domingo, 9 de dezembro de 2012

Ausência

Frio. Solidão. Escuridão. Ausência de luz. Tudo isso me causa medo. Por não enxergar, por não saber onde as coisas estão, por não poder vigiar, controlar. Sim, gosto de saber de tudo, onde está tudo, quem fez o quê. No entanto, essa condição de ausência de luz lembra minhas ausências. Suor. Frio. Calafrio. Taquicardia. Distonia. Nervosismo. Acessar minhas ausências me dói. Dói ver que não sou completo, perfeito. Dói olhar e não ver. Dói estar de olhos abertos, mas não enxergar por uma limitação externar. É isso! Essa ausência revela algo maior, uma ausência de amor. Amo do lado de cá e o outro lado não ama, não está aberto, está escuro. Percebo, só agora, que há uma diferença entre escuridão e ausência de luz. Parece-me que escuridão é aglomerador, grande, vasto. Cabe tudo. Escuro. Sem enxergar, contudo cabe algo. Enquanto ausência, dói justamente, por revelar na pequenez a falta de. Pronto, assumo: ausência de luz é revelar a ausência que há em mim diante da escuridão que há em ti. Porque ausência é falta. Luz é norte. E ausência de luz é vazio, é ausência de ti.