quinta-feira, 29 de setembro de 2016

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Às vezes custo em acreditar. E fico naqueles: é isso mesmo? O golpe aconteceu de verdade? Não, não pode ser. Em algum momento devo acordar e de repente alguém vai dizer que é mentira. Foi pesadelo.

Não é que fosse fã incondicional da suposta democracia, menos ainda que creditasse tanta veracidade, compromisso, honra, justiça e equidade nas instituições. Mas admito que tenha demorado a crer na articulação descarada e desmedida de atores políticos aliados a condição de classe social mais que abastada para concretizar outro golpe nos trabalhadores.

Sim. Chegarão 2050 e vou continuar a dizer que no ano de 2016 foi golpe. Golpe nos trabalhadores. Golpe para retirar os direitos sociais. Golpe para suprimir os direitos trabalhistas. Golpe e mais golpe...

Escrever sobre eleições neste momento me causa um desconforto horrível. Falar sobre votos nem se fala.   Não tiro a razão de quem não queira votar. Não justifico em hipótese alguma o quanto seria prejudicial anular ou deixar em branco.

Neste domingo fazer qualquer coisa é mais interessante, importante e verdadeiro do que votar. Talvez em algum momento da vida, faça (de novo) o mesmo.

Mas não será agora.

Não será neste domingo que votarei nulo, branco ou simplesmente irei vazar do mundo para qualquer canto. Não será desta vez que deixarei de escutar aquele trililim, trililim da maldita. Não será neste domingo que não gastarei as 18 pilas que não tenho para pagar a passagem. 

Não será.

Então, se já decidiu que não vai votar, sugiro parar a leitura agora.
Volte aos afazeres de minutos antes. E sem problemas e rancor tá. Até sugiro que apareça no próximo mês ok?

Agora se vai votar e está em dúvida, não tem candidato, não sabe quem é quem, ou quer apenas um número decente para apertar o maldito botão. Então venha se aconchegue ai.

O papo é breve e ligeiro nos parâmetros para votar.

Assisti alguns debates para prefeitura.  Começou antidemocrático e terminou na tentativa de ser demo-crático.

A estratégia de atacar e contra-atacar uns aos outros por ausência de propostas condizentes com a realidade foi basicamente unânime. Exceto quem já dispunha de experiência do cargo e, portanto tinha alguma noção básica de que não é pertinente e respeitoso prometer o impossível.

Do resto, nenhuma novidade.
No que diz respeito às propostas nenhuma agradou. Seria mais leal da parte de muitos dizerem: olha não vou fazer nada, ou assumir vou apenas equilibrar o orçamento. Só isso, nada mais.

Talvez se dissessem: São Paulo é um caos – Babilônia - um inferno prestes a explodir e, portanto não farei milagres, vou apenas me atentar para que alguma coisa funcione, juro que acreditaria.

Daí mediante debates, propagandas, pesquisas da Folha  muito bem encomendadas pela Globo Golpista, escuta de conversas nas filas e santinhos nas ruas a conjuntura demonstra o seguinte resultado:

Primeiro lugar: candidato que propõe o cartão com chip na saúde.
Ora se nem as financeiras dizem dispor de tal tecnologia – cartão com chip – para maioria dos usuários quem dirá os órgãos públicos. Deveria experimentar agendar uma consulta e ver a cara de desespero do auxiliar administrativo quando o sistema cai. Precisava ainda ver a nossa cara quando eles dizem:
-Senhora não tem mais vaga, vai ficar para fila de espera.
-Mas você disse que tinha para tal dia???
-Pois é senhora, mas o sistema caiu. Na espera para voltar a funcionar a vaga foi preenchida.

Segundo lugar: o candidato que propõe parceria. A palavra chave é parceria. Podia jurar que tinha escutado errado. Afinal isto o SUS, SUAS, SINASE, SEGURANÇA já propõem né. Parceria entre os poderes, ou seja, União, Estados e Municípios, senão acontece esta tal parceria entre governo do estado e prefeitura trata-se somente do desrespeito as políticas públicas, ausência de diálogo intersetorial (o que é grave!). Não tem nada a ver com ausência de proposta quando já tem a política pública.
 
Os demais candidatos não irão para o segundo turno pelo óbvio. Seja pela  margem enorme de diferenças ou por motivos relevantes para o convencimento desta realidade.

Os dois candidatos:

Um candidato é atual prefeito e está aliado ao partido considerado o único corrupto da história do país. A desgraça do marketing está tão articulada no jornalismo que noutro dia fiquei horrorizada numa reportagem. Estavam tratando de corrupção na cidade de São Paulo com Odebrecht, só consegui identificar que se tratava do governo do Estado, no final da matéria quando foi citado o metrô.  

O outro candidato é da segurança pública. Pouco propôs e atacou muito o governador do Estado. Aqui se sabe que quem o faz nunca é levado a sério.

As duas candidatas:

Trata-se de mulheres. Neste caso, eliminou-se 50% de chance na disputa, tendo em vista que a presidente (a) foi considerada a maior incompetente política de todos os tempos.

A  candidata do vai e volta (de cargos públicos, partidos e políticas quando convém ela é de esquerda, quando não é "neutra" ), perdeu considerável atenção do eleitorado por ter ido para o partido articulador da manobra golpista. Mas se reconhece que sabe se colocar no debate.

Já a outra candidata com experiência no cargo noutros tempos teve boas colocações, poucas propostas, mas é de esquerda. Considerada ultrapassada pela condição de idosa, o que não considero um problema tendo em vista que caquéticos, geriátricos e dinossauros “neutros” estão na política há séculos errando e destruindo o sentido de qualquer função pública e política do país. Sendo, o problema não é ser idoso (a), mas ser de esquerda.

Assim, o que nos resta?

Respeitar quem não queira votar.

E pensar na base.

Refletir sobre a base.

Entender que foi justamente uma base comprada e corrompida, composta majoritariamente por caquéticos “neutros” e se dizendo preocupados com o bem do país(ou com quem dá mais) que autorizou a farsa de golpe como impeachment.

Penso que quando a base estiver colorida, com indígenas e mais da metade com negros (as), encrespada, alisada, encaracolada, com salto alto e baixo, com ares mais feministas do que feminina ai sim temos alguma aparente democracia. E se mesmo assim continuarmos nesta perspectiva fascista e golpista será mais evidente o toque para esquerda anular toda ação através do voto.

E falando em base.

Quem é o Douglas?
Posso dizer que o vi muitas vezes discursando sobre o movimento negro ou sobre a situação do negro no país, mais precisamente na cidade de São Paulo.

Tão comum quanto, é vê-lo falando sobre educação. Mais importante ainda, atuante na educação através dos cursinhos comunitários.

É quase natural vê-lo em alguns locais como: congressos, palestras, seminários, atos, manifestação, cursinhos, organizações ou qualquer ajuntamento para debater temas sobre juventude, racismo, política, genocídio, educação, política pública...

Sempre acessível procura conversar com quem encontra nos atos. Tem basicamente os mesmos trejeitos com todos.

Por que o Douglas?
Basicamente defende ideias e ideais progressistas. O Douglas está sempre numa direção, à esquerda. Também conhece a realidade social daqueles que de fato encontram-se vulneráveis. Não é visitante destes locais é morador e convive com esta realidade cotidianamente.

O que o Douglas tem de diferente?
De nós?
Nada.
Ele é mais um na fila do pão.

Também é mais um dentre milhares na fila dos terminais de metrô/trem ou ponto de ônibus das cidades.

Reflexão na base, segue o número: 50075

Para maiores informações acesse::Douglas Belchior