sábado, 5 de dezembro de 2020

Diário de um ano ruim

Fiz um poema utilizando títulos de alguns livros da minha biblioteca. Ficou assim:

Diário de um ano ruim


Um, dois e já

o mundo está sombrio ermo turvo

o tempo,

nublado no céu da boca,

gris.

 
Estamos vivendo um redemoinho
e a vida passa como um trem-bala
eu, com meus olhos de cão,
vejo a vida gritando nos cantos
a cabeça nas nuvens
o coração na boca
o corpo partido.

 

Os bares morrem numa quarta-feira
nada de baladas

 

É a arte do recomeço
tateando a parede no escuro,
o homem está à procura de si mesmo,
aprendendo a viver,

mesmo que essas vidas sejam provisórias.

 

Precisamos tirar lição das coisas
repensar nossos relacionamentos
aceitar nosso absoluto frágil
estar sendo, ter sido
faz parte de todo o processo.

 

Essa história está diferente
estamos vivendo um mosaico
de fake news e amor
e por falar em amor
o que amar quer dizer?

Falo do amor dos homens avulsos
os amantes
das pessoas que passam pelos sonhos
no meio de toda a saudade do mundo
histórias de amor e glória.

 

E vamos reinventar afagos
acenos e afagos
para diminuir distâncias

faça chamadas telefônicas

para os amigos
envie cartas extraordinárias
as pequenas epifanias
e os verbos auxiliares do coração
esquentam o frio aqui fora e dentro.

 

Último round
numa hora assim escura
a noite escura e mais eu

vamos definir formas

de voltar para casa
caminhando contra o vento
e se choverem pássaros,
eu ainda estou aqui.


De duas, uma
entre nós
há um coração simples e aberto.


Definitivamente

2020 não é meu ano

de descanso e relaxamento.

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