quinta-feira, 10 de março de 2016

Fidelidade.

Meu companheiro de trabalho perguntou se eu poderia escrever algo sugerido por ele.
Respondi que poderia tentar.

Fidelidade.

Quando pensei em fidelidade absurdamente veio a minha cabeça:
- Companhias aéreas
- João Cléber
- Cartão da farmácia
- Sermão do padre
Ser fiel consiste em não trair uma pessoa ou principio.
Fidelidade é requisito básico da maioria das relações, sejam elas amorosas ou não.
No dicionário está ligada ao companheirismo, a palavra dada e promessa feita.

Sendo assim, escreverei aqui como eu entendo a tal fidelidade, o que pode ser igual ou não ao que muitos pensam.
Ser fiel é uma imposição cultural da qual ficamos acostumados. (se não me engano fidelidade estava ligada a virgindade da mulher antes de se casar, sendo que antes eram ''prometidas'' deviam ser fieis também. Desculpem se eu to falando merda!)
Por ser a fidelidade tão imposta em qualquer relação é que ela se confunde, pois para ser fiel vc precisa não sentir vontade de trair e é exatamente ai que a coisa começa complicar.
Sentimentos não podem ser controlados, muito menos impostos. Embora seja exatamente assim que  fidelidade nos é apresentada.
Talvez esteja ai o motivo de tanta traição (traição, aquela visita infortuna que você geralmente não convida mas que em alguns casos faz questão de aparecer) acompanhada de dores irreparáveis e traumas difíceis de serem esquecidos.
Outro dia lendo textos sobre ela, um em especial me chamou atenção pois diferenciava a fidelidade da lealdade, coisa que pra mim era uma sinônimo da outra.
O texto dizia que lealdade é uma conexão com o outro, um compromisso assumido por vontade própria.
Pensei, é isso, pode até ser que a fidelidade seja de vontade própria, mas que ela é muito imposta ahhh isso não tenho duvidas.
Enquanto a fidelidade é uma imposição, a lealdade vai crescendo conforme anda o relacionamento e as vezes mesmo quando acaba a pessoa continua sendo leal, talvez por que é um sentimento e quando se fala de sentimento a coisa é muito mais difícil de desapegar.
Mesmo sendo a lealdade acompanhada da fidelidade ou vice e versa, as duas tem pesos e significados bem diferentes, mas a ideia inicial é falar só de uma então,
voltemos ao assunto.
A fidelidade devia estar bem longe das relações amorosas, tendo em vista que não necessariamente esta ligada a sentimentos.
A pessoa pode ser fiel por N motivos menos o amor e companheirismo logo, não deveriam ser um requisito básico seja qual for o relacionamento.
Já conheci pessoas que não se amavam mais eram fiéis por medo de ficar só, por imposições de advogados, acordos, não perder filhos e tantas outras coisas que chega a ser um insulto para quem é fiel por que ama.
Então, pensando em tudo isso, quando me perguntarem se sou fiel ao meu namorado, responderei que sou leal e esperarei que a pessoa saiba identificar a diferença e entenda que a lealdade esta mil passos a frente da fidelidade por que a lealdade sutilmente se aloja dentro do ser sem esforço ou qualquer tipo de comando e fica ali, porque você quis que ela ficasse.



quarta-feira, 9 de março de 2016

Despedida e Boas Vindas


Hoje estou me despedindo. 
Este mês estou me despedindo.
Deixo aqui registrado meu adeus a uma fase de minha vida.
Fase que durou minha vida inteira.
Que teve tristezas, aventuras, alegrias e aprendizados.


E abro os braços para uma nova fase.
Abro os olhos para novos horizontes.
Abro o peito para novos desafios.
Sim, os 30 anos trazem consigo um peso.
Como já dizia o poeta*, fazer 30 anos é cair numa epifania.


Eu gosto de envelhecer...
Significa que estou viva, que meu corpo está funcionando, minhas células estão se renovando.
     Envelhecer é renovação.

Com o passar dos anos venho aprendendo a ser menos categórica, mais flexível, mais leve.
Assim como minhas células, deixo meus pensamentos se renovarem.
Observo mais, julgo menos,
Penso de forma mais livre.
     Sou mais livre.


A vida até os vinte e nove até que foi boa comigo.
Sinto-me grata por esses anos, que venham mais.


Bem vindos, trinta!
Que sejam belos e gentis.
E quando não puderem ser belos nem gentis, que eu possa ter paciência e sabedoria.


Que venham mais e mais...



  


*o poeta em questão é Affonso Romano de Sant'Anna. Ele também escreveu sobre fazer 30 anos, você pode ler o trecho aqui

terça-feira, 8 de março de 2016

Por um mundo mais politicamente incorreto.


  Acho que se deve poder falar qualquer abobrinha, isso chamava liberdade de expressão.
  Todas as imensas besteiras podem ser ditas.
  
 Você pode fazer tudo.

  Pode sair voando, ou voltar no tempo? Pode! Provavelmente você não vai conseguir, mas poder pode!
  E se você quiser sair na rua matando, atropelando, xingando, pode?
  Pode! Não deve, mas poder pode. Claro que você vai ter que arcar com as consequências...

  Então fazer pode tudo, mas muita coisa não se deve, não só pela coisa em si, as vezes alguém simplesmente não entende que tal coisa é ruim, então criamos um consequência, um castigo, uma ameaça. E no geral funciona, ou eu já havia matado meia duzia na hora da raiva.  

Agora, sentir. Posso sentir atração sexual por criancinhas, cadáveres ou animais? Posso sentir nojo daquelas duas meninas se beijando? Posso odiar aquele japa, torcedor do outro time, carioca, argentino?
Pode! E não tem que ter castigo, nem consequência, porque você pode sentir qualquer coisa, e nem sempre consegue controlar o que você está sentindo. Você não só pode sentir o que quiser, mas deve sentir tudo.

  Aí tem uma ponte, entre o que sinto, que é problema meu, só meu, e o que eu faço, que é problema de todo mundo. Posso sentir vontade louca de matar, mas não devo matar.
  O que faz muitas vezes com que eu não pratique algo prejudicial a mim ou a outros que genuinamente estou sentindo costuma ser falar sobre isso.

  E é aí que o politicamente correto me incomoda, o quase clichê " falar sobre o que estou sentindo" ajuda de verdade. 
  Se alguém acha uma coisa, não falar sobre isso não vai fazer a pessoa deixar de achar, deixar de sentir.
  Tem que ter espaço para se falar barbaridades, para que se converse e alguém te explique por que aquilo não é verdade, não é bem assim. Só assim você pode mudar o que você pensa, o que você acha, até o que você sente.

  Ah, mas "formadores de opinião", professores, famosos, não deveriam ter mais cuidado? Não! Todos deveriam ter o mesmo cuidado de tentar se informar um pouco antes de sair falando qualquer coisa, todos.TODOS. Mas conversar é um jeito de aprender, e conversar envolve idéias boas e ruins.

Não deveríamos ter medo de qualquer opinião impopular, como uma criança tem medo de falar palavrões. Deixe a criança falar o palavrão, então a chame para conversar e quando ela souber o que aquilo realmente quer dizer, ou como faz os outros se sentirem, ela pode parar, não por medo, mas por opção.

  Sinta-se como quiser.
  Fale sobre tudo, mesmo que pareça ignorante, racista ou idiota.
  Escute.
  Avalie bem antes de fazer, não por que não pode, mas por que muitas vezes não deve.
  
  

segunda-feira, 7 de março de 2016

A mudança

O cheiro do outono chegara mais cedo. O céu e o vento anunciavam sua aparição nos pequenos detalhes. Aos desavisados, coube sentir o embaralhar dos sentidos e lidar com os prejuízos das artimanhas outonais.

Com o passar dos dias que preenchiam as semanas e que se enrolavam nos meses conquistando um efeito de nó de marinheiro nas linhas de fibra de tempo, ela foi se familiarizando com seu novo esquadro. No começo, não conseguia dormir. Seu sono estranhava o novo ambiente e não era possível ter sossego em vigília ou letargia. Os sons e as cores também lhe eram incomuns. Não havia meios de escutar o frágil barulho das folhas das árvores ao entardecer, nem vislumbrar os diferentes tons de rosa e lilás do pôr-do-sol entre os hiatos dos galhos.

Os espaços daquela casa de poucos cômodos, comparados ao que era o seu lar, ecoavam vazios que não eram próprios das casas pequenas, pensava ela. Espaços pequenos deveriam ser aconchegantes e preenchidos facilmente. Aos finais de semana, vagava como as assombrações das histórias de infância, só que em círculos, procurando em espiraladas uma solução àquela inquietude.

Com o costurar do tempo, o estranhamento foi tomando diferentes formas, cores astrais, humores. A casa já não parecia um concreto de fome descomunal, que transformava pequenos espaços em grandes vazios, mas sim um planeta suspenso que, embora diferente do seu antigo lar, era um bom local para se refletir e digerir as brincadeiras doídas da vida.



Foto: Matizes do Tempo - Bárbara Mançanares.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Olá, posso ajudar?

Certo dia conversando com um conhecido fui questionado da seguinte forma:

“Na medida do possível está tudo bem. Mas, porque eu ainda sinto que tenho algum problema, que estou vivendo uma vida sem sentido...?”

A pessoa tem um emprego, tem onde morar, acesso à educação, boa saúde, tem o que comer e mesmo que não tenha tudo que quer, tem aquilo que precisa para viver. Ainda assim, sente aquele incômodo, aquela sensação que está no caminho errado, que a vida está sendo vivida sem sentido e começa a pensar que deveria mudar a situação atual. _Será que deveria sair do meu emprego? _Será que deveria arranjar outra namorada? _Trocar o carro? _Comprar um celular novo? Alguma coisa tem que mudar...

Então eu disse que lamento informar, mas talvez isso não funcione. Eu particularmente acredito que nem o consumismo, nem a rotatividade de empregos, ou a troca constante de parceiras vão trazer o que você está procurando. Vejo que alguns procuram amparo no desapego, no isolamento, ou nas drogas, mas não é preciso desapegar de tudo que construímos até agora, se isolar na floresta como fez Thoreau ou se afundar nas drogas pra abrir a mente e viver melhor consigo mesmo. Se preferir fazer isso, ou então tocar o “foda-se”, faça! Mas, saiba voltar e colocar os pés no chão.

Todavia, tenho uma dica: Que tal você resolver os problemas de outras pessoas?

Fonte: www.ronaud.com
Eu acredito de coração, que se o ser humano exercitar a empatia e o altruísmo nós teremos uma sociedade muito melhor. E não é preciso esperar ter uma doença mortal, ou ter problemas ainda maiores pra começar a tentar se “redimir” com o mundo fazendo caridade. Durante todo o dia temos a oportunidade de ajudar o outro, seja em casa, no trabalho, na faculdade ou nas ruas. Você pode dizer que está muito ocupado e isso o impede que faça qualquer coisa em prol das outras pessoas, pois não dá conta de cuidar nem de si mesmo. É compreensível, pois muitos acham que ajudar ao próximo é apenas ser voluntário em projetos sociais, ong’s, igreja ou fazer doações. Sim, essas também são boas formas de exercitar sua empatia e altruísmo. Porém, o que custa incrementar pequenas atitudes no dia a dia? Por exemplo, você pode parar um ônibus ao ver que alguém está vindo correndo na direção e dar sinal para o motorista parar enquanto a pessoa não chega. Pode ajudar alguém a carregar a mala pra subir as escadas do metrô. Pode ajudar dando dicas ao vendedor de pipoca com os conceitos aprendidos naquela aula de marketing. Oferecer uma consultoria tributária gratuita àquele tio que não tem conseguido quitar os impostos. Pode se oferecer pra pegar no gol para o time da empresa (goleiro também tem o seu valor). Oferecer uma carona para um amigo em comum que você soube que mora perto da sua casa e volta de ônibus todo dia. Ou quem sabe oferecer um prato de comida pra criança que passou no restaurante perto da firma pedindo esmola?

Um dia virei pra um garoto e falei: _Dinheiro não vou poder te dar, mas senta ai moleque, vou pedir o garçom pra trazer um prato pra você também. Ele podia morrer de fome hoje e eu com saldo no vale refeição juntando pra comer fim de semana no Outback. Mesmo que eu ganhava mal, naquele momento podia oferecer aquilo pra ele pois apesar de tudo minha situação ainda era mil vezes melhor financeiramente do que a do menino. Teve época que tudo que eu queria era comer em uma churrascaria, poder oferecer isso pra alguém foi o ápice da minha semana. A refeição teve valor, mas o valor da mensagem que passei foi intrínseco. O mesmo fez um professor universitário que me deu carona no Rio Grande do Sul em uma viagem recente. Ele me pagou um lanche, contou tudo sobre pedras preciosas, negócios, arte, engenharia de avião e o valor que a família tem pra ele. Mesmo com todos os problemas que estava passando (estava a caminho do velório do seu sobrinho de 23 anos que havia se suicidado) demos boas risadas e trocamos ideias. Os conselhos que ele me deu me ajudaram de uma forma que ele não tem nem noção. Do mesmo jeito que eu também dei conselhos e soube ouvir aquele moleque que paguei o almoço e ele talvez nunca fosse ter uma conversa franca com um parente, amigo ou pai. O exercício de altruísmo e empatia nos trazem coisas impagáveis e nos faz enxergar, além da bondade nas pessoas, sensibilidade e carisma. Coisas que vem me motivando a acreditar ainda mais que temos um papel (coletivo e individual) fundamental na construção de um mundo cada vez melhor.

Li em algum lugar que “Há mais felicidade em dar (tirar tempo para o outro / se importar / ajudar o outro / pensar no outro) do que em receber”. E essa deve ser uma coisa genuína, sem interesse, sem intenção. Você ajuda por puro prazer em fazer a diferença na vida de alguém, nem que seja uma pequena atitude, uma palavra. O importante é que você foi o agente de mudança naquele momento, e resolvendo uma fatia dos problemas dos outros ganhamos força para resolver os nossos problemas também. Não digo que é obrigação de alguém numa condição melhor ajudar o outro, porém se queremos um mundo melhor, é extremamente necessário voltarmos nossos olhos aos desamparados. Também não digo que isso vá resolver todos seus problemas ou suas angústias, mas com certeza vai te ajudar a quebrar paradigmas. E quando vemos o mundo de forma diferente, nosso mundo realmente fica diferente.  

terça-feira, 1 de março de 2016

Saudosismo, miopia e pequenos seres peludos viajantes do espaço.




Conforme me aproximo dos 30, assim como as minhas companhias mais frequentes, percebo que certas coisas que ouvi a vida toda são uma grande baboseira.  Não nego, o apelo emocional nos faz amar o período da infância: os desenhos, as brincadeiras, os sabores. Tudo isso se articula com o período em que (ao menos a maioria de nós, espero) temos menos responsabilidades e nossa vida parece mais agradável e simples.
Todo esse preâmbulo desnecessário, sobre o qual pedagogos, psicólogos, mães e irmãos mais velhos falariam melhor para chegar ao sentimento que me interessa: o saudosismo, em sua pior forma. Aparentemente, a ideia de “nostalgia” é muito valiosa a todos, assim que passamos pela puberdade e meados da adolescência.   Voltamo-nos para o passado como se os anos dourados acabassem anteontem, eternamente, e isso nos dá a certeza de que tudo que surge “hoje em dia” é inferior.
                As reclamações são muitas: “o politicamente correto deixou o mundo muito chato”, “o país já era”, “a internet acabou com as pesquisas de verdade”. Concorde você ou não com algumas dessas coisas (exceto a primeira. POR FAVOR não diga que o problema do mundo é o “politicamente correto), há de se notar  que grande parte dessas críticas se vale de uma comparação injusta: você não pode, em geral, reproduzir na sua vida adulta aquilo que viveu na sua época favorita. E isso não deveria ser razão para você olhar torto para o que a vida lhe traz.
                Uma das reclamações mais recorrentes que eu ouço, principalmente de gente com apego ao passado acima do comum, é que os desenhos animados e brincadeiras de sua infância eram incríveis, e os atuais são “lixo”(Não vou falar de música hoje, isso daria outro texto enorme).  E nisso, meus caros, eu tenho algo a dizer: provavelmente não são.
                A geração atual de “crianças e adolescentes” tem às sua disposição coisas incríveis como Steven Universo, Gravity Falls, e o desenho que mais me impressionou nos últimos tempos: Wander Over Yonder (Galáxia Wander, na tradução do Netflix). A animação trata de um pequeno personagem peludo (Wander) e sua companheira Sylvia(um cavalo espacial ) e suas viagens pela galáxia ajudando pessoas desconhecidas e espalhando felicidade no geral. Parece bobo e inofensivo, mas é muito mais do que isso.
                O que esse desenho, aliás todos os citados acima, tem de diferente e que não lembra a minha infância?  Os temas. A coragem de tratar de assuntos que, durante os meus 10-14 anos, seriam ignorados. Fala-se sobre bullying na internet, os personagens desconstroem histórias clássicas de princesas e cavaleiros, trata-se protagonismo feminino e até mesmo sobre como ser feliz o tempo todo pode ser danoso (Divertida mente mandou abraços). E é “só um desenho".
                A verdade é que, mais que um desenho fofo, educativo e questionador, Wander Over Yonder é uma prova. Não a única, não a melhor, não a “diferentona”, mas uma evidência de que os desenhos as artes, a cultura como um todo, não eram melhores antes. O problema  é nossa percepção de que o mundo azeda quando nos soterramos de responsabilidades e alcançamos os  “grandes problemas da vida adulta”. Então , se quer um conselho,  sente-se, coloque o desenho do “bicho vermelho peludo” e do “cavalo espacial” e confronte suas memórias. Deixe uma coisa tão simples quanto uma animação infantil te lembrar  que nem tudo piora, e que a vida nem sempre é melhor anteontem.  Apesar do pessimismo padrão nesses tempos pós-pós-pós-modernos, coisas boas acontece. Essa animação e´uma delas.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

diálogo grego


Dias atrás estava lendo algo sobre o DiEM25 – Movimento para a Democracia na Europa 2025 encabeçado por Yanis Varoufakis. 


A fia mais não conheço o moço. Não sei quem é. Nunca vi mais branco! Então per favore e pelo amor de meu deus procure saber agora. Seja por aqui ou procure no Pai Google (maiores informações sobre crise grega e etc).


E achei a ideia do DiEM25 uma ação ousada para não dizer radical. Principalmente considerando o contexto político e econômico da Grécia, Europa e porque não dizer do globo terrestre.


Por quê?


Porque sim, estamos numa crise e isso pode ser importantíssimo para nós dependendo dos desdobramentos.


Embora queiram te fazer acreditar que somente e apenas o Brasil está em crise pela má gestão ou pelo mar de lama da corrupção (que existe há séculos) venho por meio desta informar (ou avisar os desavisados) que a economia mundial encontra-se em mais uma de tantas crises do capital.


Então compreende-se que não, não se trata de marolinha, ou não é mudando os rumos da economia com privatizações inescrupulosas e com prejuízos ao país ou ainda alterando a presidência seja em pessoa ou partido que irá mudar ou suavizar a crise.


Infelizmente desde os atentados terroristas na França a crise do capital na Europa está reduzida em noticiários na crise da imigração ou em ações contra o terrorismo. Como se uma (crise do capital) não fosse consequência das outras né?!


O terrorismo e imigração (e não imigrantes, tão marginalizados quanto os revoltados) transformaram-se num remédio maldito para reafirmar o comodismo, intimidação no cessar das lutas na Europa. 


E quando os revoltados tomaram às ruas não foi com gritos de contra a corrupção, ou para cantar o hino e demonstrar nacionalismo, ou pior ainda vestir a camisa para brincar de carnapolítica.


Os revoltados foram por motivos reais de sobrevivência ou para sobreviver, quando a revolta transpassou os gritos e bancos e equipamentos quaisquer que representasse o Estado eram depredados e pichados pelos manifestantes.


Não que considere revolucionário depredar ou pichar equipamentos públicos ou privados, mas observo a representação simbólica da insatisfação plena com a especulação (imobiliária, financeira etc.) e insatisfação absoluta na qualidade de vida nas cidades.


Ainda assim, sem considerar revolucionário este tipo de ação ou tática cabe pontuar que mesmo após manifestações desta natureza (com depredações e pichações) nenhum dos Estados Europeus propôs leis com margem para interpretações dúbias pelas instituições jurídicas (neste Estado Democrático que pune apenas pobres) para enquadrar e prender manifestantes como terroristas.


De qualquer forma é bom relembrar os principais motivos de repúdio dos manifestantes europeus para a época, a ausência de postos de trabalhos e o empobrecimento e endividamento da população e consequentemente do Estado.


Até então ou desde a crise de 2008 quando ainda vivenciamos os desdobramentos não existe crescimento econômico noutra parte do planeta que não seja nos EUA.


E mesmo que lá tenha crescimento econômico não significa que a população negra e latina encontra-se vivendo o Bem Estar (ou no Bem Viver numa perspectiva do livro que ainda não li), mas sobrevivendo. Ou pelo menos esta é a informação que tenho ao ler matérias, artigos, comentários e blá blá da mídia alternativa.


Mas se está desconfiado e achando que se trata de melindre da louca, recomendo que leia e acompanhe os dados de crescimento divulgado pelo FMI, segundo os próprios o crescimento em 2016 para economia mundial será medíocre o que reafirma mais uma de tantas que virão crise do capital.


Cabe mencionar que para perceber essa conjuntura é necessário buscar a informação, não espere em grandes meios de comunicação, porque neles sequer recebemos notícias rápidas de quando decretam greves ou manifestações na Europa.


Noutro dia vi na TV Minuto dentro do ônibus notícia sobre uma greve dos trabalhadores na França, mas foi tão rápida que não consegui compreender quais trabalhadores. 


Tanto que quando cheguei em casa fui logo procurar em todos noticiários sem encontrar uma nota sequer; e observo as constantes tentativas de desvencilhar atenção para a crise (que se arrasta) e seus desdobramentos, o que de fato interessa a todos.


Por isso acredito na ação Yanis em lançar o DiEM25.


Considero necessária e urgente para impulsionar manifestações populares com reivindicações que nos contemplem. E tenho andado curiosa para saber mais do lançamento do DiEM25 em 09/02/2016.


E com dúvidas sobre qual o momento da participação popular. Sabendo que o Reino Unido implantou o referendo para reafirmar ou não a permanência no bloco do euro e seja qual for  o resultado jamais receberiam do mercado financeiro, mesmo com dívidas o tratamento dado aos gregos.


As tentativas de humilhar a vontade popular quando deram a resposta severa foi para servir de exemplo a quem se atrevesse a exercer a democracia na estrutura financeira e nos limites do restrito grupelho ou establishment. 


É justamente quando percebo como esta ação é importante ou vejo como é radical se observar a nefasta insistência em humilhar os líderes (e democracia?) que desafiam as condições impostas pela aristocracia financeira.


Acredito na ação Yanis em criar o DiEM25 mesmo desconfiada que seja em princípio uma ação reformista. E mesmo se sonhar altíssimo e de forma utópica na adesão massiva do movimento em democratizar a Europa o que faria com a transparência?


Será possível alterar ou reformar uma estrutura financeira construída para beneficiar a especulação e acumulação do capital que beneficia poucos, mais precisamente 67 pessoas ou os 1% que detém a riqueza mundial?


E se a reivindicação de democratizar o mercado financeiro e/ou Europa falhar? 
Qual o plano B, criar algo como BRICS? 
A estratégia contra ações como BRICS não está no acordo TAFTA ou TTIP? 
Existe possibilidade de criar setores financeiros sem fins lucrativos?


Pode parecer impossível, mas as estruturas financeiras de hoje existem por causa dos centavos acumulados (que ninguém faz questão no aumento das passagens sabe), dinheiro de plástico (cartão) e principalmente na especulação. Então acho enviável agora, mas futuramente quem sabe.


E quando olho para América Latina, o quintal da especulação, acumulação do capital e exploração do Imperialismo e daí compreende-se que não se trata dos EUA inteiro e de todos os americanos penso se teríamos força e vontade popular e política para criar algo parecido por aqui.


Embora guarde as esperanças não as tenho por inocentes e livre da falta de representação política, pois mesmo os partidos que se dizem progressistas não tem outro horizonte senão:

 “...o discurso político é claramente de rendição ao capitalismo e ao neoliberalismo como estruturas inexoráveis.” conforme analisado de forma criteriosa e precisa a Crise brasileira e direito por Alysson Leandro Mascaro no blog da Boitempo.


Aqui somos praticamente recém-nascidos no que diz respeito à democracia, não superamos em tempo a ditadura civil militar; ainda lutamos e reivindicamos direitos básicos e de forma fragmentada; não temos representação política sequer na direita e sendo objetiva para não ser rude até mesmo ela pareci ridícula nas reivindicações e ações.


A única força está nos movimentos sociais e ainda assim resistem para garantir direitos já conquistados ou na reivindicação dos direitos básicos e ataques de egos de políticos ultraconservadores.

Então por essa e outras acredito no DiEM25.


E quem melhor do que os gregos para pleitear algo que provavelmente daqui alguns anos reivindicaremos.Mesmo que em princípio soe uma ação reformista ou seja semelhante a pedir reformas ou invés de revolução.


Talvez ou somente quando aprofundarmos a democracia é que as contradições surgirão, mas desta vez vivenciadas nas lutas e esgotamento de todas as reformas.


Assim se tornaria mais evidente a inviabilidade absoluta da transparência, da garantia de direitos e consequentemente justiça (inclusive a social), qualidade de vida e Bem Estar seja nas cidades, no campo ou em qualquer lugar deste bendito planeta.


Ou noutras palavras reivindicar mais democracia na junção capitalismo + democracia é revelar com todo respeito o presente de grego que vivemos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Dizeres em torno do cinema - ou não.




assisti a boa parte dos filmes concorrentes ao Oscar 2016. e não posso dizer que desgostei de nenhum deles. por outro lado, posso dizer tranquilamente que nenhum me arrebatou, embora muitos tenham me comovido. e alguns outros tenham deixado algum rastro de memória. 

mas de tudo, vou ficar com a sensação de um certo esgotamento da ideia de cinemão - aquele cinema feito para nos emocionar. porque, para mim, só vale a emoção quando eu não sinto claramente a manipulação --- as cenas construídas unicamente para tirar de mim uma lágrima, um susto, uma falsa expectativa. porque aí meus sentimentos se distraem::: porque aí a emoção é forjada a partir de algo que, de fato, constitui pouca monta para aquilo que avalio ser um grande cinema. um cinema no qual vale a pena investir as longas horas. 
 
estão nessa categoria filmes como O quarto de Jack, O regresso, Perdido em marte, A garota dinamarquesa, que são filmes muito bons no momento em que assistimos, mas que quando pensamos seriamente sobre eles, identificamos facilmente as receitas, as recorrências e logo colocamos naquela categoria de filmes de entretenimento. filmes que nos fazem chorar, ou rir, dentro de uma convenção cinematográfica. 

penso que estamos exatamente neste ponto: o da convenção --- que estende seus tentáculos para todos os campos de atuação do imaginário. é claro que deve ter por aí muitos filmes que rompem com esta ordem. mas para eles é necessário pesquisa, disposição, coragem. 

Anomalisa, mesmo, é um filme que exige uma certa coragem. e também um certo discernimento. porque ele nos diz uma coisa, mas nos permite pensar outra. em linhas gerais, é fácil culpabilizar os outros, que são todos iguais, pelo desencanto de Michael Stone, palestrante motivacional sem motivação alguma para a vida. mas pergunto o que há de impostura no olhar de uma pessoa que passa a ver todos como iguais por causa de um simples "pontinho no nariz"? eu preferi acatar a pobreza do humano na figura de Michael, e não na daqueles que o cercam. e isso, sim, é um filme que não é exatamente de entretenimento, que causa um incômodo não exatamente localizável.  porque nos permite estar diante de, no mínimo, duas vias.

no meio desses possíveis "oscarizáveis", assisti ao filme Mia madre, de Nanni Moretti e o documentário Eduardo Coutinho,  7 de outubro. e estranhamente, foram na verbalização nervosa de Moretti e na precisão do olhar de Coutinho que senti, realmente, por que o cinema nos causa um abismo inominável. e não digo mais nada

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Fernanda Torres, não te desculpo!

O pedido de desculpas da Fernanda Torres não me convenceu, nem me comoveu. 
Quer saber o que ela escreveu no dia 22/02? Tá aqui: http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/.../22/mulher/, com o meu destaque para "A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo."
Aí, depois de pensar "a semana toda", postando um pedido de desculpas dois dias depois (ué, uma semana tem quantos dias mesmo?) neste link aqui ó 
http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/.../mea-culpa/, achei o texto engessado (não acho que tenha sido escrito realmente por ela, pela diferença na escrita), frio e conversa pra boi dormir.
Ela tem o direito de repensar uma opinião? Tem e deve. Eu estou sempre pensando, repensando, discutindo, falando antes e se arrependendo depois. Aprendendo que não é assim ou assado.
Porém, se não fosse a repercussão que aconteceu durante os três dias, duvido que ela se retratasse da maneira que fez.

Não aceito que uma mulher com acesso a tanta informação, solte um texto dessas, enfiando no lixo os próprios textos publicados e bem fundamentados no blog ‪#‎AgoraÉQueSãoElas‬ por outras mulheres que lutam diariamente contra a maré preconceituosa.


Quer escrever sobre o feminismo? Escreva! Quer criticar o feminismo? Critique! Mas leia, conheça, pense e opine.
Esses discursos colocados de maneira genérica na internet, só reforçam aquilo que Jout Jout Prazer disse uma vez e eu endosso: #VamosFazerUmEscândalo.

Do lado de cá, os machistas não passarão. As machistas também não. Foi assim que aprendi com a mulherada lá de casa e é por isso que hoje defendo o que elas fizeram anos atrás.

Até mês que vem! 




terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Quinto Ciclo

Sempre amei aviação. 
De 1997 a 2000 trabalhei em companhia aérea, mas meu primeiro vôo foi em 2001. 
Tenho um problema no ouvido então infelizmente tive que seguir outro caminho. Recentemente fui promovida para um cargo que precisava viajar bastante. Cada semana estava em uma cidade diferente, era tudo que eu mais queria. 
Quando eu achei que não poderia ser mais feliz recebo uma proposta de emprego ainda melhor. 
Na quarta feira de cinzas foi meu último dia em São Paulo.
Me vi no lugar daqueles passageiros que eu atendia com tanta admiração. 
Não é fácil mudar de cidade. É uma mistura de ansiedade e medo. Não é fácil, mas é libertador.
Sinto como se tivesse tendo uma nova chance. 
Dizem que a vida é feita de ciclos de 7 anos. Assim começa meu 5o. ciclo.
Manaus me recebeu muito bem. A natureza aqui é linda, as pessoas boas. 
Estou muito feliz por ter vindo, minhas melhores expectativas foram superadas.
É isso que desejo para vocês esse ano. Que vocês tenham oportunidade e coragem de ousar e que sejam muito felizes por isso!
Essa é a vista do meu apartamento

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Estudo sobre o olhar em três etapas

I. Do olhar pra baixo

Às vezes fico imaginando se os pilotos de avião se dão conta do grande papel que eles têm para a sociedade. Não, não me refiro ao também importante papel de transportar as pessoas, com razoável conforto e velocidade, de um lado para o outro. Estou me referindo ao papel que eles têm para com as crianças. Sim, porque se alguém tivesse o poder de enxergar de tão longe, veria que por onde um avião passa existe uma criança assombrada apontado para o céu e dizendo "olha um avião!". Imagina o quão bonito seria se pudéssemos ver toda a trajetória de mãos apontadas para o céu de um voo que fosse de Manaus até Porto Alegre. Uma grande onda iniciada por um grupo de pequenos manauaras - olha um avião! olha um avião! - e que logo passaria por crianças paraenses, mato-grossenses, goianienses, mineiras, paulistas, paranaenses, catarinenses e gaúchas. Não, não podemos enxergar tanto, mas isso seguramente ocorre todos os dias. Acho que os pilotos de avião deveriam ter licença para olhar pra baixo enquanto pilotam. Mal sabem eles que cena bonita estão perdendo!

PS.: Em menor escala, este fenômeno também funciona com kombis e com fuscas azuis.

II. Do olhar pra cima

As pessoas também deveriam ser autorizadas a olhar pra cima. Se já são, deveriam gozar mais do direito que possuem, do direito universal de olhar pra cima! Falo isso por experiência própria. Não fosse o alerta de uma amiga minha, eu passaria a vida sem saber que no meu costumeiro caminho de casa pro trabalho e do trabalho pra casa, existe um pé de seriguela, um pé de acerola, uma mexeriqueira, algumas pitangueiras e um sem número de outros pés de frutas de nomes por mim desconhecidos, mas que tem aquele gosto, por vezes mais azedo, por vezes mais doces, que as frutas costumam ter. Acho importante informar, para que não digam desaforos, que não moro em nenhuma cidadela rural. Pelo contrário, moro numa dessas cidades grandes em que as pessoas são desde cedo treinadas a somente olhar para a frente.

III. Do simplesmente olhar

Qual tipo de pessoa passa por mais contatos humanos do que o caixa de supermercado? Qual tipo de pessoa passa por menos contatos humanos verdadeiros do que o caixa de supermercado? Sim, porque a pessoa que pergunta se vai CPF na nota, que por vezes também indaga se hoje você vai de débito ou crédito e que mais recentemente também lhe questiona se hoje vai sacola ou não, é um ser-humano complexo que sonha, chora, ri e pensa, mas que depois de tantos CPFs, cartões e sacolas, deve ter se travestido em máquina, deve ser se metamorfoseado em caixa-registradora, igualzinho a todas as outras, que só repete mecanicamente perguntas e instruções e que só recebe do outro lado - de outra maquininha - respostas mecanizadas. Deve ser por isso que dia desses o sistema entrou em colapso. A moça que estava na minha frente na fila, pegou um chocolate que tinha acabado de ser registrado e o entregou ao caixa "Toma! Este eu comprei pra você". O rapaz a olhou sem entender nada, visivelmente despreparado para lidar com aquela situação inesperada, e arreganhou os lábios num baita sorriso!

E olha que ele nem gostava de chocolate...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

DEVANEIOS...

Pensando numa maneira! A difícil arte de ser melhor!
Até porque nunca agradamos à todos! Alguém sempre fica para trás! Nos resta então saber colocar prioridades na vida! A árdua tarefa de crescer! Tomar decisões que afetam a nossa e a vida dos outros também! Ave... Coisa mais difícil! Coisas sem nexo!

Hoje, escrevo devaneios! Pensamentos que vem e vão! Coisas aparentemente sem sentido, mas que vale a pena pôr na tela do PC! Nem sei o por quê!

Será que eu deveria publicar isso em frases então?!

Sei lá!

Permita-me hoje, escrever sem sentido, sem sei lá o quê!

Por que será que a gente tem dias assim?! Inspiração é o que não falta! O motivo e a razão existem, mas definitivamente hoje não tá dando para colocar ordem nas coisas! Aprendi que nem sempre dá prá organizar! Acho que hoje estou desorganizado. Peço desculpas, mas hoje essa é uma de minhas limitações, que, você sabe, não são poucas. Mas tô tentando melhorar!

Um dia lindo, um sol maravilhoso, que ainda não aproveitei! E só irei fazê-lo quando for perto de 14h15! Antes não! Não caminhei hoje, como sabe!
Nem tirei aquelas fotos!
Nem fui ao banco!
Escrevendo assim lembrei-me da Legião Urbana! Grande poeta Renato Russo! Pura e simplesmente por causa de umas frases curtas que ele usava para compôr algumas de suas canções!
Aliás, que saudade desse cara! Cantava muito! Hoje à noite não tem luar...

Devaneios...

Coisas aparentemente sem sentido!

Tô assim hoje, me sentindo meio perdido! Me ajude a me encontrar, por favor!

Me vem à mente a imagem de um menininho perdido num parque de diversões, em meio a tanta gente, mas sozinho! Tudo seria motivo pra diversão, mas não é para ele! Os brinquedos giram, sobem, abaixam... As outras crianças se divertem, mas ele não... Ele sofre quietinho, uma lágrima teima em escorrer de seus olhos... Qual o motivo? Onde estão seus pais? Seus responsáveis?

Irresponsáveis...

Deixaram o menino à mercê da sorte. E que sorte. Sofrimento da solidão tão criança assim...

Creio que às vezes nos sentimos assim. Como essa criança perdida nesse mundo maluco cada vez mais louco que vivemos! Deus é nossa únca esperança, mas não sou alienado! Não somos! Somos humanos, e não robôs... Temos sentimentos também, e a vida do ser humano não é matemática. Nem sempre é ciência exata. Acho que é por isso que, embora seja formado técnico em contabilidade, sempre preferi, quando criança, Biologia, e após crescido, Comunicação! Ciências Biológicas! Ciências Humanas!

Não gosto da idéia que nos traduz como números. Sei que somos contados. Tudo na vida conta!

Mas... e quanto aos sentimentos? E quanto à nossa humanidade?! E quanto ao sermos presença e presentes na vida de alguém?

Devaneios...

Devaneios que nos dão liberdade de expressar através das palavras, senão explodiríamos.

Seja aqui no Blog, ou no Recanto, que bom que sei que procuro me expressar da melhor maneira possível para que você me entenda! Porém, acho que hoje será difícil! Trechos sem conclusão... Mudanças bruscas no assunto... Sem enredo aparente...

Você, formado em Letras, nas artes da Literatura, que me perdôe! Mas hoje, quero ter a liberdade de escrever assim! E se, você ainda não desistiu de ler esse texto "sem sentido", agradeço de coração.

Hoje, nem eu tô me entendendo comigo mesmo! Vai entender?!

Por hoje, basta que saibas que és importante. Dentro de mim, dentro de minh'alma. Dentro dos meus pensamentos e de todo o meu ser. Já quis ser muito compreendido! Mas cheguei à conclusão que isso é quase impossível, para qualquer um! Não me entendo e quero que me entendam!

Devaneios inexplicáveis do entender! Ninguém entende!

Hoje não consigo me explicar! Perdão! Mas tente me entender! Farei de tudo para que você consiga!

Ou que me aceite!

Mesmo sem me entender! Porque eu também não entendo!

Devaneios...

Publicado originalmente no Blog do Márcio Luís

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O pajé Guaíra

O pajé Guaíra contempla o mar pela manhã com a serenidade dos olhos emblemáticos de quem retira das próprias reflexões o conhecimento necessário para lidar com os problemas do mundo.

Beirando os setenta anos, discerne entre tudo o que os brancos têm a oferecer o que há de aproveitável e o que deve ser mantido distante. Essa postura tranquila se estende para as próprias pessoas que cruzam seu caminho.

Perdeu a conta de quantas vezes, vendendo seu artesanato, viu alguém estereotipando um índio, com um grito agudo cortado por leves tapas nos lábios. Hoje isso provoca um suspiro involuntário. A indiferença externa camufla um certo desânimo diante da ignorância.

O artesanato é uma necessidade. A comida é comprada. As roupas também. A ideia romantizada do índio como um ser que vive na mata, extraindo tudo o que precisa da natureza que o cerca já não existe há séculos.

Porém o que o velho índio realmente gosta é de pegar seu violão; desafinado e sem a sexta corda, mas suficiente para acompanhar seus cantos e rezas. É assim que ele, o último pajé de sua tribo, passa seus ensinamentos aos mais novos. Ser pajé é um dom. Exige muito conhecimento acumulado ao longo da vida, postura compatível com a responsabilidade de sua função, mas, sobretudo vocação para lidar com tamanha responsabilidade.

À luz da fogueira Guaíra conta como, quando ainda era criança, se aproximou da velha índia doente, estendeu as pequenas mas já calejadas mãos sobre o rosto dela e percorreu seu corpo, até sentir um peso ao chegar na perna ferida, que a impedia de se levantar. Cinco meses depois, com a índia já falecida, Guaíra sentia leve comichão em sua mão direita, aumentando cada vez mais. Com uma rama de unha-de-gato conseguiu extrair de um dos calos uma pedrinha branca.

Essa foi a primeira manifestação de seu dom. Tivessem os mais velhos acreditado na criança de instintos manifestos, poderiam ter tratado a mão que carregou a doença e salvado a índia, que morreu de corpo seco.

Depois disso Guaíra passou por muitas provações ao longo de vários anos. A maior delas foi a bebida dos brancos. O líquido incolor queimava a garganta e franzia o cenho, mesmo assim em pouco tempo a tentação de provar mais um gole era mais forte que ele. Entre os brancos o índio era motivo de piada. Embriagado, entoava os cânticos de sua tribo de forma embolada, até cair e ser esquecido ao relento.

A vida híbrida, entre os costumes dos índios e os maus hábitos dos brancos, fez o índio Guaíra adoecer. A tuberculose, agravada pelas noites frias regadas à cachaça, o levou ao hospital quando já escarrava sangue. O corpo rústico, habituado a tribo, estava agora em um quarto gelado, de uma claridade opressora, com tubos e fios limitando seus movimentos.

Naquela noite, Guaíra desejou morrer.

Após tossir compulsivamente por mais de uma hora, o índio adormeceu. Em meio ao sono pesado e intranquilo viu na escuridão um pequeno ponto luminoso, que assim como a coceira em sua mão quando criança, aumentou lentamente até virar um brilho intenso e ofuscante, no qual surgiu a imagem de sua falecida mãe.

Emocionado ele viu a índia se aproximar devagar. Ela estava exatamente igual à imagem que ele se lembrava, ornada com penas, colares, tornozeleiras e a face meticulosamente pintada. Ao chegar bem perto ela segurou o rosto do filho com as duas mãos e disse em tupi-guarani “agora você está pronto para ser pajé da sua tribo”.

Ao acordar o pajé Guaíra já não tossia. Ainda sentia na boca um aroma de ferro, graças ao sangue que expelira na noite anterior; os músculos do peito doíam por conta da forte tosse, mas uma onda de paz parecia envolver seu corpo, que parecia já ter se livrado dos desejos inconvenientes.

O pajé Guaíra nunca mais bebeu. Hoje fica pensando em como era capaz de consumir algo que precisava fazer cara feia para beber. Encontrou nas origens de sua tribo muitas coisas que dão prazer sem cobrar em saúde.

Sua tribo tem uma nova aldeia, ainda pequena, mas com futuro promissor. Guaíra não guarda ressentimentos de quem quer que seja. Todos são acolhidos e bem recebidos por ele na aldeia Awa Porungawa Dju. Sua habilidade em identificar na mata as plantas benéficas e as parasitas se estende às relações humanas. Hoje Guaíra carrega todo o peso de ser o único pajé da tribo com a serenidade de quem equilibra uma leve pena entre os dedos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Presente? Obrigado! Precisava sim.



Quando criança, eu preferia brinquedos.
Quando adolescente, eu preferia discos.
No começo da vida adulta, eu queria apenas estar com a família em paz e estar com os melhores amigos pra comemorar meu aniversário.
Isso pra mim era felicidade. Para que mais?

Mas teria mais... o futuro, que virou presente. Meu maior presente possível em mais este ano de vida: o próprio presente!

Pra muitos, pode não parecer uma grande evolução pra quem está com a "meia idade" batendo à porta, pra outros pode parecer falta de "ambição", mesmo com tantas mudanças. Mas se você recapitular o começo do texto, perceberá que valores são diferentes de preços, gosto do que nunca estará a venda. Essa foi minha evolução, é o que minha vida se tornou naturalmente, é o meu presente.

Tenho hoje o que sempre sonhei: família, paz e amigos verdadeiros. Discos e brinquedos ainda me acompanham nessa evolução, hoje os brinquedos são da minha filha e os discos, ainda tenho o prazer de tocar em casa e por aí a fora de vez em quando.

Se você faz parte do meu presente, se considere meu presente de aniversário, que me deixa feliz e não deixa de me surpreender a cada 18 de Fevereiro! 

Obrigado! Eu precisava, sim. E nunca vou precisar trocar esse presente, pois cada um sempre trás algo novo que sempre vai me servir e completar a minha coleção a cada ano que passa e que vou ficando mais velho (velho não, clássico).

Feliz Vida para todos nós!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Amores e sapatilhas

“Quer essa sapatilha? Não dá em mim, aperta meu pé”. Conferi o número, provei e era linda, então aceitei a doação da minha amiga, que estava fazendo uma limpa no guarda-roupa. Usei a bichinha um dia e deu tudo certo. Mas no segundo dia senti. Apertou calcanhar e dedo mindinho, suplício de um dia todo. Machucou de tal forma que eu queria tudo, menos estar calçando aquele martírio.
Pensei o mesmo sobre pessoas. A gente se relaciona com um punhado de gente e, quando dá errado, quando o calo aperta, quando faz bolha, machuca, culpamos primeiramente o pé. Nem falo do pé na bunda. Falo do pé metafórico que calçou aquele relacionamento. Não deu certo, não rolou. Fiz algo de errado. Não sirvo para isso. A química não deu certo, isso sempre acontece comigo. Hoje, baseando minha hipótese em duas usuárias-testes, eu e minha amiga, vi que a culpa era da sapatilha. O problema é do calçado, da sua forma assassina. Às vezes, a pessoa que cria calo, bolha, independentemente de quem a pise. Faz o inferno, independentemente em que vida passe.
De qualquer forma, tem uma sapatilha aqui em casa para doação. Porque acredito que mesmo que nos machuquem, cada uma delas, pessoas e sapatilhas, merecem sempre mais uma chance.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

.na esquina onde sempre há um pombo morto.

é aí que o domingo faz seu pouso. de alguma janela o que parece uma viola contrasta com a cantoria ecumênica que escapa da portinhola no avançar da rua: não avisto nada além das flores enredadas no portão. entre o pombo e eu, restos da semana já finda; sacos minuciosamente rasgados pelos cachorros do bairro. não escolho meu passo, tateio por instinto o que é calçamento meio à fraldas, um celular de brinquedo, pacotes de macarrão instantâneo e estilhaços do que antes cerveja e festejo. certamente havia maior diversidade, não vi, não escolho meu passo e nem minha atenção. outro pombo, repito o óbvio em silêncio, isso sempre me perturba, mas aos domingos o comichão é dum incômodo mais acentuado.

lembro ainda aquele dia: espera de rodoviária, mochila nas costas, moscas e cheiro de salgadinho. também era domingo. foi um instante e desajeito de quem deveria ter voado, mas não voou. meus olhos em frenesi: no pombo, no ônibus, naquele pneu imenso na direção do - voa, meu filho, voa, que cê tá esperando? - alguns segundos, não mais que isso, ainda assim a memória teve tempo de me trazer dia ainda mais envelhecido: instrutor da auto-escola, eu tímida, eu nervosa, pombos não param de me atravessar o para-brisas, ele zombeteiro: sempre digo que aquele que conseguir atropelar um pombo aqui ganha de mim um prêmio, tranquila, eles sempre voam. - foi um instante, eu na rodoviária, na esperança, e ploc. surdo, exato, pastoso, domingo. 

eu não escolho meu passo, eu não escolho minha atenção, eu não escolho os pombos que me percorrem. 

ainda teve aquele, em minha espreita, quando abri a porta do apartamento.