segunda-feira, 26 de março de 2012

A longa noite de As brasas, de Sándor Márai


Quem sobrevive a alguém comete uma traição. ... sobreviver a uma pessoa que amamos tanto, a ponto de nos dispormos a matar por ela, à qual éramos tão ligados que por pouco não morremos, é um dos crimes mais misteriosos e inqualificáveis da vida (General Enrik).

Sandor Márái é húngaro e autor de um dos livros que definitivamente entrou na minha lista de preferidos. Antes de um amigo indicar, eu jamais ouvira falar dele. Apesar de alguns dos seus livros serem publicados pela Companhia das Letras, creio que ele é ainda pouco conhecido no Brasil, o que é uma pena. Para mim, a narrativa de Márái teve a força de um turbilhão semelhante ao que sinto quando leio Kafka.

Se Ulisses se passa em um único dia, quase todo o livro As brasas se passa em uma única noite. Nesta noite, dois amigos de infância – inseparáveis até que uma mulher se interponha entre eles – acertam contas com o passado. Entretanto esse acerto nada é mais do que o monólogo daquele que julga ter sido traído. Como o ouvinte de Grande Sertão: Veredas, o amigo Konrad apenas escuta o general Enrik desfiar não suas dúvidas, mas suas certezas descobertas em exatos “quarenta e um anos. E quarenta e três dias” de espera. A noite é, pois, o passado e o presente. A noite são estes quarenta e um anos, pois, nestes, tudo o que aconteceu tinha como sombra o silêncio. O silêncio tudo destruiu. E agora tudo que resta é como um museu onde se conservam mágoas, paixões, amores; tudo corroído pelo tempo. Talvez por isso caiba apenas uma voz nessa longa noite em que o silêncio vira palavra. O silêncio é aqui também uma forma de traição que devora a todos: Kriztina que definha, Konrad que anda errante pelo mundo, o general que espera a sua volta.

De certo modo, são todos fantasmas; e Nini, a mulher sobrevivente nesta histoória, é o símbolo dessa fantasmagoria. Por isso, não há porvir; apenas o passado. Os sobreviventes, nas palavras do general, traíram aquela que era a única razão de vida. E por isso são como mortos. O mais poderoso nesta narrativa é a exatidão do duelo: o embate é entre a mudez e a voz. Não há passividade naquele que cala; sua respiração, suas poucas frases curtas, sua presença; nada deixa dúvidas de que ambos travam uma luta na qual já sabem que são ambos perdedores.

Quando se é leitora, um livro como este é a tradução perfeita da felicidade; não aquela felicidade que alivia, mas aquela que abisma.  

domingo, 25 de março de 2012

Valentina

Valentina, na sua ânsia de viver tudo, pouco se interessava pelas realidades do seu dia. Queria sentir o que não era seu e captar, dentro daquilo que era sentimento de outro, os detalhes que julgava essencial para uma vida toda. E foi nessa brincadeira de sentir o que não se sente, que ela forjou sua busca pelo amor. E o encontrou, nas variadas formas de se tocar o irreal. Das delicadezas da alma aos despudores do corpo. Mas no final, é tudo uma coisa só: separar o inseparável não é lá coisa inteligente de se fazer.

Dentre os artifícios utilizados, as cartas eram uma das prediletas. Nelas, colocava todo o pranto calado, toda a alegria contida e seus desejos mais obscuros. Entretanto, não podemos esquecer: escrevia, sobretudo, o que queria sentir. Idealizava seus homens, colocando na boca de todos eles o que, donzela que era, gostaria de ouvir. Até seus desalentos eram invenção. Narcisismo do choro – era o que os mais chegados diziam. Acreditava que, na medida em que criamos, vivemos. E que não há mal viver de filmes, já que imaginar é sentir, e não há outra forma de atingir a vida que não seja pelo sentimento.

Seu encontro com o amor acontecia, vez ou outra, na forma de miragem, ou desses presságios que o mês de maio traz com os feixes de luz da rainha mãe. E isso tudo ela anotava cegamente em cadernos de folha velhas, pra poder cheirá-las e sentir, mais uma vez, a lembrança do que nunca teve e se ver, assim, repleta de vida dos outros.

E nessas brincadeiras de se dizer palavras – palavras enfeitiçadas -, de significados inventados, ela se discursava como uma moça esperando o amor. Ele não vinha. Deixava a porta aberta, para que ele entrasse sem receio. Apagava a luz, para os seus despudores do corpo. Ele não entrava. E, quando ela se cansava desse jogo de sorte e azar, e se desencantava, jogando as palavras inventadas na poeira do céu, ele chegava faceiro com o sol da tarde. Observando o sol subir, nessa inconstância de vida-a-vida – que não volta – reparava seu amor em meio ao cais, um presságio.

Todas as suas anotações eram repletas de lirismos (des)comedidos, para enganar os olhos que por ali passassem. Revelar-se plenamente, embora vontade antiga, não era lá algo que conseguisse. Mais que a vergonha ou a vontade de ser incógnita e, assim, provocar futuros descobridores do segredo da esfinge - que devora -, a artimanha de se esconder, como uma serpente que enrola em si mesma na hora de dar o bote, era nada mais que o desconhecimento da maior parte que a compunha. Essa incessante busca pelo amor não foi mais que uma busca dela mesma. Ao sentir seus olhos úmidos de amor refletido pelos outros estaria encontrando a si. E tocando na parte mais delicada de cada um – o coração aberto, pulsando vermelho e retumbando em vida.

sexta-feira, 23 de março de 2012

PUKE RAINBOW

Pegue uma mãe desocupada, um bebê fofinho, misture um pouco de amor ao cinema e o resultado é esse:

O Stay-Puff dos Caça Fantasmas

A bruxa de Blair

Beleza Americana

Rambo

Um sonho de Liberdade

Tubarão

E pra fechar com chave de ouro, meu favorito: O poderoso chefão

Quer mais? Tem aqui

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um post no sentido figurado

Sempre quis começar um texto exatamente assim. De forma metalinguística.

A caneta feriria o papel branco e de suas veias sangrariam metáforas milagrosas.

O zig-zag do lápis sobre o papel conceberia curiosos efeitos onomatopeicos.

A folha branca, morrendo de cócegas pelo contato com o grafite, me suplicaria por interromper a frase no meio da angustiante prosopopeia!

As aliterações deleitariam da forma mais literal...

Meus paradoxos seriam alegres e bonitos justamente pela tristeza e feiura a que aludiriam.

Os eufemismos calariam palavras difamatórias que por qualquer deslize pudessem escapar de minhas mãos.

Até mesmo os pleonasmos entrariam pra dentro de meu texto, ainda que isso pudesse desagradar os fieis defensores da pureza da língua.

Sempre quis terminar um texto com uma exclamação! Ou melhor seria terminar com uma interrogação? Bom, diante de tal indecisão, de tantas possibilidades que se apresentam, talvez fosse mais prudente um desfecho mais reticente...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Declaração. De amor. De saudade. De persistência.

Ontem eu caminhava por aquela avenida, na qual costumávamos nos encontrar!
Como era bom! Contava os segundos para que o encontro acontecesse!
Era maravilhoso te esperar!

E bem no momento da lembrança, algum locutor, com uma voz macia no dial, anunciou a música dos Beatles, que fala de saudade! Saudade dos afetos que se foram! Dos amores que não aconteceram! Dos amigos que ficarão pra sempre na memória!

Em minha mente, aquilo foi um espetáculo triste e bonito!

Declaro que te amo! Mesmo não te vendo mais!
Declaro que sinto saudade! Mas uma saudade boa, porque só se tem saudade do que foi bom!


Declaro que vou persistir nas lembranças, nos sonhos, pois me fazem bem!

Dizem que um homem não morre quando deixa de viver, e sim quando deixa de sonhar!

Não vou parar de sonhar! 

Não quero parar. Não devo!

Chega a ser engraçado! Incrível como é a mente humana!
Aquela música, aquele perfume...

Falando em perfume, dias atrás eu tava andando ali pelo centro, quando alguém que passava próximo a mim, me fez lembrar você!
Até me perguntei se não era você quem estava ali!

Não vou mentir, nem esconder de você! Um leve sorriso esboçou em meu rosto! Com a desculpa de que o farol estava vermelho, parei, fechei os olhos, e te vi em meus pensamentos! Linda, como sempre! Com esse sorriso terno que encanta!

Te ver sorrir faz bem!
Me faz sorrir também!

Viajando nesse devaneio, percebi que as pessoas que estavam do meu lado, esperando o sinal abrir, há muito não estavam mais ali. Há muito o semáforo fechara. Há muito eu pensava em você!
Mas valeu a pena!

"Há lugares dos quais vou me lembrar por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado...
Alguns para sempre, e não para melhor...Alguns já nem existem, outros permanecem.

Embora eu saiba que eu nunca perderei o afeto por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que frequentemente eu vou parar, e pensar nelas!

Em minha vida, te amo! Ainda mais!
Em minha vida... Te amo! Ainda mais!"

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quando sua criança acorda

Quando ele achava que a noite estava tediosa demais, liga a TV na novela que nunca assistiu. De repente, quando já tinha se acostumado a não se emocionar mais com as dramaturgias da TV Globo, vê Dira Paes - sempre maravilhosa - em uma briga com o marido, que depois de algum tempo, no auge dos absurdos, da um tapa na mulher que se levanta do chão com a boca sangrando.
Ele começou a reagir de forma estranha. Queria poder ter feito algo pra impedir. Queria matar o homem. Se ele pudesse teria batido nele com aquela força que não parava de crescer dentro dele. Sentiu raiva. Foi quando, atendendo aos seus pedidos, ela se levanta e da um tapa na cara do marido. E outro. E bate nele como ele queria ter batido. Ele não se sente satisfeito. Por ele o rosto do sujeito nunca mais seria o mesmo. A vontade que ele tinha era de acabar com toda a raiva que ele sentia usando a força em cima daquele sujeito.
A cena acaba e ele se depara com aquele sentimento de raiva que o havia dominado. Se sentiu ridículo por se deixar levar por uma cena de novela. Foi quando percebeu que não tinha sido a cena. Que aquela cena mexeu com o algo que ele tinha inconscientemente tentado apagar da memória durante a vida toda. E soube que era melhor ninguém nunca encostar em uma mulher daquela forma na frente dele. Logo ele, que nunca havia usado violência na vida e era absurdamente contra qualquer tipo dela, se surpreendeu com a novidade de que não seria tão pacífico quanto sempre imaginara. Não nesse caso.

sábado, 17 de março de 2012

Viva

Uma fofa, uma princesa (como alguém chegou a comentar). Mas uma princesa bem forte, daquelas que erguem o vestido, sobem no cavalo e lutam gritando. Vencer no grito, acho que isso resume bem. A primeira vez que eu a vi foi no auditório da Unicentro, achei os cabelos dela, muito compridos e muito brilhantes, bonitos. Tempos depois ela sumiu e alguém falou por cima que uma caloura estava com câncer. As lembranças se misturam um pouco na minha cabeça, sem qualquer ordem cronológica.
Lembro dela sem cabelos, lembro dela com muletas. Lembro dela com muletas numa festa, baladinha, e achei engraçado, achei ela ousada e feliz. Não lembro da primeira vez que conversamos, ela era amiga de uma conterrânea minha e deve ser daí. Lembro dela com cabelo curtinho vestida de Moranguinho em uma festa à fantasia, lembro dela me convidando pelo MSN para uma mesa-redonda com dois professores fudidos e eu querendo esganá-la. “Olha aonde você me meteu, Suellen!”, e ela ria.
Lembro dela no jornal onde eu trabalhava fazendo teste pra estagiária, dela andando pela universidade, dela apresentando um programa jornalístico de tv, das conversas que tinha com ela pela internet, no twitter, no facebook, dela rindo quando eu soltava alguma pérola com a hashtag #trocandodebiquinisemparar. Lembro dela perguntando se poderia passar no jornal um dia, porque ela estava de passagem na cidade, queria me dar um abraço, e falou para eu não me assustar porque ela estava careca. Falei que nem careca ela conseguia ficar feia, a bandida!
Quando ela criou o blog, para contar a sua vida com o câncer desde menina, atestei o que já sabia. Alguém que quer viver, apesar de, e quer viver muito, com todas as forças. Mas eu descobri muito mais, fez um punhado de intervenções, tirou um rim, algumas próteses. Mesmo assim, vivia. Mestrado, prêmios, projeto Rondon, festa com os amigos.
Talvez por toda essa força, essa força estrondosa que faria parte dela, choquei-me com a notícia quarta-feira. A Suellen foi embora, a Suellen perdeu a batalha para essa doença que me dá cada vez mais medo. Mas a Suellen venceu a batalha de espalhar para o mundo, enquanto ela pôde, que vale a pena viver, que ninguém é melhor ou pior que ninguém, que lamentos são para os fracos.
Princesas fortes como ela lutam de cabeça erguida e enquanto eu puder, vou continuar espalhando um tiquinho da experiência de vida dela. Por isso, se você quer saber mais sobre a Suellen em relatos fortes e cheios de vigor, lidos de trás para frente, cujo post mais recente é o mais cortante, conheça o blog da Suellen, conheça o texto que inspirou o nome, conheça o documentário que ela e seus amigos fizeram sobre o câncer, conheça e pare de caranguejar. Viva, viva muito, viva com força. Por mim, pela Suellen. Por você.

“A vida nem sempre é feita de escolhas, porque às vezes há só uma opção. Até pra morrer é preciso ser forte”. (Suellen Vieira) 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Querem te enganar?

Engraçado como conceitos de hiperrealidade, "wannabes" e afins estão em voga. As mídias são palco de exercício constante, porém, é mais engraçado ver uma marca tentar dar glamour a algo que não é chão de fábrica. Já repararam na propaganda da Nextel, um grande cineasta produzindo, os descolados que profetizam mensagens. Na real, o maior consumidor deste produto são os pais de rua, negociando o tempo todo algo que tentamos não saber e que nunca estará constando oficialmente no PIB do país. Sim, não basta tomar uma cerveja no baixo Augusta para ser cool.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tecnicalidades...


— Mas... eu nunca menti para você, menti?

— Não. Você usou seu jogo de cintura para fazer o que quis, sempre desviando da necessidade de dizer a verdade. E a sua "sinceridade" não anula o fato de você ter sido e continuar sendo um babaca. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Escolhas ...



“Você não existe. Eu não existo. Mas estou tão poderoso na minha sede que inventei você para matar a minha sede imensa. Você está tao forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata. Nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos, para continuar vivendo. E porque nos inventamos, eu te confiro poder sobre o meu destino e você me confere poder sobre o teu destino. Você me dá o seu futuro, eu te ofereço meu passado. Então é assim somos presente, passado e futuro. Tempo infinito num só, esse é o eterno.”

[Caio Fernando Abreu] 



terça-feira, 13 de março de 2012

Do latim, Tripalium

Meus últimos dias têm se resumido em questionamentos sobre o tema emprego/trabalho.

Existe um trabalho em que você realmente seja feliz e valorizado? Existem patrões conscientes?

Patrões são de Vênus e empregados de Marte? Todo chefe faz cursinho preparatório no mesmo lugar?

Muitos são meus questionamentos, mas para não transformar esse post em um punhado de lamúrias (coisa que já fiz aqui), resolvi postar dois vídeos que dizem muito.

O primeiro trata-se de uma animação que fala sobre as relações humanas no trabalho. Dava para fazer enormes análises político-sócio-antropológicas sobre ele, mas acredito que fale por si só.



O segundo vídeo chamado The fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é o vencedor no Oscar de melhor curta de animação deste ano. Ele mostra o quanto os livros e as histórias contidas neles podem ser refúgio e salvação no meio dessas perguntas sem respostas e dessas questões angustiantes.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Abram os cofres, o Príncipe Harry chegou!

Um professor de matemática me disse que o mundo não avança por um simples motivo: as pessoas não sabem fazer contas.Não sabem quanto pagam de impostos e quanto dão a igreja.Diante desses dois problemas medievais a humanidade estacionou ali, no século XVII.
A única coisa nova neste século são os brinquedos, o resto é antigo ,mantemos a tradição de sermos explorados em tudo.
Esta semana o príncipe Harry veio ao Brasil.Muito fofo, muito lindo, muito simpático,mas pertence a uma das monarquias mais assustadoras e exploradoras da história.Ele veio pelo nosso dinheiro.O que foi enviado por Portugal séculos atrás não é mais suficiente, eles querem mais.E nós vamos dar, lógico, finalmente ele é o neto da Rainha da Inglaterra e o Brasil não vai fazer desaforo para a Alteza Real.
Programas empalhados como o Fantástico não podiam perder a oportunidade.Foram atrás dele com uma garota,escolhida pela produção para ser apresentada a ele. Perguntaram o que ele achava das brasileiras e se poderia uma brasileira ser princesa. Ele riu e fez graça.Bom, nisso avançamos .Se fosse antes ele nem teria se dado o trabalho de responder e centenas de virgens estariam sendo entregues a ele.
O Rio de Janeiro tem milhões de problemas e pouco dinheiro para resolver.Mas essa visita do príncipe custou milhões, que a prefeitura nega,mas todos sabem o custo de uma visita dessas.
São aproximadamente 20 monarquias no planeta, até países castigados como Tailândia e África tem a sua.Cada monarquia tem em média de um a dois bilhões de dólares.Dinheiro sujo,de exploração, de saques e roubos.Estamos no século XXI e ainda achamos normal a monarquia tirar dinheiro do povo.Ignoramos a ciência e pensamos que eles tem sangue azul, passamos em cima da religião e acreditamos que eles são os escolhidos de Deus.
O Brasil está na mira.Há três anos a futura rainha da Suécia, a princesa Vitória visitou o Brasil, para investimentos.O que era ninguém sabe.Mas sempre pedem isenção de impostos,já que são monarquia.
Não somos os únicos a achar a monarquia uma coisa muito fofinha.Fomos depenados pela monarquia portuguesa e ainda nos deixaram a pior herança possível, uma maneira de pensar que divide o país em dois, quem é nobre e quem não é.
Único consolo é pensar que não somos os únicos que não percebem como eles continuam saqueando o povo.Os espanhóis estão passando dias cinzas, com desemprego, despejo e fome.Mas sua monarquia está bem, obrigado.Cada dia mais ricos, vivendo em palácios e dando jantares com comidas exóticas, enquanto pais de família não tem emprego nem dinheiro para alimentar seus filhos.
Os ingleses viram o governo cortar o apoio econômico aos estudantes, diante da crise em um ano que o dinheiro era necessário para ser usado na festa de 60 anos da Rainha no trono.Isso é mais importante que o futuro dos estudantes.Mulheres se prostituem para pagar a faculdade e o príncipe Harry aqui no Brasil, detonando, viajando com uma corte.
Ora, alguém se incomoda com isso ? Pelo jeito só eu.Vejo pelas revistas as monarquias se divertindo , gastando, e as pessoas cada vez mais miseráveis,como nos tempos feudais, as pessoas caminham entre a lama tentando vender seus animais para pagar os impostos para o rei.
Não temos mais monarquia, mas ainda nos deslumbramos com eles.Harry já avisou que gostou tanto do Brasil que vai voltar com seu irmão, William, futuro rei da Inglaterra.Isso vai ser um prejuízo para nós. No século XXI eles viajam de jatinhos para roubar outros países ,não mandam mais exércitos.
Poder político eles não tem nenhum, mas não perdem o costume de levar o que é dos outros.E por que não roubar se os países estão de portas abertas e ninguém reclama ?
O mundo está estacionado porque assim decidiu a maioria.Manter a igreja e a monarquia no século XXI não ajuda o mundo a progredir. E a visita do Harry deixa uma coisa bem clara, nenhum país está fora da mira dele.Como ladrões eles cheiram o dinheiro e o Brasil está na lista de prioridades.Estamos na lista e mesmo assim sorrimos, suspiramos , sonhamos  em ver uma brasileira se tornar princesa.Se isso for o melhor para os cofres reais ingleses  com certeza vai acontecer.
 
 
 
 

domingo, 11 de março de 2012

Photographia

Geava como não se via há anos. Como não havia nada o que fazer, resolvemos fuçar no quartinho das bagunças. É incrível como somos capazes de acumular coisas que nunca mais serão usadas, achando que um dia será útil. Contas pagas de 1990, lata de tinta branca com um finzinho praticamente seco, sacolas plásticas, ferramentas e parafusos.

Eis em meio a tanta desordem, uma máquina fotográfica daquelas de filme estava jogada por lá e como dois curiosos, não podíamos deixar de verificar se funcionava. Fuçamos mais um pouco para encontrar filmes e pilhas também.

E então começou a brincadeira. Tirávamos foto disso ou daquilo, dela e minha, tirávamos fotos do frio, do sorriso, da mão roxa e das plantas congeladas. Tirávamos e tirávamos, ríamos aos montes e nos aquecia. Tirávamos mais e mais, amávamos e tirávamos, e no fim, estávamos somente nós, sós e nus.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Perfeição e imperfeiçao

-Quero saber o que significam essas mensagens no seu celular? -Você olhou o meu celular?!? -Olhei! Olhei, pronto! E não gostei do que vi! -Mas como você ousa... -Não fuja, não mude o foco. O que são essas mensagens de encontro, de amores? Hein? Eu já deveria saber. Afinal de contas, quando eu te conheci você estava namorando outro. E eu que disse para mim mesmo que nunca seria motivo de final de relacionamento dos outros. Acabei sendo. Só não esperava que isso acontecesse comigo também. -Lá vem você com essa história! -É, venho mesmo. Venho, porque essa história é como um fantasma que me assombra todas as noites quando você chega tarde, quando não me atende. Fico pensando que você está com outro. A verdade... a verdade... quer saber? A verdade é que eu amo você, mas não confio em você. Pronto, falei! -Como você pode dizer isso? Dizer que me ama e não confia? Então isso não é amor. -Tá aí. Você tem razão isso não é amor. Isso é doença. Sim, só pode ser uma doença. Eu te amar desse jeito. Eu continuar te amando mesmo sabendo de tudo isso, mesmo percebendo que você não é o mesmo de antes. Gostou, não foi? Gostou porque eu disse que isso é “doença”? Pois bem, saiba que para mim essa doença é amor. E isso é minha maneira de te amar. Não sei me dar de outra forma. Não sei me envolver com duas pessoas, feito você. Só sei ser inteiro e me doar por completo. -Lá vem você com sua psicologia barata de banca de revista! -Seja lá o que for, foi a forma que te amou durante esse tempo todo. E você não soube aproveitá-la. Ou melhor, você até soube fazer isso muito bem. Você se aproveitou de mim. -Pronto, agora é a vítima do 11 de setembro. -O que me dói é essa sua ironia, essa... essa... essa sua hipocrisia... -E você é o dono da verdade. Pois quer saber? Saí com outro. Dormir com ele sim. Porque eu cansei de ser cobrado, exigido, vigiado. Eu queria o seu amor não a sua vigilância cega e doentia. -Pronto. Agora eu sou o errado da história... -Não to dizendo que você é o errado da história. Só quero deixar claro que antes de você me acusar de errado, você olhe para o seu umbigo e veja que também você tem erros. Veja também que nem eu nem você somos perfeitos. E entenda de uma vez por todas que se eu te escolhi no lugar do meu ex- é porque eu te amava e te amo. E esse amor não pede perfeição ou idealismo. Pede apenas respeito, compreensão, presença, diálogo. Coisas que entre nós foi se acabando a cada dia. Quando você escolhia o seu trabalho, seus estudos em detrimento de mim. Pois bem, a carência me fez colocar outro no seu lugar. Coloquei, não nego. Bom? Foi! Mas a grande questão não é saber se foi bom ou não. Porque o amor está acima dessa moral de ser certo ou errado, bom ou mal. A questão aqui é saber se você ainda me quer. Sabendo que não sou menos ou mais imperfeito do que você, porém a minha decisão de te amar, de te eleger para ser objeto dos meus sonhos e do meu amor permanece até hoje. Continuo aqui. Esperando-te. Elegendo os teus braços como meu porto-seguro, onde encontro um misto de segurança e leveza. Continuo preferindo seus olhos apaixonados a todos os olhos azuis do planeta. Não quero corpo. Corpo é fácil encontrar. Eu quero história. Eu quero nossa história. Quero você. Porém, não se esqueça: cuidado com suas palavras. Porque elas têm um pode avassalador. E são elas que mais estão minando nosso amor a cada dia. Vou almoçar na casa de minha mãe. E pode ficar com o celular. Aproveite e repense se era necessário usar cada palavra que a mim você direcionou. Rodrigo fica sozinho. Seus olhos começam a marejar. À sua frente apenas uma porta fechada. E uma dor ao imaginar que, talvez, uma porta emocional também se fechou. Peso, pesar... pensa que, talvez, fosse melhor não ter começado essa conversa...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Parabéns!




A mulher é um tipo de homem,

Que o cabelo cresce mais depressa,

que tem menos pêlos
(e arranca mesmo assim)

que no lugar da natural agressividade masculina
tem instinto maternal.

a mulher trabalha cinco anos a menos
e vive cinco anos a mais


o homem é feito com a régua
a mulher com compasso e tranferidor
o homem grave
a mulher aguda
o homem áspero
a mulher macia
o homem luta
a mulher cura
o homem o improviso
a mulher o roteiro
a mulher, o vestido, a saia, a blusa, o top, a calça...
o homem calça e camiseta
a mulher mãe, filha, companheira, confidente.
o homem amigo.

Vamos celebrar hoje, no dia da mulher, algo que está tão em baixa:
a humanidade.

quarta-feira, 7 de março de 2012

 
 
 
Cagando (e andando)

    Há pouco tempo, tive uma longa e produtiva conversa  com uma amiga sobre o que as pessoas pensam a nosso respeito.  Isso me fez lembrar uma frase que ouvi, de algum conhecido, certa vez e que, desde então, adotei meio como meu mantra pessoal:  "Tenho três vidas:  a minha, a que os outros inventam para mim e a que minha mãe pensa que eu levo".

    Essa minha amiga, por exemplo, é uma pessoa maravilhosa, mas a todo tempo preocupa-se com a imagem que está passando para os outros.  É como se vivesse sempre numa eterna busca de aceitação:  você tem que me amar, você tem que me achar bom, bonito, generoso, inteligente, honesto, digno e o escambau a quatro.  Para mim, isso é tão, mas tão distante que custo a acreditar que tenha gente que realmente leve a vida desse jeito.  Mas existe.  E não sou poucos.

    É claro que, em maior ou menor grau, todos queremos passar nosso melhor.  Ninguém gosta de expôr suas fraquezas e defeitos assim, gratuitamente, como se exibisse para o mundo tudo o que insistimos em pôr debaixo do tapete.  Mas viver todo o tempo nessa tensão, como quem solta um pum no elevador e esconde a palma do mão com medo de ser denunciado, deve ser bem punk.  Porque, simplesmente, não importa o quão bom sejamos.  Sempre haverá alguém no mundo para falar algo a nosso respeito.  Seja bem ou mal.

    Há muito tempo passei da fase de me preocupar com o que  acham ou deixam de achar de mim.  Pelo contrário: hoje até me divirto com as percepções que as pessoas tem a meu respeito.  Se estou gordo, reclamam que devia me preocupar mais com minha saúde, que sou muito novo para estar acima do peso e blábláblá.  Se estou magro, deveria engodar alguns quilinhos e logo aparece alguém com cara de preocupação, querendo saber se estou bem, se tenho ido ao médico e por aí vai.  Se o cabelo está comprido, um "corte moderno caía bem".  Se resolvo cortá-lo, pronto, "perdi minha identidade". Se você faz uma tatuagem, tem gente que elogia, diz que é bacana, que tem maior vontade de fazer, mas o medo não deixa.  Outros olham torto e até falam que isso "não é coisa de Deus".  Trocando em miúdos:  sempre tem quem bata palmas, mas sempre tem quem atire pedras.  Em tudo na vida.  O segredo, portanto, é um só:  cagar e andar, como se diz no popular.  E é assim que eu, Marcelo, tenho levado minha vida nos últimos tempos.  Cagando e andando.  E mais feliz que nunca.

terça-feira, 6 de março de 2012

Vênus

venus

Olhos verde-musgo, fendas meio tristes na pele branco-bege, cabelos cor de ouro (não amarelos, não louros, mas cor de ouro de verdade), nariz baixo e boca pequena, queixo arredondado, maxilar belamente contornado, pescoço longo. Botticelli pode tê-la pintado assim, mas como seus olhos a pintam?

A figura de Vênus, a deusa romana do amor, já tomou várias formas. A Vênus de Milo é uma mulher de traços mais duros, de órbitas feitas vazias pela própria condição de escultura, corpo diferente do padrão atual; seios pequenos, cintura pouco marcada, pernas curtas. Vênus, nascida para representar o desejo sexual em primeira instância (em latim, venus era a palavra usada para o “amor carnal”), tomou várias formas conforme a sexualidade humana se tornou mais diversa.

A etimologia ainda aponta que venus divide a raiz venes- com a palavra venenum, no sentido de “feitiço, filtro mágico”. Vênus era a deusa que tornava o “vicio sexual” em “virtude sexual” no coração dos homens e das mulheres. Em um contexto atual, Vênus nos aparece para eliminar o pudor de sermos seres sexuais, em última avaliação.

A ela eram oferecidos os brinquedos das garotas romanas que haviam “amadurecido”. Com o nome dela era chamada a melhor jogada possível no jogo de azar mais popular do Império Romano. Vênus é a deusa do tempo que passa e nos obriga a crescer, seja física ou psicologicamente. Vênus é a deusa da sorte, da boa fortuna.

Em 1993, com um tom um pouco mais apimentado, a artista pop islandesa Björk quebrou paradigmas mais uma vez com “Venus As A Boy”. De sua forma peculiar, a cantora e compositora criou um hino ao mesmo princípio original da deusa que ela torna em um garoto em sua letra: o amor carnal. Mas ainda amor. E, talvez, amor ainda mais puro.

 

He believes in beauty, he’s venus as a boy ♫

segunda-feira, 5 de março de 2012

Tatuagem

10

9

8

7

6

5

4

3

2

1

Esta contagem regressiva poderia ter sido diferente. Diferente, especial, ela pensou. Com duas taças, um espumante e dois sorrisos alongados na praia de Copa. Ela teria motivos de sobra para mais uma tatuagem. Talvez na nuca, talvez uma frase, talvez o nome dele. Ela, que adora colecionar memórias na pele. Tatuar é contar uma história para sempre (mesmo com os procedimentos à laser para apagar). Esquecem que as histórias da pele ficam tatuadas para sempre na memória. Eles se separaram no Natal. Ele voltou para Buenos Aires. Ela tatuou Carpe Diem na virilha. Os bilhetes do reveillon em Copa continuam em cima da estante.

*****
Depois de ler, ouça esta canção: http://migre.me/7nKiF

domingo, 4 de março de 2012

ANOTAÇÕES PARA UM LIVRO DE AUTOAJUDA

(por Gilberto Amendola)
(A ideia)
– Quando um relacionamento sério começa a ficar chato?
 – Depende... Quanto tempo você demora?
– Como assim?
– Na cama!
– Uns...
– (Cortando) Dois minutos!
– O que é isso? Pelo menos uns 15, 20.
– Pois então, qualquer relacionamento começa a ficar chato depois disso, meu amigo.
– Mas...
– E alguns já são chatos, inclusive, durante esses cinco, quer dizer, 20 minutos.
(O modelo)
Livro estilo autoajuda/engraçadinho/caça-níquel.
(A tese)
Provar que homens e mulheres são mais felizes quando investem em relacionamentos de tiro curto. Ou seja, em amores de uma noite, um final de semana ou, no máximo, 3 meses. 
(A sacada)
Apesar de pregar contra os relacionamentos duradouros, o livro será extremamente romântico. Uma celebração da paixão, dos encontros casuais e, principalmente, dos amores platônicos.
 (Ser platônico em capítulos)
1 – O que é um amor platônico? 
– Definir amor platônico do ponto de vista da história, da ciência e mesmo da ficção. Usar como exemplos algumas comédias românticas da Sessão da Tarde, clássicos da literatura universal e desenhos animados (por exemplo, a relação do personagem Charlie Brown com a Garotinha Ruiva).
 * Importante: inventar um especialista em Shakespeare (de preferência um inglês) para defender e dar peso à seguinte cascata: a morte de Romeu e Julieta foi o último recurso do casal mais famoso da história contra aquilo que se apresentava como um provável “relacionamento sério” e duradouro.
2 – Como criar seu próprio amor platônico?
 – Regras de como inventar um romance impossível/Monte sua própria mulher (homem) ideal (da cor de cabelo ao signo)/ O charme de ser impossível?/ Como alimentar um amor platônico por muitos anos/ Como levar um amor platônico para cama?/ Como esquecer um amor platônico (ou invente outro amor antes que esse comece a ficar chato).
3 – Um roteiro de como viver um amor completo em apenas dois dias.
 Capítulos: Encontrando um grande amor/ Flerte e conquista/ Depois do terceiro ou quarto copo/ Na minha casa! Ou na sua.../ O sexo/Dormir de conchinha (ou como não deixar o seu braço adormecer embaixo de outro corpo)?/ Dia seguinte – com ou sem café da manhã?/ Sexo – um segundo round pode ser bom/ Primeira discussão/ Diferenças irreconciliáveis/ Segunda discussão/ Amigos?/O adeus/ Como esquecê-la (o) com exercícios de respiração.
(Longos relacionamentos)
Como desmontar o argumento: “Meus pais estão casados desde 1962 e ainda são felizes”.
– Isso não é verdade.
– Por quê?
– Porque se eles realmente fossem felizes você não estaria aqui me aborrecendo com esse assunto ridículo.
– Não entendi.
– Casais têm filhos para superar o tédio da convivência. Quando o casamento está naufragando, as pessoas inventam (fazem) filhos. Aliás, os filhos compensam a tragédia de um relacionamento duradouro.
Ok, fazer essa tese ficar mais palatável e menos agressiva. Do jeito que está, ela pode assustar leitores mais conservadores ou religiosos.
(Próximos passos)
Prospectar editoras/Pedir um adiantamento ou negociar uma porcentagem maior nas vendas?/ Entrevista em importante revista semanal/ Dois blocos no programa do Jô/ Academia Brasileira de Letras?/Como investir o dinheiro que vou ganhar com isso?

sábado, 3 de março de 2012

Nem só de números

Cliente 01:

Mais ou menos 60 anos. Barbudo. Queria um empréstimo. Parecia envergonhando por precisar, falava baixo e olhava para os lados. Fui conversando para ver se ele relaxava. Acabou me contando da filha. Era um bom pai. Tenho um carinho especial por bons pais. Contou com orgulho que ela era uma atleta, nadadora. Participaria de um evento, não me lembro qual. Não sei nada de esportes, mas deixei que ele contasse. O empréstimo era pra ela. Perdeu o patrocínio. Foi uma sacanagem o que fizeram com a minha filha, disse. Começou a chorar, um choro nervoso, desses que a gente quer segurar e não consegue. Eu quis falar alguma coisa, dizer que no fim tudo daria certo e essas bobagens que a gente fala, mas não deu tempo, ele se levantou correndo da mesa e foi embora. Sem o empréstimo.

Cliente 02:

Mulher . Meia idade. Muitas dívidas, tentativas de renegociação fracassadas. Desses casos que a gente tem vontade de sair correndo quando vê, porque sabe que não vai conseguir resolver. Não sobrava nada do salário. Me contou que um dia um funcionário a ironizou por ter a vida financeira tão bagunçada. Começou a chorar. Contou que precisou ajudar a pagar o tratamento de leucemia do sobrinho. Mostrou a foto de um menininho risonho. Diz que gastou o que tinha e o que não tinha. O menino morreu. Disseram que é mentira, mas eu acreditei. E tentei, mas não conseguir ajudar muito. Duas semanas depois soube que ela tentou o suicídio. Sobreviveu.

Cliente 03:

Magro, louro. Uns 50 anos. Pele judiada de quem trabalhou no sol. Queria abrir uma nova conta. Não queria que a ex-mulher tivesse acesso aos seus novos gastos. Mas ex-mulher? Sim, ela que movimentava a conta, sacava o salário, tudo. Já a nova conta seria para gastos com a nova namorada. E põe nova nisso, 19 anos. Claro que ele estava apaixonado. E é bonita, me contou. Enquanto arrumava a documentação fomos conversando, conversando, até que ele me contou o detalhe essencial: era puta. Sim, puta. Eu quase engasguei, mas ele falava com uma naturalidade tão grande que só me restou achar natural também. Insistiram muito que ele fizesse um programa com ela, ele sozinho, negou, negou, até que em um sábado de solidão resolveu ligar e a menina foi. Chegou gripada, ardendo em febre, só restou a ele cuidar da menina. Apaixonaram-se.