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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pedro e Bianca



Pedro e Bianca é a mais nova série da TV Cultura, de São Paulo. 

Acabei descobrindo a série por acaso e resolvi assistir porque duas coisas me chamaram a atenção logo de cara: a primeira delas é que um dos criadores é nada mais, nada menos que Cao Hamburger, conhecido por ser diretor de ótimos trabalhos como "Castelo Rá-Tim-Bum" (para a própria TV Cultura), "O ano em que meus pais saíram de férias" e "Xingu" (estes para o cinema). A segunda foi o fato da série ser gravada na Escola Estadual Alberto Torres, escola em que minha mãe estudou nos anos 50 e que fica no bairro do Butantã, a uns 10 pontos de ônibus do prédio onde habito.

Pedro (Giovanni Gallo) e Bianca (Heslaine Vieira) são dois irmãos gêmeos, de classe média baixa, que vivem na periferia de São Paulo. Até aí tudo bem. A peculiaridade desta família logo é percebida, no entanto, quando percebemos a total falta de semelhança entre os dois irmãos. Numa possível, porém improvável coincidência genética, Pedro é branco como a mãe (Gorete Milagres) e Bianca é negra como o pai (Thogun Teixeira). Outra idiossincrasia desta família é o fato do pai ter sofrido um acidente em seu trabalho de eletricista e sofrer algumas descargas de eletricidade quando fica nervoso.

Pois é, mas não pensem que Pedro e Bianca é uma série pós moderna cheia de personagens com poderes especiais. Não. A cota de fuga do cotidiano se resume aos dois casos já citados. Todo o resto de Pedro e Bianca é bem palpável, bem humano até. E esse é o maior trunfo, o maior diferencial da série em relação a outras produções semelhantes. A começar pelo fato das cenas serem gravadas numa escola pública, com problemas de escola pública, tendo por figurante os alunos da própria escola e tendo por pauta problemas vividos, de fato, por estudantes de escola pública.

Até mesmo em produções da própria TV Cultura, o tema "escola" quase não aparece. Em "O Mundo da Lua", Lucas Silva e Silva (Luciano Amaral) frequenta uma escola particular e que quase nunca é citada. Em "Castelo Rá-Tim-Bum", Pedro, Biba e Zequinha (Luciano Amaral, Cinthya Rachel e Freddy Allan) apenas se referem "que foram à escola hoje", enquanto Nino (Cássio Scapin), do alto de seus 300 anos, não frequenta escola alguma. Na Rede Globo temos, há quase duas décadas, a novela "Malhação", mas esta está longe, muito longe, de representar a realidade do jovem de periferia. As demandas são definitivamente outras.

Em Pedro e Bianca, temos a dificuldade de conciliar o trabalho com os estudos. Temos as possíveis tensões que podem ocorrer diante da chegada de um estudante que acaba de sair da Fundação Casa. Temos o traficante que tenta tirar vantagem da falta de dinheiro dos estudantes da escola do bairro. Temos retratados problemas que bem poderiam ser os da escola em que estudávamos ou da escola pública ali da esquina.

É isso. Tenho medo de sair contando mais coisas e estragar possíveis surpresas.

Pedro e Bianca é indicado para adolescentes e para interessados em adolescentes (me refiro aos educadores e não aos pedófilos). Como não é lá muito divulgado, acredito - temo - que poucos sequer saibam de sua existência. Então, vamos lá: Pedro e Bianca é exibido pela TV Cultura, aos sábados e domingos, às 14 horas. Para os que não assistem TV, todos os episódios podem ser vistos no site da TV Cultura: http://tvcultura.cmais.com.br/pedroebianca/episodios/exibidos

Para dar uma amostra, segue o primeiro:



É isso.

Um abraço e até 22 de Agosto,

Felipe Lários

sábado, 7 de janeiro de 2012

"Seriando" por aí

Vai, até que "A Sete Palmos" ficou bonitinho, vai...
    
   Downton Abbey, minissérie britânica, ganhadora, no ano passado, de seis Emmy e que, agora, concorre a quatro prêmios no Globo de Ouro, conta a história de uma família aristocrática de Yorkshire, encabeçada pela grandiosa Maggie Smith, tendo como pano de fundo a diluição do Império e o mundo no pós-Guerra, foi tema de interessante matéria, no caderno Ilustrada, na Folha, edição de hoje. Segundo a  reportagem, a revista inglesa The Economist, ao traçar um panorama do mercado de  empregadas domésticas no Brasil -  sim, no Brasil! -, compara nossa situação à da Inglaterra daquele tempo, citando a produção como exemplo.  O texto rasga elogios à série, a descrevendo como um fenômeno que, infelizmente, não tem previsão de desembarcar em terras brazucas.

    Isso tudo me fez pensar uma coisa:  Por que diabos será que não há, por aqui, uma  tradição com o formato?  Ok, você vai me responder que já produzimos muitas, algumas até ganhadoras de prêmios,  mas continuo batendo na mesma tecla:  nada comparado ao caso americano, por exemplo.  Ora, se nos orgulhamos de fazer o melhor produto de Teledramaturgia do mundo - as novelas -, eles também podem se orgulhar do mesmo, afinal, suas séries tem uma penetração incrível, correndo mundo afora  - e recebendo títulos vergonhosos no Brasil como Smallville, a Aventuras do Superboy ou Lances da Vida.

    Sinceramente, eu acho que o formato telenovela já se esgotou e as séries seriam uma alternativa à altura.  Tem gente do ramo que vive afirmando o mesmo.  O fato é que não foi raro eu acompanhar algumas com mais dedicação que  à muita novela.  Tô aqui me lembrando de Beverly Hills 90210 - em priscas eras - e, mais recentemente, Dawnson’s Creek e The O.C. - mais recentemente?! - ,além  das minhas preferidas de todos os tempos, The Big C, United States of Tara e Six Feet Under, essas duas últimas, aliás, obras-primas de dois putas roteiristas de cinema -  e sim, eu prefiro os títulos originais, por motivos óbvios.

    Atualmente, em relação a roteiristas, me ocorrem dois nomes:  Fernanda Young e Alexandre Machado.  Nos últimos dez anos, o casal emplacou meia dúzia de séries na TV, mas nenhuma delas conseguiu chegar, com fôlego, à segunda temporada - exceto Os Normais, que durou três.  Mas só.  Lícia Manzo, autora da atual novela das seis, A Vida da Gente,  estreou, na Globo, como roteirista principal, com a ótima Tudo Novo de Novo.  Mas parece que desistiu do formato por aí - ou a emissora, o que é mais provável.

    De qualquer jeito fica a dica:  por que não investir mais no formato?  Tem muita gente boa com idéia bacana por aí.  Não seria tempo da Globo, por exemplo, reabrir sua Oficina de Roteiristas e dar espaço para novos talentos? E Multishow e HBO, invistam mais no formato!  Nós, seriadores, esperançosos, agradecemos.

Pós-Postagem:  Venho aqui reparar um terrível erro. Por esquecimento, deixei de citar aquela que é minha série do coração:  Anos Incríveis.  Quem não viu, corra.  É para ontem.