sábado, 9 de agosto de 2014

Sobre o medo


Sugestão: ler ouvindo "Pequeno Mapa do Tempo", de Belchior 



Todos nós temos, em um grau ou em outro, algum medo. Quando crianças, temos medo do escuro, do bicho papão, da mãe descobrir que a gente aprontou, do homem do saco. Quando adolescentes, temos medo de levar um fora do/a carinha/mocinha que gostamos, de tirar nota vermelha na escola, de não sermos aceitos no grupo. Quando adultos, temos medo de perder o emprego, de assalto, do fracasso, da solidão.



Algumas pessoas possuem medos estranhos, como de pássaros, de lugares cheios ou apertados ou amplos, de dirigir, de altura, aranha, avião, espíritos, palhaços, etc... 
Aprendi que o medo pode ser benéfico por nos alertar de perigos eminentes. Mas ele também pode ser ruim, quando se torna fator limitante de nossas potencialidades. É claro que o conceito de perigo pode ser bem relativo, assim como a diferença entre o cara prudente e o cagão (sem falar nos medos patológicos).
Lembro de uma frase muito bonita que li uma vez (não lembro a autoria, deve ser Clarice Lispector ou Chico Xavier): "Tenho medos bobos e coragens absurdas".  Deixando a coragem para um outro mês, assumo que tenho vários medos... Um deles é de ETs; um outro é o de não ter tempo suficiente nessa vida pra fazer tudo que desejo - Os desejos também posso compartilhar com vocês no dia nove de algum outro mês.
Outro medo está relacionado com a ameaça que tenho sentido de perder minha liberdade. Podem me chamar de exagerada, mas estou cada dia com maior impressão de que estamos em um Estado de Exceção: Prisões arbitrárias, projetos de lei criminalizando protestos, toque de recolher... Como diz Belchior, "eu tenho medo que chegue a hora que eu tenha que entrar no avião" para me exilar em outro país. Caso seja necessário, já fiz minha escolha: vou pro Uruguai. Bora?

Quer ler mais?
Sobre leis que preveem criminalizar protestos políticos: http://www.brasildefato.com.br/node/27847