quinta-feira, 24 de março de 2011

0800

Tocou a campainha por duas, três vezes. Impaciente com a demora deu dois toques fortes na porta. Ouviu um “Já vai!”. E a doce voz, o encantou como sempre. Ela abriu a porta, sem tirar o pega-ladrão. Mas foi o suficiente para ver sua camisola transparente, e seu olhar penetrante.

- Está atrasado!” – disse ela.

- Trânsito! Posso entrar?” – respondeu afobado.

Ao entrar notou a cama bagunçada, e alguns preservativos espalhados na mesa. E isso lhe trouxe uma súbita fúria. Alguém esteve lá antes dele. Enquanto ela se distraía mexendo em sua bolsa, ele procurava traços do visitante indesejado.

- Algum problema? – ela perguntou num tom arrogante.

- Quem estava aqui com você?

- Não é dá sua conta, querido! – com o som abafado entre o gole de um uísque barato.

- Era um homem né? Um homem! Sua piranha!

Ela o fitava num tom desafiador. Com um sorriso no canto dos lábios que o deixava ainda mais nervoso.

- Ele comeu você? Você o chupou? Responde vagabunda!

- Vá se foder! – ela gritou atirando o copo em cima dele.

Foi a gota d’água. Puxou-a pelos cabelos com tanta força, que seus fios louros pareciam nylon sendo içados por um molinete. Ela se debateu quanto pode, nada que dois socos desferidos contra sua face não pudesse interromper. Ele a jogou na cama, rasgou sua pequena camisola e a invadiu com volúpia, enquanto suas mãos apertavam fortemente seu pescoço. Quanto mais forte as estocadas, mais o pescoço era envolvido. Seu êxtase fora rápido, talvez quatro, cinco minutos. O suficiente para deixá-la sem vida. Ele notará com algum espanto, o que tinha acontecido. Porem não havia ali nenhum arrependimento.
Fechou o zíper, arrumou o cabelo. E antes de partir lembrou o motivo de estar ali. Retirou da pequena sacola, duas caixinhas de Lexotan, e pegou da carteira da moça o exato valor dos remédios, mais a gorjeta. Que lhe era merecido.

Conto de Fernando Ferric