segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ainda

A primeira sentava na minha frente na sala de aula. Na frente de todos, pra falar a verdade. Dava aula pro primeiro ano e me ensinou a amar antes que eu aprendesse a soletrar. Nossa relação era impossível, mas meus sete anos não me permitiam ver isso. Sofri. Calado, mas sofri. A segunda sentava atrás de mim na classe. Uma aluna, dessa vez. Colega, mesma idade. Primeiro beijo. O romance durou um ano até ela resolver namorar outro. Um amigo meu. E depois outro. E outro. Primeiro beijo e primeira decepção. Demorou pra me recuperar. Anos depois, outra amiga de escola. Já tinha até um bigodinho. Eu, não ela. Mas me achava mais adulto do que realmente era e errei feio. Outro tombo. Ela preferia os alunos que já estavam no colegial, aqueles com um pouco de barba. Meu corpo agia contra mim.

Quando cheguei ao colegial fui gostar logo da menina que já namorava. Sempre, sempre fazendo boas escolhas. Mas algo mudou na faculdade. A timidez deu lugar a uma desenvoltura fingida. Dava certo, dava. Conheci uma garota. Estávamos sempre juntos. Não éramos namorados porque, honestamente, nenhum de nós tinha parado pra pensar nisso. Calor da juventude, talvez. (Já tenho idade pra falar isso?) Pois bem. Um dia ela apareceu com um anel de compromisso. Hoje vejo como essa ideia – anel de compromisso – é besta, mas na época me abalou bastante. Tanto que o filme que passava na nossa frente, ótimo, desceu bem indigesto. Demorei anos pra voltar a vê-lo. Traumas da juventude. (Sério, posso?)

A próxima não demorou tanto. Noivado desmanchado pelo outro. Ela viu em mim a chance de recomeçar. Eu vi nela a chance de ver uma mulher com pouca roupa em muitas ocasiões. Durou pouco, mas foi intenso. Explosivo. Como eu nunca tinha namorado, achei que estava tudo certo, mas em algum ponto aquilo de terminar e voltar me pareceu estranho. Na quinta ou sexta vez, acho. A melhor coisa que ela fez foi terminar comigo. Ombro dos amigos e outras partes de algumas amigas. Não convém entrar em detalhes, mas a vida era boa de novo. Até que aparece outra mulher, mas ela se muda para longe. A dor da separação, agora geográfica. Depois, outras. Umas que apareceram por acaso, outras que marcaram pra valer. Noites mal dormidas e noites não dormidas. Uma casou. A encontrei por acaso um dia e me contou que estava grávida. Deu pra ver que esta feliz. Outra casou, mas não está tão contente assim. Talvez fosse ela. Talvez fosse eu. Agora não somos nós.

Em algum ponto do trajeto, comecei a observar mais as pessoas. De repente, assim eu entenderia melhor o problema. Se houvesse um problema. O que vi foram casais que juntam e separam de acordo com a estação do ano, outros que são compostos de três, às vezes quatro pessoas ao mesmo tempo. Foi quando passei por uma frustração ideológica. Se essas eram as condições pra um relacionamento, eu não queria. Os amigos me mandaram parar de frescura e passaram a me apresentar pra outras mulheres. Cansei depois da terceira tentativa furada. Talvez eu seja muito chato, talvez muito exigente. Não sei. Só sei que não desisti. Ainda encontro a fórmula do amor.