sábado, 6 de junho de 2009


Muito seguro de si, andava pelo mundo, cativava meninas, mulheres e expoentes do sexo feminino. Sua beleza era composta por sua segurança e sua voz sedutora. Fazia o tipo moderno, livre, desimpedido, mesmo não sendo. Era homem de carne, osso e palavras sórdidas, galanteadoras, globalizadas e petrificadas.

Não era vítima da dúvida, mas era fragilizado pelo ciúme. Fingia não sentir, mas a única coisa que ele não sabia fazer era mentir. Esconder seu ciúme era quase como negar sua masculinidade. Negar o que ele possuía entre as pernas era uma morte antecipada, jamais conseguiria tal feito, bem como, negar seu ciúme. O ciúme era latente, nos olhos, nas mãos, nas palavras e na altivez cínica.

Dizia que ciúme era um sentimento fraco e tolo, por dentro era assim que ele se sentia, fraco e tolo.

Letrado e bem resolvido com a sua vida pessoal, se escondia por trás de desculpas nietzschianas, freudianas e de botequim.

Tudo que chocava a sociedade, e a ele também, era usado por ele ao contrário. Dizia-se a favor dos dogmas quebrados.

Algo dentro dessa segurança toda o fazia acreditar que a sua negação sobre si mesmo era verdade. Não havia alguém mais enganado sobre ele do que ele próprio. Coitado.

Era nômade, fora ‘amigo’ de Verônica, Antônia, Betânia, Sônia, Clotilde, Suelen, Renata, Karine e Tânia. Suas mentiras se multiplicaram e hoje têm nome, comem, dormem, riem, choram e logo estarão, quem sabe, mentindo para si mesmas, como seu pai.

Tão bem resolvido que a sua segurança sedutora o aniquila pelos segundos, quando bebe, fuma e escreve uma crônica barata, de quinta, talvez pior que essa. Quando se sente só, resgata as imagens daquelas que já passaram pelos seus dias e lamenta com as mãos no rosto sobre a barba por fazer.

Ele nunca é de lugar nenhum, nem quando volta para casa, seu lugar é sempre um pouco mais distante do que o sonho já chegou.

Sua fortuna vai entre idas e vindas, goles, sorrisos, estilhaços, sons, gozos e adeus, que é sua especialidade. Às vezes seu adeus é seu olá, e seu olá, adeus.

Ninguém sabe quando ele chega e quando ele vai. Ninguém sabe seu nome, mas se fosse para defini-lo com perfeição diria eu: fracasso.

dcm040608

20 comentários:

  1. uma ponta de mágoa?


    nossa, consegui ser a primeira.

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  2. acho que senti igual à marcela. bonito texto, demais.
    e eu sempre a segunda!!! rs.

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  3. Conheço alguém exatamente assim. Ou mais ou menos.

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  4. também conheço alguém mais ou menos assim.

    e o blog dos 30 no estadão. que luxo.

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  5. lindo texto sem título da danimartins. legal ela definir o fracasso dessa forma, como um ser incoerente...

    e sim, nosso blog tá lá no site do estadão:

    http://blog.estadao.com.br/blog/link/?title=blog_com_data_de_validade&more=1&c=1&tb=1&pb=1

    .

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  6. Mentira!

    Ah, mas esse blog só me orgulha. (e me deixa com mais medo do dia 17).

    "Ele nunca é de lugar nenhum, nem quando volta para casa, seu lugar é sempre um pouco mais distante do que o sonho já chegou".

    Só para citar uma das melhores frases desse texto de tapa com luva de pelica.

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  7. Nossa senhora, esse texto é demais, muito louco mesmo, esse blog tá demais, parabéns Dani.

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  8. Carai, tô bege. Lucas dá tempo de desistir, vou passar vergonha dia 23.

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  9. sucesso demais o blog!
    parabéns a todos!
    lindo texto, dani!

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  10. ..."se escondia por trás de desculpas...,ótimo,como todo o texto, dizer que gostei, hum! digo que li,reli,reli.. de um folêgo só.
    Parabéns, tb pelo blog.

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  11. "Não havia alguém mais enganado sobre ele do que ele próprio. Coitado."

    ôloco!

    parabéns demaaais!

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  12. Amei, amei, amei!!
    Bonito texto, mas triste, triste, triste.

    "Fingia não sentir, mas a única coisa que ele não sabia fazer era mentir."

    Parabéns!

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  13. aiiii...acabei de chegar da pós.

    :)

    thank's a todos, e eu tou hiper feliz com o blog no estadão!

    \o/

    .lucas querido, obrigada pela postagem.

    ps: nesse texto há um pouco de melancolia, um pouco de raiva, um pouco de verdade, um pouco de mentira e muita, mas muita vontade de materializar o fracasso.

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  14. Lembrei dos Racionais,o Dom Juan das vagabundas (rs!!!).

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  15. que historia é essa de blog no estadao?

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  16. ah e como gostei deste...
    ainda que triste...sofrido;;;
    foi lindoooo lindooo

    amei

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  17. Dani, como já te falei, à parte a honra de ter sido um dos primeiros a ler esse texto, tu tá de parabéns!!

    Só pra variar, a mesma qualidade de sempre, a mesma capacidade de deixar a gentede boca aberta e olhos caídos. Parabéns!!!

    E não esqueça que o "Projeto Veronika´s" ainda tá de pé..

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  18. DR, querido, o projeto Veronika´s está mais do que de pé. Um dia ele sairá do "papel". Obrigada pelos elogios, sabes que eles me são importante e funcionam como incentivo.

    ;)

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  19. Gostei da imagem. O rapaz gosta de ter, possuir, daí tanto ciúme por tudo e por nada.

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