sábado, 23 de outubro de 2010
Every little thing she does is magic
Eu não sei dizer o que sinto,
Eu durmo mais do que o necessário,
Eu faço tempestade em copo d´agua,
Eu morro de medo de barata,
Eu lavo roupa suja sem olhar o bolso,
Eu choro demais,
Mas não estou mais sozinha.
Tenho alguém pra quem voltar no fim do dia.
E que por mais que eu faça tudo errado sempre
Ele acha que tudo que eu faço é mágica.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Turno da Noite
Receber o convite para participar do Blog das 30 Pessoas foi extremamente gratificante. Logo, fiquei extremamente extasiado – e ainda estou –, mas logo me veio a dúvida: sobre o que eu escreveria? E, evidentemente, a resposta mais lógica era aquela em que eu componho um texto no qual eu me apresento, comentando basicamente sobre as coisas das quais eu gosto, quais me satisfazem, que programas me entretêm. Penso, porém, que começar desse modo seria muito limitador e me descrever de modo objetivo seria colocar a mim mesmo como uma figura plana e simples – o que definitivamente nenhuma pessoa é.
Opto por começar de outro modo. Posso, ao longo do tempo que escrever aqui, apresentar várias vertentes minhas e, assim, vocês leitores vão juntando as várias informações e montando a minha personalidade. Tendo
optado por isso, veio-me outra dúvida e essa foi bem mais cortante. Escrever sobre o que eu gosto ou sobre o que não me agrada? Escrever sobre o mais óbvio ou sobre o mais oculto de mim? A solução veio quando eu e o Pedro, um colega de quem gosto muito, conversávamos de madrugada sobre diversos assuntos e eu concluí que aquele momento – aquela conversa à meia-luz – me punha num estado inerte de êxtase.
Há algo nas conversas noturnas que as diferem das conversas que temos ao longo do dia. Nas conversas que ocorrem depois da meia-noite, os interlocutores parecem mais suscetíveis a falar aquilo que realmente desejam, sem amarras sociais ou preocupações com semântica, as quais usualmente estão presentes. Até porque, às três horas da manhã, se conversa apenas com quem realmente se quer conversar – e isso torna qualquer diálogo bem mais intimista e prazeroso. Os tópicos também são mais interessantes: eles parecem consideravelmente mais próximos dos falantes. De madrugada, os assuntos que surgem afloram, vêm de dentro, expõem-se de maneira mais pungente – seja o gosto por arte, por sexo, pela natureza, pela própria vida; tudo isso flui mais facilmente. Talvez esse fluido constante se deva ao sono que se aproxima e à conseqüente necessidade de afugentá-lo. Ou talvez simplesmente aconteça pela diversão que há em conversar no horário em que as outras pessoas dormem (e, portanto, ausentam os seu julgamentos).
Não me restam dúvidas de que são essas conversas que me motivam a entrar no MSN e ficar até tarde acordado. Há outros motivos, evidentemente; mas decerto poder conversar abertamente é o que me instiga – e aposto que instiga a muitas outras pessoas. Não posso terminar esse texto sem agradecer a duas pessoas muitos especiais, que tornam as minhas noites mais interessantes: Pedro e Marcelo. Ambos me aprazem quando dedicam suas madrugadas a conversar comigo e, com cada um, tenho longas conversações, quase intermináveis, sobre diversos assuntos. Não anseio pelo término disso, quero, aliás, que dure muito mais e que conversemos ainda por um longo tempo – seja pessoalmente ou virtualmente. Há definitivamente aqueles que apreciam o dia – eu o aprecio –, mas penso que é o turno da noite que me mais me faz querer viver.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
20 de Outubro
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Best of you
Ora se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim, dispenso a previsão
domingo, 17 de outubro de 2010
Contemplar
Foi isso que fez um senhor que vi diante da Fonte Gaia, em Siena, cidade italiana na região da Toscana. Eu já tinha visto fotos da fonte em livros, sabia que a encontraria enquanto folheava o guia na viagem de trem, mas não imaginava que ali aprenderia um dos maiores ensinamentos dessa viagem.
Turista deslumbrada, ao encontrar algum dos belos locais que eu desejava conhecer, sacava de imediato minha máquina fotográfica e disparava quantos flahes a bateria e o cartão de memória me permitiam. Estava empenhada justamente nisso quando o velho homem chegou. Parou em frente à fonte, debruçou-se na grade, deu uma espiadela por cima dos ombros, dos dois lados, como que para saber se alguém poderia perturbá-lo naquele grande momento. E então, iniciando o que chamo de ritual de contemplação, não apenas olhou para a fonte, mas a admirou.
Nos seus olhos, que já viram bem mais que os meus, uma mistura de deslumbramento e fascínio. Observaram, creio que pela primeira vez, atentamente a fonte que até então eu só tinha visto pelo visor da câmera. Estavámos, de fato, diante de uma grande obra. Para que tirar fotos (as mesmas que a gente vê desgastadas em livros, sites e guias), se temos a chance de contemplar ao vivo, com esses olhos de ver, a maravilha desenhada e conservada bem diante do nosso nariz?
Não deixei de tirar fotos depois disso, obviamente. Mas antes de enquadrar o monumento, contemplo-o. Enxergo com olhos bem atentos, degusto os detalhes, mesmo quando o mapa me grita o tanto de coisas que ainda tenho de visitar. Destinar as lembranças de tudo que vejo não apenas à memória virtual, mas também a minha própria, sem dúvida, tornaram-se as viagens ainda mais interessantes.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
sábado, 16 de outubro de 2010
Adaptação
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Publicitária e aspirante a bióloga, com especialidade em entomologia, meu CID é o 10 N-18, em outras palavras tenho IRC e aguardo pelo duplo-transplante. Tatuada, tenho humor ácido e de gosto duvidoso, pois, apesar de não recomendado, adoro torresmo de boteco.
Fixação
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Pessoa
- Que isso?
- Uma pessoa, mãe! Parece que nunca viu!
- Eu sei o que é! Eu quero saber o que tá fazendo dentro de casa?
- Ela veio me seguindo, mãe! Posso ficar?
- Tá maluco? Pessoa dentro de casa só dá trabalho.
- Mas mãe, eu cuido direitinho! Será que é homem ou mulher?
- É mulher, não tá vendo... é, hmm... os... com os peitos desse tamanho aí e você não sabe? E ainda por cima é mulher fresca, a gente não tem como cuidar. Óculos escuros, chapinha. bolsa Louis Vuitton. Quem é que tem dinheiro pra manter tudo isso?
- Mas mãe, o José Vitor tem uma pessoa em casa e a mãe dele deixa.
- Aposto que ele achou um mendigo na rua. Esses são fáceis de cuidar, qualquer coisa que ganham, estão felizes. E essa aqui? Vai querer carro importado, blackberry, ipod, acessórios pra combinar com a blusinha. E se ela fica grávida? Já pensou?
- Mas mãe!
- Chega! Pessoa, não! Se quiser, te dou uma tartaruga.
- Tá bom... que saco, nunca posso ter nada que eu quero.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Investigação acerca (do crime) de Eduardo AT
Todas as janelas da casa dão para muros. Ele vive uma vida sem paisagem.
Barrando a porta da sala de estar, uma mesa balcão com dois computadores. Empilhados: livros, revistas, dvds e cds, desordem de canetas, agendas. Fios entrecruzados à beira de um curto. Imaginam-se horas diante do escritório improvisado. Vida sem visitas. Caos no trabalho e nos dias. Utopia de alguém que insiste em ganhar a vida com escritos e filmes.
Estantes de metais encurvando livros. Burras de carga de um pretenso saber. Pouco mais que a metade com páginas anotadas a lápis, o que pressupõe que nem todas lidas.
Sobre a geladeira um boneco articulado em fuga. Adesivos em desordem. Lâmpada queimada na luminária dupla. Torneira estrangulada para não gotejar segredos martelando insônias na madrugada. Interruptores falhando em luz, impondo escuridão. [Na última gaveta da pia, interruptores e borrachinhas novas para o conserto que por preguiça, falta de tempo ou tédio não realiza.]
No guarda-roupa, calças tamanho 42 em harmonia com outras 48, assim como camisetas M com GG e XL (velhas e novas), o que pressupõe oscilação frequente de peso ou grave doença recente. O predomínio de camisetas pretas com gola V convivendo com outras, de cores diversas, nunca usadas. Luto ou equivocada forma de se fazer atraente.
No cômoda, suplementos de academia em convivência com apostilas de cursinho. Anotações, rascunhos em papéis, planos de aula, lista de alunos, redações corrigidas, tudo denunciando a segunda profissão, que de mais antiga só perde para a das putas; mas sem igual prazer, igual reconhecimento e remuneração.
No criado mudo, a tristeza de contas por pagar e pequenos recibos com seu nome estampado em solidão, tudo reafirmando o fato de ser solteiro e estar por si.
Numa sacola, dúzias de preservativos tanto gritam dias de intensa promiscuidade ou de absoluta abstinência. Cuecas novíssimas, de marca cara dando indício de relacionamentos recentes, tudo a par de meias confortáveis da algodão, tênis diversos, bonitos, não-gastos, empilhados e que dizem, por isso, que ele precisa andar mais, viajar mais, buscar novos caminhos.
Na janela do banheiro, várias escovas de dente, pastas pela metade, pomadas para toda espécie de praga, alergias. Lâminas de barbear. Pinças. Cotonetes. O nonsense de pentes finos e xampu que riem de sua cabeça raspada.
Na cozinha, o relógio que antecipa seus costumeiros atrasos, anuncia com seus ponteiros as 2:06 da noite, ao lado de um pinguim exilado que mira do alto a mesa onde pares de pratos comprovam um jantar noturno. O desleixo da mesa e as panelas ainda quentes no fogão falam de uma noite compartilhada. Mas os cobertores e travesseiros em dois sofás distintos, voltados para tevê berram amizade (e não sexo) nesta noite fria de novembro.
Não há porta-retratos, imagens de santos na casa, poucos bibelôs (que desgosta), mas há um tarô no criado mudo cuspindo arcanos e destinos. Há também um baralho lacrado noutra gaveta, convivendo sem fé com uma bíblia, documentos postos em pastas e pequenos aparelhos eletrônicos, comprimidos para dores, gripe e azia.
Agora pouco tocou o celular. São trinta e dois números listados na agenda. Seis ligam com frequência. Os torpedos mais recentes são de André, Cinha, Cristiane, Murilo, Matheus P e Lucas. Âncoras com mundo exterior que impedem que afunde em si? Trombetas que anunciam que a vida está lá fora, e se faz melhor nos encontros?
.
Por fim, esse espelho atrás da porta do quarto para ele se ver, para se saber, para se fotografar vezenquando. Espelho que é testemunha ocular do espetáculo monótono dos dias, e que não lhe questiona o certo/errado do viver. Assim, paremos neste espelho, que amplia a ilusão do quarto e de si, já que todos os mínimos indícios do dia vão dar no sujeito frente à superfície: ele que é dele mesmo a (sua) mais frequente companhia.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Pra não trocar as pernas
Ana Guimarães e Lucas Veríssimo
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Abre e cruza cruza e abre e
Tesoura
sábado, 9 de outubro de 2010
Meu testamento
(não faça essa cara, já está decidido, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, minha morte é certa),
não chore.
Enquanto eu descanso, eis o que desejo que façam com o que deixarei para trás:
Queime
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Meu filho é melhor que o seu (por Carol Campregher)
Ele até já foi sondado outras vezes, mas começavam querendo fazer um book super caro, e sempre acho que as agências faturam mais ali, no book. Cobram um absurdo, e os mostruários são quase todos de crianças horrendas, o que me faz mais ainda acreditar que é um belo golpe. Fora isso, quando pequenininho, meu filho não era muito extrovertido o suficiente para a "profissão", digamos assim.
Mês passado ele passou num teste para fazer um filminho de três minutos para o site da Fiat. Fiquei muito feliz. Ele é primeiro da classe, aprendeu a ler com três anos, não chora para tirar sangue ou tomar injeção, mas quem se importa?
Parece que pra ter brilho tem que ser jogador de futebol ou ator, tem um tchan a mais. Nas conversas sobre filhos parece sempre que a pessoa morre de orgulho da cria, por qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Poderia ficar falando horas das proezas do meu, mas é terrivelmente irritante ficar ouvindo mães se gabarem, principalmente quando o seu é bem melhor (brincadeira). Seu filho é sempre o mais esperto, o mais bonito. E os defeitos se tornam qualidades, mal criado é "tem personalidade" gordo é "fofinho", burro é "engraçadinho" bagunceiro é "divertido", e por aí vai.
A verdade é que as pessoas são em sua maioria feias e chatas. As muito perfeitas são irritantes. Seu filho é/será uma pessoa, logo você já sabe. Conforme-se. Além do mais, a chance de você ter parido um novo Pelé é uma em milhões. Na próxima tente a mega sena acumulada.
Mas voltando ao MEU filho, aqui vai o link do filminho. E em caso de dúvida, ele é a criança MAIS bonita que aparece.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Love Never Dies
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Almoçionante
Outro dia eu estava só fazendo o tempo passar mesmo (não abro mão dos meus sessenta minutos) e eis que quando fui passar por uma banca um policial abordou a mim e a outros três estudantes do colégio são luiz “não pode passar, fiquem aí, não pode” , a gente tentou retrucar “ma...mas...o que aconteceu?” , ele retrucou “um problema no banco, agora se afastem”. Bom a gente se afastou conforme o pedido dele, e não demorou mais que alguns segundos para aparecer dois guardas, armados, andando lentamente para trás, por um momento me senti num desses filmes sobre gangsters americanos. Estariam os ladrões lá dentro? Confesso que geralmente (quase sempre) torço pelos bandidos em assaltos a banco. A torcida parece ter dado certo, uns vinte minutos depois a policia liberou a passagem para os pedestres, os ladrões já tinham fugido, de metrô, agora somente um unitário poderia impedi-los.
Em outro almoço eu estava atravessando a rua, praticamente no mesmo lugar, quando um motoboy caiu da sua moto. O meu sonolento instinto solidário me fez ir até lá ajudar o motoboy. Eu mais uma outra pessoa o ajudamos a levantar, tiramos a moto dele debaixo de um carro e a levamos para a calçada, olhei bem para a moto antes de estender o pezinho (da moto...) e foi aí que me arrependi: o motoboy era corintiano. Bom, depois dessa eu haverei de ir ao céu, porque, se ele realmente existir, tem um lugar especial para quem ajuda corintianos. Na volta desta ação benevolente um carro quebrado na Haddock Lobo, nada de muito estranho né? Um guincho, uma pessoa ao celular tentando resolver... Difícil foi explicar isso ao pai da mulher que teve o carro quebrado e, ainda por cima, contava com a desconfiança de seu genitor: “Pai! Não, não acabou a gasolina!”
Eu geralmente uso estes quarenta minutos do almoço para fazer hora e a digestão, até porque quando saio com a intenção de fazer várias coisas, geralmente não faço nada. Não sei se sou eu quem produz (mesmo que inconsciente disso) o imponderável ou a região e sua movimentação toda que proporciona isto, mas vem sendo uma emoção almoçar ultimamente.
Ah, hoje (terça, 05/09/10) fui almoçar e vi uma discussão na lotérica, houve um tiroteio em uma agência de turismo e um repórter quis me entrevistar, mas isto fica para um próximo post.
Vlado Galli
terça-feira, 5 de outubro de 2010
CURTA - CENA I - Tarde - Vão do MASP.
- Sério?
- Muito mesmo, principalmente assim de perfil.
- Engraçado, as pessoas dizem isso. Eu tenho um rosto comum.
- Não é comum.
- Que loucura. Estou esperando uma pessoa e ela não chega.
- É péssimo esperar, né?
- Você não gosta?
- Você gosta?
- Normal.
- Eu estava comprando uma casa no Butantã. É uma casa linda, mas no meio da negociação o proprietário alugou. Se ele tivesse vendido, tudo bem. Mas sabe quando você tem certeza de que aquilo será seu?
- Humrum.
- Você mora com seus pais.
- Moro sim.
- Legal né, morar com os pais?
- É muito legal. Você só tem essas duas tattoos?
- Tenho mais uma nas costas.
- Asas?
- Dragão.
_
@cleytoncabral
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
www.cleytudo.com
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
As últimas palavras deste nosso amor
domingo, 3 de outubro de 2010
O despertador
Antes eu achava que o cabo usb era a coisa mais legal criada nos últimos tempos. Super bacana poder descarregar fotos e esquentar o leite pela mesma tecnologia, era o que eu pensava. Agora que eu sou uma pessoa que acorda cedo, muito cedo, muito mais cedo do que eu gostaria, eu mudei de opinião. A coisa mais legal criada nos últimos tempos é o celular com mp3.
Há quem possar dizer que eu estou uns bons anos atrasada de assunto, mas como eu disse, acordar cedo é algo novo na minha vida. Antes eu acordava naturalmente, lá pelas 10 da manhã. E você, que já é mais calejado e acorda cedo faz tempo, pode até não se lembrar, mas até pouco tempo atrás seu despertador era um relógio de corda, que mais parecia um panelaço na sua cabeça, ou no muito aqueles de pilha que tocavam um pipipipi irritante. Ok, tinha o rádio-relógio que podia ligar o o rádio na hora de acordar, mas pense bem, acordar ouvindo Justin Bieber?
Pois é, ai que está o x da questão. Com o celular com mp3 você escolhe com qual música pode acordar, e pra mim, está ai a chave do bom humor. Sério. Escolher a música certa é fundamental pro dia começar bem. E não pense que é tarefa fácil, pois não é qualquer música que serve.
Comecei com aquela música tema do Rock Balboa, achei que me daria um pique legal pra começar o treino, ou melhor, o dia, mas não. Comecei a me sentir muito pressionada, logo assim pela manhça. Troquei por Chove Chuva, do Jorge Ben, porque eu gosto muito daquele introdução, mas não deu certo também. Dava uma vontade de ficar na cama, como se realmente chovesse lá fora, sabe? Então mudei para Mistério do Planeta, dos Novos Bahianos, mas é uma música que me faz pensar, e não, não deu certo ficar refletindo sobre a vida. É preciso pressa, menina!
Foi viajando que eu tive a sacada de colocar Maricotinha, do Caymmi. Olha, poucas músicas no mundo me trazem essa paz. Estou lá, ouvindo uma longa lista de músicas, mas quando toca Maricotinha acontece alguma coisa dentro de mim. É tão simples, tão gostosa.
E lá foi a Maricotinha me acordar todo dia cedo. Até semana passada. Fiquei com medo de começar a pegar birra da música. Quero que ela continue no hall das músicas amadas. Troquei pela versão de Hebbie Jibbie com as Puppini Sister, só porque me lembra o desenho Tico e Teco e me dá vontade de rir.
sábado, 2 de outubro de 2010
Como morrer na internet
Te entendo perfeitamente, você tem toda razão e aqui vão as minhas sinceras desculpas públicas: “o próximo será inédito".
Bom, passado esse momento de acusações e defesas públicas, gostaria de salientar que o artigo “Como morrer na internet” me parece bastante pertinente para a vida de todos nós que estamos aqui nesse momento lindo, sugados, dominados, corrompidos e para sempre amaldiçoados pelo monstro do lago Net.
Além do seu conteúdo peculiar e relevante, acredito que no Blog das 30 Pessoas o artigo terá uma exposição muito mais digna do que a familiar, amical e colegial (relativo a colegas, ok, eu sei que ficou tosco) obtidas no Blog do Paulo Pilha.
Obs.: Por uma questão “histórica”, o conteúdo do texto é exatamente o mesmo. Não foi feito qualquer tipo de revisão.
COMO MORRER NA INTERNET
Fulano de Souza criou um perfil no Orkut e em poucos meses abocanhou mais de 400 amigos. Eram colegas de primário, do cursinho de inglês, da aula de natação, familiares distantes, enfim, gente de todos os lugares possíveis e inimagináveis. Empolgado com este novo mundo virtual, criou um MySpace para divulgar suas canções peculiares – uma mistura de rock dos anos 80, com frevo, maracatu “e um tiquinho assim, desse tamaninho assim, de carimbó” (trecho em aspas, utilizado sem permissão, pode ser visto no vídeo “Também Sou Hype – Hermes e Renato”, que está no YouTube).
Muitos europeus se interessaram pelo seu trabalho e ele acumulou vários fãs e amigos, sobretudo na Alemanha e na Finlândia. Alguns videoclipes de suas músicas, produzidos por amigos cineastas, fizeram muito sucesso no YouTube e Fulano de Souza conseguiu agendar uma turnê na Europa, passando por Itália, França, Espanha, Bélgica, Portugal, e como não poderia deixar de faltar, Alemanha e Finlândia.
Acontece que duas semanas antes do embarque ele foi atropelado e morreu a caminho do hospital. Os comentários no MySpace, no YouTube e no Orkut continuaram normalmente porque nenhum de seus familiares ou amigos mais próximos sabiam as senhas do rapaz. E agora? Deixar um scrap no Orkut dele comunicando o triste episódio para que todos os seus amigos vejam? E quem vai acreditar? Quantos vão ver? Fulano de Souza estava morto no Plano Real, mas no Plano Cruzado, ou melhor, no Plano Virtual, estava mais vivo do que nunca – 5 solicitações de amigos pendentes no Orkut e mais 12 novos comentários no MySpace.
Para resolver este problema, Fulano de Souza pode fornecer as suas senhas para um amigão do peito que por sua vez poderá espalhar a notícia da sua morte no MySpace, no Fotolog, no Msn ou em qualquer outro site de relacionamento. Mas Fulano de Souza teria coragem de dar as suas senhas a ele ou a qualquer outra pessoa? E o amigão do peito? Teria ele coragem de fazer esse serviço para depois ficar respondendo mensagens em inglês da Europa de fãs enlouquecidos? E se o amigão do peito morrer antes do Fulano de Souza?
Nunca foi tão difícil morrer na internet como nos dias de hoje, pois nunca tivemos tantos sites de relacionamento. Mas acredite, tenho a solução! Criei um novo serviço na internet chamado MySpaceInHeaven. Funciona da seguinte forma, em 5 etapas:
1. O usuário se cadastra no MySpaceInHeaven com login e senha, como se estivesse criando uma nova conta de e-mail, ou seja, um procedimento muito simples e rápido.
2. Ele então preenche um campo listando 8 e-mails de pessoas da sua confiança. Não é necessário divulgar o nome dessas 8 pessoas.
3. Agora ele fornece login e senha de todos os sites de relacionamento que tem conta (Orkut, Facebook, MySpace, Fotolog, etc) ou deseja informar.
4. O contato com o MySpaceInHeaven por parte de qualquer um dos e-mails cadastrados só pode e deve ser feito quando o usuário morrer. Para tanto, é preciso enviar escaneado por e-mail uma cópia da certidão de óbito do usuário. Somente os 8 e-mails cadastrados podem fornecer a certidão de óbito. Porém, o usuário pode alterar estes e-mails a qualquer momento (enquanto estiver vivo, logicamente).
5. No momento em que o MySpaceInHeaven confirmar a morte do usuário (uma série de medidas são tomadas para garantir que a certidão enviada é de fato verdadeira), o próprio serviço se encarrega de espalhar a triste notícia para todos os sites de relacionamento que o usuário cadastrou na etapa número 3.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
- O MySpaceInHeaven não fornece as senhas do usuário morto para ninguém, nem para os e-mails cadastrados. Estas são automaticamente deletadas após o cumprimento da etapa número 5.
- O MySpaceInHeaven possui um sistema altamente moderno e seguro que só permite a visualização das senhas fornecidas pelo usuário quando a sua certidão de óbito for aprovada. Sendo assim, o usuário não precisa se preocupar, pois os funcionários do MySpaceInHeaven só poderão fuxicá-lo quando ele estiver morto e ainda assim, terão de ser rápidos, pois a senha só fica disponível por 2 horas. Depois de muitos estudos, o MySpaceInHeaven concluiu que 2 horas é um tempo mais do que suficiente para fazer o serviço completo (notificar todos os amigos do usuário pela internet), mesmo que o usuário tenha 10 sites de relacionamento com 5 perfis em cada – o máximo permitido na opção paga (R$2,00). Na opção gratuita, o usuário só pode cadastrar 5 sites de relacionamento com um perfil para cada.
- Os sites de relacionamento cadastrados ficam no ar somente por mais 30 dias úteis, a contar do dia em que a mensagem de óbito foi enviada, sendo depois dessa data automaticamente excluídos. Porém, o usuário pode escolher um site de relacionamento que fique no ar para sempre ou por quantos meses ele desejar. Caso ele queira que outro site de relacionamento fique mais de um mês no ar ou para sempre, ele precisa pagar uma taxa de R$ 1,00 para cada um.
- O MySpaceInHeaven não lê ou responde qualquer mensagem, scrap, depoimento, comentário e ignora todas as cantadas virtuais enviadas para o usuário morto.
- Pagando apenas R$ 3,00 o usuário pode desenvolver junto com o MySpaceInHeaven uma mensagem de óbito personalizada com cores, ilustrações e animações. Na opção gratuita, o MySpaceInHeaven envia um comunicado padronizado, onde troca apenas o nome do usuário.
- Informações sobre missa de sétima dia fornecidas por algum dos 8 e-mails cadastrados só serão aceitas caso enviadas no mesmo e-mail contendo a certidão de óbito escaneada. A opção gratuita não trabalha com informações sobre missa de sétimo dia. É preciso desembolsar R$ 2,00 para ter este serviço. O MyspaceInHeaven não se responsabiliza por qualquer informação referente a missas posteriores a essa data, inclusive de trigésimo dia.
- Se o usuário pagar mais R$ 2,00, ele ainda pode criar um material para memórias póstumas em formato PDF (os seus amigos teriam a opção de imprimir ao receberem por e-mail) que poderá conter suas poesias secretas, esconderijos de artigos valiosos, coleção de gibis, seu diário ou alguns trechos podem ser revelados neste material, enfim, pode ser qualquer coisa, cabe ao usuário definir. (Autor desta idéia – Pedro Arcanjo)
- O MySpaceInHeaven também será muito útil para as pessoas encontrarem mortos. Basta fazer uma rápida busca interna no site. Se o nome citado não for encontrado, significa que a pessoa está viva ainda. (Autora da idéia – minha mãe)
Algum nerd da informática quer comprar o meu produto? Vendo os direitos autorais por apenas R$ 999,99 e fico com 3% dos lucros trimestrais.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
post para uma pessoa imbecil
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.


