sábado, 15 de agosto de 2020
Save the date: 03 de setembro 2020
Mulher cis-gênero e heterossexual. Nem branca, nem preta e das duas cores ao mesmo tempo. Também é da cor transparente. Um pouco careta. Morou um ano em Manchester, na Inglaterra, e desde então não sabe bem qual é o seu lugar no mundo. Por enquanto, mora em São Paulo e morre de saudades dos amigos espalhados por diversos canto do planeta. Cursou nutrição, mas tenta trabalhar como cientista de dados.
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
tendo lido as notícias
queria estar latindo lá fora
insuportavelmente
como todos os outros cães
todo tédio é desatenção
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Ceasa
Ceasa
Sem casa
Se casa
Sem asa
Seis pretos
Desfeitos
Defeitos
Sem leitos
51 é o número da fuga
6 é o número da realidade
Muita comida dentro
Muita miséria fora
Sujeira que cheira
Que fede, despede
Desgraça que fere
Hipocrisia que mata
O projeto colonial esfregado em nossa cara
O pacto social abrindo mais essa escara
Voltar para o útero é o desejo
Deitar feito neném chupando o dedo
E sonhando querendo ser alguém
Mais um gole que engole
Os olhos marejados, distantes, calados
Olhos silenciados, domados, esquecidos
E são apenas 8h da manhã
E a moça passa cheia de graça com suas sacolas e até dá uma esmola
Tira foto das flores, das frutas, das cores
Só não consegue registrar aquelas dores
Não dá tanto like quanto sua vida de ilusão
Então vira a esquina
Não quer fazer parte dessa desgraça
Mas aquele olho roxo não sai de sua memória
Aquele rosto sangrando, jorrando talvez o alimento mais nutritivo do dia
Insiste em atormentar a sua paz
E o sol bate e reflete naquele vermelho pobre
Naquele vermelho fraco
Naquele vermelho sangue
Simulando o início de mais uma aurora
E do outro lado, há alguns metros
Toda a imponência, riqueza e miséria
Do espaço dos lobos
Da vila dos lobos
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
"não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa"
domingo, 9 de agosto de 2020
Memória olfativa ou Há cheiros que são poesias
sábado, 8 de agosto de 2020
Rostridades y resonancias. Cartografías de amor
Rostridades y resonancias:
Momentos atractivos:
Usted sabe que, si compartiéramos el espacio geográfico, haría lo posible por atrapar tiempos, por crear momentos que lo hagan sentir que estar conmigo es más atractivo que sus rutinas cotidianas.
Historias dignas:
Usted sabe que nuestro encuentro efímero e intenso, queda acordonado a mis experiencias dignas de ser narradas, de ser transmitidas a aquellos para quienes la vida es un pendular de vivencias repetidas.
Aquí y ahora:
Usted es un corte en mi experiencia, una resignificación del afecto en las relaciones, una vivencia del aquí y ahora, del “esto es todo”, de “el futuro no existe”, de “el pasado ya fue”.
Cartografías:
Usted sabe que la geografía es un aspecto, que hace la diferencia en la intensidad del encuentro, en el contacto con los cuerpos, en el chiste malo, en la anécdota compartida…
Usted sabe que siento algo por usted. Sólo en ese espacio tiempo compartido, en el aquí y ahora.
Le hablo a usted:
Usted sabe que quisiera esa geografía compartida, esos aquí y ahora, esas intensidades efímeras, esos roces de cuerpo, esas energías, sucesivamente, día a día, con usted. Sí, le estoy hablando a usted.
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
El recuerdo que dejó Nezahualcóyotl
Mayas, toltecas, aztecas o incas, solo por mencionar las más conocidas, enfrentaban la vida sabiendo que esta era un campo para librar batallas y adquirir experiencias. Recolectar vivencias que permitieran fortalecer las alas del alma (pues la representaban con el colibrí, la mariposa, el águila o el cóndor) y emprender un vuelo de regreso al Sol una vez desencarnadas.
Recuerdo que dejo
¿Con qué he de irme?
¿Nada dejaré en pos de mi sobre la tierra?
¿Cómo ha de actuar mi corazón?
¿Acaso en vano venimos a vivir,
a brotar sobre la tierra?
Dejemos al menos flores
Dejemos al menos cantos.
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
Chegar
se eu puxo arrebenta.
Lavo a roupa, a verdura, lavo o chão.
Penso que amanhã
Vai dar mar.
O carnaval virá!?
Passou, passou, vai passar.
O cheiro de cândida escorre pelas mãos e desbota meu samba poesia.
O pano na boca sufoca o ar, filtra o vento-palavras, come minhas vontades e da preguiça sonhar.
Hoje, ouvi poema seu e respondo no peito meu.
Tuas palavras, minha chegada.
No teu olhar sorriso vejo a caminhada de cabeça baixa, um olhar querença e o lábio sorriso disfarçado.
Sou libriana, com ascendente em libra. Ou seja, uma perfeita CABEÇA DE VENTO! E o vento é bom. Ele não fica parado, se move, percorre lugares, conhece coisas e toca pessoas!!! Nasci em São Paulo que me assusta por seu conservadorismo e me encanta pela sua diversidade. Sou formada em ciências sociais, trabalho com gestão e produção cultural e persigo a escrita: às vezes a maré da textos, às vezes não. tabualiteraria.blogspot.com.br
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Quartinho de despejo – De onde nascem as minhas histórias
No
bloco de notas do meu celular tem uma pasta chamada Quartinho de Despejo, uma homenagem
ao Quarto de despejo: Diário de uma favelada, livro da autora mineira
Carolina Maria de Jesus. No livro, ela relata suas vivências na favela do
Canindé, em São Paulo. No meu quartinho de despejo, eu jogo frases soltas, trechos
de conversas partidas que ouço, anotações, argumentos e insights para possíveis
histórias:
1
Quando
a guerra acaba, o dramaturgo tem que ver a morte de perto.
2
Deus
esperava mais de mim.
3
I’m
sorry, desculpa, sinto muito.
4
A
noiva joga um buque. O noivo, uma caixa de uísque.
5
Uma história
de amor que não deu certo - os dois assistindo uma apresentação do Cirque du Soleil
com todos os bailarinos nus.
6
Oi,
Meu nome é tal, escreve como fala.
7
A
fulana microgerencia muito quando ela é líder...
8
Nomes
para personagens: Elídio, Eliezer.
9
Duas
garotas ouvindo a mesma música, dividindo um fone de ouvido no ônibus.
10
O
cigarro é o único careta que eu encaro.
11
Tem
gente que já anda de máscara.
12
A
coisa só se resolve pelo abandono.
13
Estava
cortando cebola, quando o celular tocou.
Se não
anotar, a gente esquece. Por isso, tenha sempre um caderninho e caneta por
perto (tem autor que sugere deixar um caderno ao lado da cama para anotar imagens
dos sonhos). Ou abra o bloco de notas do celular. Meu amigo, também escritor,
Cícero Belmar, sempre anota uma frase com potencial de virar fala de personagem
ou mote para uma crônica ou conto. E se a gente está numa mesa de bar, ele pede
uma caneta ao garçom e puxa um guardanapo. Uma história pode nascer a partir de
disparadores os mais diversos: um quadro, uma música, uma cena que vemos na
rua, uma frase que alguém solta ao telefone etc. Quando estou desenvolvendo
algum texto ficcional, sempre recorro ao meu Quartinho de Despejo para ver se
posso aproveitar alguma anotação. Lá, tem frase que pode ser o início de um
conto, o título de um poema, a fala de um personagem. Por exemplo, você pode
começar um texto usando a frase 13 do meu bloco de notas: Estava cortando
cebola, quando o celular tocou. Vamos lá, não tenha medo da folha em
branco, ninguém está vendo. Pegue papel e caneta ou abra uma nota no seu celular
ou uma página de texto no seu computador. Se quiser, pode usar um dos nomes do
item 8 na história, eu deixo. Quando terminar, pense num título para a narrativa.Todo
mundo pode escrever. Criatividade não é um dom, é uma habilidade. Para uma pessoa
cantar ou tocar algum instrumento, ela precisa estudar e treinar
incansavelmente. Para quem deseja escrever não é diferente. Só se aprende a
escrever escrevendo. E lendo, claro. Criatividade é a capacidade de ver o mundo
de novas maneiras, fugindo do lugar comum. Pensar diferente é fundamental.
Qualquer pessoa pode escrever um texto criativo. Para isso, existem cursos
livres de Escrita Criativa pelo Brasil afora, que ajudam as pessoas a desenvolverem
textos ficcionais, a partir de técnicas e da prática da escrita, sejam poemas,
contos, novelas, romances, textos dramáticos, roteiros.
Merchan: já estão abertas as incrições da turma de agosto do meu curso online O salto na folha em branco. Começa na próxima terça-feira, 11. Mais infoemações: https://www.sympla.com.br/o-salto-na-folha-em-branco---escrita-criativa__914325
Cleyton Cabral vê história em tudo. É contista, dramaturgo, publicitário e faz bico de poeta.
@cleytoncabral
www.cleytudo.com
terça-feira, 4 de agosto de 2020
Chaguinhas
sábado, 1 de agosto de 2020
Sobre todas as pétalas que vão cair
Alguns dias, por mais ensolarados que estejam, acordamos meio murchos e ressecados.
Era cinco de julho, um dia antes do meu aniversário. Levantei cheio de questões e dúvidas. Vinte e cinco anos de existência, um quarto de século. O que eu havia feito até ali?
Dizem que a crise chega aos trinta, será que era uma crise intermediária?
Preparei meu café e fui até a janela olhar a paisagem. As ruas estavam vazias sem qualquer sinal de vida. Apenas as folhas nas árvores tremulavam suavemente com o vento. Mas tudo permanecia quieto, o tipo de calmaria que só uma pandemia era capaz de trazer. E foi a suculenta, que eu deixo na janela, que me chamou atenção.
Eu não tenho muita paciência para plantas, só a ideia de ser responsável por algo além de mim mesmo me repele, mas ela havia sido presente de uma amiga, então eu tinha um certo carinho pela suculenta. Suas pétalas vermelhas e vivas traziam um charme especial para o quarto e meu trabalho se resumia a regá-la uma vez por mês. No restante do tempo ela ficava na janela e a natureza se encarregava de todo o resto.
Mas não havia chovido nos últimos dias, e o sol estava forte. Algumas pétalas estavam secas e murchas. Quantas plantas eu já não havia deixado secar e morrer, percebendo só quando já era tarde demais? Decidi pegar um pouco de água para regar a suculenta.
- Suas pétalas estão meio secas… - comentei enquanto regava a suculenta
- …
- Acho que deveria ter te regado mais. Mas olha, as que já caíram estão nascendo de novo.
- …
A maioria das pétalas que já estavam mortas haviam caído sem muita cerimônia, se amontoavam na terra e servia de adubo para as novas que iam crescer, mas algumas continuavam presas. Por mais que não tivessem mais vida, permaneciam grudadas
- Tem algumas presas ainda. Dói retirar?
- ...
- Acho que to cheio de pétalas murchas e secas também.
Fui retirando pétala por pétala, e pensando sobre o porquê de cada uma delas.
Essa daqui está escondida e não via a luz do sol.
Essa outra não tinha espaço para crescer.
Comecei a analisar minhas próprias pétalas. Será que cada uma murcha e sem vida em mim era uma escolha errada? ou talvez apenas falta de cuidado?
Depois de retirar todas as pétalas, a suculenta parecia menor, um pouco debilitada. Mas dava pra ver novas crescendo.
- Talvez seja um processo necessário, né? Retirar o que não serve mais.
- …
- Daqui a pouco suas pétalas crescem de novo, e você volta a ser tão bela quanto antes. Prometo prestar mais atenção e regar com mais frequência.
- …
- ...
- Algumas pétalas sempre vão cair. E tudo bem.





