terça-feira, 17 de dezembro de 2013

7 motivos para odiar almoços coletivos

Almoços coletivos podem ser definidos como uma galera que tem a feliz ideia de almoçar junta para criar tumulto comemorar alguma coisa. É muito comum nesta época do ano, em que todo mundo quer reavivar o espírito natalino, a partilha, a união. Se usa muito na firma, nas turmas de pilates, nos grupos de oração, nas turmas de 10 anos de formados. Tem também na modalidade: jantares coletivos. Ao receber convite para esses eventos, fuja fique atento:

1. Onde comer
O problema com o lugar começa com a reserva. Os restaurantes odeiam almoços coletivos e, por isso, costumam dificultá-los. Poucos lugares estão preparados para comportar esse tanto de gente (QUE INSISTE EM SENTAR NA MESMA MESA GIGANTE, falemos já disso). Há lugares que não fazem reserva, ou, quando fazem, torcem o nariz se metade do grupo ainda não chegou no horário marcado. Atenção: toda essa revolta marcará o atendimento para sempre.

2. A diagramação das mesas
Deus é onipresente. Você não. Partindo do princípio que somente um corpo pode ocupar o mesmo lugar no espaço e de que o ambiente não é rotativo (não inventem almoços coletivos com lugares rotativos, porfa, isso não é uma ideia), você vai conversar no máximo com 6 pessoas – que consistem nas duas ao seu lado, nas três em sua frente e o garçom, isso se não tiver música ao vivo e em alto volume. Se esse for o caso, fique feliz de conseguir conversar apenas com o garçom. A questão é simples: NÃO PRECISA SENTAR TODO MUNDO NA MESMA MESA! Isso não dá a ideia de união, isso desestabiliza o restaurante todo, chama a atenção, faz as demais pessoas odiarem vocês, etc.

3. Ninguém é bem atendido
É importante saber que, numa mesa de almoço coletivo, o garçom está puto. Note bem quando ele só aparece no momento em que todo mundo teoricamente já tem seu pedido e ele fica meio sem paciência quando as pessoas titubeiam (já que ele pediu pra todo mundo se decidir antes de começar a anotar!). Não abuse da paciência de quem pode cuspir/escarrar/colocar catota no seu prato. Saiba que pedir para ele tirar fotos (e só mais umas 5 vezes porque eu não fiquei ‘boa’) vai contribuir para o brinde.

4. Nada vem certo
É difícil as pessoas entenderem o significado de simplicidade. Em um almoço coletivo, isso é quase impossível. Em uma turma de 30 pessoas, é comum 98% não se limitarem às opções do cardápio e pedirem coisas como: um filé de frango com as bordas levemente tostadas e essa salada que acompanha não pode ser batatas fritas no lugar e aí pode trocar esse molho de ervas por um barbecue? E me vê um suco de manga, mas com hortelã, uma rodela de abacaxi, água gaseificada e sem manga, obrigada? Mano, fique feliz se beber apenas xixi.

5. É uma zona
Ficamos de acordo que ninguém conversa com ninguém (reler ponto 2). Mas acontece que não é só isso. Em um ambiente coletivo, os instintos primitivos se exaltam, os perfis caricatos ficam mais aparentes. A piriguete se joga em cima do chefe, animada pelo licor de papaya na entrada, a mulher do chefe se emputece, a loirinha do RH solta aquela gafe máster deixando escapar coisas sobre demissões, tem sempre alguém gritando mais que o tio da pamonha, alguém batendo palma querendo botar ordem, o funcionário novo se esforçando para puxar saco. Nesse samba de criolo doido, ganha mais quem não foi é invísivel.

6. A conta
A hora de dividir a conta é um exímio paradoxo. A divisão por igual facilita a vida, mas é a treva da injustiça. O estagiário pediu omelete sem queijo e engoliu a seco, para economizar o VR, e no final acaba pagando 50tão, subtraído desonestamente pelo arrojo dos mais requintados, ou espertinhos, que pediram banquete já se ligando na conta dividida (os garçons, querendo ver o circo pegar fogo, já trazem a divisão per capita na própria folhinha da conta e estimulam esse pagamento, pra fuder com tudo facilitar a vida deles). Por outro lado, o pagamento de ipsis litteris do que você comeu é um atentado à lógica, emputece ainda mais os garçons, ninguém calcula os 10% e, no final, o último a pagar é sempre o Souza, aquele tio do almoxarifado que nunca liga de pagar a mais, mas antes de aposentar ainda pode fuzilar geral com uma escopeta pelos anos de injustiça cometida ao seu bolso nos almoços coletivos.

7. O Parabéns/O Amigo Secreto/O Discurso
São momentos constrangedores. Ponto. Ninguém precisa disso. Nem as outras mesas precisam escutar que ‘Soninha é uma guerreira, que fará falta’, ou que ‘É só uma lembrancinha, pode trocar se não servir’. As caras de tacho diante do presente, ou a moleza de quem canta parabéns odiando o aniversariante, tudo isso está sendo flagrado por mesas alheias, pelos garçons, pelas câmeras do Juízo Final.

*foto ilustrativa. Diz que é a tentativa de almoço recorde na Austrália, com 5 mil pessoas. Corra pras montanhas.

Por fim.
O almoço coletivo é um grande zoológico. Apelo: não compareçamos. Se cada um fizer a sua parte, eles acabam por falta de quórum.