sábado, 16 de março de 2013

essential

Ontem acabou o meu Lacoste Essential que me acompanhou ao longo desses quatro anos. Eu sei que perfumes acabam, inclusive meu Hugo Boss segue o mesmo fim. Parece algo trivial, no entanto, quando penso naquilo em tudo que aconteceu quando esse fiel companheiro estava em mim, acredito que lhe devo uma homenagem.

Iniciamos em um Duty Free em 2009, com um valor pornograficamente mais baixo do que aqui, o comprei sem pestanejar. Juntos, principalmente no calor, juntos no trabalho, juntos nos passeios. Ele estava junto quando o Corinthians ganhou o Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Mundial. Quando troquei carro, de casa, de videogame e quando me casei novamente e quando chegou a Baleia.

Entretanto, poderia ter visto tanta coisa...tomara que o atual, possa estar um texto maior que este e com muito mais eventos. Daqueles de filmes americanos, quando a pessoa se torna muito melhor e tem uma vida plena e recheada de aventuras.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Yin, Yang

Não adianta. O ser humano se divide em dois grupos:

Aqueles que são incompetentes todos os dias e, quando porventura fazem algo de útil, recebem mil elogios, e;

Os que tentam ser competentes sempre e, quando por azar fazem algo de errado, são escurraçados pela vida inteira.
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

As canções da minha mãe

Ao lado do sofá da sala havia um grande vaso e dentro dele um tipo estranho de “flor” de cana de açúcar, como uma grande crina tingida de várias cores. Do lado deste vaso havia um grande aparelho de som, que nesse dia era a estrela da casa.
O tapete estava dobrado ao meio e todas as cadeiras da mesa tinham os pés a apontar para o teto.
A estante, antes povoada por uma série de artigos de porcelana branca, dos quais estavam incluídos, pavões, viados, elefantes e outros tipos corriqueiros em estantes espalhadas por outras casas, agora estava vazia.
Se o meu desejo era continuar na sala para ver algum desenho animado que passaria na TV, estava no sofá, um pequeno canto reservado para mim, pois no resto dele, havia o outro sofá de 2 lugares, virado de ponta cabeça.
A cena pós-apocalíptica se repetia por todos os cômodos da casa, afinal, nada poderia estar no chão, pois passar cera vermelha no piso e encerar com a enceradeira eram árduas e longas tarefas. Era dia de faxina; e lá estava minha mãe, com sua roupinha especial e  pronta pra colocar tudo em ordem.
Todo esse caos era embalado, além do barulho da escandalosa enceradeira, por uma série de canções que habitaram o toca discos por muito tempo e hoje, a minha memória.
Havia o dia em que a faxina era embalada pelo ABBA, num clima quase de discoteca entre as mesas de centro, vasos e corredores a serem limpos.
Logo em seguida tocava as melhores de todos os tempos da Itália, na sessão nostalgia, com o Pepinno di Capri cantando alto:
E logo se ouvia de longe, Torneró, Sapore di sale, Roberta ainda do Pepinno, e muitas outras.
Sir Elton John, Chris di Bugh e Bee Gees também não perdiam uma oportunidade de cantar no dia do lerê lerê da minha mãe.
Há de se fazer uma menção honrosa ainda às fitas K7s do Roberto Carlos e tantos outros da jovem guarda, que tinham uma seleção especial no dia da arrumação, assim como uma fita com a gravação de uma prima tocando várias músicas clássicas no piano – Golfinho Azul era uma das preferidas.
Depois de algumas horas, onde os móveis e objetos da casa dançavam ritimados por essa trilha sonora, estava a casa novamente limpa e em ordem, com aquele brilho conseguido com rigor, pronta para ser chamada de Lar novamente.
Hoje posso dizer que minha vida aprendeu a ter trilhas sonoras e a possibilidade de viajar nelas através das doces lembranças como estas, por causa dela que embalou os momentos mais simples e especiais.

terça-feira, 12 de março de 2013

Quem precisa de braços se tem as costas quentes?

Li hoje de manhã sobre um acidente que aconteceu ontem a noite.É uma história ou tragédia igual a da semana passada,exatamente como a do mês anterior,como a de todos os dias.Um motorista bêbado atropelou um ciclista na Avenida Paulista,no choque a vítima teve seu braço amputado e o motorista no desespero em se livrar das evidências jogou o braço em um córrego,impossibilitando que a vítima tivesse seu braço implantado.
Infelizmente vai durar uma semana essa indignação,já que se pensamos em um país como se fosse um corpo,o Brasil não tem braços.E sem braços não tem mãos,essas que assinam leis,que escrevem códigos penais e mudam seu futuro.Somos um país de aleijados,sem ter como escrever o nosso próprio destino,analfabetos de pai e mãe,sem noção de leis,de justiça,ficamos parados,horrorizados vendo o mesmo filme,que se repete.
A lei vai proteger o motorista,os pais dele já contrataram um bom advogado e ele parece ter tudo o que a lei exige,é ótima pessoa,excelente estudante de psicologia,boa família,branco,e jamais,jamais,quis machucar alguém,tudo isso junto inocenta qualquer um aqui no Brasil.
O rapaz não vai ficar muito tempo preso,já se desculpou pelo o que fez,não tá bom?Para a lei está ótimo.
Essa tragédia anunciada é o resultado de um país que protege as vontades da elite,acima de tudo,protege esses dementes que saem para beber e querem dirigir,protege os brancos de carros importados e reputações intocáveis,blindados por cartões de crédito e garantia de pertencer a uma burguesia que sempre se destacou no Brasil por egoísta,impertinente e inconseqüente.
Um ciclista ser atropelado por um bêbado não é o começo da tragédia,é o fim dela,que começa bem lá trás,no momento que a indústria de bebidas chega a um país e começa a massacrar mentes já de por si fracas com anúncios,comerciais,tudo leva o jovem a beber.Não tem lei que segure isso,mas quem em sã consciência vai parar uma indústria de bebidas?Esse dinheiro é vital para investidores e políticos,é uma das indústrias mais poderosas do mundo.Para complementar o círculo do horror juntamos a bebida com nossa construção social,a idéia que guia este país desde os tempos de Cabral,rico pode tudo,até beber sem ser punido.Se for branco então a polícia não manda encostar o carro,não vai incomodar uma pessoa de `bem ´ que está apenas se divertindo.
Tudo foi construído para que essas tragédias aconteçam,tudo parece perfeitamente desenhado,as bebidas livres,a falta de leis de trânsito mais rígidas e as leis que se recusam a punir brancos e ricos.
Com uma amiga conversando fiquei pensando se não seria possível cortar o braço do motorista e implantar no rapaz que teve seu braço amputado,já que para o motorista um braço é simplesmente um braço,com certeza ele não vai sentir falta do seu.Minha amiga surtou,logo disse-Precisa falar isso Iara?Você é muito revoltada,que idéia mais besta e violenta!
Mas não é?Eu que sou revoltada mesmo,o problema ( ainda bem) sou eu,graças a Deus,só eu que pensei em uma justiça mais dura,já que o braço não doeu no motorista na hora de jogar,não vai doer na hora de dar o seu para a vítima.
Muito se fala em desarmar as pessoas,tirar todas as armas do país,mas um carro em alta velocidade dirigido por um bêbado não é uma arma?Não!É um meio de transporte da elite,quem vai desafiar a indústria automobilística?Mexer com essas duas indústrias,de carros e bebidas,é meter a mão em um vespeiro e incomodar todos os empresários,como fazer isso se não existem nem mãos para assinar novas leis?
A discussão se abre para o lado errado,ciclistas e motoristas,essa eterna briga de países subdesenvolvidos,esquecidos pela ordem divina.Mas esse não é nosso único  problema,a briga aqui é sobre a falta de ética e de leis,não adianta só resolver a questão dos ciclistas e motoristas,ainda assim seremos um país sem moral,sem ética,sem noção de direitos humanos,nem de respeito ao próximo.É a mentalidade que amputou os braços de todos,é a insistência de uma elite em se proteger,passando por cima dos direitos de um país inteiro.
O Brasil não tem braços,não tem mãos,mas quem precisa de mãos se tem as costas quentes ?Aqui,nesta terra esquecida por Deus só salvam os braços aqueles que tem as costas protegidas,quem não tem conhece de cor e salteado seu futuro,é questão de tempo ser amputado.
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Brincadeira

E o que é que faz ser tão especial?
Nem o momento, nem o amor. O sabor do beijo é ainda melhor quando bem temperado. E de onde vem esse tempero? Ah! Esse tempero é fruto de algo que pouco se dá importância e começa das mãos. É das mãos que nasce o abraço, aquele que nos mantém bem próximos como que se uma corrente nos envolvesse, mas sem sufocar. É ela que é capaz de soltar a corrente sem nos deixar distante e nos envolve em outra dimensão com as brincadeiras: um carinho, um aperto sem maldade, um afago, um tapa sem dor. E nessa hora a brincadeira das mãos chama outros elementos, os lábios, que com um beijo de desculpa esfarrapada vem só pra chamar o belisco, o nariz, pra sentir seu perfume e novamente da boca, vem aquela ofensa sem nexo ainda mais quando os dois sabem que nossos perfumes juntos são os melhores de todo o universo. E o ouvido, sempre receptivo, leva as notícias e as palavras de forma descontraída e geram mais diversões para as mãos, as bocas e os narizes. E nem um nem o outro são heróis sozinhos, todos juntos acumulam pontos e vão se somando e de forma gritante, fazendo com que aquele beijo se torne tão esperado como se fosse o primeiro, ou o último e ainda deixa ao gostinho de "volto logo" e assim, coloca esses protagonistas para brincarem mais e mais. E brincam sem parar, brincam sem parar, sem parar, parar.


Encontre mais no livro Rascunhos Vivos

sábado, 9 de março de 2013

Você tem medo de quê?

Você tem medo de amar? Que bonitinho!!! Não. Não tenho medo de amar. Tenho medo de ser feliz. Por quê? Eu estou aqui contigo! Estou do seu lado. Você não é feliz comigo? Sou, mas tenho medo. Ensinaram-me que a felicidade é para poucos. Disseram que a felicidade não é para mim. Quem disse isso? Todo mundo. Pois acredite, eu farei você feliz! E por que devo acreditar em uma única voz quando muitas já me disseram o contrário? Porque hoje quem te fala é a voz que te ama. A voz de quem sabe que ser feliz é escolher o melhor lado: o lado de estar do seu contigo mesmo que você não acredite que isso é o melhor para nós!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Acabou o Céu



 Andaram me perguntando bastante ultimamente se eu não quero ter um segundo bebê. 

 As vezes penso em ter mais um ou dois, e me pego escolhendo os nomes que eu iria colocar. Mas isso eu faço só as vezes, não sou daquelas loucas que saem por aí sorrindo pra qualquer bebê, falando com eles, e querendo apertá-los, sou mais assim com gatos.

Gato eu também só tenho um, e o projeto de ter outro está sendo pensado, repensado e adiado faz uns dez anos. 

 No mais, gosto mais de crianças do que de bebês e já tenho uma criança em casa, acho que mais me assusta minha criança crescer do que a ideia de não ter outro filho. 

Tenho que admitir que o processo de gravidez, amamentação, fraldas, dores de ouvidos, cólicas e choros me desanimou bastante. 

 Já ter outro gato é mais simples, mas mesmo assim sou tão apaixonada pela minha Panqueca, que teria uma cobrança enorme do próximo filhote, fora problemas com ciúmes, e espaço. 

Está aí o grande problema: espaço.

 Nem filho, nem gato, nem bicicleta, nem mesa com cadeiras, nem árvores, não tenho lugar para nada disso. 

 Moro num lugar apertadinho, que mal deve dar 50 metros quadrados. Até gosto daqui, é bonitinho, mas 
é bem pequenininho.

 Quando estou andando por aí saio paquerando casas, paro enfrente de casas antigas, com placas de vende-se, fico pensando em como são dentro, em como seria se fosse minha.



 Acontece que queria um "pedacinho de terra" chão mesmo, que fosse meu pelo tempo que estou viva, não gosto de apartamentos, não queria uma casa flutuante, queria uma plantada no chão.


 Caminhando pela rua vejo muitos prédios, antes quando olhava para o alto, via céu, céu com nuvens, sem nuvens, lua, estrelas, sol, pássaros e aviões passando, a torre da rádio , via um balão sumindo, cá ou lá galhos de árvores.


 Agora não tem mais céu, se tem, tem só um pedacinho a exatamente 180 graus. Eu lembro da vista que tinha ali, que conseguia ver as copas da arvores do parque, que naquela direção era a torre da igreja, só lembro, não vejo mais.

 Vejo só muitos fios e muitos prédios crescendo e brotando. Prédios por todo o céu.

  Esses prédios que tiveram que construir, pra essa gente que resolveu ter mais um ou dois bebês, ter mais gatos, mais cachorros, ter grandes mesas com cadeiras. Parece que eles também não tinham "chão" pra por tudo isso.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sim

Eis que a vida mostra que o terror das possibilidades era, na verdade, amor.
Um aviso dela, um pedido: me ame.

E quando a vida chama, meus amigos...

http://youtu.be/02-YzGlHF0k
 

Você não quer dividir a culpa?

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Eu não sei como não há mais pessoas com problemas de saúde mental. Pensar é uma das coisas mais estressantes do mundo, e não conseguir articular o que eu quero dizer me deixa louco. Eu acho que eu deveria ler mais livros e aprender mais palavras. Minha irmã costumava ler o dicionário, eu vou começar daí.

Eu gostaria de viajar. Eu quero ver a Índia, as pirâmides, uma baleia e aquela corrida de bicicletas na França. Eu não tenho certeza sobre rios, eles me assustam, mas eu amo nadar, eu sou bom nisso. E quando eu nado eu conto as voltas que dou, e isso me ajuda a relaxar.

Quando eu era mais jovem vi uma casa queimar, e depois passei por ela por seis anos, quando saía de casa. Decrépita, negra, perigosa. Eu me perguntava se mendigos moravam lá. Eu ainda não tenho certeza, mas eu sei que nunca havia festas lá. Depois de um tempo o conselho da cidade resolveu arrumar o espaço urbano, e decidiram que aquela casa era uma poluição visual. Decidiram derrubá-la. Atrás da casa havia um muro com uns rabiscos de grafite, e um palavrão escrito em letras gigantescas. Agora eu passo por isso quando saio de casa.

Eu gosto de ir até o parque, e andar por ele. Eu gosto de levar meus cachorros até lá, e meus amigos, e também de ir sozinho. Eu gosto de flores e de simplicidade, de compaixão e presentes bem pensados, de poder gritar. Mas eu queria ser capaz de ficar quieto. Quando estou quieto as pessoas acham que estou triste, e normalmente eu estou. Às vezes, quando eu estou em uma estação bem lotada e barulhenta (uma com todos aqueles trens enormes, como King’s Cross), eu tenho vontade de colocar minha bagagem no chão e gritar qualquer coisa, porque eu tenho algo pra dizer. Você quer dividir a culpa?

Não pense, só durma.

(Kate Nash)

terça-feira, 5 de março de 2013

MINICONTO GRINGO
Fugiu com um americano. Sem ovo.

MINICONTO GRINGO II 
- Rai! - Relou! Motel. Molho inglês.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Quando meninos se tornam homens, ou: quando eu vejo Game of Thrones.


Well, I've been afraid of changin'

Cause I've built my life around you

But time makes is bolder even children get older

I'm getting older too

Oh, I'm getting older too

Fleetwood Mac | Landslide


Fazia muito tempo que não lia algo que me fazia ficar desesperado, desesperançado, descrente da vida e do mundo. Aí eu conheci Game of Thrones
Quando a Raila me passou a série, ela disse “acho que tu vai gostar”. E eu tenho medo quando ela fala isso. Porque ela sabe que “gostar”, quando se trata da minha pessoa, é um mergulho sem escafandro atrás de pérolas que devem estar em algum lugar. E, como o resultado é incerto, eu aproveito a viagem até ficar sem ar.
Assisti os dez episódios da primeira temporada. E, de repente, meu mundo virou de ponta cabeça. Não, os mocinhos não vencem no final. Como assim? Como assim não existe um final feliz?
Sangue saía dos meus ouvidos, depois desse mergulho. Ah, fiquei casmurro por semanas. Aí... Veio a segunda temporada, e eu chorei copiosamente quinze minutos esmurrando a parede incrédulo, no nono episódio. O que é isso que me afeta tanto? Por que, me responda, por que eu fico tão afetado por algo que sei que não é real – nem foi feito para ser?
Então, ganhei o primeiro volume da minha namorada, de dia dos namorados. E revivi a primeira temporada – sim, com todo o pathos que isso representa. E, pateticamente, comprei os cinco volumes, e estou agora lendo o quinto. Lendo cada página como o último bocado de um pudim de vó. E sabendo que o pior ainda está por vir: George R R Martin está vivo, e não terminou a história. Ele nos trará os Ventos de Inverno ano que vem (talvez...) e faltará um último volume (talvez).
Vida longa a ele, o que eu e milhares de leitores desejamos.
Mas, porque falar disso? Porque a vida é injusta e não aprendemos isso nos livros. Porque as pessoas são complexas para além de maniqueísmos. Porque nós, no cotidiano, mudamos de lado, também. Porque nós, no cotidiano, falhamos. Mas não estamos, nunca fomos, preparados para acreditar que isso ocorreria na fantasia, também.
E, como uma rameira que se despe lentamente à meia-luz, Martin nos leva a crer que -  amargo trago esse - nós somos menos do que pensávamos ser. Somos humanos e não há vanglória nisso. Passo a passo, página a página, personagem a personagem, vemos que, mudam os contextos, permanece o axioma. Não somos perfeitos e, se isso é bom, ninguém me contou direito.
Eu espero, sinceramente, que essa história acabe bem, e eu volte a acreditar em heróis. Mas, sinceramente? Eu duvido muito que isso volte a acontecer.
Existe um problema em envelhecer, que o Martin explora bem, em seu “Senhor dos Anéis para adultos”: você deixa de acreditar que tudo acaba inexoravelmente bem. 
E é aí que você passa a se esforçar.


No próximo texto, no próximo quatro, de abril, a terceira temporada já terá começado. E eu serei um menino na frente da tela com os olhinhos brilhando de excitação, e um homem mais envelhecido horas depois, pensando que a vida é boa, mas não é justa.
E vou me esforçar para que isso soe bem aos meus ouvidos, e a meu favor, também.

sábado, 2 de março de 2013

Manual de como se comportar no cinema


Acho que este breve manual pode ajudar os cinéfilos em geral.

1. Aprenda a comer pipoca direito.
O ingerimento deste alimento sagrado supostamente criado pelos índios americanos deve ser feito com a mesma destreza de uma cirurgião gelado da Sibéria. Exige treino, concentração e força de vontade, mas é um mal necessário. A pipoca deve ser coletada do saco calma e tranquilamente e você deve deixá-la praticamente desmanchar na boca. Você pode até morder de leve, mas não deixe aquele "roc, roc, roc" insuportável contaminar as pessoas ao seu redor. Se você quiser fazer a coleta ou mastigação com mais vontade, espere uma explosão, uma briga estarrecida entre os protagonistas ou uma música alta, de preferência rock. E com relação àqueles momentos quase sem som ou de enorme importância para o desenrolar da história, não se mova. Não pegue pipoca nenhuma. Não beba nada. Não respire. Espere o momento passar e continue com o processo descrito acima até o fim do filme.

2. JAMAIS chacoalhe o saco de pipoca dentro do cinema. 
Além do barulho irritante, é um gesto cafona e mal educado. Deixe pra fazer isso fora da sala e de preferência sem a presença de outros seres humanos. Se for para dar uma chacoalhada (de fato essa técnica é útil para espalhar o sal) no saco dentro da sala, espere pelo menos por uma explosão. E não pode ser uma explosão qualquer. Tem que ser de helicóptero pra cima. 

3. Desligue a porra do celular.
Toda vez que você checa uma mensagem inútil no whatsapp, você cega todas as pessoas que estão atrás de você. Não tem essa de dar uma olhadinha. Desligue o celular e não me encha a porcaria do saco. Ok, pode deixar no silencioso, mas coloque-o debaixo do banco com o visor virado para o chão.

3. Lugar de comida é no restaurante.
Sabe aquela coxinha do KFC? Aquele hambúrguer do Mc Donalds? Deixe de ser farofeiro e come essa gororoba na área de alimentação. Você vai empestear o cinema com o cheiro e ainda vai se cagar inteiro com o ketchup e o molho especial.

4. Cale a boca.
"Poxa, mas eu não falei quase nada durante o filme, só disse que a Anne Hathaway estava bonita". Foda-se. Ninguém quer saber a sua opinião. Sobre nada. Quer fazer comentários sobre o filme? Então assiste em casa com os amigos. Um ou outro comentário durante o trailer, tudo bem. Mas durante o filme a ÚNICA coisa válida é o silêncio sepulcral. 

5. Não leve o seu bebê.
Crianças com menos de 8 anos deveriam ser vetadas em sessões que não sejam infantis.

6. Se você é muito alto, escorregue na poltrona e não reclame.
Qualquer pessoa com mais de um metro e noventa deveria escorregar um pouco na cadeira, afastando o quadril do encosto de modo a diminuir a altura da cabeça e não atrapalhar quem está atras. Um dia eu ainda consigo institucionalizar essa regra nos cinemas. Se bem que pensando bem, gostaria de institucionalizar os 8 regras deste manual. 

7. Joelhadas na cadeira da frente.
Tem gente que está sempre chutando a pessoa da frente, mas não se dá conta disso. Preste atenção se você não é uma dessas pessoas na próxima vez que for ao cinema. A maioria dos pessoas que sofrem com isso são tímidas demais para reclamar de uma ou outra joelhada e ficam lá desconfortáveis, se irritando por dentro. Procure não se mexer muito para minimizar esse problema e preste atenção aos seus movimentos.

8. Compre o ingresso com antecedência.
Quando você deixa pra comprar o ingresso em cima da hora, é muito provável que não tenha mais. Caso ainda tenha, você vai conseguir o pior lugar possível, vai ocupar a fila das pessoas sensatas que estão esperando coletar o ingresso (nem todo mundo tem impressora em casa) e ainda vai se irritar com o funcionário da bilheteria que nada tem a ver com a sua desorganização. Então, pelo amor de Deus, largue de ser teimoso. Compre pela internet com alguma antecedência. Ao comprar pela internet, você consegue  visualizar a ocupação da sala desejada. Caso já esteja ocupada, você tem a opção de tentar outros cinemas espalhados pela cidade. Não perca o seu tempo gastando dinheiro com gasolina e estacionamento pra em cima da hora descobrir que a sala está lotada. Não estamos mais na década de 90.




sexta-feira, 1 de março de 2013

das amizades

eu queria falar de novo das ~redes sociais~, principalmente sobre este boom de posts no facebook sobre o vídeo ANTIGO da marina abramovic e seu ex, ulay, no MoMA. e ia falar mal, claro (não da marina, nem do ulay, nem da performance), mas desse povo que rebloga, retweeta, retudo qualquer coisa sem mesmo ler, sem pensar, sem whatever, mas... atendendo a pedidos, segue um post curto e fofo.

estamos aqui pra falar da amizade. 

conhecer alguém e de repente encontrar nesta pessoa um companheiro de alma, não é fácil. amigo é mais do que aquele que te liga pra falar que pegou alguém na balada, que te pergunta se tá tudo bem ou que curte seus posts com foto de gato no facebook.

amigo amiiiigo mesmo é aquele que não precisa falar bom dia ou pedir desculpa quando tropeça em você. é aquele que te liga todo contente pra falar que passou no mestrado ou que fez uma prova de merda e não passou. que fala mal do seu namorado quando você tá #chatiado e que fala bem quando você tá feliz.

é aquele que te passa links bacanas, te apresenta bandas boas e que tem ciúmes quando você sai com outros amigos. esse amigo é aquele que te encontra depois de anos no bloco de carnaval na vila madalôca e diz que te ama. 

amigo é aquele que te avisa do seu bafo de onça e quando tem alface no seu dente. que te avisa quando você está falando demais ou fica do seu lado compartilhando seu silêncio. 

enfim, amigo é um bicho raro, mas que existe e se até eu que sou chato tenho alguns, você também pode!

por isso, amigo, cuide desse bicho enquanto você tem.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Do 29 ao 30

Assim que publiquei o meu post de Janeiro pensei:

Não existe dia 30 de Fevereiro, estou de férias no próximo mês? Mas como a diretoria liberou 3 postagens para o dia 28, então estamos ai.
Pensei logo no povo que nasceu ou se foi no dia 29 de Fevereiro e fui atrás das efemérides que eu tanto gosto, bora lá:

Coisas estranhas:

1ª - Houve uma única vez na história o dia 30 de Fevereiro que foi 30/02/1712.
Até 1712 os Suecos usavam o calendário Juliano ao invés do Gregoriano onde todos os anos múltiplos de 4 são bissextos. Como 1700 havia sido bissexto no calendário Juliano para ajustarem ao recém adotado calendário onde 1700 não seria mais bissexto a Suécia adicionou 2 dias ao ano de 1712.

2ª - O nome “Ano Bissexto” ao contrário do que muitos pensam não é por causa dos dois números “6” que temos nos “366” dias do ano.
A expressão veio lá da Roma Antiga, quando os dias tinham nomes baseados no ciclo lunar. Assim, dia 24 de fevereiro se chamava “antediem sextum calendas martii”, ou seja, “sexto dia antes da lua nova de março”. Antes de ser instituído o 29 de fevereiro, o dia 24 de fevereiro era duplicado de 4 em 4 anos. Portanto, nesses anos ele era chamado de “antediem bis-sextum calendas martii”, algo como “duas vezes o sexto dia antes da lua nova de março”.

3ª - Nos EUA existe o festival do ano bissexto na cidade de Anthony que se auto-proclamou a capital do ano bissexto.

4ª - A mais bizarra de todas:
Você malandrão que curte bancar o turista mochileiro hippie, muito cuidado se inventar de conhecer a Irlanda no mês de Fevereiro especificamente no dia 29 de fevereiro.
Tudo começou no século V, quando uma tal de Santa Brígida reclamou a São Patrício (um respeitado Padre da época) o fato de não achar justo as mulheres terem de esperar pelo pedido de casamento. Depois de muita insistência (mulheres viu!) ela conseguiu, porém para sacanear o padre restringiu o pedido para uma data específica, sim o tal do dia 29 de fevereiro.
O Pior de tudo a tradição pegou e se espalhou pelo Reino Unido, teve época que os homens tinhas até que pagar multas por não aceitarem o pedido, essas multas eram pagas com beijos, vestidos de seda, jóias. Espera ai, isso ainda acontece nos dias de hoje minha gente, não é? Rs

Vamos as efemérides:

Eventos:

1940 – O filme E o Vento Levou ganhou oito prêmios Óscar, sendo que um deles foi para Hattie McDaniel que foi a primeira mulher negra a ser convidada, e a ganhar uma estatueta do Oscar, mas ainda pingou racismo por todos os lados na festa, pois ele ficou isolada de todos os demais participantes, inclusive dos que trabalharam co ela no filme.


Nascimentos:

1860 – Herman Hollerith:  O sobrenome desse féla é familiar não? Sim ele é o culpado por aquele momento em que você recebe o seu hollerith e pensa “Estou sendo roubado”.
1932 – Jaguar: Ele só foi um dos fundadores do Pasquim, saiu de um emprego no Banco do Brasil por incentivo do seu chefe que insistia que ele deveria seguir a carreira humorística, já não fazem chefes como antigamente mesmo.


1976 – Ja Rul:  Ex-Traficante que virou rapper, e vivia de briguinha com o 50 Cent, mas essas não foram as maiores cagadas em sua vida, a maior sem duvida alguma foi ter gravado uma música com a Wanessa Camargo, e ainda ter a pachorra de prometer um álbum com Ivete Sangalo, Dudu Nobre e Chorão.

Falecimentos:

1980 – Gil Elvgren, você pensa que somente brasileiros abreviam o seu nome quando ele é feio? Esse “Gil” ai é de Gilette, pense em um nome bonito da porra.
Certa vez eu conheci uma “Val” o nome da fera era Valquefania, mas voltando ao Gil, ele foi o mais famoso e importante pintor de “Pin Ups Girls” que existiu nessa bagaça.



2012 – Davy Jones, Ele foi ator, mas em um show dos Beatles viu sua verdadeira vocação que era a música, por ironia foi chamado para participar do elenco de um seriado que também teve como maior inspiração os Beatles, onde ele seria o vocalista de uma banda, que por sua vez virou uma banda de verdade (Beatles Salva Mesmo!), mas ele é conhecido e lembrado até hoje por causa dessa série.

Quem são eles?

Hey Hey We're The Monkees



Abraço 
Jeff

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Hora do banho


Quando não sou uma burocrata, uma dona de casa ou alguém que finge estudar coisas "sérias" como filosofia, sou uma antropóloga amadora que se dedica a investigar hábitos humanos que para a maioria das pessoas seriam dignos de pouca atenção. O banho é uma dessas práticas que considero curiosíssimas. Para mim, as pessoas se dividem em quatro categorias básicas de acordo com a hora que tomam banho: há aquelas que tomam banho pela manhã, há aquelas que tomam banho à noite, há aquelas que tomam banho de manhã e à noite e, por fim, há aquelas que nunca tomam banho. Claro que há casos que vão além das minhas categorias, mas essas pessoas devem ser consideradas na sua particularidade.

O que devemos ressaltar é que a personalidade das pessoas segue um padrão dentro de cada uma dessas categorias. As pessoas que tomam banho pela manhã alegam dois motivos principais: o banho as desperta e também as deixa limpas e cheirosas para que possam entrar no mundo público, ou seja, ir à escola, ao trabalho ou a qualquer outra atividade que suponha aproximação de corpos. Já as pessoas que preferem o banho noturno defendem a ideia oposta: é preciso ficar limpo para dormir e ocupar o local mais íntimo que é a própria cama. Além disso, o banho seria um momento relaxante para trazer o sono logo e, considerando que dormir em tese não nos suja, acordaríamos igualmente limpos. A terceira categoria, por sua vez, é composta por pessoas que acreditam que é preciso respeitar a higiene no mundo público e no mundo privado, daí que preferem ficar limpinhas duas vezes ao dia. Confesso que admiro essas pessoas pela disposição que têm! O último grupo é de pessoas que não veem no banho uma utilidade privada ou pública. Até hoje conheci poucas pessoas com esse desprendimento corporal, mas, verdade seja dita, elas não são muito atrativas para o nosso atual padrão civilizatório e higienista. De todo modo, gosto de pensar no quanto o nosso ideal de limpeza é arbitrário e como ele se alterou com o passar dos séculos. Tem dúvida disso? Pense então que na corte elisabetana simplesmente não se tomava banho diário - nem de manhã, nem de noite, nem em hora alguma. O banho só se tornou rotineiro na Europa no século XIX e, ainda assim, a banheira e, mais recentemente, o chuveiro eram considerados artigos bem burgueses.

Se você acha que esse tema é banal demais, engano seu. O banho sempre teve importância, seja religiosa, social ou medicinal. Para os romanos, o banho era um acontecimento público nas termas. Para nós, um acontecimento privado no banheiro. Muita coisa mudou e fomos aos poucos adequando esse hábito de acordo com as nossas necessidades e vontades. Na maioria das vezes, é a tradição familiar que nos faz tomar banho assim ou assado, de manhã ou à noite. Dada a sua importância, o banho pode ser um problema social. Imagine dividir o quarto, a poltrona no ônibus, a fila ou a vida com alguém que não toma banho. A hora do banho também pode ser até mesmo um problema conjugal. Imagine um marido que só toma banho de manhã e sua esposa só toma banho à noite. As horas no banho podem ser também um problema econômico para quem não abre mão do banho quente e longo. O banho pode revelar talentosos cantores... 

Enfim, como se vê, os desdobramentos sobre o tema são numerosos e já é hora do meu banho. Se achou minhas reflexões antropológicas por demais inúteis, só lhe digo uma coisa: vá tomar banho... é um ótimo momento para pensar coisas como essas! 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Escrever com a luz!

Tem praticamente um mês que me bloqueou a escrita. Nem rabiscar poesia estava conseguindo - ou melhor, assim continuo. Mas aí, fui vendo: outras formas de me comunicar, expressar, sentir. E não é que ganhei uma câmera bem na hora? Sou apaixonada com fotografia, essa arte de escrever com a luz me impressiona, mesmo eu não possuindo a menor vocação (ou inteligência) para compreender a direção das luzes e a forma com que ela vai atuar naquele momento que eu tento capturar.







Ps. aproveitando essa vibe fotográfica, dia 25 receberá uma nova pessoa sedenta por escritos! Obrigada a todos do Blog das 30 pessoas pelo espaço, apoio e piadas internas. =)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dois caminhos

Um
Ao dar um passo para a direita, sentiu que deveria ser direto. Quando teve oportunidade, olhou-a nos olhos e convidou: "Vamos sair daqui?". Ela sorriu, deu mais um gole no copo de vodca com suco. Talvez tentando ganhar tempo para inventar uma desculpa. Mas não. "Vamos". A resposta o atingiu com a ferocidade de um sorriso. Saíram já de mãos dadas. E não se desgrudaram mais. Não de uma maneira grudenta, mas estavam sempre juntos, mesmo quando separados. Haviam virado uma entidade, os amigos diziam. Ninguém imaginava mais um sem o outro. Nem eles. Casaram-se, tiveram dois filhos e provaram que o amor poderia ser dividido e multiplicado ao mesmo tempo. Viveram muitos anos e viveram a maior parte desses anos juntos, que pareciam ter sido todo o tempo deles no mundo.

Outro
Acordou com o pé esquerdo. Só poderia ser isso. Mas, às vezes, os caminhos tortos são os mais corretos. Ao menos era no que queria acreditar, numa tentativa de salvar aquela semana. Ou salvar a si mesmo, depois de tantos erros. Parecia ter encontrado alguém que, finalmente, iria erguê-lo. Não, não literalmente. Bom, também. Pois as últimas tentativas de relacionamentos, muitas delas promovidas por amigos e colegas de trabalho, foram desastrosas no mínimo. Ela, não. Aparentemente sã, inteligente, bem-humorada. Tornara-se cínico demais para apostar suas fichas todas em uma pessoa, mas os outros campos da vida estavam estagnados, sem possibilidades de melhoria. Algo precisava dar certo, e logo. No final, não deu. Ela ainda esperava o retorno do ex-namorado, que partira oito anos antes. Estava perdido na vida e sentia que a vida se perdera em algum momento irrecuperável. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uruguai para Brasileiros

Desde novembro estou querendo contar como foi meu casamento e a viagem de lua de mel. 
Esse mês vai ser sobre o Uruguai, ou melhor, sobre a linda Montevideo.
Recomendo levar um pouco de peso uruguaio do Brasil e levar um pouco de real. Não vale a pena levar dólar, a não ser que você já tenha... lá tem uma casa de câmbio a cada esquina e todo mundo aceita real, por isso não vale a pena trocar por dólar. Só recomendo levar um pouco de peso porque aqui a taxa é um pouco melhor do que lá; mas eu só levei real e foi super tranquilo (troquei quando cheguei no aeroporto)...
Para calcular quanto gastar, pense em quanto você gastaria aqui no Brasil para fazer os passeios, refeições e compras que você planeja e coloque um zero a mais. Ou seja, se vocês pretendem gastar 500 reais em tudo levem 5000 pesos.. Não é um bom lugar para compras, o preço de tudo é bem parecido com o Brasil.
Não deixe de ir ao Museu Centenário e de dar uma caminhada na orla, é a coisa mais linda do mundo..  
Prepare-se para comer a melhor comida da sua vida! (sempre peça a porção individual mesmo para duas pessoas, eles são extremamente ignorantes quando o assunto é comida) Não deixe de comer a melhor carne no restaurante Parada Sur na Rua Paraguay. Os Chivitos da cidade velha também são inesquecíveis! Peça o Canadense e saiba o que é felicidade!
Na Avenida 18 de julho, no centro comercial, tem uma fonte dos cadeados onde os casais colocam cadeados com o nome ou a inicial. Como eu sou brega e tonta já levei um daqui... e acredita que não vi ninguem lá vendendo ou gravando? Ah, se fosse no Brasil... diz a lenda que o casal que colocar o cadeado lá eterniza a relação e volta na cidade... Quando você for procure o meu, rs (é impossivel achar, são muitos cadeados!!)
Ficamos hospedados no After Hotel (reservei pelo booking.com) e tiramos a demora no check-in foi ótimo.
Super recomendo para casais ou grupo de amigos que estão sem grana e sem muito tempo para viajar...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sobre a nobre prática de emprestar livros

Epígrafes deixam seu texto mais elegante...
(anônimo, in Manual do Blogueiro)


As estatísticas apontam que 98% dos livros emprestados não são devolvidos. Um dado realmente alarmante  que faz com que eu perca ainda mais a esperança na humanidade. Mas vamos lá, não seremos nós, leitores deste respeitoso veículo de comunicação, que iremos engrossar esta vergonhosa estatística. Se VOCÊ... sim, você mesmo que está me lendo, possui em sua casa algum livro que a princípio não lhe pertence, que a princípio, de repente, ME pertença ou pertença a algum amigo inocente, sugiro que proceda da seguinte forma:  DEVOLVA! Sim, é isso mesmo. Não é tão difícil assim! Se o livro fosse dado, eu ou o outro amigo inocente, teria deixado isso mais claro pra você, quem sabe com uma dedicatória ou um embrulho de presente. Se isso não ficou evidente no momento da "entrega" é porque, mais cedo ou mais tarde, você terá que (me) devolver. E isso também vale pra DVDs, CDs, roupas de baixo... tudo! Vamos incentivar práticas amigavelmente sustentáveis de trocas de materiais!





***

Mas esta foi uma péssima maneira de começar um bem sucedido e bem educado post sobre "a nobre prática de emprestar livros". A ideia deste texto não é desestimular, mas sim incentivar o intercâmbio de livros. E vou explicar por quê!

Acredito que existam ao menos dois tipos de empréstimos de livros. O primeiro, e o mais comum de todos, tem objetivos essencialmente econômicos e coloca aquele que empresta na função de uma espécie de biblioteca pública ambulante. Alguém que deseja ler um livro mas não quer ou não pode comprá-lo pega emprestado com uma boa alma que possui o livro e deseja emprestá-lo. Um mecanismo simples e que costuma funcionar bem (salvo naqueles 98% de casos inconvenientes citados no parágrafo inaugural do post). Entretanto, esta forma extremamente racionalizada de troca cultural peca por ser, como já dito, essencialmente econômica. Ainda que eu economize alguns trocados, pouco estarei me valendo do Outro, daquele que me emprestou. Pouco esterei me valendo de sua experiência enquanto leitor, que pode ser (e invariavelmente é) distinta da minha.

Assim, passo a falar do segundo tipo de troca de livros, daquela que realmente me motivou a escrever estas linhas sob a luz bruxuleante do lampião a gás. Esta segunda forma não tem objetivos econômicos, mas culturais, de ampliação de horizontes. É a saída momentânea de nossa bolha para o encontro com bolhas alheias. Os estudiosos chamam este segundo tipo de troca de "troca cega" ou "exchange blind". Agora o emprestador deixa de ser uma biblioteca pública ambulante e "passa a ser" Ele Mesmo, em toda a sua essência. Alguém escolhe um livro que gostou, que lhe foi importante, que lhe caracteriza enquanto leitor e empresta para um outro Alguém, que faz o mesmo. A escolha é feita por quem empresta e não por quem toma emprestado. Veja bem, aqui não estamos tratando de uma simples e calculada troca de materiais, mas da troca de um pouco do que somos (e isso não tem como devolver). Aqui chegamos a lugares e conhecemos coisas às quais não teríamos acesso no primeiro tipo de troca, às quais provavelmente não chegaríamos sozinhos.

Escrevo isso agora porque recentemente conclui que sou um conservador literário. Ao menos era, até o momento desta brilhante conclusão. Já li uma quantidade razoável de livros, mas conheço relativamente poucos autores. Isso porque, ao me deparar com um autor com a qual me identifico, penso em aproveitar o "achado" e ler a maior quantidade de livros daquele autor, como alguém que diante de uma pepita de ouro, conclui que ela veio de uma mina, onde podem ser encontrados outros tantos exemplares daquela solitária pedra preciosa. E isso se refletia em minha busca por livros emprestados, me fazendo ir atrás apenas daqueles autores com os quais eu já estava familiarizado.



Mas um curioso fenômeno tem ocorrido ultimamente que está me fazendo mudar de postura. Livros de autores variados estão "caindo" em minhas mãos sem serem, efetivamente, por mim solicitados e estão me rendendo adoráveis surpresas, tais como Mário Benedetti, Mário Vargas Llosa, Ismail Kadaré, Marçal Aquino, Herman Melville, Lourenço Mutarelli, entre outros (alguns deles estão ilustrando o post), o que tem me feito perceber que o mundo, ao menos o mundo literário, é bem maior e mais rico do que eu poderia imaginar.

Então, minha proposta vai nesse sentido. Seja lá o que for que você goste de ler, se dê a oportunidade de se impressionar com o novo. Tente um novo gênero, um novo autor, uma nova nacionalidade, um quadrinho de outro estilo! E não gaste dinheiro com isso! Conheça melhor seus amigos através dos livros que eles gostam de ler! Ao menos de vez em quando tente sair dos autores de costume e peça que cada um de seus amigos indique, e se possível lhe empreste, o livro que mais gosta de ler. O pior que pode acontecer é você se dar conta do tipo de gente com quem você anda se relacionando...

Aliás, alguém tem alguma sugestão?




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Descubra quem você é. E seja! De propósito!

Acabo de chegar nos estúdios da rádio onde trabalho.
E é a primeira vez em meses que venho pra cá sem um pingo de luz do sol.
Já havia me esquecido do quanto a cidade é bonita nesse horário.
Horário esse que é o ordinário, e não o extraordinário.
Ouvindo "Inside of love" no repeat, do Nada Surf, vinha eu pra cá pensando que a maioria das coisas em nossas vidas acontece nesse horário "normal"!
Tá bom, vai... Claro que muita gente deixa as coisas, acontecimentos e viagens para o final do ano.
Mas é bem verdade de que há muito mais possibilidades de coisas acontecerem nesse horário no qual podemos dormir um pouquinho mais (graças a Deus) e podemos vir pro trampo sem sermos queimados pelo sol.
Longe de mim ser um vampiro ou coisa que o valha. Mas sempre fui mais fã da noite.
Das sombras. Do silêncio.

Em termos.

Amo música. 
E esse cenário urbano, dessa noite maravilhosa e fresquinha que tô curtindo aqui dentro desse prédio, com esse ar condicionado maravilhoso (tem hífen ou a nova regra cortou?), me faz viajar no Márcio romântico que já fui em outrora.

Sei lá! É uma sensação gostosa!
Percebi há tempos que adoro falar do passado. 
Não! Não é que eu seja apegado!
Mas acho que cada pessoa tem uma característica especial, pela qual faz questão de ser lembrado.

Ou pela qual gosta de se ver no espelho!

Tá certo que ninguém é obrigado a pensar como eu. 
De lembrar de pessoas, momentos e acontecimentos inesquecíveis!

Talvez porque eu tenha esperado demais. 
Tenha corrido mais atrás.

Do alto dos meus 32 anos (a meu ver, muito bem vividos), não mais corro tanto.
Deixo acontecer naturalmente.

E se não acontecer também, que se lasque!
Não fará a mínima diferença em minha vida!

Sou extremamente feliz por onde já cheguei!
E sei que um dia poderei ir ainda mais longe!
Mas sem forçar nada! Simplesmente, acontecerá!

Gosto da ideia de que não sou obrigado a nada por causa da sociedade.
Não é porque todo mundo fez, faz ou fará que tenho de ser do mesmo jeito. 
Cada um é cada um. Viva a individualidade.

Uma das desgraças dos tempos modernos, é termos deixado que nos convencessem de que só seríamos felizes se fizéssemos tudo como robozinhos pré-programados.

Não dá, minha gente.

E se tentamos, vimos que falhou.

O princípio da insanidade, é fazer tudo sempre do mesmo jeito, esperando resultados diferentes.

Muda o disco.
Vai por outro caminho.
Tenta de outro jeito.

E não importa se não quiserem te acompanhar.

Até porque, ao final de tudo, você verá e perceberá que, se dependesse dos outros, muitas vezes, não teria chegado a lugar algum.
Não por maldade de ninguém.
Mas porque somos todos muito limitados.
E muitas vezes acreditamos que, vivendo a vida dos outros, seríamos mais felizes e completos.

Mera ilusão.

Descubra quem você é. E seja! De propósito!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Meu Carnaval, na Europa.

Esse ano o carnaval veio cedo. Droga, deixou meu texto quase anacrônico. Mas tudo bem, antes tarde do que mais tarde.

Não gosto de carnaval. Nunca gostei. Antes da internet (sim, vivi na era anterior ao www e por isso gosto de escrever mais que um tweet) achava que eu era um em um bilhão, mas com as redes sociais reparei que tem mais um punhadinho de gente que me entende. Aliás, acho até que o problema é esse. Não é que eu não goste de carnaval, somente não entendo.

Nunca entendi qual a graça de em pleno fevereiro, ápice do calor infernal, digo, tropical, juntar um monte de gente em um lugar e pular ao som das piores músicas. Agora a desculpa mais comum é dizer que não gosta da música, mas é só para animar. Fico pensando na tristeza de uma sociedade que domina a música há milênios, mas não conseguiu compor um setlist que seja bom e ao mesmo tempo anime, mas tudo bem.

Houve um ano que foi ainda pior. Trabalhei todos os dias, do sábado de carnaval à quarta-feira de cinzas, sem ganhar um centavo de hora extra, já que a data não é um feriado, mas ponto facultativo, e onde eu trabalhava mais-valia pouca era bobagem.

Há uns dois anos eu me cansei. Depois de quase três décadas reclamando anualmente do carnaval, logo eu que, como puderam notar nos parágrafos acima, nem gosto de reclamar, achei melhor aproveitar o feriado e passar uma semana na Europa, me livrar do calor e das músicas ruins, quer dizer, das músicas para animar (animar a quem, cara pálida?).

Uma semana antes já comecei os preparativos, fui até a biblioteca da faculdade, que com todo o mérito leva o nome de Florestan Fernandes, e peguei minha passagem. Tratava-se do livro “As benevolentes”, de Jonathan Littell, que descreve em cerca de 900 páginas o cotidiano de um oficial da SS durante a Segunda Guerra. É difícil ter que lembrar a cada página que a obra é uma ficção. Ainda tenho minhas dúvidas!

A meta era me familiarizar com o livro em alguns dias, ler tudo em uma semana de folga e sair do quarto de volta ao normal.

Como toda viagem tem problemas, quando fui renovar o empréstimo na sexta-feira de carnaval, para de fato passar a semana com o livro, alguém tinha feito reserva. Evidentemente alguém que também não gosta de carnaval e também quis fazer a mesma viagem para a Europa.

Pois bem, o jeito foi mentir para o atendente da biblioteca que eu iria até em casa pegar o livro, assumir o atraso de mais de uma semana e nem pensar no tempo que ficaria impedido de pegar livros depois disso. (se você, que reservou o livro aquele ano, está lendo isso, minhas sinceras desculpas!).

Valeu a pena. As benevolentes é uma leitura obrigatória. Complementa uma centena de aulas de história, geografia, sociologia, filosofia, literatura, etc. O tipo de livro que conforme a leitura avança você diminui o ritmo, na esperança de que ele não termine nunca. Mas termina. Assim como o carnaval, restam as cinzas.

Minha meta foi meio frustrada. Li o livro na semana de folga e retornei ao Brasil ao sair do quarto, mas nunca mais voltei ao normal.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Meu mundo em degradé

Lembro quando meu mundo era mais cor de rosa. Quando eu ainda não tinha responsabilidades, quando ainda nunca tinha sido humilhado ou quando do amor eu só tinha expectativas e nenhuma experiência.
Chega um momento em que as coisas começam a acontecer. Você percebe que quase nada é mesmo para sempre. E isso machuca tanto. Percebe que as pessoas podem ser ainda mais cruéis e que família, nem sempre quer dizer suporte. Acho que foi por essa época que meu mundo entrou na covardia azul. Passei por todos os tons dele. Sempre tão bonito. O azul é sempre tão aconchegante, preenchedor. Mas o azul é depressivo, e isso eu só vim descobrir depois. Talvez por isso quase todo mundo tem um momento muito azul. Ele representou uma fase introspectiva na minha vida, de crescimento. Uma fase de auto-análise importante.
Hoje é tudo amarelo. Forte, expressivo, determinado, exagerado. Parece tão simples, mas poucos tem mesmo coragem de se expor ao amarelo.
__ Você é abusado, garoto! - Me disseram um dia.
__ Porque?
__ Você usa amarelo. - Me responderam.
Estar amarelo incomoda, irrita os outros. Amarelo é outing demais, é descontraído, pretensioso. As pessoas sabem que o amarelo é seguro demais pra voltar a ser azul. Atrai um mau olhado da porra.
O que será que vem depois? Vermelho, com seu poder intimidante? Branco, com sua intenção de descanso?
Só espero ainda viver muita coisa antes de chegar no preto.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O dia 17

Escrevi esse texto há exatos 16 dias. Hoje você que me lê observa em seu calendário de folhinhas arrancadas o dia 17. Eu, ainda o dia 1º. O que me dirá você, que arrancou 16 folhinhas a mais que eu agora, desse dia? É um domingo e aos domingos eu não trabalho. Deve estar chovendo, como em todos os dias de folga em São Paulo. Hoje, o dia 17, seria comemorado o aniversário da minha cachorra, que morreu há uns (?) talvez 5 anos? Eu sou dessas que decoram o aniversário de todo mundo, até mesmo o da cachorra, da cachorra morta. Ainda me lembro do dia em que ganhamos os cachorros, o casal de Cockers, lindos. Samantha e Spike. Lembro dos nomes, da casinha triangular, do dia em que Spike se foi e do dia em que Samantha se foi eu nem lembro pois não estava lá. É provável que no dia desse texto eu nem me lembre dela. Uma pena. É provável que eu esqueça até de quem fui, ou no caso de quem estou sendo, neste dia 1º. Ando me esquecendo de muita coisa. Hoje mesmo me fugiu algo que não poderia ter deixado passar, mesmo tendo balbuciado três ou quatro vezes para dela não me esquecer. Desgarrei, perdida, dos truques e fui para o engodo. Fugi(u)(mos). Para isso, ando metendo post-it em tudo. Tenho medo de colocar meu nome em um deles e grudar no monitor, aquelas coisas de gente velha que dá medo. Essa coisa de memória tem a ver com desgaste, eu ando meio desgastada, mas não é que a memória tá gasta, ela não está gostando de liberar mais de memória suficiente. Hoje, dia 1º, uma fila enorme no metrô e a menina da minha frente me passa pela catraca sem cartão sem bilhete sem nada. Travou com ela e nela o susto. Pediu desculpas sem graça, passou por mim, saiu da fila. Essa coisa da memória tem a ver com o piloto automático. Você tem às vistas tanta putrefação mental que seu cérebro dá uma de entrar em coma e você fica vagando sem saber se tá indo ou tá voltando. Escrevo esse texto com antecedência de 16 dias porque esqueci dois dezessetes anteriores. Estou com medo. Medo de esquecer. Por isso escrevi. Para lembrar. Quem fui no dia 1º, o que é perfeitamente passível de esquecimento. Agora me deu medo de esquecer de ler esse texto programado e, com isso, ficar sem saber quem fui no passado. Para não gastar a memória com coisa pouca, colarei um post-it. Mas como não tenho nem um comigo, balbucio agora que preciso de post-it. Mas se balbuciar você esquece. Talvez esquecer seja o caminho mais insuspeito da memória. Ela esquece pra perder de você uma parte que não te fará falta. Como a falta de 16 dias de vivência não foi capaz de impedir esse texto, feito à base da premonição, feito à base do esquecimento.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A alegria do Carnaval

Com o gosto de guarda-chuva na boca decidi que gostaria de falar sobre o Carnaval, porém, sem o viés ético. Certamente, não falarei que se deveria ter uma clareza dos balanços contábeis das Escolas de Samba e que a governança deveria ser a tônica maior para que o cidadão que curte ou mesmo aquele que assiste pela TV não se sinta cúmplice da máfia do jogo do bicho, do caça-níquel, do bingo ou do cartão. Afinal, os desfiles foram tão ricos que é difícil acreditar em patrocinadores legais.

Depois de muitos anos, acho que devido ao processo de tiozão que vem ocorrendo em minha vida, neste ano, assisti pela TV a alguns desfiles do Rio de Janeiro. Confesso que fui surpreendido pela criatividade dos carros alegóricos e a diferença das baterias, todavia, faltava algo. O Carnaval faz parte do meu imaginário libertino, cresci com as histórias do meu pai sobre como ele barbarizava na década de 70 nos bailes e que o tapa sexo foi assunto do Fantástico. Senti falta da peitola de fora, do cara com pandeiro com a língua de fora enquanto a passista com tudo a mostra mostrava o seu requebrado, que deixavam as donas de casa envergonhadas, os pais empolgados e os filhos com um repertório vasto para os seus banhos demorados.

Gostaria de lançar uma campanha em prol do Carnaval sem vergonha, esqueçamos o Cirque du Soleil, a obrigação que o espírito de vira-lata nos acomete em agradar a gringaiada, vamos exaltar a pélvis nua e ao tapa sexo. Que em 2014, tenhamos um Carnaval com mais pele.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Orelha

Segredo a gente conta ao pé dela.
Quando o sorriso vai de uma à outra, é um bom sinal.
Se a esquerda esquenta, estão falando mal.
Se é a direita que queima, é porque falam bem.
Em tempos de desconfiança, a pulga se esconde ali atrás. 
A gente tem duas, justamente para ouvir mais do que fala. 
Sorte de quem tem cobertor para ela.
A concha junto a ela faz o barulho do mar.
Quando um burro fala, o outro a abaixa.
Na dúvida, deixe a sua em pé.