sexta-feira, 23 de abril de 2010
Obrigada!
Apaixonada pela minha vida, pela minha saúde, pela família, pelo namorado, pelos amigos, pelo trabalho, por todas as coisas maravilhosas que têm acontecido. (não nessa ordem)
Ainda quero (e preciso) juntar dinheiro, viajar, fazer um intercâmbio, conseguir um emprego melhor, emagrecer, voltar a estudar, aprender outra língua e mais mil planos.
E de que vale viver sem sonhos?
Só sei que hoje é um dia perfeito para dizer
Que hoje é sexta feira e eu estou apaixonada.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O priapo dele.
Ao nosso redor muitas pessoas, mas nada disso o fazia sentir vergonha de me olhar e gemer. Ele falava coisas que até então eu achava que era pecado ouvir. No fundo, eu me deliciava em ouvir as palavras sensuais que ele tanto dizia. Algumas eu pouco conhecia, mas toda aquela inteligência era extremamente afrodisíaca e me deixava louca, mas eu não podia – nem devia – demonstrar aquele fervor em meio a tanta gente. As palavras, os gestos, os atos. Ele narrava detalhadamente e com tremenda perfeição tudo o que havia ocorrido. O arrepio tomava conta de mim. Era muita sensualidade para uma menina de apenas 17 anos. A vergonha deu lugar à vontade de vivenciar tudo aquilo. Minha paixão não era por ele, nem por suas palavras. Era, na verdade, pelo seu priapo, seu pica-flor, ou como mais desejava chamá-lo. Gregório nunca tinha sido tão bem explicado em uma aula de literatura. Fernando havia conseguido. Se tornou um exímio intérprete do tão promíscuo poeta. Até as freiras do tal poeta o aclamaram: aleluia!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Inferno astral
Resolvi rabiscar estas linhas apenas para constar que meu aniversário é em agosto e que se (é que existe) o tal inferno astral deveria começar teoricamente em julho para mim e não em março. Nem quero ver quando chegar as vés[eras do meu aniversário então...
O que tem me irritado mais nesse período itinerante entre casa, hospital, consultório e casa dos pais é esbarrar com gente com aquele papo cristão. Explico: "- Calma, minha filha! Deus nunca dá uma cruz maior que a gente não possa carregar!" Explico de novo: não nasci para carregar porra nenhuma, quero que o mundo acabe em barranco para eu me encostar nele. Não nasci para salvar o mundo. Não vim para esta terra para levar a palavra de ninguém a não ser a minha própria e isso sem querer ser catequizadora, ok?
Então, eu nasci, cresci, escolhi casar-me com um cara, optei ter uma profissão e tenho tentado ser bem sucedida dentro daquilo que me propus a fazer. Mas está difícil. Não basta apenas isso? Só isso, hein, Deus? E olhe que nem acredito mais em você.
Publicitária e aspirante a bióloga, com especialidade em entomologia, meu CID é o 10 N-18, em outras palavras tenho IRC e aguardo pelo duplo-transplante. Tatuada, tenho humor ácido e de gosto duvidoso, pois, apesar de não recomendado, adoro torresmo de boteco.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Vivendo um argumento
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Bisavó cabocla
domingo, 18 de abril de 2010
En français
O Alfajor do Belchior e o abajur do Jorge Ben Jor
Marselhesa no balé, rebolar doida relembrando o cabaré
Correr pela Champs-Élysées, bêbada, ofegante com um bouquet
Fechos pro soutien, lingerie bordô e quitar seu carnê
Piraquê com petit gateau, ir ao toalete e vomitar no bidê
No arco do triunfo arejar, molhar o maiô pra refrescar
Escargot no bistrô, procurar defeito na Brigitte Bardot
Quer a cor-de-rosa do viver, en français
Ora se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim, dispenso a previsão
sábado, 17 de abril de 2010
Velho galpão
Com o tempo, aprendi a omitir a costumeira pergunta “tá chegando?”, que tanto irrita os pais. Fui notando que perto do destino havia um galpão gigante, na metade da altura de uma ladeira. A última ladeira antes de chegar à cidadezinha que teve a honra de hospedar a Livraria Tatiana (sim, era esse o nome). De modo que ao avistar o galpão sabia que a viagem e os sacolejos chegavam ao fim.
Na época da abertura da livraria meu pai tinha um fusca branco. Como nunca teve apego a carros e como sempre teve a destreza de negociar, seus bens iam e vinham. Os fuscas iam mudando de cor. Tivemos um amarelo, um vermelho, um azul. Cheguei a criar o passatempo de ficar adivinhando qual era a cor do fusca com o qual meu pai apareceria me buscar.
A livraria fechou, mas a cidade permaneceu no meio do caminho da cidade onde o ônibus para e aquela onde mora minha família. Quando venho visitá-los, meu pai me pega na primeira e me leva até a segunda, geralmente reclamando da vida, querendo saber de tudo. Nem sempre presto atenção no galpão.
Hoje, reparei nele. Muito velho, com as madeiras meio apodrecidas pelo tempo, a pintura descascada. Mesmo assim, imponente sobre a ladeira. Achei engraçado observar depois de pelo menos 20 anos um local que me era um importante ponto de referência. Estranho como as coisas perdem a importância. Mais engraçado ainda olhar para o lado e ver como homem que dirigia o carro também estava velho. Barba longa, fios brancos, testa enrugada pelo tempo, pelos problemas de cada dia.
O galpão, sempre lá. Meu pai, sempre ali.
Não é uma conclusão triste. Mas o galpão, meu pai, as rusgas, as rugas , a sonoridade dos pássaros na cidade tranquila, a chegada, a passagem e a partida me fizeram perceber que nada vai mudar. Será, de um jeito até meio sombrio, sempre assim.
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora.
E-mail: tatilazz@gmail.com
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Claro
- 201069179016;
- 201066926041.
Cansei de vez, agora migrei para ViVo e espero ser mais feliz!
Postando na data que me compete, todo dia 16.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
(in)citações
"you develop control by letting go"
Bob Ernst
"on rêve avant de contempler. Avant d'être un spetacle conscient tout paysage est une expérience onirique"
Gaston Bachelard
"sofrer é viver pelo avesso"
Marcelo Dolabela
"Da mihi castitatem et contientiam, sed noli modo"
Santo Agostinho
"yo siempre tengo una gran alegría cuando no entiendo algo y al revés: cuando leo algo que entiendo perfectamente, lo abandono desilusionado"
Enrique Vila-Matas
"aprendi que o tempo era apenas fração de nosso sonho"
Everardo Norões
"Citar é ser injusto"
Fernando Pessoa
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
O telefone
-Como?
-Não sei.
-O que que ele tem?
-Eu fiquei aqui a tarde inteira e ele não tocou.
-Alguém tentou me ligar?
-Como é que eu vou saber? O telefone tá quebrado.
-E como é que você sabe que ele tá quebrado?
-Por que ele não tocou a tarde inteira.
-Mas se ninguém tentou me ligar, o telefone não ia tocar mesmo.
-E como é que eu vou saber se alguém tentou te ligar se o telefone não tocou a tarde inteira?
-O telefone tá dando linha?
-Tá. Foi só a campainha que quebrou.
-Pega o seu celular e liga pra cá. Aí a gente vê se quebrou mesmo.
-Não dá, meu celular tá sem crédito. Liga você.
-Meu celular tá sem crédito também.
-Então liga pra alguém e pede pra ligar pra cá e vê se toca.
-Vou ligar pra quem?
-Sei lá, liga pra qualquer um.
-Tá bom, então. Deixa eu ver um número aqui.
-E aí?
-Calma. Tá chamando.
-Atenderam?
-Alô? Mãe? Sou eu! Como assim quem, mãe? Você tem quantos filhos? Ah, tô bem sim, mãe. E você, como tá? É, eu sei que faz tempo que não ligo. Não, mãe, não esqueci de você. É mesmo, mãe? Que legal...
(Meia hora depois).
-...então tá, mãe. Tchau. Beijo.
-E aí?
-Ela te mandou lembranças.
-Mas ela vai ligar de volta?
-Ih, esqueci de perguntar.
-Como esqueceu? Liga de novo!
-Ai, caramba. Peraí. Alô, mãe? Sou eu de novo. Como assim quem, mãe? Eu acabei de falar com você. Não mãe, não aconteceu nada, é que eu precisava de um favor. Que dinheiro! Eu só quero que você ligue pra mim. Eu sei que a gente tá falando no telefone, mas eu quero ver se ele não tá quebrado. Tá bom então.
-Pronto?
-Pronto. Ela vai ligar.
(Dez minutos depois).
-Eu falei que tava quebrado.
-E se minha mãe esqueceu de ligar?
-Liga pra ela de novo e pergunta.
-Falar com minha mãe de novo? Melhor que esteja quebrado mesmo.
terça-feira, 13 de abril de 2010
VIAGEM
domingo, 11 de abril de 2010
Dando uma limpa no armário
sexta-feira, 9 de abril de 2010
"Um amigo espanhol"
Amanhã você entra nessa lista. Graças à sua partida, a média de altura do grupo de amigos distantes vai subir, é você é o primeiro sócio masculino desse clube que tem mãos pequenas o suficiente para entrar nas minhas luvas sem rasgar-las. Sempre são bem-vindos os integrantes que usam óculos, preferem o Desmond, dançam como se ninguém estivesse olhando e não perdem a compostura depois de beber, porque não precisam de ajuda para praticar a sinceridade.
Da próxima vez que eu fizer um resumo como o do primeiro parágrafo, mencionarei a saudade de ganhar sempre no quebra-cabeça e perder sempre no campo minado, ou a falta que me faz engasgar com a mistura da ventania, a paisagem alucinante e a companhia de alguém que se ofereceu para estar ali tomando vento de graça. Omitirei seu nome e te citarei apenas como “um amigo espanhol”.
Se me pedirem para detalhar um pouco mais, talvez eu lhes diga que nos demos muito bem porque compartilhamos a mesma visão de mundo, apesar de que a maneira como aplicamos essa filosofia na prática é diametralmente oposta. E que ajudou consideravelmente o fato de que desde o início só poderíamos ser amigos. E que era um momento em que me faltava ter por perto essa visão de mundo parecida. E que poderíamos ter tido o triplo do tempo, não fosse pela minha mania de começar as coisas e deixá-las pela metade, mas que isso não importa porque se eu não fosse caótica talvez não fôssemos amigos.
Pode ser que eu lhes conte sobre como ontem falávamos sobre mais uma das nossas muitas diferenças. Você não gosta de quase ninguém e eu gosto de quase todo mundo. Você desviou o olhar e fez aquela cara séria que deixa teu rosto ainda mais esguio e destaca teus óculos de armação preta e grossa. E então pairou uma pausa dramática, à qual contribuí porque preciso de tempo para entender o teu espanhol prolífico e em baixo tom. Também costumo esperar para ver se um dos cantos da tua boca vai se encolher e revelar a ironia que vive na ponta da tua língua e corta seis cabeças de quase todos os bichos.
Mas vão dizer que é amor, isso de ficar falando sobre os cantos da tua boca, a cor dos teus óculos e o teu vocabulário. E eu vou ter que dizer, mais uma vez, que não, não é amor. Mas eu não gosto de mentir, e eu sei que sim, é amor. Mas amor de amigo. O problema é que ninguém se interessa por amor de amigo, platônico, simples e natural. Esse tipo de amor não esgota a bilheteria, não entope a caixa de comentários e não sobrevive muito tempo às fofocas do almoço de domingo. Todo mundo quer emoção, intriga, histórias épicas, braços ao ar e vozes alteradas.
Mas nem tudo na vida precisa lembrar uma novela. Às vezes é bom se contentar com pouco. Quando o pouco basta, o pouco vira muito. E mais não poderia pedir.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Plágio
Leio Blogs, mas comento pouco. Agora aqui no blog, de repente, tenho muito para ler e gosto disso, mas um problema que dá, ou melhor, um medo que me dá, é ler algo e copiar sem querer. Sem querer mesmo, aquela idéia que fica na sua cabeça, vai se infiltrando até que um dia você acha que a idéia é sua.
Antigamente eu compunha músicas, fazia letra e música com o violão. Algumas eu tocava com amigos, outras guardava e muitas esquecia.Um dia fiz uma música linda , daquelas que se ouve uma vez e pronto, letra e canção.
Toquei vários dias, depois mostrei para alguns amigos que também tocavam. Todos disseram que realmente era boa, muito boa a canção.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Armas & Rosas
terça-feira, 6 de abril de 2010
O funeral da Bisa
Em relação a tristeza eu não consigo ver muitas coisas positivas em se viver tanto tempo, copas do mundo? Minha bisavó nem gostava de futebol mesmo... Netos e bisnetos? São legais até o momento em que acham que suas bochechas são feitas de plástico e seus bolsos não tem fundo. Terei eu me deixado ser influenciado tanto pela leitura de “o estrangeiro” que agora estou me parecendo com seu personagem central? Talvez.
Quando cheguei ao cemitério já havia muita gente, muitos cumprimentos, reencontros de longa data, abraços longos e conversas, se minha bisavó estivesse viva certamente iria distribuir alguns cala a boca. Minha mãe contava á minha tia a receita do frango que ela havia feito na noite anterior, meu padrinho contava sobre sua ultima viagem e todas as peripécias que alguém que acabou de se separar pode fazer.
A sala já está cheia, muita gente fica do lado de fora fumando, alguns começam a recordar os melhores momentos da bisa, suas sapequiçes quando era criança, seus namorados estranhos (incluindo o meu bisavô), suas manias de velha – como trocar os nomes dos netos, dormir no pé da cama e cantar absurdamente alto enquanto se trocava – o dia que ela comprou o produto para tingir cabelo da cor errada e apareceu de cabelo azul (era natal...) -.
Rapidamente estavam todos enturmados, as crianças brincavam de esconde-e-esconde entre os túmulos, o vinho que alguém trouxera como presente de aniversário para um primo que mora longe foi aberto e muita gente já começava a falar coisas que não deveria, até que chegou a hora da cremação. Não sei por que minha bisavó quis isso, acho uma cerimônia cansativa e agonizante para os que ficam e nada honrosa ao defunto (acho que alguns têm essa pretensão), fomos todos para uma sala onde o caixão ficava no centro, como se fosse o palco e o morto o ator principal, a gente em volta e em círculo éramos a platéia e foi ali que surgia a primeira piada mórbida - se existia algum vendedor de pipocas por perto - fez relativo sucesso. Depois que todos estavam devidamente acomodados surgiu repentinamente Bach e sua Toccata em Fuga, nos primeiros acordes já uns cinco pularam, uma amiga da minha bisavó teve ataque de soluço teve que se retirar da sala, algumas pessoas não seguraram o riso enquanto outros se perguntavam qual era o próximo passo.
O caixão começou a descer, parecia que ia ser o fim da cerimônia, mas foi então que o caixão travou não se sabe se foi problema elétrico, alguma coisa relacionada à máquina, ele simplesmente não desceu, funcionários correram para tentar consertar, foi nessa hora que acabou a música de Bach, que deu lugar a Maracangalha, foi um caos... Os funcionários berravam e corriam tal qual as crianças, estas assustadas e confusas, algumas pessoas tentavam ajudar, minha avó chorava, eu e meus primos rolávamos de rir, o caixão desceu de repente e então começou uma série de barulhos, a gente não sabia se estavam quebrando o caixão ou se os funcionários estavam brigando.
Terminado o “espetáculo” parece que todos estavam mais aliviados, antes de entrar no carro alguém disse ter ficado sabendo que no próximo enterro prometeram uma música melhorzinha e mais animação, muitos após o funeral foram para casa, minha mãe mostrou o famoso frango para minha tia que anotou com entusiasmo a nova receita, mais vinho e cerveja derrubaram rapidamente os foliões que não demoraram muito a ir embora.
Foi o melhor funeral que já fui e a ultima boa lembrança que tenho de... Perae, mas quem morreu mesmo?
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Vlad Galli
domingo, 4 de abril de 2010
O dilema do homem-bala: osso ou graveto?
Como ninguém apareceu para resgatá-lo, ergueu-se com dignidade. Recomposto, espanou com as mãos o pó do uniforme, colocou seu capacete azul embaixo do braço e foi procurar ajuda.
Encontrou uma praia (ou foi encontrado por ela). Sentia no rosto uma solidão solar – e o único ruído audível era o barulho das ondas quebrando de mansinho. Havia um pressentimento rondando, algo que ansiava por tradução, um sussurro qualquer vindo de não sei onde.
Um vira-lata famélico apareceu no horizonte. Daquela distância ainda era impossível precisar se o que ele trazia na boca era um osso ou um simples graveto. “Se tem cão, tem gente”, raciocinou.
E ele seguiu aquela pista. Mas o cão, embora magro, era do tipo velocista – o que impediu que o homem-bala se aproximasse muito.
Por sorte (ou por aquilo que até aquele momento ainda não podia ser chamado de azar), o animalzinho tinha corrido em direção a uma cabana simples, fincada no pé de uma geométrica e caprichosa formação rochosa.
A porta só não estava aberta porque não havia nenhuma esperança de porta ali. O jeito foi bater palmas e aguardar uma resposta. Silêncio. “O dono foi pescar ou tomar banho de mar”. Sem outra alternativa, o homem-bala entrou.
O lugar estava abandonado. Não. Isso não é verdade. Tinha um cão magro (que mordia um osso ou um graveto) escondido embaixo de uma mesa. Em cima dela, um prato de espaguete, talheres de prata e uma taça de vinho tinto.
Uma tentação que o homem-bala só não superou porque sons estranhos saíam de sua barriga. “Eu pago”, repetiu para si mesmo – sem notar que estava sem a sua carteira.
Enquanto degustava aquele banquete, notou que o cão aconchegava-se entre suas pernas. Sentiu-se em casa. Ensaiou um sorriso e foi, lentamente, pegando no sono.
Dormiu. Ou achou que tinha dormido. Acordou com um leve toque no ombro. Ao virar-se, demorou para entender que criatura era aquela. Teve a sensação de que o sujeito ao seu lado era um anão – mesmo sabendo que ele deveria ter mais de 1,80m de altura. “Gostou da refeição?”, perguntou o suposto anão.
Antes que pudesse responder afirmativamente, o anfitrião disse que o espaguete tinha sido uma dica de um velho amigo. “Quando soube da sua chegada, perguntei ao seu avô sobre o seu prato predileto”, comentou.
O homem-bala tentou corrigir o anão de 1,80m. Afinal, seu avô, o primeiro homem-bala da família, havia morrido na Revolução de 1932. “Eu agradeço o espaguete, mas eu não sou a pessoa que você estava esperando”, argumentou.
Um pouco curvado para não bater a cabeça no teto da cabana, o anão (que agora parecia ter quase 2 m de altura) soltou uma gargalhada que fez a praia toda estremecer. Assustado, o homem-bala apanhou o capacete azul, que estava sobre a mesa, e, sem despedidas, fugiu em direção à praia.
Avistou dezenas de pessoas saindo do mar. Feito uma bala (típico do homem-bala), correu ao encontro dos banhistas.
Era como se o mar regurgitasse suicidas. Uma gente pálida, muda, alheia ao tempo, caminhando pela areia com uma rosa de Iemanjá na mão esquerda. O homem-bala bem que tentou, mas ninguém percebeu sua presença.
Sentou-se na beira daquele mar estranho. Seus pensamentos viajavam para uma galáxia distante quando sentiu o cão famélico se aproximar. O que o animal trazia na boca não era um osso, nem um graveto. Mas um dedo. O dedo médio do homem-bala.
sábado, 3 de abril de 2010
Eu, Adulto.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Os anos 80 voltaram, ou não.
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“Hapinnes how'd ya get to be happiness”, lembram-se dessa música do Goldfrapp? Faz parte do álbum Seventh Tree, mas felicidade é ouvir Head First, o novo álbum da banda. Rocket é o prenúncio das ótimas canções que virão em seguida, passando por Believer e Dreaming que tem teclados lembrando os anos 80, a excelente Head first que dá nome ao álbum, e Alive que tem um “Q” de disco music e é a mais animada.
Head First inaugura a safra de boas surpresas 2010, que até então estava pacato, e tem tudo para ser um dos melhores do ano – “I’m feeling alive again”.
Alive (Head Fist)
Happiness (Seventh Tree)
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
o dia em que eu perdi o menino mais esperto do mundo
Jornalista, especialista em Midia, Informação e Cultura pela USP, onde participa do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação. Pesquisador de mídias e redes sociais virtuais, escreveu o livro www.odio - a internet na mira do mal. Atualmente é assessor de comunicação, produtor cultural e atua como jornalista freelancer em matérias sobre Cultura e Comportamento.



