quinta-feira, 6 de junho de 2013

Diane Young

Eu odiava suspense, e suspense era justamente a especialidade dela.

Diane Young ainda estava na fase de poder dizer que tinha “vinte e poucos” (eu, por outro lado, tinha acabado de entrar na parte em que é preciso começar a dizer “quase trinta”). Meu amigo Ezra costumava dizer que aquela garota era o amor da minha vida. Eu tinha minhas dúvidas.

Eu tinha motivos para isso: Diane vivia me perguntando porque eu gostava tanto dos filmes noir dos anos 50, e sempre olhava feio para o meu pôster da Grace Kelly pendurado à cabeceira da cama. Mas ela amava Hitchcock, e não parecia ver problemas na Grace quando ela estava em Janela Indiscreta. Não me entendam mal, hitchcockianos, mas eu realmente odeio suspense.

Aquilo combinava com ela. Diane era o tipo de garota que te deixava o tempo todo na ponta dos pés, tentando adivinhar o próximo passo. Ela passava a mão pelos meus cabelos ruivos e olhava dentro dos meus olhos verdes, e justamente quando eu estava esperando que ela me dissesse o que eu queria ouvir, ela me vinha com um: “Irlandês e orgulhoso, naturalmente”.

A verdade, caro leitor, é que eu tenho a sorte de um membro da família Kennedy. E eu sabia, eu simplesmente sabia, que um dia Diane Young iria embora. Iria achar alguém que gostasse de Hitchcock e a fizesse dizer algo mais romântico do que “irlandês e orgulhoso, naturalmente”. E tem mais: eu nunca estive com ninguém por mais de alguns meses.

“Se Diane Young não te fazer mudar de ideia, você pode pegar uma carona no tempo”, me disse Ezra um dia desses. Acho que eu acabei seguindo esse conselho.