quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dá licença, meu senhor


Das sacadas dos sobrados da velha São Salvador, eu via com amor os pontos turísticos que não visito mais. O Pelô e o Mercado são áreas mapeadas por mim. Mas a cidade não acaba aí e ainda guarda muito do adolescente que passava as noites no Campo Grande à procura de sabe-se lá o que.

Hoje, pós-adolescente, ainda me impressionam as casas, as ladeiras e a magia da mesma forma que antes e acredito que sempre. A Bahia, assim como Minas, guarda uma qualidade de Brasil que é das coisas mais bonitas que há. Como uma estrutura fundamental na nossa formação de país, a Bahia tem muito de tudo que sempre é ressaltado da nossa personalidade. O cerne, o viço da nossa maior miséria e maior alegria.

E a magia. Ali você sente quando pisa. A Bahia tem mistério. Essa palavra quase em desuso se desfaz de qualquer clichê das situações em que já foi usada. A Bahia me chamou. Essa viagem surgiu do acaso dos acasos e eu imediatamente respondi a ela, entendendo o chamado. A dor de amor que eu havia de deixar no dia de Iemanjá. O nó na garganta que ficaria no Rio Vermelho. O cortejo que eu precisava receber no Porto da Barra. O aconchego da casinha no Campo Grande. As lembranças que a orla traz: Amaralina, Ondina, Pituba, Piatã, Itapuã, Boca do Rio.  Em todo momento o menino-eu está lá, desde os 13 anos descobrindo tudo sozinho, andando por todos os cantos de manhãzinha e só voltando pra casa (seja ela na Vasco da Gama ou lá longe na Valéria) ao anoitecer.

Entendi seu recado. A força secreta daquela alegria foi lembrança precisa e recuperada. Dá licença, meu senhor pois pra saber seus segredos serei baiano também.