. as confusões em que se metia também. cheguei a publicar algo no meu blog em 2007, mas sem me aprofundar. era uma paixão que surgia e crescia, contagiando também aqueles que me rodeavam. não foi à toa que no sábado, dia de sua morte, recebi ligações, mensagens no celular e pela internet de amigos e familiares me contando sobre o ocorrido. senti muito, a ponto de me desligar por umas horas do mundo. foram horas de silêncio, no chão do meu quarto, pensando em sua contribuição para música, mas também em sua vida.
pensei nas letras, na sinceridade, na coragem que essa mulher tinha ao escrever, por exemplo, que chorava por um cara no chão da cozinha ou então que foi pra rehab e o homem disse que ela estava apenas depressiva ou pior, admite que seu amado voltou pra outra mulher enquanto ele morria centenas de vezes! como não se emocionar ou não se identificar, ainda mais acompanhando sua história e sabendo que ela não fazia tipo. não compunha músicas pensando apenas na vendagem dos discos, mas em expressar suas dores, ideias, palavras.
aí lembro da minha ida à londres e da minha decepção ao saber que ela estava internada. percorri vários lugares que ela visitava, seu tatuador, as lojas e pubs de camdem e me sinto feliz por saber que estava compartilhando ao menos os espaços que ela frequentava e, assim, me senti bem. e lembro então do show, naquele momento marcante que só eu e ela sabemos porque chorei tanto do início ao fim de uma música. e penso que é isso mesmo, amy não morreu cedo, não foi prodígio, nada disso. ela viveu muito. viveu tanto, tão intensamente... que morreu.
apesar de nunca ter chorado por ninguém no chão de uma cozinha, me vi sentado no quarto, encostado na parede, com um copo de vinho de uma festa do dia anterior, esperando minhas lágrimas secarem sozinhas por causa da morte da maior cantora da minha geração, amy winehouse.
domingo, 31 de julho de 2011
Leitura Desarmônica de Poucas Horas de Férias
Texto que deveria ser postado no dia 11 desse mês
Mas ele e minhas férias não existiam ainda
abraços
Dexter
irmão e drogas
queijo
mamão
saudade
porta do banheiro quebrada Micróbio do Samba
Helena Bonham Carter
cardigan Thiago Renata
Mari
mullets
chicória saudade
abstinência {nem ligo}
alavanca Esses Moços Matrix
Cucurrucucu Paloma
promessa
sábado, 30 de julho de 2011
Sou de uma pluralidade explícita e não tenho pudor algum em ser quem sou. Não escrevo para que as pessoas compreendam a minha poesia, mas sim para que a poesia me compreenda!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
"A memória da gente é safada: elimina o amargo, a peneira só deixa passar o doce."
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Atenção senhores passageiros, dêem boas-vindas à insegurança
Há alguns meses vivi um drama. Uma decepção, na verdade. Não é fácil esperar demais das pessoas e não receber nem uma flor em troca. Enfim, isso tinha que acabar e é bem verdade que acabou, antes mesmo do próprio fim, eu diria.
Essa não é uma história de superação. Nem um post de auto-ajuda. Mas é pra mostrar como é possível que uma atitude ou outra te eleve do degrau-escória pro degrau-oi-sou-linda-deixa-eu-ser-feliz-e-não-canse-minha-beleza.
Bom, depois dessa crise – que por sinal foi uma das maiores da minha vida – eu percebi uma coisa em mim: tenho preguiça de sofrer. Ou melhor, MORRO de preguiça de sofrer. Meu sofrimento durou, sério, 2 semanas, exatamente. Quando me dei conta de que aquele chororô todo não ia me tirar do lugar tampouco mudar o que já tinha acontecido. Sai fora. E eu saí.
E tive uma experiência redentora. O maior problema de você encarar uma crise é não saber contorná-la. Crise todo mundo tem, momento ruim, igualmente. É bem aquela história de ficar sem reclamar. Se você não contorna a situação desagradável, ela vira um carma! Uma nuvem escura e sombria! Uma fumaça! Um caos! Um infeeeerno! (ufa.)
Às vezes, uma fase que parece ser a pior das piores, se você transformá-la, pode ser bastante digna. A crise é uma ocasião do crescimento. A crise é inesperada. Ninguém espera que um dia vá sofrer. Ninguém passa a vida pensando que tudo de maravilhoso que se teve um dia pode desmoronar e, bingo, tensões e mais tensões e mais confusões e choros e dramas e o mundo caiu, cataploft.
A gente passa a vida toda desejando estabilidade e segurança. Claro que isso é bom, e até necessário eu diria. Mas a estabilidade nos leva à acomodação. Deixamos tudo no piloto automático quando está estável, e às vezes é necessária uma turbulência para nos tirar o chão e nos devolver o ar próprio.
O avião. Todos viajando calmamente, como se não estivessem a trocentos metros do chão, planando naquele céuzão imenso e desafiando loucamente a lei da gravidade. E uma segurança que todos possuem: nada parece que vai acontecer.
De repente, uma turbulência. E os passageiros se dão conta de que, sim!, essa não é uma situação tão plena assim, nem tampouco segura. Um cachoalhão, ou uma crise, que te tira a estabilidade e te faz pensar em milhões de coisas para que não se agrave mais. A turbulência passa, e você fica mais esperto.
E é dessa maneira que se cresce. Às vezes é preciso desejar a insegurança de um momento, para que a turbulência, o cachoalhão, o pontapé, agitem seu mundo e te traga uma nova maneira de enxergar a vida. Não se acomode, gere suas instabilidades. Elas não são confortáveis, mas são necessárias.
E se durante o vôo você se encontrar em queda livre, não se desespere! Leve seu assento, ele é flutuável. Eu nunca ouvi falar de ninguém que morreu de crise.
Pronta pra mais uma viagem.
~ Agradecimento especial para Pamella Martelli, meu porto seguro (e inseguro!)
Foto por: JGI/Jamie Grill
twitter: @tabataaa
fiz um tumblr! vê lá a bobagem: Pop She Bop
terça-feira, 26 de julho de 2011
dos deslocamentos
domingo, 24 de julho de 2011
Mudanças Expressas
Eu sou o mal que se esconde nos corações dos homens. E gosto de escrever quase tanto quanto gosto de referências obscuras.
Há alguns anos, me chamavam de "Imperador" e isso não tem nada a ver com o outro Adriano, o que joga futebol, conhece a lei do impedimento e sabe a distância que a bola deve ficar do gol na hora do pênalti. Aliás, odeio futebol. Mas não, não sou viado.
Tive um outro blog, em que eu assinava como "Nabucodonosor". Eu adorava esse nome e adorava aquele blog também. Tenho um puta carinho por ele. Pena que perdi quase tudo do que escrevi lá. Tinha umas paradas legais. E até consegui muitas coisas boas por causa dele. Alguns amigos, uns momentos muito bacanas.
Não gosto de me descrever. É pretensão querer dizer aos outros o que pensar de você. Mas tem umas informações que são imprescindíveis e que você não vai perceber de imediato. 1 - Eu sou ácido. 2 - Sou cítrico. 3 - Se pingar na pele, eu mancho. 4 - Bom humor é fundamental. 5 - Eu tomo banhos. No plural.
Acho que é isso. Dá uma lida aí. Você provavelmente vai gostar de algumas coisas, em outras vai me achar meio arrogante, mas garanto que vai sair daqui com algo mais do que quando chegou.
sábado, 23 de julho de 2011
So hard
Tão fácil colocar a culpa em alguma coisa.
É o trabalho que odeio,
Não arrumo outro emprego porque estou gorda,
Não emagreço porque não tenho tempo para malhar,
Não tenho tempo porque só trabalho,
Vivo atrás de trabalho porque nunca tenho dinheiro,
Nunca tenho dinheiro então não me arrumo
Não me arrumo porque me odeio...
Aí você muda de trabalho, emagrece, ganha mais dinheiro, se arruma...
E descobre que não era nada disso que fazia sua vida uma merda.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Título em branco
quarta-feira, 20 de julho de 2011
novo mundo
Varreu a casa, limpou os armários, trocou a cama e as cortinas.
Trocou de emprego, de amigos e caminhos.
Mudou a alimentação, o gosto musical, o nome e os hábitos.
Não dorme mais à noite.
Não bebe, não fuma e não fala mais palavrão.
Não tem mais amores nem história.
E nem mais nada que te lembre nesse mundo aqui por perto.
domingo, 17 de julho de 2011
A meninona da novela

*Para Paula Fernandes, que também se diverte com a comparação com a sua homônima.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
Early Adopter
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Entre o prego e as chuteiras
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Onde mora a felicidade
Conta ela uma história de uma terra que aos nossos ouvidos parece muito distante. Uma terra quase de fantasia. E narra tudo com um saudosismo estampado no rosto que em momento algum é escondido pelas marcas que o tempo deixou.
Terra essa que pode ficar em algum lugar entre Minas e Amazonas, entre Pasárgada e Macondo. Terra em que os campos iam até onde a vista se perdia e o povoada era cercado de uma floresta grande e carregada de mistérios e bichos que careciam de nomes e eram batizados de forma arbitrária entre ela e seus irmãos.
Insiste ela em dizer que comia melado todo dia e todo o tipo de comida preparada em gordura de porco com farinha e que ainda sim tinha saúde de ferro e que não existia nessa época as doenças que existem hoje.
Diversão era desbravar o mato, nadar nos açudes – era uma exímia nadadora – e dia feliz era quando fazia frio e sua mãe dava a ela e a suas irmãs canequinhas de leite com melado de cana. Nesses dias, mal dormiam ansiosos para verem o efeito do frio sobre as canequinhas de ferro deixadas no sereno ao lado do poço para que pudesse virar um picolé. Isso sim era ser feliz.
Conta ainda história de onças que tinham suas patas decepadas por invadirem as casas feitas de palha, no meio da noite, para comerem as crianças recém nascidas e de cobras que no silêncio da madrugada, rastejavam sem nenhum sibilar e mamava na teta das mulheres que ainda amamentavam seus filhos.
Havia ainda, narrativa de longos passeios em cavalos até o entardecer nos campos ao redor do sítio que causava a ira de seu pai. Aventuras dentro da mata com animais que grudavam nas roupas e jamais soltavam; histórias de lobisomens que amedrontava todas as crianças da vizinhança.
Triste apenas, conta com lágrimas nos olhos, sobre seu irmão preferido que, em sonho, veio se despedir dela com um beijo gélido e molhado e dizer que agora estava tudo bem e que não a queria triste, antes mesmo de receber a notícia na manhã seguinte, de sua morte por afogamento no mar.
Nessa terra, povoada de magias e perigos, faz nosso pensamento ir longe para tentar achar onde ela se situa. Todo encantamento que lá existia é fácil perceber no brilho dos olhos de uma criança mesmo que tenham se passado mais de 50 anos.
Mesmo com os questionamentos de dúvida e as nossas caras de descrença ela continua a contar essas e muitas outras, sempre jurando e atestando a veracidade de cada uma delas. Todas, ela conta e lembra com enorme saudade, ainda mais quando na presença de sua irmã que voltou a ser criança, mesmo num corpo de velha.
Essa terra na qual mora a felicidade, eu ainda não encontrei, mas feliz sou eu de escutar essas e outras tantas histórias, podendo olhar nos olhos dela e viajar nesse mundo que se perdeu no tempo e no espaço.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Passado e presente que envergonham
Palavras tem peso. Um budista disse ` São como pregos, depois de martelados você pode tirar ,mas a marca fica ´ . Se falar tem peso, imagine escrever! Peso dobrado.
Li uma entrevista de um comediante, fazendo uma piada sobre estupro. Chamam isso de liberdade, de quebrar todos os muros da hipocrisia e coragem de não ser politicamente correto.
Desde quando a dor alheia seria hipócrita ? Desde quando fazer piada com isso seria um sinal de liberdade de expressão ?
Existem dores na alma humana que por respeito não se mencionam.As pessoas não tem tanta coisa em comum, a única coisa que nos une é que todos temos uma alma e ela tem seus lugares reservados e que exigem respeito.
Foi além de uma piada infeliz porque o Brasil é um dos países com o maior número de violência sexual contra mulheres e crianças.Qualquer coisa que possa parecer um incentivo a isso deve ser punido.
Esse comediante pertence a elite rica e branca .Parece que ainda estamos nesse Brasil dos coronéis. Como aquela história de meninos ricos entediados colocando fogo em índios e espancando mendigos.A ignorância, a prepotência da classe economicamente superior. Qual a diferença hoje ? Eles se vestem de comediantes,mas no fundo ainda carregam o mesmo pensamento, fazem piadas com o que realmente acreditam. Fazem as leis e ainda são a pior parte da história deste país, os filhos dos coronéis,que escolhiam as escravas para serem estupradas e espancadas.Essa mentalidade de `coronéis podem tudo ´ ainda nos persegue .Atrasa o país, atrasa a todos .Quando aceitamos uma piada assim aceitamos continuar presos a ignorância, aceitamos repetir um passado que deveria nos envergonhar.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Erros de Interpretação Sonora

quinta-feira, 7 de julho de 2011
QUERO ME COMER
Pra quem tá lendo essas primeiras linhas e já tá apostando que o meu texto é sobre cinema, quebrou a cara feio. Comecei falando do filme porque, ultimamente, tenho pensado muito nele. Tudo porque voltei para a academia. E toda vez que eu tô lá, me matando no crucifixo inverso, me vem à cabeça a história do Morris e toda a sua aventura para fugir daquele lugar.
Tá, eu odeio academia. Mas se odeio, porque tô malhando, então? Explico: eu fui uma criança muito, muiiiito franzina. Magrelo mesmo. E como na minha geração existia o pensamento que criança saudável era criança rechonchuda, toda a comida e vitamina que me puseram pra dentro, um dia, fez efeito. Daí, já viu. O molequinho puro osso se transformou no adolescente fofinho que não quis se tornar o adulto fofão e que, portanto, tratou de brigar com a balança. Ok, eu venci a disputa (acho). Perdi todos os quilos extras e, desde então, nunca mais voltei a engordar. Acontece que prum cara de 1,70m (descobri na avaliação que, na verdade, é 1,68m, mas nem fodendo eu dou o braço a torcer) com menos de 60 kg, um corpinho mais definido não caía nada mal. E lá foi o Marcelo pro "Projeto Verão Intenso", prometendo que a estação mais quente do ano é minha, vou abalar corações e pegar geral; mulher, homem, cachorro e bananeira. Respirei fundo, criei coragem e procurei a academia mais próxima. Fiz matrícula, avaliação e parti pra primeira aula. E enquanto sujava as calças fazendo o tal crucifixo inverso, me imaginei o próprio Clint, traçando planos mil pra me mandar dali e refugiar na biblioteca mais próxima.
Lembrei de todas as situações vexaminosas que passei das outras vezes que malhei. Já morri levantando “pesinho-de-mulé”, já fiquei preso no Leg Press, já fui pego pelo professor roubando na série, mas o grande ápice foi quando, um dia, esperando minha vez num aparelho, fui abordado por um rapaz, perguntando se eu queria revezar. Revezar soou muito gay, de cara. O que não é exatamente ruim pra quem que pegar mulher, homem, cachorro e bananeira. Revezei, né? O pior mesmo foi ter que vê-lo se requebrando diante do espelho, enquanto eu punha os bofes pra fora, se olhando e desejando, mordendo os beicinhos como quem diz “EU ME AMO, EU ME AMO, EU QUERO ME COMER!”. Saí de lá antes que ele me comesse e fui afogar as minhas mágoas lendo Tolstoi e tomando Milk Shake, jurando que, só morto, pisava novamente num lugar daqueles.
Paguei a língua, né? Tô eu aí, mais uma vez, tentando dar um tapa no corpitcho. E, dessa vez, juro que não desisto, mesmo levantando “pesinho-de-mulé”, mesmo ficando preso no Leg Press e - OH, CÉUS - tendo que encarar os EU ME COMIA que encontrar pela frente.
Ah, se eu fui pra academia hoje? Bem, hoje não, né? Sabecumé, tinha o post do Blog das 30 Pessoas pra escrever. Mas amanhã, eu juro, tô lá... Firme. E forte.
Eu acho.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Geração tédio.
Deixa eu ser sincero um pouco: no momento é perto da uma da manhã do domingo, dia 03, e enquanto o Lady Antebellum estoura no meu headphone (a música do momento é “Our Kind of Love”, se é que interessa para alguém), eu paro minha atividade usual de falar besteira no Twitter para me lembrar que tenho apenas três dias para escrever para o Blog das 30 Pessoas. Os leitores me perdoem, por favor, mas vou decobedecer a regra dos meus últimos dois posts aqui no blog e não vou falar sobre cultura. Sem recepções calorosas e lutas pela liberdade de expressão, como fiz com o clipe “Judas”, da artista pop Lady Gaga (aliás, “Edge of Glory”, o sucessor do mesmo entre os singles do novo álbum, causou polêmica, veja só, por não ter causado polêmica nenhuma!). Sem dicas pseudo-intelectuais de contos de papas da ficção científica cuja visão classuda do fim do mundo coube bem ao tema do mês.
Não conheço a rotina de todo o pessoal aqui do blog, mas imagino que uma boa parte de vocês já trabalhe, e uma outra parte continue estudando (no meio desses, num daqueles desenhos de “conjuntos” da matemática do Ensino Médio, os que fazem as duas coisas, pobres coitados). Bom, eu não trabalho. Então o que eu vou dizer aqui vai soar a coisa mais fútil do mundo para muitos de vocês, mas faz parte do que eu tenho observado dentro da minha geração, na minha realidade. Aos 16, 17, 18 anos, nós somos a geração do tédio. Um tédio que talvez faça de nós, também, a geração que mais busca saber das coisas, se aprofundar no que realmente nos interessa e buscar nosso próprio caminho por aí. Além da geração do tédio, somos a geração da nerdice, se é que sou autorizado a usar essa palavra por aqui. Tomo a mim mesmo como exemplo. Talvez você me ache alienado, mas eu não assisto ao Jornal Nacional, e quase tudo da minha consciência de política brasileira não vem do Estado de São Paulo. Vem do CQC. Mas isso é mérito para outra discussão. A questão é: eu nao sei de muita coisa. Mas eu sei muito do que eu tenho vontade de saber.
Talvez seja o bem (alguns diriam, o mal) da globalização, do acesso fácil a informação, da liberdade de expressão e circulação que acontece na Internet. É fácil você se tornar um especialista, com um pouco de curiosidade e uma certa habilidade em lidar com as ferramentes online. Mas ainda é preciso querer. E, observando por aí, estando no Twitter todos os dias e conhecendo gente com quem eu posso discutir tudo o que eu mais gosto e sei (leia-se música, cinema, literatura popular e cultura em geral), e ainda ganhar amigos no processo, eu não tenho mais vergonha de pertencer a minha geração. Dizem que os melhores não estão a frente do seu tempo. Eles estão no tempo certo, e o resto do mundo está um passo atrás.
E que assim seja, por hoje. Pode ser que eu esteja falando um monte de besteiras. Ainda no Lady Antebellum (“When You Got a Good Thing” é a que fecha a produção desse texto, tendo passado por todo o tracklist do segundo álbum da banda, Need You Now, altamente recomendado para os amantes e não-amantes do country). Passada já a primeira hora do domingo. E a segunda-feira, para mim, não vai ser segunda-feira. O doce, doce sabor do tédio.
Não sei quem eu sou, mas continuo sendo, mesmo porque nunca fui outra coisa. E ao mesmo tempo já fui de tudo. Vai entender.




