sábado, 21 de novembro de 2015

As pessoas mudam...

Sempre fui do tipo que gosta de exaltar as pessoas, ou melhor, exaltar nas pessoas aquilo que nelas me chama a atenção.
Elogio sempre, claro, com todo o respeito devido! 

Aqui neste blog, me tornei um verdadeiro fã de pessoas que escreveram (e alguns e algumas que ainda escrevem) sobre tudo um pouco.
Nunca escondi que sou um eterno apaixonado pelo cotidiano.

Acontece que, tempos atrás, fui elogiar uma moça, que escrevia aqui, tempos atrás (conferi na lista de blogueiros para ver se era daqui mesmo que a conhecia) no Twitter!
Nada demais! Elogiei, mais ou menos assim: "Sou fã do seu trabalho! Continue assim, linda e inteligente", algo nessas palavras.

O quê recebi de volta, em rede nacional, foi um ESPORRO, meu amigo, dizendo que não era pra eu escrever aquilo, pois não a conhecia, e eu não tinha o direito de elogiá-la.

Estranhei! 

Em outras oportunidades, ela havia sido super simpática comigo, tanto aqui no blog, como depois pelo Twitter mesmo!

Tava aqui pensando comigo: "Por quê as pessoas mudam tanto assim?!"

Obviamente sei que todos mudamos. 
Mas é raro de ver pessoas que eram educadas, se tornarem o contrário depois.
Pedi desculpas na hora em que vi o tweet me detonando. Claro, publicamente também, dizendo que minha intenção nunca foi a de ofendê-la. 

Acho que joguei mais lenha na fogueira. Ela continuou me arrebentando, e mandou que eu parasse.
Pedi desculpas uma vez mais, e prometi que não aconteceria nunca mais.

E não aconteceu mesmo.
Deixei de seguí-la (no Twitter, deixando bem claro) naquele dia.

Fiquei chateado. Era alguém que eu admirava bastante. Que já havia trocado altas ideias comigo, mas que naquela ocasião, foi grossa e nem entendi o por quê. Parecia também que nunca havia falado comigo antes.

Não sei se é porque hoje ela trabalha numa empresa de renome mundial ou o quê.
Só sei que, deste que vos escreve, ela não verá nada mais publicado.
Até porque ela escolheu assim. E eu, só pude acatar a decisão.

Quis compartilhar isso com vocês.

Se forem mudar, por favor, que sejam pessoas melhores.
Prometo que se eu for mudar, farei o possível para conservar pelo menos a minha educação.

Abraço.
Até o mês que vem.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Do gaslighting à sororidade

Se por um lado as redes sociais escancararam opiniões retrógradas de pessoas que insistem no autoritarismo e intolerância para expressarem posições políticas, por outro alguns grupos tradicionalmente alvos de preconceitos passaram a se unir, trocar experiências e, com toda a razão, não tolerar comportamentos considerados naturais até pouco tempo atrás.

O movimento feminista é um dos que utilizam as redes sociais com muita competência. De repente a culpabilização das vítimas de diversas formas de assédio e agressões começou a, finalmente, ser rechaçada; não por ser uma insanidade em si, mas graças à união de mulheres que passaram a reivindicar o que deveria ser óbvio: direitos iguais.

Ainda falta muita coisa para que os direitos mais elementares das mulheres sejam igualados aos dos homens, desde o direito a receber a mesma remuneração pelo mesmo trabalho até nuances do comportamento machista, tão enraizado e assimilado em nossa sociedade. Mas aos poucos o movimento feminista vem crescendo e ampliando sua abrangência.

O contato que tenho com amigas e grupos feministas tem me ensinado muitas coisas. A primeira é exatamente essa, ou seja, o contato que tenho com o feminismo serve para que eu aprenda, não para que tenha a pretensão de ensinar. É um movimento autônomo e por mais que os homens tentem entender, certas agressões só são plenamente compreendidas por quem as sofre.

Um termo ainda pouco conhecido, mas indispensável: Gaslighting. O debate sobre agressões físicas está um pouco mais avançado e, mesmo que muitas mulheres ainda sejam agredidas, parece um pouco mais fácil de argumentar que nenhuma agressão tem justificativa ou defesa. Porém nem toda dominação se dá por meio da força física e é aqui que entra o conceito de gaslighting, uma espécie de dominação psicológica, que não existe somente na relação entre homens e mulheres, mas historicamente é bastante usada por machistas.

Através do gaslighting a vítima tem sua autoestima atacada constantemente, até que se sinta frágil, indefesa e dependente de seu agressor, que pode não agir de forma consciente, com a intenção premeditada de criar uma relação de dependência, mas com a ideia de superioridade tão assimilada e a facilidade que algumas pessoas têm de manipular fatos e sentimentos, o gaslighting pode ter consequências até mais graves que uma agressão física.

Um outro termo recente, ainda não dicionarizado, é sororidade. Não por acaso, na sociedade machista as mulheres muitas vezes são colocadas como inimigas entre si. Ela roubou meu marido, ela usa roupas provocantes, ela não se valoriza, etc. Enquanto os homens passam praticamente despercebidos, muitas vezes até vitimizados.

A ideia de sororidade propõe uma união entre as mulheres para combater uma opressão que é comum a todas. Claro que lidar com uma traição é sempre difícil, acaba ficando de certa forma confortante acreditar que o companheiro, com quem ela fazia planos para uma vida conjunta, foi na verdade seduzido, mantendo assim uma dose de inocência. Em uma situação assim a sororidade evidencia uma postura racional: o mínimo que se espera de alguém com quem planejamos nossa vida é respeito e consideração.

Acreditar que o pobre homem foi apenas seduzido e não conseguiu segurar seus instintos é corroborar com o machismo tanto quanto aqueles que questionam a culpa da vítima em um estupro, ou que dizem que lugar da mulher é na cozinha, ou que aproveitam uma condução cheia para passar se esfregando desnecessariamente nas mulheres, ou tantos outros “ous” que poderiam ser citados.

É difícil romper com um padrão de comportamento tão enraizado na sociedade. Nossas bases são machistas, todas as grandes religiões, a cultura, a filosofia, etc. e isso fica bastante claro pela própria necessidade de um texto como este. Nada disso teria sido escrito por mim há dez anos atrás, porém tudo isso já era óbvio há dez anos atrás. A resistência ao feminismo é grande, mas parece não haver outra saída senão a militância, a compreensão e a união.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Desabafo

Eu que sempre tive o amor como tema preferido de meus textos, me deparo cada vez mais com a ausência da vontade de escrever. É fato que meus relacionamentos amorosos (reais ou platônicos) sempre foram alimento para que minhas palavras fluíssem entre as teclas, e a ausência cada vez maior das minhas postagens denuncia claramente que o amor tem andado distante. E se eu parar de olhar apenas para meu interior e procurar escrever sobre outras coisas que não eu mesmo e minha rotina amorosa, não fica mais fácil. Não pra uma pessoa que é fascinada por esse sentimento que tem se mostrado cada vez mais ausente do mundo.
Tenho andado triste e chorado fácil. Tenho me doído com as tragédias e sofrimentos alheios mais do que sempre. Me dói imaginar as mortes na frança, me dói ver que crianças sentem fome e me dói ver a situação política do Brasil e do mundo. Me dói porque parece que cada vez mais o amor se esvai de todo lugar. O que leva as pessoas a achar que isso vai de fato dar algum retorno futuro? Quem é realmente feliz dessa forma?
Preciso encontrar algum lugar em que esse sentimento ainda reine, alguém que ainda acredite. Preciso que as palavras continuem a fluir e que, de alguma forma, as coisas possam melhorar. Até lá, talvez meus textos piorem e meu ânimo diminua, mas eu volto a ser como antes, nem que seja sozinho.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Vida à Amor

Mudança, recomeços, mudanças e finais...
Dói como uma vacina, mas que deixa proteção.
Ora dói como a morte, que traz saudade, mas que também traz vida após vida.

Não pertenço mais ao lugar e o lugar está fora de mim.
Mas tudo o que cativa me pertence e assim continuará dentro de mim,
vivendo e movendo.

Hora de partir.
As histórias e as paisagens do caminho também me pertencem,
como o porta malas cheio e o coração apertado,
me pertencem como o destino mas não mais como o presente pertence.
Presente ponto de partida com o tanque cheio.

O hoje sempre chega com as bagagens,
trazê-las de ontem requer sabedoria pra saber carregá-las,
mas pra leva-las pro amanhã precisamos apenas da esperança viva.
Viva na forma mais simples,
porém a mais forte...

O combustível do tanque cheio.





sábado, 14 de novembro de 2015

Perdido em Marte


Estava pensando outro dia
No que Mark Watney faria
Se ficasse com o meu computador
Qual seria a pior parte
As minhas músicas em Marte?
O horror! O horror!

Aqui só tem música ruim
Quem é essa tal de Cheryl Lynn?
Pergunta o bravo astronauta
Se eu soubesse disso antes
Trazia tudo do Guilherme Arantes
E a coletânea da banda Malta

Qualquer coisa quebrava o galho
Até meu robô acorda com Beth Carvalho
“Ô coisinha tão bonitinha do pai”
Essa mulher só ouve discoteca?
Não tem outra biblioteca?
E eu aqui sem Spotify

Não aguento tanto Abba
Esse disco inferno não acaba?
Sente só o meu desespero
Já sujei a minha fralda
Já rezei para Santa Esmeralda
Já sonhei com o Tony Manero

Houston, nós temos um problema
Dá o seu jeito, muda o esquema
Só me manda outro arquivo
Empurro o Rover, durmo ao relento
Qualquer coisa eu aguento
Mas com Gloria Gaynor, não sobrevivo

Alô, você aí da Nasa
Eu quero voltar pra casa!
Pra mim já deu dessa odisséia
Tá achando que é cascata?
Ora, vá plantar batata!
(o que não é uma má idéia)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um dia a mais. Um dia a menos.

Um dia a mais.
Um dia a menos.

Essa tem sido a minha matemática com o tempo.
Quando me convém, subtraio. Quando não, adiciono.

É provável que muitos façam o mesmo.

O raciocínio é simples: Segunda-feira com feriado: um dia a +. Mais para ficar em casa, mais para descansar, mais para dormir, mais para o Netflix.
Fim do expediente na Segunda: um dia a - para o fim de semana.

Devido ao trabalho, rotina, ou todos os demais ciclos da vida, acabamos por dividir o tempo em partes; os velhos e conhecidos fins e recomeços. 
Como diria Drumonnd:
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, [...] foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.(...)”

Há algum tempo, devido ao meu trabalho, tenho separado minhas porções de tempo em 4 semanas. 
Esses amontoados de 28 dias oram passam voando e ora se arrastam para passar.
Durante esse “quase” um mês, o mais incessante mantra, dentro da minha cabeça, foi:

Um dia a menos. Um dia a menos. Um dia a menos. Um dia a menos.

E foi.

Tirando de um em um, acabou-se. Fechou a conta. Se reduziu a zero. Hoje, sexta feira, com o lindo “um dia a mais” - Sábado.

Sexta feira 13 é realmente um lindo dia de sorte.

Brindemos os “um dia a menos” dos ciclos ruins e brindemos ainda mais os “um dia a mais” das boas fases da vida.

Vai uma cerveja aí?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Se você trocar um sonho por um homem, tua vida acaba (acorda mulherada!)

Se Deus aparecesse agora na minha frente e me perguntasse qual foi a coisa que mais me atrapalhou a vida até agora, só tenho uma resposta: a falta de egoísmo.

Segui ao pé da letra a regra dada, nunca fui egoísta, sempre pensei nos outros, porque era isso que se esperava de uma mocinha católica em uma sociedade machista, minhas vontades nunca foram consideradas, até porque eu ignorava elas.

Depois de tudo que passei comecei a me lixar e fazer as coisas do meu jeito, mas ainda estou longe de ser uma pessoa que só pensa em si e tem um caráter egoísta. Tento pelo menos manter a mão firme na idéia, para evitar que passem em cima de mim como passaram a vida inteira.

E quando vejo alguém cair em uns erros parecidos tenho vontade de bater a cabeça da pessoa na mesa. 
Uma amiga vai se casar este ano, no momento caminha nas nuvens e Romeu é um X-tudão. Mas conversando com ela perguntei se já tinha resolvido aquele antigo problema entre os dois, ela morre de vontade de ter filhos, sonha até com os nomes e Romeu é divorciado, pai de dois meninos, já fez vasectomia e disse que a única maneira de reverter isso seria na próxima vida.

Minha amiga garantiu que ''tudo bem'', ela entende o lado dele. Mas eu quase berrei na mesa, de tão indignada, e o lado dela, ele entende?

Tem coisas na vida que a nossa única resposta deve ser: FODA-SE VOCÊ!

É absurdo a mulher ceder em uma coisa dessas tão grande. E já tenho dito, pior do que obrigar um homem a ser pai é impedir uma mulher de ser mãe, caso seja a vontade dela.

Resolvi contar duas histórias de terror para ela, da geração da minha mãe e uma da minha.

Uma amiga da minha mãe se apaixonou por um divorciado com dois filhos. Ela morria de vontade de ter filhos, ele não, mas ele a convenceu de que talvez não seria boa mãe, porque gostava demais de viajar e finalmente poderia considerar os filhos dele também seus filhos. Isso funcionou uns anos, mas um dia em uma fatalidade os dois filhos dele morreram em um desastre de avião. Ela já tinha passado da idade e não podia ter filhos e ele ficou sem os filhos do primeiro casamento.
Continuam casados, mas é claro que isso causou uma ruptura nos dois, ela escutou ele e mudou sua vida, ele preso o egoísmo perdeu tudo.

Muitas mulheres passam em cima do que querem, apenas para agradar alguém que nem sabe se vale a pena.

Outra amiga da minha mãe se apaixonou por um homem casado e acabou engravidando. Ele pediu que ela fizesse um aborto, porque ia se divorciar da mulher e achava que seria demais para ela o marido ir embora com uma amante grávida. E lá foi a trouxa fazer o aborto. Eles ficaram juntos mais uns anos, mas ele não se separava. Ela acabou engravidando novamente, ele jurou que dessa vez ia largar a mulher, comprou um apartamento, mas acabou recuando e dizendo que não estava pronto para ser pai, pediu que ela abortasse e desse um tempo para ele trabalhar a ideia. Ela deu mais uns anos, ele pensou melhor e foi embora, ficou com a mulher, que engravidou de gêmeos.

A amiga da minha mãe até hoje chora contando sobre os bebês que abortou em um momento de fraqueza, foi idiota mesmo, não era mulher estuprada, era uma mulher grávida do homem que amava. Ficou tão abalada com tudo que nunca se casou nem teve filhos.

E a única história da minha geração que conheci foi a pior de todas. Um lindo casal jovem resolve se casar e ficam juntos uns cinco anos. Ela sonhando com o filho, mas o rapaz não queria, não gostava de crianças e ela não queria perder seu amor, resolveu ceder. Depois de cinco anos ele se apaixonou por outra, divorciada com três crianças, largou a esposa e foi embora com essa. 
A esposa ficou traumatizada, mas recomeçou sua vida, se apaixonou de novo e decidiu ter filhos. Não conseguia engravidar e quando foi investigar a causa descobriu que tinha um câncer terrível, tanto que foi operada no mesmo dia que descobriu e tiveram que remover seu útero.
Já seu ex-marido, aquele que não gostava de crianças, adorou os filhos da sua nova mulher e se aventurou a ser pai, teve mais três. Para uma pessoa que ''não gostava de crianças'' ele encheu a casa logo com seis.

Disse tudo isso para minha amiga, sou ótima contando histórias de terror, quando na verdade apenas estou berrando: ACORDEM MULHERES!

Não errem pelo Romeu, se querem ter filhos e ele não, façam a fila andar, não vale a pena renunciar de um sonho para ter um homem que não vai renunciar a nada e pior ainda, mulheres têm que entender, nossa faixa de tempo não é a mesma deles, se quiserem podem ser pais aos noventa anos, caso se arrependam, as mulheres não.

Renunciar a vontade de ser mãe por um Romeu é uma das piores coisas que uma mulher pode fazer, ela vai pagar o preço disso a vida inteira. Conheço mulheres que não quiserem ter filhos e estão super bem com isso, mas as que conheci e não tiveram porque o marido não quis, arrastam correntes até hoje, acaba afetando até as amizades, porque elas se afastam de tudo, justo para não ficar vendo outras mulheres curtindo seus filhos.

E para que isso? Por um homem? Desde quando isso vale a pena? E por que um homem gostaria de ser pai? Isso acontece apenas com uma minoria, o resto não quer nem saber, não quer perder o trono, os privilégios e muito menos trocar a esposa que vive para ele por uma mãe que vai dividir o tempo.

Paternidade é uma coisa que não compensa para os homens, eles já entram recuando, não são obrigados nem a sentirem as dores, não correm para o parto nem amamentam, então 
a maioria passa reto da experiência, porque a curto prazo não compensa.

Ah, mas tem homem que curte ser pai ou quer ser, tem mesmo, mas são poucos. O resto é pilantra e egoísta, querem a mulher só para eles.

E eles são assim e a mulher ainda chega cedendo? Não pode ceder, senão eles passam em cima.

Falei para minha amiga que uma coisa é ceder e passar o Natal na casa da sogra, outra é foder tua vida inteira, ficar sem uma coisa que tanto sonha, os filhos, apenas porque o Romeu é um cagão e não quer assumir responsabilidades.

A parte da história que ninguém nos conta quando estamos crescendo é a mais importante, mas sonhos são egoístas e temos que ser um pouco egoístas para conquistar eles. Esse sonho meigo que todos ficam felizes não existe, ter o que se quer neste mundo exige uma noção clara de quem somos, o que queremos e nossa capacidade de egoísmo. Não conheço ninguém que tenha conquistado alguma coisa na vida agradando todo mundo, isso não existe.

Quem sonha com a maternidade que corra atrás dela, mas fuja dos Romeus que não querem nada de nada, esses homens emperram a vida e fazem o relógio biológico da mulher apodrecer. E vale para tudo, jamais se deveria renunciar a um sonho por alguém, devia ter lei proibindo isso, porque é claro que um dia a pessoa vai se arrepender, mais ainda neste tempos tão rápidos e rasos.

Se o Romeu não quer a mesma coisa ou seu sonho bate de frente, então se pode gritar as duas palavras mágicas: Foda-se você!

E continue andando. Mas que coisa feia! O amor é ceder, relevar, abrir mão. É? É por que só mulher faz isso e se fode? Eles não podem abrir mão? Tudo bem, eu não abro mão, que se dane.
Mais então  talvez eu fique sozinha, porque não sei renunciar aos meus sonhos para agradar Romeu. Já disse isso antes e digo de novo, os meus sonhos são mais importantes do que Romeu. E vou mais longe, a minha vida é mais importante do que qualquer Romeu. A equação contrária, onde mulheres se diminuem para se adaptarem aos homens sempre acaba em desgraça para elas, a conta nunca fecha. 

E ninguém te conta do dia seguinte, aquele momento que depois de ceder você é obrigada se olhar no espelho e saber que foi tua decisão, ninguém te obrigou a nada, se fez besteria pensando em agradar Romeu, o problema é teu, ninguém vai te consolar. E tem decisões erradas que podem durar para sempre. Para quem sonha em ser mãe e renuncia a isso por um homem, pelo menos que tenha claro que vai chorar a vida inteira, porque ninguém vale um sonho teu.

Iara De Dupont

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dois Poemas

Éramos poetas, e resolvemos brincar de escrever um ao outro. Escrevi um poema que dizia:

Deixe que nossos olhares mesclem,
Deixe que os cheiros fundam,
Deixe que os tatos sintam,
Deixe que os beijos beijem,
Deixe?

Logo que leu, em resposta ao que escrevi, recitou seu poema, direto e sem rima, mas o mais belo e jamais visto por mim em toda minha jornada literária. A sentença de um único verbo, uma ação conjugada no mais intenso presente de nossas vidas e que dizia:

Deixo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos

Titan Surface by Ron Miller

Daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos nada mais existirá.
Nem o sol, nenhuma estrela.
Nem planetas, nem astronaves.
Nem vida, nem universo, nem buracos negros.

Daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos não haverá mais guerras.
Nem música, nem sons, nem cores, nem memórias,
Nem ornitorrinco, nem ciúmes, nem mar, nem poesia, nem palavras.
Nem sentimentos, nem pessoas, nem nossos descendentes.

Daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos a nossa existência na Terra não significará absolutamente nada.
E nada mais importará.
Nem as brigas por quem deve lavar a louça, nem o xadrez, nem o futebol.
Nem a alta do dólar, nem Bach, nem o Himalaia.
Nem Marte, nem Titã, aquela lua de Saturno.

Daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos não haverá sentimentos, nem consciência.
Nem culpa, nem alegria, nem tristeza.
Nem saudade, nem rancor, nem qualquer lembrança.
Não restará traço algum de tudo o que já existiu.

Vivo minhas experiências hoje.
Sinto, sonho, amo hoje.

Porque daqui a trilhões de trilhões de trilhões de anos
Haverá simplesmente o nada. 


Imagem: A personagem Death, de Sandman






P.S.: Se você acredita que há outros planos além deste em que vivemos, se sua espiritualidade permite que você creia em algo além das teorias científicas, talvez você discorde de mim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sonhos de inverno

Uma casinha, um cão, um violão, um quintal... talvez plante umas coisas, uma árvore. É, uma árvore. Já viu como as árvores ficam lindas quando chove? Quantas vidas tem em uma árvore? Ah, um bom som, numa vizinhança tranquila, aquele cheiro de café feito na hora, doce que só, quente como o casaco que me aquece. Café puro pela tarde, acompanhado de uns biscoitos fritos. Saudades dos biscoitos da minha vó, a gente ia pro quintal, a casa ficava cheia, movimentada, era julho e o frio já batia na porta, eu ficava olhando pro forno, e lá no fundo um monte de lenha, lendas, escorpiões e alguns morcegos. Descia na horta, ficava ouvindo o silêncio sendo tomado pelo barulho do vento, uma briza inocente derrubando uma telha, e os cães latiam. Aqueles cacos no chão, se transformando em disco-voador na minha mão. Um sorriso, tinha laranja no pé. Eu que nunca gostei de laranja doce, pegava e levava pra casa. Sem contar pra minha vó da minha preferência pelo azedo, pois ela tinha esse negócio de querer me agradar, talvez por sempre estar lá quando ela estava só, ou talvez por ser vó mesmo. A tarde ia embora e já sentia aquele friozinho aumentando aos poucos, sempre olhando o céu. Isso eu quero, um lugar pra ver o céu, o sol se pôr, o sol nascer. Sempre tive uma certa inveja dos que acordam cedo todos os dias, só que é tão bom dormir até tarde, ou a tarde, o dia inteiro. E outro dia, um café, uma linda mulher, aquela que não dá vontade de sair de perto sabe? que você andou por tantos cantos enquanto ela estava desfilando sua beleza por ai, enquanto a vida ousava desviar nossos olhares para outros ares. O inverno tem esse poder de me fazer sentir vazio, frio e inconsciente do que quero. Um tempo que supõe dúvida, eu sempre fui verão, calmo e também cabeça quente. Disseram que esse é o perfil de aquários, não entendo de signos direito, mas já me vi ir do inferno ao paraíso tantas vezes que o purgatório tem sido meu habitat. Busco entender pessoas, comportamentos, natureza e o que encontro são só mais perguntas. Quero sim me aventurar, corro esse risco justamente pelo medo da morte, amanhã quero acordar de novo, ver aqueles olhinhos, ouvir sua voz, tomar seus braços e quanto ver aquele sol, nosso céu, te beijar. Saltar de pontes, subir os montes, seguir os monges, sentir-me anjo ao salvar pessoas. Nunca soube o que era Deus, mesmo sentindo algo diferente, já sai do corpo, já entrei em mentes sem tocar, e sei que ao final do dia, por toda minha vida, quero colocar a cabeça no travesseiro e mesmo queimando por não ter todas respostas, poder dizer que estou em paz. Pois fiz aquilo que estava ao meu alcance, subi, cai e percebi que existe glória aqui nas sombras, que a vida é um acidente e o maior risco é o de não viver. Por isso eu solto tudo que tem aqui dentro, sem medo do que virá. Apesar dos braços serem longos, as mãos só seguram o que a mente pede para segurar. Enquanto o frio insiste em dizer que nada é o suficiente, que sempre vai faltar algo para/ou alguém ali. Quando o seu próprio calor começa a te fazer companhia, buscando aliar as coisas no seu interior, percebe que é mais forte do que pensa. Morremos por buscar algo que não queremos ter ou ser, a fé no suor, escorrendo pelo rosto com promessas falsas de um futuro bom e tão incerto. O consumo nos faz tomar direções tão opostas ao que considero viver, ser alguém é mais difícil do que somente ter, o cobertor que aquece o corpo chega a queimar a carne, a água tem seu preço mesmo que ainda jorre livre por ai, manter-se em pé é muito mais do que um simples ato de levantar, é buscar o equilíbrio para não cair. Inverno é sempre frio... não me tombe mais, estou deitado numa ilha, num barco sem cais, à deriva, só quero viver meu sonho de estar em par e em paz. 




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

(des)organização

completa e absoluta. 
seja mental e física, 

tanto que escrevo sem as maiúsculas
e sei que irrita muitíssimo quem lê,
principalmente os adoradores:
da perfeição, da regra,
do certo, do correto. 

mas descobri alguém que ganha de mim:
na desorganização, na bagunça, na desorientação.

comprei um livro que além de não ter maiúscula,
não tem alinhamento, vírgula ou ponto final, 
é um caos.

tem nome de homem,
o tal do haroldo e muitos campos.

demorei uns três dias pra ler.
e quando terminei fiquei com dor de cabeça.
pilhada, feito aquelas crianças com tdah.

a insanidade era inevitável
pensa num redemoinho de letras,
uma galáxia de frases soltas, cheio de planetas e línguas e linguagens.

deu tanta liberdade, que hoje resolvi imitá-lo,
na poesia?
p#rr#, nem se quisesse, muitíssimo.
fico só no admirar sabe.

mas fique calmo (a), 
essa imitação é restrita 
na falta da maiúscula.
e só meu caro (a).

no resto, 
ando não sei quantos espaços de planetas na distância.
mas os passos nesta estrada, com plena e absoluta leitura
permite alguma liberdade.
então uso.

e será que é falta de assunto? 
na verdade verdadeira é o excesso de:

afinal com tanta palhaçada  para ser aprovada 
como é que a gente elenca as prioridades?

então
depois volto, 
com pensamento mais (des)organizado,
do que nunca, porque perfeição nunca foi a minha.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhêeeeeeeeeeeeeeee

e graças a deus 
e tenho dito, amém por isso.


***
Diante de tantos assuntos um em específico não sai da mente,  a reorganização das 94 escolas, os 300 mil alunos prejudicados e/ou reorganizados  e esse consentimento da mídia em absolutamente não tratar o assunto da forma que deveria e quando faz é de forma muito discreta para não prejudicar a imagem do governador.  

Mas principalmente não consigo parar de pensar na presença mais que excessiva do autoritarismo institucional.

Sei. O Estado é por natureza - autoritário - mas o pingado de democracia que existe faz crer que está em doses cavalares não?

Relembro as cenas de meses atrás, da greve dos professores em Sampa, ou da agressão e violência policial com professores no Paraná ou ainda das greves em universidades.

 Também do quanto penamos enquanto alunos e comunidade com atual reitora (simpatizante do partido do governador não?) da universidade que fiz parte. Em qualquer data, existe o velho autoritarismo.

Desde a última vez que estive na câmara municipal e não consegui entrar para assistir a votação sobre a discussão de gênero no currículo das escolas esbarro e caio no autoritarismo.

E coincidentemente quando diz respeito à votação sobre educação e gênero alguém tem a brilhante ideia de separar quem era a favor e contra. Veja na simplicidade de ações, de gente que não necessariamente é de patente alta, existe autoritarismo.

Mesmo quando justificado, vejo o autoritarismo em julgar que as pessoas são incapazes de suportar umas as outras. Segundo informação adquirida no momento em que fui barrada, decidiram separar por receio de brigas e para conter manifestantes de ambas as opiniões, como se não fossem adultos e sensatos o bastante para ficarem lado a lado para ouvir a votação e resultado.

Naquele momento, mesmo irritada por saber que não poderia entrar fui aconselhada a ficar no auditório de fora e assistir pelo telão mesmo com manifestantes na rua e favoráveis ao veto, munidos de um carro de som, camisetas brancas e gritos em nome de deus que não aceitariam a ideologia de gênero.

Não preciso dizer que sendo assim, fui embora. Depois de algumas horas, soube que vetaram a discussão de gênero nas escolas numa votação quase unânime.

Fiquei tão decepcionada, pois jurava que passaria afinal a pauta sobre discussão de gênero foi elaborada por uma comissão da educação e não por comunistas, feministas ou anarquistas, mas pessoas que tanto quanto sabem da necessidade social e real demanda da escola.

Tanto que escolheram incluí-la no currículo por compreender que a discussão é ampla e não é apenas sobre assumir ou identificar a identidade de gênero, trata de educar sobre violência, respeito, abuso, assédio, machismo, saúde, orientação sexual e principalmente sobre a vida das mulheres numa sociedade patriarcal e extremamente machista com isso não se exclui os homens.

Seja como for, através do voto e da suposta democracia o autoritarismo venceu e o veto sobre a discussão de gênero nas escolas perdura.

Meses depois vejo a notícia da reorganização, procuro informação sobre diálogo do governo com direção das escolas, professores, sindicato dos professores e principalmente com as famílias porque citar alunos é audácia não é não? E sem surpresa alguma não encontro.

Quer dizer, além do tal Dia E da Educação quando ocorrerá um evento para informar e/ou “explicar” para os pais e responsáveis legais sobre a reformulação do ensino estadual.

Depois leio uma matéria que alguém de um partido (pasme!) de oposição diz achar coerente a reorganização. Desacredito. Sendo, vejo noutra que as escolas que irão fechar serão reutilizadas através de remanejamento para o município na construção de creches ou do estado para construção de escolas técnicas e educação de jovens e adultos.

Cof, cof, cof!
Cof, cof, cof!

Desculpe, engasguei com a saliva.


Até acreditaria se não fosse aluna de uma escola técnica – gestão pública - do qual está inserida no processo de reorganização. No começo do mês de outubro recebeu a nefasta informação de forma autoritária (ou seja, de cima para baixo sem qualquer diálogo) que seria realocada, com risco de fechar cursos por pouca adesão, reformulação inclusive no nome sem considerar todo processo de qualidade criado pelos docentes em cada curso.

Noutras palavras, a escola será obrigada a mudar de endereço, terá que se realocar noutro espaço.

Qual o problema? 


Acho que nenhum, desde que exista diálogo para saber as implicações na adesão e qualidade dos cursos, sendo que trata de uma construção do corpo docente e, portanto alterar local e nome de alguns cursos pode prejudicar; além de existir o risco de fechar cursos. De qualquer forma o principal problema é não ser informado, seja para direção, professores, aluno de quando e para onde irá a escola.

Sabendo que não é apenas esta escola técnica que está com problema, demais escolas enfrentam outras dificuldades, mas quase ninguém sabe não é, porque quando as ordens chegam devem ser obedecidas e não importa opinião, o diálogo ou respeito com integrantes da escola.

Mas seja como for, o autoritarismo impera e veja que ninguém sabe como estas reorganizações irão acontecer.

De qualquer forma, vale relembrar que nenhum dos direitos sociais conquistados atualmente foi alcançado sem a participação social, ou seja, nada do que temos hoje é um presente do Estado. 

Nada. 

Absolutamente tudo, foi conquistado com muita luta. E dei conta disso, estudando, porque na real ninguém te explica ou comenta algo do tipo na fila do mercado, do açougue, da padaria. E quando falo de estudar não deixo restrito a escola ou faculdade, é em livros sabe.

E para quem adora imitar os EUA/Americanos ou Franceses, Italianos, Gregos e outros quando se diz ser ou ter herança, vai a dica - vale lembrar que por lá todos direitos foram conquistados através de lutas, de organizações, de participação social (muitas realizadas de forma agressiva na resistência, grito e reivindicação quando o diálogo é ignorado). 

E principalmente foram as ruas por conhecer a própria história, pois sabem que o Estado não é papai noel e portanto não presenteia ninguém no começo, meio ou final de ano.


Aqui sabemos que não é de hoje a precarização do ensino, a mercantilização do conhecimento, sendo compreensível o interesse em economizar, reduzir custos numa área que demanda gastos, principalmente para criar ou manter a qualidade para que pobres alcancem ainda mais as universidades públicas.

Mas no meio do caminho tinha umas pedras.

E para minha surpresa vejam só, os estudantes da rede pública ensinando como garantir direitos, entenderam que o melhor do ensino está na prática ou melhor aliar teoria e prática. 

Que perdurem que resistam que se fortaleçam ensinando os pais, família a compreender que ensino e direito se conquistam na rua, na luta, no grito.

Acredito que falta outras pedras no meio do caminho.

Falta outras escolas de outros estados de outras universidades de outras famílias de outros estudantes perderem a paciência com essa falta de: diálogo, descaso, precarização do ensino e irem pra rua calar o autoritarismo.


Uma vez que organizam da forma que bem entendem nossas vidas temos o direito de desorganizá-los, seja no âmbito político e institucional. 

Então quando será o próximo ato unificado?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sonhos

Ontem eu sonhei
que caminhava sozinha
sala grande, vazia.
O silêncio soprava
atrás de mim
caminha, caminha.

Ontem eu sonhei
com um belo sol de verão
pele arde
se abre
alma indiferente
pobre coração.

Ontem eu sonhei
que o mundo ia se acabar.
O abismo me espera
quis logo lhe indagar
o amor já foi devorado
ou vem atrás de mim, devagar?