terça-feira, 13 de setembro de 2011

Polemizando na net

Se você ainda não percebeu, a moda agora é ser polêmico; e eu não estou falando em Mamééééélos, pois este sim é um assunto polêmico.

Algum tempo atrás eu tive o desprazer de assistir um vídeo anônimo que criticava o tal do kit gay que estão querendo distribuir para as escolas. O vídeo narrado por alguém que se intitula “O mascarado polêmico” deixa claro que seu objetivo é lutar por uma sociedade igualitária e mais justa – mesmo que isso seja feito por trás de uma máscara e pela militância virtual.

Pra quem ainda não se interou do assunto, o conjunto de materiais didáticos que tratam sobre a homoafetividade, apelidado de “kit Gay”, tem o objetivo de discutir a temática dentro das escolas e contribuir para esclarecimento e educação sexual das crianças. Acho interessante a iniciativa de trazer a discussão para dentro das escolas de um assunto que a vida toda existiu por baixo dos panos. O que não vejo nada de interessante é a forma como vem sendo feito, precocemente, com uma temática que é complicada para adultos e mais ainda para crianças de 7 a 10 anos.

Esse é apenas um dos pontos em que não concordo, assim como não concordo com a forma e as práticas de implementação da maioria dos projetos feitos pelo governo atual e pelo anterior. Inclua aí a já famosa cartilha didática com a (boa) intenção, entre outras coisas, de diminuir o tão presente preconceito linguístico em nosso país.

Apesar de ser uma longa e complexa discussão, o fato maior que me chama a atenção é o fenômeno da não autoria. Com a internet colaborativa 3.0, 5.0 ou #1milhãopontoodiaboaquatro, o número de pessoas que produz conteúdo ainda é muito pequeno e isso faz com que a maior parte das pessoas repassem, divulguem e dêem respaldo a conteúdos de outras pessoas. Até aí tudo normal. Quantas vezes não citamos Chico Buarque, nos descrevemos no profile do Orkut usando Vinícius de Moraes, ou exteriorizamos nosso dia no MSN com frases do Pessoa, Drumonnd ou repassamos os famosos textos que supostamente são do Jabor.

O que eu vejo de perigosos nisso é o fato das pessoas repassarem um vídeo nas redes sociais de um ser que fala em “ditadura influenciativa” e compara o ensino nazista no período de Hitler com o ensino da educação sexual – que por si só envolve as questões homoafetivas – afirmando que precisamos proteger nossos filhos dessa moda para não serem influenciados a virarem gays, como se isso pudesse ser ensinado.

Será que todos os que adoram uma polêmica e postam vídeos como esses sabem que eles estão assinando seus nomes junto de uma pessoa que se propõe a uma discussão séria e sequer tem algum conhecimento mínimo sobre o assunto, sequer tem leitura ou informação, como diz um texto de Silvio Teles que li no site do O Globo, para saber que a grande repulsa da maioria das pessoas que não aceitam a homoafetividade é pensar que ela é uma escolha, uma opção. Entendo que um programa de conscientização da sociedade quanto a esse tema precisa, primeiramente, demonstrar que as pessoas nascem, ou não, homo ou bissexuais. Não se trata de escolha, nem de opção. É mais uma característica do ser, como o é ser negro, ser alto ou ter temperamento tal. Gostar de pessoa do mesmo sexo é uma reação instintiva, somática, de atração física, de desejo sexual, que, de modo algum, pode ser ensinado ou aprendido.”

Ainda na linha do polêmico que não são maméééloss, vi um outro vídeo que defendia a legalização da maconha usando como argumento os possíveis impostos e taxas tributárias que o uso legalizado da erva poderia gerar e consequentemente, tais valores, seriam revertidos em outros benefícios para a população em geral. Claro que muitos curtiram e milhares de “LIKES” foram distribuídos; Eu pergunto que argumento é esse? Alguém acredita mesmo nisso? E mais uma vez várias pessoas deram respaldo para um assunto que sequer leram a fundo e procuraram ter uma opinião mais profunda.

Claro que de certa forma também faço isso e minha timeline do facebook está cheia de vídeos e coisas que eu concordo e repasso.

A internet facilitou e muito a vida das pessoas, encurtou distâncias e proporcionou grande disseminação de boas ideias, mas por outro lado, facilitou a superficialidade em grande parte de assuntos. Grande exemplo disso é a popularização que aconteceu nas redes sociais envolvendo os nomes de autores como o Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector. Dois grandes escritores complexos e profundos que as pessoas “amam” aos montes e uma grande parte sequer leu qualquer uma de suas obras. Ótimo que a internet ajude a divulgação deles e de todos os outros bons autores, mas que haja incentivo para se aprofundarem.

Agora, voltamos com nossa programação normal.

http://www.youtube.com/watch?v=uJpUhN8WW80