quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lady Gagá

Nunca gostei de pensar na velhice, sempre tive pavor. Sei que é inevitável, o curso da vida, que todo mundo morre. Que não precisa ser idoso, basta estar vivo. Mas sempre pensei que quando se é velho, essa certeza do fim é muito mais iminente. Que encarar gradativamente a perda da própria cognição e coordenação motora, ou observar o corpo se degradando é aterrador. Imagine, então, encarar a constante possibilidade do fim.

Até que esses dias, li que o ser humano começa a envelhecer aos 27, já que o auge de suas capacidades mentais é atingida aos 22, mantendo-se estável por mais 5 anos. E que, em contrapartida, a expectativa de vida está consideravelmente mais longa do que há algumas décadas, sobrando muito mais anos de mediocridade mental pela frente.

Essa notícia, ao invés de me aterrorizar, tranquilizou-me. Concluí que se eu chegar a ficar velha, vou ser mais burra (ainda) e que, se eu tiver sorte, nem me darei conta de me preocupar. Também estarei mais cega, o que possivelmente me fará fazer vista grossa para os efeitos nocivos da gravidade. Pagarei meia entrada, viajarei de graça e terei as melhores vagas de estacionamento à disposição. 

E já que não tenho outra escolha, é isso ou morrer logo, melhor  parar de pensar a respeito. Pronto, parei.