quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Eu dei cambalhotas em sua homenagem.

(uma extrapolação de “Only If For a Night” do Florence + The Machine)

Minha corça,
Minha querida,
Meu amor,

Diga-me o porquê desses suspiros?

Eu me lembro da sua risada. Entrecortada, ela aparece entre os meus sonhos, entre os sons que fazem as cordas da harpa que passeiam pelos meus dedos.

Eu me lembro da sua voz, ela me soa clara como o dia. Você me diz que eu preciso me concentrar, que preciso me deixar levar, como me deixei aquela noite. A noite em que fui sua.

Lembro-me da tua pele clara como a Lua, perolada, brilhando à luz nenhuma, como se dela irradiasse energia própria. Como um rito sagrado, como leite derramado, sua pele tocou a minha, e me fez queimar.

Eu me lembro, você se vestia de rosa e ouro. Seu corpo envolvido por um tecido macio, mas que não se comparava (isso eu fui descobrir depois) ao deslizar suave da sua pele.

Eu me lembro do meu corpo, e é como se, antes de você ter me lembrado dele naquela noite, eu vivesse sem percebê-lo. Solto, e aceso pelas chamas do seu toque.

Minha corça,
Minha querida,
Meu amor,

Eu lhe digo o porquê desses suspiros.

Você é um fantasma. Você não estava lá. De alguma forma, eu pude te tocar, te sentir, deixar sua luz me preencher. Meus próprios cerimoniais secretos para te celebrar. In the graveyard, doing handstands.

Eu fui sua. Eu ainda sou. Eu sempre vou ser.

Mesmo que só por uma noite.

Tradução aqui.