terça-feira, 28 de julho de 2009

O Jardim de Dentro

Ele veio pelo caminho da direita, colhendo lírios e cantando flores. Sorriu para mim, de longe, e disse que por ali havia passado, outro dia, um rapaz igual a mim, um pouco mais feliz. Nos cruzamos e quando olhei para trás, ele já não estava mais lá. Apenas marcas pelo caminho, em direção à esquerda de onde vim. Pegadas que vi apenas por andar mais cabisbaixo do que de costume.

Acho que algum dia desses, de alguma forma, nós vamos nos encontrar e sentar para conversar, daqueles papos tão nossos e poder conhecer um pouco sobre o tudo que mora debaixo desse nosso nada a declarar.

Ele, que sou eu, na verdade, passou por mim, um dia desses, um pouco mais triste do que de costume. Perguntei a ele, e a mim, qual o motivo de derramar lágrimas por esse jardim. Ele me respondeu, como se falasse pra si: aqui, eu rego o jardim por onde iremos, em breve, colher lírios e cantar flores, até que distraídos, olhemos para trás em busca de algo que nunca fomos e nunca seremos. Ali, naquele ponto que une você a mim, de expectativas à esquerda do horizonte, espero te conhecer para dizer quem somos. Ate lá, sigo jardineiro de mim mesmo e meu jardim é aqui dentro.