terça-feira, 9 de outubro de 2012

Painho, como era ser criança no seu tempo?

Bruninho. 6 anos. Sentado no sofá da sala. Jogando no seu celular megamaxihiper moderno touchscreen, lógico! Paulo. 32 anos. Sentado à mesa. Lendo os relatórios da firma no tablet. Renata. 28 anos. Conversando com a irmã – em outro canto da sala – no computador, via skype. Flavinha. 15 anos. Andando pela casa. Ouvindo música no ipod que ganhou sexta-feira passada de aniversário. De repente, Bruninho chama o pai para brincar. Paulo diz que não pode. Está terminando o relatório. Bruninho, então pergunta: “Painho, como era ser criança no seu tempo?”. O pai para tudo. Pensa. Sorri e visita o baú de memórias que habita em seu cérebro. Depois discorre: “Era tudo muito mais bonito, mais colorido, mais engraçado. Nós passávamos horas empinando pipas, jogando peão, brincando de esconde-esconde ou pega-pega. Sem falar que nós fazíamos muito dos nossos brinquedos: pipa com papel de seda... ah, e também ficávamos horas e horas vendo o céu todo estrelado, à noite, e contando histórias de terror. Depois ficávamos com medo de dormir, mas todos os meninos mentiam. Para não “ficar feio” na frente das meninas” (risos)! (...) Pausa. Silêncio. Suspiro. Lágrima. Retorno rápido. Hoje é tudo muito diferente. Vocês só querem saber de internet, de computador, de Playstation, de tecnologia...” Bruninho, acompanha tudo aquilo. Levanta. Vai até o pai. Passa a mão na cabeça do pai e sai com uma destas (ainda acho que Bruninho é o adulto da casa (risos)): “Entendo, painho. Eu também acredito que naquele tempo os pais eram diferentes. Eles tinham mais tempo com o filho e menos tecnologia”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Algo não funciona bem.

Eu tinha uns 3, meu primo uns 13. Ele chegou na casa da vó pulando com um pogobol. 

Eu fiquei encantada, pedi para tentar e ele deixou, eu mal conseguia subir no brinquedo, quanto mais pular como ele fazia.

Um dia desses no mercado, vi um  pogobol solto da caixa no chão, senti o mesmo encanto.
Mal consegui  subir no brinquedo.

sábado, 6 de outubro de 2012

Memorabília.

boloEu entre minha mãe e meu pai, no meu aniversário de dois anos.

Tenho 18 anos, completados em Março último. A maioria das coisas está fresca em minha memória, mas há algo de neblina nela quando olho para minha infância.

Tenho cicatrizez dela. Na minha barriga, quando uma queda de bicicleta me custou um corte feio nos arredores de casa. Costumava ter outra no tornozelo, conseguida num tombo na casa do meu tio, que conseguiu a proeza de sair dessa minúscula casca de ovo chamada Itatiba para morar em uma ainda menor, chamada Descalvado. Constatei agora mesmo que ela desapareceu.

Da infância, me lembro da eletricidade. Da disposição para tudo. Das brincadeiras que faziam do quarteirão uma cidade a ser protegida pela polícia, montada bravamente em seu patinete. Sim, eu tive um patinete (está permitido rir nesse momento).

Lembro de ouvir MPB com meus pais, de Chico Buarque à Elis Regina, passando por Ney Matrogrosso (favorito da minha mãe, e trilha sonora das tardes de semana com “Bandoleiro”) e Lulu Santos (favorito, por sua vez, do meu pai, que me embalou desde os primeiros anos com “Sereia”).

Lembro-me também de sentir medo, a cada vez que minha mãe me deixava passar do horário e eu via meus primos assistindo algum filme de terror, juntos no quarto. Medo da sessão de horror da locadora, dos posters de Chucky, o boneco assassino, pendurados na parede do lugar. Lembro de minha mãe fazendo aniversário em uma sexta-feira 13 (de Agosto), e insistindo que eu assistisse “A Hora do Pesadelo” ou uma de suas infindáveis continuações com ela. Eu não conseguia. Via flashes, e ficava aterrorizado.

Até hoje, quando tenho pesadelos, Freddy está lá. Até hoje, quando quero, meu quarteirão vira o que quer que eu queira que ele vire. Mas, ao invés de montar meu patinete, empunho minha caneta. Certas coisas nunca mudam.

E talvez minhas tardes não sejam mais regadas a MPB, mas ela ainda me leva a um tempo que tenho o mais absoluto medo de esquecer.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Unidos por um Bubbaloo

Ele guardava a goma de mascar embaixo da carteira para durar mais. Ela deixou um bilhete colado na goma: sou doce e não perco o sabor. Casaram-se de mentirinha na hora do recreio. Dividiam o waffer de abacaxi e o suco de melancia. O primeiro beijo foi na sala da Diretoria, quando ficaram de castigo por riscarem eu te amo no quadro-negro (uma das primeiras aulas de amor). Casaram-se de verdade e vivem grudados feito chiclete. 

- Cleyton Cabral -

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Balde de Conchinhas

Esses dias eu fiz uma viagem nos moldes dos anos oitenta: praia, carro, família e badulaques.  Uma viagem como nos tempos que não existia a possibilidade de parcelar em dez vezes no cartão.  Viajávamos para a praia mais próxima e só. De preferência para alguma casa emprestada e levando uma caixa de mantimentos no bagageiro, junto com um isopor, guarda-sol  e cadeiras de praia. E se você está pensando em como cabia tudo isso em um carro, é porque seu pai não tinha uma Caravan.  Caso contrário você saberia que dava espaço até pra um dos filhos ir deitado junto das bagagens. E tinha briga pra ver quem viajaria lá!

Tirando o porta-malas colossal e a imprudência, tudo igual, até os desentendimentos.  Pra começar meu cunhado se perdeu no caminho. Lembra do tempo que não existia GPS e seu pai se recusava a pedir informação no posto?  Pois é. Duas horas a mais de estrada por conta da teimosia. No outro dia começou aquele lenga-lenga de família. Um quer ir pra um lugar, outro pra outro.  Meu cunhado, sempre ele, ficou infernizando para ir para a praia que ele ia quando era criança. Falou, falou, falou, falou tanto que fomos, caramba, ninguém mais aguentava ele choramingando na cabeça.  Chegamos lá e ele ficou visivelmente emocionado.  E bêbado. Não parava de falar de quando ele viaja com os pais e o irmão, e a casa que ficaram, e aquela vez do Banana Boat. Por sorte não tem mais esse brinquedo por lá. Viva o progresso
.
Eu estava começando a achar que minha irmã tinha se casado com uma pessoa intelectualmente prejudicada quando chegou a vez passar o dia na minha praia de infância. Ah, como é bom, meu cunhado estava certo. Voltar há um lugar que você foi feliz na infância é mesmo de se encher os olhos.  E estava tudo igual. As barraquinhas, o queijo coalho, as conchinhas. Não conheci nenhuma outra praia que tivesse tantas conchinhas coloridas como aquela. Eu recolhia as mais bonitas e levava embora. E tinhas as bolachas-do-mar também, com aqueles "pezinhos". Eu levava também e deixava em um pote com água para que não morressem. Claro que não dava certo. Começava a cheirar mal e comprava uma briga com a minha mãe, que queria jogar fora e eu não aceitava.

Fiquei sentada na areia pensando em todas as coisas que eu gostava de fazer quando eu era criança e percebi que a eu continuo gostando das mesmas coisas. Menos nomes, graças a Deus, senão meus filhos se chamariam Sandro e Jéssica, que eram os nomes das minhas bonecas. Sorvete? Até provo outros, mas gosto mesmo é do sabor doce de leite, o mais próximo possível do sorvete do Seu Zé.  E tem ainda andar descalça, filhote de cachorro, pastel de salsicha, chupar laranja, piscina, andar de bicicleta. Posso até mudar, esquecer, mas quando volto a fazer alguma coisa que eu gostava de fazer quando criança, parece que o prazer é dobrado, como se eu recuperasse um pedaço de mim que alguém levou embora.  Foi aí que resolvi começar a colecionar conchas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O meu auge futebolístico (10-13 anos)

Como muitos de vocês já devem saber, este é o mês das crianças no Blog das 30 pessoas. Cada membro ficou com a responsabilidade de contar uma história dessa época preciosa e irresponsável de nossas vidas.

Quando olho pra minha infância, vejo sobretudo duas coisas: futebol e videogame. Gostaria de escrever sobre as duas coisas, mas para que o texto não fique enorme, vamos de futebol mesmo.

Estudei no Espaço Educação do Jardim 3 à quarta-série. Tive que mudar de colégio porque o Espaço não trabalha com quinta, sexta e as demais séries subsequentes. Isso seria ensino fundamental? Já nem sei mais. Todo dia eles mudam essas nomenclaturas. O campo de futebol era minúsculo e inclinado (quase uma ladeira) e quem acertasse a bola dentro da coordenação, mesmo em caso de gol, era expulso de campo. Quem jogasse a bola pra fora do colégio (o muro devia ter uns 3 metros) também era expulso de campo e só poderia jogar no dia seguinte. Jogávamos então um futebol extremamente meticuloso e acho que foi exatamente isso que fez com que eu desenvolvesse uma habilidade suficiente para chegar no GIMK, onde não conhecia ninguém, e ingressar no time titular da turma 58. As outras turmas eram a 50, 52, 54 e 56. O campeão e o vice da quinta série faziam um quadrangular final com o campeão e o vice da sexta série para definir o melhor das duas séries. O Thiago, que jogava bola comigo no Espaço, foi para o GIMK e também foi escalado para o time titular. Além dos times principais de cada turma, tinha também o time B e em alguns casos até time C. Fizemos um bom campeonato, mas acabamos em segundo lugar. No quadrangular final nós jogamos contra o primeiro da sexta série e tomamos uma goleada de 8 a 2. Parecia os Smurfs jogando contra Gargamel e seus amigos. Eles ganhavam todas as divididas e os chutes dos seus jogadores eram pelo menos dez vezes mais potentes que os nossos. Foram campeões do quadrangular sem fazer muito esforço.

Os jogos eram sempre no recreio e era interessante ver a rivalidade das turmas que ficavam em volta do campo na torcida desviando dos chutes ou tomando bolada. Você ia cobrar o lateral e tinha alguém te empurrando, falando alguma coisa no seu ouvido pra te desestabilizar e até tirar a bola do seu pé discretamente sem o árbitro ver. Aconteceu isso comigo uma vez. As turmas eram mesmo apaixoanadas pelos seus time principais. Os times B e C não recebiam muito crédito, até porque, não duravam muito tempo no campeonato. Muita gente preferia ficar no outro pátio para colocar o papo em dia ou jogar um basquete do que assistir às atuações medonhas dos times B e C. Era comum o nosso time voltar do recreio e ser aplaudido pelo resto da turma depois de uma vitória, o que era absolutamente sensacional.

Eu não queria apenas ser o campeão da sexta série. Queria ganhar o quadrangular final. Esse era o meu grande sonho no colégio. Os campeonatos da sétima e da oitava não tinham o mesmo glamour ou importância. Os jogos não eram na hora do recreio, eram disputados sem torcida fora do horário normal do colégio. Por conta disso, muitos jogadores importantes, que estavam fazendo aula de inglês ou coisa parecida, sequer disputavam os campeonatos dessas séries.

O time era praticamente o mesmo que foi vice no ano anterior. Estava no meu auge como futebolista. De lá pra cá, parece que todo mundo evoluiu e eu parei no tempo. Não tinha muita técnica com a bola nos pés, mas tinha uma incapacidade incomum para fazer gols. Não é uma questão de ser ou não ser modesto. Era uma questão de números. Eu era o artilheiro disparado e ponto. Era um atrás do outro, de todos os jeitos possíveis. Lembro muito bem de um jogo em que vencemos de 10 a 7 e eu marquei 8 gols. Tudo bem que havia outros jogadores mais técnicos que eu, mas até hoje não entendi porque só fui convocado uma vez para jogar pelo time do colégio. Falando nisso, jogamos a final contra um time que tinha 3 jogadores que eram do time do colégio. Eles eram os favoritos. No primeiro minuto de jogo marcaram logo um golaço. Mas fomos lá e vencemos. Eles jogaram melhor, mas a gente soube aproveitar as poucas chances e ganhamos por um placar apertado. Se não me engano foi 3 a 2.

Pegaríamos então o vice campeão da quinta série pra depois provavelmente fazer a final do quadrangular com o time que a gente havia acabado de vencer na final da sexta série. Acontece que no dia anterior ao jogo, eu tive uma crise de asma, algo muito comum na minha infância e adolescência. Não disse nada ao time. Fiquei em casa tomando remédios e fazendo nebulização com a esperança de que me recuperaria a tempo. Poucos minutos antes do início da partida, um dos jogadores me liga de um orelhão do colégio. "Cadê você, cara???". Disse que estava com muita asma. Ele disse pra eu jogar mesmo asmático, que a gente iria perder se eu não fosse. "Vocês vão enfrentar o segundo colocado da quinta série. Não tem erro. Vençam esse jogo que eu estarei curado para a grande final".

Naquela época não tinha celular, não tinha internet, não tinha nada. Queria saber como foi o jogo. Não aguentaria esperar até um deles chegar em casa. Liguei para o colégio. Um dos jogadores foi localizado.

- Porra, seu animal. Vai tomá no cu! Perdemos de 4 a 1. Nem volta mais ao colégio.

Estava tão triste que nem consegui dizer muita coisa. Desliguei o telefone e a asma piorou. Foi um dos piores dias da minha infância.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

através da janela

alguém do blog sugeriu e o pessoal acatou. o tema deste mês no blog é infância. e essa foto ali da esquerda, do menino loiro, de uniforme azul, é minha. na verdade sou eu o menino. não preciso falar da foto, nem quero. na verdade o plano era outro, mas quando olho pra ela, lembro imediatamente de quando estudava no trem azul e meu pai foi chamado para conversar com a direção porque eu não prestava atenção nas aulas. me levaram ao médico, que me chamou de lunático. meus pais nem sabiam o que era lunático, mas isso ficou na minha cabeça como uma coisa ruim. depois entendi que ser lunático era ir pra aula e ficar no canto da parede (sempre sentei no canto da parede) olhando pela janela. isso se repetiu por toda minha infância. eu não estava ali, mas estava. meus colegas se matavam de estudar enquanto eu desenhava ou escrevi poemas. e eu tirava as melhores notas (menos em física e matemática, claro). de dentro, eu via o mundo, mas o mundo não me via. hoje, depois de tanto tempo, percebo que muita coisa mudou, mas continuo sendo a mesma criança lunática da foto. ainda consigo passar uma aula inteira dentro de uma sala com o pensamento longe e, mesmo assim, compreender tudo o que se passou. as idiotices proferidas por alguns mestres. as imbecilidades de alguns comentários que nada acrescentam. as inutilidades de experiências pessoais que nada tem a ver comigo. mas eu gosto. gosto de olhar pra foto e perceber que desde então, nunca deixei uma sala de aula. que conheci muita gente bacana neste caminho. que passei de aluno a professor e de professor a aluno várias vezes. que eu vou ser sempre o lunático que vê o mundo e acredita até hoje que o mundo não me vê.

sábado, 29 de setembro de 2012

humrum, 1rum

extremamente, demasiadamente, nitidamente, cansada.
não por nada, mas por tudo, simplesmente cansada.

da fagulha de vida, renasce alguma escrita, 
por mais chula que possa parecer, é a única que eu tenho, sendo minha.
não é cópia, é fruto de muita troca, inclusive neste espaço.

espero nunca atingir a perfeição, caso aconteça, deixará de ser importante, 
pois ego cheio não precisa de dias cheios em leituras, como neste, tão cansativo. 
erro vários, gastos desnecessários, mas no final, leitura em dia, pelo menos uma.

o homem é, assim, um ser dividido, quem diz é Rubem Alves, acertou dividida estou, 
entre tomar banho bem quente, comer algo, tomar remédio para dor de cabeça, colocar um adesivo apenas no ombro ao invés de vários, efeito recente da tão almejada fisioterapia, 
ou 

compartilhar informações, impressões, concepções
sobre partidos que desceram o nível em reintegrações criminosas e incendiárias em terrenos próximos ao centro da cidade, 

no afastamento somente agora do capitão do mato quer dizer da rota, finalmente o geraldo resolveu agir, afinal não fica bem não é, o aniversário da ação carandiru quem o diga, 

do ato que rolou mais cedo e do qual não fui devido ao desencontro de informações do curso, na perda em conhecer a integrante arretada do Movimento Mães de Maio, 

na organização deslavada da direita ao garimpar conservadores em todo e qualquer virtual, para contratação, discussão, produção e partilha de ideias através do Instituto Millenium que não manifestou interesse até o fechamento do artigo da Caros Amigos em negar ou pelo menos fingir, desdizer o artigo, brincar de debate sabe;

na contramão, sem  grandes investidores, sem grandes articulações, exceto, no esforço de  professores, alunos e militantes interessados numa sociedade igualitária, sucesso em preencher cada canto dos auditórios na usp para saber, ouvir mais da esquerda na america latina;

na fala precisa e aguçada do Ricardo Antunes e tantos outros, na minha irritação absurda de pessoas que não tem o bom senso, o discernimento, quando pegam/tocam no microfone pra dizer: "eu quero fazer uma colocação" e recita parágrafos vários, solicita discussões das quais não contempla a mesa/debatedores sempre no âmbito global, muita irritação com direito a: "cadê a pergunta?" gritado,  da próxima prometo, vou a 25 de março, compro vários e entrego: "tô pra quem adora  microfone, sai recitando todo manifesto nas ruas"

na alegria em saber que minha mãe é a mais recente aluna do eja, no vale do ribeira, na surpresa do descaso, em saber que há tantos querendo aprender, sem incentivo, afinal contratação por cargo de confiança não inclui no pacote, boa vontade, ética profissional, é salário, amigo do amigo de outro amigo que conheci o prefeito, do partido do psdb.

na falácia da nova classe média que não tem dinheiro, apenas cartão, na discussão sobre as eleições, se vale a pena ou não votar no menos pior e exercendo a democracia fantasiada de ditadura, damos ou não manutenção ao poder? anulamos como protesto, votamos como descaso? sentamos e esperamos alguém mudar nosso rumo?

na multidão cercando a polícia, o poder, a corrupção na espanha/portugal, no ato, protesto nu das uruguaias contra o veto sobre o aborto, na repercusão da marcha das vadias em outros estados, cidades, agora é santos!

na praça ocupada, o teatro da Z.L (zona leste), mais precisa,  Dolores Boca Aberta representou a comunidade, ocupou, fez lindo monumento, som e adendos, ousadia é o nome disso.

na participação especial e enriquecedora do encontro com IDDAB e GERESS (Grupo de Estudos das Relações Étnicorraciais Serviço Social ) com local "emprestado" por não ter o próprio, sem recursos e investidores, apenas apoiadores, solidários, fazem discussões, se organizam, se articulam para discutir, pesquisar, debater  o racismo e todas problemáticas envolvidas, inclusive de profissionais que dizem não existir racismo no brasil, oi? um? imagina, é impressão será? ou na grata surpresa de ouvir a fala de duas alunas de universidade shopping center que discorreram de forma magistral o tema de pesquisa, ou tcc criticando inclusive a universidade e profissionais que desmerecem alunos militantes, ativos em movimentos sociais e na boa vontade de apropriar-se do tema. diga-se na excelência quanto ao entendimento e compreensão,  incorporando, vivenciando a frase da rosa que não tem cheiro, é luxemburgo mesmo:

" quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem"

movimentando-me dentro das não possibilidades, por que se paro para pensar nunca as tenho,
todavia se em curtos e tão poucos passos, caminhada, sinto-as, eu grito.

porém hoje,
muito cansada e quando, resta-me ouvir o que apraz.


" lutar com palavras parece sem frutos. 
não têm carne e sangue... 
entretanto, luto."

guardo na alma, no coração, os dizeres do drummond, ganhado em mãos
entre um ato e outro no tetro arena, ópera dos vivos, no movimento, sem correntes...

 lembrando antes de ir, por que amanhã acordo cedo:

"o que decide o propósito da vida é simplesmente o princípio do prazer" 

valeu rubem, 
e prazer em trocar sempre, aqui, lá, na rua, nos atos, em todo espaço, é prazer sempre, trocar vida ou partículas dela.
e para viver precisa ser louco, rodar na cadeira, rodar a cabeça, cantar bem alto, estrondar o desafinado, tudo por que o vizinho ordinário que construiu a parede em frente da janela, me impedindo de ver o sol, a lua, as nuvens, agora  recebendo convidados, e um tal de feliz não sei o quê e picas mais tantas prá lá e prá cá, com o som no último volume tocando calcinha preta, aviões (taqpariu!!!) sertanejo e desci  a ladeira do inferno. 
ta vendo rubem, tem partilhas que a gente não aguenta, é osso d+. 
ok aguento, aumento o meu,
sabendo que o cansaço, muda, assim, como a vinheta.
. graças a deus, fui e adeus.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Filantropia digital


môdeus, meus amigos viraram personagens de desenho animado! tiveram infância? claro, né, joão! eles tiveram e, pra mostrar mesmo que tiveram, optaram por esta foto para ajudar a divulgar um projeto de idealizador desconhecido e de crianças que não conhecem, tendeu, joão? é, com a foto de algum personagem de desenho animado dá pra ajudar e fazer isso tudo. entendeu ou quer que eu desenhe? já entendi, não precisa desenhar. então, eles tem referências, meu fio, e não pesquisaram, como você, lá no google o nome de algum desenho animado para poder escrever sobre. entendo, flor, e, como toda modinha (me lembrei agora daquela #eusougay, onde um gay ou um ‘cabeça aberta’ escrevia num papel algo contra à homofobia e olhando bem, vamos combinar, isso não resolveu nada e acho que o único papel cumprido foi tirar muita gente do armário), tudo que vem passa. recordo agora de uma afirmação que diz que ‘o artista morre e a arte fica’. concordo muito com isso e estava até outro diz comentando com a queridamiga tânia consuelo sobre as porcaria postas à venda no mercado e onde as pessoas, iludidas, compram e dão vez a estas. mas parece que o retorno desta modinha, que tem como impulso maior e único o de modificar a foto do perfil, veio pra ficar. lembro-me que ano passado teve essa mesma caretice de amigos passarem no meu facebook solicitando a troca em pró do dia das crianças e à exploração das mesmas. teve gente que mudou e até hoje, pelo desinteresse com a rede, continua ainda a mesma foto, ou melhor, o mesmo personagem lá no seu perfil. certo, mais uma vez. me pergunto se isso ajuda em alguma coisa. meu, essa é a forma mais simplista e careta de se dizer que estamos sim preo com este mundinho dito por alguns que vai bater, agora em dezembro, as botas. concluo aqui no escuro do quarto, às 23:53h, que não vou trocar a minha foto por tom e jerry e tenho peninha elevada ao cubo de quem acha que pode contribuir desta forma com o outro. quer ajudar mesmo? de verdade? dique 100, baby, e denuncie as saidinhas do seu vizinho cinquentão com aquela menina de treze anos da outra rua. ou então vá na loja de $ 1,50 e compre algum brinquedo, mesmo o mais pebinha, e doe em alguma creche perto de sua casa, afinal sempre tem. acho que isso já é um grande passo. só com ele dá pra rodar o mundo. mas assim, sempre achei que essas pessoas que seguem estas modinhas só fazem merda, só pensam merda e, ainda por cima, cheiram a merda. estragada. mas tudo bem, tudo bem, afinal ‘é fazendo muita merda que se aduba a vida’. ok, quase agora vim do banheiro! informado de tudo um pouco, sei também que não existe o errado, existem eras e esta eu bem eu sei que é a da caretice.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pour Elise

Aos oito anos comecei a fazer aulas de piano. Dona Maria Amélia era a minha professora. As aulas eram pela manhã na casa dela, na ladeira, em cima da loja de quinquilharias do marido libanês. Eu subia as escadas e lá estava ela, volumosa, ao lado do piano: não tinha sobrancelhas e no lugar fazia um traço vermelho com lápis, usava roupas floridas, se abanava com um leque. Eu me sentava tímida no banquinho do piano e então a aula começava: dó-ré-mi-fa-sol-la-si-la-sol-fa-mi-ré-dó. Depois do aquecimento, as valsinhas. Os olhos ficavam atentos tentando ler a partitura corretamente e as mãozinhas de dedos curtos tocavam desordenadamente. "Disciplina nos dedos", dizia. "Atenção ao ritmo! Toque mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Outra vez!" Até que um relógio cuco anunciava o fim da aula: "lembre-se de estudar mais", ela advertia, "como você que tem piano em casa, não há desculpas para não estudar". E ela comentava para me provocar: "a próxima aluna, a coreaninha, não tem piano e estuda mesmo assim em casa; com fita crepe ela faz as teclas na mesa e treina o movimento dos dedos. Ela já toca maravilhosamente!". Na época, eu morava com a minha avó e ela tinha um piano. Mesmo tendo o instrumento e uma avó pianista, abandonei as aulas de piano com a Dona Maria Amélia. Faltava-me talento e, principalmente, disciplina. Nunca mais estudei música. Não consigo distinguir um dó de um ré. Nem mesmo as letras das canções eu consigo decorar. A única música que aprendi a tocar  - muito mas muito mal - com a Dona Maria Amélia foi Pour Elise, do Beethoven. Essa é, segundo o Tom Zé, a música que mais identifica São Paulo porque toca no caminhão de gás em todo canto da cidade. Para mim, Pour Elise é o hino do meu fracasso musical.



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tango


descompassados
aqueles passos de um tango
onde dois
foi dançar sozinho.

na minha morada em você
mal durou o meu caminho.

com uma nota só
eu tinto meus dissabores
em versos soltos

do eu para o nada.



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ainda

A primeira sentava na minha frente na sala de aula. Na frente de todos, pra falar a verdade. Dava aula pro primeiro ano e me ensinou a amar antes que eu aprendesse a soletrar. Nossa relação era impossível, mas meus sete anos não me permitiam ver isso. Sofri. Calado, mas sofri. A segunda sentava atrás de mim na classe. Uma aluna, dessa vez. Colega, mesma idade. Primeiro beijo. O romance durou um ano até ela resolver namorar outro. Um amigo meu. E depois outro. E outro. Primeiro beijo e primeira decepção. Demorou pra me recuperar. Anos depois, outra amiga de escola. Já tinha até um bigodinho. Eu, não ela. Mas me achava mais adulto do que realmente era e errei feio. Outro tombo. Ela preferia os alunos que já estavam no colegial, aqueles com um pouco de barba. Meu corpo agia contra mim.

Quando cheguei ao colegial fui gostar logo da menina que já namorava. Sempre, sempre fazendo boas escolhas. Mas algo mudou na faculdade. A timidez deu lugar a uma desenvoltura fingida. Dava certo, dava. Conheci uma garota. Estávamos sempre juntos. Não éramos namorados porque, honestamente, nenhum de nós tinha parado pra pensar nisso. Calor da juventude, talvez. (Já tenho idade pra falar isso?) Pois bem. Um dia ela apareceu com um anel de compromisso. Hoje vejo como essa ideia – anel de compromisso – é besta, mas na época me abalou bastante. Tanto que o filme que passava na nossa frente, ótimo, desceu bem indigesto. Demorei anos pra voltar a vê-lo. Traumas da juventude. (Sério, posso?)

A próxima não demorou tanto. Noivado desmanchado pelo outro. Ela viu em mim a chance de recomeçar. Eu vi nela a chance de ver uma mulher com pouca roupa em muitas ocasiões. Durou pouco, mas foi intenso. Explosivo. Como eu nunca tinha namorado, achei que estava tudo certo, mas em algum ponto aquilo de terminar e voltar me pareceu estranho. Na quinta ou sexta vez, acho. A melhor coisa que ela fez foi terminar comigo. Ombro dos amigos e outras partes de algumas amigas. Não convém entrar em detalhes, mas a vida era boa de novo. Até que aparece outra mulher, mas ela se muda para longe. A dor da separação, agora geográfica. Depois, outras. Umas que apareceram por acaso, outras que marcaram pra valer. Noites mal dormidas e noites não dormidas. Uma casou. A encontrei por acaso um dia e me contou que estava grávida. Deu pra ver que esta feliz. Outra casou, mas não está tão contente assim. Talvez fosse ela. Talvez fosse eu. Agora não somos nós.

Em algum ponto do trajeto, comecei a observar mais as pessoas. De repente, assim eu entenderia melhor o problema. Se houvesse um problema. O que vi foram casais que juntam e separam de acordo com a estação do ano, outros que são compostos de três, às vezes quatro pessoas ao mesmo tempo. Foi quando passei por uma frustração ideológica. Se essas eram as condições pra um relacionamento, eu não queria. Os amigos me mandaram parar de frescura e passaram a me apresentar pra outras mulheres. Cansei depois da terceira tentativa furada. Talvez eu seja muito chato, talvez muito exigente. Não sei. Só sei que não desisti. Ainda encontro a fórmula do amor.

domingo, 23 de setembro de 2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Aconteceu...

Os livros nos convenceram a atravessar a América e conhecer Machu Picchu, uma das sete maravilhas do mundo moderno... o que os livros esqueceram de nos contar é que a maior de todas as maravilhas já estaria ali, tão pertinho da gente... crescendo dentro da gente...

Os especialistas, sempre tão alarmantes, afirmaram que o mundo acabaria em 2012... mas no momento em que ouvi aquele coraçãozinho bater, estive certo do contrário! Ele estava só começando...

Muitos não acreditam em amor à primeira vista... Mas então o que será isso que sentimos? O que dizer deste amor que antecede e prescinde a qualquer visão?

Aconteceu...




Aconteceu quando a gente não esperava 
Aconteceu sem um sino pra tocar 
Aconteceu diferente das histórias 
Que os romances e a memória 
Têm costume de contar 
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas 
Aconteceu sem um raio de luar 
O nosso amor foi chegando de mansinho 
Se espalhou devagarinho 
Foi ficando até ficar 
Aconteceu sem que o mundo agradecesse 
Sem que rosas florescessem 
Sem um canto de louvor 
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama 
Só o tempo fez a cama 
Como em todo grande amor
(Adriana Calcanhoto)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Três meses para o fim do mundo

Olhou para o calendário e notou: era 21 de setembro.
Pensou consigo mesmo que se os maias estiverem certos, o mundo teria apenas mais três meses para existir.

Mas e as coisas que ele ainda não conquistou? O tão sonhado emprego? Aquela menina bonita? A casa... O carro?

Uma leve esperança também veio dentro dele, com esse pensamento: Tudo de ruim também terminaria!

Sorriu!
Quem sabe essa seria a chance de melhorar aquilo que não estava tão bom?


Resolveu anotar numa folha tudo o que ele ainda precisava fazer, pessoas que ainda precisava ver...

E era muita gente!

Precisava então começar o quanto antes!

De repente se viu tão preocupado quanto as pessoas que viu dando entrevista no Discovery Channel, tempos atrás, num programa sobre o fatídico 21/12/12.

Se sentiu ridículo. Sentou no sofá, e começou a falar sozinho:

- Não... Não... Não! Eu não sou assim! Eu não acredito nisso! Não há verdade nessa baboseira!

Rasgou então a folha. Jogou no lixo da cozinha. Mas não tirava os olhos do cesto.

Era incrível a angústia que tomara conta do seu ser. Pegou o celular e ligou pra uma discagem rápida qualquer. Ligou pra Linda, amiga de longa data. Que dormia ainda.

- Alô... 
- Oi... Linda? 
- Pois não... Quem é?!

A vontade era perguntar "quem me enche a uma hora dessas", mas mesmo no mau humor típico de quem acaba de acordar, preferiu ser mais agradável.

- Oi Linda, sou eu! Desculpa eu te ligar a essa hora, mas...

- Fala, seu mala!

- É que tô meio preocupado com uma coisa...

E nos próximos quinze minutos explicou o quê o atormentava.
Contou da lista (que parecia ter vida própria e olhava pra ele, do cesto), das pessoas que ainda precisava ver, das coisas que precisava conquistar...

Linda ouvia, do outro lado da linha, meio incrédula no que ouvia.
Seu amigo sempre havia sido "pé-no-chão". Que loucura era aquela agora?!

- Olha... Faz o seguinte... Esquece isso. Ainda faltam três meses para que isso aconteça. Não esquente com isso. Vá viver, ter uma vida!

Ele ouvia atentamente a cada palavra de sua amiga confidente.
Era aparente o fato de que cada palavra por ela proferida, estar fazendo efeito.

Três meses...

- Mesmo que o mundo acabe, enfim... - E Linda riu, do outro lado, lembrando da música!

- É... Você tá certa! Um beijão e obrigado por me ouvir!

Os celulares foram desligados.

Resolveu deitar-se no sofá, olhando para o ventilador do teto, que rodava vagarosamente.
E repetiu num volume, nem tão alto, nem tão baixo, mas que ele mesmo pudesse ouvir:

- Três meses... Três meses...


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Não me deixe!

... e as pessoas vão tentar te fazer esquecer tudo o que for possível esquecer. Todos que chegarem depois vão tentar anular o seu passado, te fazer esquecer dos maus-entendidos... chamarão de tempo perdido o que já será felicidade morta.
Questionarão motivos, compararão intensidades e tentarão te convencer da inutilidade de se guardar lembranças em vista de toda a disponibilidade do futuro. Vão criar lugares, inventar palavras e te coroar para que fique. E eu não vou mais falar, dançar, rir e nem te abraçar. Você não é mais meu presente e eu nem te quero pro futuro. Te preciso como um sorriso garantido para sempre pelas minhas lembranças. E é perfeito que seja assim. Para sempre!


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Terceira Margem do Rio

Acho bem louca essa doidera que nêgo faz com música, filme, literatura. A história contada, estória inventada. E fica mais doido ainda quando se misturam, tipo o acontecido foi com o meu vizinho, eu escrevi, você musicou e o Zé filmou. Só que nesse caso o Rosa escreveu, o Milton musicou e o Caetano roteirizou. Ai é mais que doidera, aí é muita coisa. Muita.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Não adianta

Não, não é uma sentença. É só uma constatação. Não vai adiantar. Como da vez que já tentamos, mutuamente tentamos. Por mim posso dizer. É mais forte. Não forte no sentido de obsessão. É amor, paixão, furor, gana.
Não, não vai adiantar. A cumplicidade que me desperta o teu olhar, na hora exata em que você me descobre sem querer ser notado e é surpreendido. Você me lê inteira e eu já não sou mais nenhum mistério. Provável que você sinta vontade de desvendar outros por aí. E essa vontade também poderá pairar em mim. Mas por enquanto é agora.
Ainda acho que vivem outras com manias mais difíceis e irritantes. Também existem outros mais turrões e chatos. Agora, porém, não os quero. E não é pelo começo cheio de coincidências e a atração sem precedentes. Não, não é nada tão exotérico assim. No fundo, somos todos iguais, atraímos uns e outros por razão de infinitas variáveis.
As minhas têm a ver com o antidepressivo poder de suas piadas infames. A companhia, sem trégua, o entrelaçar de suas mãos em minha nuca e a força de seus dois olhos poluídos de rio Tietê. Embora com explosões aqui e acolá, somos feitos de paixão que não gasta, paixão rasgada. Talvez por isso as explosões sejam tão... impetuosas. Passionais. É pelo drama que me rege o meu brado: não adianta, agora, nem tentar me abandonar. Somos feitos de amor sem medida. Não é questão de amar mais ou não amar. É que o amor doido é feito pra doer, lindo de doer, feito pra durar. 

sábado, 15 de setembro de 2012

Toothpaste Kisses

Quero convidar à todos a enlouquecer aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Mime a sua amada!

 Com todo tipo esdrúxulo de carinho, que sejam as ridículas cartas de amor, o recados em Imessages, whatsapp e ICQs. E-mails old fashions, telefonemas acalorados com sorrisos fáceis brilhantes com o sol, daqueles de fazer inveja a produtores de comerciais de pasta de dentes. Que seja em horários improváveis, desde que escancarem a sua felicidade dependente da existência daquele outro. Quando ela ligar, mude a voz, use aquele timbre que somente os apaixonados decifram. Dedique músicas, monte coletâneas, eleja conjuntamente a trilha sonora do romance. Use nomes em diminutivos, a chame de amor, deixe claro o quanto ela é especial.

Diga breguices...que a AMA!

Quando encontrá-la embale,  dê colo,  beije, beije, beije como se fosse o último, morda, chupe, deixe marcas pelo seu corpo, afinal não é isso que os amantes fervorosos fazem, vá além, esqueça o sono, extrapole, não durma e nem a deixe dormir, não economize saliva e outros líquidos corporais. Não durma, nem depois do coito, conte histórias engraçadas, zombe dos mal amados, dos anteriores, sim, daqueles imperitos na arte do amar.

Faça de tudo para que seja DIVINO!


Wish you were here





- Eu gosto dessa música.

- Eu odeio essa música.

- Ué, por quê?

- Eu acho que eles entraram de gaiatos na fama do Pink Floyd.

- Só por que os caras do Pink Floyd desejaram que alguém estivesse ali, ninguém mais no mundo da música pode?

- É.

- Então alguma coisa só é válida se ninguém pensou nela antes?

- Mais ou menos por aí.

- Em outras palavras, você está dizendo que "Florentina de Jesus" é melhor do que "Starway to Heaven" ?

- Claro que não.

- Mas o solo de "Starway to Heaven" é praticamente um plágio da "Taurus", do Spirit, que foi lançada bem antes...

- ...

- ... e você os cultua mesmo assim. Qual a diferença disso para aquilo que os caras do Incubus fizeram?

- Hum.

- Hein?

- ...

- Hein?

- Uhum...

- Alô! Planeta terra chamando! Você está prestando atenção em alguma coisa daquilo que eu estou falando?

- Sim... hã, é... mais ou menos.

- Poxa! Valeu! Primeiro você esculhamba as músicas que escolhi com o maior carinho para a gente ouvir junto, depois não está nem aí para o que eu digo...

- ... Desculpa. É que eu estava tentando encontrar uma forma inédita de te dizer que eu te amo, só para jogar na sua cara que eu estava certo.