sábado, 15 de agosto de 2020

Save the date: 03 de setembro 2020

Está pensando em estudar fora do Brasil? Seja bem-vindo, esse post é para você!

O texto de hoje é para falar que em breve as inscrições para uma das bolsas de estudos mais prestigiadas do mundo estarão abertas: Chevening Scholarship.

Chevening é a bolsa de estudos do governo britânico que anualmente seleciona pessoas do mundo inteiro para ir fazer mestrado no Reino Unido por um ano com tudo pago. Tudo mesmo! Os bolsistas Chevening são pessoas de qualquer área do conhecimento com pelo menos dois anos de formação universitária e com habilidades de liderança e networking. Se você leu até aqui e pensou: "ixi, isso não é para mim", pense de novo. Talvez você não sabia, mas é bem provável que você já tenha essas habilidades, basta descobri-las. É possível desenvolvê-las também (contarei mais do meu caso em outro post). 

As inscrições costumam abrir no final do ano e ficam abertas por cerca de dois meses. Em 2020, as inscrições abrirão no dia 03 de setembro. Quem se inscrever agora e se der bem, deve começar o curso em setembro de 2021.


O processo seletivo Chevening tem várias etapas e dura em torno de 10 meses. A primeira etapa consiste basicamente no preenchimento de formulários. A segunda etapa é uma entrevista e a terceira etapa é a comprovação de proeficiência em inglês e de que foi aceito por uma universidade britânica. 

Hoje, falarei apenas da etapa 1. Nessa etapa, você deve preencher formulários com diferentes tipos de informações:

- suas informações básicas (informações pessoais, formação, experiência profissional)
- 4 mini redações sobre a) suas habilidades de liderança; b) suas habilidades de networking; c) motivação para o curso que você quer fazer; d) seu plano de carreira pós estudos
- indicação de três cursos/universidades, por ordem de prioridade
- indicação de duas pessoas que enviarão cartas de referência para você

Bom, a intenção do texto de hoje era deixar esse alerta por aqui. Nos próximos posts, contarei detalhes da minha experiência pessoal no preparo da etapa 1.

Se você estiver ansiosíssimo, não conseguir esperar o próximo post e quiser bater um papo, fico disponível no Twitter: @silvajacqueline

Até breve!


sexta-feira, 14 de agosto de 2020






tendo lido as notícias

queria estar latindo fora

insuportavelmente

como todos os outros cães


todo tédio é desatenção






terça-feira, 11 de agosto de 2020

Ceasa

Ceasa

    Sem casa

       Se casa

          Sem asa


Seis pretos

  Desfeitos

    Defeitos

     Sem leitos


51 é o número da fuga

6 é o número da realidade

Muita comida dentro

Muita miséria fora


Sujeira que cheira

Que fede, despede

Desgraça que fere

Hipocrisia que mata


O projeto colonial esfregado em nossa cara

O pacto social abrindo mais essa escara


Voltar para o útero é o desejo

Deitar feito neném chupando o dedo

E sonhando querendo ser alguém


Mais um gole que engole

Os olhos marejados, distantes, calados

Olhos silenciados, domados, esquecidos

E são apenas 8h da manhã


E a moça passa cheia de graça com suas sacolas e até dá uma esmola

Tira foto das flores, das frutas, das cores

Só não consegue registrar aquelas dores

Não dá tanto like quanto sua vida de ilusão


Então vira a esquina

Não quer fazer parte dessa desgraça

Mas aquele olho roxo não sai de sua memória

Aquele rosto sangrando, jorrando talvez o alimento mais nutritivo do dia

Insiste em atormentar a sua paz


E o sol bate e reflete naquele vermelho pobre

Naquele vermelho fraco

Naquele vermelho sangue

Simulando o início de mais uma aurora


E do outro lado, há alguns metros

Toda a imponência, riqueza e miséria

Do espaço dos lobos

Da vila dos lobos


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

"não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa"

https://www.instagram.com/p/CAECBnmHlNb/



"não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa"


(Em meio à quarentena, filho, cachorros, trabalho, estudos, casamento e zás, voltei para esse tal do dia 10. Pois bem, leiam o texto do Inumeráveis, o último que fiz de coração sangrando, sobre minha tia que deveria estar aqui, mas não está mais. Não sei se conseguirei escrever mais, nos próximos dias 10. Não sei, Nada mais importa, sabe? Beba água.)

O BRASIL JÁ TEM MUITO MAIS QUE 100.000 MORTOS POR CORONAVÍRUS.

domingo, 9 de agosto de 2020

Memória olfativa ou Há cheiros que são poesias

O cheiro de bolo quentinho que inunda a casa a tarde, se mistura com o aroma de café recém passado, e me transporta para outro lugar, outro tempo...
Sinto aconchego, um afago na alma,
Um abraço que não vem dos braços, mas das narinas, da memória, da imaginação.
Não é apenas cheiro de bolo caseiro de laranja ainda no forno, é perfume de infância, de uma cozinha de chão de cimento queimado - que antes de ser moda, era uma solucao de baixo custo para casas populares.
De raios solares entre frestas atravessando a janela, permeando a cortina de rendas e fazendo delicados desenhos de sombras enquanto ilumina o cômodo. 
O filtro de barro, a geladeira azul, a cortina de canudilhos e a velha chaleira, apoiada no balcão.
Meus amados avós. 
O chocolate quente e as histórias de ninar que compunham meu ritual noturno.
Carinhos quentes.
O cheiro traz lembranças... Como tudo que é efêmero, impalpável. Não escorre pelas mãos, mas se dissolve no ar, flutua, eleva-se, e vai-se embora.




sábado, 8 de agosto de 2020

Rostridades y resonancias. Cartografías de amor

Rostridades y resonancias:

Momentos atractivos:

Usted sabe que, si compartiéramos el espacio geográfico, haría lo posible por atrapar tiempos, por crear momentos que lo hagan sentir que estar conmigo es más atractivo que sus rutinas cotidianas.

Historias dignas:

Usted sabe que nuestro encuentro efímero e intenso, queda acordonado a mis experiencias dignas de ser narradas, de ser transmitidas a aquellos para quienes la vida es un pendular de vivencias repetidas.

Aquí y ahora:

Usted es un corte en mi experiencia, una resignificación del afecto en las relaciones, una vivencia del aquí y ahora, del “esto es todo”, de “el futuro no existe”, de “el pasado ya fue”.

Cartografías:

Usted sabe que la geografía es un aspecto, que hace la diferencia en la intensidad del encuentro, en el contacto con los cuerpos, en el chiste malo, en la anécdota compartida…

Usted sabe que siento algo por usted. Sólo en ese espacio tiempo compartido, en el aquí y ahora.

Le hablo a usted:

Usted sabe que quisiera esa geografía compartida, esos aquí y ahora, esas intensidades efímeras, esos roces de cuerpo, esas energías, sucesivamente, día a día, con usted. Sí, le estoy hablando a usted.


Laura Paez

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

El recuerdo que dejó Nezahualcóyotl

        Las civilizaciones de América precolombina se caracterizaban por una visión unificada del cosmos y de la vida. Así como el amanecer y el atardecer son etapas del día, que evoluciona cíclicamente con el paso del tiempo, los ciclos del nacimiento y de la muerte no representaban para ellos, más que etapas complementarias de la Vida Una.

        Mayas, toltecas, aztecas o incas, solo por mencionar las más conocidas, enfrentaban la vida sabiendo que esta era un campo para librar batallas y adquirir experiencias. Recolectar vivencias que permitieran fortalecer las alas del alma (pues la representaban con el colibrí, la mariposa, el águila o el cóndor) y emprender un vuelo de regreso al Sol una vez desencarnadas.

        La cultura configuraba las experiencias personales y compartidas, las encausaba y daba sentido. La tradición, como si de un hilo dorado se tratara, era transmitida por los mayores -aquellos que habían atesorado vivencias trascendentales- a los nuevos brotes de la sociedad; para que estos crecieran y dejaran frutos al pueblo, a las nuevas generaciones. Se hilaba así la memoria de los pueblos, que conformaba su propia historia. Una historia vivida en la tierra pero con miras en el cielo; una historia escrita en este mundo "ilusorio y pasajero", pero cuyas palabras eran la voz de lo divino. Se vivía en la civilización gracias a los antecesores y por ellos se debía mejorar el mundo... por los que venían.

       Así, con esta introducción, hoy les comparto un pequeño poema de Nezahualcóyotl, el poeta azteca.


Recuerdo que dejo


¿Con qué he de irme?
¿Nada dejaré en pos de mi sobre la tierra?
¿Cómo ha de actuar mi corazón?
¿Acaso en vano venimos a vivir,
a brotar sobre la tierra?
Dejemos al menos flores
Dejemos al menos cantos.


¿Podremos hoy nosotros dejar al menos flores y al menos cantos para hacer de este un mundo nuevo y mejor?

Franco P. Soffietti

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Chegar

Tem um fio de esperança preso na canção;
se eu puxo arrebenta.
Lavo a roupa, a verdura, lavo o chão.
Penso que amanhã
Vai dar mar.
O carnaval virá!?
Passou, passou, vai passar.
O cheiro de cândida escorre pelas mãos e desbota meu samba poesia.
O pano na boca sufoca o ar, filtra o vento-palavras, come minhas vontades e da preguiça sonhar.
Hoje, ouvi poema seu e respondo no peito meu.
Tuas palavras, minha chegada.
No teu olhar sorriso vejo a caminhada de cabeça baixa, um olhar querença e o lábio sorriso disfarçado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Quartinho de despejo – De onde nascem as minhas histórias

No bloco de notas do meu celular tem uma pasta chamada Quartinho de Despejo, uma homenagem ao Quarto de despejo: Diário de uma favelada, livro da autora mineira Carolina Maria de Jesus. No livro, ela relata suas vivências na favela do Canindé, em São Paulo. No meu quartinho de despejo, eu jogo frases soltas, trechos de conversas partidas que ouço, anotações, argumentos e insights para possíveis histórias:

1

Quando a guerra acaba, o dramaturgo tem que ver a morte de perto.

2

Deus esperava mais de mim.

3

I’m sorry, desculpa, sinto muito.

4

A noiva joga um buque. O noivo, uma caixa de uísque.

5

Uma história de amor que não deu certo - os dois assistindo uma apresentação do Cirque du Soleil com todos os bailarinos nus.

6

Oi, Meu nome é tal, escreve como fala.

7

A fulana microgerencia muito quando ela é líder...

8

Nomes para personagens: Elídio, Eliezer.

9

Duas garotas ouvindo a mesma música, dividindo um fone de ouvido no ônibus.

10

O cigarro é o único careta que eu encaro.

11

Tem gente que já anda de máscara.

12

A coisa só se resolve pelo abandono.

13

Estava cortando cebola, quando o celular tocou.

Se não anotar, a gente esquece. Por isso, tenha sempre um caderninho e caneta por perto (tem autor que sugere deixar um caderno ao lado da cama para anotar imagens dos sonhos). Ou abra o bloco de notas do celular. Meu amigo, também escritor, Cícero Belmar, sempre anota uma frase com potencial de virar fala de personagem ou mote para uma crônica ou conto. E se a gente está numa mesa de bar, ele pede uma caneta ao garçom e puxa um guardanapo. Uma história pode nascer a partir de disparadores os mais diversos: um quadro, uma música, uma cena que vemos na rua, uma frase que alguém solta ao telefone etc. Quando estou desenvolvendo algum texto ficcional, sempre recorro ao meu Quartinho de Despejo para ver se posso aproveitar alguma anotação. Lá, tem frase que pode ser o início de um conto, o título de um poema, a fala de um personagem. Por exemplo, você pode começar um texto usando a frase 13 do meu bloco de notas: Estava cortando cebola, quando o celular tocou. Vamos lá, não tenha medo da folha em branco, ninguém está vendo. Pegue papel e caneta ou abra uma nota no seu celular ou uma página de texto no seu computador. Se quiser, pode usar um dos nomes do item 8 na história, eu deixo. Quando terminar, pense num título para a narrativa.Todo mundo pode escrever. Criatividade não é um dom, é uma habilidade. Para uma pessoa cantar ou tocar algum instrumento, ela precisa estudar e treinar incansavelmente. Para quem deseja escrever não é diferente. Só se aprende a escrever escrevendo. E lendo, claro. Criatividade é a capacidade de ver o mundo de novas maneiras, fugindo do lugar comum. Pensar diferente é fundamental. Qualquer pessoa pode escrever um texto criativo. Para isso, existem cursos livres de Escrita Criativa pelo Brasil afora, que ajudam as pessoas a desenvolverem textos ficcionais, a partir de técnicas e da prática da escrita, sejam poemas, contos, novelas, romances, textos dramáticos, roteiros.

Merchan: já estão abertas as incrições da turma de agosto do meu curso online O salto na folha em branco. Começa na próxima terça-feira, 11. Mais infoemações: https://www.sympla.com.br/o-salto-na-folha-em-branco---escrita-criativa__914325

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Chaguinhas

Se você anda pelo centro da cidade de São Paulo atualmente a última coisa que espera é encontrar vestígios da escravidão.  

Pois aqui estou, saindo do metrô e passando em frente à capela de Santa Cruz dos Enforcados, no bairro da liberdade.

Aqui quando se fala em bairro da liberdade a maioria associa aos imigrantes japoneses, coreanos e chineses. 

Porém, num passado um pouco mais distante aquela região era ponto onde se localizava a forca, o pelourinho e um cemitério para enterrar os escravos.
 
Ali os negros sentiam pavor ao observar os horrores proferidos pelos senhores e seus capangas. E foi pra lá onde levaram o soldado negro revolucionário, Francisco José das Chagas. 

Em tempos onde se costumava perdoar um homem caso a forca arrebentasse, Chaguinhas sobreviveu! 

Depois trouxeram uma segunda e terceira corda que também partiram. Verdadeiro milagre diante do povo que clamou pela libertação do homem aos brados: Liberdade! Liberdade! 

Apesar de tudo, quatro milagres era pedir demais aos deuses. Logo desistiram do enforcamento, o cabo foi morto a pauladas e esquartejado a fim de servir como exemplo a quem se rebelar. 

Pelo visto não deu muito certo. 




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Referências: 

http://memoriasantista.com.br/?p=2691

https://almapreta.com/editorias/realidade/marco-da-historia-negra-no-bairro-da-liberdade-capela-dos-aflitos-faz-241-a-espera-de-reforma-e-memorial

https://www.cartacapital.com.br/educacao/liberdade-concentrava-forca-o-pelourinho-cadeia-e-o-cemiterio-dos-negros-na-escravidao/amp/

http://www.pretaenerd.com.br/2020/04/indivisivelmariliamarz.html?m=1


sábado, 1 de agosto de 2020

Sobre todas as pétalas que vão cair


Alguns dias, por mais ensolarados que estejam, acordamos meio murchos e ressecados.

Era cinco de julho, um dia antes do meu aniversário. Levantei cheio de questões e dúvidas. Vinte e cinco anos de existência, um quarto de século. O que eu havia feito até ali? 

Dizem que a crise chega aos trinta, será que era uma crise intermediária?


Preparei meu café e fui até a janela olhar a paisagem. As ruas estavam vazias sem qualquer sinal de vida. Apenas as folhas nas árvores tremulavam suavemente com o vento.  Mas tudo permanecia quieto, o tipo de calmaria que só uma pandemia era capaz de trazer. E foi a suculenta, que eu deixo na janela, que me chamou atenção.


Eu não tenho muita paciência para plantas, só a ideia de ser responsável por algo além de mim mesmo me repele, mas ela havia sido presente de uma amiga, então eu tinha um certo carinho pela suculenta. Suas pétalas vermelhas e vivas traziam um charme especial para o quarto e meu trabalho se resumia a regá-la uma vez por mês. No restante do tempo ela ficava na janela e a natureza se encarregava de todo o resto.


Mas não havia chovido nos últimos dias, e o sol estava forte. Algumas pétalas estavam secas e murchas. Quantas plantas eu já não havia deixado secar e morrer, percebendo só quando já era tarde demais? Decidi pegar um pouco de água para regar a suculenta.


    -    Suas pétalas estão meio secas… - comentei enquanto regava a suculenta
    -    
    -    Acho que deveria ter te regado mais. Mas olha, as que já caíram estão nascendo de novo.
    -    


A maioria das pétalas que já estavam mortas haviam caído sem muita cerimônia, se amontoavam na terra e servia de adubo para as novas que iam crescer, mas algumas continuavam presas. Por mais que não tivessem mais vida, permaneciam grudadas


    -    Tem algumas presas ainda. Dói retirar?

    -    ...

    -    Acho que to cheio de pétalas murchas e secas também. 


Fui retirando pétala por pétala, e pensando sobre o porquê de cada uma delas.
Essa daqui está escondida e não via a luz do sol. 

Essa outra não tinha espaço para crescer. 

Comecei a analisar minhas próprias pétalas. Será que cada uma murcha e sem vida em mim era uma escolha errada? ou talvez apenas falta de cuidado?


Depois de retirar todas as pétalas, a suculenta parecia menor, um pouco debilitada. Mas dava pra ver novas crescendo.


    -    Talvez seja um processo necessário, né? Retirar o que não serve mais.
    -    
    -    Daqui a pouco suas pétalas crescem de novo, e você volta a ser tão bela quanto antes. Prometo          prestar mais atenção e regar com mais frequência.
    -    
    -    ...
    -    Algumas pétalas sempre vão cair. E tudo bem.