sábado, 21 de dezembro de 2013

Partindo. Sem rumo. Uma certeza.

Resolveu juntar as lembranças que ainda restavam, e colocar tudo na bolsa.
Não tinha mais por quê juntar tanta coisa. Tanta coisa que parecia tão importante...
E ao final das contas, percebeu que havia dissipado.

Não.
Não precisava mais juntar teias de aranha em ideias que julgava serem novas.
Coisas que envelheceram, que perderam o brilho, havia muito tempo, mas que só agora ela começou a notar.

Tempo de recomeçar.
No novo rumo, no novo caminho, pra onde iria, e do jeito que iria, ia poupar espaço pro que realmente era importante. Pra quem realmente era importante.
Pra quem ganhava importância.

Isto posto, hora de checar as malas.
Tava tudo ali.

Tanto tempo se passou. A idade já não era a mesma. Nem o tempo.
Tudo mudou. Só ela não percebeu.
Mas ainda era tempo.
Bastava organizar tudo no seu devido lugar.

Quando se joga o lixo da despensa, o vazio da limpeza tende a ser melancólico, mas com o tempo se acostuma.
E deveria ver aquele vazio como nova oportunidade de encher com o novo que haveria de vir. Sim. Quer acreditar nisso, e por isso realizou a faxina.

Uma ultima olhada pra casinha que tanto tempo amou. Lugar que trazia segurança, aconchego... Mas que agora significava um passado distante, que ficava para trás...

Que precisava ficar pra trás, ainda que ela não quisesse assim...

Liga o carro. Olha pra frente.
Novos horizontes, novas realidades, novas histórias.
O que vinha, valeria a pena.
O que vier, haverá de valer.