domingo, 17 de janeiro de 2010

Vermelho, pare

Eu ando muito rápido. Desço a rua no embalo e vou seguindo, desviando do caminho os postes, os lixeiros, as coisas. No meio do caminho. Contornável.
Mas em uma tal esquina eu sempre paro. Nunca encontro o sinal fechado. Fechado para eles, aberto para mim. Sempre verde para eles. E eu paro.
Olhando para aquela fila quase sem fim, esperando. Estou a vida toda a esperar. Esperando que passem, para atravessar.
Já me ocorreu furar a fila, atravessar correndo.
Doida, espera. E ele me puxa a mão.
Paro e aguardo os carros passarem. A vida passar.
Nesse meio tempo, a vida me passa pela cabeça.
Na minha cabeça, o impulso.
Impulsiva, impulsiona-se na rua a menina impetuosa.
Boba. Balanço a cabeça. Espero.
Espero que passem. O sinal demora. Quando vou?

Ve