sábado, 6 de outubro de 2012

Memorabília.

boloEu entre minha mãe e meu pai, no meu aniversário de dois anos.

Tenho 18 anos, completados em Março último. A maioria das coisas está fresca em minha memória, mas há algo de neblina nela quando olho para minha infância.

Tenho cicatrizez dela. Na minha barriga, quando uma queda de bicicleta me custou um corte feio nos arredores de casa. Costumava ter outra no tornozelo, conseguida num tombo na casa do meu tio, que conseguiu a proeza de sair dessa minúscula casca de ovo chamada Itatiba para morar em uma ainda menor, chamada Descalvado. Constatei agora mesmo que ela desapareceu.

Da infância, me lembro da eletricidade. Da disposição para tudo. Das brincadeiras que faziam do quarteirão uma cidade a ser protegida pela polícia, montada bravamente em seu patinete. Sim, eu tive um patinete (está permitido rir nesse momento).

Lembro de ouvir MPB com meus pais, de Chico Buarque à Elis Regina, passando por Ney Matrogrosso (favorito da minha mãe, e trilha sonora das tardes de semana com “Bandoleiro”) e Lulu Santos (favorito, por sua vez, do meu pai, que me embalou desde os primeiros anos com “Sereia”).

Lembro-me também de sentir medo, a cada vez que minha mãe me deixava passar do horário e eu via meus primos assistindo algum filme de terror, juntos no quarto. Medo da sessão de horror da locadora, dos posters de Chucky, o boneco assassino, pendurados na parede do lugar. Lembro de minha mãe fazendo aniversário em uma sexta-feira 13 (de Agosto), e insistindo que eu assistisse “A Hora do Pesadelo” ou uma de suas infindáveis continuações com ela. Eu não conseguia. Via flashes, e ficava aterrorizado.

Até hoje, quando tenho pesadelos, Freddy está lá. Até hoje, quando quero, meu quarteirão vira o que quer que eu queira que ele vire. Mas, ao invés de montar meu patinete, empunho minha caneta. Certas coisas nunca mudam.

E talvez minhas tardes não sejam mais regadas a MPB, mas ela ainda me leva a um tempo que tenho o mais absoluto medo de esquecer.