Há alguns anos li “Um teto todo seu”, de Virginia Woolf, e essa leitura me marcou muito. No ensaio, que foi escrito inicialmente para uma palestra a jovens universitárias, a autora inglesa traça um panorama da relação entre a mulher e a ficção ao longo da história. Para ela, se tivesse existido uma irmã de Shakespeare tão talentosa quanto ele, a pobre mulher certamente não teria nenhum êxito literário e seria deveras muito infeliz, pois às mulheres do século XVI só cabia o papel de trabalhadoras domésticas subordinadas, quase sempre analfabetas e desprovidas de voz. Woolf acredita que as condições precárias das mulheres é o motivo crucial de termos na literatura poucas escritoras. O quadro só começa a mudar e as mulheres possuem algum lugar no mundo das letras com a conquista do direito de ter a própria renda e um teto todo seu. Pois é necessário, segundo a autora, possuir um espaço - ao mesmo tempo físico e metafórico - para que a escrita aflore. Trata-se de um belíssimo texto de uma grande mulher, que acima de "feminismos", propõe que a boa literatura é feita por seres andróginos.
terça-feira, 27 de março de 2012
Um teto todo seu
Há alguns anos li “Um teto todo seu”, de Virginia Woolf, e essa leitura me marcou muito. No ensaio, que foi escrito inicialmente para uma palestra a jovens universitárias, a autora inglesa traça um panorama da relação entre a mulher e a ficção ao longo da história. Para ela, se tivesse existido uma irmã de Shakespeare tão talentosa quanto ele, a pobre mulher certamente não teria nenhum êxito literário e seria deveras muito infeliz, pois às mulheres do século XVI só cabia o papel de trabalhadoras domésticas subordinadas, quase sempre analfabetas e desprovidas de voz. Woolf acredita que as condições precárias das mulheres é o motivo crucial de termos na literatura poucas escritoras. O quadro só começa a mudar e as mulheres possuem algum lugar no mundo das letras com a conquista do direito de ter a própria renda e um teto todo seu. Pois é necessário, segundo a autora, possuir um espaço - ao mesmo tempo físico e metafórico - para que a escrita aflore. Trata-se de um belíssimo texto de uma grande mulher, que acima de "feminismos", propõe que a boa literatura é feita por seres andróginos.
segunda-feira, 26 de março de 2012
A longa noite de As brasas, de Sándor Márai
domingo, 25 de março de 2012
Valentina
sexta-feira, 23 de março de 2012
PUKE RAINBOW
O Stay-Puff dos Caça Fantasmas
A bruxa de Blair
Beleza Americana
Rambo
Um sonho de Liberdade
Tubarão
E pra fechar com chave de ouro, meu favorito: O poderoso chefão
Quer mais? Tem aqui
quinta-feira, 22 de março de 2012
Um post no sentido figurado
quarta-feira, 21 de março de 2012
Declaração. De amor. De saudade. De persistência.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Quando sua criança acorda
Nascido em Anápolis - GO, se mudou ainda adolescente para Goiânia - GO onde passou seus últimos 8 anos antes de se mudar para São Paulo - SP.
Administrador especializado em Marketing, Ator, Bailarino, Professor...
Dono de uma vida cheia de profissões recheada de arte e sonhos - realizados ou (ainda) não.
sábado, 17 de março de 2012
Viva
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
sexta-feira, 16 de março de 2012
Querem te enganar?
quinta-feira, 15 de março de 2012
Tecnicalidades...
quarta-feira, 14 de março de 2012
Escolhas ...
terça-feira, 13 de março de 2012
Do latim, Tripalium
Meus últimos dias têm se resumido em questionamentos sobre o tema emprego/trabalho.
Existe um trabalho em que você realmente seja feliz e valorizado? Existem patrões conscientes?
Patrões são de Vênus e empregados de Marte? Todo chefe faz cursinho preparatório no mesmo lugar?
Muitos são meus questionamentos, mas para não transformar esse post em um punhado de lamúrias (coisa que já fiz aqui), resolvi postar dois vídeos que dizem muito.
O primeiro trata-se de uma animação que fala sobre as relações humanas no trabalho. Dava para fazer enormes análises político-sócio-antropológicas sobre ele, mas acredito que fale por si só.
O segundo vídeo chamado The fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é o vencedor no Oscar de melhor curta de animação deste ano. Ele mostra o quanto os livros e as histórias contidas neles podem ser refúgio e salvação no meio dessas perguntas sem respostas e dessas questões angustiantes.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Abram os cofres, o Príncipe Harry chegou!
A única coisa nova neste século são os brinquedos, o resto é antigo ,mantemos a tradição de sermos explorados em tudo.
Esta semana o príncipe Harry veio ao Brasil.Muito fofo, muito lindo, muito simpático,mas pertence a uma das monarquias mais assustadoras e exploradoras da história.Ele veio pelo nosso dinheiro.O que foi enviado por Portugal séculos atrás não é mais suficiente, eles querem mais.E nós vamos dar, lógico, finalmente ele é o neto da Rainha da Inglaterra e o Brasil não vai fazer desaforo para a Alteza Real.
Programas empalhados como o Fantástico não podiam perder a oportunidade.Foram atrás dele com uma garota,escolhida pela produção para ser apresentada a ele. Perguntaram o que ele achava das brasileiras e se poderia uma brasileira ser princesa. Ele riu e fez graça.Bom, nisso avançamos .Se fosse antes ele nem teria se dado o trabalho de responder e centenas de virgens estariam sendo entregues a ele.
O Rio de Janeiro tem milhões de problemas e pouco dinheiro para resolver.Mas essa visita do príncipe custou milhões, que a prefeitura nega,mas todos sabem o custo de uma visita dessas.
São aproximadamente 20 monarquias no planeta, até países castigados como Tailândia e África tem a sua.Cada monarquia tem em média de um a dois bilhões de dólares.Dinheiro sujo,de exploração, de saques e roubos.Estamos no século XXI e ainda achamos normal a monarquia tirar dinheiro do povo.Ignoramos a ciência e pensamos que eles tem sangue azul, passamos em cima da religião e acreditamos que eles são os escolhidos de Deus.
O Brasil está na mira.Há três anos a futura rainha da Suécia, a princesa Vitória visitou o Brasil, para investimentos.O que era ninguém sabe.Mas sempre pedem isenção de impostos,já que são monarquia.
Não somos os únicos a achar a monarquia uma coisa muito fofinha.Fomos depenados pela monarquia portuguesa e ainda nos deixaram a pior herança possível, uma maneira de pensar que divide o país em dois, quem é nobre e quem não é.
Único consolo é pensar que não somos os únicos que não percebem como eles continuam saqueando o povo.Os espanhóis estão passando dias cinzas, com desemprego, despejo e fome.Mas sua monarquia está bem, obrigado.Cada dia mais ricos, vivendo em palácios e dando jantares com comidas exóticas, enquanto pais de família não tem emprego nem dinheiro para alimentar seus filhos.
Os ingleses viram o governo cortar o apoio econômico aos estudantes, diante da crise em um ano que o dinheiro era necessário para ser usado na festa de 60 anos da Rainha no trono.Isso é mais importante que o futuro dos estudantes.Mulheres se prostituem para pagar a faculdade e o príncipe Harry aqui no Brasil, detonando, viajando com uma corte.
Ora, alguém se incomoda com isso ? Pelo jeito só eu.Vejo pelas revistas as monarquias se divertindo , gastando, e as pessoas cada vez mais miseráveis,como nos tempos feudais, as pessoas caminham entre a lama tentando vender seus animais para pagar os impostos para o rei.
Não temos mais monarquia, mas ainda nos deslumbramos com eles.Harry já avisou que gostou tanto do Brasil que vai voltar com seu irmão, William, futuro rei da Inglaterra.Isso vai ser um prejuízo para nós. No século XXI eles viajam de jatinhos para roubar outros países ,não mandam mais exércitos.
Poder político eles não tem nenhum, mas não perdem o costume de levar o que é dos outros.E por que não roubar se os países estão de portas abertas e ninguém reclama ?
O mundo está estacionado porque assim decidiu a maioria.Manter a igreja e a monarquia no século XXI não ajuda o mundo a progredir. E a visita do Harry deixa uma coisa bem clara, nenhum país está fora da mira dele.Como ladrões eles cheiram o dinheiro e o Brasil está na lista de prioridades.Estamos na lista e mesmo assim sorrimos, suspiramos , sonhamos em ver uma brasileira se tornar princesa.Se isso for o melhor para os cofres reais ingleses com certeza vai acontecer.
domingo, 11 de março de 2012
Photographia
Eis em meio a tanta desordem, uma máquina fotográfica daquelas de filme estava jogada por lá e como dois curiosos, não podíamos deixar de verificar se funcionava. Fuçamos mais um pouco para encontrar filmes e pilhas também.
E então começou a brincadeira. Tirávamos foto disso ou daquilo, dela e minha, tirávamos fotos do frio, do sorriso, da mão roxa e das plantas congeladas. Tirávamos e tirávamos, ríamos aos montes e nos aquecia. Tirávamos mais e mais, amávamos e tirávamos, e no fim, estávamos somente nós, sós e nus.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Perfeição e imperfeiçao
Antes de tudo, um amante da poesia e das palavras. Psicólogo de formação, professor por conviccão e artesão nas horas vagas. Como consigo fazer tudo isso? Não sei, apenas me aceito ser plural e não ser uma caixa estereotipada! Entre, acesse e descubra as maravilhas da pluralidade das Coisas do Luiz.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Parabéns!
quarta-feira, 7 de março de 2012
Essa minha amiga, por exemplo, é uma pessoa maravilhosa, mas a todo tempo preocupa-se com a imagem que está passando para os outros. É como se vivesse sempre numa eterna busca de aceitação: você tem que me amar, você tem que me achar bom, bonito, generoso, inteligente, honesto, digno e o escambau a quatro. Para mim, isso é tão, mas tão distante que custo a acreditar que tenha gente que realmente leve a vida desse jeito. Mas existe. E não sou poucos.
É claro que, em maior ou menor grau, todos queremos passar nosso melhor. Ninguém gosta de expôr suas fraquezas e defeitos assim, gratuitamente, como se exibisse para o mundo tudo o que insistimos em pôr debaixo do tapete. Mas viver todo o tempo nessa tensão, como quem solta um pum no elevador e esconde a palma do mão com medo de ser denunciado, deve ser bem punk. Porque, simplesmente, não importa o quão bom sejamos. Sempre haverá alguém no mundo para falar algo a nosso respeito. Seja bem ou mal.
Há muito tempo passei da fase de me preocupar com o que acham ou deixam de achar de mim. Pelo contrário: hoje até me divirto com as percepções que as pessoas tem a meu respeito. Se estou gordo, reclamam que devia me preocupar mais com minha saúde, que sou muito novo para estar acima do peso e blábláblá. Se estou magro, deveria engodar alguns quilinhos e logo aparece alguém com cara de preocupação, querendo saber se estou bem, se tenho ido ao médico e por aí vai. Se o cabelo está comprido, um "corte moderno caía bem". Se resolvo cortá-lo, pronto, "perdi minha identidade". Se você faz uma tatuagem, tem gente que elogia, diz que é bacana, que tem maior vontade de fazer, mas o medo não deixa. Outros olham torto e até falam que isso "não é coisa de Deus". Trocando em miúdos: sempre tem quem bata palmas, mas sempre tem quem atire pedras. Em tudo na vida. O segredo, portanto, é um só: cagar e andar, como se diz no popular. E é assim que eu, Marcelo, tenho levado minha vida nos últimos tempos. Cagando e andando. E mais feliz que nunca.
terça-feira, 6 de março de 2012
Vênus
Olhos verde-musgo, fendas meio tristes na pele branco-bege, cabelos cor de ouro (não amarelos, não louros, mas cor de ouro de verdade), nariz baixo e boca pequena, queixo arredondado, maxilar belamente contornado, pescoço longo. Botticelli pode tê-la pintado assim, mas como seus olhos a pintam?
A figura de Vênus, a deusa romana do amor, já tomou várias formas. A Vênus de Milo é uma mulher de traços mais duros, de órbitas feitas vazias pela própria condição de escultura, corpo diferente do padrão atual; seios pequenos, cintura pouco marcada, pernas curtas. Vênus, nascida para representar o desejo sexual em primeira instância (em latim, venus era a palavra usada para o “amor carnal”), tomou várias formas conforme a sexualidade humana se tornou mais diversa.
A etimologia ainda aponta que venus divide a raiz venes- com a palavra venenum, no sentido de “feitiço, filtro mágico”. Vênus era a deusa que tornava o “vicio sexual” em “virtude sexual” no coração dos homens e das mulheres. Em um contexto atual, Vênus nos aparece para eliminar o pudor de sermos seres sexuais, em última avaliação.
A ela eram oferecidos os brinquedos das garotas romanas que haviam “amadurecido”. Com o nome dela era chamada a melhor jogada possível no jogo de azar mais popular do Império Romano. Vênus é a deusa do tempo que passa e nos obriga a crescer, seja física ou psicologicamente. Vênus é a deusa da sorte, da boa fortuna.
Em 1993, com um tom um pouco mais apimentado, a artista pop islandesa Björk quebrou paradigmas mais uma vez com “Venus As A Boy”. De sua forma peculiar, a cantora e compositora criou um hino ao mesmo princípio original da deusa que ela torna em um garoto em sua letra: o amor carnal. Mas ainda amor. E, talvez, amor ainda mais puro.
Não sei quem eu sou, mas continuo sendo, mesmo porque nunca fui outra coisa. E ao mesmo tempo já fui de tudo. Vai entender.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Tatuagem
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Depois de ler, ouça esta canção: http://migre.me/7nKiF
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
www.cleytudo.com
domingo, 4 de março de 2012
ANOTAÇÕES PARA UM LIVRO DE AUTOAJUDA
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
sábado, 3 de março de 2012
Nem só de números
Cliente 01:
Mais ou menos 60 anos. Barbudo. Queria um empréstimo. Parecia envergonhando por precisar, falava baixo e olhava para os lados. Fui conversando para ver se ele relaxava. Acabou me contando da filha. Era um bom pai. Tenho um carinho especial por bons pais. Contou com orgulho que ela era uma atleta, nadadora. Participaria de um evento, não me lembro qual. Não sei nada de esportes, mas deixei que ele contasse. O empréstimo era pra ela. Perdeu o patrocínio. Foi uma sacanagem o que fizeram com a minha filha, disse. Começou a chorar, um choro nervoso, desses que a gente quer segurar e não consegue. Eu quis falar alguma coisa, dizer que no fim tudo daria certo e essas bobagens que a gente fala, mas não deu tempo, ele se levantou correndo da mesa e foi embora. Sem o empréstimo.
Cliente 02:
Mulher . Meia idade. Muitas dívidas, tentativas de renegociação fracassadas. Desses casos que a gente tem vontade de sair correndo quando vê, porque sabe que não vai conseguir resolver. Não sobrava nada do salário. Me contou que um dia um funcionário a ironizou por ter a vida financeira tão bagunçada. Começou a chorar. Contou que precisou ajudar a pagar o tratamento de leucemia do sobrinho. Mostrou a foto de um menininho risonho. Diz que gastou o que tinha e o que não tinha. O menino morreu. Disseram que é mentira, mas eu acreditei. E tentei, mas não conseguir ajudar muito. Duas semanas depois soube que ela tentou o suicídio. Sobreviveu.
Cliente 03:
Magro, louro. Uns 50 anos. Pele judiada de quem trabalhou no sol. Queria abrir uma nova conta. Não queria que a ex-mulher tivesse acesso aos seus novos gastos. Mas ex-mulher? Sim, ela que movimentava a conta, sacava o salário, tudo. Já a nova conta seria para gastos com a nova namorada. E põe nova nisso, 19 anos. Claro que ele estava apaixonado. E é bonita, me contou. Enquanto arrumava a documentação fomos conversando, conversando, até que ele me contou o detalhe essencial: era puta. Sim, puta. Eu quase engasguei, mas ele falava com uma naturalidade tão grande que só me restou achar natural também. Insistiram muito que ele fizesse um programa com ela, ele sozinho, negou, negou, até que em um sábado de solidão resolveu ligar e a menina foi. Chegou gripada, ardendo em febre, só restou a ele cuidar da menina. Apaixonaram-se.
sexta-feira, 2 de março de 2012
O taxista
Era uma sexta-feira. Provavelmente 2006. Nessa época eu tinha uma banda de rock chamada Conclave. Estava indo de carro para o ensaio, o guitarrista no banco carona, ouvíamos System of a Down. Diante de uma bifurcação no humaitá, terra do Marcelo Adnet, eu deveria pegar a pista da direita, mas como o carro estava mais para o lado esquerdo, precisei dar uma pequena fechada num taxista que não tinha nada a ver com o meu itinerário. Ok, não foi uma pequena fechada. Foi uma senhora fechada. Mas quem nunca fez uma lambança no trânsito? Até o Ayrton Senna já deve ter feito. Confesso que não vi o táxi, ele entrou no famoso ponto cego do meu retrovisor. Pedi calorosas desculpas com o braço esquerdo erguido para fora da janela, num gesto típico de motoristas que fazem merda no trânsito, ou pelo menos os que assumem os seus erros. Não houve qualquer tipo de contato físico, apenas o "mini heart attack", tanto para ele quanto para mim. O homem, que devia ter uns 40 anos, viu o meu gesto, mas não esboçou qualquer tipo de reação.
Então voltamos a conversar, eu e o guitarrista, sobre o arranjo de uma das músicas do ensaio, como se nada tivesse acontecido. Pouco depois, o taxista emparelha com o nosso carro e simplesmente se joga pra cima de mim como um míssil. Como um piloto kamikaze. Tive que voar com o meu Palio para o lado e quase bati no meio-fio. Acelerei para escapar desse louco, mas ele fez novamente o mesmo gesto doente. Parecia um filme hollywoodiano, só que não tinha dublê.
Diante daquela situação inusitada, resolvi manter uma velocidade bem baixa. Foi assim que conseguimos parar o trânsito na Rua Pinheiro Guimarães, mais ou menos em frente ao bar Saloon 79, que inclusive serviu de palcos para diversas apresentações da minha banda. Estávamos a 40 km/h. Ele estava esperando eu acelerar para dar o bote. É claro que a intenção dele no fim das contas não era colidir com o meu carro, ele só estava querendo me assustar, mas ainda assim, eu tinha que desviar com muita maestria das suas investidas. Enquanto eu proferia todos os palavrões do mundo, o guitarrista ficou o tempo todo mudo, apenas torcendo, em silêncio, para o fim daquela perseguição idiota.
Os outros carros buzinavam impacientes. O taxista continuava sério, compenetrado, apenas esperando o meu movimento para atacar. Meu carro era 1.0, logo, não tinha uma arrancada decente. Era ainda pior que a arrancada do Bowser no Mario Kart, pode acreditar. Não entendo nada de carro, então não sei dizer qual era o carro dele, tampouco sua aceleração. Mas devia ser semelhante à minha. Devia estar na quarta marcha, lancei a primeira, atochei o pé no acelerador como se não houvesse o dia de amanhã, o carro fritava como um ovo estalado, tensão no ar, até que, consegui deixar o louco pra trás. Quando ele estava se aproximando, alguns metros depois, virei à esquerda numa rua qualquer e por muito, mas muito pouco mesmo, não capotei com o carro. Foi um cavalo de pau digno de um comercial da BMW em dunas da África setentrional. Despistamos o taxista para todo e o sempre, chegamos atrasados no ensaio, mas pelo menos com a maravilha sensação de missão cumprida.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Os irmãos gêmeos
Era uma vez, dois irmãos.
Eles eram muito espertos!
Um chamava Márcio, outro Marcelo.
Marcelo gostava de sopa de legumes e Márcio não gostava.
Márcio gostava de abacate e Marcelo não gostava.
Um dia resolveram passear. Marcelo foi ao cinema e Márcio foi ao Jardim Zoológico.
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.





