sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A greve e os dias

Todas as manhãs pai e filha iam juntos à repartição. 

O pai em questão era um funcionário dedicado, cumpridor de horários e boa praça. A filha em questão tinha recém completado seu primeiro aniversário e acabara de ingressar à creche da repartição. Nada mais conveniente. O pai deixava a pequena menina na creche e seguia tranquilo para seu posto de trabalho, onde cumpria zelosamente às suas atividades em prol do bem público. Por mais trivial que este trâmite cotidiano possa parecer, esta rotina tinha aproximado pai e filha. A pequena ainda estava ensaiando seus primeiros passos, então o pai a levava agarrada ao corpo, numa dessas curiosas invenções humanas que se apropriam da engenhosa anatomia marsupial. 

Faziam a  maior parte do caminho a pé ("faziam" é modo dizer, já que era somente o pai quem efetivamente caminhava) uma vez que a repartição ficava num desses pequenos oásis da urbe onde ainda existem árvores - considerável parte delas frutíferas - e animais de boa índole em quem se pode confiar. A menina, a despeito do mau humor e rabugice que uma caminhada matutina possa sugerir para alguns, espalhava sua simpatia infantil manifestada por um sorriso ainda banguela e por um insistente e terno chacoalhar de mãos, para todo aquele ou aquela que cruzasse seu caminho (e quando digo "todo" estou sendo literal, já que a menina não fazia qualquer tipo de distinção e cumprimentava até os menos cumprimentáveis, arrancando sorrisos até de pessoas que aparentemente não tinham este hábito e que o praticavam  pela primeira vez em séculos). 

Eram tempos bons e aprazíveis, mas um espectro rondava a repartição. Em todo corredor se falava da iminência da greve. A administração da repartição mudara de mãos nos últimos meses e muitos concordavam que a mudança não era algo que se pudesse chamar de boa. O novo dirigente era, em verdade, um velho conhecido de todos. O senhor de cabelos brancos e olhar afável tinha ocupado um cargo importante na gestão que o precedeu e, como a lógica nos induz a supor, conhecia de antemão os problemas que a instituição padecia e estava preparado para enfrentá-los. A realidade, no entanto, nem sempre é lógica, sobretudo quando estamos tratando de aspectos políticos da realidade. Ao assumir o posto de comando da repartição, o dirigente continuou com cabelos brancos mas tornou o olhar menos afável. Negou a gestão anterior como Pedro negou a Cristo, com a diferença de que o fez bem mais do que três vezes. Sua gestão - gabava-se - serviria para tirar a repartição da lama a qual a gestão anterior a tinha lançado e, como primeira medida, teve a brilhante ideia de congelar o salário de todos os funcionários, a despeito do processo inflacionário ditado por nossa Economia.

Tal como fogo num pavio, a noticia do congelamento salarial foi se alastrando por todos os cantos da repartição. "Mais valia não ter me esforçado tanto" - dizia um - "mais valia ter ficado em casa" - afirmava outro - "mais valia era ter mandado este desditoso senhor congelar o salário da boa senhora que o concebeu" - vociferava um escriturário um pouco mais exaltado - "mais vale entrarmos em greve!" - decidiu a Maioria - esta senhora sempre tão democrática - em assembleia. E a greve se iniciou. No dia seguinte ninguém trabalhou.

Nem mesmo o pai, que como já se disse e é sempre bom que se repita, era um funcionário dedicado, cumpridor de horários e boa praça. Mas não era trouxa. Agora, ele também era grevista. Aqueles que cuidavam da menina enquanto o pai trabalhava não eram menos dedicados, tampouco deixavam de ser cumpridores de seus horários e também eram - por que não? - boas praças, mas, assim como o pai da menina, também não eram trouxas. Agora, eles também eram grevistas. O pai e a menina continuariam a ir todos os dias à repartição, só que agora como legítimos militantes da classe trabalhadora!

As idas à creche cederam lugar às idas às assembleias. O destino mudou, mas a simpatia da menina continuava a mesma. Seu público, no entanto, se ampliou bastante. Agora, a menina brincava entre os mais variados tipos e já não usava suas mãozinhas apenas para dar tchau aos passantes, mas também para bater palminhas sempre que algum companheiro da classe trabalhadora se inflamava ao microfone. Foi numa dessas ocasiões, inclusive, que a menina pronunciou sua primeira palavra: "precarização", para grande surpresa de todos que estavam ao redor.

A greve e a menina pareciam ter sido feitos um para o outro. O pai, que no incio estava receoso, foi logo ficando mais relaxado e permitindo que a menina transitasse livremente entre a massa de grevistas. Ela ia de colo em colo e recebia o mimo de todos. De um ganhou uma bandeira vermelha a qual aprendera a manusear com maestria, de outro ganhou um apito que utilizava sempre nos momentos em que a massa se exaltava. Era o mascote da greve.

Com o tempo a menina foi percebendo que seu vocabulário era modesto demais para que pudesse participar plenamente daqueles importantes acontecimentos, por isso, tratou logo de ampliá-lo. "Sucateamento", "neoliberalismo" e "repressão" vieram logo na primeira quinzena da greve. "Liberdade", "reacionário" e "pelego" vieram na sequência. Os verbos, conjunções e preposições necessários para unir tudo isso foram vindo com o tempo. Ao fim do segundo mês de greve, a menina já se comunicava com eloquência e já podia dialogar de igual pra igual com qualquer sindicalista das antigas.

Quem não queria saber de dialogar com ninguém era o dirigente da repartição. Para ele, a greve não fazia nem cosquinhas e ele seguia declarando para a imprensa que não aumentaria um tostão furado o salário de ninguém! E era bom que parassem de brincar de greve e voltassem logo ao tronco porque, do contrário, não receberiam nem o pouco a que tinham direito!

Tamanha intransigência e inabilidade administrativa serviriam para desanimar qualquer pessoa de ideias frouxos, mas este não era o caso. A greve continuava ainda mais forte. "Não tem arrego! Não tem arrego", gritavam todos. "Arrego", foi logo incorporado ao já sofisticado vocabulário da menina.

Ao término do sétimo mês de greve, a menina completou toda sua dentição (com exceção, é claro, dos chamados "dentes do siso", ainda que juízo não fosse algo que faltasse à menina"), motivo pela qual abandonou completamente sua dieta composta essencialmente de alimentos pastosos e de fácil deglutição e passou a ingerir, sem medo, alimentos mais consistentes. A noticia foi recebida com alegria por todos, que agora poderiam oferecer-lhe toda a sorte de sanduíches e outras guloseimas que o sindicato disponibilizava em todas as assembleias, os chamados X-Greve. Não tem arrego! Não tem arrego!

Com o irrestrito apoio do governador do estado, o dirigente da repartição começou a endurecer as coisas. As prisões, episódios apenas pontuais no inicio da greve, transformaram-se em acontecimentos rotineiros. A policia estava autorizada a prender por qualquer motivo e até mesmo por motivo nenhum, caso o policial não fosse com a cara do suposto meliante. O movimento grevista teve que se fortalecer para a libertação dos presos políticos. A massa grevista tomou as ruas e foi pedir apoio da população. "Não tem arrego! Não tem arrego", diziam os cartazes. "Não tem arrego! Não tem arrego", gritavam os grevistas.

A repartição deixara  há tempos de manter suas atividades mínimas e agora estava às mínguas. A greve se radicalizara depois de 7 anos de infrutíferas tentativas de diálogo e o novo dirigente, escolhido pelo governador do estado, seguia a mesma linha intransigente de seu antecessor. A situação estava até confortável para ele já que a repartição estava economizando bastante com a interrupção geral dos serviços.

O pai e a menina, é fundamental que se diga, mantinham-se firmes na luta. A menina, que completara toda sua alfabetização criando os cartazes utilizados nas manifestações, tratara de ampliar de uma vez por todas seu universo cultural e substituíra, por conta própria, o seu acervo literário. Os livros coloridos de autores como Monteiro Lobato, Ziraldo e Tatiana Berlinky cederam lugar a obras de maior densidade e intenso conteúdo político: Bakunin, Proudhon, Thoreau, Lenin e outros. Como presente de aniversário de 10 anos, a menina pedira de presente a seu pai uma coleção dos escritos de Marx e Engels e organizou um grupo de estudos entre os grevistas. O pai passou a não acompanhar mais o raciocino da filha - eram poucos que conseguiam - mas sempre a apoiava em tudo.

Foi quando apareceu uma ponta de esperança. Após 17 anos de tentativas frustradas de diálogo com a direção da repartição, um dirigente enfim apareceu em uma reunião de negociação. Sua proposta era a de que todos os presos políticos seriam soltos imediatamente, com a condição de que todos os grevistas voltassem aos seus postos de trabalho na manhã seguinte. Aquilo era golpe baixo! A luta não poderia acabar daquela maneira. "Não tem arrego! Não tem arrego!" - foi a resposta de todos em assembleia.

A greve só crescia e agora contava com o apoio dos filhos dos grevistas que iniciaram a greve. A menina tinha o cuidado de introduzir estas crianças nos estudos revolucionários e organizava rodas de leituras dos clássicos da desobediência civil. Já não eram grevistas. Eram uma comunidade. Muitos abandonaram sua antiga família e passaram a viver definitivamente nos acampamentos montados nos jardins da repartição. Antropólogos e jornalistas do mundo começaram a se interessar por aquela nova forma de viver e passaram a ser figuras constantes no local. O enterro do principal líder sindical, no inicio da terceira década de luta, foi noticia em jornais do mundo todo, que destacavam o curioso conteúdo de seu epitáfio: "Não tem arrego! Não tem arrego".

O pai da menina já não se lembrava mais porque a greve tinha começado mas, mesmo já tendo se aposentado, continuava acompanhando a filha às manifestações. A menina era agora uma mulher que já entrava nos quarenta e tinha sido eleita por ampla maioria de votos a nova presidenta do sindicato. Agora ela era a voz da greve, a líder sindical, aquela que levaria todos à iminente vitória! "Não tem arrego! Não tem arrego!" - disse ela em seu inflamado discurso de posse.

No dia seguinte, pai e filha iriam juntos à repartição...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Claro feito água (da Cantareira)

Pergunta: Candidato, sua campanha exalta a meta de crescimento econômico, como o senhor pretende cumprir essa meta?
Resposta: Ótimo. Eu e minha equipe vamos trabalhar do começo ao fim do meu governo. Vamos investir em áreas fundamentais, cortar os gastos supérfluos – doa em quem doer –, temos todo um planejamento voltado para a área de logística, que vai reduzir os custos e maximizar os lucros. Viajando por aí eu vejo o potencial que estamos desperdiçando e não vou deixar que isso continue do jeito que está.

Pergunta: O senhor fala em corte de gastos. Sendo mais específico, quais áreas seriam alvo destes cortes?
Resposta: Muito bem. Nós temos uma equipe econômica muito competente que está preparando um pacote de intervenções. Eu não quero adiantar nenhuma medida de forma prematura, mas durante toda minha vida eu aprendi com meu saudoso pai a ter planejamento, a não dar um passo maior do que a perna e ter metas ambiciosas. É assim que meu governo será pautado.

Pergunta: E os investimentos aos quais o senhor se refere, vão sair de onde, candidato?
Resposta: Exato. Veja bem, nós temos um potencial muito grande que vem sendo mal aproveitado. O eleitor está cansado de ver tanta riqueza mal investida. No meu governo a população vai ver um governo baseado no planejamento estratégico, que vai alocar os recursos de maneira mais inteligente e proveitosa.

Pergunta: E esse crescimento econômico, candidato, partindo do princípio que o senhor vai atingir suas metas, como ele vai chegar até a população?
Resposta: Perfeitamente. A população vai ficar feliz em ver que o país está no rumo certo. Recentemente nós tivemos a Copa do Mundo, que colocou o país em notoriedade. Todos ressaltaram a qualidade do povo brasileiro, um povo acolhedor, generoso e hospitaleiro. O povo brasileiro sentiu muito orgulho de si mesmo durante a copa, com a economia do país crescendo toda essa euforia terá também um amparo econômico.

Pergunta: O senhor citou a Copa, antes do mundial havia um receio muito grande em relação à segurança. Como acabar com essa sensação de insegurança da população?
Resposta: Exatamente. Veja bem, quando eu era criança a gente brincava na rua sem preocupação. Eu saía de manhã para brincar com os meus amigos e só voltava a noite, meus pais não se preocupavam porque sabiam que estava tudo bem. É essa sensação de segurança que precisamos recuperar. O povo tem que se sentir seguro no país que é dele, temos que investir na segurança para ter esse resultado.

Pergunta: Desculpe candidato, mas acho que não ficou clara a sua proposta para segurança.
Resposta: Pois bem. O país tem muitos problemas. A população se sente abandonada. Ela paga muito através dos impostos e recebe pouco em retribuição. É função do Estado realocar esses recursos para que a população receba de volta o que ela investe no Estado. Quando eu viajo em campanha as pessoas me procuram angustiadas, se sentem desprotegidas, querem melhorias nos serviços de segurança, saúde, educação, etc.

Pergunta: O senhor falou em educação. Existe alguma proposta concreta para essa área?
Resposta: Sem dúvida. Basta pensarmos que antigamente a escola pública era um orgulho para a sociedade. Os pais ficavam felizes por verem seus filhos estudando em uma instituição pública, ia para a escola particular aquele aluno que não conseguia ser aprovado pelo Estado. Hoje em dia é o contrário, mesmo a população mais carente se sacrifica para tentar pagar a educação dos filhos. Isso não está certo.

Pergunta: E como inverter esse quadro, candidato?
Resposta: Exatamente. Esse é um ponto chave no nosso plano de governo. As pessoas mais velhas têm muito orgulho de terem estudado na escola pública e nós vamos resgatar esse orgulho. O orgulho dos alunos, o orgulho dos professores, o orgulho dos pais dos alunos. Vamos reerguer a escola pública para que ela tenha o valor que merece.

Pergunta: Em relação à saúde, candidato, o que o senhor pretende fazer?
Resposta: Perfeitamente, a população demanda atenção na área da saúde. Precisa de médicos, de leitos, de equipamentos, de profissionais qualificados. A saúde no país anda muito mal e precisa melhorar. Nossa população hoje em dia não tem nem o direito de ficar doente porque sabe que não vai ter atendimento de qualidade. Um país que quer crescer não pode deixar sua população amontoada em corredores de hospitais. E é por isso que eu conto com o SEU voto, para que possamos, juntos, resolver esses e outros problemas. O país quer mudanças, o país quer melhoras e eu sou a pessoa certa para esse cargo.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Secret

O aplicativo mais polêmico da atualidade dispensa apresentações detalhadas. Lançado nos Estados Unidos com o objetivo de "incentivar as pessoas a compartilhar seus pensamentos e sentimentos mais profundos, gerando conversas genuínas que seriam impossíveis de outra forma", o Secret acabou seguindo por caminhos menos altruístas.
Poder gritar ao mundo seus segredos e desejos sem que seja julgado por isso é extremamente sedutor, e segundo os criadores do aplicativo, o objetivo era esse. Mas não é dessa forma que o mesmo tem sido usado. O Secret é o principal disseminador de um dos novos males do século, o Cyberbullying.
Por definição, cyberbullying é "quando a internet, telefones celulares ou outros dispositivos são utilizados para enviar textos ou imagens com a intenção de ferir ou constranger outra pessoa." Segundos especialistas, o cyberbullying é pior que o bullying por si só, pois a pessoa afetada sofre da sensação de que "todo mundo já sabe", não tendo opções de escolha de fuga, como mudança de colégio, cidade, ou desmentir a mensagem disseminada através do próprio divulgador da mesma. O autor desconhecido se mantém "protegido" sob o anonimato garantido pelo aplicativo.
Defensores dizem que o aplicativo é divertido e que o usam como método de descontração. Quem já teve sua intimidade divulgada no mesmo, discorda. Em uma era em que o que o tema "exposição pública" tem sido tão debatido, o aplicativo chega para atrapalhar. Pais, conservadores e defensores da ética se agrupam em um time que tenta convencer as pessoas a não se exporem tanto na internet, uma vez que perde-se o controle do que foi publicado no segundo em que o post é feito. No caso do Secret isso é ainda pior, uma vez que qualquer um pode postar qualquer coisa a seu respeito, sendo verdade ou não, não tendo necessidade de provar o que foi dito. Recentemente um amigo, que nem sequer possui o aplicativo teve sua foto publicada no mesmo. A legenda era elogiosa, mas apesar da boa intenção do autor, os comentários não seguiram todos pela mesma linha.
O resultado disso, como era de se esperar, foi parar na polícia. Uma pilha crescente de processos têm sido abertos contra o aplicativo. Os criadores se defendem dizendo que os posts são apagados após denúncias, mas sabe-se que é impossível conter a velocidade dos danos causados. A polícia adverte que os casos serão investigados e que os usuários não contem com a segurança do anonimato uma vez que cadastros são necessários para se usar o aplicativo ou qualquer outro acesso à rede, e que, caso descobertos, os autores sofrerão as devidas punições penais.
Casos como esse não são tão comuns em outras redes sociais, onde tem-se foto e nome identificando o autor, o que gera opiniões revoltadas como as de quem dizem ser um aplicativo covarde e desrespeitoso. 
Concordo em partes. Não acho que o problema esteja diretamente no aplicativo. O problema do Secret está em ser usado pela única raça que não se importa em disseminar a crueldade deliberadamente e ainda se divertir com isso.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

No Meu País...

 No meu país, a crise de identidade, o fracasso social, político e educacional faz de nós uma nação de cidadãos revoltados, cansados, alienados e sem perspectiva de melhora.
 No meu país a classe privilegiada se encontra muito bem acomodada cheia de conservadorismo e avessa a mudanças, explorando a classe desabastada que crê fielmente em sua função no mais fiel estilo “Alexei Stakhanov”.
 No meu país quem não tem dinheiro está á mercê da própria sorte e é submetido diariamente ao desrespeito que nós lhe oferecemos, queremos inconscientemente abafa-los, chutá-los, tentando a todo custo tapar os olhos a essa desgraça que nos assola noite e dia desde 1500. E isso, porque julgamos de maneira insensata esses reféns que não se adéquam a sociedade feita para os ricos, porque, claro, são pobres. O Brasil foi idealizado, projetado para uma elite, aristocrata, branca, europeia e monopolizadora, onde aparentemente nunca existiu um regime escravocrata.
 No meu país permite-se a venda de sapatos, celulares e roupas a preços absurdos em lugares onde há pessoas passando fome, sem teto para morar, sem condições de sobrevivência.  E como resposta a isto a burguesia coloca a culpa no esforço individual. Quem é capaz de me responder o faça. Por que uma criança que nasce numa carente condição, num barraco de favela, sem escolas na proximidade, sem saneamento básico, vendo os familiares saindo 05H00hrs da manhã e voltando 10H00 da noite do trabalho, quase escravizados para no fim do mês faltar dinheiro pra comida... Onde está o estímulo, a perspectiva e coragem de crescimento dessa criança, onde ela buscará isso? Na TV? Certamente não. E não adianta esperar pelo governo, pois ele não se responsabilizará.
 No meu país quando há greves a classe trabalhadora se divide e se volta contra si mesma, invés de se unir e lutar pelo direito de um trabalho mais digno. E enquanto isso o governo assiste tudo de camarote com uma segurança que devia nos proteger e não nos atacar e reprimir.
 No meu país o preto, a empregada, o índio, a mulher, o gay, o pobre, o nordestino não se sentem representados na mídia. Como um país de maioria pobre e negro é representado por brancos e ricos? Não nos perguntamos como isso é prejudicial a nossa sociedade?
 O meu país é lindo naturalmente, é onde ouço as mais lindas canções, é aqui que encontro o povo mais sorridente e amável. Ficamos com o resto daquilo que nos foi roubado e mesmo assim não desisto de ser brasileira, porque somos um povo sem pernas, mas que ainda caminha!

https://www.youtube.com/watch?v=DkFJE8ZdeG8

Fabiana LeMasque

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre lembrar

Lembranças e memórias impedem a porta de fechar.

Atrasam as horas, o tempo se arrasta e o passado se espalha no presente, como uma onda se espalha pela praia quando quebra na areia. 

Ver você de novo. Reviver. Até mais forte do que antes, até mais real?

Como o vento que não se vê...reviver de olhos abertos.

Um jogo de luzes....qual é a real cor se a luz que incide transforma aquela natureza?

Lembrar também é criar. Sentir o cheiro daquela casa, sentir alegria, angústia e até frio.

Reconstruir cenas inteiras.

Viver é infinito...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sei lá

Tenho chorado muito - Disse ao terapeuta.
- Você tem chorado por alguma coisa pontual ou é simplesmente chorar as pitangas? Perguntou-lhe o calmo homem:
Depois de alguns minutos, respondeu:
- São coisas pontuais, mas com o passar do tempo, elas vão se juntando, os problemas vão se organizando em fila indiana e entrando um a um depois que a porta se abre.
Daí quando vou falar...sei lá.
- Sei lá o que?
- Sei lá.
Silêncio total
- São tantos problemas pontuais que sempre quando vou falar sobre eles. viram lamúrias, queixas. choramingo...chorar pitangas...então a única resposta é "sei lá".
-Sei lá, o quê?
- Sei lá...sabe os filmes da Sofia Coppola?
- Qual? 
- Lost in translation, Somewhere...
- O que tem eles?
- Ah, sabe...
- O quê?
- Ah, sei lá




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sabor do Clima

Você, branquela azedo, que pensou que ia sair da praia vermelho picante, vai ter que saborear o amargo cinza do nublado dos céus!

sábado, 9 de agosto de 2014

Sobre o medo

Sugestão: ler ouvindo "Pequeno Mapa do Tempo", de Belchior 



Todos nós temos, em um grau ou em outro, algum medo. Quando crianças, temos medo do escuro, do bicho papão, da mãe descobrir que a gente aprontou, do homem do saco. Quando adolescentes, temos medo de levar um fora do/a carinha/mocinha que gostamos, de tirar nota vermelha na escola, de não sermos aceitos no grupo. Quando adultos, temos medo de perder o emprego, de assalto, do fracasso, da solidão.



Algumas pessoas possuem medos estranhos, como de pássaros, de lugares cheios ou apertados ou amplos, de dirigir, de altura, aranha, avião, espíritos, palhaços, etc... 
Aprendi que o medo pode ser benéfico por nos alertar de perigos eminentes. Mas ele também pode ser ruim, quando se torna fator limitante de nossas potencialidades. É claro que o conceito de perigo pode ser bem relativo, assim como a diferença entre o cara prudente e o cagão (sem falar nos medos patológicos).
Lembro de uma frase muito bonita que li uma vez (não lembro a autoria, deve ser Clarice Lispector ou Chico Xavier): "Tenho medos bobos e coragens absurdas".  Deixando a coragem para um outro mês, assumo que tenho vários medos... Um deles é de ETs; um outro é o de não ter tempo suficiente nessa vida pra fazer tudo que desejo - Os desejos também posso compartilhar com vocês no dia nove de algum outro mês.
Outro medo está relacionado com a ameaça que tenho sentido de perder minha liberdade. Podem me chamar de exagerada, mas estou cada dia com maior impressão de que estamos em um Estado de Exceção: Prisões arbitrárias, projetos de lei criminalizando protestos, toque de recolher... Como diz Belchior, "eu tenho medo que chegue a hora que eu tenha que entrar no avião" para me exilar em outro país. Caso seja necessário, já fiz minha escolha: vou pro Uruguai. Bora?

Quer ler mais?
Sobre leis que preveem criminalizar protestos políticos: http://www.brasildefato.com.br/node/27847

terça-feira, 5 de agosto de 2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Carta de término.


Então, enfim, acabou.
Tanta coisa vivida, sentida, obtida e colorida. Mas deu, já era, faz parte de outro tempo. Um tempo em que a gente era a gente, e não você do teu lado e eu do meu.
Mas, olha, quero te fazer um pedido, dado que tô com crédito na casa: 
Sai de perto de mim.
Sai de perto dos meus amigos.
Sai de perto da minha família.
Sai de perto daquilo que forma o que chamo de eu. 
Você não mais faz parte disso. 
Sai.

Acho o cúmulo você querer sair da minha vida levando aquilo que obteve sem merecer. Das coisas ok, vai, leva. Isso eu consigo de volta, de outro jeito. Até bom que você leve, e leve com as coisas a possível lembrança que ficaria de ti se ficassem suas coisas.

Não meus amigos. Isso você não leva. Aqueles que foram contigo não voltam mais. Que te consolem, que riam com você, que vivam com você. E que não me procurem mais. Num momento de fim, não se acompanham dois enterros. 

Não minha família. Se você fosse a mulher que todos pensavam que você era, você estaria casada comigo. É inquestionável que você foi bacana com todo mundo, mas não, tenha respeito pela dor alheia. Pela família alheia. 

Leva teu espólio. E sai. 

Ah, só para não esquecer: sai pela porta da frente. 
Porta dos fundos é só para quem é de casa. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ex bom é ex vivo(a)

teoricamente já é dia 2, mas como ainda não dormi ainda é dia 1, ou seja, meu dia, portanto segue aí meu post.

muita gente diz que ex bom é ex morto, mas discordo. ex bom é ex que, mesmo quando não vira best friend, a gente pode encontrar e dizer pelo menos oi. é ex que quando a gente se encontra, mesmo com o boy novo a gente dá beijinho no rosto e abraço e diz "bom te ver". é ex que, quando a gente ouve uma novidade boa sobre ele, sorri contente, independentemente de como foi o término. ex bom é ex que a gente não quer ter perto, mas quer saber que está bem.

nos últimos 5 meses encontrei 3 exes. os 3 com que mantive maior intimidade e tempo juntos. o ex 1 encontrei no rio de janeiro, quando peguei uma rua errada para ir à uma festa. ficamos no dia seguinte e foi ótimo. o ex 2 encontrei numa festa quando eu estava com o ex 4 e ele (o ex 2) foi bem antipático, como lhe é de costume. o ex 3 encontrei hoje, ontem e antes de ontem, na flip, em paraty, com o atual dele (acho). o ex 4 não encontro faz tempo, mas adoro, nos falamos quase que diariamente. e o ex 5, bom, o ex 5 digamos que tem outra relação (séria) e só me contou meses depois, quando eu estava quase me entregando por completo. do atual não vamos falar, pois o assunto hoje é ex (mais precisamente o ex 3) e espero que, se virar ex (o atual), que seja daqui a uns 70 anos.

há uma história envolvendo o ex 3 e o ex 4 que não consigo entender, muito menos explicar, portanto - resumindo - preciso dizer que o atual do ex 3 é ex do ex 4. e eu sou ex do ex 3 e do ex 4 e o ex 4 é ex do atual do ex 3. enfim, tudo isso pra dizer que encontrei ex 3, depois de uma última vez não tão boa e foi incrível. 

nada de papo sério, apenas amenidades. apenas assuntos do cotidiano, arte, literatura, trabalho, como tem de ser papo com ex quando não se quer discutir erros do passado, nem relembrar bons momentos. talvez porque ainda não seja hora, talvez porque seja só isso mesmo, talvez porque não há nada que se falar, além de amenidades. 

claro que há uma curiosidade em saber como está, o que está fazendo, o que está comendo, o que está vendo, ouvindo, mas não quando se encontra de repente e inesperadamente e com o atual. de qualquer forma é bom saber que o atual do ex parece ser legal, fofo e bonitinho, com o qual também houve uma conversa de amenidades. no inconsciente uma vontade de chegar e falar vem aqui amigo, deixa eu te dar umas dicas, mas o bom senso disse cala a boca. claro que passaram mil cenas pela cabeça, uma coisa boba de pensar como dormem, o que fazem na cama, o que conversam no chuveiro num dia frio. mas aí vem o bom senso de novo e fala cala a boca.

mas o bom, o bom mesmo, é que depois de tanto tempo, quase um ano pós-término, não haja nada pra discutir. é perceber que o que ficou é isso mesmo, o desejo de que estejam todos bem e a saudade da gata, nada mais. e poder encontrar na rua, dar um abraço e se despedir depois de 5 minutos de conversa boba.

e o melhor é ter a plena certeza de que tudo isso é verdadeiro. 




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Then love, love will tear us apart, again

Eu tenho um projeto de montar uma mini biblioteca em minha casa somente com livros relacionados a música, e essa semana adquiri 2 lançamentos que vou ter que dividir em 2 posts para falar deles.

O primeiro tem é de importância histórica para a música dos anos 80, e o próximo post tem uma importância maior na minha formação musical, mas sem duvida tem o seu lugar ao sol na historia da música.

Vamos lá

Foi lançado esse mês pela editora Ideal a versão em português do livro IAN CURTIS & JOY DIVISION – TOCANDO A DISTANCIA.


O livro foi escrito pela Deborah Curtis e foi lançado originalmente em 1995 e conta em ricos detalhes a vida intima entre Debora e Ian, foi com base nesse livro que o diretor Anton Corbijn fez o filme Control que foi lançado no ano de 2007, Deborah Curtis também participou no projeto.

O livro conta com varias letras em inglês e traduzidas, algumas inéditas até então ou outras inacabadas, diversas fotos, a lista completa de todos os shows do Joy Division, um prato cheio de nostalgia para você relembrar, e mais uma vez pensar o que seria dessa banda se no dia 18 de Maio de 1980 Ian Curtis não tivesse ido embora em silencio.

Dificilmente existe uma pessoa com mais de 30 anos que não conheça a música Love Will Tear Us Apart, e dificilmente o legado do Joy Division acabará, pois boa música também se passa de pai para filho.


Bjs/Abs

Jeff



terça-feira, 29 de julho de 2014

cara ou coroa?

assistindo o documentário "crise: uma tragédia grega" exibido pela tv cultura em 20.07.2014 notei a importância da escolha.

procurei completo e traduzido como transmitido pela tv cultura mas não encontrei, para quem não assistiu, vale muito a pena:


neste jogo não existe outra opção além da escolha, esqueça a tal da abstenção. 
pois quando escolho não participar ou simplesmente em não escolher fortaleço um dos lados, normalmente o pior.

através da abstenção posso legitimar ainda mais uma nação através do seu líder mesmo que não concorde totalmente com seus métodos e posicionamentos, por exemplo, ao entrar em contato pedindo que tome providências e sem pestanejar puna os culpados por qualquer incidente, de certa forma concedo poder ou praticamente imploro que faça algo; além de  reafirmar uma escolha, ainda que noutro momento tenha optado pela abstenção.


na hipótese mais remota de acontecer, será que ainda existe tempo, espaço, energia no enfrentamento de uma quarta guerra mundial? no caso de sim, existiria sobreviventes? 

não precisa ser um diplomata, estar em reuniões teatrais para notar a escolha de alguns líderes para legitimar ações ou  para compreender a estupenda relevância no cenário mundial  como estado autoritário empenhado na sofisticação do seu exército e armamento, perfeitamente apto para exterminar ou melhor defender-se dos terroristas caso seja contrariado, uma vez que meu lado escolhido me legitima nesta ação.

parece piada ou melhor um filme tosco, daqueles com cena terrível no final, enquanto isso, no mundo real, outras guerras são travadas, doenças fatais como o ebola se espalha assustadoramente não só por um país mas para  três e avança, o aquecimento constante tornando os quase 40 graus uma normalidade para qualquer verão, massacre em massa de seres importantíssimos para nossa existência, por exemplo as abelhas, a falta de água potável e uma série de demandas provocadas por um sistema político destrutivo, escolhemos um lado, o que há de pior.

então sejamos práticos optar por abstenções em momentos de crises ou guerras é o mesmo que escolher um lado e não ter coragem para assumi-lo, independente da escolha cada um será responsável pela sua, seja qual for, inclusive pela infame abstenção. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Três notas sobre o descanso

Entendo que dá uma baita preguiça ler um texto tão grande, portanto, compreenderei se você quiser ler apenas uma das três notas
(Autor Desconhecido)

1. "É muito desperdício passar 1/3 de nossas vidas dormindo. Você vai ter muito tempo para dormir depois que morrer"

Definitivamente não consigo concordar com esta frase. Primeiro, porque ela traz uma informação enganosa, já que apenas alguns poucos privilegiados podem dormir 8 horas por dia. O grosso da população mal consegue chegar nas 6 e, quando muito, consegue tirar uma pestana no busão. Segundo, porque dormir nunca foi e está bem longe de ser um desperdício. Dormir é maravilhoso! É uma atividade vital que faz com as horas acordadas (as supostas únicas horas proveitosas do dia) valham a pena e sejam bem desfrutadas. Tenho a impressão que o ser humano esqueceu que antes de ser um indivíduo pós-moderno, usuário de bens tecnológicos que permitem mil e uma maravilhas, ele é um animal, um ser biológico com as mesmas necessidades vitais dos seres humanos que viveram há 1000 anos, sem internet, sem automóvel, sem celular. Os autores de livros de auto-ajuda econômica que pregam que sempre há um tempinho no dia para fazer um curso novo, aprender uma língua nova ou, de repente, conciliar dois empregos que me desculpem, mas precisamos dormir (e comer, e beber, e fazer cocô) como bons animais (supostamente racionais) que somos. Do contrário, não seremos mais pessoas, mas zumbis, mortos-vivos conhecedores de infinitos saberes, mas incapazes de colocá-los em prática, falantes de diversas línguas, mas incapazes de nos comunicar.

2. "Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar"

Com esta frase eu me simpatizo bem mais. É sabido que não existe vida em sociedade se não existir trabalho. Algumas pessoas precisam produzir bens e outras prestar serviços para que uma sociedade possa existir. As relações de trabalho e os meios de produção já mudaram bastante ao longo da História, mas sempre houve e, provavelmente, sempre haverá a necessidade de trabalho. Entretanto, penso que trabalhamos demais e, o pior, levamos o trabalho muito a sério. Geralmente eu chego a este tipo de conclusão quando estou de férias, como agora. Quando somos consumidos pela rotina laboral, acabamos nos acostumando com aquela vida e achando que não existe outra, mas existe,  e ela está do lado de fora da repartição (e acredite, por mais que você goste do seu trabalho, ele não passa de um contratempo supostamente necessário que te impede de dedicar mais tempo com que realmente importa. Aposto que estou certo!). Mas precisa ser assim? Há muito que desconfio que não. Já trabalhei em instituições públicas e privadas e em ambas eu permanecia 8 horas em minha oficina laboral mais por um fetiche do meu empregador do que por uma necessidade real de minha força de trabalho. As pesquisas de audiência das redes sociais corroboram minha tese ao mostrar que o período de maior acesso é justamente o chamado "horário comercial" e o de menor audiência, vejam que irônico, são os finais de semana. Ora, as pessoas não podiam trabalhar apenas o suficiente? Em tempos de alta tecnologia não vejo sentido algum em trabalhar a mesma quantidade de horas que trabalhávamos em tempos em que não havia banda larga e outras coisas que supostamente aumentariam o tempo livre e o bem estar da população. 

3. "Eureka..."



O ócio nos torna mais criativos. Sim, em geral as boas ideias precisam de um cérebro relaxado e bem disposto para pousar. Os cérebros e corpos fatigados, em geral, só conseguem pensar e fazer o óbvio, o rotineiro, o que qualquer outro cérebro ou corpo fatigado faz. Não é por acaso que empresas respeitadas do mercado publicitário e de tecnologia têm cada vez mais flexibilizado os horários de trabalho, diminuindo a jornada ou, sempre que possível, permitindo que seus funcionários realizem suas atividades de pernas para o ar, no recôndito de seus lares. As empresas antiquadas e contraproducentes, por outro lado, controlam o tempo de seus funcionários com relógios de ponto, catracas e descontos por atraso. Como se a presença física do sujeito fosse mais importante que sua presença plena, de corpo e alma. Estas empresas não terão vida longa. Isso é um desejo e uma previsão. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre o emprego, a Copa, a novela e os 99 dias de liberdade!

Salve salve galera deste estimado blog!
Blog das 30 Pessoas!

Tenho vivido dias intensos nesses últimos tempos!

Por medo de assaltos, voltei a ter um emprego somente (por enquanto).

Saí daquele emprego, num depósito de materiais de construção, do qual me alegrei tanto em narrar aqui (ou teria sido no meu blog?) pra vocês!

Continuo firme e forte na rádio!

Mas então...



O Brasil levou uma sacola de sete gols a um na semana passada (acho que vocês já sabem disso, né?), ficamos em quarto lugar na Copa do Mundo. Mas tudo bem!
Quem faturou foi a Alemanha, e não os argentinos!

A bem da verdade, os argentinos e as argentinas com quem tivemos contato no ano passado, no Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, eram pessoas excelentes! Pelo menos se mostraram assim!
Não sei como teriam agido num estádio, no calor das emoções!
Pode até ser que cantariam pra gente o "Decime o que se siete!" Mas de boa.

[edit] Eu não ia colocar esse vídeo aqui, mas revisando o texto, quis guardar de lembrança!
Trata-se do vídeo oficial da FIFA, da abertura das transmissões na TV!
De imediato, não curti não! Aprendi a gostar com o tempo! Tá aí!


Vai ter mais Copa na Rússia, em 2018. Vamos falar do quê interessa?!

Hoje reestréia no Canal Viva, a novela "A Viagem".
Sei que quando meu post for publicado no dia 21, já terão se passado alguns capítulos.
E eu tô escrevendo no presente! Ahahaha! Desculpe!

Mas tudo bem!

Como ia dizendo (e como postei no meu Twitter hoje), sempre fui mais fã de seriados do que de novelas.


Poucas foram as que me chamaram a atenção.
Mas essa daí...

A história bem trabalhada, somada a uma trilha sonora de primeira... O casamento perfeito!
Sem falar dos atores que acho fenomenais!

Vi um trecho no site do canal, e foi engraçado ver o "Caco Antibes" todo sério, num drama de primeira linha!

Pra quem tem tempo livre, ou pra quem dispõe dos maravilhosos recursos de gravação, fica a dica!
Inclusive deixarei aqui um vídeo de uma das músicas que mais gosto nessa novela, que é tema do "Mascarado", uma personagem super misteriosa na trama da Ivani!

Antes de terminar, gostaria de dizer também que estou participando de um experimento na internet, o 99 days of freedom.

Consiste em você não acessar em hipótese alguma o Facebook.
A ideia partiu de uma agência holandesa, a Just, após a divulgação de que a rede social do sr. Zuckerberg manipulou a timeline de 700 mil pessoas, visando perceber se essa atitude iria ou não causar um efeito nos donos das respectivas contas. Viram que sim.

Só que esse estudo foi feito na surdina.

Ninguém foi avisado. E como a maioria não costuma ler as letrinhas antes de clicar no "Eu aceito" ou no "I agree"...

Daí a galera da agência que eu citei resolveu fazer essa experiência com quem quisesse entrar!

A cada 33 dias, eles enviarão um questionário, querendo saber como a pessoa está se sentindo, longe da rede azulzinha! Azul escuro, no caso. A cor principal do Twitter também é azul, mas azul-claro.

Hoje, dia 14 de Julho, dia no qual escrevo o post, estuo no meu dia n° 04. Faltando ainda 95 dias!
Pelos meus cálculos, volto dia 19 de outubro!

Olha a minha contagem regressiva aí!
O intuito não é retaliar o Facebook, nem muito menos encorajar a galera a sair de lá. 
Mas sim ver o quanto viciados somos naquilo, e ver nossas reações se não logarmos lá!

Quando fui dar meu "até logo", postei falando que ia ficar fora um tempo. Mudei a imagem do perfil (um dos requisitos). E assim que cliquei no logoff, a primeira tentação que senti foi em querer saber o quê os meus contatos teriam dito, ou comentado sobre o fato!

Sensação que passou logo depois, quando parti com afinco para o Twitter e para o Instagram, para estar em contato com o "mundo exterior"!

Verdade seja dita: eu já não estava mais feliz com o Facebook mesmo. Sempre ensaiei minha saída de lá.
Mas como hoje em dia TUDO é feito através de lá, como sair?!

Tenho quase 2 mil pessoas como contatos. Gente de minha comunidade, ouvintes da rádio, e uma boa parcela de pessoas que conheci na internet, que tem a ver com perfis parecidos com o meu.

Se você tem Facebook, acho que entende o que quero dizer. 
Umas postagens sem pés nem cabeça, verdadeiros diários digitais.
Não como blogs, mas olha... Bem, creio que você entenda.

Até pensei em criar um perfil novo. Mas daí me dei conta de que muitos serviços que uso na internet estão atrelados ao ~feice~.

Deletar a conta não vou, pois tenho muitas fotos e coisas interessantes guardadas lá.
O post já deve estar gigantesco, mas queria partilhar isso com vocês.

Queria escrever sobre o 99 Days of Freedom mais perto do dia 21, mas como hoje estou sossegado aqui em casa, e inspirado a digitar, resolvi redigir hoje mesmo.

Neste exato momento (14/07/2014 - 13:10), 18.635 pessoas estão no projeto.
Se você quiser conhecer, clique aqui!

E clicando aqui, você fica por dentro da minha contagem regressiva pro meu retorno!

Como diria o gaguinho dos desenhos, p-p-p-por hoje é só, pe-pe-pe-pessoal!

Sei que escrevi bastante! 
Mas tava com saudade de escrever assim!

Um ótimo restinho de mês de julho pra gente! 
Nos falamos dia 21 de agosto!

E como prometido, aqui está um vídeo com a música tema do Mascarado, da novela "A Viagem"!
Abraços!
Flws! Vlws!


domingo, 20 de julho de 2014

Libertas quae sera tamen

Escrevo neste espaço uma vez por mês. Procuro buscar assuntos em evidência para expressar minha modesta opinião tentando, ainda que sem muita relevância, mostrar um ponto de vista que fuja do comum, do que vemos em todos os jornais, do que ouvimos de todos os taxistas.

Esse mês não faltariam opções. Ano de eleição, Israel massacrando a Palestina, morte de João Ubaldo, Brics, a própria Copa ainda está recente e renderia bons comentários. Mas sou forçado a um texto anacrônico. Como se estivéssemos no auge da ditadura, escrevo sobre presos políticos.

Num dos atos de protesto que ocorreu, ou deveria ter ocorrido, durante a Copa a polícia militar prendeu dois manifestantes. Rafael Marques e Fábio Hideki. Não conheço o Rafael, que acusado de ser adepto da tática black bloc, foi preso vestindo kilt e sandálias; por isso me atenho ao Fábio.

Conheci o Hideki quando ele cursava ciências sociais, depois de iniciar engenharia e antes de começar jornalismo. Com ideais semelhantes, militávamos de forma independente, assim como vários outros estudantes, sem vínculos com partidos ou grupos políticos.

Ao ver no jornal as imagens de Hideki algemado, já na delegacia, sob a alegação de portar explosivos, meu primeiro e mais óbvio pensamento: “eu sou muito mais propenso a carregar explosivos que o Hideki”. Por sorte a abordagem policial foi filmada. Se por um lado ainda não foi suficiente para a libertação do estudante, por outro mostra claramente uma prisão arbitrária de alguém que não carregava nada proibido, sequer suspeito, na mochila.

A tática black bloc é controversa. Apoiá-la ou condená-la é direito de cada um, mas prender manifestantes que não são adeptos de tal tática apenas para mostrar serviço àqueles que exigem do governo uma postura repressiva é inaceitável em qualquer estado que tem a mínima pretensão de ser democrático.

Com o objetivo de calar as vozes que vieram das ruas nas manifestações de meados de 2013, o governo de São Paulo vem aplicando sua maior especialidade. Repressões violentas e prisões arbitrárias que inibem reivindicações legítimas.

Depois que as manifestações forçaram a Rede Globo a admitir que apoiou a ditadura militar e com a mesma Rede Globo acusada de sonegar mais de meio bilhão de reais em impostos, torna-se uma aliança de sucesso o caráter repressivo do governo e o foco da imprensa em vidraças quebradas, ao invés de divulgar a pauta de reivindicações dos manifestantes.

Com esse tipo de ação quem leva a pior em longo prazo é a população que segue lidando passivamente com a corrupção, educação falida, saúde precária, etc. E quem leva a pior de imediato são manifestantes como Fabio Hideki, que parece viver uma história de Franz Kafka ao ser preso sendo inocente, assim como K. – protagonista de “O processo”.

Acompanhando o desdobramento da prisão de Hideki é possível notar mais claramente como o pré-julgamento atua de forma indiscriminada. Em uma sociedade tão carente de serviços de qualidade, era de se esperar que aqueles que lutassem por melhoras recebessem ao menos o apoio dos que reclamam em casa, sem ações diretas por mudanças.

É verdade que o caso tem recebido atenção e muitos se manifestam a favor da liberdade imediata do estudante, mas também não faltam opiniões que partem do princípio que se uma pessoa foi presa é porque estava fazendo algo de errado.

Um dos tantos absurdos que identifiquei em meio a toda essa insanidade foi o fato de Hideki ter sido forçado a abandonar sua dieta vegetariana, por não haver essa opção na cadeia. Pode ser que esse seja o menor dos males em questão, mas possibilita o questionamento: para uma sociedade em que muitos apoiam um tratamento desumano e cruel para detentos, uma questão ideológica como a alimentação vegetariana seria encarada na melhor das hipóteses como luxo.

E assim seguimos. Com pessoas fechando os olhos para injustiças contra seus semelhantes e com um governo que, amparado por uma popularidade surreal, mantem seus programas ineficientes e ações repressivas. Saúde, educação, transporte, segurança? Sonhem.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Da sinceridade do sapateiro

Tinha uma sapatilha que eu adorava. Não era lá grandes coisas, mas ia bem com tudo, era bonitinha, confortável. Dia desses calcei e senti que algo cedeu. Um rasguinho na lateral, droga. No outro dia levei no sapateiro da rua. Mostrei a sapatilha, ele balançou a cabeça enquanto eu explicava. “Olha, moça”, começou ele. “Não vai dar”.
Como não daria? Uma sapatilha, um rasgo, algo simples, só colar. “Você não faz esse tipo de serviço?”. O moço me olhou com a expressão de quem ia me dizer uma verdade sofrida. Algo como: vou te falar isso, mas vai doer escutar. “Eu posso até colar, mas ela não vai durar”. Seguiu-se aí a explicação. “A sapatilha é fraca, já está cedendo do outro lado. Se colar aqui vai arrebentar acolá”. E blá blá blá.
Ainda insisti. E ele lançou mão de um argumento convincente. “Não me custa ganhar 10, 15 reais nesse serviço. Mas estou pensando no seu bem. Não vai adiantar um remendo, se depois ela vai ceder de novo. O negócio é desistir, partir para outra”, brincou, semissorriso nos lábios.
Daí em diante eu teria dois caminhos. Dar uma de criança birrenta, mimada e imatura, que, contrariada, bate o pé exigindo que se faça sua vontade. Nessa sapataria ou em outra, dane-se. Ou então, refletir, ponderar e avaliar as coisas sob uma ótica mais madura. Sim, eu gosto da sapatilha. Sim, ela me fez feliz. Sim, nos demos bem por um tempo, mas, oras, não me serve mais. Seja pelas qualidades que lhe faltam, como a resistência do material, seja pelas inevitáveis sequelas do tempo.
Difícil, eu sei. A gente se apega, acredita que aquilo que nos faz feliz tem que continuar nos satisfazendo assim, meio que pra sempre. Isso é sobre uma sapatilha, mas não só. A gente se apega também em amizades, empregos, amores e possíveis amores. Ilude-se e, agarrado nessa ilusão, insiste que tem que ser. Que o não desejo do outro, ou a falta do outro, não é algo a se considerar. A gente passa por cima das verdades apresentadas cruamente (e cruelmente), tapando os ouvidos enquanto grita lá lá lá, como criança do Maternal, querendo fazer valer somente as nossas verdades. Queremos. Punto e basta.
No final, agradeci ao sapateiro. Como teria agradecido qualquer um que me falasse de forma sincera, e até doce, que não dava. Que me apresentasse os fatos assim, por mais que doesse. Que até podia rolar um remendo. Uma costurinha, uma cola de sapateiro tapando os rasgos. Mas que arrebentaria hora ou outra. Isso teria me consumido menos tempo, menos energia. Sim, eu sei. Não devemos depositar no outro essa responsabilidade. Nem todo mundo percebe que não dá e, mesmo percebendo, consegue assumir. E nem precisa assumir. Dói na gente. Machuca também no outro. Parte de nós também o encargo de perceber que não funciona mais. Que rasgou e que o conserto não dá conta. Muito mesmo antes de levar para o sapateiro.
Achei bonita a atitude. “Eu poderia levar uns 10, 15 reais nesse serviço”. Assim como: "eu poderia te levar em banho maria para sempre". Ou: "sei que é o que quero, mas sei que não é o que você parece querer". Assim como: "eu poderia fechar os olhos para o fato de que não te quero mais". Achei singelo, simples.
Não passo a exigir do outro a sinceridade do sapateiro. Nem seria maduro. Mas posso carregar comigo a experiência e a decisão de assumir esse papel. Vez ou outra, quando o outro me fita com olhar pidoncho e voz embargada, mostrando o sapato rasgado na mão, posso sim responder que não, não vou colar. Por mais que doa. Não vou colar porque, oras, não vai colar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Na dúvida, não

Se existe uma coisa nesse mundo que me deixa “p” da vida é ser manipulada. Vivo sempre com uma pulga atrás da orelha, tentando ouvir os dois (ou mais) lados antes de tomar partido e procuro investigar uma informação antes, para não sair espalhando asneira ou queimando a cara.

Sei que isso é uma neura inocente, já que ser enganado é inevitável e estar certo o tempo todo é impossível. Sobretudo em tempos de internet, quando todo mundo (até eu!) pode ter um site e disseminar suas ideias, elas estando certas ou não. Mas ser enganada é uma coisa que me incomoda muito e eu tento me precaver.

É por isso que eu não consigo entender direito o porquê das redes sociais terem se tornado um prostíbulo tão grande de informação. Todo santo dia eu vejo no mínimo uma publicação equivocada, repleta de fontes inexistentes, fatos infundados e compartilhada por várias pessoas. Às vezes eu até corrijo a informação, correndo o risco de ser taxada como chata, mas não é meu papel ser a justiceira da verdade, então na maioria das vezes me omito.

É claro que é mais fácil acreditar que o Brasil vendeu a copa do que admitir que nosso futebol está ruim. É óbvio que é mais agradável aos olhos ler que o político que a gente não gosta faz sabão de criancinha. Mas me diga você, quantas vezes no seu cotidiano a verdade age a seu favor? Quase nunca, não é? É só subir na balança para se dar conta disso. É que a verdade não foi feita para agradar. Ela também dói.

Vamos verificar mais as fontes. Dar uma pesquisada por aí se quem noticia não tem segundas intenções. A gente, sem querer acaba formando opinião de quem nos rodeia, então precisamos dar exemplo. Não sejamos iguais aos nazistas que começaram com essa história de que uma mentira contada mil vezes se torna verdade. Vamos exigir fatos, não nos contentar com balelas agradáveis. 

Na dúvida, não compartilhe.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Amarildo Não Está Aqui



"Cadê o Amarildo?"
"Onde está o Amarildo?"

Pai, pedreiro, marido, filho, irmão, carioca, brasileiro e vítima do Estado.

Vítima da tortura do Estado e dos seus agentes. Vítima da política da polícia e de uma polícia pacificadora.

Hoje faz um ano que ele "sumiu", "desapareceu" depois de ser levado por policiais até a UPP da Rocinha.

Como ele tantos "sumiram" e não foi no meio de uma ditadura, foi em um Estado de Direito.

Alguns policiais foram presos, mas o sumiço permanece. Onde está o corpo? Onde está Amarildo?

Ficou famoso esse nome: Amarildo. Essa foto estampou diversos jornais. O homem mesmo, fama não teria, se não houvesse tanta perversidade.  

Tantos outros desaparecem todos os dias e em silêncio. Tantos torturados sem estatísticas.

Pobres, negros, jovens....envolvidos com o tráfico? Nada justifica.

Envolvidos com o tráficos todos. Os que moram em cima ou embaixo do morro, os que vendem, os que compram, os que fogem, os que "pacificam" e os que são exterminados.

Esse texto não tem poesia, não tem base tórica, não tem filosofia....Só queria falar o nome dele: Amarildo.

"Cadê o Amarildo?"
"Onde está o Amarildo?"

Que essas perguntas não morram nunca.

Essas perguntas com tantas respostas e sem nenhuma oficial.

Amarildo estampado em camisetas, pichado em postes, na wikipédia, nos 5 minutos de televisão....incomodando, perturbando essa falsa pacificação.

Amarildo: esse nome, essa história, essa revolta, essa dor...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Amarildo

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/cade-o-amarildo-desaparecimento-de-ajudante-de-pedreiro-completa-1-ano-com-25-pms-no-banco-dos-reus-14072014

http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Amarildo-que-nao-se-chama-Francisco/28819

http://www.vermelho.org.br/noticia/240193-10

sábado, 12 de julho de 2014

Reflexo

O que mais tenho lido na imprensa internacional é que o desempenho da seleção brasileira na Copa do mundo reflete o que acontece no país. Até entendo a parte de dizer que a CBF é um centro de corrupção e isso acontece no país inteiro, todas as esferas são governadas por duas, três, quatro pessoas que desviam tudo em interesses próprio.

Mas no resto não concordo e nem gosto ler isso na imprensa internacional, acho muito fácil falar de longe e sem sentir na pele o que todos os brasileiros sentem. E o Brasil ainda é um país neutro, rara vez se mete na vida alheia nem fica dando palpites, então ser analisado com essa dureza sempre dói.

E dizem que os jogadores são o reflexo do país, gente talentosa, mas sem direção, desestruturada e perdida, cometendo erros primários, mas nisso não posso concordar. A seleção brasileira de futebol não me representa, eu não ganho os milhões que eles ganham. São muito bem pagos e tenho certeza que não representam a grande maioria dos brasileiros, pessoas que vivem com salários baixos em um país que não tem nem acesso a bons serviços públicos. Se os jogadores erram ou acertam não mudam a vida de ninguém e suas contas bancárias continuam recheadas, tudo isso com menos de trinta anos. Não farão parte do calvário que muitos brasileiros sofrem para se aposentar dignamente.

Futebol não me representa porque não faço nada ligado a isso e também não conheço ninguém. Não sou como os jogadores da seleção, quisera eu ter ficado milionária com menos de quarenta anos, depois fazer uns jogos medíocres, me desculpar e sumir no mundo, isso me parece muito fácil.

É uma pena que a imprensa internacional seja tão míope a ponto de acreditar que somos a ‘’pátria de chuteiras’’, desde essa época não saímos do lugar, mas futebol não é a única coisa que existe. Pena que seja a única que mostramos a mundo e quando até isso é fraco a impressão que fica para o mundo é essa,  que até no futebol somos uns coitados, mas não somos, o Brasil é um grande país, apesar da miopia de todos, inclusive a nossa.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Pirulito que Bate-Bate

  Quando eu era bem pequena, meu pai trabalhava em uma escola.
As vezes ele trazia pão de mel que sobrava da merenda. E as vezes, ele trazia uns disquinhos emprestados.

  Eram aqueles disquinhos coloridos, com histórias ou múisicas infantis. Eu passava horas ouvindo, até decorava com direitos aos riscos e pulos.

  Ontem eu estava lembrando do politicamente incorreto dessa época, e de como era divertido. As histórias ensinavam que você podia se dar mal mesmo fazendo tudo certo e vice-versa, o mocinho ou a mocinha as vezes morriam, crianças e bichinhos também. Tinha de tudo:  fantasmas, monstros, demônios. Muito mais próximo da realidade.

  Entre os discos tinha um mais antigo, que de um lado tinha apenas "Pirulito que bate-bate". Você deve conhecer a primeira parte da música, mas na íntegra ela era assim:

Pirulito que bate-bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu

Joguei a pedra na fonte
Fui ver o que é que deu
A menina que eu amava
Coitadinha já morreu


E então eu ria, imaginando o pobre infeliz que taca uma pedra enorme na fonte e acabava justamente acertando e matando sua amada.

 Pobrezinhas das próximas gerações, vivendo em plena censura infantil.

imagem: basilio.fundaj.gov.br

sábado, 5 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Quem diria que Alejandro Sanz me acompanharia em um copo.


Pensa rápido: se fosse teu momento dor-de-cotovelo AGORA, o que você estaria ouvindo?

Então, esse é o meu momento dor-de-cotovelo. Na verdade, esse momento, em que você está lendo, pode ser o momento em que eu estou rachando de rir pensando em apagar essa birosca. Mas nesse momento, que eu estou escrevendo, uma bela quadratura entre Sol e Saturno nas casas 5-8 está me fazendo escrever coisas que pedem que o meu cotovelo supure.

Que bom. Estou escrevendo. Depois de meses sem a menor inspiração, estou escrevendo, não importa o tema.
Pois bem, povo de Deus. Escrevendo e ouvindo Alejandro Sanz, que na minha adolescência foi um boom musical e novelístico e o latinão da vez no sonho das minina tudo
Eu acho que latinos são tipo, o tempero da macharada. Você vai ter uns meninos com cara de homem, uns homens com cara de menino, uns adocicados, uns ácidos, uns que parece que a vida não ensinou nada, uns que parecem ter nascido sabendo tudo.
E os latinos.
Antes que alguém com muito espírito (suíno, a propósito) associe essa postagem ao cantor de funk homônimo (de quem fui fã durante um tempo #mejulguem), eu tô falando de um tipo de homem. E quando falo homem, tô falando de natureza sexual não. Tô falando de genótipo. Latino nasce latino, acorda para a vida latino, independente de com quem se deita e dorme. 
E tá sendo o Alejandro meu companheiro de fossa e abstinência. Não sei por que cargas d'água quando um cara resolve por ordem na vida para de fumar e termina um namoro, tudo junto. Tá pedindo pra morrer? PEDE PARA SAIR, 02!


Parar de fumar é um plano antigo. Experimenta, a sério, sair sem fósforos ou isqueiro e com um maço de cigarros. Dificilmente você voltará com o maço sequer mexido. Não sei exatamente por que, mas as pessoas estão realmente parando de fumar. Cada vez menos pessoas fuma, e cada vez mais é desaconselhável pedir um isqueiro na madrugada. Não vou fazer apologia para ninguém parar, porque a sério eu não pararia. Mas vou porque tenho planos para mim que não incluem o sedentarismo. Só sedentário consegue manter esse vício. Uma aula de arte marcial depois... Esquece.
Agora, terminar relacionamento não tava nos meus planos não. Acho que, terminar nunca está, a menos que já tenha terminado e a gente esteja só empurrando a bola de bosta morro acima a la escaravelho. Vai que no Sol choca alguma coisa né?
E daí, tendo terminado - não só isso, mas também isso - eu precisava de um companheiro pra desabafar. Algo que, sinceramente, não é meu forte, nem gosto. E, embora tenha bons amigos, só mulheres me cercaram nessa hora. Com o perdão, meninas, que tem todo o meu amor: na hora que o sapato aperta e a pedra se chama relacionamento, só um cara entende outro cara.

Valeu, Alejandro. Você entendeu. TUDO.


terça-feira, 1 de julho de 2014

de volta ao circo

pisei num circo pela primeira vez na pré-escola, mas lembro até hoje. a lona era verde escura, o terreno era de barro e pedra e as lâmpadas de bolinhas vermelhas piscavam em volta da palavra bilheteria. o palhaço começou a palhaçada e eu não ri. os contorcionistas de borracha me fascinaram, principalmente quando o homem dobrou a mulher e a colocou dentro de uma mala de viagem. fiquei com dó do anão, que apanhava do palhaço sem graça. quis montar no elefante e fiquei imaginando como os poodles cor-de-rosa faziam tudo sincronizado, desde andar sob duas patas até atravessarem os bambolês. mas as luzes se apagaram e quando acenderam de volta tinham botado uma enorme rede, que alcançava boa parte do circo. era a vez dos trapezistas. primeiro um, depois o outro, depois os dois. que coisa mais maravilhosa. eu não devo ter chorado, mas agora, me imaginando por lá, vejo minha cara de babaca boquiaberto com aqueles movimentos. na saída, eu e mais um bando de criança ficamos tentando ver os artistas, os bichos, o homem e a mulher de borracha, os trapezistas. 

daí pra frente não lembro mais de nada, mas demorou 15 anos pra eu voltar ao circo, desta vez como aluno, há 10 anos. entrei de gaiato num curso profissionalizante, mas na verdade eu só queria entender o que havia por trás do circo. conhecia várias histórias (todas por conta de filmes ou livros) em que o circo passava e levava com ele algumas crianças e pensava por que não me levaram junto quando eu fui pela primeira vez. nas aulas conheci trapezistas, palhaços, mágicos, mas não era a mesma coisa. todos, como eu, tinham seus trabalhos durante o dia e estava ali pra fazer exercícios físicos, para aliviar o estresse, para dar aula nas academias (se não me engano foi nessa época o boom das aulas de circo em academias de musculação) pra sei lá o quê, mas não pela magia do circo. tudo bem que eu também não estava, mas me frustrei um pouco. 

na hora de escolher uma categoria, escolhi o tecido, que era lindo de ver, mas logo desisti por conta instrutor peruano tarado chato e inconveniente, que tirava casquinha de todos na hora do aquecimento e do alongamento. ele adorava fazer massagem e alongar a turma, até o dia que foi denunciado por uma aluna e nunca mais o vi. tentei o trapézio, que também desisti porque ficava horas lá em cima e nunca que me jogava. malabares era mais fácil e se nada mais desse certo, eu pensava, podia fazer no farol e ganhar uns trocos. logo tudo foi ficando complicado e parei. minha vida deu aqueles saltos mortais que acontecem de vez em quando e esqueci do circo, até que descobri uma escola perto de casa, ha um mês. passei em frente um dia, visitei no outro, fiz uma aula teste no outro e lá estou desde então. no teste, a instrutora ficou pasma com minha subida no tecido. fazia 10 anos que não subia e subi feito um macaquinho, segundo ela. daí já fiz o casulo, o cristo, o anjo e estou me preparando pra fazer a secretária. entre nomes de posições estranhas, travas e alongamentos doloridos, penso que nunca devia ter deixado as aulas. não quero me apresentar nunca, mas aquele ambiente tem sido dos mais agradáveis possíveis. 

para além da técnica, do jeito e da força, o que me atrai desta vez são as questões que eu chamo de psicológicas. eu gosto de superar limites, de enfrentar a altura, de estar preso por um pedaço de pano e de me soltar. ficar preso a 4 metros de altura somente pelo pé e ouvir lá debaixo a instrutora dizer "se solta, lucas, você não vai cair!" é um exercício de confiança que preciso aprimorar, assim como me jogar no trapézio do qual desisti. talvez eu desista logo, talvez eu continue ou mude de modalidade, mas o que importa agora é o prazer de me sentir bem num lugar de esforço, treino físico e psíquico, concentração e de alegria.