sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Três meses para o fim do mundo

Olhou para o calendário e notou: era 21 de setembro.
Pensou consigo mesmo que se os maias estiverem certos, o mundo teria apenas mais três meses para existir.

Mas e as coisas que ele ainda não conquistou? O tão sonhado emprego? Aquela menina bonita? A casa... O carro?

Uma leve esperança também veio dentro dele, com esse pensamento: Tudo de ruim também terminaria!

Sorriu!
Quem sabe essa seria a chance de melhorar aquilo que não estava tão bom?


Resolveu anotar numa folha tudo o que ele ainda precisava fazer, pessoas que ainda precisava ver...

E era muita gente!

Precisava então começar o quanto antes!

De repente se viu tão preocupado quanto as pessoas que viu dando entrevista no Discovery Channel, tempos atrás, num programa sobre o fatídico 21/12/12.

Se sentiu ridículo. Sentou no sofá, e começou a falar sozinho:

- Não... Não... Não! Eu não sou assim! Eu não acredito nisso! Não há verdade nessa baboseira!

Rasgou então a folha. Jogou no lixo da cozinha. Mas não tirava os olhos do cesto.

Era incrível a angústia que tomara conta do seu ser. Pegou o celular e ligou pra uma discagem rápida qualquer. Ligou pra Linda, amiga de longa data. Que dormia ainda.

- Alô... 
- Oi... Linda? 
- Pois não... Quem é?!

A vontade era perguntar "quem me enche a uma hora dessas", mas mesmo no mau humor típico de quem acaba de acordar, preferiu ser mais agradável.

- Oi Linda, sou eu! Desculpa eu te ligar a essa hora, mas...

- Fala, seu mala!

- É que tô meio preocupado com uma coisa...

E nos próximos quinze minutos explicou o quê o atormentava.
Contou da lista (que parecia ter vida própria e olhava pra ele, do cesto), das pessoas que ainda precisava ver, das coisas que precisava conquistar...

Linda ouvia, do outro lado da linha, meio incrédula no que ouvia.
Seu amigo sempre havia sido "pé-no-chão". Que loucura era aquela agora?!

- Olha... Faz o seguinte... Esquece isso. Ainda faltam três meses para que isso aconteça. Não esquente com isso. Vá viver, ter uma vida!

Ele ouvia atentamente a cada palavra de sua amiga confidente.
Era aparente o fato de que cada palavra por ela proferida, estar fazendo efeito.

Três meses...

- Mesmo que o mundo acabe, enfim... - E Linda riu, do outro lado, lembrando da música!

- É... Você tá certa! Um beijão e obrigado por me ouvir!

Os celulares foram desligados.

Resolveu deitar-se no sofá, olhando para o ventilador do teto, que rodava vagarosamente.
E repetiu num volume, nem tão alto, nem tão baixo, mas que ele mesmo pudesse ouvir:

- Três meses... Três meses...