terça-feira, 22 de março de 2011

Dois Tipos de Ménage

Das experiências sexuais que já tive na vida, posso garantir que entendo alguma coisa de ménage. O famoso ménage à trois nunca foi algo com que eu sonhava – ver duas garotas se beijando nunca foi uma das minhas fantasias primordiais e imaginar-me num amasso intenso com uma garota e um cara também não me ocorria com freqüência. Eis então que num momento determinado, eu acabei experimentando tanto um quanto outro: envolvi-me numa mistura com duas garotas e também estive com um casal.

Gostei de ambas as situações, não nego. Ambas me excitaram e me proporcionaram sensações diferentes. Com as duas garotas, eu percebi o charme (e prazer) irrefutável de ver duas garotas se desejando com ardor; com o casal, eu percebi que é bom deixar de lado certos preconceitos e se entregar a algo que lhe seja novo – mesmo que, a princípio, seja estranho o contato com outra barba que não seja a sua. Mas, sobretudo, o que as minhas experiências no ménage me ensinaram é que existem, pelo menos, dois tipos muitos simples de ménage: aquele em que ocorre a catálise e, portanto, necessita de um elemento catalisador, e aquele em que os três corpos são como o fenômeno da combustão.

Pode parecer estranho, mas é simples de entender. Vamos ao primeiro exemplo: o catalisador. Como se sabe, uma determinada reação química aconteceria, de acordo com o conjunto de fatores que caracterizam os elementos postos em contato. O elemento A reagiria com o elemento B, ainda que isso demorasse algum tempo. O acréscimo do elemento C – o catalisador – à somatória faz com que os três reajam juntos a princípio, acelerando a reação entre A e B. O que isso quer dizer, na prática: um terceiro elemento é dispensável e o ménage, ainda que seja a três na prática, torna-se a dois efetivamente. Ana e André se desejam desesperadamente e, em comum, eles têm um amigo, João, que é descontraído o suficiente, mas que, como um todo, não agrada aos dois. Mesmo assim, acabam envolvidos, já que João facilita as coisas, acelerando o processo de contato, abreviando as esperas potenciais que existiriam, mas, tal qual o catalisador da reação química, ele age no começo, mas depois de dissipada sua finalidade primeira na reação, ele para de fazer efeito, de modo que a tensão sexual fica apenas entre Ana e André. Vale lembrar que o elemento catalisador é dispensável numa reação química: ela aconteceria eventualmente sem o auxílio dele.

Há também o segundo caso, que é aquele que comparo ao fenômeno da combustão. Como é sabido, são necessários irrevogavelmente três elementos para que o ato de queimar aconteça: o comburente, o combustível e o calor. Na ausência de um desses elementos, a combustão não acontece. Desse modo, pode-se dizer que Ana, André e João estão em perfeita sintonia e que os três nutrem os mesmos desejos (ou desejos muito próximos) uns pelos outros. Numa relação, nenhum teria função de enfeite, nenhum seria preterido ao outro, os três funcionariam juntos e em nenhum momento alguma dessas pessoas se sentiria “menos desejada” ou “posta de lado”, como facilmente poderia acontecer no caso comentado acima.

Por experiência, eu poderia dizer que o melhor ménage é o que se assimila à combustão. Nele, é evidente a sintonia e a predisposição de todos os membros a envolver-se com os outros, numa sóbria comunhão de desejos. Feliz ou infelizmente, não sei, penso já ter participado como elemento catalisador e como elemento fundamental. Quanto a isso, só posso dizer que o melhor a fazer é estar numa combustão viva – que é aquela que sai fogo! A outra não eleva muito, ainda que garante alguma experiência nova